{"id":1049,"date":"2024-10-07T22:16:03","date_gmt":"2024-10-07T22:16:03","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=1049"},"modified":"2024-10-07T22:16:03","modified_gmt":"2024-10-07T22:16:03","slug":"a-topografia-lendaria-dos-evangelhos-de-halbwachs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/10\/07\/a-topografia-lendaria-dos-evangelhos-de-halbwachs\/","title":{"rendered":"A Topografia lend\u00e1ria dos Evangelhos, de Halbwachs"},"content":{"rendered":"\n<p>Abaixo voc\u00ea ir\u00e1 ler as primeiras p\u00e1ginas de &#8220;A topografia lend\u00e1ria dos Evangelhos na Terra Santa&#8221;, de Maurice Halbwachs. Caso deseje saber mais sobre a obra, ou caso deseje adquiri-la, <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-topografia-lendaria-dos-evangelhos\/\">clique aqui<\/a> ou na capa abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-topografia-lendaria-dos-evangelhos\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/capinha_topografia-lendaria.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1045\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/capinha_topografia-lendaria.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/capinha_topografia-lendaria-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/capinha_topografia-lendaria-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>Introdu\u00e7\u00e3o<\/a><\/h1>\n\n\n\n<p>A viagem \u00e0 Terra Santa pode ser feita com disposi\u00e7\u00f5es de esp\u00edrito bastante diferentes. Para muitos, \u00e9 uma peregrina\u00e7\u00e3o. Eles querem ver os lugares onde ocorreram os eventos relatados pelos Evangelhos, para se recolher e orar em locais sagrados. S\u00e3o crist\u00e3os que, antes deles, mantiveram a mem\u00f3ria desses lugares. Ao longo dos s\u00e9culos, multid\u00f5es piedosas se reuniram ao redor dos santu\u00e1rios erigidos nos pontos mais importantes, nos que mais marcaram a mem\u00f3ria crist\u00e3. Desde o dia em que essas mem\u00f3rias se fixaram em certos lugares, eles foram transfigurados. Tanto mais que n\u00e3o se trata de fatos hist\u00f3ricos ordin\u00e1rios, mas de eventos sobrenaturais. O cen\u00e1rio local onde s\u00e3o colocados \u00e9 tamb\u00e9m, em parte, sobrenatural, e \u00e9 com os olhos da f\u00e9 que, al\u00e9m das apar\u00eancias sens\u00edveis, acredita-se perceber outro mundo, que j\u00e1 n\u00e3o est\u00e1 completamente no espa\u00e7o e que \u00e9 o \u00fanico verdadeiro para um crist\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, \u00e9 verdade, crentes que t\u00eam outras exig\u00eancias. N\u00e3o lhes basta visitar com os outros os lugares consagrados pela tradi\u00e7\u00e3o. Mas essa tradi\u00e7\u00e3o, essas tradi\u00e7\u00f5es quanto aos locais, s\u00e3o fundamentadas? O que eles desejam \u00e9 encontrar os vest\u00edgios aut\u00eanticos da passagem de Cristo. Querem ter certeza de que foi ali que ele disse tais palavras, fez tais gestos, e que tais partes de sua vida humana aconteceram. Talvez esperem que suas cren\u00e7as sejam vivificadas, que ganhem em intensidade, se o que lhes foi apresentado at\u00e9 agora como um relato for confrontado com a realidade dos lugares evocados. Ent\u00e3o, as quest\u00f5es de autenticidade passam para o primeiro plano. Essas localiza\u00e7\u00f5es tradicionais resistem \u00e0 cr\u00edtica? \u201cEnt\u00e3o era verdade.\u201d \u00c9 como um testemunho sens\u00edvel, uma certeza sens\u00edvel que se acrescenta \u00e0s outras, e que talvez seja mais decisiva. O passado torna-se em parte o presente: toca-se, est\u00e1-se em contato direto com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Por nossa vez, n\u00f3s nos colocamos em um ponto de vista totalmente diferente. H\u00e1 toda uma s\u00e9rie de quest\u00f5es sobre as quais n\u00e3o temos que tomar partido. Jesus foi um Deus, um ser sobrenatural, ou, simplesmente, um homem que se acreditava Deus ou filho de Deus? Jesus existiu? Os evangelhos t\u00eam algum fundamento hist\u00f3rico? Sainte-Beuve, em um artigo sobre <em>A Vida de Jesus<\/em>, surpreendia-se com a acrim\u00f4nia das cr\u00edticas dirigidas contra esse livro, e dizia mais ou menos: \u201cEsperem, s\u00f3 um pouco. Em breve surgir\u00e1 uma nova esp\u00e9cie de homens, estreitos, duros, sistem\u00e1ticos, que ir\u00e3o mais longe no sentido da cr\u00edtica impiedosa e da nega\u00e7\u00e3o. Voc\u00eas ent\u00e3o lamentar\u00e3o o Sr. Renan.\u201d Repetimos: mantemo-nos \u00e0 parte dessas discuss\u00f5es. S\u00f3 alcan\u00e7amos as localiza\u00e7\u00f5es dos fatos evang\u00e9licos em uma \u00e9poca bastante tardia, no in\u00edcio do s\u00e9culo IV. Essas tradi\u00e7\u00f5es sobre o que se chama de lugares santos, como se formaram? Qual \u00e9 a sua origem? Sobre isso, \u00e9 poss\u00edvel formular hip\u00f3teses, que podem nos levar bastante longe, fazer-nos retornar bastante no tempo, e que, ali\u00e1s, n\u00e3o s\u00e3o todas inteiramente desprovidas de plausibilidade. O essencial \u00e9 que essas tradi\u00e7\u00f5es existam, quando as alcan\u00e7amos. N\u00e3o buscamos o que h\u00e1 por tr\u00e1s delas, e se s\u00e3o aut\u00eanticas. Mas as estudamos a si mesmas, como cren\u00e7as coletivas. Tentamos perceber sua for\u00e7a, sua extens\u00e3o. Mas, sobretudo, seguimos seu desenvolvimento ao longo do tempo, a partir dessa \u00e9poca, na medida em que os monumentos, e sobretudo as descri\u00e7\u00f5es dos peregrinos, nos permitem. O que nos importa \u00e9, neste exemplo, privilegiado em muitos aspectos, perceber algumas das leis \u00e0s quais obedece a mem\u00f3ria coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p>***<\/p>\n\n\n\n<p>A literatura sobre o assunto que abordamos \u00e9 consider\u00e1vel. Existem relatos de peregrinos e viajantes que se sucederam desde o s\u00e9culo IV at\u00e9 o presente. N\u00f3s lemos um grande n\u00famero deles, em particular os mais antigos, aqueles que s\u00e3o escritos em latim, nas colet\u00e2neas cr\u00edticas fornecidas por Geyer (<em>Itinera hierosolymitana, S\u00e6culi III-VIII<\/em>, 1898) e Tobler (<em>Descriptiones terr\u00e6 sanct\u00e6 ex s\u00e6culo VIII-IX-XII e XV<\/em>). Esses antigos escritos foram objeto de estudos cr\u00edticos t\u00e3o numerosos e t\u00e3o atentos quanto os textos cl\u00e1ssicos. Foram inventariados, classificados os manuscritos, registradas as variantes, multiplicadas as compara\u00e7\u00f5es, as explica\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e hist\u00f3ricas mais detalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Estes s\u00e3o os testemunhos propriamente ditos que nos permitem apreender diretamente, em cada \u00e9poca, o conjunto das tradi\u00e7\u00f5es sobre os lugares santos, em sua diversidade e suas varia\u00e7\u00f5es. Os autores desses escritos relatam simplesmente o que viram e ouviram. Eles n\u00e3o discutem, n\u00e3o d\u00e3o uma opini\u00e3o pessoal, n\u00e3o indicam suas incertezas ou reservas. Seu testemunho \u00e9, portanto, mais valioso: n\u00e3o s\u00e3o as opini\u00f5es de indiv\u00edduos, mas as cren\u00e7as de grupos de fi\u00e9is, ing\u00eanuas e vivas. Nenhuma reflex\u00e3o sobre o que se poderia ter acreditado antes deles, e que eles ignoram ou esqueceram. Assim, \u00e9 poss\u00edvel seguir a evolu\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea das tradi\u00e7\u00f5es e, em alguns casos, sua persist\u00eancia natural ao longo do tempo, sem outro motivo que um instinto religioso, certas necessidades da imagina\u00e7\u00e3o religiosa, em grupos isentos de qualquer disciplina racional ou cient\u00edfica. Muitos deles s\u00e3o an\u00f4nimos. Mas aqueles cujo nome conhecemos e cuja biografia podemos escrever parecem ter-se despojado de sua personalidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns se expressam em um latim mais correto, mais elegante, com mais precis\u00e3o e clareza; conhecem melhor a religi\u00e3o, os textos sagrados; no entanto, s\u00e3o como unidades na massa. O que nos chega s\u00e3o os ecos das conversas nos mosteiros, das palavras ditas nos refeit\u00f3rios dos peregrinos, durante as cerim\u00f4nias nas igrejas, nas capelas, nas prociss\u00f5es, nas visitas aos locais sagrados. O estado de esp\u00edrito \u00e9 o mesmo entre aqueles que mostram e explicam, e aqueles que olham e ouvem. Mesmo n\u00edvel comum. Certamente, h\u00e1 relatos muito curtos e muito pobres, de uma secura surpreendente, nos quais se encontra apenas uma sucess\u00e3o de nomes de lugares e pessoas, mon\u00f3tonos como uma nomenclatura e, \u00e0s vezes, ritmados como ladainhas; outros cont\u00eam desenvolvimentos abundantes, descri\u00e7\u00f5es floridas, um grande luxo de detalhes. \u00c0s afirma\u00e7\u00f5es fundamentais se somam ros\u00e1rios de lendas, todo o folclore do Antigo e do Novo Testamento, tradi\u00e7\u00f5es puramente locais, de importa\u00e7\u00e3o e de apari\u00e7\u00e3o muito recente, e at\u00e9 mesmo curiosidades arcaicas ou ex\u00f3ticas. Leia-se o maior n\u00famero poss\u00edvel deles, sem se deixar desanimar pelas repeti\u00e7\u00f5es, as contradi\u00e7\u00f5es, as obscuridades, a simplicidade e, \u00e0s vezes, o vazio. Desses relatos emergem correntes de pensamento e cren\u00e7a que fundem todas essas diversidades, e que s\u00e3o exatamente o que desejamos conhecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 os estudos acad\u00eamicos, cujos autores, independentemente do objetivo final que tivessem em mente, quiseram se basear em um conhecimento hist\u00f3rico s\u00e9rio dos fatos e dos locais. O m\u00e9todo cient\u00edfico, t\u00e3o criticado quando Lanson<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> e sua escola o aplicaram \u00e0s obras liter\u00e1rias, foi prontamente adotado pelos crist\u00e3os mais respeitosos dos textos sagrados nesse campo. A Escola dos Dominicanos de Jerusal\u00e9m se desempenhou admiravelmente dessa tarefa. <em>J\u00e9rusalem. Recherches de topographie, d\u2019arch\u00e9ologie et d\u2019histoire<\/em>, pelos padres Hugues Vincent e F. M. Abel dos Irm\u00e3os Pregadores<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> \u00e9 uma soma de tudo o que a tradi\u00e7\u00e3o, os manuscritos e os livros impressos, ao longo dos s\u00e9culos, em todos os pa\u00edses e em todas as l\u00ednguas, podem nos ensinar sobre a hist\u00f3ria dos lugares santos, ao que se acrescenta, e com o que se relaciona para esclarec\u00ea-la, e tamb\u00e9m para ser esclarecida, o estudo atento dos monumentos, igrejas, bas\u00edlicas, realizado no local, o estudo topogr\u00e1fico, arqueol\u00f3gico, art\u00edstico, at\u00e9 mesmo geol\u00f3gico (todas as camadas de terreno e os vest\u00edgios de perturba\u00e7\u00f5es, de terremotos foram explorados), com grande riqueza de cita\u00e7\u00f5es e reprodu\u00e7\u00f5es e, o que \u00e9 importante aqui, com uma preocupa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de objetividade. \u201cApesar de tudo o que apologistas imprudentes e detratores ignorantes possam ter arriscado\u201d (dizem esses Padres), \u201c\u00e9 evidente para qualquer mente ponderada que a Igreja nunca fez da cren\u00e7a em um santu\u00e1rio, por mais eminente e tradicional que fosse, como o Santo Sepulcro, por exemplo, ou o Calv\u00e1rio, uma obriga\u00e7\u00e3o para a ortodoxia de seus filhos.\u201d Em outras palavras, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma localiza\u00e7\u00e3o dos fatos evang\u00e9licos que seja dogma de f\u00e9. Nossos autores, portanto, puderam prosseguir suas pesquisas, apresentar suas constata\u00e7\u00f5es, interpreta\u00e7\u00f5es e hip\u00f3teses com plena liberdade de pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o diremos que esta obra dispensa a leitura das anteriores: mas ela nos d\u00e1 o melhor de sua subst\u00e2ncia e est\u00e1 perfeitamente atualizada com as discuss\u00f5es cr\u00edticas, explora\u00e7\u00f5es e escava\u00e7\u00f5es (notadamente aquelas feitas recentemente pelos americanos). Aproveitamos amplamente essas riquezas, tomando frequentemente Abel e Vincent (abreviado para Vincent) como guias. Se \u00e0s vezes adotamos outras opini\u00f5es que n\u00e3o as deles, nunca \u00e9 sem nos esfor\u00e7armos para entender seu ponto de vista e suas raz\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Devemos tamb\u00e9m muito a uma obra totalmente diferente, <em>Les Itin\u00e9raires de J\u00e9sus. Topographie des \u00e9vangiles<\/em>, de Dalman, professor na Universidade de Greifswald, diretor do Instituto Arqueol\u00f3gico Alem\u00e3o de Jerusal\u00e9m. O autor \u00e9 um luterano ligado \u00e0 comunidade dos Irm\u00e3os Mor\u00e1vios. Ele passou longos per\u00edodos na Palestina, onde fez in\u00fameras excurs\u00f5es e explora\u00e7\u00f5es. Ele quer situar Jesus \u201cno meio local e no povo que Deus lhe destinou e que a hist\u00f3ria lhe ofereceu\u201d<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a> e encontrar os rastros de sua passagem pela terra, nesta terra. As tradi\u00e7\u00f5es certamente nos ajudam nisso, e ele indicou um grande n\u00famero delas, n\u00e3o s\u00f3 em Jerusal\u00e9m, mas em todos os lugares em que o Evangelho nos mostra Cristo: em Bel\u00e9m, Nazar\u00e9, \u00e0s margens do lago Tiber\u00edades; ele registrou todas as que se relacionam com suas viagens, primeiro em Bel\u00e9m, antes e depois de seu nascimento, \u00e0s margens do Jord\u00e3o e no deserto, da Galileia \u00e0 Judeia, de Jeric\u00f3 a Jerusal\u00e9m. Mas, acima de tudo, ele as comparou com muitos outros ind\u00edcios e meios de evoca\u00e7\u00e3o e recorda\u00e7\u00e3o, tudo o que pode nos restituir o cen\u00e1rio dessa vida, desses caminhos, dessas prega\u00e7\u00f5es e dessa morte: direito judaico, pr\u00e1ticas rituais, medida do tempo, agricultura, com\u00e9rcio, produtos, sistema de pesos, pre\u00e7os, impostos, etc. Adicione o clima, as esta\u00e7\u00f5es, a fauna, as diversas esp\u00e9cies de plantas, o aspecto dos campos floridos, das montanhas \u00e1ridas, tudo o que talvez menos tenha mudado em dois mil anos, e que \u00e9 insepar\u00e1vel da figura de Jesus e de seus primeiros disc\u00edpulos. Finalmente, a l\u00edngua, os textos b\u00edblicos do Antigo e do Novo Testamento, o vocabul\u00e1rio e a gram\u00e1tica hebraica, os dialetos aramaicos, os nomes das localidades e os termos t\u00e9cnicos, as etimologias e compara\u00e7\u00f5es, pois o autor, al\u00e9m de te\u00f3logo, \u00e9 um linguista semitista.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso vai, certamente, muito al\u00e9m dos relatos de peregrinos, do que, de um s\u00e9culo para outro, os cl\u00e9rigos de Jerusal\u00e9m repetiram aos visitantes, e das mudan\u00e7as introduzidas nessas lendas n\u00e3o por um retorno \u00e0 sua origem, por um esfor\u00e7o de exatid\u00e3o hist\u00f3rica, mas ao contr\u00e1rio porque essas lendas talvez se afastassem, se distanciassem cada vez mais do ambiente e do cen\u00e1rio que poderiam ter sido os de Jesus, em todo caso daqueles que escreveram os evangelhos. Com Dalman, ao contr\u00e1rio, retomamos cada vez mais estreitamente o contato com esse entorno e esse cen\u00e1rio desaparecido, reconstitu\u00eddo \u00e0 for\u00e7a de ci\u00eancia e erudi\u00e7\u00e3o. Livro denso, intrincado, mas muito vivo, do qual tiramos muito.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras obras est\u00e3o listadas nas notas, e todas as refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas relevantes podem ser encontradas nos volumes de Vincent e Abel<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. Se insistimos nesses dois livros, \u00e9 porque eles nos apresentam o quadro mais amplo e atualizado de nossos conhecimentos sobre os problemas dos lugares sagrados na Palestina. Ser\u00e1 poss\u00edvel constatar que n\u00e3o deixamos de recorrer a eles e de cit\u00e1-los longamente, literalmente: o que evita multiplicar intermedi\u00e1rios entre os textos, documentos, monumentos originais e o leitor, a quem \u00e9 honesto apresent\u00e1-los em sua forma exata. Ali\u00e1s, de que adianta refazer um trabalho que foi executado por bons artes\u00e3os? Nosso esfor\u00e7o se aplicou em outro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, o estado e o desenvolvimento das primeiras tradi\u00e7\u00f5es a esse respeito permanecem envoltos em obscuridade para n\u00f3s. Disse-se que n\u00e3o houve continuidade na exist\u00eancia da comunidade crist\u00e3 em Jerusal\u00e9m, que a abandonou no ano 66, antes do cerco pelos romanos, e cujo acesso lhe foi interdito por muito tempo: que, sobretudo, a transforma\u00e7\u00e3o radical da cidade em col\u00f4nia romana por Adriano n\u00e3o p\u00f4de deixar de apagar at\u00e9 os \u00faltimos vest\u00edgios dos monumentos e de tornar completamente irreconhec\u00edveis os locais cuja mem\u00f3ria j\u00e1 estava h\u00e1 muito tempo perdida. Ao que Renan j\u00e1 respondia: \u201cAp\u00f3s 70, Jerusal\u00e9m era apenas um monte de pedras amontoadas. Pl\u00ednio fala dela como uma cidade que havia deixado de existir. No entanto, restaram alguns idosos, algumas mulheres. A legi\u00e3o X\u00aa &nbsp;<em>Fretensis<\/em> continuava a guarnecer um canto da cidade deserta. Sem d\u00favida, visitas furtivas aos fundamentos ainda vis\u00edveis do templo eram toleradas ou permitidas pelos soldados mediante pagamento. Os crist\u00e3os, em particular, guardavam a mem\u00f3ria e o culto de certos lugares. Como n\u00e3o se reconstru\u00eda na cidade e nos arredores, as enormes pedras das grandes constru\u00e7\u00f5es permaneciam intactas em seu lugar, de modo que todos os monumentos ainda eram perfeitamente reconhec\u00edveis.\u201d<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Talvez. Infelizmente, essas hip\u00f3teses envolvem uma grande dose de aprecia\u00e7\u00e3o pessoal. N\u00e3o precisamos, ali\u00e1s, examin\u00e1-las. N\u00e3o procuramos saber se as tradi\u00e7\u00f5es sobre os lugares sagrados s\u00e3o exatas, se est\u00e3o em conformidade com os fatos antigos. N\u00f3s as aceitamos como se formaram, a partir do momento em que surgem para n\u00f3s, e as estudamos ao longo dos s\u00e9culos que se seguem. Se, como acreditamos, a mem\u00f3ria coletiva \u00e9 essencialmente uma reconstru\u00e7\u00e3o do passado, se ela adapta a imagem dos fatos antigos \u00e0s cren\u00e7as e necessidades espirituais do presente, o conhecimento do que era originalmente \u00e9 secund\u00e1rio, sen\u00e3o totalmente in\u00fatil, j\u00e1 que a realidade do passado n\u00e3o est\u00e1 mais l\u00e1, como um modelo imut\u00e1vel ao qual seria necess\u00e1rio se conformar. A experi\u00eancia que estudamos, qualquer que seja sua amplitude e interesse intr\u00ednseco, \u00e9, para n\u00f3s, apenas uma experi\u00eancia de psicologia coletiva, e as leis que dela podemos extrair ter\u00e3o de ser confirmadas e precisadas por investiga\u00e7\u00f5es do mesmo tipo feitas sobre outros fatos.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>I. O peregrino de Bordeaux<\/a><\/h1>\n\n\n\n<p>&nbsp;O relato mais antigo que temos de um viajante que foi a Jerusal\u00e9m em peregrina\u00e7\u00e3o \u00e9 aquele conhecido como \u201co relato do peregrino de Bordeaux\u201d<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Podemos dat\u00e1-lo exatamente a partir da frase: em Constantinopla <em>ambulavimus, Dalmatio et Zenophilo consulibus, d. III kal. jun., a Chalc\u00e6donia, etc.<\/em>, ou seja, em 333, 300 anos ap\u00f3s a paix\u00e3o e morte de Cristo, 263 anos ap\u00f3s a destrui\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m por Tito, 198 anos ap\u00f3s a reconstru\u00e7\u00e3o dessa cidade (\u00c9lia Capitolina) por Adriano. A viagem a Jerusal\u00e9m de Helena, a m\u00e3e de Constantino, ocorreu por volta de 326.<\/p>\n\n\n\n<p>Como n\u00e3o nos deter\u00edamos em estudar este texto? \u00c9 um vest\u00edgio \u00fanico, que nos aproxima mais do per\u00edodo em que se situariam os eventos relatados nos evangelhos, al\u00e9m do qual encontramos apenas alguns textos nos escritos dos Padres da Igreja, mas nenhum relato cont\u00ednuo de algu\u00e9m que viu os lugares.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele est\u00e1 quase completamente isolado. Nos <em>Itinera Hierosolymilana s\u00e6culi IIII-VIII<\/em>, com coment\u00e1rio cr\u00edtico, por Paul Geyer (<em>Corpus scriptorum ecclesiasticorum latinorum<\/em>, Praga, Viena, Leipzig, 1898, XLVII-480 p.), no in\u00edcio do qual \u00e9 reproduzido<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, encontramos depois a <em>Peregrinatio ad loca sancta<\/em>, de Santa S\u00edlvia (Et\u00e9ria), que se data por volta de 383, ou seja, cinquenta anos depois<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Cinquenta anos \u00e9 muito, em um s\u00e9culo em que, ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o de Constantinopla, muitas tradi\u00e7\u00f5es novas se constituir\u00e3o muito rapidamente. Al\u00e9m disso, nesse segundo texto, de 60 p\u00e1ginas, as viagens de Et\u00e9ria ao Sinai, ao monte Nebo, \u00e0 Mesopot\u00e2mia e \u00e0 Cil\u00edcia, ou seja, a lugares mencionados apenas no Antigo Testamento, ocupam um grande espa\u00e7o. Et\u00e9ria viveu tr\u00eas anos em Jerusal\u00e9m. Ela insiste nas cerim\u00f4nias que se celebravam, em diferentes dias do ano, ao redor do Santo Sepulcro e do Calv\u00e1rio, no monte Si\u00e3o, na Eleona, no monte das Oliveiras. Ela as descreve minuciosamente e de maneira muito v\u00edvida; mas h\u00e1 apenas um pequeno n\u00famero de indica\u00e7\u00f5es topogr\u00e1ficas.<\/p>\n\n\n\n<p>O escrito de Teod\u00f3sio, <em>De situ terr\u00e6 sanct\u00e6<\/em> (13 p\u00e1ginas), estaria situado por volta de 530<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. O <em>Itinerarium de Antoninus Placentinus<\/em> (duas recens\u00f5es, a primeira com 32 p\u00e1ginas, das quais 10 sobre Jerusal\u00e9m e Jeric\u00f3) foi escrito por volta de 570<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. O relato ditado a Adamnano por Arculfo, bispo franc\u00eas que passou nove meses em Jerusal\u00e9m (75 p\u00e1ginas), \u00e9 de cerca de 670<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Eucher provavelmente viveu no s\u00e9culo V ou VI<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. O livro de Beda, <em>De locis sanctis<\/em> (23 p\u00e1ginas), \u00e9 do in\u00edcio do s\u00e9culo VIII<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. Todos esses textos s\u00e3o preciosos e, al\u00e9m disso, foram longamente analisados e comentados. Tudo o que precede as Cruzadas deve reter a aten\u00e7\u00e3o daqueles que se interessam pela primeira mem\u00f3ria crist\u00e3. Mas o peregrino de Bordeaux viu Jerusal\u00e9m e a Palestina antes de todos eles, e \u00e9 por isso que o tomaremos como guia em nossa pesquisa das localiza\u00e7\u00f5es mais antigas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele foi editado pela primeira vez por Pith\u0153us, em 1589; mais tarde, em 1600, por Andr. Schottus; depois, em Amsterd\u00e3, em 1735, por Petrus Wesseling. A primeira edi\u00e7\u00e3o cr\u00edtica \u00e9 de G. Parthey e M. Pinder, Berlim, 1848.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, durante mais de doze s\u00e9culos, este relato de 333 permaneceu em estado manuscrito e n\u00e3o parece ter sido conhecido por aqueles que, nesse longo per\u00edodo, estiveram na Terra Santa ou l\u00e1 viveram.<\/p>\n\n\n\n<p>Apresenta-se de forma inicialmente bastante enigm\u00e1tica. As dezessete primeiras p\u00e1ginas d\u00e3o simplesmente a lista de todos os lugares que o peregrino atravessou, daqueles onde ele se hospedou durante o percurso (<em>mutationes<\/em>, <em>mansiones<\/em>), e a dist\u00e2ncia em milhares de passos de cada lugar ao seguinte. Ele passou, na ida, por Carcassonne, Narbonne, Arles, Valence, atravessou os Alpes C\u00f3cios, viu Turim, Mil\u00e3o, Benevento, Vicenza, Aquileia, atravessou o mar, depois a Pan\u00f4nia inferior e superior, Sirmium, S\u00e1rdica, Filip\u00f3polis, Heracleia, Constantinopla, Calced\u00f4nia e Nicom\u00e9dia, Ancira na Gal\u00e1cia, Tiana, Tarso (<em>inde fuit apostolus Paulus<\/em>), Adana, Antioquia, Tr\u00edpoli, Beirute (<em>Birito<\/em>). Aqui, \u00e0 simples enumera\u00e7\u00e3o dos lugares sucede a indica\u00e7\u00e3o das lembran\u00e7as que se associam a eles, e come\u00e7a a parte interessante para n\u00f3s deste documento.<\/p>\n\n\n\n<p>Civitas Sidona. Ibi Helias ad viduam ascendit el peliit sibi cybum<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\"><strong>[14]<\/strong><\/a>. Civitas Tyro. Ecdeppa <a>(Akhzib)<\/a>. Plolemaida (Acco). Sycamenos (Haifa). Ibi est mons Carmelus ubi Helias sacrificium faciebat.<\/p>\n\n\n\n<p>[Cidade de S\u00eddon. L\u00e1 Elias foi at\u00e9 uma vi\u00fava e pediu comida para si. Cidade de Tiro. Ecdeppa (Akhzib). Ptolemaida (Acco). Sycamenos (Haifa). L\u00e1 est\u00e1 o Monte Carmelo onde Elias fazia sacrif\u00edcios.]<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, em Cesareia (Kaisareia, um porto constru\u00eddo por Herodes no extremo norte da plan\u00edcie de Saron), ele entrou na Palestina.<\/p>\n\n\n\n<p>Ibi est balneus Cornelii centurionis, qui mullas \u00e6lymosinas (aum\u00f4nes) faciebat<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\"><strong>[15]<\/strong><\/a>. In tertio miliario est mons Syna, ubi fons est in quem mulier si laverit, gravida fit. Estardela: ibi sedil Achab rex et Helias prophelavit; ibi est campus, ubi David Golial occidit. Esci\u00f3polis. Aser, ubi fuit villa Job.<\/p>\n\n\n\n<p>[L\u00e1 est\u00e1 a casa de banhos de Corn\u00e9lio, o centuri\u00e3o, que fazia muitas esmolas. Na terceira milha est\u00e1 o Monte Sinai, onde h\u00e1 uma fonte na qual, se uma mulher se lavar, ficar\u00e1 gr\u00e1vida. Estardela: l\u00e1 sentou-se o rei Acabe e ali Elias profetizou; l\u00e1 est\u00e1 o campo onde Davi matou Golias. Esci\u00f3polis. Aser, onde foi a vila de J\u00f3.]<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se aproximar de Ne\u00e1polis (atual Nabl\u00fas), ele viu o Monte Agazaren (Garizim), onde os samaritanos dizem que Abra\u00e3o sacrificou.<\/p>\n\n\n\n<p>Inde rapta est et Dina filia Jacob a filiis Amorreorum<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\"><strong>[16]<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>[De l\u00e1 foi raptada Din\u00e1, filha de Jac\u00f3, pelos filhos dos amorreus].<\/p>\n\n\n\n<p>Em Sechim (Siquem), ele notou um monumento no local onde Jos\u00e9 foi enterrado, e em Sechar (Sicar), a mil passos de dist\u00e2ncia, o po\u00e7o de Jac\u00f3:<\/p>\n\n\n\n<p>unde descendit mulier samaritana ad eumdem locum, ubi Jacob puteum fodit,&#8230; et dominus noster J .C. cum ea locutus est; ubi sunt et arbores platani, quas plantavit Jacob, \u00e9t balneus, qui de eo puteo lavatur.<\/p>\n\n\n\n<p>[Dali, a samaritana desceu at\u00e9 o mesmo lugar onde Jac\u00f3 cavou um po\u00e7o e onde Nosso Senhor Jesus Cristo falou com ela; nesse lugar est\u00e3o os pl\u00e1tanos que ela plantou e uma banheira, cuja \u00e1gua flui desse po\u00e7o.]<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00ea-se em Jo\u00e3o 4:3 e seguintes: \u201cJesus deixou a Judeia e partiu de novo para a Galileia. Era-lhe necess\u00e1rio atravessar a Samaria. Chegou, pois, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, junto da propriedade que Jac\u00f3 tinha dado a seu filho Jos\u00e9. Ora, estava ali o po\u00e7o de Jac\u00f3. Jesus, cansado da viagem, sentou-se assim junto ao po\u00e7o. Era cerca da hora sexta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Dalman observa que Jer\u00f4nimo e outros identificaram Sicar com a cidade de Siquem. No entanto, acrescenta ele, o peregrino de Bordeaux menciona um local chamado Sekhar, a cerca de mil passos de Siquem, de onde a mulher samaritana teria vindo ao po\u00e7o de Jac\u00f3. Seria este o atual vilarejo de Askar, situado aproximadamente 1,5 km ao sul do po\u00e7o de Jac\u00f3, ao p\u00e9 do monte Ebal? \u201cA \u00fanica certeza obtida \u00e9 quanto \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o do po\u00e7o de Jac\u00f3, contestada pelos samaritanos atuais como uma inven\u00e7\u00e3o fraudulenta dos sacerdotes; desde os tempos do peregrino de Bordeaux, a tradi\u00e7\u00e3o sobre este ponto n\u00e3o mudou.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O nome de Jac\u00f3 foi dado a este po\u00e7o porque se acreditava que ele havia adquirido a propriedade ao redor dele, conforme Josu\u00e9 24:32. \u201cIsto\u201d, continua Dalman, \u201cn\u00e3o est\u00e1 de acordo com o testemunho do peregrino de Bordeaux quanto ao t\u00famulo de Jos\u00e9 estabelecido nesta propriedade de Jac\u00f3. O peregrino viu este t\u00famulo longe do po\u00e7o, ao p\u00e9 do monte Gerizim.\u201d Havia ali fontes que teriam tornado desnecess\u00e1ria a escava\u00e7\u00e3o do po\u00e7o. Contudo, retoma o erudito explorador-te\u00f3logo, o que caracteriza o po\u00e7o de Jac\u00f3 \u00e9 a proximidade de uma encruzilhada de estradas muito importantes. Est\u00e1 situado em uma rota frequentada por viajantes, no caminho de Jerusal\u00e9m \u00e0 regi\u00e3o de Nazar\u00e9 (o que nos deixa incertos quanto \u00e0 quest\u00e3o se foi realmente cavado por Jac\u00f3. No entanto, a mulher samaritana disse a Jesus: \u201c\u00c9s tu maior do que o nosso pai Jac\u00f3, que nos deu o po\u00e7o? Ele mesmo, seus filhos e seus rebanhos beberam dele.\u201d) N\u00f3s tamb\u00e9m bebemos dessa \u00e1gua<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a>, na cripta que fica sobre o altar-mor da igreja de tr\u00eas naves, datando dos cruzados (sucessora de duas ou tr\u00eas outras, constru\u00eddas sucessivamente desde os tempos de Jer\u00f4nimo). Ela foi tirada para n\u00f3s de um balde, por um sacerdote grego mal-humorado e taciturno.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo II, nos diz Dalman, Ishmael ben Jos\u00e9, passando por ali tamb\u00e9m, mas na dire\u00e7\u00e3o de Jerusal\u00e9m, teve uma conversa com um samaritano. O samaritano perguntou ao judeu:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPara onde voc\u00ea est\u00e1 indo?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEstou subindo a Jerusal\u00e9m para orar\u201d, respondeu o judeu.<\/p>\n\n\n\n<p>O samaritano: \u201cN\u00e3o seria melhor para voc\u00ea orar nesta montanha aben\u00e7oada, e n\u00e3o no meio de um monte de ru\u00ednas?\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O judeu: \u201cDiga-me, a quem voc\u00ea se parece? Ao c\u00e3o que deseja comida podre. Voc\u00ea sabe muito bem que sob esta montanha est\u00e3o enterrados deuses falsos, como est\u00e1 escrito (G\u00eanesis 35:4): \u2018Jac\u00f3 os enterrou (sob o terebinto)\u2019, para que voc\u00eas se tornassem objeto de sua cobi\u00e7a.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Mais adiante, na estrada para Jerusal\u00e9m, \u00e9 onde se procurou o lugar onde os pais de Jesus, voltando da festa da P\u00e1scoa, esperavam em v\u00e3o encontrar seu filho entre os outros peregrinos voltando para casa e tiveram que voltar ao seu ponto de partida. A um dia de caminhada de Jerusal\u00e9m, conforme Lucas 2:44. Eles levaram dois dias, ida e volta, e s\u00f3 o encontraram no dia seguinte, ou seja, no terceiro dia, discutindo com os doutores. Na \u00e9poca dos cruzados, situou-se (o in\u00edcio) da busca do desaparecido a apenas 15 quil\u00f4metros de Jerusal\u00e9m, onde foi constru\u00edda uma ampla igreja de tr\u00eas naves dedicada a Maria, cujas ru\u00ednas, de uma bela apar\u00eancia, ainda existem (em Al-Bireh). Mas isso nos remete sete ou oito s\u00e9culos ap\u00f3s a viagem do peregrino.<\/p>\n\n\n\n<p>Outras mem\u00f3rias do Antigo Testamento. Em Betthar, talvez id\u00eantica a Et-Tir\u00e9, \u201cuma importante esta\u00e7\u00e3o nas estradas da regi\u00e3o costeira\u201d (Dalman). A mil passos dali, diz o peregrino, h\u00e1 um lugar onde Jac\u00f3 dormiu quando foi para a Mesopot\u00e2mia,<\/p>\n\n\n\n<p>et est ibi arbor amigdala (amendoeiro), el vidit visum, et angelus cum eo luctatus est. Ibi fuit rex Hieroboam, ad quem missus fuit prophela, ut converleretur ad Deum excelsum; el jussum eral prophet\u00e6, ne cum pseudoprophela, quem rex secum habebat, manducaret, et quia seducius est a pseudoprophela et cum eo manducavit rediens, occurrit prophet\u00e6 leo in via, et occidit eum leo<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\"><strong>[18]<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>[E l\u00e1 est\u00e1 o amendoeiro, e ele teve uma vis\u00e3o, e um anjo lutou com ele. Ali esteve o rei Jerobo\u00e3o, a quem foi enviado um profeta, para que se convertesse ao Deus Alt\u00edssimo; e foi ordenado ao profeta que n\u00e3o comesse com o falso profeta que o rei tinha consigo, e porque foi seduzido pelo falso profeta e comeu com ele, ao retornar, um le\u00e3o saiu ao encontro do profeta no caminho e o matou.]<\/p>\n\n\n\n<p>Gostar\u00edamos de saber quem era esse peregrino, qual era seu n\u00edvel cultural. Provavelmente um padre ou um monge, algu\u00e9m ligado de perto \u00e0 Igreja. Ele viajou sozinho ou acompanhado por homens de seu pa\u00eds, estrangeiros que se juntaram a ele ou ao seu grupo no caminho, de modo que compartilharam suas mem\u00f3rias da B\u00edblia, dos Evangelhos, dos Pais da Igreja? Como ele percorreu a Palestina? Ele visitou estabelecimentos religiosos, comunidades de monges, pousadas para peregrinos (cujo n\u00famero deveria aumentar rapidamente naquele momento em que a aten\u00e7\u00e3o do l\u00edder do Imp\u00e9rio e de sua m\u00e3e estava voltada para os lugares sagrados, onde come\u00e7avam a multiplicar-se as igrejas)? Ele mergulhou naquele ambiente um tanto fluido, com afinidades e limites mal definidos no espa\u00e7o e no tempo, onde se reuniam, conversavam, surgiam e enraizavam-se de maneira invis\u00edvel tradi\u00e7\u00f5es vindas de longe e de perto, da cristandade dispersa por tantos pa\u00edses, tantas cidades, mas j\u00e1 com seus centros, suas assembleias, suas autoridades, e tamb\u00e9m do juda\u00edsmo palestino, dos guardi\u00f5es e comentaristas judeus das Escrituras, dos centros rab\u00ednicos t\u00e3o vivos naquela \u00e9poca, t\u00e3o apegados aos seus textos, \u00e0s lembran\u00e7as de seus grandes profetas, de seu passado, de suas vicissitudes? Desde o in\u00edcio dessa rela\u00e7\u00e3o que nos parece um pouco ing\u00eanua e fragmentada, com cita\u00e7\u00f5es edificantes, indica\u00e7\u00f5es topogr\u00e1ficas mais numerosas do que em muitos relatos semelhantes que vir\u00e3o mais tarde, mas frequentemente obscuras e incertas, o que nos chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 a parte preponderante, quase exclusiva, dada ao Antigo Testamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso parece bastante natural, considerando que as tradi\u00e7\u00f5es crist\u00e3s ainda n\u00e3o tiveram tempo de se estabelecer em todo esse territ\u00f3rio e proliferar. O peregrino n\u00e3o passou por Nazar\u00e9, na Galileia. Ele n\u00e3o viu Can\u00e1, nem Tiber\u00edades e as margens do Mar da Galileia<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Seria poss\u00edvel esperar que ele mencionasse o Monte Tabor, cuja dire\u00e7\u00e3o lhe teria sido indicada, pelo menos, se n\u00e3o o tivesse avistado do topo de alguma colina. O Monte Tabor \u00e9 conhecido como a montanha onde Jesus foi transfigurado, conforme uma tradi\u00e7\u00e3o amplamente aceita na Palestina no s\u00e9culo IV (Dalman), mencionada por Or\u00edgenes, Eus\u00e9bio, Cirilo de Jerusal\u00e9m e Jer\u00f4nimo. Certamente, Mateus (17, 1) fala apenas de uma montanha alta; da mesma forma, Marcos 9, 2: \u201cSeis dias depois, Jesus tomou consigo Pedro, Tiago e Jo\u00e3o, e os levou a s\u00f3s a um alto monte. E transfigurou-se diante deles; as suas vestes tornaram-se resplandecentes, extremamente brancas, como neve, tais como nenhum lavadeiro sobre a terra poderia branque\u00e1-las. E apareceu-lhes Elias com Mois\u00e9s, e estavam falando com Jesus. Pedro disse a Jesus: Mestre, \u00e9 bom estarmos aqui; fa\u00e7amos tr\u00eas tendas: uma para ti, uma para Mois\u00e9s e uma para Elias. Pois n\u00e3o sabia o que dizer, pois estavam com medo\u201d; e tamb\u00e9m em Lucas 9, 28.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como disse Dalman (253), a tradi\u00e7\u00e3o pode ter encontrado apoio no trecho do Evangelho dos Hebreus que Or\u00edgenes transmite (a partir de Jo\u00e3o, 2, 6). Jesus diz de si mesmo: \u201cMinha m\u00e3e, o Esp\u00edrito Santo me pegou por um dos meus cabelos e me levou para a alta montanha do Tabor\u201d. Em todo caso, no s\u00e9culo V, em mem\u00f3ria das tr\u00eas tendas que Pedro queria levantar para Jesus, Mois\u00e9s e Elias, foram erguidas no topo do Tabor tr\u00eas igrejas, que foram visitadas pelos peregrinos Antonino e Arculfo (Geyer, <em>Itinera<\/em>)<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Antes da restaura\u00e7\u00e3o, agora conclu\u00edda, da igreja da Transfigura\u00e7\u00e3o, que remontava \u00e0s Cruzadas, os vest\u00edgios vis\u00edveis permitiam identificar um \u00e1bside afundado, possivelmente a cripta de uma estrutura mais antiga. Segundo Dalman, devido \u00e0 presen\u00e7a de habita\u00e7\u00f5es e de uma fortaleza no local, \u00e9 imposs\u00edvel situar neste lugar o epis\u00f3dio da Transfigura\u00e7\u00e3o. \u201cO Tabor, localizado pr\u00f3ximo a uma grande via de comunica\u00e7\u00e3o, pareceria mais adequado para o encontro dos seguidores da Galileia de Jesus ap\u00f3s sua ressurrei\u00e7\u00e3o (a montanha n\u00e3o identificada do relato final de Mateus: \u2018Os onze disc\u00edpulos foram para a Galileia, ao monte onde Jesus os tinha chamado\u2019).\u201d Por volta de 530, Teodoro atesta (provavelmente Teodoro, di\u00e1cono ou arquidi\u00e1cono, que tamb\u00e9m descreveu sua viagem \u00e0 Terra Santa) que o Tabor era considerado ter desempenhado esse papel<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. N\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel que este tenha sido o n\u00facleo local da tradi\u00e7\u00e3o na Galileia e que a transfigura\u00e7\u00e3o tenha sido inserida l\u00e1 apenas mais tarde. Naturalmente, foi necess\u00e1rio que, antes de tudo, o topo se tornasse deserto.<\/p>\n\n\n\n<p>O sil\u00eancio mantido pelo peregrino sobre o Tabor prova que, naquele momento, tais tradi\u00e7\u00f5es ainda n\u00e3o existiam, e que elas surgiriam apenas quando os comentaristas procurassem for\u00e7osamente localizar o que nos Evangelhos \u00e9 indicado apenas de forma geral, como \u201cuma alta montanha\u201d. N\u00e3o devemos esquecer que o Tabor estava fora do escopo de sua peregrina\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a>. N\u00f3s quisemos mencionar isso, depois de ter sido falado sobre o Garizim, porque aqui tamb\u00e9m podemos ver como a localiza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 foi atra\u00edda por um sentimento de que os grandes profetas judeus, sua inspira\u00e7\u00e3o, sua presen\u00e7a invis\u00edvel, assombravam os cumes das altas montanhas da Galileia e da Judeia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00f3prio Garizim, \u00e0 Samaria, \u00e9 surpreendente que ele n\u00e3o tenha mencionado a estrada pela qual Jesus ia de Jerusal\u00e9m \u00e0 Galileia, onde se situa, por exemplo, o relato dos dez leprosos, um dos quais era samaritano, e que ele encontrou na fronteira entre Samaria e Galileia. O peregrino n\u00e3o menciona nada disso. Certamente n\u00e3o havia tradi\u00e7\u00e3o a esse respeito. Dalman menciona uma, documentada no s\u00e9culo XV (R\u00f6hrich und Meinert, <em>Reisebuch der Familie Rieler<\/em>), que identifica o vilarejo dos dez leprosos como aquele que marca o limite norte da Samaria, En Gannim, atualmente Djin\u00een, que, na \u00e9poca de Jesus, provavelmente era chamado em aramaico simplesmente de Ginnin ou Ginnaia, os jardins.<\/p>\n\n\n\n<p>Passamos por l\u00e1 no final do outono de 1939, quando a agita\u00e7\u00e3o \u00e1rabe ainda n\u00e3o estava completamente acalmada. Os soldados ingleses, como descritos por Kipling, os carros blindados, as metralhadoras, tudo isso contrastava estranhamente com as cores frescas das palmeiras, os tecidos brancos, vermelhos, verdes, vibrantes, e a anima\u00e7\u00e3o febril, um tanto zombeteira, desses Orientais que continuam a disputar com aqueles que, embora seus irm\u00e3os de ra\u00e7a, seguem uma religi\u00e3o diferente da deles.<\/p>\n\n\n\n<p>O peregrino tamb\u00e9m n\u00e3o menciona Efraim, que provavelmente corresponde a Et-Taiyib\u00e9 (Efr\u00e9m, crist\u00e3o palestino), n\u00e3o muito longe de Bel\u00e9m, perto do deserto. Jo\u00e3o 11, 54 diz (imediatamente antes da P\u00e1scoa e da Paix\u00e3o): ap\u00f3s a ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro: \u201cDesde aquele dia, eles procuraram juntos mat\u00e1-lo. Jesus n\u00e3o aparecia mais em p\u00fablico entre os judeus; mas ele se retirou para a regi\u00e3o pr\u00f3xima ao deserto, para uma cidade chamada Efraim, e ali ficou com seus disc\u00edpulos.\u201d As ru\u00ednas de uma igreja a leste da localidade provavelmente testemunham que a mem\u00f3ria de uma passagem de Jesus ali permaneceu tradicional. Betel fica na rota e muito perto de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Tampouco menciona Ema\u00fas<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. L\u00ea-se em Lucas 24, 13: \u201cE eis que, naquele mesmo dia (o dia da ressurrei\u00e7\u00e3o), dois deles estavam indo para um povoado chamado Ema\u00fas, que ficava a sessenta est\u00e1dios de dist\u00e2ncia de Jerusal\u00e9m. Eles conversavam sobre tudo o que havia acontecido. Enquanto conversavam e discutiam entre si, o pr\u00f3prio Jesus se aproximou e come\u00e7ou a caminhar com eles. Mas os olhos deles estavam impedidos de reconhec\u00ea-lo. Ele lhes perguntou: \u2018O que \u00e9 que voc\u00eas est\u00e3o discutindo enquanto caminham?\u2019 E eles pararam, com o rosto triste. Um deles, chamado Cl\u00e9ofas, lhe disse&#8230;\u201d Mais adiante: \u201cEles estavam perto do povoado para o qual estavam indo, e ele fingiu que ia mais adiante. Mas eles insistiram com ele, dizendo: \u2018Fique conosco, pois est\u00e1 quase escurecendo; o dia j\u00e1 est\u00e1 quase no fim.\u2019 Ent\u00e3o ele entrou para ficar com eles. E, estando \u00e0 mesa com eles, ele pegou o p\u00e3o e o aben\u00e7oou&#8230;\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Este relato n\u00e3o se encontra nos Evangelhos de Mateus nem de Jo\u00e3o. Em Marcos, apenas se diz: \u201cEle apareceu sob outra forma a dois deles que estavam a caminho, indo para o campo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o s\u00e9culo XV, segundo Dalman, os franciscanos identificaram Ema\u00fas como El-Qubeibe, a 4,5 km de Jerusal\u00e9m, uma dist\u00e2ncia que corresponde aos 60 est\u00e1dios do texto primitivo de Lucas (mas o <em>Codex Sinaiticus<\/em> d\u00e1 160 est\u00e1dios, conforme Eus\u00e9bio e Jer\u00f4nimo concordam. Abel, em <em>Revue biblique<\/em>, 1925, p. 347, considera este n\u00famero como o original). Em 1873, foram encontradas l\u00e1 as ru\u00ednas de uma igreja de tr\u00eas naves datando dos cruzados. Provavelmente porque os cruzados localizaram Ema\u00fas a 60 est\u00e1dios nesse lugar. A tradi\u00e7\u00e3o mais antiga, como menciona Eus\u00e9bio, encontrava Ema\u00fas n\u00e3o a 60, mas a 120 est\u00e1dios de Jerusal\u00e9m. Certamente havia ali uma antiga Ema\u00fas. Atualmente, ali foi preservado o nome de Amwas. \u201cHavia ali um mercado de gado bastante movimentado; a \u00e1gua do local era conhecida por ser boa e a estadia agrad\u00e1vel, como um ponto de transi\u00e7\u00e3o entre a montanha e as colinas. As fam\u00edlias dos tocadores de flauta do templo viviam l\u00e1. Mas sua import\u00e2ncia era maior devido \u00e0 posi\u00e7\u00e3o que ocupava na interse\u00e7\u00e3o de rotas principais. Este \u00e9 o motivo que fez com que a atual \u2018Amwas entrasse na hist\u00f3ria desde os tempos dos Macabeus, e lhe deu o status de centro de um distrito. Manifestamente, ainda mais tarde, n\u00e3o se conhecia outra Ema\u00fas nas proximidades de Jerusal\u00e9m. Seu nome antigo \u00e9 justificado pela presen\u00e7a de duas fontes de \u00e1gua morna.\u201d Dalman conclui que \u00e9 apropriado aceitar a tradi\u00e7\u00e3o e abandonar o n\u00famero dado por Lucas. Em Amwas-Ema\u00fas, tamb\u00e9m existem as ru\u00ednas de uma igreja, possivelmente bizantina, restaurada em menor escala durante as Cruzadas.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s relatamos a tese de Dalman. No entanto, certamente houve uma dupla tradi\u00e7\u00e3o. Abel e Vincent nos dizem que \u201ca Ema\u00fas primitiva foi destru\u00edda sob Adriano (132-135) e que seu t\u00edtulo, Nic\u00f3polis, que lhe foi dado por Vespasiano em mem\u00f3ria da conquista da Judeia, foi concedido a Ema\u00fas da plan\u00edcie (Amwas) por Heliog\u00e1balo em 222. Do s\u00e9culo III ao IV, os escritores eclesi\u00e1sticos Or\u00edgenes, Eus\u00e9bio de Cesareia conheciam apenas uma Ema\u00fas, a cidade dos Macabeus na plan\u00edcie [como j\u00e1 mencionamos acima], chamada Nic\u00f3polis, e eles acreditaram [com raz\u00e3o, segundo Dalman] que era a Ema\u00fas do evangelho. A Ema\u00fas-Nic\u00f3polis da plan\u00edcie est\u00e1 situada n\u00e3o a 60 est\u00e1dios, mas a 175 est\u00e1dios [120, segundo Dalman, p. 301], cerca de 32 quil\u00f4metros de Jerusal\u00e9m. Para corrigir o erro aparente, eles modificaram o texto sagrado nas c\u00f3pias do evangelho que fizeram transcrever, mudando o n\u00famero de 60 est\u00e1dios para 160.\u201d<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\">[24]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O peregrino de Bordeaux passou por Nic\u00f3polis-Ema\u00fas-Amwas, a da plan\u00edcie, vindo de Cesareia atrav\u00e9s de Antip\u00e1tride e Lida. Neste momento, a segunda tradi\u00e7\u00e3o estava come\u00e7ando a substituir a primeira. De qualquer forma, ele n\u00e3o menciona esta mem\u00f3ria evang\u00e9lica, como se ainda n\u00e3o estivesse bem localizada.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas agora estamos em Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Sunt in Hierusalem piscin\u00e6 magn\u00e6 du\u00e6 ad latus templi, id est, una ad dextera, alia ad sinistra, quas Salomon fecit; interius vero civitati sunt piscin\u00e6 gemellares quinque porlicus habentes, qu\u00e6 appellanlur Belsaida. lbi regri multorum annorum sanabantur. Aquam aulem habent h\u00e6 piscin\u00e6 in modum coccini (cor p\u00farpura) turbatam.<\/p>\n\n\n\n<p>[H\u00e1 em Jerusal\u00e9m duas grandes piscinas ao lado do Templo, isto \u00e9, uma \u00e0 direita e outra \u00e0 esquerda, que Salom\u00e3o fez; dentro delas s\u00e3o cinco piscinas g\u00eameas com p\u00f3rticos que se chamam Betsaida. L\u00e1 se curavam muitos enfermos de v\u00e1rias idades. As \u00e1guas destas piscinas s\u00e3o de um vermelho como a p\u00farpura.]<\/p>\n\n\n\n<p>L\u00ea-se em Jo\u00e3o 5, 2: \u201cEm Jerusal\u00e9m, perto da porta das Ovelhas, h\u00e1 uma piscina, chamada em hebraico Betesda, com cinco p\u00f3rticos, onde jazia uma multid\u00e3o de enfermos, cegos, coxos e paral\u00edticos, que esperavam o movimento da \u00e1gua. Pois um anjo do Senhor descia de tempos em tempos \u00e0 piscina e agitava a \u00e1gua; e o primeiro que descia depois de agitada a \u00e1gua ficava curado, de qualquer enfermidade que tivesse. Estava ali um homem que, h\u00e1 trinta e oito anos, se encontrava doente.<\/p>\n\n\n\n<p>A Jesus, que lhe perguntou se queria ser curado, o enfermo respondeu: \u2018Senhor, n\u00e3o tenho ningu\u00e9m que me coloque na piscina, quando a \u00e1gua \u00e9 agitada; enquanto eu vou, desce outro antes de mim\u2019. Jesus disse-lhe: \u2018Levanta-te, pega na tua cama e anda.\u2019\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>A quest\u00e3o da piscina de Betesda foi revivida por escava\u00e7\u00f5es que continuaram desde 1871: elas descobriram um reservat\u00f3rio e vest\u00edgios de um segundo tanque ao sul do primeiro, que seria o segundo lago da era bizantina. Dalman diz: \u201cDiante do reservat\u00f3rio, semelhante a uma cisterna, onde se desce atualmente por v\u00e1rias escadas, \u00e9 dif\u00edcil imaginar o antigo tanque cercado de doentes esperando, como sup\u00f5e o quarto Evangelho\u201d. Descendo l\u00e1, tivemos a impress\u00e3o de um reservat\u00f3rio subterr\u00e2neo, como encontrado em v\u00e1rios lugares de Jerusal\u00e9m, por exemplo, sob Nossa Senhora do Monte Si\u00e3o. Mas, como diz Dalman, \u201c\u00e9 a verdadeira Jerusal\u00e9m de Jesus que se aproxima nestas profundezas.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O que antes era mostrado como a piscina de Betesda \u00e9 um grande tanque (seguimos aqui o Padre Mariti) localizado a leste da cidade e perto da Porta de Santo Est\u00eav\u00e3o. Ele faz fronteira com as muralhas da cidade e com a porta norte da grande pra\u00e7a onde estava o antigo templo de Salom\u00e3o. Ele forma um longo quadrado revestido de pedras, dentro do qual n\u00e3o h\u00e1 \u00e1gua, de duzentos passos de comprimento por cinquenta de largura; \u201ct\u00e3o obstru\u00eddo pelas terras que as chuvas arrastam da \u00e1rea da grande mesquita e das partes superiores da cidade que ali cresceram \u00e1rvores de grande porte.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMuitos comentaristas atribuem a denomina\u00e7\u00e3o de prob\u00e1tica a diferentes raz\u00f5es. Seja porque os animais destinados a serem sacrificados no templo eram guardados perto dali, ou porque na mesma \u00e1rea ficava o mercado de animais e outros animais, ou finalmente pela proximidade da Porta de Santo Est\u00eav\u00e3o, j\u00e1 chamada de Porta do Rebanho, pela qual entravam as v\u00edtimas que seriam sacrificadas. Por fim, h\u00e1 aqueles que acreditam que os animais eram inicialmente lavados na \u00e1gua deste tanque, embora ainda tivessem que ser purificados nos vasos do templo.\u201d<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Observemos de passagem que o milagre de Jesus se sobrep\u00f4s a outro milagre, um milagre judaico, permanente ou peri\u00f3dico, pois as \u00e1guas eram agitadas em determinado momento e curavam aqueles que desciam primeiro. Essa virtude milagrosa das \u00e1guas talvez estivesse relacionada ao fato de serem como uma extens\u00e3o distante do templo, onde o car\u00e1ter sagrado do santu\u00e1rio se estendia at\u00e9 ali. Aqui alcan\u00e7amos ainda o antigo substrato judaico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsta piscina, acrescenta Mariti, tinha antigamente o nome de Betesda, que significa \u2018casa de pesca\u2019 em hebraico; os \u00e1rabes lhe d\u00e3o a mesma denomina\u00e7\u00e3o; da\u00ed conclu\u00edmos que ali vinha peixe ou que ali eram mantidos. Os judeus hoje a chamam em suas b\u00edblias de Betseda, que significa \u2018casa de derramamento\u2019 na l\u00edngua sagrada; os int\u00e9rpretes s\u00edrios a chamam de Betscesda, ou casa de miseric\u00f3rdia.\u201d Segundo Dalman, \u0392\u03b7\u03b8\u03b6\u03b1\u03b8\u03b1, melhor atestada, lembra tanto o nome do bairro mais ao norte de Jerusal\u00e9m, \u0392\u03b5\u03b6\u03b5\u03b8\u03b1, \u0392\u03b5\u03b6\u03b1\u03b8\u03b1 \u03bf\u03c5 \u0391\u03b2\u03b5\u03c3\u03c3\u03b1\u03b8\u03b7, que n\u00e3o pode ser separado dele. Em aramaico, esse bairro seria chamado bez\u2019at\u00e2; em hebraico, ha-bis\u2019\u00e2, a divis\u00e3o, o bairro, que distinguia o que era mais alto do que era mais baixo. A piscina ou lagoa era ent\u00e3o chamada, de acordo com o bairro em quest\u00e3o, ainda n\u00e3o cercado por muros na \u00e9poca de Jesus: lagoa de Bezata<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste local, no s\u00e9culo IV, mostrava-se um \u201clago das ovelhas\u201d, um lago duplo, cuja forma explicava o surpreendente n\u00famero de cinco p\u00f3rticos, o segundo dos quais foi colocado transversalmente entre as duas massas de \u00e1gua. Eus\u00e9bio relata que ambas eram alimentadas pela chuva, e que a \u00e1gua de uma delas apresentava colora\u00e7\u00e3o vermelha. O peregrino de Bordeaux viu verdadeiros redemoinhos ali. Desde o s\u00e9culo IV, uma igreja havia sido constru\u00edda sobre o lago.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO famoso m\u00e9dico ingl\u00eas Richard, em sua \u2018Medicina Sagrada\u2019, ao investigar a causa f\u00edsica da virtude das \u00e1guas da piscina prob\u00e1tica, pensa t\u00ea-la encontrado em um lodo ou limo mineral que repousava no fundo, possivelmente contendo enxofre, al\u00famen ou salitre. Quanto \u00e0 cor vermelha das \u00e1guas do lago, ele n\u00e3o duvida que provenha de um solo rico em ocre e vermelh\u00e3o, etc.\u201d Como homem do s\u00e9culo XVIII, o abade Mariti acrescenta (provavelmente concordando com essa opini\u00e3o): \u201cQuanto \u00e0 descida do anjo que vinha agitar as \u00e1guas, Richard Mead e outros ainda afirmam que os judeus tinham o costume de atribuir ao anjo do Senhor tudo o que ultrapassava a intelig\u00eancia humana. H\u00e1 tamb\u00e9m quem pense que \u00e9 isso que se deve entender pelas palavras: \u2018o poder do Senhor\u2019, e que era uma express\u00e3o habitual entre aquele povo.\u201d<a href=\"#_ftn27\" id=\"_ftnref27\">[27]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Observa-se que o peregrino de Bordeaux n\u00e3o faz qualquer alus\u00e3o ao milagre de Jesus relatado por Jo\u00e3o; o que ele diz sobre a piscina de Betsaida poderia ter sido dito igualmente por um judeu que desconhecesse completamente Cristo, narrando uma tradi\u00e7\u00e3o judaica e uma curiosidade natural. \u00c9 bastante poss\u00edvel que, nesta \u00e9poca, a cura do enfermo por Jesus ainda n\u00e3o fosse comemorada neste local pelos crist\u00e3os<a href=\"#_ftn28\" id=\"_ftnref28\">[28]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Est ibi et crepta (sali\u00eancia de uma rocha), ubi Salomon d\u00e6mones torquebat<a href=\"#_ftn29\" id=\"_ftnref29\"><strong>[29]<\/strong><\/a>. Ibi est angulus turris excelsissim\u00e6, ubi dominus ascendit, el dixit ei is, qui temptabat eum&#8230; Et ait ei dominus: Non temptabis dominum deum tuum, sed illi soli servies. Ibi est et lapis angularis magnus, de quo dictum est: Lapidem, quem reprobaverunt \u00e6dificantes, hic factus est ad capud anguli<a href=\"#_ftn30\" id=\"_ftnref30\"><strong>[30]<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>[H\u00e1 ali uma sali\u00eancia na rocha, onde Salom\u00e3o atormentava os dem\u00f4nios. Ali fica a ponta de uma torre muito elevada, onde o Senhor subiu e disse ao que o tentava&#8230; E disse o Senhor: N\u00e3o tentar\u00e1s o Senhor teu Deus, mas s\u00f3 a Ele servir\u00e1s. Ali h\u00e1 uma grande pedra angular, da qual se disse que era a pedra que os construtores rejeitaram se tornou a pedra angular.]<\/p>\n\n\n\n<p>Dois paralelos curiosos: primeiro, entre Salom\u00e3o que dominava os dem\u00f4nios em uma <em>crepta<\/em> e Jesus tentado pelo dem\u00f4nio e resistindo a ele, no \u00e2ngulo da torre: como se a mem\u00f3ria crist\u00e3 estivesse associada \u00e0 mem\u00f3ria judaica; depois, entre o \u00e2ngulo da torre e a pedra angular mencionada em Mateus, 21, 42: \u201cJesus lhes disse: Nunca lestes nas Escrituras: A pedra que os construtores rejeitaram, essa foi posta por cabe\u00e7a de \u00e2ngulo? Pelo Senhor foi feito isso&#8230; Por isso vos digo que vos ser\u00e1 tirado o reino de Deus, e ser\u00e1 dado a um povo que d\u00ea os seus frutos.\u201d Esta pedra da par\u00e1bola ou da compara\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisaria ter sido localizada. Foi, atrav\u00e9s de uma associa\u00e7\u00e3o de imagens ou palavras. Dessas tr\u00eas pedras, a primeira consagra o rei triunfante dos judeus; a \u00faltima \u00e9 aquela sobre a qual os judeus trope\u00e7ar\u00e3o e que os esmagar\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>O peregrino de Bordeaux, em Jerusal\u00e9m, viu inicialmente o local do Templo, e foi especialmente ali que encontrou as mem\u00f3rias de Salom\u00e3o<a href=\"#_ftn31\" id=\"_ftnref31\">[31]<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p>Et sub pinna turris ipsius sunt cubicula plurima, ubi Salomon palatium habebal. Ibi eiam constat cubiculus in quo sedit et sapientiam descripsit; ipse vero cubiculus uno lapide est tectus. Sunt ibi el excepturia magna aqu\u00e6 subterrane\u00e6 et piscin\u00e6 magno opere \u00e6difical\u00e6.<\/p>\n\n\n\n<p>[E sob o pin\u00e1culo dessa mesma torre h\u00e1 muitas c\u00e2maras, onde Salom\u00e3o tinha seu pal\u00e1cio. Ali tamb\u00e9m h\u00e1 uma c\u00e2mara em que ele se sentou e escreveu o livro da Sabedoria; essa mesma c\u00e2mara est\u00e1 revestida por uma \u00fanica pedra. H\u00e1 ali tamb\u00e9m grandes cisternas de \u00e1gua subterr\u00e2nea e piscinas erguidas com uma grande constru\u00e7\u00e3o.]<\/p>\n\n\n\n<p>Dalman afirma, em uma nota (p. 385, n. 1), referindo-se a este trecho: \u201cAtualmente s\u00e3o chamados Est\u00e1bulos de Salom\u00e3o a um espa\u00e7o subterr\u00e2neo no \u00e2ngulo sudeste da pra\u00e7a do templo. Os \u00e1rabes estabeleceram ali uma cisterna. O que se encontrava l\u00e1 no s\u00e9culo IV j\u00e1 era considerado parte do pal\u00e1cio de Salom\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Dalman menciona que \u201ca tradi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica mais antiga n\u00e3o encontrava nenhum local sagrado dentro do recinto do templo, que era posse dos pag\u00e3os e considerado abandonado por Deus. No entanto, \u00e9 mencionado (como no relato do peregrino de Bordeaux acima) o que restava de uma antiga torre no \u00e2ngulo sudeste, ainda reconhec\u00edvel entre elementos de paredes mais recentes, cujo pedestal grosseiro permanecia de p\u00e9. No s\u00e9culo IV, esta ru\u00edna imponente era considerada o \u2018o \u00e2ngulo do santu\u00e1rio\u2019 sobre o qual o tentador teria levado Jesus&#8230; Este \u00e2ngulo sudeste do \u00e1trio externo se projetava sobre o vale do Cedrom, alcan\u00e7ando cerca de 50 metros de altura, incluindo a parte obstru\u00edda.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Em Mateus 4, 5 \u00e9 dito que Satan\u00e1s levou Jesus \u00e0 cidade santa e o colocou no topo do templo, convidando-o a se jogar de l\u00e1, e em Lucas 4, 9, no pin\u00e1culo do templo. No entanto, segundo Dalman, o relato n\u00e3o se refere \u00e0 casa do templo, e para \u03c0\u03c4\u03b5\u03c1\u03cd\u03b3\u03b9\u03bf\u03bd, que significa \u00e2ngulo e n\u00e3o telhado, uma altura particularmente consider\u00e1vel era implicada. Dalman dedicou um cap\u00edtulo muito not\u00e1vel ao santu\u00e1rio. \u00c9 curioso que, nesta \u00e9poca, n\u00e3o tenham tentado localizar muitos eventos que ligavam a pessoa de Jesus ao Templo, e que a aten\u00e7\u00e3o tenha se concentrado exclusivamente neste incidente sobrenatural, mencionado sem qualquer indica\u00e7\u00e3o de tempo, no in\u00edcio dos dois evangelhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Et in aede ipsa, ubi templum fuit quem salo\u00admon aedificavit, in marmore ante aram sanguinem zachariae ibi dicas hodie fusum. Etiam parent vesti\u00adgia clavorum militum, qui eum occiderunt, per totam aream, ut putes in cera fixum esse<a href=\"#_ftn32\" id=\"_ftnref32\"><strong>[32]<\/strong><\/a>. Suni ibi el statu\u00e6 dua Adriani, est et non longue de staluas lapis pertusus, ad quem veniunt Jud\u00e6i singulis annis, el unguent eum, et lamentant se cum gemitu, et vestimenta sua scindunt, et sic recedunt. Est ibi et domus Ezechi\u00e6 regis Jud\u00e6.<\/p>\n\n\n\n<p>[E na pr\u00f3pria constru\u00e7\u00e3o, onde o templo estava, que Salom\u00e3o edificou em m\u00e1rmore, diante do altar, voc\u00ea poderia dizer que o sangue de Zacarias foi derramado ali hoje mesmo, assim como aparecem as marcas dos pregos dos soldados que o mataram, por toda a \u00e1rea, onde parecem estar fixadas na cera. H\u00e1 aqui duas est\u00e1tuas de Adriano; n\u00e3o muito longe das est\u00e1tuas, h\u00e1 uma pedra perfurada, \u00e0 qual os judeus v\u00eam todos os anos e a ungem, lamentam-se com gemidos e rasgam suas roupas, e assim partem. Ali tamb\u00e9m est\u00e1 a casa de Ezequias, rei da Judeia].<\/p>\n\n\n\n<p>Mateus faz Jesus dizer, falando aos fariseus: \u201cEu vos enviarei profetas, s\u00e1bios e doutores, e v\u00f3s matareis muitos deles&#8230; de modo que todo o sangue inocente derramado na terra recaia sobre v\u00f3s, desde o sangue do justo Abel at\u00e9 o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que v\u00f3s matastes entre o templo e o altar\u201d 23, 25<a href=\"#_ftn33\" id=\"_ftnref33\">[33]<\/a>. Mesma f\u00f3rmula em Lucas, 11, 51. No meio do templo, diz Dalman, via-se um antigo pavimento, que remontava \u00e0 \u00e9poca do templo. Pequenos buracos foram cavados ali, que se supunha serem vest\u00edgios de pregos deixados pelos soldados assassinos de Zacarias. Trata-se de um judeu, e n\u00e3o de um disc\u00edpulo de Jesus. Adriano havia expulsado os judeus de Jerusal\u00e9m, permitindo-lhes apenas que viessem uma vez por ano orar junto \u00e0s pedras do templo. Talvez seja o Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es, que o peregrino viu desde aquela \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Salom\u00e3o, Zacarias, os judeus. Mas n\u00e3o se localiza a apresenta\u00e7\u00e3o no templo<a href=\"#_ftn34\" id=\"_ftnref34\">[34]<\/a>. Parece que esquecem que Jesus, quando crian\u00e7a, sentou-se uma vez no santu\u00e1rio no meio dos doutores, ouvindo-os e os interrogando (Lucas 2, 46); que, diante dos cofres de ofertas, ele observou a vi\u00fava trazendo suas duas pequenas moedas, \u201cfrente ao tesouro do templo\u201d (Marcos 12, 41 e Lucas 21, 1), talvez no p\u00e1tio das mulheres; que ele certamente orou em p\u00e9 diante do altar; que sacrificou o cordeiro pascal; que falou e ensinou no templo (Jo\u00e3o 7, 38), no p\u00e1tio interno, especialmente no \u00faltimo dia da festa dos tabern\u00e1culos; e que passeava no templo, sob o p\u00f3rtico de Salom\u00e3o (colunata oriental), na dire\u00e7\u00e3o do vale do Cedrom, que, segundo Josefo, remontava a Salom\u00e3o<a href=\"#_ftn35\" id=\"_ftnref35\">[35]<\/a>, que ele expulsou do lugar sagrado vendilh\u00f5es e cambistas<a href=\"#_ftn36\" id=\"_ftnref36\">[36]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O peregrino tamb\u00e9m n\u00e3o menciona a Porta Formosa<a href=\"#_ftn37\" id=\"_ftnref37\">[37]<\/a>. L\u00ea-se em Atos 3, 1-2: \u201cPedro e Jo\u00e3o subiram ao templo na hora da ora\u00e7\u00e3o, a nona. E um homem coxo desde o ventre de sua m\u00e3e era levado todos os dias e colocado \u00e0 porta do templo chamada Porta Formosa, para pedir esmola aos que entravam.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Jesus anunciou que derrubaria o templo. Talvez os primeiros crist\u00e3os tenham se desinteressado, por preconceito, de tudo o que evocava o antigo culto judaico, de tudo o que, na vida e atividade de Jesus, o ligava a esse culto do qual o templo era o s\u00edmbolo. \u00c9 por isso que o peregrino se det\u00e9m muito menos em seu local do que n\u00f3s. Sigamo-lo novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Item exeuntibus Hierusalem, ut ascendas Si\u00e3o, in parte sinistra et deorsum in valle juxta murum est piscina, qu\u00e6 dicitur Silua; habet quadriporticum; et alia piscina grandis foras. H\u00e6c fons sex diebus atque noctibus currit, septima vero die, qui est sabbatum, in totum nec nocte, nec die currit<a href=\"#_ftn38\" id=\"_ftnref38\"><strong>[38]<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>[Da mesma forma, saindo de Jerusal\u00e9m, subindo o monte Si\u00e3o, do lado esquerdo, e embaixo, no vale, junto ao muro, h\u00e1 uma piscina que se chama Silo\u00e9. Ela tem quatro p\u00f3rticos, e h\u00e1 outra grande piscina fora. Essa fonte corre durante seis dias e seis noites, mas no s\u00e9timo dia \u00e9 s\u00e1bado, e n\u00e3o corre nem de dia nem de noite.]<\/p>\n\n\n\n<p>Em Jo\u00e3o 9, 7: \u201cJesus, passando, viu um homem cego de nascen\u00e7a&#8230; Ele cuspiu no ch\u00e3o, fez lama com a saliva e aplicou essa lama nos olhos do cego. E disse-lhe: Vai, lava-te na piscina de Silo\u00e9 (palavra que significa o Enviado). Ele foi, lavou-se e voltou vendo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Dalman, Jerusal\u00e9m possui, de fato, uma fonte intermitente, cujo movimento recorrente poderia ter sido considerado milagroso. \u00c9 a fonte de Giom do Antigo Testamento, pr\u00f3xima \u00e0 fonte de Rogel, antigamente dentro de Jerusal\u00e9m, que se estendia nas encostas ao sul das duas colinas (atualmente fora das muralhas). Quando Jesus viveu, o fluxo natural havia sido obstru\u00eddo, e as \u00e1guas s\u00f3 eram acess\u00edveis na extremidade sul de Jerusal\u00e9m, onde um longo canal escavado por Ezequias atrav\u00e9s da rocha as despejava. O tanque primitivo se estendia no local do quadrip\u00f3rtico mencionado pelo peregrino (que o <em>Chronicon pascale<\/em> assimila ao <em>Tetranymphon<\/em> erguido por Adriano). \u201c\u00c9 l\u00e1 que um sacerdote vinha buscar em um vaso dourado a \u00e1gua destinada \u00e0s aspers\u00f5es durante a festa dos tabern\u00e1culos. Tamb\u00e9m se retirava dali, em recipientes de pedra, a \u00e1gua viva necess\u00e1ria para as cinzas da novilha vermelha (N\u00fameros 19, 17) a fim de purificar aqueles que tinham contato com um cad\u00e1ver. A virtude purificadora dessa \u00e1gua s\u00f3 podia ser comparada \u00e0 das \u00e1guas primordiais da cria\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O milagre de Jesus, portanto, est\u00e1 ligado a uma fonte \u00e0 qual, para os judeus, j\u00e1 estava associada uma for\u00e7a milagrosa, que era sagrada para eles, e que ocupava um lugar em seu culto e tradi\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn39\" id=\"_ftnref39\">[39]<\/a>. O peregrino n\u00e3o faz alus\u00e3o \u00e0 cura do cego, o que n\u00e3o significa que ele n\u00e3o tenha pensado nisso, embora simplesmente diga: uma fonte chamada Silo\u00e9, como se fosse um fato local pouco conhecido fora de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora deixamos a \u00e1rea ao redor do templo e subimos a encosta da outra colina (cidade alta).<\/p>\n\n\n\n<p>Ex eadem ascenditur Si\u00e3o<a href=\"#_ftn40\" id=\"_ftnref40\"><strong>[40]<\/strong><\/a>, et paret ubi fuit domus Caif\u00e6 sacerdotis, et columna adhuc ibi est, in qua Christum flagellis ceciderunt. Intus aulem, intra murum Si\u00e3o, parel locus ubi palatium habuit David. Ex septem synagogis (O manuscrito reproduzido por Geyer, afirma: Et septem synagog\u00e6, qu\u00e6 illic fuerunt, etc.), qu\u00e6 illic fuerant, una tantum remansit; reliqu\u00e6 aulem arantur el seminantur, sicut Isaias propheta dixit<a href=\"#_ftn41\" id=\"_ftnref41\"><strong>[41]<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>[Dessa fonte sobe-se a Si\u00e3o e v\u00ea-se onde ficava a casa do sacerdote Caif\u00e1s, e ainda est\u00e1 l\u00e1 a coluna contra a qual a\u00e7oitaram Cristo. Dentro do muro de Si\u00e3o, v\u00ea-se o lugar onde Davi tinha o pal\u00e1cio. Das sete sinagogas que havia ali, apenas uma permanece. As demais, de fato, s\u00e3o campo e foram aradas e semeadas, como disse o profeta Isa\u00edas.]<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a tradi\u00e7\u00e3o da \u00e9poca, o pal\u00e1cio do sumo sacerdote, para onde levaram Jesus ap\u00f3s ser preso no Gets\u00eamani, ficava na cidade alta (sudoeste de Jerusal\u00e9m). \u201cL\u00e1, fora das muralhas de ent\u00e3o e de hoje, o peregrino viu ru\u00ednas que se consideravam do pal\u00e1cio de Caif\u00e1s. Mostravam ali, curiosamente, uma coluna da flagela\u00e7\u00e3o, embora Jesus tenha sofrido esse supl\u00edcio n\u00e3o na casa de Caif\u00e1s, mas no pret\u00f3rio (Mateus 27, 26; Marcos 15, 15).\u201d Hoje, existe uma igreja de Caif\u00e1s (arm\u00eania). Quanto \u00e0s ru\u00ednas do pal\u00e1cio de Caif\u00e1s, n\u00e3o se distinguem mais vest\u00edgios. \u201cA igreja de Caif\u00e1s est\u00e1 no topo da antiga cidade alta de Jerusal\u00e9m, que era, no tempo de Jesus, a parte mais importante da capital, atualmente fora da cidade romana e da atual, entre jardins e cemit\u00e9rios que cobrem a superf\u00edcie da antiga cidade\u201d (Dalman). Epif\u00e2nio fala das sete sinagogas, incluindo a Porta do Rebanho, a Porta dos Peixes, a Porta Velha, a Porta do Vale, a Porta dos Dejetos, a Porta da Fonte, a Porta dos Cavalos e a Porta das \u00c1guas, sendo que uma foi conservada sob Constantino \u201ccomo uma tenda numa vinha (Isa\u00edas 1, 8, <em>Septuaginta<\/em>)\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Observemos o seguinte: o peregrino n\u00e3o fala da Ceia. Ele menciona o pal\u00e1cio de Davi. Mais tarde, encontrar\u00e3o, no mesmo lugar, no mesmo edif\u00edcio, pr\u00f3ximos, o t\u00famulo de Davi e o Cen\u00e1culo. Voltaremos a isso. Mas esse testemunho do peregrino \u00e9 crucial, tanto pelo que ele n\u00e3o diz quanto pelo que declara. Ele n\u00e3o menciona nenhuma igreja de Si\u00e3o (assim como Epif\u00e2nio)<a href=\"#_ftn42\" id=\"_ftnref42\">[42]<\/a>. Por volta de 370, Et\u00e9ria conhece uma, onde ela coloca as apari\u00e7\u00f5es de Jesus ap\u00f3s sua ressurrei\u00e7\u00e3o e a efus\u00e3o do esp\u00edrito. Em 333, ainda n\u00e3o chegamos a esse ponto: n\u00e3o se fala da comunh\u00e3o pascal, da ressurrei\u00e7\u00e3o, mas do pal\u00e1cio do sumo sacerdote judeu e do pal\u00e1cio de Davi (precursor, tamb\u00e9m judeu, de Cristo); n\u00e3o se fala de igrejas, mas de sinagogas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui est\u00e1 agora o pret\u00f3rio de Pilatos.<\/p>\n\n\n\n<p>Inde ut eas foris murum de Si\u00e3o, eunlibus ad porla Neapolitana ad parlem dextram, deorsum in valle sunt parieles, ubi domus fuit sive pr\u00e6torium Ponti Pilali.<\/p>\n\n\n\n<p>[Dali, quando se sai do muro de Si\u00e3o, ao ir em dire\u00e7\u00e3o ao port\u00e3o de Ne\u00e1polis, ao lado direito, abaixo no vale, h\u00e1 alguns muros, onde ficava a casa, ou pret\u00f3rio, de P\u00f4ncio Pilatos.]<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Gustave Lanson (1857 \u2013 1934), historiador franc\u00eas (N.T.).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Volume I: <em>J\u00e9rusalem antique<\/em>, de H. Vincent, 1912. Volume II: <em>J\u00e9rusalem nouvelle<\/em>, de Vincent e Abel; fasc. I e II, \u00c9lia Capitolina, o Santo Sepulcro e o Monte das Oliveiras, p. 1 a 420, 1914; fasc. III, Santa Maria de Si\u00e3o e os Santu\u00e1rios de Segunda Ordem, p. 421 a 668 (+ I a XXXI), 1922; fasc. IV, os Santu\u00e1rios de Segunda Ordem (fim), p. 669 a 1035, 1926; com imagens: I a XC; in-4\u00b0, Paris.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Dalman (Gustave). <em>Les Itin\u00e9raires de J\u00e9sus. <\/em><em>Topographie des \u00e9vangiles<\/em>. Edi\u00e7\u00e3o revista e completada pelo autor. Tradu\u00e7\u00e3o francesa por Jacques Marty. Com 46 figuras e plantas. Paris, 520 p. in-8\u00b0 (traduzido da 3\u00aa edi\u00e7\u00e3o alem\u00e3 que \u00e9 de 1924).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> O mapa da Palestina e a planta da Jerusal\u00e9m atual, presentes no final do livro, t\u00eam o objetivo de fornecer aos leitores alguns pontos de refer\u00eancia. Ser\u00e1 \u00fatil consultar mapas de Jerusal\u00e9m reproduzidos na obra de Abel e Vincent. Em particular, a imagem LXXXVI, de Jerusal\u00e9m na \u00e9poca do reino latino, s\u00e9culo XII (onde a localiza\u00e7\u00e3o da piscina Prob\u00e1tica, \u00e0 esquerda da Abadia de Santa Ana, est\u00e1 claramente indicada).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Muito se discutiu sobre esse assunto. A destrui\u00e7\u00e3o da cidade foi total? Em alguns pontos, n\u00e3o foi progressivamente repovoada logo cedo? \u201cQuando o ex\u00e9rcito\u201d, escreve o historiador judeu Josefo sobre o cerco de 70, \u201cn\u00e3o tinha mais o que matar nem saquear, C\u00e9sar ordenou destruir toda a cidade e o Templo, mas preservar entre as torres as que dominavam as outras, Fasael, Hipicos e Mariamne, e, da muralha, a parte que circundava a cidade ao Ocidente, para que servisse de acampamento para a legi\u00e3o que l\u00e1 ficaria&#8230; Todo o resto da muralha da cidade foi demolido ao ponto de n\u00e3o ser mais permitido \u00e0queles que vinham acreditar que ela um dia tivesse sido habitada.\u201d (<em>Guerra<\/em>, VII, 1, 1). Mas a instala\u00e7\u00e3o de uma legi\u00e3o \u00e9 o princ\u00edpio de uma reconstru\u00e7\u00e3o. \u201cInfelizes escravos est\u00e3o sentados nas cinzas do Templo, e algumas mulheres s\u00e3o reservadas pelos inimigos aos mais vergonhosos ultrajes.\u201d Ibid., VII, 8, 7. Isso mostra pelo menos que o acesso \u00e0 cidade n\u00e3o foi ent\u00e3o proibido aos judeus.\u201d (Vincent, p. 876). Abel e Vincent acreditam que \u00e9 irracional sustentar \u201ca impossibilidade de uma transmiss\u00e3o de lembran\u00e7as\u201d entre a igreja hierosolimitana que deixou a cidade ap\u00f3s a ru\u00edna de 70, mas cujos membros puderam retornar entre 70 e 135, e aquela que se seguiu, ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o de \u00c9lia em 135.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> <em>Itinerarium burdigalense, exactement: Itinerarium a Burdigala Hierusalem usque et ab Heraclea per Aulonam et per urbem Romam Mediolanum usque<\/em> (p. 3 a 33). O manuscrito mais antigo e melhor \u00e9 o Pith\u0153anus, ou Parisinus (P) (do s\u00e9culo IX) na Biblioth\u00e8que Nationale; dois outros (V) e (S) devem derivar do mesmo arqu\u00e9tipo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Ela tamb\u00e9m \u00e9 reproduzida em: Titus Tobler e Auguste Molinier. <em>Itinera hierosolymitana et Descriptiones terr\u00e6 sanct\u00e6 bellis sacris anteriora<\/em>. Publica\u00e7\u00f5es da <em>Soci\u00e9t\u00e9 de l\u2019Orient latin<\/em>, S\u00e9ries geogr\u00e1ficas, I e II, Genebra, 1879. Do manuscrito V, descoberto por Tobler.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Et\u00e9ria, religiosa da Gal\u00edcia, compatriota de Teod\u00f3sio o Grande (379-395), que durante seu reinado fez uma longa viagem ao Oriente. Provavelmente chegou \u00e0 Palestina por volta de 393, no final do s\u00e9culo IV. Abel e Vincent reconhecem nela \u201ccharme e eleg\u00e2ncia, uma m\u00e3o distinta, um esp\u00edrito muito cultivado\u201d. Conhece-se apenas parte de sua narrativa, por um manuscrito do s\u00e9culo XI, descoberto em 1884 na biblioteca de Arezzo. Inicialmente atribu\u00eddo a Santa Silvia da Aquit\u00e2nia. Geyer, p. 35.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> <em>Theodosius, de situ terr\u00e6 sanct\u00e6<\/em> (por volta de 530) (Teod\u00f3sio, o arquidi\u00e1cono), reproduzido na <em>Otia imperialia<\/em> de Gerv\u00e1sio em 124, a pr\u00f3pria Otia reproduzida no <em>Scriptores rerum Brunsvic<\/em> de Leibniz em 1707. O manuscrito mais antigo encontra-se na Biblioth\u00e8que Nationale. Geyer, p. 137.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> <em>Antonini Placentini itinerarium<\/em> (ca. 570), manuscrito do s\u00e9culo II na biblioteca de Saint-Gall. Na verdade, teria sido escrito por um dos companheiros de Antonino (o an\u00f4nimo Placentia). Geyer, p. 159: \u201cMais prolixo e menos positivo do que Teod\u00f3sio, com um acentuado gosto por rel\u00edquias e pelo maravilhoso\u201d (Abel e Vincent).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> (Por volta de 670) Arculfo, um bispo franco, visitou a Terra Santa e l\u00e1 ficou por muito tempo sob a orienta\u00e7\u00e3o de um eremita de Jerusal\u00e9m chamado Pedro de Borgonha. Em seu retorno, naufragou, perdeu a mem\u00f3ria e foi for\u00e7ado a desembarcar na ilha de Iona, na costa da Esc\u00f3cia, onde foi hospedado na abadia de Hy. Ele contou pessoalmente aos monges o que havia visto durante suas viagens, e um deles, S\u00e3o Adamnani, que se tornou abade do mosteiro, editou seus escritos. <em>Adamnani de locis sanctis libri tres<\/em>, Geyer, p. 221-297. Durante sua estada em Hy, Arculfo escreveu uma esp\u00e9cie de rascunho adornado com alguns desenhos (reproduzidos no texto). \u201cAdamnanus revestiu essa cole\u00e7\u00e3o em uma forma elegante para a \u00e9poca, inseriu alguns dados estrangeiros, dividiu tudo em livros e cap\u00edtulos e ofereceu essa descri\u00e7\u00e3o ao rei Alfredo, que mandou fazer um grande n\u00famero de c\u00f3pias para divulg\u00e1-la. Esse relato, que rivaliza com o de Et\u00e9ria em interesse e import\u00e2ncia tem, al\u00e9m da vantagem de ser completo, o fato de nos relatar sobre o in\u00edcio da exist\u00eancia de Jerusal\u00e9m sob o dom\u00ednio \u00e1rabe\u201d (Abel e Vincent).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> Vincent e Abel se perguntaram se o s\u00e9culo V teria sido completamente desprovido de descri\u00e7\u00f5es. H\u00e1 a carta de Eucher, bispo de Lyon, para o padre Fausto. \u201cEla consiste principalmente na ep\u00edstola de S\u00e3o Jer\u00f4nimo a Dardanus e em uma passagem da vers\u00e3o latina de Josefo conhecida como Hegesippus. Seu interesse \u00e9 limitado\u201d. Quanto ao Brevi\u00e1rio de Hierosolyma (3 p\u00e1ginas), ele dataria aproximadamente de 500.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> Por volta de 720, S\u00e3o Beda, o Vener\u00e1vel, comp\u00f4s um <em>Liber de locis sanctis<\/em>, uma compila\u00e7\u00e3o de Adamnanus, Eucher e Hegesippe. Geyer, p. 301 a 324.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> \u201cEnt\u00e3o o Senhor lhe disse: Levanta-te, e vai a Sarepta, cidade dos sid\u00f4nios, e habita ali; porque eu ordenei a uma mulher vi\u00fava que ali te alimente.\u201d Les Rois, liv. III, cap. XVII, 9. Segue-se o milagre da farinha e do \u00f3leo que n\u00e3o diminuem, e a ressurrei\u00e7\u00e3o do filho da vi\u00fava. Os mesmos milagres, ent\u00e3o, por Eliseu, Les Rois, liv. IV, cap. IV.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> Atos X, 1-XI, 18: \u201cMais tarde, o fato do centuri\u00e3o foi usado como argumento na grande quest\u00e3o do batismo dos incircuncisos. Para dar mais for\u00e7a ao argumento, sup\u00f4s-se que cada fase dessa grande quest\u00e3o havia sido marcada por uma ordem do c\u00e9u. Dizia-se que, depois de longas ora\u00e7\u00f5es, Corn\u00e9lio tinha visto um anjo que lhe ordenara ir buscar Pedro em Jope; que a vis\u00e3o simb\u00f3lica de Pedro tinha ocorrido na mesma hora em que os mensageiros de Corn\u00e9lio chegaram; que, quando o Esp\u00edrito Santo desceu sobre Corn\u00e9lio e sua fam\u00edlia, eles falaram em l\u00ednguas e entoaram c\u00e2nticos \u00e0 maneira dos outros fi\u00e9is\u201d. Renan, Les Ap\u00f4tres, p. 203.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> G\u00eanesis, XXXIV. De acordo com os samaritanos, Mois\u00e9s havia indicado o Monte Gerizim como o local onde o santu\u00e1rio central deveria ser estabelecido, enquanto Jerusal\u00e9m n\u00e3o \u00e9 mencionada na Lei Mosaica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> Neste ponto o texto n\u00e3o deixa muito claro, mas Maurice Halbwachs, aqui, fala de si mesmo, e de sua pr\u00f3pria viagem a Jerusal\u00e9m. Ao longo do texto, ele trar\u00e1 mais detalhes dessa viagem (N.T.).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> Reis, liv. III, 13.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> Algo que Teod\u00f3sio tamb\u00e9m n\u00e3o fez dois s\u00e9culos depois (530). Antoninus Placentinus (em cerca de 570) foi o primeiro a falar do Lago Tiber\u00edades.: \u201cDeinde venimus in civitate Tiberiade, in qua sunt termas&#8230; Item venimus in Capharnaum in domo beati Petri qu\u00e6 est modo basilica.\u201d [Dali chegamos \u00e0 cidade de Tiber\u00edades, onde h\u00e1 termas&#8230; A seguir, chegamos a Cafarnaum, na casa do bem-aventurado Pedro, que agora \u00e9 uma bas\u00edlica.] Adiante, ele afirma: \u201cVenimus in loco ubi Dominus de quinque panibus milia populos saciavit, extensa campana, oliveta et palmeta.\u201d [Chegamos ao lugar onde o Senhor saciou milhares de pessoas com cinco p\u00e3es, um campo extenso, olivais e palmeirais.] Mas ele parece colocar esse lugar muito pr\u00f3ximo daquele em que Jesus Cristo foi batizado. Geyer, p. 164.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> Antoninus afirma: \u201cDe Nazareth venimus in Tabor monte&#8230; in quo sunt tres basilicas, ubi dictum est a discipulo: faciamus hic tria tabernaeula\u201d [De Nazar\u00e9, chegamos ao Monte Tabor&#8230; onde h\u00e1 tr\u00eas bas\u00edlicas, onde foi dito pelo disc\u00edpulo: \u201cFa\u00e7amos aqui tr\u00eas tendas\u201d.]. Geyer, 162. Teod\u00f3sio tamb\u00e9m o menciona (veja a nota abaixo).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> Teod\u00f3sio. Uma passagem intercalada de forma bizarra no batismo de Jesus Cristo. [Mons Tabor in Galil\u00e6a est] ibi sanctus Helias raptus est [O monte Tabor est\u00e1 na Galileia, ali o santo Elias foi levado]. Em seguida, vem a men\u00e7\u00e3o de um: Mons modicus, qui appellatur Armona [Um monte de altura m\u00e9dia chamado Armona]. Geyer, p. 146.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> Esse n\u00e3o \u00e9 o caso se, como indica Dalman, ele tenha usado a rota de Cit\u00f3polis para Cesareia via Gizreel e Maximian\u00f3polis (ou Lejjun). Assim, n\u00e3o poderia ter passado pelo Tabor.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a> Teod\u00f3sio (em 530) diz: \u201cDe Silona usque Emmau, qu\u00e6 nunc Nicopolis dicitur, milia VIII, in qua Emmau sanctus Cleopas cognovit Domnum in confractione panis; ibi et martyrium pertulit\u201d [De Silona at\u00e9 Ema\u00fas, que agora se chama Nic\u00f3polis, s\u00e3o oito mil passos; em Ema\u00fas o santo Cl\u00e9ofas reconheceu o Senhor na partilha do p\u00e3o; ali tamb\u00e9m sofreu mart\u00edrio]. Geyer, 139.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a> Taciano (s\u00e9culo II), possivelmente Santa Silvia (s\u00e9culo IV), Santo Agostinho, um monge do Monte das Oliveiras (s\u00e9culo V), e o Vener\u00e1vel Beda defendem a localiza\u00e7\u00e3o de Ema\u00fas a 60 est\u00e1dios. Uma das raz\u00f5es que Dalman invoca em apoio a Ema\u00fas da plan\u00edcie \u00e9 que o nome Ema\u00fas (= khamm\u00e2) sugere fontes de \u00e1gua quente. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma fonte em El-Qubeibe. Existem duas fontes de \u00e1gua morna na outra Ema\u00fas. Dalman sugere, por outro lado, que a indica\u00e7\u00e3o dos 60 est\u00e1dios em Lucas \u00e9 baseada em uma suposi\u00e7\u00e3o: para que os disc\u00edpulos pudessem ir e voltar no mesmo dia, a dist\u00e2ncia n\u00e3o poderia ser mais do que uma jornada normal de meio dia, cerca de 12 quil\u00f4metros. No entanto, era poss\u00edvel percorrer uma dist\u00e2ncia maior em um dia, especialmente se retornassem a Jerusal\u00e9m tarde da noite. Se, como Lucas afirma, o dia est\u00e1 terminando quando os disc\u00edpulos alcan\u00e7am Ema\u00fas, isso n\u00e3o significa que o sol j\u00e1 se p\u00f4s. \u201cPouco depois de sua chegada, os viajantes tomam sua refei\u00e7\u00e3o da noite. Supondo que partissem por volta das 19 horas, \u00e0 luz do claro de lua cheia da P\u00e1scoa, poderiam chegar a Jerusal\u00e9m por volta da meia-noite\u201d (23 quil\u00f4metros em 5 horas).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a> Abade Mariti. <em>Histoire de l\u2019\u00e9tat pr\u00e9sent de J\u00e9rusalem<\/em>, publicada por R. P. Laorti-Hadgi, 1853 (a obra \u00e9 de 1767), p. 86.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a> Dalman, p. 402.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\" id=\"_ftn27\">[27]<\/a> Mariti, p. 91-92.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\" id=\"_ftn28\">[28]<\/a> Teod\u00f3sio (ano 530) afirma: \u201cDe domo Pilati usque ad piscinam probaticam passus plus minus numero C. Ibi domnus Christus paralyticum curavit, cujus lectus adhuc ibi est. Juxta piscinam probaticam ibi est ecclesia domn\u00e6 Mari\u00e6\u201d [Da casa de Pilatos at\u00e9 a piscina prob\u00e1tica, s\u00e3o cerca de cem passos. Ali o Senhor Cristo curou o paral\u00edtico, cuja cama ainda est\u00e1 l\u00e1. Pr\u00f3ximo \u00e0 piscina prob\u00e1tica, h\u00e1 uma igreja dedicada \u00e0 Senhora Maria.]. Geyer, p. 142.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\" id=\"_ftn29\">[29]<\/a> A lenda de Salom\u00e3o o descreve como o mestre dos dem\u00f4nios, por conta de um anel no qual o nome de Deus est\u00e1 gravado. Nas <em>Mil e Uma Noites<\/em>, <em>Hist\u00f3ria de um Pescador<\/em>, Salom\u00e3o aprisiona um dem\u00f4nio gigante em um vaso selado usando a marca de seu anel.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\" id=\"_ftn30\">[30]<\/a> Antoninus Placentinus viu a pedra angular na bas\u00edlica da Santa Si\u00e3o (para onde provavelmente foi transportada depois que o peregrino de Bordeaux a mencionou estando pr\u00f3xima ao templo). \u201cQuando o Senhor Jesus entrou na pr\u00f3pria igreja, que era a casa de S\u00e3o Tiago (esse \u00e9 o local do Cen\u00e1culo), encontrou essa pedra bruta (<em>deformem<\/em>) ao centro, tomou-a e a colocou no canto (essa \u00e9 a par\u00e1bola que se torna realidade e cria ra\u00edzes, mas em um novo lugar). Voc\u00ea pode levant\u00e1-la com as m\u00e3os e encostar o ouvido em um dos lados: voc\u00ea ouvir\u00e1 um longo murm\u00fario como o de uma multid\u00e3o\u201d. Geyer, <em>Antonini Placentini itinerarium<\/em>, p. 173.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\" id=\"_ftn31\">[31]<\/a> O primeiro templo foi destru\u00eddo por Nabucodonosor (588 a.C.). Os judeus come\u00e7aram a reconstru\u00ed-lo em 535 a.C.; Herodes, o Grande, tamb\u00e9m chamado o Ascalonita, o ampliou e o embelezou. Acabou destru\u00eddo e incendiado por Tito em 70 d.C. Em 119 d.C., Adriano ergueu um monumento a J\u00fapiter Capitolino no local ocupado pelo edif\u00edcio, e acabou demolido em 332 (segundo a publica\u00e7\u00e3o de um decreto de Constantino ordenando a demoli\u00e7\u00e3o de todos os templos id\u00f3latras). Em 363, visando satisfazer os judeus, Juliano, o Ap\u00f3stata, ordenou que outro templo fosse constru\u00eddo sobre os alicerces daquele que Tito havia queimado. O trabalho j\u00e1 havia sido iniciado quando todo o edif\u00edcio desmoronou. Ningu\u00e9m pensou em reconstru\u00ed-lo. Desta forma, os crist\u00e3os, com \u00f3dio dos judeus, abandonaram-no como um local de desola\u00e7\u00e3o, adequado apenas como dep\u00f3sito de lixo. Por volta de 636, Omar, o segundo califa, sucessor de Maom\u00e9, que havia conquistado a cidade, perguntou ao patriarca Sofr\u00f4nio onde ficava o templo de Salom\u00e3o. Foi l\u00e1 que mandou construir a primeira mesquita que se viu em Jerusal\u00e9m (de acordo com o Abade Mariti).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\" id=\"_ftn32\">[32]<\/a> Beda (in\u00edcio do s\u00e9culo VIII): \u201cExtra templum locus est, ubi Zacharias filius Barachi\u00e6 interfectus est.\u201d [Fora do templo h\u00e1 um lugar onde Zacarias, filho de Baraquias, foi morto]. Geyer, <em>Petrus diaconus<\/em>, p. 408.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref33\" id=\"_ftn33\">[33]<\/a> Confus\u00e3o entre Zacarias, filho de Joiada, e o profeta Zacarias, filho de Baraquias. \u00c9 o primeiro que se discute aqui (II Paral. 14, 21). O livro de Paralip\u00f4menos, no qual se relata o assassinato de Zacarias, filho de Joiada, encerra o c\u00e2none hebraico. Esse assassinato \u00e9 o \u00faltimo na lista de assassinatos de homens justos. O de Abel \u00e9 o primeiro. Renan, <em>Vie de J\u00e9sus<\/em>, p. 353, n. 1.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\" id=\"_ftn34\">[34]<\/a> &nbsp;&nbsp;Mais tarde, no in\u00edcio do s\u00e9culo VII, Beda escreveria: \u201cA latere sinistro tabernaculi (no meio do templo) super saxum posuit dominus Jesus pedem suum, quando eum Symeon accepit in ulnis, et ita remansit pes sculptus, ac si in cera positus esset. Ab alio latere saxi est tabernaculus apertus, in quo per gradus viginti duo descendunt. Ibi dominus orabat, ibi et Zacharias sacrificabat\u201d [Do lado esquerdo do tabern\u00e1culo, o Senhor Jesus colocou seu p\u00e9 sobre uma pedra quando Sime\u00e3o o recebeu nos bra\u00e7os, e assim ficou a marca do p\u00e9 esculpida, como se estivesse colocada em cera. Do outro lado da pedra h\u00e1 um tabern\u00e1culo aberto, no qual se descem vinte e dois degraus. Ali o Senhor orava, e ali tamb\u00e9m Zacarias oferecia sacrif\u00edcios]. <em>Petrus diaconus<\/em>, Geyer, p. 108.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref35\" id=\"_ftn35\">[35]<\/a> &nbsp;\u201cTratava-se\u201d, diz ele, \u201cdo \u00fanico vest\u00edgio do primeiro templo que restou na \u00e9poca de Herodes; mais tarde ainda, Agripa se absteve de substitu\u00ed-lo. Certamente h\u00e1 alguma confus\u00e3o aqui. Na realidade, apenas a parte central dessa colunata representava, no m\u00e1ximo, um remanescente do templo de Zorobabel, e se pode admitir que a base datava da \u00e9poca anterior ao ex\u00edlio, mas a imagina\u00e7\u00e3o popular atribuiu todo o conjunto ao templo de Salom\u00e3o\u201d (Dalman, 384).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref36\" id=\"_ftn36\">[36]<\/a> \u201cAo longo de toda a extens\u00e3o do lado sul, a montanha do Templo era ocupada por uma bas\u00edlica com tr\u00eas naves, a do meio sendo mais alta que as demais.\u201d Foi aqui, sem d\u00favida, que o com\u00e9rcio de pombos foi estabelecido para os sacrif\u00edcios dos avivamentos e as cerim\u00f4nias dos pobres, e para a troca de moedas a serem gastas no santu\u00e1rio. A partir de ent\u00e3o, seria no local da atual mesquita de Aksa que a cena hist\u00f3rica de Jesus afugentando vendilh\u00f5es e cambistas deveria ser localizada.\u201d Dalman, p. 382. A montanha foi incorporada ao santu\u00e1rio e contribui para a santidade do templo, assim como o templo santifica o ouro usado nele (Mateus, 23, 17)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref37\" id=\"_ftn37\">[37]<\/a> Beda (in\u00edcio do s\u00e9culo VIII). \u201cSubtus templum Domini ab oriente est porta speciosa. Unde Dominus intravit sedens super pullum asin\u00e6. Ibi et Petrus claudum sanavit\u201d [Abaixo do Templo do Senhor, a leste, est\u00e1 a Porta Formosa. Por onde o Senhor entrou sentado sobre um jumentinho. L\u00e1, Pedro tamb\u00e9m curou um coxo.]. Geyer, <em>Petrus diaconus<\/em>, p. 108.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref38\" id=\"_ftn38\">[38]<\/a> Teod\u00f3sio (ano 530) afirma apenas: \u201cPiscina Siloe a lacu, ubi missus est Hieremias propheta, habet passus numero C, qu\u00e6 piscina intra murum est\u201d [A Piscina de Silo\u00e9, onde foi enviado o profeta Jeremias, tem cem passos de comprimento e est\u00e1 dentro do muro.]. Geyer, p. 142.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref39\" id=\"_ftn39\">[39]<\/a> Isso \u00e9 o que afirma Jeremias, <em>Angelos<\/em> I, p. 162. Dalman, por outro lado, explica a cura da seguinte forma: \u201cdesta vez \u00e9 uma quest\u00e3o de poder milagroso ligado n\u00e3o \u00e0 fonte, mas \u00e0 pessoa de Jesus\u201d (p. 406). Em vez disso, \u00e9 necess\u00e1rio afirmar que aqui novamente o milagre de Cristo \u00e9 sobreposto a um poder milagroso judaico.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref40\" id=\"_ftn40\">[40]<\/a> <em>In eadem<\/em>, segundo Geyer. Corrigimos seguindo Tobler. Sobre a identifica\u00e7\u00e3o de Si\u00e3o e o alto monte, veja abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref41\" id=\"_ftn41\">[41]<\/a> Salvo a coluna da flagela\u00e7\u00e3o de Cristo, com o lembrete final de Isa\u00edas, n\u00e3o sa\u00edmos do mundo judaico.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref42\" id=\"_ftn42\">[42]<\/a> A <em>Peregrinatio S. Silvi\u00e6<\/em> (c. 385) descreve detalhadamente as prociss\u00f5es e cerim\u00f4nias na igreja de Si\u00e3o durante a semana da P\u00e1scoa, etc. Geyer, p. 75, 79, 81, 91-95, etc. Teod\u00f3sio (em 530) afirma: \u201cDe Golgotha usque in sancta Si\u00e3o passi numero CC, qu\u00e6 est mater omnium ecclesiarum; quam Si\u00e3o domnus noster Christus cum apostolis fundavit. Ipsa fuit domus sancti Marci evangelist\u00e6. De sancta Si\u00e3o ad domum Caiph\u00e6, qu\u00e6 est modo ecclesia sancti Petri, sunt plus minus passi numero L\u201d [Do G\u00f3lgota at\u00e9 a Santa Si\u00e3o h\u00e1 duzentos passos; esta \u00e9 a m\u00e3e de todas as igrejas; essa Si\u00e3o foi fundada por nosso Senhor Cristo com os ap\u00f3stolos. Ela foi a casa de S\u00e3o Marcos evangelista. Da Santa Si\u00e3o at\u00e9 a casa de Caif\u00e1s, que agora \u00e9 a igreja de S\u00e3o Pedro, h\u00e1 mais ou menos cinquenta passos.]. Geyer, p. 141.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abaixo voc\u00ea ir\u00e1 ler as primeiras p\u00e1ginas de &#8220;A topografia lend\u00e1ria dos Evangelhos na Terra Santa&#8221;, de Maurice Halbwachs. Caso deseje saber mais sobre a obra, ou caso deseje adquiri-la, clique aqui ou na capa abaixo. Introdu\u00e7\u00e3o A viagem \u00e0 Terra Santa pode ser feita com disposi\u00e7\u00f5es de esp\u00edrito bastante\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/10\/07\/a-topografia-lendaria-dos-evangelhos-de-halbwachs\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1045,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,35],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1049"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1049"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1049\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1050,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1049\/revisions\/1050"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1045"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1049"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1049"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1049"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}