{"id":1011,"date":"2024-09-19T14:53:58","date_gmt":"2024-09-19T14:53:58","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=1011"},"modified":"2024-09-19T14:53:58","modified_gmt":"2024-09-19T14:53:58","slug":"cartas-de-cicero-volume-iv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/09\/19\/cartas-de-cicero-volume-iv\/","title":{"rendered":"Cartas de C\u00edcero, Volume IV"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler a seguir um trecho da Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s cartas de C\u00edcero em seu Volume IV (e \u00faltimo volume). Caso deseje adquirir este e outros volumes da cole\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/cartas-de-cicero\/\">clique aqui<\/a>, ou na imagem da capa do livro abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/cartas-de-cicero\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capainha2_cicero_4.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1009\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capainha2_cicero_4.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capainha2_cicero_4-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capainha2_cicero_4-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">  <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><a>Introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/h1>\n\n\n\n<p>As cartas deste volume nos trazem ao final da correspond\u00eancia e ao \u00faltimo per\u00edodo da vida de C\u00edcero. Elas naturalmente se dividem em duas partes: aquelas que seguem o assassinato de C\u00e9sar at\u00e9 setembro de 44 a.C. \u2013 cinco meses de hesita\u00e7\u00e3o e d\u00favida \u2013 e aquelas que come\u00e7am ap\u00f3s o retorno de C\u00edcero a Roma, depois de sua frustrada partida para a Gr\u00e9cia (31 de agosto), trazendo-o de volta ativo e ansioso, com todas as d\u00favidas e hesita\u00e7\u00f5es jogadas ao vento. Ele est\u00e1 se esfor\u00e7ando ao m\u00e1ximo para organizar a oposi\u00e7\u00e3o a Ant\u00f4nio, que agora ele decidiu ser o inimigo da constitui\u00e7\u00e3o e da liberdade \u2013 um C\u00e9sar mais fraco e pior, aproveitando-se do nome de seu grande patrono, intoxicado pela riqueza que caiu em suas m\u00e3os, e manchado por todos os v\u00edcios p\u00fablicos e privados.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro per\u00edodo \u00e9 de desilus\u00e3o, o segundo de luta desesperada. A desilus\u00e3o, de fato, come\u00e7a imediatamente: o volume se inicia com uma nota, de pouco mais de uma linha, endere\u00e7ada a um dos assassinos, de uma exulta\u00e7\u00e3o quase hist\u00e9rica. C\u00edcero estava no senado quando o assassinato ocorreu<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>: ele nos conta da \u201calegria com que encheu os olhos ao ver a justa execu\u00e7\u00e3o de um tirano.\u201d<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Ele declara novamente que os Idos de mar\u00e7o o consolaram de todos os seus problemas e decep\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Ele chama os assassinos de \u201cher\u00f3is\u201d ou quase divindades<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Mas a inutilidade desse crime trai\u00e7oeiro ficou evidente de imediato e se tornou cada vez mais consp\u00edcua a cada dia que se seguiu. Em menos de um m\u00eas, C\u00edcero viu que \u201ca constitui\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi restaurada junto com a liberdade\u201d<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> e discutia com \u00c1tico de quem era a culpa. Na reuni\u00e3o do senado, convocada por Ant\u00f4nio em 17 de mar\u00e7o, os atos de C\u00e9sar foram confirmados, e um funeral p\u00fablico foi votado<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. A manipula\u00e7\u00e3o do sentimento popular, causada pela ora\u00e7\u00e3o f\u00fanebre de Ant\u00f4nio e pela publica\u00e7\u00e3o do testamento de C\u00e9sar, encorajou Ant\u00f4nio a fazer o uso mais amplo poss\u00edvel da confirma\u00e7\u00e3o dos atos, at\u00e9 que C\u00edcero exclamou indignado que a concess\u00e3o feita \u00e0s exig\u00eancias do momento estava sendo \u201cabusada sem modera\u00e7\u00e3o ou gratid\u00e3o,\u201d<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> que \u201cmedidas que C\u00e9sar jamais teria tomado nem sancionado est\u00e3o agora sendo extra\u00eddas de suas atas forjadas,\u201d e que \u201cn\u00f3s, que n\u00e3o pod\u00edamos suportar ser seus escravos, agora somos os humildes servos de seus livros de memorandos.\u201d<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A isso se somava a crescente dificuldade da posi\u00e7\u00e3o dos l\u00edderes do assassinato. D\u00e9cimo Bruto, de fato, apesar do protesto de Ant\u00f4nio, foi para sua prov\u00edncia da G\u00e1lia Cisalpina e assumiu o comando das tropas de l\u00e1; enquanto Treb\u00f4nio partiu para sua prov\u00edncia da \u00c1sia, tendo um entendimento secreto com o partido ciceroniano de que ele deveria coordenar medidas e reunir for\u00e7as para poss\u00edveis conting\u00eancias futuras. Mas M. Bruto e C. C\u00e1ssio, embora pretores, n\u00e3o podiam arriscar ir a Roma, e Ant\u00f4nio acabou conseguindo for\u00e7ar o Senado a nomear outros para as prov\u00edncias da Maced\u00f4nia e da S\u00edria, para as quais eles haviam sido respectivamente indicados por C\u00e9sar; e Treb\u00f4nio s\u00f3 p\u00f4de deixar a It\u00e1lia rumo \u00e0 sua prov\u00edncia viajando quase disfar\u00e7ado por estradas secund\u00e1rias at\u00e9 a costa<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Cada dia que passava parecia mostrar que eles teriam que lutar por sua posi\u00e7\u00e3o ou mesmo por suas vidas. Ant\u00f4nio estava reunindo uma for\u00e7a consider\u00e1vel em Roma, sob o pretexto de uma guarda pessoal, e contra uma suposta inten\u00e7\u00e3o de Bruto e C\u00e1ssio de recorrer \u00e0 for\u00e7a. Essa guarda era formada, ao menos em parte, induzindo os veteranos de C\u00e9sar a se alistarem novamente, e ela crescia continuamente<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Mesmo aqueles veteranos que n\u00e3o se alistaram formalmente foram persuadidos a se manterem prontos para um chamado, com suas armas devidamente preparadas, e ao menos a se prepararem para ir a Roma votar a favor das propostas de Ant\u00f4nio<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Al\u00e9m disso, Ant\u00f4nio arrancou do Senado, no in\u00edcio de junho, sen\u00e3o antes, o comando das legi\u00f5es que haviam sido estacionadas na prov\u00edncia da Maced\u00f4nia com vistas \u00e0s expedi\u00e7\u00f5es getas e partas, e logo enviou seu irm\u00e3o Caio para traz\u00ea-las \u00e0 It\u00e1lia. Bruto e C\u00e1ssio, por sua vez, estavam reunindo navios e homens, determinados a se apossar das prov\u00edncias originalmente designadas a eles (Maced\u00f4nia e S\u00edria) ao final de seus pretorados; D\u00e9cimo Bruto, ao engajar suas for\u00e7as contra as tribos alpinas, estava treinando tropas que poderia usar contra qualquer \u201csucessor pretendente\u201d<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>, e tudo indicava uma luta iminente. \u201cNa minha opini\u00e3o\u201d, diz C\u00edcero no dia 15 de junho, \u201co estado das coisas aponta para derramamento de sangue, e em breve. Voc\u00ea v\u00ea quem s\u00e3o os homens, voc\u00ea v\u00ea como est\u00e3o se armando.\u201d<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>As coisas ficaram ainda mais complicadas com o aparecimento do jovem Otaviano no cen\u00e1rio. Ele havia sido enviado por seu tio para passar o inverno em Apol\u00f4nia, onde poderia, com menos interrup\u00e7\u00f5es do que em Roma, continuar seus estudos e aperfei\u00e7oar sua educa\u00e7\u00e3o militar. Mas, assim que recebeu de sua m\u00e3e a not\u00edcia do assassinato do ditador, ele partiu com um pequeno s\u00e9quito de amigos para a It\u00e1lia. Em 11 de abril, C\u00edcero escreve que ouviu falar de sua chegada e est\u00e1 ansioso para saber como ele foi recebido<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. No dia 18, ele chegou a N\u00e1poles, viu Balbo e declarou sua aceita\u00e7\u00e3o da heran\u00e7a de seu tio-av\u00f4, o que certamente causaria, segundo Balbo, muito ressentimento entre ele e Ant\u00f4nio, que havia se apoderado de muito do que Otaviano reivindicaria, alegando que era dinheiro p\u00fablico<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. Em uma carta de 22 de abril, C\u00edcero descreve um encontro com ele na vila de seu padrasto, Filipos, perto de Puteoli. Ele observou como seus amigos o tratavam. Todos o chamavam de C\u00e9sar, em virtude de sua ado\u00e7\u00e3o no testamento de seu tio-av\u00f4. Mas Filipe \u2013 que desejava que ele recusasse a heran\u00e7a \u2013 n\u00e3o o fez. Portanto, C\u00edcero tamb\u00e9m se absteve, mas observou ansiosamente sua disposi\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao partido de Ant\u00f4nio. O jovem parece ter sido caracteristicamente cauteloso, falando do estado atual das coisas como \u201cintoler\u00e1vel\u201d, mas sem sugerir suas opini\u00f5es sobre a solu\u00e7\u00e3o ou comprometer-se com qualquer coisa. C\u00edcero estava em d\u00favida. Ele desconfiava dos amigos ao seu redor, que fariam \u201cimposs\u00edvel para ele ser um bom cidad\u00e3o\u201d, e sentia-se indignado por ele poder ir com seguran\u00e7a \u00e0 cidade da qual Bruto, C\u00e1ssio e os outros \u201cher\u00f3is\u201d estavam exclu\u00eddos. Ainda assim, ele n\u00e3o p\u00f4de deixar de reconhecer que Otaviano o tratava pessoalmente com respeito<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>, e logo come\u00e7ou a nutrir a esperan\u00e7a de que poderia usar suas queixas contra Ant\u00f4nio para atra\u00ed-lo a uma uni\u00e3o mais pr\u00f3xima com o partido dos Optimates. Mas essa esperan\u00e7a foi bastante abalada no in\u00edcio de maio pelo relato de um discurso proferido em Roma por Otaviano, no qual ele falava em termos entusi\u00e1sticos de seu tio-av\u00f4, declarava sua inten\u00e7\u00e3o de pagar os legados aos cidad\u00e3os e celebrar os jogos que ele havia prometido<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. No entanto, C\u00edcero n\u00e3o desistiu da esperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a ele, e seu veredicto final nesse per\u00edodo \u00e9 distintamente favor\u00e1vel: \u201cEm Otaviano, como percebi, h\u00e1 n\u00e3o pouca habilidade e esp\u00edrito, e ele parece ser t\u00e3o bem-disposto para com nossos her\u00f3is quanto eu gostaria. Mas que confian\u00e7a se pode ter em um homem de sua idade, nome, heran\u00e7a e cria\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que nos faz hesitar. Seu padrasto, que vi em \u00c1stura, acha que nenhuma. Contudo, devemos incentiv\u00e1-lo e, se nada mais, mant\u00ea-lo afastado de Ant\u00f4nio. Marcelo prestar\u00e1 um servi\u00e7o admir\u00e1vel se lhe der bons conselhos. Otaviano me pareceu ser devotado a ele, mas ele n\u00e3o tem grande confian\u00e7a em Pansa e H\u00edrcio. Sua disposi\u00e7\u00e3o \u00e9 boa, se ela durar.\u201d<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se que C\u00edcero agora fala do jovem como Otaviano, reconhecendo assim sua ado\u00e7\u00e3o. Ele tamb\u00e9m parece, agora ou logo depois, ter iniciado uma correspond\u00eancia com ele, infelizmente perdida, que mais tarde se tornaria quase mais cont\u00ednua do que ele realmente gostaria. Por enquanto, Otaviano era apenas um dos agentes que ele esperava usar contra Ant\u00f4nio. Como muitas de suas esperan\u00e7as, essa tamb\u00e9m estava condenada ao fracasso. Otaviano estava determinado a manter seus direitos contra Ant\u00f4nio, mas em seu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o havia pensamento de amizade permanente com o grupo que havia assassinado seu tio e pai adotivo, e que estava ansioso, acima de tudo, para manter o controle do estado e da riqueza das prov\u00edncias em suas m\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra causa de preocupa\u00e7\u00e3o que C\u00edcero teve na primeira metade do ano foi a incerteza quanto \u00e0 linha que Pansa e H\u00edrcio provavelmente seguiriam, pois eles eram c\u00f4nsules designados e assumiriam o cargo em 1\u00ba de janeiro de 43 a.C. Em rela\u00e7\u00e3o a H\u00edrcio, especialmente, que havia sido amigo \u00edntimo e oficial de confian\u00e7a de C\u00e9sar, C\u00edcero estava mais do que em d\u00favida. Era verdade que ele tinha boas rela\u00e7\u00f5es sociais com C\u00edcero, havia tido aulas de ret\u00f3rica com ele e, em troca, o havia iniciado na arte dos banquetes. Mas ao final de uma visita de H\u00edrcio \u00e0 sua vila em Puteoli, C\u00edcero escreve a \u00c1tico (17 de maio): \u201cQuando H\u00edrcio estava saindo de minha casa em Puteoli, no dia 16 de maio, eu tive uma vis\u00e3o clara de toda a sua mente. Pois eu o chamei de lado e o exortei seriamente a preservar a paz. Ele, \u00e9 claro, n\u00e3o poderia dizer que n\u00e3o desejava a paz, mas indicou que temia tanto que o nosso lado recorresse \u00e0s armas quanto que Ant\u00f4nio o fizesse; e que, afinal, ambos os lados tinham motivos para ficarem em alerta, mas que ele temia as armas de ambos. N\u00e3o preciso continuar: n\u00e3o h\u00e1 nada de s\u00f3lido nele.\u201d<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o a H\u00edrcio n\u00e3o foi muito aliviada por uma carta que ele escreveu a C\u00edcero alguns dias depois, pedindo-lhe que advertisse Bruto e C\u00e1ssio a manterem-se quietos<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Pansa, embora usasse uma linguagem mais satisfat\u00f3ria, n\u00e3o parecia ser muito mais confi\u00e1vel para C\u00edcero<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. Uma doen\u00e7a grave afastou H\u00edrcio por algum tempo da interven\u00e7\u00e3o ativa na pol\u00edtica, mas a futura posse do consulado por esses dois homens n\u00e3o inspirava muita esperan\u00e7a a C\u00edcero na primeira metade do ano. Ainda assim, n\u00e3o parecia ser t\u00e3o ruim quanto a pol\u00edtica de Ant\u00f4nio; e quando a reuni\u00e3o do senado de 1\u00ba de junho, longe de produzir um compromisso que satisfizesse Bruto e C\u00e1ssio, na verdade os irritou ainda mais, oferecendo-lhes pelo restante do ano o cargo inferior de <em>curatores annonae<\/em> e mudando suas prov\u00edncias pretorianas para o ano seguinte, C\u00edcero s\u00f3 podia esperar pelo 1\u00ba de janeiro, quando poderia ser apropriado para ele comparecer ao senado e voltar a participar da pol\u00edtica. Enquanto isso, ele estava meditando uma viagem a Atenas, tanto para se afastar de poss\u00edveis conflitos com Ant\u00f4nio, quanto para visitar seu filho, cujo primeiro ano como estudante l\u00e1 havia causado muita ansiedade a C\u00edcero, mas que agora mostrava sinais de melhora, e poderia ser confirmado em melhores h\u00e1bitos pela influ\u00eancia pessoal de um pai indulgente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como de costume com C\u00edcero, esse passo lhe causou muitas reflex\u00f5es e semanas de hesita\u00e7\u00e3o e indecis\u00e3o. Tamb\u00e9m como de costume, todas as suas d\u00favidas e dificuldades foram compartilhadas com \u00c1tico, cujo conselho era constantemente solicitado e, de forma um tanto queixosa, criticado quando dado. C\u00edcero estava dividido entre a ideia de que uma partida da It\u00e1lia naquele momento poderia ser vista como uma deser\u00e7\u00e3o de seu partido e de seu pa\u00eds, e o temor de que, em sua aus\u00eancia, algum golpe fosse desferido em nome da liberdade, e ele lamentaria n\u00e3o compartilhar do cr\u00e9dito. Por outro lado, enquanto Ant\u00f4nio fosse c\u00f4nsul, as coisas provavelmente permaneceriam como estavam, e ele estaria pessoalmente mais seguro fora do pa\u00eds, al\u00e9m de cumprir seu dever ao visitar seu filho. Contudo, ele era um p\u00e9ssimo marinheiro, e a longa viagem lhe parecia odiosa, especialmente uma que teria de ser feita no final do ano, caso ele quisesse estar de volta a Roma antes do in\u00edcio do novo consulado. Al\u00e9m disso, ele gostaria de viajar com Bruto; mas Bruto a estava adiando indefinidamente e, al\u00e9m disso, n\u00e3o recebeu a sugest\u00e3o com muito entusiasmo. Ap\u00f3s uma partida frustrada (1\u00ba de agosto), em que chegou at\u00e9 Siracusa, ele novamente zarpa de Leuc\u00f3petra no dia 6 de agosto. No entanto, o vento sul estava muito forte e o navio voltou para R\u00e9gio<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e1, C\u00edcero ficou na vila de um amigo por uma noite e, no dia seguinte, ouviu o que considerava ser boas not\u00edcias<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. Haveria uma reuni\u00e3o completa do senado em 1\u00ba de setembro, pois Bruto e C\u00e1ssio \u2013 ainda na It\u00e1lia \u2013 haviam emitido um edital incentivando a participa\u00e7\u00e3o de seus partid\u00e1rios, e acreditava-se que eles haviam chegado a algum entendimento com Ant\u00f4nio, o que lhes permitiria retomar suas posi\u00e7\u00f5es em Roma e assumir suas prov\u00edncias ao final de seu ano como pretores. Os homens que informaram C\u00edcero tamb\u00e9m lhe disseram que sua presen\u00e7a era necess\u00e1ria, e que sua aus\u00eancia estava sendo criticada negativamente<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\">[24]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso era exatamente o que C\u00edcero queria ouvir, e podemos ter certeza de que ele n\u00e3o fez muitas perguntas sobre a autenticidade do relato ou sobre os meios pelos quais seus informantes sabiam da verdade. Ele se considerava \u201creconvocado pela voz da Rep\u00fablica\u201d e agradeceu aos ventos do sul por t\u00ea-lo salvado de abandonar seu pa\u00eds em momento de necessidade. Ele visitou Bruto em V\u00e9lia a caminho de Roma, e sem d\u00favida ouviu dele algo que esfriou um pouco seu entusiasmo. No entanto, ele decidiu continuar seu retorno a T\u00fasculo, embora sem nenhuma inten\u00e7\u00e3o definida de assumir um papel de destaque na pol\u00edtica, ou mesmo de comparecer ao senado. Mas o estado de coisas que ele encontrou em Roma ao chegar em 31 de agosto logo dissipou qualquer ideia de repouso e o arrastou para a tempestade final de lutas pol\u00edticas, das quais ele n\u00e3o estava livre quando a correspond\u00eancia cessou, e que finalmente o levou \u00e0 sepultura.<\/p>\n\n\n\n<p>A reuni\u00e3o do senado em 1\u00ba de setembro, pela qual C\u00edcero alegou ter ido a Roma, n\u00e3o foi por ele assistida. Entre os itens da pauta dessa reuni\u00e3o, ele descobriu que havia uma mo\u00e7\u00e3o de Ant\u00f4nio para uma <em>supplicatio<\/em> em honra \u00e0 mem\u00f3ria de C\u00e9sar. C\u00edcero, naturalmente, se op\u00f4s a isso por motivos pol\u00edticos, mas tamb\u00e9m levantou uma obje\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica: estava sendo confundidos ritos f\u00fanebres com culto divino (<em>parentalia<\/em> com <em>supplicatio<\/em>nes). De qualquer forma, ele estava determinado a n\u00e3o votar a favor e n\u00e3o queria exasperar Ant\u00f4nio votando contra<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a>. Tamb\u00e9m haveria uma confirma\u00e7\u00e3o adicional dos atos de C\u00e9sar, igualmente inaceit\u00e1vel aos olhos de C\u00edcero, pois significava a apresenta\u00e7\u00e3o de mais memorandos e notas de C\u00e9sar, que ele acreditava terem sido falsificados ou completamente inventados pelo pr\u00f3prio Ant\u00f4nio. Ele, portanto, absteve-se de comparecer ao senado, mas n\u00e3o conseguiu evitar exasperar Ant\u00f4nio com isso. Sua chegada a Roma, naturalmente, foi conhecida por Ant\u00f4nio, que considerou sua desculpa de cansa\u00e7o ap\u00f3s a viagem como mero pretexto (o que de fato era) e amea\u00e7ou abertamente no senado n\u00e3o apenas usar seu poder consular para obrigar C\u00edcero a comparecer, mas tamb\u00e9m enviar um grupo de trabalhadores para demolir sua casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, no dia 2 de setembro, C\u00edcero compareceu e fez uma declara\u00e7\u00e3o sobre sua posi\u00e7\u00e3o e seus pontos de vista, que chegou at\u00e9 n\u00f3s como a <em>Primeira Fil\u00edpica<\/em>. \u00c9 uma declara\u00e7\u00e3o digna e comparativamente gentil de seu caso contra Ant\u00f4nio. Mas deixa clara sua cren\u00e7a quanto ao abuso por parte de Ant\u00f4nio da confirma\u00e7\u00e3o dos atos de C\u00e9sar, aprovada pelo senado em 17 de mar\u00e7o. C\u00edcero recorda as pr\u00f3prias medidas de Ant\u00f4nio que ele havia aprovado \u2013 especialmente a aboli\u00e7\u00e3o da ditadura e a supress\u00e3o dos tumultos em torno da coluna memorial \u2013 e apela para que Ant\u00f4nio permane\u00e7a dentro dos limites da constitui\u00e7\u00e3o, confiando no afeto, e n\u00e3o no medo, de seus concidad\u00e3os. H\u00e1 uma aus\u00eancia de ataques e insultos pessoais, o que mostra que C\u00edcero ainda n\u00e3o estava disposto a se lan\u00e7ar por completo em sua luta contra Ant\u00f4nio, embora j\u00e1 h\u00e1 muito tivesse percebido que a exist\u00eancia de Ant\u00f4nio tornava o assassinato de C\u00e9sar v\u00e3o e in\u00fatil. O tirano estava morto, mas a tirania n\u00e3o; os assassinos haviam agido com a coragem de her\u00f3is, mas com a tolice de crian\u00e7as, e deixaram vivo o herdeiro da tirania<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a>. Ainda assim, C\u00edcero manteve rela\u00e7\u00f5es relativamente corteses com Ant\u00f4nio, chegando at\u00e9 a pedir-lhe uma <em>legatio<\/em><a href=\"#_ftn27\" id=\"_ftnref27\">[27]<\/a>. Mas isso logo terminaria para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta de Ant\u00f4nio \u00e0 <em>Primeira Fil\u00edpica<\/em>, proferida ap\u00f3s muita prepara\u00e7\u00e3o em 19 de setembro, e que continha todo tipo de ataques \u00e0 vida, \u00e0 pol\u00edtica e \u00e0 conduta p\u00fablica de C\u00edcero, gerou a terr\u00edvel <em>Segunda Fil\u00edpica<\/em> de C\u00edcero, que, embora nunca tenha sido proferida, foi amplamente distribu\u00edda entre todos que quisessem l\u00ea-la. Ela tornou qualquer reconcilia\u00e7\u00e3o, fosse formal ou oficial, para sempre imposs\u00edvel. A partir de ent\u00e3o, as cartas nos mostram C\u00edcero em oposi\u00e7\u00e3o determinada e inabal\u00e1vel a Ant\u00f4nio. Ainda por algumas semanas, ele permanece incerto sobre quais passos pr\u00e1ticos tomar, mas n\u00e3o tem mais hesita\u00e7\u00e3o quanto ao seu objetivo pol\u00edtico: esmagar Ant\u00f4nio por todos e quaisquer meios ao seu alcance. As cartas, a partir de ent\u00e3o, s\u00e3o cada vez mais exclusivamente pol\u00edticas. Embora ainda haja refer\u00eancias a assuntos privados e a quest\u00f5es liter\u00e1rias relacionadas ao <em>De Officiis<\/em>, at\u00e9 mesmo essas s\u00e3o quase monopolizadas pelo \u00fanico assunto que importava. C\u00edcero ainda expressa gratid\u00e3o \u00e0 filosofia, \u201cque n\u00e3o s\u00f3 me desvia de pensamentos ansiosos, mas tamb\u00e9m me arma contra todos os ataques da fortuna\u201d<a href=\"#_ftn28\" id=\"_ftnref28\">[28]<\/a> \u2013 mas a literatura e a filosofia no sentido antigo est\u00e3o acabadas para ele. E quando, por um momento, ele toca em assuntos mais leves ao escrever a Peto<a href=\"#_ftn29\" id=\"_ftnref29\">[29]<\/a>, ele se apressa em se desculpar: \u201cN\u00e3o pense que porque escrevo de forma jocosa eu me desvencilhei de toda preocupa\u00e7\u00e3o com o estado. Esteja certo, meu caro Peto, de que eu n\u00e3o trabalho por nada, n\u00e3o me importo com nada o dia todo e a noite toda, exceto pela seguran\u00e7a e a liberdade de meus concidad\u00e3os.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O passo final por parte de Ant\u00f4nio que tornou a guerra inevit\u00e1vel, na vis\u00e3o de C\u00edcero, estava relacionado com as seis legi\u00f5es maced\u00f4nicas. Ele havia, como j\u00e1 mencionei, obtido no in\u00edcio do ano do senado o comando dessas legi\u00f5es sob o pretexto de que os getas estavam amea\u00e7ando a Maced\u00f4nia. Ele entregou uma dessas legi\u00f5es ao seu colega Dolabela, uma deveria ficar para proteger a Maced\u00f4nia, que ele pretendia que fosse governada por seu irm\u00e3o Caio ao final de sua pretoria. As outras quatro ele considerava estarem \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o para o governo provincial, que come\u00e7aria em janeiro de 43 a.C. Ele ent\u00e3o resolveu que essa prov\u00edncia seria a G\u00e1lia Cisalpina. O senado recusou-se a lhe atribuir essa prov\u00edncia, mas ele a obteve por meio de uma <em>lex<\/em> aprovada apesar da oposi\u00e7\u00e3o do senado; e Caio foi enviado para trazer as legi\u00f5es. No dia 9 de outubro, ele partiu para encontr\u00e1-las em Brund\u00edsio<a href=\"#_ftn30\" id=\"_ftnref30\">[30]<\/a>. L\u00e1, ele as encontrou em estado de motim e recorreu a uma severidade extrema para reduzi-las \u00e0 obedi\u00eancia. Duas delas, a legi\u00e3o M\u00e1rcia e a quarta legi\u00e3o, foram ordenadas a marchar pela estrada costeira at\u00e9 Ariminum, em prepara\u00e7\u00e3o para entrar na G\u00e1lia Cisalpina com ele; as restantes ele liderou em dire\u00e7\u00e3o a Roma, acampando em T\u00edbur.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resposta a essa medida, Otaviano, que agora estava em constante comunica\u00e7\u00e3o com C\u00edcero, come\u00e7ou por sua pr\u00f3pria autoridade, e \u00e0s suas pr\u00f3prias custas, a recrutar tropas entre os veteranos na Camp\u00e2nia. Ele teve muito sucesso, \u201ce n\u00e3o \u00e9 de se admirar,\u201d diz C\u00edcero, \u201cpois ele oferece uma gratifica\u00e7\u00e3o de 500 den\u00e1rios por cabe\u00e7a.\u201d<a href=\"#_ftn31\" id=\"_ftnref31\">[31]<\/a> C\u00edcero, ent\u00e3o em Puteolos, inicialmente teve s\u00e9rias d\u00favidas quanto aos efeitos dessa a\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o tinha certeza das verdadeiras inten\u00e7\u00f5es de Otaviano, desconfiava de sua juventude e de seu nome, mas ainda assim estava inclinado a aceitar sua ajuda e ajud\u00e1-lo a obter a san\u00e7\u00e3o do senado<a href=\"#_ftn32\" id=\"_ftnref32\">[32]<\/a>. Pouco depois, tendo terminado seu <em>De Officiis<\/em>, ele come\u00e7ou uma viagem tranquila para Arpino e, de l\u00e1, para T\u00fasculo. Ele concorda com a sugest\u00e3o de \u00c1tico de que \u201cse Otaviano obtiver muito poder, os <em>acta<\/em> de C\u00e9sar ser\u00e3o confirmados de maneira mais decisiva do que foram no templo de Telo\u201d, mas, ao mesmo tempo, percebe que \u201cse ele for derrotado, Ant\u00f4nio se tornar\u00e1 intoler\u00e1vel\u201d<a href=\"#_ftn33\" id=\"_ftnref33\">[33]<\/a>. No entanto, os eventos logo deixaram C\u00edcero sem escolha. A quarta legi\u00e3o e a legi\u00e3o M\u00e1rcia, em vez de irem para Ariminum, como ordenado, desviaram-se para Alba Fucentia e fecharam seus port\u00f5es. Ant\u00f4nio, que nesse meio tempo havia chegado a Roma e convocado uma reuni\u00e3o do senado para o dia 23 de novembro, soube disso e apressou-se para Alba Fucentia a fim de recuperar a lealdade das legi\u00f5es, mas foi repelido das muralhas da cidade por uma chuva de pedras. Ele ent\u00e3o retornou a Roma, realizou apressadamente a reuni\u00e3o do senado adiada, na qual foi realizada um sorteio que atribuiu a Maced\u00f4nia a Caio Ant\u00f4nio, e em seguida juntou-se ao seu pr\u00f3prio acampamento em T\u00edbur. A legi\u00e3o M\u00e1rcia e a quarta legi\u00e3o logo declararam sua ades\u00e3o a Otaviano, que, agora refor\u00e7ado, marchou nos calcanhares de Ant\u00f4nio em dire\u00e7\u00e3o ao norte, rumo a Ariminum.<\/p>\n\n\n\n<p>C\u00edcero chegou a Roma no dia 9 de dezembro<a href=\"#_ftn34\" id=\"_ftnref34\">[34]<\/a>, um dia antes da posse dos novos tribunos, um dos quais era Casca, o tiranicida. A situa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio em rela\u00e7\u00e3o ao governo das prov\u00edncias era a seguinte: a Hisp\u00e2nia Ulterior (B\u00e9tica) estava nas m\u00e3os de P\u00f3lio, a G\u00e1lia Narbonense e a Hisp\u00e2nia Citerior estavam sob o controle de L\u00e9pido, e o restante da G\u00e1lia Transalpina estava nas m\u00e3os de Planco. N\u00e3o estava claro de que lado esses tr\u00eas homens tomariam partido, e C\u00edcero estava em constante correspond\u00eancia com eles, instando-os a permanecer leais ao senado. A \u00c1frica estava nas m\u00e3os de Cornif\u00edcio, cuja lealdade era certa. Caio Ant\u00f4nio estava a caminho para assumir a Maced\u00f4nia. Treb\u00f4nio, um forte aliado de C\u00edcero, estava no controle da \u00c1sia; Dolabela \u2013 cujos sentimentos eram incertos \u2013 estava a caminho da S\u00edria; enquanto Marco Bruto e C\u00e1ssio tamb\u00e9m estavam a caminho, o primeiro com a inten\u00e7\u00e3o de disputar o controle da Maced\u00f4nia com Caio Ant\u00f4nio, o segundo com o objetivo de substituir Dolabela na S\u00edria.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o ponto imediato em que a guerra parecia certa era a G\u00e1lia Cisalpina. L\u00e1, D\u00e9cimo Bruto havia sido governador desde abril, e restava saber se ele reconheceria a validade da lei que nomeava Ant\u00f4nio como seu sucessor. Essa quest\u00e3o foi resolvida com a publica\u00e7\u00e3o de seu edital em Roma no dia 19 de dezembro, no qual proibia qualquer pessoa com <em>imperium<\/em> de entrar em sua prov\u00edncia<a href=\"#_ftn35\" id=\"_ftnref35\">[35]<\/a>. Mas, a essa altura, Ant\u00f4nio j\u00e1 estava prestes a cerc\u00e1-lo em Mutina, e Otaviano a caminho para socorr\u00ea-lo. Esse era o estado das coisas quando os tribunos convocaram uma reuni\u00e3o do senado no dia 20, na qual Casca apresentou aos senadores a situa\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica. Foi proposta e aprovada uma mo\u00e7\u00e3o por C\u00edcero, dando aos c\u00f4nsules eleitos autoridade para proteger o senado em sua reuni\u00e3o de 1\u00ba de janeiro, e ordenando que todos os governadores de prov\u00edncias permanecessem em seus cargos at\u00e9 que o senado nomeasse sucessores; aprovando o edital de D\u00e9cimo Bruto; e elogiando formalmente as a\u00e7\u00f5es de Otaviano, da quarta legi\u00e3o e da legi\u00e3o M\u00e1rcia. O discurso de C\u00edcero \u00e9 o que agora chamamos de <em>Terceira Fil\u00edpica<\/em>, e o decreto do senado foi explicado ao povo em uma <em>contio<\/em>, agora chamada de <em>Quarta Fil\u00edpica<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O leitor das cartas, em combina\u00e7\u00e3o com as demais Fil\u00edpicas, agora poder\u00e1 acompanhar o curso dos eventos quase passo a passo: as negocia\u00e7\u00f5es infrut\u00edferas com Ant\u00f4nio, a autoridade e o posto concedidos a Otaviano, a derrota de Ant\u00f4nio em Mutina, sua retirada magistral atrav\u00e9s dos Alpes Mar\u00edtimos at\u00e9 Vada, a persegui\u00e7\u00e3o v\u00e3 por parte de D\u00e9cimo Bruto, seu refor\u00e7o por Vent\u00eddio Basso e a trai\u00e7\u00e3o de L\u00e9pido, que, ap\u00f3s algumas semanas de hesita\u00e7\u00e3o, uniu suas for\u00e7as a ele. Ali, tamb\u00e9m, ver\u00e1 prenunciada, embora n\u00e3o completada, a trai\u00e7\u00e3o semelhante de Planco e de P\u00f3lio, a futura destrui\u00e7\u00e3o de D\u00e9cimo Bruto e o desdobramento da verdadeira pol\u00edtica de Otaviano em rela\u00e7\u00e3o aos Optimates. No Oriente, encontrar\u00e1 M. Bruto dominando a Maced\u00f4nia, com Caio Ant\u00f4nio prisioneiro em seu acampamento; Treb\u00f4nio sendo morto em sua prov\u00edncia da \u00c1sia por Dolabela, e Dolabela sendo lentamente, mas de forma segura, encurralado por C\u00e1ssio. A derrota de Ant\u00f4nio em F\u00f3rum Gallorum e Mutina (13 e 15 de abril) foi o prel\u00fadio de uma s\u00e9rie de amargas decep\u00e7\u00f5es para C\u00edcero. Quando o relat\u00f3rio chegou a Roma, ele e seu partido acreditavam confiantemente que a guerra havia terminado, que Ant\u00f4nio estava completamente derrotado, que a antiga liberdade estava restaurada. Essa exulta\u00e7\u00e3o foi muito pouco abalada pela not\u00edcia subsequente de que ambos os c\u00f4nsules haviam ca\u00eddo. Express\u00f5es decentes de pesar e votos elogiosos em sua honra pareciam tudo o que era necess\u00e1rio. No entanto, despacho ap\u00f3s despacho de D\u00e9cimo Bruto revelava o qu\u00e3o pouco havia sido realmente alcan\u00e7ado e qu\u00e3o forte Ant\u00f4nio ainda era. C\u00edcero, cuja energia ainda n\u00e3o havia se abatido, voltou-se com entusiasmo fren\u00e9tico para a tarefa de induzir L\u00e9pido e Planco a permanecerem leais ao senado; e, como uma \u00faltima esperan\u00e7a, persuadir Bruto e C\u00e1ssio de que era seu dever voltar \u00e0 It\u00e1lia com seus ex\u00e9rcitos vitoriosos e proteger Roma de Ant\u00f4nio. A correspond\u00eancia mostra C\u00edcero ainda esperan\u00e7oso e ansioso, antes de Planco ter declarado apoio a Ant\u00f4nio, ou de D\u00e9cimo Bruto ter sido finalmente derrotado; e antes que ficasse evidente que Otaviano pretendia voltar-se contra o senado, sob cuja autoridade ele vinha agindo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, dentro de um m\u00eas a partir da data em que a correspond\u00eancia termina, C\u00edcero soube que sua \u00faltima chance havia se esgotado. A ina\u00e7\u00e3o de Otaviano ap\u00f3s a vit\u00f3ria em F\u00f3rum Gallorum perplexava D\u00e9cimo Bruto, Planco e C\u00edcero quase igualmente. Ele se recusou a entregar qualquer legi\u00e3o a D\u00e9cimo Bruto ou a se juntar a ele na persegui\u00e7\u00e3o a Ant\u00f4nio; mas tamb\u00e9m n\u00e3o cometeu nenhum ato de hostilidade direta contra ele. No entanto, havia rumores sinistros. Um epigrama de C\u00edcero, no sentido de que o jovem deveria ser \u201celogiado, promovido e \u2013 despachado;\u201d teria sido divulgado para Otaviano, que respondeu que n\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de ser despachado. Outros relatos afirmavam que a ferida de Pansa havia sido envenenada por seu m\u00e9dico sob sugest\u00e3o de Otaviano. Outros ainda alegavam que ele estava negociando com C\u00edcero, com o objetivo de ocupar o consulado como colega<a href=\"#_ftn36\" id=\"_ftnref36\">[36]<\/a>. Tudo o que se sabia com certeza era que ele estava mantendo toda sua for\u00e7a sob controle e n\u00e3o mostrava sinais de inten\u00e7\u00e3o de renunciar ao seu comando. Decretos sucessivos do senado haviam-lhe conferido o <em>imperium<\/em>, o posto de pretor, e depois o de c\u00f4nsul, al\u00e9m de lhe conceder o privil\u00e9gio de se candidatar ao consulado muito antes da idade legal. Mas, ap\u00f3s a vit\u00f3ria em F\u00f3rum Gallorum, o tom do senado em rela\u00e7\u00e3o a ele mudou. Seu nome foi ostensivamente omitido no voto de agradecimento ao ex\u00e9rcito, e quando alguns de seus oficiais apareceram no senado com um pedido formal para serem autorizados a se candidatar ao consulado imediatamente, o pedido foi rejeitado. O senado confiou a prote\u00e7\u00e3o a duas legi\u00f5es que estavam sendo enviadas da \u00c1frica por Cornif\u00edcio; mas Otaviano partiu imediatamente para Roma pessoalmente \u00e0 frente de seu ex\u00e9rcito. N\u00e3o havia tropas entre ele e Roma, ou em Roma, para resisti-lo. As legi\u00f5es da \u00c1frica chegaram de fato quase ao mesmo tempo que ele, mas seus oficiais quase imediatamente se entregaram a ele. Cornuto, o pretor urbano, cometeu suic\u00eddio em desespero, e o senado e a cidade estavam igualmente \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o. C\u00edcero, entre outros, teve que fazer uma submiss\u00e3o um tanto lament\u00e1vel, e ap\u00f3s uma tentativa de organizar uma oposi\u00e7\u00e3o, com base em um falso relat\u00f3rio de que a legi\u00e3o M\u00e1rcia e a quarta legi\u00e3o haviam desertado Otaviano, ele se retirou para T\u00fasculo e desapareceu da vida p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00fanica quest\u00e3o para ele e seu irm\u00e3o agora era se eles seriam autorizados a viver sem ser molestados em uma posi\u00e7\u00e3o privada. Otaviano logo deixou claro que pretendia punir implacavelmente os assassinos de seu tio. Ele foi eleito c\u00f4nsul no dia 19 de agosto com seu primo Q. P\u00e9dio. Sob sua dire\u00e7\u00e3o, P\u00e9dio apresentou uma lei condenando todos os assassinos de C\u00e9sar, e o tribuno Casca foi a primeira v\u00edtima sob essa lei. A lei n\u00e3o atingia C\u00edcero pessoalmente, mas eventos rapidamente se seguiram que tornaram sua morte certa. O que Otaviano tinha agora que enfrentar era a for\u00e7a reunida na G\u00e1lia. Naquela \u00e9poca, Ant\u00f4nio havia sido unido n\u00e3o apenas por L\u00e9pido, mas tamb\u00e9m por Planco da G\u00e1lia Celta e por P\u00f3lio da B\u00e9tica. Ele, portanto, tinha uma for\u00e7a formid\u00e1vel. D\u00e9cimo Bruto agora era um homem condenado e estava al\u00e9m de totalmente impotente; pois quando Planco se uniu a Ant\u00f4nio, quase todas as tropas de D\u00e9cimo Bruto fizeram o mesmo. Ele estava quase sozinho e fazia esfor\u00e7os desesperados para encontrar seu caminho at\u00e9 Marco Bruto na Maced\u00f4nia. Assim, quando Otaviano, deixando o cuidado da cidade para P\u00e9dio, partiu novamente para o norte, embora seu objetivo fosse nominalmente esmagar D\u00e9cimo Bruto, ele n\u00e3o tinha nada a fazer al\u00e9m de impedir que ele chegasse a Ravena e for\u00e7\u00e1-lo a voltar para a G\u00e1lia, onde foi preso e executado por ordem de Ant\u00f4nio. A verdadeira quest\u00e3o para Otaviano era como lidar com Ant\u00f4nio. Ele havia decidido chegar a um acordo com ele, e ap\u00f3s uma certa quantidade de negocia\u00e7\u00f5es, encontrou-se com ele e L\u00e9pido em uma pequena ilha em um dos afluentes do P\u00f3, n\u00e3o longe de Bon\u00f4nia, e concordou em compartilhar o Imp\u00e9rio como \u201ctri\u00fanviros para a reconstitui\u00e7\u00e3o do estado\u201d. Eles seriam nomeados por cinco anos e, como preliminar, deveriam elaborar uma lista mutuamente acordada de homens que seriam declarados fora da lei e pass\u00edveis de serem mortos imediatamente. O obediente povo de Roma votou, portanto, a nomea\u00e7\u00e3o no dia 27 de novembro, e o primeiro exerc\u00edcio de seus poderes ditatoriais foi a publica\u00e7\u00e3o de um \u00e9dito e uma lista provis\u00f3ria de homens a serem assim \u201cproscritos\u201d. A primeira lista havia sido enviada a P\u00e9dio antes da publica\u00e7\u00e3o real do \u00e9dito<a href=\"#_ftn37\" id=\"_ftnref37\">[37]<\/a>, e C\u00edcero, que estava em T\u00fasculo, logo soube que seu pr\u00f3prio nome e os de seu irm\u00e3o e sobrinho estavam nela. A \u00faltima cena ser\u00e1 contada com as palavras de Plutarco.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a confer\u00eancia entre os tri\u00fanviros estava em andamento, C\u00edcero estava em sua vila em T\u00fasculo com seu irm\u00e3o. Quando souberam da proscri\u00e7\u00e3o, resolveram se deslocar para sua vila \u00e0 beira-mar em Astura e, a partir de l\u00e1, embarcar para se unir a Bruto na Maced\u00f4nia, pois havia grandes not\u00edcias sobre seu sucesso ali. Eles viajaram em liteiras, dominados pela ang\u00fastia; e sempre que havia uma parada na jornada, as duas liteiras eram colocadas lado a lado e os irm\u00e3os misturavam suas lamenta\u00e7\u00f5es. Quinto era o mais abatido dos dois e estava atormentado pela ideia da falta de dinheiro, pois disse que n\u00e3o havia trazido nada com ele, e o pr\u00f3prio C\u00edcero estava mal preparado para a viagem. Assim, ele pensava que seria melhor C\u00edcero preced\u00ea-lo em sua fuga, enquanto ele voltava para casa, recolhia o necess\u00e1rio e o seguia apressadamente. Esse curso foi decidido, e os irm\u00e3os se separaram com abra\u00e7os e l\u00e1grimas. Poucos dias depois, Quinto foi tra\u00eddo por seus escravos e foi morto com seu filho. Mas C\u00edcero chegou a Astura, encontrou um navio, embarcou e navegou com um vento favor\u00e1vel at\u00e9 Circei. Os pilotos quiseram sair para o mar daquele lugar imediatamente, mas, seja porque temia o mar ou ainda n\u00e3o havia desistido completamente da promessa de Otaviano, ele desembarcou e viajou cem est\u00e1dios pela estrada at\u00e9 Roma. Mas, mais uma vez, quase fora de si com ang\u00fastia e indecis\u00e3o, voltou \u00e0 costa em Astura e passou a noite em reflex\u00f5es aterrorizadas e desesperadas. Uma de suas ideias era ir \u00e0 casa de Otaviano disfar\u00e7ado e se matar no altar da lareira, trazendo assim uma maldi\u00e7\u00e3o sobre ele. Mas, tamb\u00e9m com receio de ser torturado, ele desistiu dessa viagem; e com a mente ainda atordoada por planos confusos e contradit\u00f3rios, entregou-se aos seus servos para ser transportado por mar para Caieta, onde possu\u00eda propriedades e um agrad\u00e1vel retiro de ver\u00e3o, quando os ventos et\u00e9sios est\u00e3o mais agrad\u00e1veis. Nesse local, h\u00e1 um templo de Apolo logo acima do mar: dele, um bando de corvos se levantou e voou em dire\u00e7\u00e3o ao navio de C\u00edcero enquanto ele estava sendo remado para a terra, e pousando nos bra\u00e7os do mastro de ambos os lados, alguns come\u00e7aram a emitir gritos altos e outros a bicar as extremidades das cordas. Todos consideraram isso um mau press\u00e1gio. C\u00edcero, no entanto, desembarcou e foi para a casa e deitou-se para descansar. Mas a maioria dos corvos pousou ao redor da janela, emitindo gritos de ang\u00fastia, e um deles se acomodou na cama, onde C\u00edcero estava deitado com a cabe\u00e7a coberta, e gradualmente puxou a coberta do seu rosto com o bico. Os servos, vendo isso, acharam que seriam verdadeiramente indignos se suportassem ser espectadores do assassinato de seu mestre, e n\u00e3o fizessem nada para proteg\u00ea-lo, enquanto at\u00e9 os animais o ajudavam e simpatizavam com sua desventura imerecida; assim, em parte por s\u00faplicas e em parte por coa\u00e7\u00e3o, conseguiram coloc\u00e1-lo novamente em sua liteira e come\u00e7aram a lev\u00e1-lo para o mar.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, os executores chegaram, Her\u00eanio, o centuri\u00e3o, e P\u00f3pilo, o tribuno militar (a quem ele havia defendido uma vez em uma acusa\u00e7\u00e3o de parric\u00eddio), com seus acompanhantes. Encontrando as portas trancadas, eles arrombaram a casa; mas, quando C\u00edcero n\u00e3o foi encontrado e aqueles dentro da casa negaram saber qualquer coisa sobre ele, diz-se que um jovem chamado Fil\u00f3logo \u2013 um liberto de Quinto, que C\u00edcero havia educado em conhecimentos refinados e filosofia \u2013 informou o tribuno sobre a liteira que estava sendo transportada por caminhos arborizados e sombreados em dire\u00e7\u00e3o ao mar. Ent\u00e3o, o tribuno, levando um pequeno grupo com ele, correu para a entrada dos terrenos, enquanto Her\u00eanio descia pelo caminho. C\u00edcero percebeu a aproxima\u00e7\u00e3o e ordenou a seus servos que colocassem a liteira no ch\u00e3o. C\u00edcero, com a m\u00e3o esquerda apoiada no queixo como de costume, sentou-se olhando fixamente para os executores, desarrumado, com os cabelos em desalinho, e a testa franzida com suas ansiedades. Era mais do que os presentes podiam suportar, e eles cobriram os rostos enquanto Her\u00eanio o matava, ao empurrar sua cabe\u00e7a para fora da liteira e receber o golpe. Ele estava no seu sexag\u00e9simo quarto ano. Por ordem de Ant\u00f4nio, o homem cortou sua cabe\u00e7a e as m\u00e3os com as quais ele havia escrito as Fil\u00edpicas!\u201d<a href=\"#_ftn38\" id=\"_ftnref38\">[38]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O car\u00e1ter e os objetivos de C\u00edcero ter\u00e3o sido amplamente ilustrados para o leitor dessas cartas. \u00c9 natural que controv\u00e9rsias se formem em torno de sua mem\u00f3ria, algo que sempre acontece com algu\u00e9m que participa ativamente da vida pol\u00edtica. Inimizades e suas express\u00f5es em ataques s\u00e3o, para muitos, mais interessantes do que os elogios, e, portanto, mais duradouras. Al\u00e9m disso, \u00e9 f\u00e1cil encontrar falhas em um car\u00e1ter t\u00e3o impulsivo, multifacetado e complexo quanto o de C\u00edcero. Mas a vis\u00e3o que considero inadmiss\u00edvel \u00e9 a mommseniana de puro desprezo. Talvez C\u00edcero n\u00e3o tenha sido uma figura t\u00e3o importante na pol\u00edtica romana quanto ele mesmo pensava; mas que ele n\u00e3o teve import\u00e2ncia \u00e9 refutado tanto pelo afeto de seus amigos quanto pelo rancor de seus inimigos. Se ele faltou originalidade como escritor ou fil\u00f3sofo, tamb\u00e9m n\u00e3o fez quest\u00e3o de aparentar alguma. Ele desejava interpretar os fil\u00f3sofos gregos para seus compatriotas: fez isso imperfeitamente, mas fez isso de uma maneira que ningu\u00e9m mais poderia ou fez. A magia do estilo encontrou seu caminho para a intelig\u00eancia e o gosto da humanidade, como muitos homens mais eruditos e precisos falharam e falharam em fazer. Ele comp\u00f4s discursos que muitas vezes s\u00e3o injustos, exagerados e desonestos, mas que permanecem entre os melhores do mundo. Ele escreveu cartas incessantemente: \u00e0s vezes insinceras, \u00e0s vezes fracas e cansativas, mas, tomadas em conjunto, mal s\u00e3o superadas por qualquer cole\u00e7\u00e3o existente. O Senhor E. Mas\u00e8-Dari<a href=\"#_ftn39\" id=\"_ftnref39\">[39]<\/a> recentemente escreveu um volume que tende a lan\u00e7ar d\u00favidas sobre sua pureza financeira, especialmente em sua administra\u00e7\u00e3o da Cil\u00edcia. O esfor\u00e7o \u00e9, a meu ver, um fracasso; e embora C\u00edcero fosse um homem habitualmente confuso em rela\u00e7\u00e3o a dinheiro, parece que o sistema romano de investimento \u2013 de empr\u00e9stimos curtos e dinheiro de acomoda\u00e7\u00e3o \u2013 \u00e9 mais respons\u00e1vel por isso do que extravag\u00e2ncia pessoal ou contra\u00e7\u00e3o imprudente de d\u00edvidas. Na pol\u00edtica, ele sem d\u00favida cometeu o erro de confiar nos l\u00edderes do lado perdedor. Mas foi realmente porque acreditava que o lado deles era o lado da justi\u00e7a e do direito. Ele n\u00e3o tinha objetivo pessoal na escolha, al\u00e9m das vantagens que compartilharia com todos os seus concidad\u00e3os e o desejo primordial de ser permitido viver e desfrutar da posi\u00e7\u00e3o \u00e0 qual seus talentos o haviam elevado. Sua vacila\u00e7\u00e3o nunca est\u00e1 em sua convic\u00e7\u00e3o sobre o certo e o errado, mas sim na sua faculdade inata de ver todos os lados de uma quest\u00e3o e todas as conting\u00eancias poss\u00edveis. Para um temperamento nervoso como o dele, era imposs\u00edvel que os perigos para ele e sua fam\u00edlia n\u00e3o aparecessem grandes diante de seus olhos. Mas, quando chegou a hora de agir, ele geralmente demonstrava muito mais resolu\u00e7\u00e3o do que sua pr\u00f3pria linguagem nos permite esperar. Se tiv\u00e9ssemos tanta autorrevela\u00e7\u00e3o dos outros homens de sua \u00e9poca quanto temos dele, provavelmente encontrar\u00edamos n\u00e3o menos vacila\u00e7\u00e3o e certamente nenhuma maior consci\u00eancia. Suas express\u00f5es quase selvagens de alegria com o assassinato de C\u00e9sar n\u00e3o apresentam seu car\u00e1ter de uma maneira am\u00e1vel. Mas, para ele, C\u00e9sar havia arruinado o estado. A constitui\u00e7\u00e3o precisava de reforma: C\u00e9sar a havia destru\u00eddo. A vida social e pol\u00edtica precisava de purifica\u00e7\u00e3o: C\u00e9sar havia usado alguns dos membros mais depravados da sociedade para acabar com toda a liberdade pol\u00edtica e social. Isso pode n\u00e3o ser o verdadeiro estado das coisas como o vemos, mas \u00e9 o que C\u00edcero viu e acreditou. C\u00e9sar era um tirano. Mesmo quando fazia o bem, o fazia da maneira errada, e n\u00e3o podia dar garantia de que n\u00e3o seria totalmente desfeito por um sucessor. A \u00fanica garantia para a justi\u00e7a era um governo respeitador da lei e constitucional, e isso C\u00e9sar tornara para sempre imposs\u00edvel. Por uma conven\u00e7\u00e3o t\u00e3o antiga quanto a Rep\u00fablica, o \u201clinchamento\u201d era a puni\u00e7\u00e3o adequada para um homem que se erguia como rei, e isso C\u00e9sar havia feito na pr\u00e1tica, e quase at\u00e9 mesmo em nome.<\/p>\n\n\n\n<p>Os \u00faltimos meses da vida de C\u00edcero n\u00e3o s\u00e3o maculados pelas vacila\u00e7\u00f5es de per\u00edodos anteriores. A partir de 1\u00ba de setembro de 44 a.C., seu objetivo \u00e9 \u00fanico e cont\u00ednuo. Ele estava decidido a resistir at\u00e9 a morte \u00e0 tentativa de perpetuar o cesarismo ap\u00f3s a morte de C\u00e9sar e a usar todos os seus poderes de eloqu\u00eancia e persuas\u00e3o para incitar o partido lealista a fazer uma defesa pela liberdade. E, quando uma ap\u00f3s a outra suas esperan\u00e7as falharam e seus apoios se desintegraram, ele enfrentou a morte com uma coragem que n\u00e3o traiu sua vida e sua filosofia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><a><\/a><a>Correspondentes de Cicero<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m de \u00c1tico, que ainda ocupa uma parte consider\u00e1vel da correspond\u00eancia, a maioria das cartas nesses \u00faltimos meses \u00e9 endere\u00e7ada a Planco, D\u00e9cimo Bruto, L\u00e9pido, C\u00e1ssio e Marco Bruto. H\u00e1 uma para Ant\u00f4nio, posteriormente citada por ele contra C\u00edcero no Senado, e algumas poucas para Dolabela.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>Marco Ant\u00f4nio<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Este n\u00e3o \u00e9 o momento apropriado para uma avalia\u00e7\u00e3o final do car\u00e1ter de Ant\u00f4nio, pois o teste de seu verdadeiro valor como estadista e governante ocorreu no per\u00edodo seguinte \u00e0 morte de C\u00edcero. No entanto, apesar dos preconceitos pessoais, C\u00edcero n\u00e3o parece ter feito uma avalia\u00e7\u00e3o equivocada dele. Em 51 a.C., ele havia previsto que Ant\u00f4nio e seus irm\u00e3os provavelmente seriam figuras importantes na era cesariana e havia advertido seu amigo Termo para n\u00e3o ofend\u00ea-los<a href=\"#_ftn40\" id=\"_ftnref40\">[40]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Marco Ant\u00f4nio havia passado pelo circuito oficial regular. Ele serviu com Gab\u00ednio na S\u00edria e no Egito (57-56 a.C.), foi questor e legado de J\u00falio C\u00e9sar na G\u00e1lia (54-52 a.C.) e foi um dos tribunos de 50-49 a.C. que vetou a fatal proposta de janeiro de 49 a.C. para o retorno de C\u00e9sar. A partir desse ponto, sua grandeza come\u00e7ou. Ap\u00f3s a fuga de Pompeu e a partida de C\u00e9sar para a Hisp\u00e2nia, ele ficou encarregado da It\u00e1lia com o posto de propretor. Em 48 a.C., ele se juntou a C\u00e9sar na Et\u00f3lia com refor\u00e7os, lutou em Farsalos e foi enviado de volta ap\u00f3s a vit\u00f3ria para retomar a administra\u00e7\u00e3o de Roma e da It\u00e1lia; e quando C\u00e9sar foi nomeado Ditador em 47 a.C., Ant\u00f4nio foi nomeado seu Mestre dos Cavalos. At\u00e9 ent\u00e3o, sua energia e coragem o colocaram na linha de frente dos jovens oficiais de C\u00e9sar. Mas a partir desse momento, suas fraquezas, assim como suas for\u00e7as, come\u00e7aram a se manifestar. Ele n\u00e3o teve sucesso em seu governo em Roma durante a aus\u00eancia de C\u00e9sar em Alexandria, e os dist\u00farbios que cresceram a n\u00edveis perigosos sob sua administra\u00e7\u00e3o, tanto na cidade quanto entre as legi\u00f5es veteranas, foram apenas suprimidos pelo retorno do Ditador. Seus excessos selvagens parecem ter contribu\u00eddo para enfraquecer sua influ\u00eancia, e suas dificuldades financeiras, pelo menos em parte atribu\u00edveis a esses excessos, fizeram com que ele tentasse alivi\u00e1-las lidando com propriedades confiscadas de uma forma que entrou em colis\u00e3o com C\u00e9sar. Uma frieza parece ter surgido entre eles, e L\u00e9pido assumiu seu lugar como Mestre dos Cavalos. Mas essa frieza, seja qual for sua natureza e causa, desapareceu com o retorno de C\u00e9sar da Hisp\u00e2nia em 45 a.C., e Ant\u00f4nio foi nomeado c\u00f4nsul como colega de C\u00e9sar para 44 a.C. Apesar dos ataques de C\u00edcero contra ele nos \u00faltimos meses da vida do orador, Ant\u00f4nio n\u00e3o parece t\u00ea-lo tratado com desrespeito pessoal ou dureza: e isso C\u00edcero frequentemente reconhece, escandalizado como estava com sua conduta enquanto estava encarregado da It\u00e1lia. De fato, ele n\u00e3o era cruel por natureza, capaz de afeto genu\u00edno e at\u00e9 mesmo paix\u00e3o (ele acabou, como todos sabemos, trocando o mundo pelo sorriso de uma mulher), era de bom car\u00e1ter e af\u00e1vel tanto em apar\u00eancia quanto em estilo de fala e escrita. Mas, apesar de algumas qualidades am\u00e1veis, ele carecia de virtudes. Em um governante, a indulg\u00eancia bondosa para com os seguidores muitas vezes significa sofrimento para os governados. Em um competidor pelo imp\u00e9rio, a galanteria imprudente, por si s\u00f3, n\u00e3o se compara ao autocontrole e \u00e0 ast\u00facia. No final, o jovem impass\u00edvel, a quem encontramos tratando com certo desd\u00e9m, superou-o e o venceu na busca pelo favor popular, e finalmente at\u00e9 mesmo na guerra. Nessas cartas, apesar da hostilidade, aprendemos sobre o que talvez tenha sido sua maior conquista militar, sua retirada magistral de Mutina e sua reorganiza\u00e7\u00e3o na G\u00e1lia Narbonense.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>P. Corn\u00e9lio Dolabela<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Dolabela est\u00e1 em um plano muito inferior ao de Ant\u00f4nio e n\u00e3o mereceria muita aten\u00e7\u00e3o se n\u00e3o fosse por sua conex\u00e3o peculiar com C\u00edcero. Ele era um dos jovens nobres mais extravagantes e desregrados da \u00e9poca, mas aparentemente possu\u00eda alguma habilidade orat\u00f3ria. Como era a moda da \u00e9poca, ele confiava nessa habilidade para conseguir cargos e meios para escapar de seus embara\u00e7os, e, para fazer um nome como orador e homem de neg\u00f3cios, come\u00e7ou uma acusa\u00e7\u00e3o contra um homem de alta posi\u00e7\u00e3o por malversa\u00e7\u00e3o em sua prov\u00edncia. A pessoa que ele selecionou foi \u00c1pio Cl\u00e1udio, predecessor de C\u00edcero na Cil\u00edcia. Isso acabou sendo particularmente inconveniente para C\u00edcero, que, al\u00e9m de desejar manter boas rela\u00e7\u00f5es com Cl\u00e1udio, descobriu que, exatamente na \u00e9poca em que a acusa\u00e7\u00e3o deveria come\u00e7ar (no in\u00edcio de 50 a.C.), sua esposa havia consentido com o casamento de Dolabela com T\u00falia. N\u00e3o est\u00e1 muito claro quais eram as opini\u00f5es de C\u00edcero sobre o assunto. Ele foi consultado e escreveu para Ter\u00eancia deixando o assunto em suas m\u00e3os. No entanto, quando descobriu que o casamento j\u00e1 havia ocorrido, ficou bastante aborrecido, especialmente porque, enquanto isso, havia sido visitado por Tib\u00e9rio Nero com uma proposta para a m\u00e3o de T\u00falia, e teria preferido ele. O casamento, no entanto, havia acontecido, e ele foi obrigado a se conformar com a situa\u00e7\u00e3o, consolando-se em 50-49 a.C. com a reflex\u00e3o de que, como Dolabela tomou o lado de C\u00e9sar na Guerra Civil, ele poderia proteger a fam\u00edlia de sua esposa, o que talvez tenha se concretizado. Mas o casamento n\u00e3o foi feliz, devido ao comportamento grosseiro de Dolabela, e C\u00edcero n\u00e3o tinha raz\u00f5es para aprovar a conduta p\u00fablica de seu genro. Ele foi tribuno em 47 a.C., enquanto C\u00e9sar estava em Alexandria, e causou muito alvoro\u00e7o em Roma ao propor uma lei para a aboli\u00e7\u00e3o das d\u00edvidas. Embora sua conduta tenha sido condescendida por C\u00e9sar, que o levou em suas campanhas na \u00c1frica e na Hisp\u00e2nia (46-45 a.C.), ele nunca demonstrou qualidades que o qualificassem para a vida p\u00fablica. No entanto, seu comportamento no campo pode ter conquistado o respeito de C\u00e9sar, pois ele prometeu-lhe o consulado para metade do ano de 44 a.C., quando ele pr\u00f3prio deveria ter ido nas expedi\u00e7\u00f5es contra os getas e os partos. Ant\u00f4nio se op\u00f4s a tal colega e chegou a tentar invalidar a elei\u00e7\u00e3o \u2013 como havia amea\u00e7ado fazer \u2013 anunciando maus press\u00e1gios. A decis\u00e3o dos \u00e1ugures sobre o ponto n\u00e3o foi dada quando C\u00e9sar foi assassinado, e, na confus\u00e3o que se seguiu, Dolabela assumiu as ins\u00edgnias do consulado. Dois anos antes, sua conduta havia sido t\u00e3o escandalosa que C\u00edcero havia induzido T\u00falia \u2013 um tanto relutante, parece \u2013 a se divorciar dele. Mas a parte mais estranha do assunto para nossos sentimentos \u00e9 a maneira cordial e quase afetuosa com que C\u00edcero continua a se dirigir a ele. Isso \u00e9 elevado a uma adula\u00e7\u00e3o absoluta \u2013 apesar de um ressentimento privado quanto \u00e0 falha em devolver o dote de T\u00falia \u2013 pela cren\u00e7a de que, ap\u00f3s a morte de C\u00e9sar, Dolabela pretendia tomar o lado constitucional. Inicialmente, ele havia mostrado abertamente sua simpatia pelos assassinos, e algumas semanas depois havia reprimido os tumultos que ocorreram em torno da coluna e altar colocados sobre o local onde o corpo de C\u00e9sar havia sido queimado, executando \u2013 de maneira aparentemente muito arbitr\u00e1ria \u2013 um n\u00famero de cidad\u00e3os e escravos. Mas essa demonstra\u00e7\u00e3o de ardor republicano logo desapareceu. Ele participou com Ant\u00f4nio do saque do templo de Ops, obteve uma nomea\u00e7\u00e3o para a prov\u00edncia da S\u00edria, deixou Roma ainda como c\u00f4nsul para tomar posse antes que C\u00e1ssio pudesse chegar l\u00e1, e, a caminho da \u00c1sia, barbaramente assassinou o governador da \u00c1sia, Treb\u00f4nio (fevereiro de 43 a.C.). Treb\u00f4nio estava na \u00c1sia com o entendimento expresso de que deveria arrecadar for\u00e7as e dinheiro para o partido republicano; e esse ato de Dolabela foi uma declara\u00e7\u00e3o de hostilidade contra ele. O senado declarou-o hostis e C\u00e1ssio foi incumbido de derrot\u00e1-lo. Rumores sobre sua queda (ele cometeu suic\u00eddio enquanto estava bloqueado em Laodiceia) chegaram a Roma antes do t\u00e9rmino da correspond\u00eancia, mas n\u00e3o houve confirma\u00e7\u00e3o oficial disso. O car\u00e1ter pessoal de Dolabela era ruim, e n\u00e3o h\u00e1 nada em sua conduta p\u00fablica que o compensasse.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>Outros correspondentes<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Mas as figuras principais na \u00faltima etapa da correspond\u00eancia s\u00e3o os dois Brutos, Marco e D\u00e9cimo, C\u00e1ssio Longino, Pl\u00e2ncio e L\u00e9pido<a href=\"#_ftn41\" id=\"_ftnref41\">[41]<\/a>. Com C\u00e1ssio, a intimidade de C\u00edcero parece ter come\u00e7ado em 46 a.C., quando ambos viviam em Roma por indulg\u00eancia de C\u00e9sar, e ambos com sentimentos de lealdade muito duvidosa ao seu regime. C\u00e1ssio havia se destacado ap\u00f3s a queda de Crasso \u2013 de quem fora questor \u2013 por ter conseguido trazer de volta os restos do ex\u00e9rcito romano para Antioquia e repelido um ataque dos partas a essa cidade no ano seguinte (52 a.C.). Seu sucesso tornou o ano de C\u00edcero na Cil\u00edcia (51-50 a.C.) seguro no que diz respeito aos partos. Mas ele n\u00e3o fala com muita cordialidade sobre isso, ou como se conhecesse C\u00e1ssio de forma \u00edntima. C\u00e1ssio estava no comando de uma frota na Sic\u00edlia quando ocorreu a batalha de Farsalos. Quando soube dela, navegou em dire\u00e7\u00e3o ao Helesponto; aparentemente com o objetivo de interceptar C\u00e9sar, mas quase imediatamente se rendeu a ele. Ap\u00f3s a guerra de Alexandria, parece ter retornado a Roma e voltado sua aten\u00e7\u00e3o para a filosofia, adotando as doutrinas da Escola Epicurista. Sua carta (vol. iii., DXLI) mostra o zelo de um converso tardio, como C\u00edcero implica que ele era (vol. iii., DXXX). Ele nunca foi um c\u00e9lebre partid\u00e1rio de C\u00e9sar, embora, como outros, tenha se submetido. Em 46-45 a.C., quando C\u00e9sar foi para a Hisp\u00e2nia atacar os filhos de Pompeu, ele parece ter se desculpado de lutar contra antigos amigos e, consequentemente, recebido uma sugest\u00e3o para fazer uma viagem que o mantivesse fora de Roma durante a aus\u00eancia de C\u00e9sar. No entanto, com o retorno de C\u00e9sar, no meio de 45 a.C., ele parece ter sido tratado com respeito e nomeado como pretor para 44 a.C., embora estivesse irritado com a prefer\u00eancia dada ao seu cunhado M. Bruto, que era pretor urbano. Eles tamb\u00e9m deveriam ser c\u00f4nsules em 41 a.C., seu ano adequado. Atribuir sua irrita\u00e7\u00e3o pessoal com o pretor urbano como motivo para sua promo\u00e7\u00e3o da conspira\u00e7\u00e3o n\u00e3o parece razo\u00e1vel, diante das evid\u00eancias de seu profundo descontentamento com o regime cesariano. Ele, \u00e9 claro, aceitou o cargo por favor de C\u00e9sar, mas provavelmente considerava aquele cargo como nada mais do que seu direito, e a influ\u00eancia que lhe concedeu como um exerc\u00edcio inconstitucional de prerrogativa, do qual ele poderia ter dispensado se o estado da Rep\u00fablica tivesse sido normal. No geral, sua participa\u00e7\u00e3o no crime dos Idos de Mar\u00e7o n\u00e3o \u00e9 agravada pelo estigma adicional de ingratid\u00e3o na mesma medida que alguns dos outros. Suas cartas da S\u00edria s\u00e3o curtas e militares. Sem ser um homem de grande inventividade, ele evidentemente possu\u00eda energia e capacidade militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Pl\u00e2ncio foi de interesse para C\u00edcero apenas acidentalmente. Ele foi um dos legados de C\u00e9sar na G\u00e1lia que o apoiou na Guerra Civil. Lutou com sucesso em Ilerda em 49 a.C. (C\u00e9sar, <em>A Guerra Civil<\/em>, i. 40) e na Campanha Africana de 46 a.C. (C\u00e9sar, <em>A Guerra da \u00c1frica<\/em>, iv.), e seria recompensado com o governo da G\u00e1lia Cisalpina em 44-43 a.C. e o consulado em 42 a.C. Sua posterior conex\u00e3o com Ant\u00f4nio, sua longa resid\u00eancia com ele no Egito e sua trai\u00e7\u00e3o final de seus segredos a Augusto fizeram com que o historiador de corte Pat\u00e9rculo fosse particularmente feroz ao denunci\u00e1-lo como acometido por uma esp\u00e9cie de doen\u00e7a de trai\u00e7\u00e3o, e como o mais astuto dos homens. Suas cartas para C\u00edcero n\u00e3o fazem muito para melhorar seu car\u00e1ter, embora sejam inteligentes e expl\u00edcitas. Ele parece ter sido influenciado quase inteiramente por considera\u00e7\u00f5es pessoais. Se n\u00e3o resistisse a Ant\u00f4nio, temia perder sua prov\u00edncia; se o fizesse sem sucesso, temia perder o consulado de 42 a.C. Portanto, ele \u00e9 veemente em suas profiss\u00f5es de lealdade ao senado, desde que pare\u00e7a que seus generais estavam vencendo. Ele permitiu que D\u00e9cimo Bruto se juntasse a ele e insistiu para que Otaviano fizesse o mesmo. Mas quando descobriu que Ant\u00f4nio havia se unido a L\u00e9pido e P\u00f3lio, ele aceitou o compromisso oferecido e salvou seu consulado, se n\u00e3o sua honra.<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00e9pido foi outro homem que as chances da guerra civil trouxeram a uma posi\u00e7\u00e3o mais alta do que ele tinha for\u00e7a ou car\u00e1ter para manter. Ele era pretor em 49 a.C. e prestou algum servi\u00e7o a C\u00e9sar na garantia de sua nomea\u00e7\u00e3o como Ditador para realizar a elei\u00e7\u00e3o consular. Foi recompensado com o governo da Hisp\u00e2nia Citerior em 48-47 a.C. e o consulado de 46 a.C. como colega de C\u00e9sar. C\u00e9sar n\u00e3o parece t\u00ea-lo empregado em uma capacidade militar, mas o deixou em casa para manter a ordem em Roma: e quando C\u00e9sar foi novamente nomeado Ditador ap\u00f3s Tapso, e novamente ditador vital\u00edcio ap\u00f3s Munda, L\u00e9pido foi nomeado seu segundo em comando ou Mestre do Cavalo. Embora ainda ocupasse esse cargo em 44 a.C., ele n\u00e3o deveria acompanhar C\u00e9sar na Guerra Parta, mas deveria manter as prov\u00edncias combinadas da G\u00e1lia Narbonense e da Hisp\u00e2nia Citerior. Ele usou as tropas reunidas para essas prov\u00edncias para manter a ordem em Roma ap\u00f3s o assassinato. No entanto, ele n\u00e3o permaneceu muito tempo em Roma. Tendo garantido sua pr\u00f3pria elei\u00e7\u00e3o como Pont\u00edfice M\u00e1ximo em sucess\u00e3o a C\u00e9sar, foi para sua prov\u00edncia. Se tinha algum entendimento com Ant\u00f4nio ou n\u00e3o, ele parece ter estado inicialmente engajado em negocia\u00e7\u00f5es com Sexto Pompeu, ostensivamente no interesse do partido senatorial. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es de Ant\u00f4nio em 44 a.C., e sua determina\u00e7\u00e3o final de desalojar D\u00e9cimo Bruto da G\u00e1lia, ele manteve-se \u00e0 parte. Quando o cerco de Mutina come\u00e7ou, ele parece ter enviado oficiais nominalmente para comunicar-se com Bruto, mas com ordens secretas para n\u00e3o participar da luta; e quando Ant\u00f4nio entrou na G\u00e1lia Narbonense, ap\u00f3s sua retirada de Mutina, seus oficiais na fronteira n\u00e3o ofereceram resist\u00eancia, e embora ele fingisse estar descontento e os punisse, eles evidentemente estavam agindo com sua cumplicidade. Ele era \u2013 diz D\u00e9cimo Bruto \u2013 \u201co mais astuto dos homens\u201d (<em>homo ventosissimus<\/em><a href=\"#_ftn42\" id=\"_ftnref42\">[42]<\/a>), e suas cartas a C\u00edcero e ao senado professando lealdade, quando estava \u00e0 beira de se unir a Ant\u00f4nio, s\u00e3o curiosas por sua engendrada trai\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn43\" id=\"_ftnref43\">[43]<\/a>. Como ocorre usualmente com traidores, ele foi pouco valorizado pelo lado ao qual se uniu. Ant\u00f4nio e Otaviano acharam conveniente admiti-lo ao triunvirato, mas ele sempre foi tratado com desd\u00e9m por seus dois colegas, e ap\u00f3s sua tentativa in\u00fatil em 36 a.C. de minar a autoridade de Otaviano na Sic\u00edlia, foi for\u00e7ado a viver em retiro ignominioso at\u00e9 sua morte em 13 a.C. C\u00edcero fez o melhor que pode com lisonjas e exorta\u00e7\u00f5es para mant\u00ea-lo leal, mas nunca pensou muito bem dele<a href=\"#_ftn44\" id=\"_ftnref44\">[44]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>De todos os que participaram do assassinato de C\u00e9sar, D\u00e9cimo Bruno parece ter tido o menor motivo pessoal e a menor justificativa. C\u00e9sar evidentemente o apreciava muito e o considerava com afei\u00e7\u00e3o pessoal. Ele havia servido com alguma distin\u00e7\u00e3o na G\u00e1lia. Comandou a frota contra os Venetos em 56 a.C., foi deixado no comando das tropas na Auvergne e lutou em Alesia em 52 a.C. C\u00e9sar sempre o chama de <em>adulescens<\/em> nessas ocasi\u00f5es: ele provavelmente tinha menos de trinta anos e n\u00e3o havia ocupado o cargo de questor. Quando a Guerra Civil eclodiu, foi colocado no comando da frota constru\u00edda por ordem de C\u00e9sar para bloquear Marselha (49 a.C.), e parece ter se mostrado eficiente. N\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es sobre os anos em que ocupou cargos, mas ele estava em Roma em 50 a.C.<a href=\"#_ftn45\" id=\"_ftnref45\">[45]<\/a> e pode ter sido questor. N\u00e3o parece ter participado de outras batalhas da Guerra Civil. Pouco depois de 49 a.C., foi nomeado governador da G\u00e1lia Transalpina e lutou com sucesso contra os Bel\u00f3vacos. Parece ter permanecido l\u00e1 por cerca de tr\u00eas anos e, ao retornar a Roma, por volta do mesmo tempo em que C\u00e9sar voltou da Hisp\u00e2nia (45 a.C.), foi recebido por C\u00e9sar com grande honra e afei\u00e7\u00e3o, sendo admitido a viajar em uma carruagem com Otaviano e Ant\u00f4nio, atr\u00e1s da do Ditador, quando ele entrou em Roma<a href=\"#_ftn46\" id=\"_ftnref46\">[46]<\/a>. Tamb\u00e9m foi nomeado para a prov\u00edncia da G\u00e1lia Cisalpina para 44-43 a.C. e para o consulado de 42 a.C. com Pl\u00e2ncio. Finalmente, como se revelou ap\u00f3s a morte de C\u00e9sar, foi nomeado \u201csegundo herdeiro\u201d no testamento do Ditador. Parece n\u00e3o haver explica\u00e7\u00e3o para sua participa\u00e7\u00e3o na conspira\u00e7\u00e3o, exceto possivelmente seu casamento com Paula Val\u00e9ria, irm\u00e3 de um forte pompeiano. Sua influ\u00eancia conhecida com C\u00e9sar permitiu-lhe desempenhar um papel particularmente trai\u00e7oeiro. Quando a habitual prociss\u00e3o honor\u00e1ria de senadores visitou a casa de C\u00e9sar nos fatais Idos de Mar\u00e7o, encontraram-no relutante em ir \u00e0 C\u00faria, devido a v\u00e1rios avisos, sonhos e press\u00e1gios. D\u00e9cimo Bruto foi, portanto, designado para persuadi-lo a alterar sua resolu\u00e7\u00e3o. A carta escrita por D\u00e9cimo imediatamente depois da a\u00e7\u00e3o n\u00e3o demonstra nenhum sinal de remorso ou arrependimento<a href=\"#_ftn47\" id=\"_ftnref47\">[47]<\/a>. Portanto, ele estava completamente convencido de que estava cumprindo um dever p\u00fablico. N\u00e3o ganhou nada com isso e dificilmente poderia ter esperado por algo. A princ\u00edpio, parecia prov\u00e1vel que fosse impedido de assumir sua prov\u00edncia. Mas Ant\u00f4nio parece ter achado imposs\u00edvel impedir sua ida para l\u00e1; e como o complemento regular de homens j\u00e1 o aguardava, assim que ele entrou na prov\u00edncia, foi capaz de agir em todos os aspectos como um governador legalmente nomeado<a href=\"#_ftn48\" id=\"_ftnref48\">[48]<\/a>. Mas ele tamb\u00e9m estava decidido a manter a prov\u00edncia at\u00e9 43 a.C., na v\u00e9spera de seu consulado, e recusou-se a reconhecer a <em>lex<\/em> obtida por Ant\u00f4nio autorizando-o a suceder Bruto em janeiro daquele ano. Esta foi a origem da guerra de Mutina, que ocupa uma grande parte das cartas deste volume. As cartas de C\u00edcero para ele em 44 a.C. ilustrar\u00e3o sua posi\u00e7\u00e3o antes da guerra aberta de Ant\u00f4nio contra ele, e suas pr\u00f3prias correspond\u00eancias ap\u00f3s Mutina (abril de 43 a.C.) nos levam passo a passo ao longo da estrada naquela busca f\u00fatil por Ant\u00f4nio, que finalmente trouxe a pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o de D\u00e9cimo.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura mais not\u00e1vel nesta \u00faltima se\u00e7\u00e3o da correspond\u00eancia \u00e9 Marco Bruto. Ele h\u00e1 muito desfruta de uma reputa\u00e7\u00e3o \u00fanica, fundada em parte em seu nome e na descend\u00eancia imagin\u00e1ria do her\u00f3i que expulsou o \u00faltimo rei de Roma, em parte na suposta eleva\u00e7\u00e3o de seus motivos e em sua pureza estoica. Ele era o primeiro membro da conspira\u00e7\u00e3o, um Bayard ou um Sidney<a href=\"#_ftn49\" id=\"_ftnref49\">[49]<\/a>, que agia apenas como um cavalheiro, patriota e estoico estava obrigado a agir. At\u00e9 mesmo Ant\u00f4nio reconheceu que ele, sozinho entre os assassinos, estava isento de objetivos ego\u00edstas; e Shakespeare capturou fielmente o esp\u00edrito de suas fontes ao torn\u00e1-lo o her\u00f3i de seu J\u00falio C\u00e9sar. Claro que n\u00e3o faltaram cr\u00edticos a adotar uma vis\u00e3o diferente sobre o car\u00e1ter e a carreira de Bruto. Ele \u00e9, por exemplo, um objeto de avers\u00e3o para os editores da grande edi\u00e7\u00e3o de Dublin das cartas, que n\u00e3o apenas se referem aos seus modos r\u00edgidos e desajeitados, dos quais C\u00edcero pr\u00f3prio parece se queixar, e \u00e0 sua pedantaria superficial, mas o acusam de opress\u00e3o grosseira e usura na \u00c1sia e em Chipre, de ter tra\u00eddo a C\u00e9sar a inten\u00e7\u00e3o de Pompeu de ir ao Egito ap\u00f3s Farsalos, de motivos mesquinhos e ingratid\u00e3o grosseira no assassinato de C\u00e9sar, e, ao tentar negociar com os antonianos, de ter falhado com seu partido em seu momento de maior necessidade ao n\u00e3o se dirigir \u00e0 Maced\u00f4nia com seu ex\u00e9rcito. Assim, n\u00e3o resta nada de heroico nele, nem mesmo do que \u00e9 decentemente honroso. Se ignorar os erros dos vil\u00f5es da hist\u00f3ria \u00e9 uma ocupa\u00e7\u00e3o insatisfat\u00f3ria, uma atitude ainda menos satisfat\u00f3ria \u00e9 a de dissipar nossas ilus\u00f5es sobre seus her\u00f3is. Seus contempor\u00e2neos admiravam Bruto, at\u00e9 seus opositores admitiam suas qualidades elevadas, e uma tradi\u00e7\u00e3o quase constante concordava em exaltar seu car\u00e1ter. Se Dante o colocou no \u00faltimo c\u00edrculo de seu inferno, foi pela severa condena\u00e7\u00e3o do assassinato, qualquer que seja a desculpa que se possa apresentar para o assassino. N\u00e3o havia mais perd\u00e3o para ele do que para o adult\u00e9rio de Francesca<a href=\"#_ftn50\" id=\"_ftnref50\">[50]<\/a>, apesar da infinita compaix\u00e3o. \u00c9 obviamente imposs\u00edvel absolver Bruto por ter deca\u00eddo ao n\u00edvel de sua \u00e9poca e por trair sua filosofia nas pr\u00e1ticas usur\u00e1rias em Chipre<a href=\"#_ftn51\" id=\"_ftnref51\">[51]<\/a>, e de agir pelo menos indiferen\u00e7a quanto \u00e0 severidade com que seus agentes exigiam o dinheiro. No entanto, era uma pr\u00e1tica muito comum entre a nobreza romana chocar seus contempor\u00e2neos, ou surpreender os modernos que sabem como frequentemente a pr\u00e1tica n\u00e3o condiz com a teoria. No governo da G\u00e1lia Cisalpina (56 a.C.), ele parece ter sido irrepreens\u00edvel em rela\u00e7\u00e3o ao dinheiro e demonstrado consider\u00e1vel habilidade. A alegada trai\u00e7\u00e3o da inten\u00e7\u00e3o de Pompeu de ir ao Egito n\u00e3o \u00e9 realmente corroborada por Plutarco, e parece quase imposs\u00edvel pelo fato de que Pompeu n\u00e3o havia decidido ainda o que faria quando escapou de Fars\u00e1lia; e Bruto, que partiu do acampamento depois dele, dificilmente poderia saber disso, se o soubesse.<\/p>\n\n\n\n<p>No que diz respeito ao assassinato de C\u00e9sar, ele era t\u00e3o culpado quanto os demais \u2013 nem mais nem menos. Provavelmente n\u00e3o sentia uma gratid\u00e3o especial por C\u00e9sar, que dificilmente poderia ter feito outra coisa sen\u00e3o poup\u00e1-lo ap\u00f3s Farsalos, em vista de suas pr\u00f3prias rela\u00e7\u00f5es com sua m\u00e3e Serv\u00edlia. O boato de que Bruto era, na realidade, filho de C\u00e9sar \u00e9 extremamente improv\u00e1vel, embora talvez n\u00e3o absolutamente imposs\u00edvel. Ele n\u00e3o tinha raz\u00e3o para amar Pompeu, que havia matado trai\u00e7oeiramente seu pai, mas amava seu tio Cat\u00e3o, cuja morte seria responsabilidade de C\u00e9sar. Sua partida para a It\u00e1lia em 43 a.C., como C\u00edcero o exortou a fazer, mesmo que fosse poss\u00edvel com o transporte que ele tinha, dificilmente teria sido s\u00e1bia. Seus oponentes estavam ent\u00e3o em grande for\u00e7a; n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o para acreditar que a It\u00e1lia estava \u2013 como alegava C\u00edcero \u2013 pronta para se levantar em seu apoio, e uma batalha malsucedida contra Ant\u00f4nio, L\u00e9pido e Otaviano, que certamente teriam se unido para se opor a ele, n\u00e3o apenas teria implicado a perda final da causa, mas teria dado a desculpa para um massacre pior do que as proscri\u00e7\u00f5es. A acusa\u00e7\u00e3o de flertar com os antonianos repousa em sua leni\u00eancia com rela\u00e7\u00e3o a Caio Ant\u00f4nio, que ele havia feito prisioneiro. No dia 13 de abril, pouco antes de se saber o resultado das batalhas de Mutina, chegou um despacho de Bruto, acompanhado de um de Caio Ant\u00f4nio, que come\u00e7ava com \u201cCaio Ant\u00f4nio, Proc\u00f4nsul\u201d<a href=\"#_ftn52\" id=\"_ftnref52\">[52]<\/a>. Eles foram trazidos por P\u00edlio C\u00e9lere, sogro de \u00c1tico, e entregues a um tribuno. O tribuno os passou para Cornuto, o pretor urbano que presidia o senado na aus\u00eancia dos c\u00f4nsules. O despacho de Bruto referia-se a Ant\u00f4nio em termos indulgentes, e o fato de ter permitido que ele se intitulasse de Proc\u00f4nsul foi considerado pelos ciceronianos como um abandono pr\u00e1tico de sua alega\u00e7\u00e3o de que Bruto era o \u00fanico proc\u00f4nsul legal da Maced\u00f4nia. C\u00edcero ficou t\u00e3o constrangido que n\u00e3o disse nada. Mas na reuni\u00e3o do dia seguinte, ele falou severamente sobre essa atribui\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de Proc\u00f4nsul, e alguns membros do partido tentaram insinuar que o despacho de Bruto era uma falsifica\u00e7\u00e3o. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias de que Bruto tenha tentado desmentir o despacho, e mesmo ap\u00f3s as batalhas de Mutina, ele continuou a tratar Caio Ant\u00f4nio com considera\u00e7\u00e3o, que, segundo a vers\u00e3o mais prov\u00e1vel, n\u00e3o foi executado at\u00e9 o final do ano, e ent\u00e3o n\u00e3o diretamente por ordem de Bruto. Alguns membros do partido de C\u00edcero estavam alarmados com a poss\u00edvel posi\u00e7\u00e3o de seus parentes se eles tivessem tomado armas contra um \u201cproc\u00f4nsul\u201d, e estavam, portanto, ansiosos para marcar a rejei\u00e7\u00e3o da reivindica\u00e7\u00e3o impl\u00edcita pelo uso do t\u00edtulo. Mas n\u00e3o poderia haver d\u00favida sobre o direito de Caio Ant\u00f4nio a essa designa\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que ele certamente havia sido investido com <em>imperium<\/em> da maneira usual. A quest\u00e3o era realmente se ele tinha algum direito legal para exercer esse <em>imperium<\/em> na Maced\u00f4nia. Sob esse ponto de vista, ele estava \u2013 como C\u00edcero observou \u2013 na mesma posi\u00e7\u00e3o que seu irm\u00e3o Marco na G\u00e1lia. Mas Marco havia sido proclamado pelo senado como hostis, o que n\u00e3o parece que tenha acontecido com Caio. Pode, portanto, ter havido margem para negocia\u00e7\u00e3o, e em meio a tanto derramamento de sangue, \u00e9 dif\u00edcil censurar Bruto por hesitar em executar um prisioneiro capturado em combate aberto e estar disposto a permitir que ele obtivesse termos do senado. No entanto, para C\u00edcero, tudo, exceto guerra total contra os antonianos, era trai\u00e7\u00e3o, e ele pressiona constantemente Bruto sobre a necessidade de se livrar dele.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>A autenticidade das cartas a Bruto<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Assim como a controv\u00e9rsia tem girado em torno do car\u00e1ter de Bruto, tamb\u00e9m o fez em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 autenticidade dos dois livros de cartas entre Bruto e C\u00edcero. A quest\u00e3o foi plenamente exposta e os argumentos mais recentes revisados pelos editores de Dublin, e n\u00e3o precisa ser discutida novamente aqui. O resultado geral \u00e9 que os dois livros s\u00e3o parte de um \u00fanico livro, o nono, de uma cole\u00e7\u00e3o muito maior que existia; que os livros II devem preceder os do Livro I; e que as evid\u00eancias s\u00e3o a favor da autenticidade de todas as cartas, exceto das cartas 1.16 e 17 (DCCCLX e DCCCLXI, nesta edi\u00e7\u00e3o). Mesmo dessas, os editores de Dublin acreditam que as evid\u00eancias a favor delas s\u00e3o, no geral, mais fortes do que as contr\u00e1rias. A autoridade manuscrita dessas duas cartas n\u00e3o \u00e9 diferente da das demais do livro, mas acredito que h\u00e1 muitos pontos, tanto de estilo quanto de alus\u00e3o hist\u00f3rica, que chamariam a aten\u00e7\u00e3o de um leitor da correspond\u00eancia como suspeitos. A carta para C\u00edcero \u00e9 pior do que a para \u00c1tico, tanto em subst\u00e2ncia quanto em estilo, mas nenhuma \u00e9 digna da reputa\u00e7\u00e3o de Bruto. Infelizmente, n\u00e3o conhecemos bem os detalhes das negocia\u00e7\u00f5es de C\u00edcero com Otaviano para afirmar com certeza que ele n\u00e3o tenha escrito para ele no tom que Bruto critica. Mas sabemos que o senado \u2013 agindo sob a influ\u00eancia de C\u00edcero \u2013 em sua vota\u00e7\u00e3o de honrarias ao ex\u00e9rcito, ignorou de forma bastante estudada os servi\u00e7os de Otaviano<a href=\"#_ftn53\" id=\"_ftnref53\">[53]<\/a> e rejeitou a miss\u00e3o de Salvidieno quando ele pediu o consulado para ele. Se C\u00edcero estava ao mesmo tempo escrevendo em termos elogiosos para ele e propondo uma ova\u00e7\u00e3o, ele estava jogando um jogo muito trai\u00e7oeiro e muito perigoso. Portanto, se as Cartas 1.16 e 17 devem ser consideradas como composi\u00e7\u00f5es posteriores, gostar\u00edamos de pensar que 1.15 (DCDIX) tamb\u00e9m deve seguir o mesmo caminho: e o paneg\u00edrico a Messala \u2013 t\u00e3o prematuro e t\u00e3o prov\u00e1vel de ter sido inserido posteriormente \u2013 torna esp\u00faria, pelo menos em parte, a carta altamente prov\u00e1vel. Parece haver uma esp\u00e9cie de moda na cr\u00edtica. Quarenta ou cinquenta anos atr\u00e1s havia uma tend\u00eancia a duvidar da autenticidade dos escritos antigos com uma esp\u00e9cie de ceticismo triunfante; agora, o p\u00eandulo se alterou \u2013 na maior parte felizmente \u2013 e o impulso \u00e9 defender tudo. Nenhuma das modas est\u00e1 completamente certa.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Isso foi questionado, mas acredito que suas pr\u00f3prias express\u00f5es tornam isso praticamente certo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Carta DCCXVI.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Cartas DCCII, DCCV, DCCXV, DCCXVI, DCCXIX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Cartas DCCXVI, DCCLX<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Cartas DCCIII, DCCIV, DCCV, DCCXII, DCCXVI, DCCXXIII, DCCXXVI, DCCXXXI.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Carta DCCX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Carta DCCXX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Carta DCCXVI; compare com a carta DCCXX: \u201cParecia que n\u00e3o t\u00ednhamos sido libertados de uma tirania \u2013 apenas de um tirano: pois, embora o tirano tenha sido morto, obedecemos a todas as suas palavras&#8230; imunidades est\u00e3o sendo concedidas; somas imensas de dinheiro esbanjadas; exilados chamados de volta; decretos forjados do senado registrados no er\u00e1rio\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> Carta DCCX<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> Cartas DCCI, DCCII, DCCX, DCCXXVI, DCCXXXVI, DCCXLVI.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> Carta DCCXXV.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> Carta DCCXCIV.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> Carta DCCXLVII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> Carta DCCIV.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> Carta DCCX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> Carta DCCXII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> Cartas DCCXXV, DCCXXIX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> Carta DCCXLII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> Carta DCCXXVI.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> Carta DCCXXXV.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> Carta DCCLII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> <em>Fil\u00edpicas<\/em>, 1, \u00a77.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a> Carta DCCLXXX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a> Ver cartas DCCLXXX, DCCLXXXIV. Ele afirma que tamb\u00e9m tinha uma c\u00f3pia de uma <em>contio<\/em> de Ant\u00f4nio, bem como o \u00e9dito de Bruto e C\u00e1ssio, que ele menciona na carta.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a> <em>Fil\u00edpicas<\/em>, 1, \u00a713.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a> Cartas DCCXXV, DCCXXX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\" id=\"_ftn27\">[27]<\/a> Carta DCCXXXVIII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\" id=\"_ftn28\">[28]<\/a> Carta DCCLXXXIX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\" id=\"_ftn29\">[29]<\/a> Carta DCCCXVII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\" id=\"_ftn30\">[30]<\/a> Carta DCCLXXXIX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\" id=\"_ftn31\">[31]<\/a> Carta DCCXCIV.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\" id=\"_ftn32\">[32]<\/a> Carta DCCXCVI.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref33\" id=\"_ftn33\">[33]<\/a> Carta DCCCIII; compare com a carta DCCCIV: C\u00edcero, no entanto, acreditava e aprovava a conspira\u00e7\u00e3o para assassinar Ant\u00f4nio, atribu\u00edda a Otaviano. Veja carta DCCLXXXIX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\" id=\"_ftn34\">[34]<\/a> Carta DCCCVI.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref35\" id=\"_ftn35\">[35]<\/a> Carta DCCCIX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref36\" id=\"_ftn36\">[36]<\/a> Ver carta DCCCLXII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref37\" id=\"_ftn37\">[37]<\/a> O edital n\u00e3o foi publicado at\u00e9 que os tri\u00fanviros entrassem em Roma; mas o nome de C\u00edcero estava entre os enviados antes (Apiano, <em>Guerra Civil<\/em>, iv. 4).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref38\" id=\"_ftn38\">[38]<\/a> Plutarco, C\u00edcero, xlvii.-xlviii. H\u00e1 tamb\u00e9m um relato um tanto semelhante de L\u00edvio, preservado por S\u00eaneca, <em>Suasoriae<\/em>, i. 7.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref39\" id=\"_ftn39\">[39]<\/a> Eugenio Mas\u00e8 Dari (1864-1961), jurista italiano [N.T.].<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref40\" id=\"_ftn40\">[40]<\/a> Vol. ii., Carta CCLVII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref41\" id=\"_ftn41\">[41]<\/a> Os la\u00e7os familiares que uniam os l\u00edderes do partido anticesariano podem ser vistos na tabela:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref42\" id=\"_ftn42\">[42]<\/a> Carta DCCLXXX; C\u00edcero fala dele como <em>levissimus<\/em> (\u201cextremamente inst\u00e1vel\u201d); Carta DCDIX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref43\" id=\"_ftn43\">[43]<\/a> Cartas DCCCLXXII, DCCCLXXXVIII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref44\" id=\"_ftn44\">[44]<\/a> Vol. ii., Carta CCCLXIII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref45\" id=\"_ftn45\">[45]<\/a> Vol. ii., Carta CCXLII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref46\" id=\"_ftn46\">[46]<\/a> Plutarco, <em>Vida de Ant\u00f4nio<\/em>, xi.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref47\" id=\"_ftn47\">[47]<\/a> Carta DCXCVII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref48\" id=\"_ftn48\">[48]<\/a> Veja sua expedi\u00e7\u00e3o contra as tribos alpinas, Carta DCCXCIV.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref49\" id=\"_ftn49\">[49]<\/a> Maro J\u00fanio Bruto se dizia descendente de L\u00facio J\u00fanio Bruto, figura lend\u00e1ria conhecida por ter liderado a expuls\u00e3o do \u00faltimo rei de Roma, Tarqu\u00ednio, o Soberbo. <em>Bayard<\/em> se refere a Pierre Terrail, senhor de Bayard (1473-1524), um cavaleiro franc\u00eas da \u00e9poca das Guerras Italianas, conhecido como \u201co cavaleiro sem medo e sem m\u00e1cula\u201d. <em>Sidney<\/em> se refere a Sir Philip Sidney (1554-1586), lembrado por seu hero\u00edsmo e idealizado como um modelo de virtude renascentista [N.T].<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref50\" id=\"_ftn50\">[50]<\/a> Francesca de R\u00edmini, personagem da <em>Divina Com\u00e9dia<\/em>, localizada no Canto V do <em>Inferno<\/em>, no c\u00edrculo dos luxuriosos. Ela e seu amante, Paolo, foram condenados ao Inferno por cometerem adult\u00e9rio. Francesca conta a Dante como se apaixonou por Paolo, irm\u00e3o de seu marido, e como ambos foram assassinados quando flagrados. Francesca est\u00e1 no segundo c\u00edrculo do inferno, dedicado aos pecados de paix\u00e3o [N.T.].<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref51\" id=\"_ftn51\">[51]<\/a> Consulte o vol. ii, Carta CCLI.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref52\" id=\"_ftn52\">[52]<\/a> Carta DCCCXXXIX.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref53\" id=\"_ftn53\">[53]<\/a> Apiano, <em>Guerra Civil<\/em>, iii. 74, 86.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler a seguir um trecho da Introdu\u00e7\u00e3o \u00e0s cartas de C\u00edcero em seu Volume IV (e \u00faltimo volume). Caso deseje adquirir este e outros volumes da cole\u00e7\u00e3o clique aqui, ou na imagem da capa do livro abaixo. Introdu\u00e7\u00e3o As cartas deste volume nos trazem ao final da correspond\u00eancia\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/09\/19\/cartas-de-cicero-volume-iv\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1009,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[40,5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1011"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1011"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1011\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1012,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1011\/revisions\/1012"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1009"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1011"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1011"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1011"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}