{"id":1005,"date":"2024-08-10T14:03:00","date_gmt":"2024-08-10T14:03:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=1005"},"modified":"2024-09-10T14:06:54","modified_gmt":"2024-09-10T14:06:54","slug":"investigacoes-sobre-o-metodo-das-ciencias-sociais-de-carl-menger","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/08\/10\/investigacoes-sobre-o-metodo-das-ciencias-sociais-de-carl-menger\/","title":{"rendered":"Investiga\u00e7\u00f5es sobre o M\u00e9todo das Ci\u00eancias Sociais, de Carl Menger"},"content":{"rendered":"\n<p>Abaixo voc\u00ea ir\u00e1 ler um trecho de &#8220;Investiga\u00e7\u00f5es sobre o M\u00e9todo das Ci\u00eancias Sociais&#8221; de Carl Menger. Caso deseje saber mais sobre a obra <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/investigacoes-sobre-o-metodo-das-ciencias-sociais\/\">clique aqui<\/a>, ou na capa do livro abaixo. <\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/investigacoes-sobre-o-metodo-das-ciencias-sociais\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capinha_menger.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1002\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capinha_menger.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capinha_menger-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capinha_menger-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>1. Os v\u00e1rios aspectos da pesquisa no campo da economia nacional<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>O mundo dos fen\u00f4menos pode ser considerado a partir de dois pontos de vista essencialmente diferentes. Ou h\u00e1 fen\u00f4menos concretos em sua posi\u00e7\u00e3o no espa\u00e7o e no tempo e em suas rela\u00e7\u00f5es concretas entre si, ou ent\u00e3o h\u00e1 as formas emp\u00edricas recorrentes na varia\u00e7\u00e3o desses fen\u00f4menos, cujo conhecimento constitui o objeto do nosso interesse cient\u00edfico. A primeira orienta\u00e7\u00e3o de pesquisa visa o conhecimento do concreto, ou mais corretamente, do aspecto individual dos fen\u00f4menos; a outra visa o conhecimento de seu aspecto geral. Assim, correspondendo a essas duas principais orienta\u00e7\u00f5es da busca pelo conhecimento, duas grandes classes de conhecimento cient\u00edfico se confrontam, a primeira das quais chamaremos brevemente de individual, e a segunda de geral<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O interesse que a mente humana tem pelo conhecimento dos fen\u00f4menos concretos (do que \u00e9 individual) e a signific\u00e2ncia disso para a vida pr\u00e1tica \u00e9 evidente; assim como \u00e9 a natureza formal dos resultados da busca pelo conhecimento voltada para o que \u00e9 individual. N\u00e3o t\u00e3o \u00f3bvias para a compreens\u00e3o geral s\u00e3o a natureza e a signific\u00e2ncia do conhecimento geral; e, portanto, devido \u00e0 import\u00e2ncia deste assunto para a compreens\u00e3o da natureza das ci\u00eancias te\u00f3ricas e seu contraste com as hist\u00f3ricas, algumas observa\u00e7\u00f5es pertinentes podem ser feitas aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da grande variedade de fen\u00f4menos concretos, somos capazes, mesmo com uma observa\u00e7\u00e3o superficial, de perceber que nem todo fen\u00f4meno exibe uma forma emp\u00edrica particular que difere de todas as outras. A experi\u00eancia nos ensina, ao contr\u00e1rio, que determinados fen\u00f4menos se repetem, ora com maior exatid\u00e3o, ora com menor, e se repetem na varia\u00e7\u00e3o das coisas. Chamamos essas formas emp\u00edricas de tipos. O mesmo vale para as rela\u00e7\u00f5es entre fen\u00f4menos concretos. Estas tamb\u00e9m n\u00e3o exibem uma completa individualidade em cada caso. Somos capazes, ao contr\u00e1rio, de observar sem muita dificuldade certas rela\u00e7\u00f5es entre elas que se repetem, ora com maior, ora com menor regularidade (por exemplo, regularidades em sua sucess\u00e3o, em seu desenvolvimento, em sua coexist\u00eancia), rela\u00e7\u00f5es que chamamos de t\u00edpicas. Os fen\u00f4menos de compra, de dinheiro, de oferta e demanda, de pre\u00e7o, de capital, de taxa de juros s\u00e3o exemplos de formas emp\u00edricas t\u00edpicas de economia. Por outro lado, a queda regular no pre\u00e7o de uma mercadoria como resultado do aumento da oferta, o aumento no pre\u00e7o de uma mercadoria como resultado de um aumento na moeda, a redu\u00e7\u00e3o da taxa de juros como resultado de uma acumula\u00e7\u00e3o consider\u00e1vel de capital, etc., se apresentam a n\u00f3s como rela\u00e7\u00f5es t\u00edpicas entre fen\u00f4menos econ\u00f4micos. O contraste entre o que chamamos de fen\u00f4menos gerais e individuais, ou conhecimento geral e individual dos fen\u00f4menos, respectivamente, provavelmente est\u00e1 completamente claro ap\u00f3s o que foi dito.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga\u00e7\u00e3o dos tipos e das rela\u00e7\u00f5es t\u00edpicas dos fen\u00f4menos \u00e9 de import\u00e2ncia verdadeiramente imensur\u00e1vel para a vida humana, de n\u00e3o menos signific\u00e2ncia do que o conhecimento dos fen\u00f4menos concretos. Sem o conhecimento das formas emp\u00edricas, n\u00e3o ser\u00edamos capazes de compreender as mir\u00edades de fen\u00f4menos que nos cercam, nem de classific\u00e1-los em nossas mentes; \u00e9 a pressuposi\u00e7\u00e3o para um conhecimento mais abrangente do mundo real. Sem o conhecimento das rela\u00e7\u00f5es t\u00edpicas, estar\u00edamos privados n\u00e3o apenas de uma compreens\u00e3o mais profunda do mundo real, como mostraremos mais adiante, mas tamb\u00e9m, como pode ser facilmente visto, de qualquer conhecimento que v\u00e1 al\u00e9m da observa\u00e7\u00e3o imediata, ou seja, de qualquer previs\u00e3o e controle das coisas. Toda previs\u00e3o humana e, indiretamente, toda forma\u00e7\u00e3o arbitr\u00e1ria das coisas \u00e9 condicionada por aquele conhecimento que anteriormente chamamos de geral.<\/p>\n\n\n\n<p>As afirma\u00e7\u00f5es feitas aqui s\u00e3o verdadeiras para todos os reinos do mundo dos fen\u00f4menos, e, consequentemente, tamb\u00e9m para a economia humana em geral e sua forma social, a \u201ceconomia nacional\u201d<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, em particular. Os fen\u00f4menos desta \u00faltima tamb\u00e9m podem ser considerados a partir dos dois pontos de vista t\u00e3o completamente diferentes mencionados acima; e no campo da economia, tamb\u00e9m, teremos que diferenciar, por um lado, entre os fen\u00f4menos individuais (concretos) e suas rela\u00e7\u00f5es individuais (concretas) no tempo e no espa\u00e7o, e, por outro lado, entre os tipos (formas emp\u00edricas) e suas rela\u00e7\u00f5es t\u00edpicas (leis no sentido mais amplo da palavra). Tamb\u00e9m no campo da economia encontramos conhecimento individual e geral, e, correspondentemente, ci\u00eancias do aspecto individual dos fen\u00f4menos e ci\u00eancias do aspecto geral. \u00c0s primeiras pertencem a hist\u00f3ria e as estat\u00edsticas da economia; \u00e0s \u00faltimas, a economia te\u00f3rica; pois as duas primeiras t\u00eam a tarefa de investigar os fen\u00f4menos econ\u00f4micos individuais<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>, mesmo que sob diferentes pontos de vista. A \u00faltima tem a tarefa de investigar as formas emp\u00edricas e leis (a natureza geral e a conex\u00e3o geral) dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O contraste acima n\u00e3o \u00e9 raramente caracterizado, mesmo que em um sentido um pouco diferente, pela separa\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias em hist\u00f3ricas e te\u00f3ricas. Hist\u00f3ria e estat\u00edsticas da economia s\u00e3o ci\u00eancias hist\u00f3ricas no sentido acima; economia \u00e9 uma ci\u00eancia te\u00f3rica<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dos dois grandes grupos de ci\u00eancias acima, devemos ter em mente ainda um terceiro grupo, cuja natureza \u00e9 essencialmente diferente da dos dois anteriormente mencionados: referimo-nos \u00e0s chamadas ci\u00eancias pr\u00e1ticas ou tecnologias. As ci\u00eancias desse tipo n\u00e3o nos conscientizam dos fen\u00f4menos, nem do ponto de vista hist\u00f3rico, nem do te\u00f3rico; elas n\u00e3o nos ensinam de todo o que \u00e9. Seu problema \u00e9 antes determinar os princ\u00edpios b\u00e1sicos pelos quais, de acordo com a diversidade de condi\u00e7\u00f5es, esfor\u00e7os de um tipo definido podem ser mais adequadamente perseguidos. Elas nos ensinam quais s\u00e3o as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para que objetivos humanos espec\u00edficos sejam alcan\u00e7ados. Tecnologias desse tipo no campo da economia s\u00e3o a pol\u00edtica econ\u00f4mica e a ci\u00eancia das finan\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, teremos que distinguir no campo da economia tr\u00eas grupos de ci\u00eancias para nossos prop\u00f3sitos espec\u00edficos: primeiro, as ci\u00eancias hist\u00f3ricas (hist\u00f3ria<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>) e as estat\u00edsticas<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> da economia, que t\u00eam a tarefa de investigar e descrever a natureza individual e a conex\u00e3o individual dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos; segundo, a economia te\u00f3rica, com a tarefa de investigar e descrever sua natureza geral e conex\u00e3o geral (suas leis); finalmente, terceiro, as ci\u00eancias pr\u00e1ticas da economia<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> nacional, com a tarefa de investigar e descrever os princ\u00edpios b\u00e1sicos para uma a\u00e7\u00e3o adequada (adaptada \u00e0 variedade de condi\u00e7\u00f5es) no campo da economia nacional (pol\u00edtica econ\u00f4mica e ci\u00eancia das finan\u00e7as).<\/p>\n\n\n\n<p>Por economia pol\u00edtica<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>, no entanto, entenderemos a totalidade das ci\u00eancias te\u00f3rico-pr\u00e1ticas da economia nacional (economia te\u00f3rica, pol\u00edtica econ\u00f4mica e ci\u00eancia das finan\u00e7as) que atualmente s\u00e3o comumente agrupadas sob a designa\u00e7\u00e3o acima mencionada<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>.\u2003<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>2. Os erros resultantes da falha em reconhecer a natureza formal da teoria econ\u00f4mica<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A natureza e a import\u00e2ncia do chamado ponto de vista hist\u00f3rico na economia pol\u00edtica ser\u00e3o expostas detalhadamente no Livro Dois, e os erros ser\u00e3o indicados resultantes da falha em reconhecer este ponto de vista \u2013 do que poderia ser chamado o ponto de vista n\u00e3o hist\u00f3rico na economia pol\u00edtica. Mas antes de avan\u00e7armos para a solu\u00e7\u00e3o deste problema, gostar\u00edamos primeiro de mencionar aqueles erros que resultaram da falha em reconhecer a natureza formal da economia pol\u00edtica e seu lugar no \u00e2mbito das ci\u00eancias em geral. Estes erros n\u00e3o s\u00f3 t\u00eam aparecido particularmente entre os economistas pol\u00edticos alem\u00e3es, mas tamb\u00e9m, como ser\u00e1 mostrado, est\u00e3o enraizados em grande medida precisamente na tentativa \u2013 justificada por si s\u00f3, mas at\u00e9 agora vaga e equivocada \u2013 de tornar o ponto de vista hist\u00f3rico v\u00e1lido em nossa ci\u00eancia. No entanto, vamos falar primeiro aqui da confus\u00e3o entre pesquisa hist\u00f3rica e te\u00f3rica no campo da economia, e ent\u00e3o da confus\u00e3o entre as ci\u00eancias econ\u00f4micas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi enfatizado acima que os fen\u00f4menos podem ser investigados a partir de um duplo ponto de vista, do individual (o hist\u00f3rico no sentido mais amplo desta palavra) e do geral (o te\u00f3rico). A tarefa da primeira orienta\u00e7\u00e3o de pesquisa \u00e9 a cogni\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos concretos em sua natureza individual e sua conex\u00e3o individual. A tarefa da \u00faltima \u00e9 a cogni\u00e7\u00e3o de formas emp\u00edricas (tipos) e de rela\u00e7\u00f5es t\u00edpicas (as leis dos fen\u00f4menos). S\u00e3o atos concretos, destinos, institui\u00e7\u00f5es de na\u00e7\u00f5es e estados definidos, s\u00e3o desenvolvimentos e condi\u00e7\u00f5es culturais concretos cuja investiga\u00e7\u00e3o constitui a tarefa da hist\u00f3ria e das estat\u00edsticas, enquanto as ci\u00eancias sociais te\u00f3ricas t\u00eam a tarefa de elaborar as formas emp\u00edricas dos fen\u00f4menos sociais e as leis de sua sucess\u00e3o, de sua coexist\u00eancia, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>O contraste entre as ci\u00eancias hist\u00f3ricas e te\u00f3ricas torna-se ainda mais evidente se nos conscientizarmos dele em um campo de fen\u00f4menos espec\u00edfico. Se, para este fim, selecionarmos os fen\u00f4menos da economia, ent\u00e3o a determina\u00e7\u00e3o das formas emp\u00edricas e das leis, dos tipos e das rela\u00e7\u00f5es t\u00edpicas dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos, nos \u00e9 apresentada como a tarefa da pesquisa te\u00f3rica. Trabalhamos no desenvolvimento da economia te\u00f3rica procurando determinar as formas emp\u00edricas que se repetem na altern\u00e2ncia dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos, por exemplo, a natureza geral da troca, do pre\u00e7o, da renda da terra, da oferta, da demanda, e as rela\u00e7\u00f5es t\u00edpicas entre esses fen\u00f4menos, por exemplo, o efeito sobre os pre\u00e7os do aumento ou diminui\u00e7\u00e3o da oferta e da demanda, o efeito do aumento da popula\u00e7\u00e3o na renda da terra, etc. As ci\u00eancias hist\u00f3ricas da economia, por outro lado, nos ensinam a natureza e o desenvolvimento de fen\u00f4menos econ\u00f4micos individualmente definidos, assim, por exemplo, o estado ou o desenvolvimento da economia de uma na\u00e7\u00e3o ou de um grupo de na\u00e7\u00f5es definido, o estado ou o desenvolvimento de uma institui\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica definida, o desenvolvimento de pre\u00e7os, da renda da terra em um distrito econ\u00f4mico definido, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>As ci\u00eancias econ\u00f4micas te\u00f3ricas e hist\u00f3ricas, consequentemente, exibem uma diferen\u00e7a fundamental, e apenas a completa falha em reconhecer a verdadeira natureza dessas ci\u00eancias pode produzir essa confus\u00e3o entre elas, ou ocasionar a opini\u00e3o de que elas podem se substituir mutuamente. Pelo contr\u00e1rio, fica claro que, assim como a economia te\u00f3rica nunca pode substituir a hist\u00f3ria ou as estat\u00edsticas da economia em nosso esfor\u00e7o pela cogni\u00e7\u00e3o, nem mesmo os estudos mais abrangentes no campo das duas \u00faltimas mencionadas ci\u00eancias, por outro lado, poderiam substituir a economia te\u00f3rica sem deixar uma lacuna no sistema das ci\u00eancias econ\u00f4micas<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Se ainda assim um n\u00famero de escritores sobre assuntos econ\u00f4micos imagina que est\u00e3o preocupados com a economia, enquanto na verdade est\u00e3o ocupados com estudos hist\u00f3ricos no campo da economia, realmente vale a pena investigar a explica\u00e7\u00e3o de um erro extraordinariamente consp\u00edcuo. As seguintes investiga\u00e7\u00f5es devem dar a resposta a esta pergunta, que \u00e9 em grande parte pr\u00e1tica quando considerada a escola hist\u00f3rica da economia alem\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo da pesquisa acad\u00eamica n\u00e3o \u00e9 apenas a cogni\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m a compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos. Ganhamos a cogni\u00e7\u00e3o de um fen\u00f4meno quando alcan\u00e7amos uma imagem mental dele. N\u00f3s o entendemos quando reconhecemos a raz\u00e3o de sua exist\u00eancia e de sua qualidade caracter\u00edstica (a raz\u00e3o de ser e de ser como \u00e9).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas podemos alcan\u00e7ar o entendimento dos fen\u00f4menos sociais de duas maneiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendemos um fen\u00f4meno concreto de uma forma especificamente hist\u00f3rica (atrav\u00e9s de sua hist\u00f3ria) investigando seu processo individual de desenvolvimento, ou seja, tornando-nos conscientes das rela\u00e7\u00f5es concretas sob as quais ele se desenvolveu e, de fato, tornou-se o que \u00e9, em sua qualidade especial.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 bem conhecido at\u00e9 que ponto o entendimento de uma s\u00e9rie de fen\u00f4menos sociais significativos foi avan\u00e7ado pela investiga\u00e7\u00e3o de sua hist\u00f3ria, ou seja, de uma maneira especificamente hist\u00f3rica, e de que maneira louv\u00e1vel a erudi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 tem participado desse trabalho. Preciso apenas chamar aten\u00e7\u00e3o para o direito e a linguagem. A lei de uma terra espec\u00edfica, a l\u00edngua de um povo espec\u00edfico s\u00e3o fen\u00f4menos concretos. Eles se tornam intelig\u00edveis para n\u00f3s em muito maior medida quando nos tornamos conscientes de seu processo de desenvolvimento, ou seja, quando investigamos como esse c\u00f3digo de lei espec\u00edfico, essa l\u00edngua espec\u00edfica se desenvolveu gradualmente, quais influ\u00eancias estavam em jogo aqui, etc., do que se quis\u00e9ssemos alcan\u00e7ar o entendimento deles exclusivamente com base no estudo do presente, n\u00e3o importa qu\u00e3o minucioso e b\u00e1sico. \u201cO objeto do direito\u201d, diz Savigny, \u201c\u00e9 dado atrav\u00e9s do passado coletivo das na\u00e7\u00f5es&#8230; ele emergiu da natureza fundamental da na\u00e7\u00e3o e de sua hist\u00f3ria!\u201d<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a> A hist\u00f3ria \u2013 continua Savigny \u2013 n\u00e3o \u00e9 meramente uma cole\u00e7\u00e3o de exemplos, mas o \u00fanico (!) caminho para a verdadeira cogni\u00e7\u00e3o de nossas condi\u00e7\u00f5es reais. E em outro lugar: \u201cA vis\u00e3o hist\u00f3rica da jurisprud\u00eancia&#8230; d\u00e1 o m\u00e1ximo peso ao reconhecimento da conex\u00e3o viva que une o presente ao passado e sem o conhecimento do qual apenas percebemos a apar\u00eancia externa do estado da lei do presente e n\u00e3o compreendemos sua natureza fundamental.\u201d<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Provavelmente h\u00e1 pouca necessidade de salientar que a orienta\u00e7\u00e3o de pesquisa acima, totalmente justificada por si s\u00f3, tamb\u00e9m pode ser aplicada analogamente no campo dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos. O entendimento de certas institui\u00e7\u00f5es, empreendimentos e resultados da economia, do estado da legisla\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em uma terra definida, etc., tamb\u00e9m pode ser avan\u00e7ado pela investiga\u00e7\u00e3o de seu processo de desenvolvimento, ou seja, de uma forma especificamente hist\u00f3rica, assim como no campo do direito. O entendimento especificamente hist\u00f3rico de fen\u00f4menos sociais concretos tamb\u00e9m \u00e9 completamente adequado para o campo da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o entendimento hist\u00f3rico de fen\u00f4menos sociais concretos de forma alguma \u00e9 a \u00fanica coisa que podemos alcan\u00e7ar por meio da pesquisa cient\u00edfica<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Pelo contr\u00e1rio, o entendimento te\u00f3rico de fen\u00f4menos sociais \u00e9 de valor completamente equivalente e de significado igual. Entendemos um fen\u00f4meno concreto de forma te\u00f3rica (com base nas ci\u00eancias te\u00f3ricas correspondentes) reconhecendo-o como um caso especial de uma certa regularidade (conformidade \u00e0 lei) na sucess\u00e3o, ou na coexist\u00eancia de fen\u00f4menos. Em outras palavras, nos tornamos conscientes da base da exist\u00eancia e da peculiaridade da natureza de um fen\u00f4meno concreto ao aprender a reconhecer nele meramente a exemplifica\u00e7\u00e3o de uma conformidade com a lei de fen\u00f4menos em geral. Portanto, entendemos, por exemplo, em casos concretos, o aumento da renda da terra, a diminui\u00e7\u00e3o do juro sobre o capital e outras coisas semelhantes de forma te\u00f3rica, uma vez que os fen\u00f4menos pertinentes se nos apresentam (com base em nosso conhecimento te\u00f3rico) meramente como exemplifica\u00e7\u00f5es particulares das leis da renda da terra, do juro sobre o capital, etc. Tanto a hist\u00f3ria quanto a teoria dos fen\u00f4menos sociais em geral nos proporcionam, assim, um certo entendimento dos fen\u00f4menos sociais e econ\u00f4micos. No entanto, isso \u00e9 em cada caso algo individual, algo essencialmente diferente, t\u00e3o diferente quanto a teoria e a hist\u00f3ria em si mesmas.<\/p>\n\n\n\n<p>Que nossos economistas hist\u00f3ricos nem sempre mantenham separadas com suficiente rigor essas duas maneiras de entender fen\u00f4menos econ\u00f4micos que s\u00e3o t\u00e3o diferentes em sua natureza e bases, e que como resultado dessa circunst\u00e2ncia a opini\u00e3o possa se desenvolver de que, no que diz respeito ao entendimento dos fen\u00f4menos da economia, a teoria da economia poderia substituir sua hist\u00f3ria e, inversamente, sua hist\u00f3ria substituir sua teoria \u2013 parece-me ser a primeira raz\u00e3o para essa confus\u00e3o entre a hist\u00f3ria e a teoria da economia, da qual a escola de economistas acima nos d\u00e1 um exemplo t\u00e3o raro. No esfor\u00e7o para alcan\u00e7ar o entendimento hist\u00f3rico de fen\u00f4menos econ\u00f4micos, a escola pretende reconhecer a aplica\u00e7\u00e3o de uma orienta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica pr\u00f3pria da economia te\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>A isso se acrescenta outra circunst\u00e2ncia que levou, em ainda maior medida, ao mencionado car\u00e1ter vago sobre a natureza formal da economia te\u00f3rica e sua posi\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito das ci\u00eancias econ\u00f4micas.<\/p>\n\n\n\n<p>O entendimento de fatos <strong>concretos<\/strong>, institui\u00e7\u00f5es, rela\u00e7\u00f5es, etc., em resumo, o entendimento de fen\u00f4menos concretos, de qualquer tipo que seja, deve ser estritamente diferenciado da <strong>base cient\u00edfica desse entendimento<\/strong>, ou seja, da teoria e da hist\u00f3ria dos fen\u00f4menos em quest\u00e3o; e o <strong>entendimento te\u00f3rico<\/strong> de fen\u00f4menos econ\u00f4micos concretos deve ser especialmente diferenciado da <strong>teoria da economia<\/strong>. A atividade cient\u00edfica direcionada para estabelecer e apresentar a teoria da economia n\u00e3o deve, \u00e9 claro, ser confundida com aquela que tem como objetivo o entendimento dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos concretos com <strong>base na teoria<\/strong>. Pois, n\u00e3o importa qu\u00e3o cuidadosa e abrangente seja a busca por um entendimento te\u00f3rico dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos <strong>concretos<\/strong> \u2013 por exemplo, com base nas teorias vigentes! \u2013 isso ainda n\u00e3o o torna um te\u00f3rico em economia. <strong>Somente<\/strong> aquele que faz do <strong>desenvolvimento e descri\u00e7\u00e3o da teoria<\/strong> em si sua tarefa \u00e9 assim considerado. O entendimento dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos concretos <strong>por meio da teoria<\/strong>, a aplica\u00e7\u00e3o da economia te\u00f3rica como meio para esse entendimento, a utiliza\u00e7\u00e3o da teoria da economia para a hist\u00f3ria da economia \u2013 tudo isso s\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, problemas para o historiador, para quem as ci\u00eancias sociais, consideradas dessa forma, s\u00e3o <strong>ci\u00eancias auxiliares<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Se resumirmos o que foi dito, ent\u00e3o a quest\u00e3o \u00e9 facilmente respondida quanto \u00e0 verdadeira natureza dos erros nos quais a escola hist\u00f3rica dos economistas alem\u00e3es caiu, no que diz respeito \u00e0 vis\u00e3o de que a economia te\u00f3rica \u00e9 uma ci\u00eancia <strong>hist\u00f3rica<\/strong>. Ela n\u00e3o distingue o entendimento especificamente <strong>hist\u00f3rico<\/strong> da economia do entendimento te\u00f3rico e confunde os dois. Ou seja, ela confunde a busca pelo entendimento dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos <strong>concretos<\/strong> por meio da hist\u00f3ria ou <strong>por meio da teoria<\/strong> da economia com a pesquisa nessas ci\u00eancias em si, e especialmente com a pesquisa no campo da economia te\u00f3rica. Ela pensa que est\u00e1 contribuindo para a teoria da economia e descrevendo-a ao buscar o entendimento de fatos concretos e desenvolvimentos da economia, e aprofundar <strong>esse<\/strong> entendimento, convocando a hist\u00f3ria e a teoria da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como um grande erro sobre a natureza da economia te\u00f3rica e sua posi\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito das ci\u00eancias sociais \u00e9 perpetrado por aqueles que a confundem com a pol\u00edtica <strong>econ\u00f4mica<\/strong>, que confundem a ci\u00eancia da natureza e conex\u00e3o geral dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos com a ci\u00eancia dos princ\u00edpios para a dire\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e avan\u00e7o da economia. O erro n\u00e3o \u00e9 menos grave do que se a qu\u00edmica fosse confundida com a tecnologia qu\u00edmica, a fisiologia e a anatomia com a terapia e a cirurgia, etc. J\u00e1 foi t\u00e3o bem elucidado na teoria do conhecimento que hesitamos em discuti-lo mais detalhadamente. Se, al\u00e9m disso, esse erro aparece n\u00e3o apenas nos prim\u00f3rdios de nossa ci\u00eancia, mas estranhamente at\u00e9 hoje esporadicamente na literatura econ\u00f4mica<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>, e se, apesar de todas as concess\u00f5es em princ\u00edpio, ainda influencia metodologia e estrat\u00e9gia de nossa ci\u00eancia em grande medida, a base disso s\u00f3 pode ser procurada na peculiar evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do conhecimento em geral e especialmente na do campo da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>O conhecimento te\u00f3rico desenvolveu-se em todos os lugares apenas gradualmente a partir de julgamentos pr\u00e1ticos e com a crescente necessidade de uma fundamenta\u00e7\u00e3o cient\u00edfica mais profunda da pr\u00e1tica. O conhecimento te\u00f3rico no campo da economia tamb\u00e9m seguiu esse curso de desenvolvimento. Ele, tamb\u00e9m, originalmente tinha apenas o car\u00e1ter de um ocasional incentivo de m\u00e1ximas pr\u00e1ticas, e por natureza ainda adere a ele vest\u00edgios dessa origem e de sua subordina\u00e7\u00e3o anterior \u00e0 pol\u00edtica econ\u00f4mica. No entanto, especialmente em todas as quest\u00f5es da estrat\u00e9gia e <strong>metodologia<\/strong> de nossa ci\u00eancia, fica claro como \u00e9 importante, no estado atual do discernimento econ\u00f4mico, a separa\u00e7\u00e3o rigorosa do conhecimento te\u00f3rico e pr\u00e1tico no campo de nossa ci\u00eancia, e a que desconcertantes consequ\u00eancias a confus\u00e3o das duas ci\u00eancias leva.<\/p>\n\n\n\n<p>A apresenta\u00e7\u00e3o sum\u00e1ria ou o tratamento conjunto do conhecimento te\u00f3rico e pr\u00e1tico tem necessariamente a consequ\u00eancia de que o conhecimento pr\u00e1tico deve ser classificado no sistema do conhecimento te\u00f3rico, ou, inversamente, que este \u00faltimo deve ser classificado no sistema do conhecimento pr\u00e1tico. Este \u00e9 um processo que, \u00e9 claro, invalida completamente qualquer esquema mais rigoroso de apresenta\u00e7\u00e3o que fa\u00e7a justi\u00e7a \u00e0 natureza do campo de conhecimento em quest\u00e3o, pelo menos em rela\u00e7\u00e3o a uma das duas ci\u00eancias; e o mesmo processo constantemente falha em abranger o car\u00e1ter da outra ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>A isso se acrescenta o fato de que o tratamento combinado dos dois conjuntos de conhecimentos cient\u00edficos quase torna imposs\u00edvel uma certa completude. Pelo menos, na forma em que este tratamento combinado prevaleceu recentemente em nossa ci\u00eancia, provavelmente oferece, na maioria das vezes, a teoria da economia de uma maneira mais ou menos adequada, mas oferece a pol\u00edtica econ\u00f4mica apenas em exposi\u00e7\u00f5es ocasionais e extremamente fragment\u00e1rias. Esses tratamentos da economia pol\u00edtica de forma alguma tornam dispens\u00e1veis escritos espec\u00edficos sobre pol\u00edtica econ\u00f4mica. Consequentemente, pelo menos quando a necessidade de apresenta\u00e7\u00f5es abrangentes de pol\u00edtica econ\u00f4mica j\u00e1 se tornou evidente, n\u00e3o podemos ignorar a d\u00favida sobre a vantagem que a combina\u00e7\u00e3o acima de conhecimento te\u00f3rico e pr\u00e1tico realmente proporcionar\u00e1 nas apresenta\u00e7\u00f5es de economia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>A fus\u00e3o dos pontos de vista te\u00f3rico e pr\u00e1tico acima mencionada influenciou as investiga\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas no campo de nossa ci\u00eancia de maneira extremamente desfavor\u00e1vel. Pois, se a economia pol\u00edtica te\u00f3rica e pr\u00e1tica n\u00e3o forem mantidas estritamente separadas, que valor pode ser demonstrado por investiga\u00e7\u00f5es sobre o m\u00e9todo da economia, ou seja, sobre <strong>o<\/strong> m\u00e9todo de duas ci\u00eancias (uma ci\u00eancia te\u00f3rica e uma pr\u00e1tica) que s\u00e3o t\u00e3o completamente diferentes em sua natureza? Na verdade, que valor pode ser demonstrado por investiga\u00e7\u00f5es sobre <strong>o<\/strong> m\u00e9todo da economia pol\u00edtica no sentido de uma ci\u00eancia te\u00f3rico-pr\u00e1tica que confunde economia te\u00f3rica, pol\u00edtica econ\u00f4mica e a ci\u00eancia financeira?<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o se pode negar que a economia alem\u00e3, mais estritamente do que qualquer outra literatura nesse campo, soube evitar o erro em discuss\u00e3o aqui, e tamb\u00e9m, com isso, em parte pelo menos, suas consequ\u00eancias para a estrat\u00e9gia e metodologia de nossa ci\u00eancia. A necessidade ativa dos cameralistas alem\u00e3es por apresenta\u00e7\u00f5es abrangentes da administra\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica claramente contribuiu essencialmente para esse sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, \u00e9 certo que esse erro que mencionamos anteriormente \u2013 a confus\u00e3o dos pontos de vista hist\u00f3rico e te\u00f3rico na pesquisa cient\u00edfica em economia \u2013 levou, precisamente na literatura alem\u00e3, \u00e0s consequ\u00eancias mais confusas. Surgindo do desejo, absolutamente justificado<strong> per se<\/strong>, de expandir e aprofundar o entendimento hist\u00f3rico de <strong>fen\u00f4menos econ\u00f4micos concretos<\/strong>, o erro acima mencionado, no entanto, influenciou tanto a estrat\u00e9gia quanto a metodologia de nossa ci\u00eancia de maneira extremamente desfavor\u00e1vel. Influenciou a estrat\u00e9gia, na medida em que interromper a apresenta\u00e7\u00e3o da teoria por meio de numerosas digress\u00f5es hist\u00f3ricas foi considerado pr\u00e1tico e, de fato, foi visto como a aplica\u00e7\u00e3o do \u201cm\u00e9todo hist\u00f3rico\u201d em nossas ci\u00eancias; influenciou a metodologia, na medida em que, atrav\u00e9s de falsos entendimentos de pontos de vista e postulados da pesquisa hist\u00f3rica, foram transportados para a metodologia da economia te\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tamb\u00e9m no campo adequado da pesquisa te\u00f3rica, o erro acima mencionado tem prejudicado o progresso de nossas ci\u00eancias de maneira mais destrutiva. N\u00e3o apenas um n\u00famero insignificante, mas realmente a maioria dos adeptos da escola erudita em discuss\u00e3o aqui n\u00e3o pode ser absolvida da acusa\u00e7\u00e3o de se preocupar com a hist\u00f3ria da economia e com o aprofundamento do entendimento dela, enquanto expressa ou pelo menos tacitamente partem do pressuposto de que est\u00e3o apresentando e desenvolvendo a <strong>teoria<\/strong> da economia do ponto de vista hist\u00f3rico. O desejo dos estudiosos acima mencionados, justificado<strong> per se<\/strong>, de eliminar a tend\u00eancia anti-hist\u00f3rica na economia <strong>te\u00f3rica<\/strong> levou, dessa forma, como resultado do erro metodol\u00f3gico em discuss\u00e3o aqui, ao abandono do car\u00e1ter te\u00f3rico da ci\u00eancia econ\u00f4mica. Isso levou a colocar a pesquisa hist\u00f3rica, a<strong> escrita da hist\u00f3ria<\/strong>, no lugar da pesquisa te\u00f3rica em geral e em particular da pesquisa te\u00f3rica com reten\u00e7\u00e3o do ponto de vista hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p>Provavelmente h\u00e1 pouca necessidade de mencionar que, na Alemanha, a pesquisa no campo da economia te\u00f3rica tem sido improdutiva principalmente como consequ\u00eancia desse mal-entendido. O entendimento <strong>hist\u00f3rico<\/strong> de campos individuais da economia foi aberto e aprofundado nas \u00faltimas d\u00e9cadas pela dilig\u00eancia acad\u00eamica dos economistas alem\u00e3es. A <strong>teoria<\/strong> da economia, pelo contr\u00e1rio, e de fato n\u00e3o apenas aquela teoria que falha em reconhecer o ponto de vista hist\u00f3rico na economia, mas infelizmente a <strong>teoria da economia em geral<\/strong>, claramente ficou para tr\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o temos o desejo de forma alguma de menosprezar o m\u00e9rito que a escola hist\u00f3rica dos economistas alem\u00e3es conquistou por ter enfatizado em princ\u00edpio o ponto de vista hist\u00f3rico na economia pol\u00edtica em geral e na economia te\u00f3rica em particular, embora a forma em que essa no\u00e7\u00e3o anteriormente tomou forma, como veremos posteriormente, care\u00e7a de clareza tanto quanto de consist\u00eancia. Certamente, nenhuma pessoa imparcial, n\u00e3o importa o quanto ela enfatize a import\u00e2ncia do ponto de vista hist\u00f3rico em nossa ci\u00eancia, pode negar que mesmo o completo fracasso em reconhecer esse ponto de vista, no que diz respeito \u00e0 extens\u00e3o do erro, n\u00e3o pode remotamente ser paralelo ao erro que confunde a economia te\u00f3rica com a hist\u00f3ria da economia. Ao n\u00e3o reconhecer a natureza formal da economia te\u00f3rica e sua posi\u00e7\u00e3o no \u00e2mbito das ci\u00eancias, um grande n\u00famero de economistas alem\u00e3es caiu em um erro mais grave do que economistas de qualquer orienta\u00e7\u00e3o anti-hist\u00f3rica. Este \u00e9, com certeza, o erro mais fundamental do qual uma escola pode ser v\u00edtima, pois eles ignoraram a pr\u00f3pria ci\u00eancia que pensavam desenvolver.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a economia te\u00f3rica fosse agora uma ci\u00eancia altamente desenvolvida, ou pelo menos uma aperfei\u00e7oada em seus aspectos b\u00e1sicos, a cr\u00edtica poderia, em qualquer caso, passar silenciosamente pelo mal-entendido acima mencionado que beneficia os verdadeiros estudos hist\u00f3ricos no campo da economia. Mas como ela pode fazer isso em rela\u00e7\u00e3o a uma escola erudita que se tornou v\u00edtima de tal mal-entendido em uma ci\u00eancia cujos princ\u00edpios fundamentais ainda n\u00e3o foram alcan\u00e7ados, em uma ci\u00eancia na qual at\u00e9 agora quase tudo ainda est\u00e1 em quest\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>Com que pertin\u00eancia uma observa\u00e7\u00e3o incidental sobre certos sistemas cient\u00edficos feita pelo grande fundador de nossa ci\u00eancia se aplica aos estudiosos acima mencionados, que geralmente s\u00e3o historiadores capazes, mas te\u00f3ricos fracos: \u201cSistemas, que universalmente devem sua origem \u00e0s lucubra\u00e7\u00f5es daqueles que estavam familiarizados com uma arte, mas ignorantes da outra, que, portanto, explicavam para si mesmos os fen\u00f4menos, naquela (arte) que lhes era estranha, pelos (fen\u00f4menos) naquela (arte) que lhes era familiar\u201d<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Usamos a express\u00e3o <em>\u201c<\/em>individual<em>\u201d<\/em> aqui meramente para designar o contraste com o que \u00e9 <em>\u201c<\/em>geral<em>\u201d<\/em>, ou seja, o contraste entre fen\u00f4menos concretos e formas fenom\u00eanicas \u2013 as express\u00f5es <em>\u201c<\/em>concreto<em>\u201d<\/em> e <em>\u201c<\/em>abstrato<em>\u201d<\/em> foram evitadas por n\u00f3s aqui intencionalmente, por serem amb\u00edguas e, al\u00e9m disso, n\u00e3o caracterizam exatamente o contraste acima.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Ver Ap\u00eandice I: <em>\u201c<\/em>A Natureza da Economia Nacional<em>\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> O <em>\u201c<\/em>individual<em>\u201d<\/em> n\u00e3o deve, de forma alguma, ser confundido com o <em>\u201c<\/em>singular<em>\u201d<\/em> ou, o que seria a mesma coisa, os fen\u00f4menos individuais n\u00e3o devem, de forma alguma, ser confundidos com os fen\u00f4menos singulares. Pois o oposto de <em>\u201c<\/em>individual<em>\u201d<\/em> \u00e9 <em>\u201c<\/em>geral<em>\u201d<\/em>, enquanto o oposto de um <em>\u201c<\/em>fen\u00f4meno singular<em>\u201d<\/em> \u00e9 o <em>\u201c<\/em>fen\u00f4meno coletivo<em>\u201d<\/em>. Uma na\u00e7\u00e3o definida, um estado definido, uma economia concreta, uma associa\u00e7\u00e3o, uma comunidade, etc., s\u00e3o exemplos de fen\u00f4menos individuais, mas de forma alguma de fen\u00f4menos singulares (mas sim de fen\u00f4menos coletivos); enquanto as formas fenom\u00eanicas da mercadoria, do valor de uso, do empres\u00e1rio, etc., s\u00e3o de fato gerais, mas n\u00e3o fen\u00f4menos coletivos. O fato de as ci\u00eancias hist\u00f3ricas da economia representarem os fen\u00f4menos individuais dos \u00faltimos n\u00e3o exclui, de forma alguma, que nos tornem conscientes deles do ponto de vista coletivo. Entretanto, o contraste entre a investiga\u00e7\u00e3o e a descri\u00e7\u00e3o do aspecto individual e geral dos fen\u00f4menos humanos \u00e9 sempre o que distingue as ci\u00eancias sociais hist\u00f3ricas das te\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> A economia te\u00f3rica tem a tarefa de investigar a natureza geral e a conex\u00e3o geral dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos, n\u00e3o a de analisar os conceitos econ\u00f4micos e de tirar as conclus\u00f5es l\u00f3gicas resultantes dessa an\u00e1lise. Os fen\u00f4menos, ou certos aspectos deles, e n\u00e3o sua imagem lingu\u00edstica, os conceitos, s\u00e3o o objeto da pesquisa te\u00f3rica no campo da economia. A an\u00e1lise dos conceitos pode, em um caso individual, ter um certo significado para a apresenta\u00e7\u00e3o do conhecimento te\u00f3rico da economia, mas o objetivo da pesquisa no campo da economia te\u00f3rica s\u00f3 pode ser a determina\u00e7\u00e3o da natureza geral e da conex\u00e3o geral dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos. \u00c9 um sinal da pouca compreens\u00e3o que os representantes individuais da escola hist\u00f3rica, em particular, t\u00eam dos objetivos da pesquisa te\u00f3rica, quando veem somente an\u00e1lises de conceitos em investiga\u00e7\u00f5es sobre a natureza da mercadoria, sobre a natureza da economia, a natureza do valor, do pre\u00e7o e coisas semelhantes, e quando veem <em>\u201c<\/em>a cria\u00e7\u00e3o de um sistema de conceitos e julgamentos<em>\u201d<\/em> na busca de uma teoria exata dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos.&nbsp; (ver particularmente Thukydides, de Roscher, p. 27). V\u00e1rios economistas franceses caem em um erro semelhante quando, com uma vis\u00e3o err\u00f4nea dos conceitos <em>\u201c<\/em>teoria<em>\u201d<\/em> e <em>\u201c<\/em>sistema<em>\u201d<\/em>, entendem por esses termos nada mais do que teoremas obtidos dedutivamente a partir de axiomas <em>a priori<\/em>, ou sistemas desses axiomas (cf. particularmente J. B. Say, Cours [1852], I, p. 14 e seguintes). At\u00e9 mesmo J. Garnier diz: <em>\u201c<\/em>C<em>\u2019<\/em>est dans Ie sens de doctrine erronnee qu<em>\u2019<\/em>on prend Ie mot <em>\u2018<\/em>systeme<em>\u2019<\/em> en economie politique.<em>\u201d<\/em> Traite d<em>\u2019<\/em>Econ. Pol. [1868], p. 648).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Cf. abaixo o Ap\u00eandice II: <em>\u201c<\/em>O conceito de economia te\u00f3rica e a natureza de suas leis<em>\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Knies (<em>Pol. Oek.<\/em> [1853], p. 3 e seg.) especifica o problema da hist\u00f3ria econ\u00f4mica da seguinte forma: <em>\u201c<\/em>Ela tem a tarefa de compreender e descrever n\u00e3o apenas o desenvolvimento hist\u00f3rico da teoria da economia, as inten\u00e7\u00f5es e a pr\u00e1tica dos poderes gerais do estado para a satisfa\u00e7\u00e3o de suas necessidades em bens materiais e para a promo\u00e7\u00e3o dos interesses econ\u00f4micos nacionais, mas tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es e os desenvolvimentos econ\u00f4micos na vida real de v\u00e1rias na\u00e7\u00f5es e \u00e9pocas.<em>\u201d<\/em> Para n\u00f3s, o problema da hist\u00f3ria econ\u00f4mica cient\u00edfica parece ser triplo: 1. a investiga\u00e7\u00e3o das fontes da hist\u00f3ria econ\u00f4mica, 2. a cr\u00edtica externa e interna dessas fontes, 3. a descri\u00e7\u00e3o do desenvolvimento desses fen\u00f4menos coletivos que chamamos de <em>\u201c<\/em>economia<em>\u201d<\/em> com base no material hist\u00f3rico assim obtido. Quanto mais abrangente for o estudo das fontes, quanto mais cuidadosa e met\u00f3dica for a cr\u00edtica delas e quanto maior for a arte da descri\u00e7\u00e3o, tanto mais o historiador conseguir\u00e1 nos oferecer um quadro coerente da hist\u00f3ria econ\u00f4mica de na\u00e7\u00f5es individuais, de certos grupos de na\u00e7\u00f5es ou da humanidade que fa\u00e7a justi\u00e7a \u00e0s condi\u00e7\u00f5es reais. Por outro lado, o procedimento das pessoas que simplesmente compilam a hist\u00f3ria econ\u00f4mica das na\u00e7\u00f5es a partir de obras coletadas, sem voltar \u00e0s fontes e sem exercer a menor verifica\u00e7\u00e3o cr\u00edtica sobre elas, parece-nos pouco cient\u00edfico. Em particular, o procedimento daqueles que oferecem uma massa mais ou menos organizada externamente de material hist\u00f3rico, mas sem uma imagem coerente dos desenvolvimentos econ\u00f4micos, e designam essas cole\u00e7\u00f5es de notas mais ou menos acr\u00edticas como hist\u00f3ria, parece ainda mais anticient\u00edfico.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> A estat\u00edstica, como ci\u00eancia hist\u00f3rica, tem os mesmos problemas a serem resolvidos que a hist\u00f3ria, mas n\u00e3o com rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento, e sim ao estado das sociedades. Compila\u00e7\u00f5es acr\u00edticas ou arranjos meramente superficiais de material estat\u00edstico sem unidade superior n\u00e3o fazem parte do dom\u00ednio da descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. As defini\u00e7\u00f5es de estat\u00edstica hist\u00f3rica como <em>\u201c<\/em>hist\u00f3ria em repouso<em>\u201d<\/em>, como <em>\u201c<\/em>a m\u00e9dia do desenvolvimento hist\u00f3rico<em>\u201d<\/em>, como <em>\u201c<\/em>descri\u00e7\u00e3o da sociedade em um ponto definido no tempo<em>\u201d<\/em> e outros conceitos semelhantes permitem uma grande variedade de interpreta\u00e7\u00f5es err\u00f4neas da verdadeira natureza dessa ci\u00eancia. A estat\u00edstica hist\u00f3rica n\u00e3o tem a tarefa de nos oferecer o quadro externo da sociedade em um determinado momento, o qual, de acordo com a sele\u00e7\u00e3o desse ponto, n\u00e3o poderia deixar de ser extremamente desviante e extremamente incompleto, considerando a totalidade da vida das pessoas. Em vez disso, ela tem a tarefa de oferecer uma descri\u00e7\u00e3o de todos os fatores da vida social (mesmo aqueles latentes em um determinado momento) dos quais resulta o movimento da sociedade, enquanto a hist\u00f3ria tem de retratar esse movimento em si. Os dados estat\u00edsticos obtidos a partir de observa\u00e7\u00f5es em massa, que, em contraste com as estat\u00edsticas hist\u00f3ricas e as estat\u00edsticas te\u00f3ricas, apresentam-se como mero material cient\u00edfico, devem ser diferenciados da estat\u00edstica como ci\u00eancia hist\u00f3rica. As fontes hist\u00f3ricas trazidas \u00e0 luz e at\u00e9 mesmo os fatos hist\u00f3ricos determinados criticamente n\u00e3o s\u00e3o <em>\u201c<\/em>hist\u00f3ria<em>\u201d<\/em> em si e, da mesma forma, o mero material estat\u00edstico n\u00e3o pode ser designado como <em>\u201c<\/em>estat\u00edstica<em>\u201d<\/em>. Al\u00e9m disso, o m\u00e9todo de obten\u00e7\u00e3o de estat\u00edsticas, como deveria ser \u00f3bvio, deve ser diferenciado da descri\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos resultados estat\u00edsticos. A <em>\u201c<\/em>estat\u00edstica como ci\u00eancia<em>\u201d<\/em> nunca pode ser meramente um m\u00e9todo. O que \u00e9 comumente chamado de <em>\u201c<\/em>teoria da estat\u00edstica<em>\u201d<\/em> \u00e9 geralmente, por sua natureza, a metodologia (a chamada teoria da cogni\u00e7\u00e3o!) dessa ci\u00eancia. Mais corretamente, apenas os resultados de uma considera\u00e7\u00e3o verdadeiramente te\u00f3rica do material estat\u00edstico, as leis da coexist\u00eancia e da sucess\u00e3o de fen\u00f4menos sociais, devem ser designados como conhecimento te\u00f3rico-estat\u00edstico e a totalidade deles deve ser designada como estat\u00edstica te\u00f3rica. As <em>\u201c<\/em>leis dos grandes n\u00fameros<em>\u201d<\/em> formam o componente mais importante, mas de forma alguma o conte\u00fado exclusivo das estat\u00edsticas te\u00f3ricas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Cf. Ap\u00eandice III: <em>\u201c<\/em>A rela\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias pr\u00e1ticas da economia nacional com a pr\u00e1tica econ\u00f4mica e com a economia te\u00f3rica<em>\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> Montchretien Sieur de Vateville, que em 1615 publicou seu <em>Traicte de l\u2019economie politique em Rouen<\/em> com Jean Osmont, \u00e9 mencionado como o primeiro a usar a express\u00e3o <em>\u201c<\/em>economia pol\u00edtica<em>\u201d<\/em> (<em>economie politique<\/em>). Essa express\u00e3o, que alcan\u00e7ou uma circula\u00e7\u00e3o t\u00e3o ampla, \u00e9 encontrada, entretanto, apenas na p\u00e1gina de t\u00edtulo da obra, n\u00e3o na patente real, onde \u00e9 designada como <em>Traicte economique du profit<\/em>, nem em qualquer parte do texto. Parece, portanto, ter sido o resultado de uma inspira\u00e7\u00e3o moment\u00e2nea do autor; talvez tenha sido emprestado de um texto contempor\u00e2neo depois que o tipo do texto foi definido. A obra, que \u00e9 dividida em tr\u00eas livros, sobre trocas, com\u00e9rcio e navega\u00e7\u00e3o, \u00e9 principalmente de economia pr\u00e1tica (cf. J. Garnier, Journal des economistes [agosto-setembro de 1852]. Duval, <em>Memoire sur Antoine de Montchretien<\/em> [Paris, 1868]). A express\u00e3o <em>\u201c<\/em>economia pol\u00edtica<em>\u201d<\/em> provavelmente j\u00e1 \u00e9 indicada na economia pseudo-aristot\u00e9lica, mas apenas no sentido da economia de uma cidade. No latim medieval, a palavra politia, mais frequentemente ainda politica, \u00e9 usada no sentido de arte do governo (nas glosas mais antigas, essas express\u00f5es s\u00e3o traduzidas por: <em>\u201c<\/em>statordenunge, regiment eyner stat, kunst von der regierung der stat, ein kunst von statten zu regieren<em>\u201d<\/em>). <em>Oeconomia<\/em> usualmente possu\u00eda no latim medieval o significado de <em>praedium<\/em>, <em>villa rustica<\/em>; <em>Oeconomus<\/em> o significado de <em>steward<\/em>, <em>defensor<\/em>, <em>advocatus<\/em>, etc. A combina\u00e7\u00e3o das duas express\u00f5es n\u00e3o foi encontrada em nenhum outro lugar entre os primeiros escritores, nem mesmo nos pais da igreja (cf. Du Cange [1845], V, 333 fi. e IV, 696, Laur. Diefenbach, <em>Glossarium Latino-german<\/em>. [1857], p. 445). Os escritos que apareceram antes de Montchretien, sempre em conex\u00e3o com a terminologia aristot\u00e9lica, tratam de pol\u00edtica ou de economia, mas nunca de economia pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> Cf. Ap\u00eandice IV: <em>\u201c<\/em>A terminologia e a classifica\u00e7\u00e3o das ci\u00eancias econ\u00f4micas<em>\u201d<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 confus\u00e3o que prevalece at\u00e9 mesmo nesse problema extremamente elementar da metodologia da economia, cf., al\u00e9m disso, W. Roscher, <em>System der Volkswirthschaft<\/em>, I, \u00a7 26, em que a simples apresenta\u00e7\u00e3o, em primeiro lugar, da natureza econ\u00f4mica e das necessidades de uma na\u00e7\u00e3o, em segundo lugar, das leis e institui\u00e7\u00f5es que visam \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o dessas necessidades e, finalmente, do maior ou menor sucesso que elas tiveram, \u00e9 designada como a tarefa da teoria, e os resultados dessa orienta\u00e7\u00e3o de pesquisa s\u00e3o designados <em>\u201c<\/em>por assim dizer, como a anatomia e a fisiologia da economia!<em>\u201d<\/em> Os escritos mais recentes de Knies, Schmoller, Held e, muito recentemente, tamb\u00e9m de Scheel (<em>Die nothwendige Reform der Volkswirthschaftslehre<\/em> [Jena, 1879], p. vi, de Ingram) atestam que, mesmo entre os adeptos da escola hist\u00f3rica, uma rea\u00e7\u00e3o est\u00e1 se fazendo sentir contra o equ\u00edvoco acima, que aparece ainda mais na pr\u00e1tica do que na teoria da pesquisa. O erro \u00e9 semelhante \u00e0quele que, no campo da jurisprud\u00eancia, identifica a hist\u00f3ria jur\u00eddica com a jurisprud\u00eancia hist\u00f3rica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> <em>Zeitschrift f\u00fcr geschichtliche Rechtswissenschaft<\/em> (1815), I, p. 436.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> <em>System des heutigen R\u00f6mischen Rechtes<\/em> (Berlim, 1840), I, p. xv.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> Aqueles que encontram um paralelo entre a orienta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da pesquisa no campo da economia te\u00f3rica e aquela no campo da jurisprud\u00eancia e se consideram justificados em simplesmente transferir os pontos de vista metodol\u00f3gicos da escola hist\u00f3rica de juristas para a nossa ci\u00eancia ignoram uma circunst\u00e2ncia muito importante ao fazer isso. A escola hist\u00f3rica de juristas, juntamente com a investiga\u00e7\u00e3o do direito em suas configura\u00e7\u00f5es concretas e em seu desenvolvimento hist\u00f3rico, n\u00e3o reconhece nenhuma ci\u00eancia te\u00f3rica do direito no verdadeiro sentido da palavra. Para a escola hist\u00f3rica de juristas, portanto, a jurisprud\u00eancia \u00e9, em geral, uma ci\u00eancia hist\u00f3rica e seu objetivo \u00e9 a compreens\u00e3o hist\u00f3rica do direito, junto com a qual apenas a dogm\u00e1tica tamb\u00e9m afirma seus direitos. No campo da economia, ao contr\u00e1rio, at\u00e9 mesmo os representantes mais avan\u00e7ados da orienta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica reconhecem uma ci\u00eancia da natureza geral e das leis dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos, uma teoria desses fen\u00f4menos. A orienta\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica da pesquisa em economia te\u00f3rica n\u00e3o pode, portanto, consistir na nega\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter te\u00f3rico da \u00faltima, no reconhecimento exclusivo da hist\u00f3ria da economia, como meio para a compreens\u00e3o dos fen\u00f4menos econ\u00f4micos. Pelo contr\u00e1rio, a peculiaridade de tais fen\u00f4menos pode ser buscada racionalmente apenas na reten\u00e7\u00e3o do ponto de vista hist\u00f3rico na teoria da economia. O que a escola hist\u00f3rica de juristas quer e o que os adeptos do m\u00e9todo hist\u00f3rico na economia devem necessariamente buscar, desde que o car\u00e1ter desta \u00faltima como uma ci\u00eancia te\u00f3rica seja mantido, s\u00e3o, portanto, diferentes, como hist\u00f3ria e teoria, ou melhor, como hist\u00f3ria e uma teoria esclarecida por estudos hist\u00f3ricos. Ambas as escolas, apesar de seu lema comum, est\u00e3o em contraste metodol\u00f3gico fundamental. E a transfer\u00eancia mec\u00e2nica dos postulados e pontos de vista da pesquisa da jurisprud\u00eancia hist\u00f3rica para a nossa ci\u00eancia \u00e9, portanto, um processo com o qual nenhum acad\u00eamico treinado metodologicamente concordar\u00e1 ap\u00f3s uma breve reflex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> Cf. recentemente, especialmente Bonamy Price, <em>Practical Polit. Economy<\/em> (Londres, 1878), p. 1 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> A. Smith, <em>History of Astronomy<\/em>, Dugald Steward, ed. (Basileia, 1799), p. 28 e seguintes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abaixo voc\u00ea ir\u00e1 ler um trecho de &#8220;Investiga\u00e7\u00f5es sobre o M\u00e9todo das Ci\u00eancias Sociais&#8221; de Carl Menger. Caso deseje saber mais sobre a obra clique aqui, ou na capa do livro abaixo. 1. Os v\u00e1rios aspectos da pesquisa no campo da economia nacional O mundo dos fen\u00f4menos pode ser considerado\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/08\/10\/investigacoes-sobre-o-metodo-das-ciencias-sociais-de-carl-menger\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1002,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,45],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1005"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1005"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1005\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1006,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1005\/revisions\/1006"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1002"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1005"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1005"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1005"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}