{"id":1075,"date":"2024-10-10T12:48:06","date_gmt":"2024-10-10T12:48:06","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=1075"},"modified":"2024-10-10T12:48:53","modified_gmt":"2024-10-10T12:48:53","slug":"sociologia-da-religiao-de-georg-simmel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/10\/10\/sociologia-da-religiao-de-georg-simmel\/","title":{"rendered":"Sociologia da Religi\u00e3o, de Georg Simmel"},"content":{"rendered":"\n<p>Abaixo voc\u00ea ir\u00e1 ler um trecho da obra &#8220;Sociologia da Religi\u00e3o&#8221;, de Georg Simmel. Caso deseje saber mais sobre o livro, ou queira adquiri-lo, <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/sociologia-da-religiao\/\">clique aqui<\/a>, ou na imagem da capa abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/sociologia-da-religiao\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"221\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/capinha_simmel_religiao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1070\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/capinha_simmel_religiao.jpg 221w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/capinha_simmel_religiao-202x300.jpg 202w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/10\/capinha_simmel_religiao-101x150.jpg 101w\" sizes=\"(max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>I<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia totalmente rara que for\u00e7as de natureza pessoal e objetiva, ao intervir em nossa vida em certo grau, sejam percebidas como perturba\u00e7\u00f5es e inadequa\u00e7\u00f5es, mas percam esse car\u00e1ter perturbador quando aumentam consideravelmente o grau de sua presen\u00e7a e de suas exig\u00eancias. Aquilo que como parte e grandeza relativa n\u00e3o conseguia se harmonizar com os outros elementos da vida com os quais se entrela\u00e7a, pode, como algo absoluto e dominante, estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o org\u00e2nica e satisfat\u00f3ria com eles. Muitas vezes, um amor, uma ambi\u00e7\u00e3o, um novo interesse que surgem n\u00e3o conseguem se coordenar com os conte\u00fados de vida j\u00e1 existentes; mas, assim que a paix\u00e3o ou a decis\u00e3o os colocam no centro da alma e harmonizam toda a nossa exist\u00eancia em torno deles, d\u00e1-se, com essa nova base, uma nova vida cuja tonalidade pode ser novamente unificada.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta forma de destino frequentemente se concretizou em desenvolvimentos religiosos internos. Quando os ideais e exig\u00eancias da religi\u00e3o n\u00e3o apenas entram em conflito com impulsos de natureza inferior, mas tamb\u00e9m com normas e valores de natureza espiritual e moral, a sa\u00edda para tais deslocamentos e confus\u00f5es muitas vezes foi encontrada apenas quando essas exig\u00eancias iniciais elevaram sua fun\u00e7\u00e3o relativa cada vez mais at\u00e9 tornarem-se absolutas; somente quando a religi\u00e3o forneceu o tom decisivo para a vida, os elementos individuais desta recuperaram a rela\u00e7\u00e3o correta entre si ou com o todo. Agora, um elemento s\u00f3 conquista essa efic\u00e1cia central na pr\u00e1tica ap\u00f3s duras batalhas contra outros que, nessa reorganiza\u00e7\u00e3o, s\u00f3 t\u00eam a perder. Ao concedermos a uma maioria dessas exig\u00eancias um direito, isto \u00e9, reconhecendo a cada uma tanto seu pr\u00f3prio direito interno quanto sua capacidade de organizar a vida de forma unificada \u2013 surge inicialmente uma contradi\u00e7\u00e3o e um conflito que devem ser, ao menos em princ\u00edpio, ao menos teoricamente, resolv\u00edveis, se a vida n\u00e3o quiser permanecer irremediavelmente fragmentada em sua possibilidade fundamental. A especula\u00e7\u00e3o te\u00f3rica delineou aqui o tipo de resolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o problema da intera\u00e7\u00e3o entre a exist\u00eancia corp\u00f3rea e a espiritual come\u00e7ou a inquietar os pensadores, Spinoza resolveu essa incompatibilidade afirmando que a extens\u00e3o de um lado, e o pensamento do outro, expressam toda a exist\u00eancia cada um em sua pr\u00f3pria linguagem; eles se reconciliam, assim que n\u00e3o mais se entrela\u00e7am como elementos relativos, mas cada um reivindica a totalidade do mundo para si e a representa de maneira completa \u00e0 sua maneira.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, trata-se, portanto, da m\u00e1xima mais geral de que cada uma das grandes formas de nossa exist\u00eancia deve se provar capaz de expressar a totalidade da vida em sua pr\u00f3pria linguagem. A organiza\u00e7\u00e3o de nossa exist\u00eancia por meio do dom\u00ednio absoluto de um princ\u00edpio em detrimento de todos os outros seria assim elevada a um n\u00edvel superior: cada princ\u00edpio, dentro do mundo por ele soberanamente formado, n\u00e3o teria que temer interfer\u00eancias de outro, pois concederia a esse outro o mesmo direito de formar o mundo. Eles n\u00e3o poderiam se cruzar, em princ\u00edpio, assim como sons e cores n\u00e3o se cruzam. A base disso \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o das formas e dos conte\u00fados da exist\u00eancia. Essa separa\u00e7\u00e3o, partindo da pr\u00e1tica mais primitiva, pela qual trabalhamos a mesma mat\u00e9ria em formas variadas, imprimindo a mesma forma em materiais diversos, torna-se o esquema mais abrangente para a forma\u00e7\u00e3o de um mundo e a interpreta\u00e7\u00e3o de todas as vastid\u00f5es da configura\u00e7\u00e3o da vida. Podemos imaginar que todas as maneiras pelas quais o homem vive de forma ativa e criativa, sabendo e sentindo, s\u00e3o modos de organiza\u00e7\u00e3o ou categorias que absorvem a mat\u00e9ria da exist\u00eancia, infinitamente extensa mas permanecendo id\u00eantica em todas as suas forma\u00e7\u00f5es. E cada uma dessas categorias \u00e9, em princ\u00edpio, capaz de formar a totalidade dessa mat\u00e9ria segundo suas pr\u00f3prias leis. O homem art\u00edstico e o cient\u00edfico, o hedonista e o pr\u00e1tico \u2013 todos encontram o mesmo material em tangibilidades e audibilidades, em impulsos e destinos, e cada um, na medida em que \u00e9 puramente artista ou pensador, hedonista ou pr\u00e1tico, molda desse material um todo particular; com a ressalva de que o que um j\u00e1 formou \u00e9 para o outro, \u00e0s vezes, apenas mat\u00e9ria-prima, e que cada uma dessas formas, como se apresenta em um ponto hist\u00f3rico do intermin\u00e1vel desenvolvimento de nossa esp\u00e9cie, s\u00f3 pode se apropriar da mat\u00e9ria de maneira fragment\u00e1ria, apenas em rela\u00e7\u00f5es extremamente vari\u00e1veis; tamb\u00e9m com a ressalva de que provavelmente nunca poderemos agarrar essa mat\u00e9ria em sua pureza, mas sempre apenas j\u00e1 formada como parte de algum mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim se delineia a pluralidade e a unidade dos mundos moldados pelo esp\u00edrito: categorias formativas, cada uma das quais, de acordo com seu motivo, significa um mundo inteiro, aut\u00f4nomo, fechado em si mesmo a partir de um impulso fundamental unificado. E todos esses mundos s\u00e3o constru\u00eddos a partir de um mesmo material, dos elementos \u00faltimos do mundo, que, dependendo da corrente sint\u00e9tica em que o esp\u00edrito os conduz, tornam-se art\u00edsticos, pr\u00e1ticos ou te\u00f3ricos; por outro lado, s\u00e3o tamb\u00e9m mantidos unidos pelo curso unilinear da vida ps\u00edquica. Pois essa vida, a partir da multiplicidade desses mundos que, por assim dizer, est\u00e3o diante de n\u00f3s e dentro de n\u00f3s como possibilidades ideais, sempre agarra apenas fragmentos para construir a si mesma a partir deles, permitindo, \u00e9 claro, em seus prop\u00f3sitos mut\u00e1veis e em seu sentimento geral inst\u00e1vel, que eles se choquem em conflitos intensos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o homem ing\u00eanuo, o mundo da experi\u00eancia e da pr\u00e1tica \u00e9 a realidade por excel\u00eancia, na medida em que os conte\u00fados do mundo existem como percept\u00edveis e trat\u00e1veis pelos sentidos; quando s\u00e3o moldados pelas categorias da arte ou da religi\u00e3o, dos valores emocionais ou da especula\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica, isso \u00e9 considerado ou como uma superestrutura sobre aquela exist\u00eancia verdadeiramente real, ou como algo a ser contraposto a ela, para novamente se entrela\u00e7ar com a diversidade da vida \u2013 assim como fragmentos de s\u00e9ries estrangeiras ou at\u00e9 hostis se misturam ao curso da exist\u00eancia individual para formar o seu todo. Com isso, surgem incertezas e confus\u00f5es nas concep\u00e7\u00f5es de mundo e vida, que se dissipam imediatamente quando se decide reconhecer tamb\u00e9m a chamada \u201crealidade\u201d como uma daquelas formas nas quais ordenamos conte\u00fados dados \u2013 exatamente os mesmos conte\u00fados que podemos organizar artisticamente ou religiosamente, cientificamente ou em jogo. A realidade n\u00e3o \u00e9 de forma alguma o mundo por excel\u00eancia, mas apenas um, ao lado do qual a arte e a religi\u00e3o se situam, constru\u00eddas a partir do mesmo material, mas organizadas de outras formas, com outras premissas. O mundo real experienci\u00e1vel provavelmente representa aquela ordem de elementos dados que \u00e9 a mais pr\u00e1tica para a manuten\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da vida da esp\u00e9cie. Como seres ativos, experimentamos rea\u00e7\u00f5es do mundo circundante cuja utilidade ou nocividade depende das concep\u00e7\u00f5es sobre as quais agimos. Chamamos de realidade aquele mundo ou tipo de concep\u00e7\u00e3o que deve ser a base para agirmos de maneira ben\u00e9fica e sustentadora da vida, de acordo com as particularidades de nossa organiza\u00e7\u00e3o psicobiol\u00f3gica espec\u00edfica; para seres organizados de maneira diferente, com necessidades diferentes, existiria uma outra \u201crealidade\u201d, porque, para suas condi\u00e7\u00f5es de vida, outra a\u00e7\u00e3o fundamentada por outras concep\u00e7\u00f5es seria \u00fatil. Assim, os objetivos e premissas fundamentais determinam qual \u201cmundo\u201d \u00e9 criado pela alma, e o mundo real \u00e9 apenas um dos muitos poss\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00f3s mesmos, por\u00e9m, residem outras exig\u00eancias fundamentais al\u00e9m das necessidades gerais da pr\u00e1tica, e delas surgem outros mundos. A arte tamb\u00e9m vive dos conte\u00fados elementares da realidade; mas ela se torna arte ao dar a esses conte\u00fados formas derivadas das necessidades art\u00edsticas da contempla\u00e7\u00e3o, do sentimento, da signific\u00e2ncia, que est\u00e3o completamente al\u00e9m das formas da realidade: at\u00e9 mesmo o espa\u00e7o dentro da pintura \u00e9 uma configura\u00e7\u00e3o totalmente diferente do espa\u00e7o da realidade. A coes\u00e3o visual e a express\u00e3o emocional s\u00e3o na arte de uma forma que a realidade nunca apresenta \u2013 do contr\u00e1rio, n\u00e3o se entenderia por que precisar\u00edamos de uma arte al\u00e9m da realidade. Seria poss\u00edvel falar de uma l\u00f3gica particular, de um conceito particular de verdade da arte, de uma legalidade particular, com a qual ela coloca ao lado do mundo da realidade um novo mundo, formado a partir do mesmo material e equivalente a ele.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o deve ser diferente com a religi\u00e3o. A partir do material visual e conceitual que tamb\u00e9m experimentamos na camada da realidade, surge em novas tens\u00f5es, novas medidas, novas s\u00ednteses, o mundo religioso. Os conceitos de alma e exist\u00eancia, de destino e culpa, de felicidade e sacrif\u00edcio at\u00e9 o cabelo na cabe\u00e7a e o pardal no telhado tamb\u00e9m comp\u00f5em seu conte\u00fado \u2013 mas agora s\u00e3o acompanhados por avalia\u00e7\u00f5es e tonalidades emocionais que os classificam como em outras dimens\u00f5es, concedendo-lhes deslocamentos de perspectiva completamente diferentes daqueles que o mesmo material receberia se constitu\u00edssem a ordem emp\u00edrica, filos\u00f3fica ou art\u00edstica. A vida religiosa recria o mundo, significa a exist\u00eancia inteira em um tom particular, de modo que, em sua ideia pura, n\u00e3o pode se cruzar ou contradizer os mundos constru\u00eddos de acordo com outras categorias, \u2013 embora a vida do indiv\u00edduo possa atravessar todas essas camadas e, por n\u00e3o abranger sua totalidade, mas apenas partes delas, pode mistur\u00e1-las em contradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa foi a reflex\u00e3o colocada no in\u00edcio desta discuss\u00e3o: que para um elemento da vida que n\u00e3o quer se dividir pacificamente com os outros na vida, muitas vezes se obt\u00e9m um significado sem contradi\u00e7\u00f5es, uma vez que \u00e9 considerado uma inst\u00e2ncia \u00faltima e absoluta da vida. Somente ao reconhecer que a religi\u00e3o \u00e9 uma totalidade da vis\u00e3o de mundo, coordenada com outras totalidades te\u00f3ricas ou pr\u00e1ticas, ela e esses outros sistemas de vida ganham a serenidade da coer\u00eancia interna. Esse conceito ou reivindica\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 afetado pelo fato de que sua pureza talvez raramente seja totalmente respeitada pela vida. Assim como falamos anteriormente de uma l\u00f3gica art\u00edstica, podemos falar de uma l\u00f3gica religiosa, que pode reconhecer provas, formar conceitos, transferir valores v\u00e1lidos \u2013 tudo isso de uma maneira que nenhuma outra l\u00f3gica jamais legitimaria. Mas, assim como a l\u00f3gica cient\u00edfica, a religiosa tamb\u00e9m reivindica frequentemente a compreens\u00e3o de todas as outras em si ou a sua domina\u00e7\u00e3o. Quando tenta fazer isso, elementos id\u00f3latras, estatut\u00e1rios e mundanos entram nela: s\u00e3o aqueles em que outra l\u00f3gica al\u00e9m da religiosa \u00e9 v\u00e1lida. Aqui residem as dificuldades mais gerais e quase inevit\u00e1veis da religi\u00e3o: que ela surge de reivindica\u00e7\u00f5es e impulsos da alma que n\u00e3o t\u00eam nada a ver com as \u201ccoisas\u201d da empiria e com os crit\u00e9rios racionais, mas agora, em vez de construir um mundo de vida aut\u00f4nomo, se transformam em afirma\u00e7\u00f5es de uma estrutura realista familiar e aparentemente evidente; inevitavelmente, tais afirma\u00e7\u00f5es sobre o mundo presente e o al\u00e9m entram em contradi\u00e7\u00e3o com os padr\u00f5es intelectuais que t\u00eam origens completamente diferentes. Essas necessidades de complementar a exist\u00eancia fragmentada, de reconciliar as contradi\u00e7\u00f5es no homem e entre os homens, de um ponto fixo em meio a tudo que \u00e9 inst\u00e1vel ao nosso redor, de justi\u00e7a dentro e al\u00e9m das crueldades da vida, de unidade dentro e acima de sua complexidade confusa, de um objeto absoluto de nossa humildade e nosso desejo de felicidade \u2013 tudo isso alimenta as representa\u00e7\u00f5es transcendentais: a fome do homem \u00e9 seu alimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O crente de sentido religioso mais puro n\u00e3o olha para a possibilidade ou impossibilidade te\u00f3rica dessas representa\u00e7\u00f5es, mas sente exclusivamente que seu desejo encontrou no seu credo seu desfecho e realiza\u00e7\u00e3o. Que todos os dogmas assim formados sejam \u201cverdadeiros\u201d no mesmo sentido de uma experi\u00eancia pr\u00e1tica ou de uma proposi\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9, por assim dizer, de interesse secund\u00e1rio: o essencial \u00e9 que eles sejam pensados e sentidos, e sua verdade \u00e9 apenas a express\u00e3o imediata ou complementar da intensidade do movimento interior desejante que os gerou \u2013 aproximadamente como uma forte sensa\u00e7\u00e3o subjetiva nos obriga a acreditar na exist\u00eancia de um objeto correspondente, mesmo que logicamente possamos duvidar disso. E ainda que aquela coer\u00eancia da esfera religiosa que brota de seu pr\u00f3prio centro, e que constitui seu direito mais profundo, permane\u00e7a apenas uma inten\u00e7\u00e3o, que o car\u00e1ter misto do ser humano emp\u00edrico nunca executa de forma pura \u2013 isso de qualquer forma explica por que a religi\u00e3o n\u00e3o pode coincidir com a \u00e9tica, como \u00e9 afirmado. Pois esta \u00e9, por sua vez, uma categoria especial a partir da qual um mundo pode se formar. N\u00e3o precisamos come\u00e7ar pelas diferen\u00e7as entre ambos os mundos; o fato de que ambos s\u00e3o mundos, ou seja, conjuntos de conte\u00fados mundanos que cada um formou em totalidades atrav\u00e9s de um motivo \u00faltimo e predominante, j\u00e1 \u00e9 suficiente para tornar o encaixe total ou parcial de um no outro a mesma contradi\u00e7\u00e3o que seria a mistura do mundo pensado e do mundo extenso para Spinoza. Certamente, o ser humano \u2013 j\u00e1 apontei para isso \u2013 realiza, na limita\u00e7\u00e3o de suas for\u00e7as e interesses, esses mundos poss\u00edveis, por assim dizer ideais, apenas em partes muito pequenas. Assim como ele n\u00e3o transforma todos os conte\u00fados dados diretamente em conhecimento cient\u00edfico, assim como nem todos se tornam cria\u00e7\u00f5es art\u00edsticas para ele, tamb\u00e9m nem todos entram no estado agregado da religi\u00e3o; j\u00e1 que esse processo de forma\u00e7\u00e3o, embora seja, em princ\u00edpio, realiz\u00e1vel em todos os lugares, nem sempre encontra um material igualmente mold\u00e1vel em todos os componentes do mundo e do esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Quer o material ao qual a religiosidade formativa se dirija seja imediato ou j\u00e1 pr\u00e9-formado, puro ou turvo, de qualquer forma, \u00e9 apenas por meio dele, apenas em um complexo de conte\u00fados mundanos, que surge aquilo que historicamente se apresenta como religi\u00e3o. O religioso em sua ess\u00eancia espec\u00edfica, em sua exist\u00eancia pura e livre de qualquer \u201ccoisa\u201d, \u00e9 uma vida; o homem religioso \u00e9 algu\u00e9m que vive de uma maneira espec\u00edfica, \u00fanica para ele, cujos processos an\u00edmicos mostram um ritmo, um tom, uma disposi\u00e7\u00e3o e uma propor\u00e7\u00e3o das energias an\u00edmicas individuais, que s\u00e3o inconfundivelmente diferentes daqueles do homem te\u00f3rico, art\u00edstico ou pr\u00e1tico. Mas tudo isso \u00e9 apenas processo e ainda n\u00e3o \u00e9 uma forma\u00e7\u00e3o. E essa vida, essa fun\u00e7\u00e3o, deve, portanto, se as religi\u00f5es design\u00e1veis, por assim dizer objetivas, v\u00e3o surgir, tomar conte\u00fados e mold\u00e1-los, assim como as categorias <em>a priori<\/em> do conhecimento moldam o mundo te\u00f3rico. E assim como essas categorias do entendimento tornam o conhecimento poss\u00edvel, mas n\u00e3o s\u00e3o, por si mesmas, conhecimento \u2013 da mesma forma, as formas religiosas de pecado e reden\u00e7\u00e3o, de amor e f\u00e9, de devo\u00e7\u00e3o e autoafirma\u00e7\u00e3o como movimentos vitais tornam a religi\u00e3o poss\u00edvel, mas n\u00e3o s\u00e3o a religi\u00e3o em si mesmas; assim como o conte\u00fado que \u00e9 vivido como religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9, por si s\u00f3, religioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Tra\u00e7ado com uma linha estilizada, que n\u00e3o representa o desenvolvimento hist\u00f3rico, mas talvez o sentido t\u00edpico e a ordem atemporal dele, a uni\u00e3o dos dois fatores se realiza da seguinte maneira. O estado de esp\u00edrito religioso do homem, como uma maneira caracter\u00edstica de decorrer de seu processo vital, faz com que todos os poss\u00edveis dom\u00ednios em que esse processo ocorre sejam experimentados como religiosos. E s\u00f3 ent\u00e3o, a partir dessa vida e sentimento de mundo assim afinados, surgem as forma\u00e7\u00f5es especiais com as quais o processo religioso se corporifica ou adquire um objeto. A corrente religiosa, fluindo atrav\u00e9s de conte\u00fados que o intelecto, o pr\u00e1tico e o art\u00edstico ordenam na vida, eleva-os, em nova forma, ao transcendente. A religiosidade, como a qualidade mais \u00edntima da vida, como a incompar\u00e1vel maneira de funcionar de certas exist\u00eancias, conquista, por assim dizer, apenas na jornada atrav\u00e9s da variedade de conte\u00fados do mundo uma subst\u00e2ncia para si mesma e, com isso, se coloca em oposi\u00e7\u00e3o a si mesma, o mundo da religi\u00e3o em oposi\u00e7\u00e3o ao sujeito da religi\u00e3o. Ela deve primeiro colorir os conte\u00fados mundanos com sua maneira de viv\u00ea-los, para ent\u00e3o, abandonando suas formas de realiza\u00e7\u00e3o anteriores, construir a partir de seu valor religioso agora desenvolvido as incont\u00e1veis realidades da f\u00e9, dos deuses e dos fatos de salva\u00e7\u00e3o. Talvez existam tr\u00eas segmentos do c\u00edrculo da vida em que a transposi\u00e7\u00e3o para o tom religioso se destaca especialmente: na rela\u00e7\u00e3o do homem com a natureza externa, com o destino e com o mundo humano ao seu redor. Se essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 religiosa desde o in\u00edcio, de dentro, ent\u00e3o, por assim dizer, ela libera, do outro lado, a religi\u00e3o como forma\u00e7\u00e3o, para a qual a fun\u00e7\u00e3o religiosa agora enriquecida em conte\u00fado, agora e somente no conte\u00fado, se consolidou. Como nossa tarefa aqui \u00e9 desenvolver esse significado na rela\u00e7\u00e3o com o mundo humano, uma indica\u00e7\u00e3o das outras duas rela\u00e7\u00f5es formar\u00e1 o contexto e ajudar\u00e1 a esclarecer a concep\u00e7\u00e3o do religioso que aqui \u00e9 fundamental.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 um tru\u00edsmo j\u00e1 bem conhecido que a religi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nada mais do que certo exagero de fatos emp\u00edrico-ps\u00edquicos, derivados das nossas rela\u00e7\u00f5es naturais. O Deus criador do mundo aparece como uma hipertrofia do impulso causal, o sacrif\u00edcio religioso como uma continua\u00e7\u00e3o da necessidade experimentada de pagar um pre\u00e7o por cada desejo, o medo de Deus como a s\u00edntese e reflex\u00e3o ampliada da superpot\u00eancia que experimentamos continuamente da natureza f\u00edsica. Somente a mais completa superficialidade pode ainda se apoiar nesta hip\u00f3tese. Se realmente fosse apenas um aumento de tais experi\u00eancias sensorialmente vinculadas, n\u00e3o seria poss\u00edvel entender como esse aumento ocorre a partir da rela\u00e7\u00e3o sensorial-emp\u00edrica em si; de modo que essa redu\u00e7\u00e3o justamente omite o verdadeiro problema. Este, pelo contr\u00e1rio, exige a interpreta\u00e7\u00e3o de que as categorias religiosas j\u00e1 est\u00e3o na base, moldando o material desde o in\u00edcio, se este deve ser sentido como religiosamente significativo, se dele devem surgir forma\u00e7\u00f5es religiosas. N\u00e3o \u00e9 o emp\u00edrico que \u00e9 exagerado para se tornar religioso, mas sim o religioso presente no emp\u00edrico que \u00e9 ressaltado. Assim como os objetos da experi\u00eancia s\u00e3o reconhec\u00edveis pelo fato de que as formas e normas do conhecimento atuaram na sua forma\u00e7\u00e3o a partir do mero material sensorial; assim como podemos, portanto, abstrair a lei da causalidade de nossas experi\u00eancias porque formamos nossas experi\u00eancias desde o in\u00edcio de acordo com ela, o que as torna \u201cexperi\u00eancias\u201d em primeiro lugar, \u2013 da mesma forma, as coisas s\u00e3o religiosamente significativas e se elevam a forma\u00e7\u00f5es transcendentais porque e na medida em que foram inicialmente recebidas sob a categoria religiosa e esta determinou sua forma\u00e7\u00e3o, antes mesmo de serem conscientemente e completamente consideradas religiosas. Se realmente Deus como criador do mundo surge da compuls\u00e3o de continuidade da cadeia causal, ent\u00e3o o elemento religioso, que se eleva ao transcendente, j\u00e1 est\u00e1 presente nas etapas mais baixas do processo causal. Por um lado, \u00e9 claro que este permanece dentro do conhecimento concreto e conecta um elemento dado ao pr\u00f3ximo; mas al\u00e9m disso, o ritmo incessante desse movimento traz consigo um tom de insatisfa\u00e7\u00e3o com tudo o que \u00e9 dado, de degrada\u00e7\u00e3o de cada elemento individual a uma nulidade desaparecendo em uma cadeia imensa, \u2013 em suma, um som da tonalidade religiosa j\u00e1 paira no movimento causal desde o in\u00edcio. \u00c9 o mesmo movimento de pensamento que, dependendo da camada em que o deixamos ocorrer, dependendo dos acentos emocionais com que o dotamos, leva a um mundo de natureza reconhec\u00edvel ou a um ponto situado no transcendente. Deus como causa do mundo significa que deste processo, que desde o in\u00edcio decorre em uma categoria religiosa, seu sentido interno se cristalizou, assim como a lei causal abstrata significa que do processo causal, enquanto ocorre sob a categoria do conhecimento, sua f\u00f3rmula foi extra\u00edda. Nunca a continuidade infinita da cadeia de causas, como ela ordena o mundo empiricamente reconhec\u00edvel, teria se elevado a um Deus, nunca se poderia compreender o salto para o mundo religioso apenas a partir dela \u2013 se essa cadeia n\u00e3o pudesse tamb\u00e9m ocorrer sob a \u00e9gide do sentimento religioso, para o qual o Deus criador do mundo \u00e9 a express\u00e3o final, a subst\u00e2ncia em que a religiosidade vivida em um lado e no sentido desse processo pode se manifestar. \u00c9 mais f\u00e1cil entender como nossa liga\u00e7\u00e3o emocional com a natureza externa pode se desenvolver sob o signo religioso, e como esse desenvolvimento se reflete no objeto da religi\u00e3o. A natureza ao nosso redor nos desperta ora para o prazer est\u00e9tico, ora para o medo e o terror e a sensa\u00e7\u00e3o do sublime em sua superpot\u00eancia \u2013 o primeiro, quando algo que sentimos essencialmente como estranho e eternamente oposto a n\u00f3s, de repente nos parece transparente e acess\u00edvel; o segundo, quando o puramente f\u00edsico, que nos \u00e9 indiferente e compreens\u00edvel como tal, assume uma escurid\u00e3o terrivelmente impenetr\u00e1vel \u2013, ora para aquele sentimento fundamental dif\u00edcil de analisar, que eu s\u00f3 poderia chamar de como\u00e7\u00e3o absoluta: quando somos subitamente tomados e movidos nas profundezas, n\u00e3o por uma beleza ou sublimidade extraordin\u00e1ria da manifesta\u00e7\u00e3o da natureza, mas frequentemente por um raio de sol atravessando uma folha, ou pela curvatura de um galho ao vento, por algo aparentemente n\u00e3o particularmente not\u00e1vel, que, como por uma conson\u00e2ncia secreta com nosso fundamento essencial, faz esse vibrar em movimentos passionais. Todas essas sensa\u00e7\u00f5es podem ocorrer sem ultrapassar sua imediata condi\u00e7\u00e3o, ou seja, sem qualquer valor religioso; no entanto, elas tamb\u00e9m podem assumir esse valor sem alterar seu conte\u00fado de forma alguma. Sentimos, durante tais como\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes uma certa tens\u00e3o ou entusiasmo, uma humildade ou gratid\u00e3o, um arrebatamento, como se uma alma estivesse falando conosco atrav\u00e9s do seu objeto \u2013 tudo isso pode ser descrito apenas como religioso. Isso ainda n\u00e3o \u00e9 religi\u00e3o; mas \u00e9 o processo que se torna religi\u00e3o ao se prolongar no transcendente, transformando sua pr\u00f3pria ess\u00eancia em seu objeto e parecendo receber-se de volta deste. O que foi chamado de prova teleol\u00f3gica da exist\u00eancia de Deus: que a beleza, forma\u00e7\u00e3o e ordem do mundo indicam um poder absoluto que constr\u00f3i com prop\u00f3sito, \u2013 n\u00e3o \u00e9 nada al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o l\u00f3gica desse processo religioso. Certas sensa\u00e7\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 natureza s\u00e3o experimentadas n\u00e3o apenas na categoria puramente subjetiva ou est\u00e9tica ou metaf\u00edsica, mas tamb\u00e9m na religiosa; e assim como o objeto emp\u00edrico significa para n\u00f3s o ponto de interse\u00e7\u00e3o onde uma s\u00e9rie de impress\u00f5es sensoriais se encontram, ou at\u00e9 onde elas se prolongam, o objeto da religi\u00e3o \u00e9 tal ponto, no qual sentimentos como os mencionados encontram sua unidade, ao se projetarem de si mesmos. Eles o constituem a partir de si, e porque ele \u00e9 o produto de todos eles, parece representar ao indiv\u00edduo o ponto de irradia\u00e7\u00e3o das linhas religiosas, um ser preexistente. A vida religiosa, que molda conte\u00fados do mundo, tornou-se nele uma subst\u00e2ncia religiosa pr\u00f3pria. \u2013 Desde j\u00e1 e para tudo o que segue, deve-se observar que a realidade dos objetos religiosos, al\u00e9m de sua consci\u00eancia e significado humano-psicol\u00f3gico, n\u00e3o est\u00e1 sendo abordada aqui; nossa tarefa \u00e9 apenas psicol\u00f3gica e continua sendo, mesmo quando se busca n\u00e3o a forma\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica real das concep\u00e7\u00f5es religiosas, mas o que poderia ser chamado de a l\u00f3gica da psicologia, e as conex\u00f5es de sentido que tornam compreens\u00edveis tamb\u00e9m esses desenvolvimentos historicamente reais.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo campo no qual a alma pode entrar em rela\u00e7\u00f5es religiosas \u00e9 o destino. Em geral, pode-se descrever como destino as influ\u00eancias que afetam o desenvolvimento de uma pessoa atrav\u00e9s daquilo que n\u00e3o \u00e9 ela mesma, independentemente de seu pr\u00f3prio agir e ser estar misturado com essas for\u00e7as determinantes; pois aqui o interno e algo externo a ele se encontram, o conceito de destino, visto de dentro, cont\u00e9m um elemento de acaso que mostra sua tens\u00e3o contra o sentido vindo de dentro de nossas vidas, mesmo quando o destino aparece como o exato executor deste \u00faltimo. Como nossos sentimentos podem se posicionar em rela\u00e7\u00e3o ao destino: resignados ou rebeldes, esperan\u00e7osos ou desesperados, exigentes ou satisfeitos \u2013 podem ser totalmente irreligiosos, mas tamb\u00e9m totalmente religiosos. Devido a esse elemento de exterioridade, h\u00e1 algo em todo \u201cdestino\u201d que n\u00e3o \u00e9 compreens\u00edvel a partir de n\u00f3s mesmos, e essa \u00e9 uma \u00e1rea onde ele adquire o selo religioso. N\u00e3o menos pelo fato de que tudo o que \u00e9 acidental, na medida em que \u00e9 sentido como \u201cdestino\u201d, ainda tem um significado. Quando o acidental nos aparece sob a categoria de destino, torna-se, apesar de todo seu conte\u00fado doloroso, mais suport\u00e1vel, pois agora parece estar direcionado a n\u00f3s, despojado de sua indiferen\u00e7a. O acaso adquire assim uma dignidade, que tamb\u00e9m \u00e9 nossa. \u00c9 uma eleva\u00e7\u00e3o do ser humano ter um destino, ou seja, formar uma soma de acasos de acordo com um sentido, por mais problem\u00e1tico que seja, mas que ainda se refere a n\u00f3s. Com isso, o conceito de destino, por sua estrutura, est\u00e1 predisposto a receber o sentimento religioso, que ent\u00e3o, por assim dizer, carrega consigo a ideia da predestina\u00e7\u00e3o. Aqui importa que a colora\u00e7\u00e3o religiosa n\u00e3o irradie de um poder transcendente acreditado para a experi\u00eancia, mas seja uma qualidade especial do pr\u00f3prio sentimento, uma concentra\u00e7\u00e3o ou impulso, uma consagra\u00e7\u00e3o ou contri\u00e7\u00e3o que \u00e9 em si mesma religiosa: ela gera aquele objeto da religi\u00e3o como sua objetiva\u00e7\u00e3o ou imagem oposta, assim como a sensa\u00e7\u00e3o cria seu objeto, que ainda assim lhe \u00e9 contraposto. Mesmo nas coisas do destino, que por defini\u00e7\u00e3o s\u00e3o independentes de n\u00f3s, a experi\u00eancia, na medida em que se desenrola no dom\u00ednio da religi\u00e3o, \u00e9 moldada pelas for\u00e7as religiosas produtivas que est\u00e3o em nossa base; ela concorda com as categorias da objetividade religiosa porque estas a moldaram desde o in\u00edcio. Assim, por exemplo, \u201cpara aqueles que amam a Deus, todas as coisas cooperam para o bem\u201d. N\u00e3o exatamente que as coisas estejam l\u00e1 e a m\u00e3o de Deus des\u00e7a das nuvens para organiz\u00e1-las de maneira ben\u00e9fica para seus queridos filhos. Em vez disso, a pessoa religiosa vive as coisas desde o in\u00edcio de uma forma que elas n\u00e3o podem deixar de lhe conceder os bens que ele, como religioso, deseja. Como os destinos se desenrolam dentro dos planos da felicidade terrena, do sucesso exterior, da compreensibilidade intelectual, dentro do religioso, eles s\u00e3o imediatamente acompanhados por tais tens\u00f5es emocionais, organizados em tais escalas de valores e iluminados por tais interpreta\u00e7\u00f5es que devem se encaixar precisamente no sentido da religi\u00e3o, o cuidado de Deus pelo bem-estar de seus filhos; \u2013 assim como o mundo deve seguir causalmente para o conhecimento, porque, capturado no plano do conhecimento, \u00e9 moldado <em>a priori<\/em> pela categoria da causalidade que opera nele. Da mesma forma, a amplitude formal, que \u00e9 caracter\u00edstica da categoria do destino em todas as nossas categorias de vida, a torna apta a elevar a vibra\u00e7\u00e3o da vida religiosa do estado virtual para o atual e ao conceito do Absoluto Divino. Um momento do misticismo alem\u00e3o pode esclarecer isso. Para Eckhart, Deus \u00e9 absolutamente simples e indistinto, mas ele cont\u00e9m em si todos os seres distintos; eles s\u00e3o Deus mesmo e, ao mesmo tempo, \u201ccomo um nada\u201d nele; ele criou o mundo e, na verdade, n\u00e3o o criou, pois a cria\u00e7\u00e3o \u00e9 eterna; Deus \u201cflui em toda criatura e, no entanto, permanece intocado por tudo\u201d; ele est\u00e1 nas coisas, mas \u201ctanto\u201d tamb\u00e9m est\u00e1 acima delas; a alma \u00e9 atrav\u00e9s de Deus e nada sem ele, mas Deus tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 nada sem a alma; ver Deus \u00e9 o mesmo que ser visto por Deus. Tudo isso e muito mais semelhante foi considerado como contradi\u00e7\u00f5es e correntes de pensamento irreconcili\u00e1veis \u2013 e n\u00e3o se percebe o enorme motivo subjacente a tudo isso: que n\u00e3o h\u00e1 uma rela\u00e7\u00e3o conceb\u00edvel entre Deus e o mundo que n\u00e3o seja real! Esta forma assume o <em>Ens realissimum<\/em> para o misticismo, que coloca no lugar do Deus objetivo a rela\u00e7\u00e3o com Deus \u2013 em certo sentido, aquele fato religioso que se apresenta como a objetiva\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima e imediata do processo de vida religiosa subjetiva. Assim, pode ser frequentemente a amplitude de nossos destinos que, acolhida pela fun\u00e7\u00e3o de vida religiosa interna, mostra o caminho para a infinita amplitude do Divino. Como o conhecimento n\u00e3o cria a causalidade, mas a causalidade cria o conhecimento, n\u00e3o \u00e9 a religi\u00e3o que cria a religiosidade, mas a religiosidade que cria a religi\u00e3o. No destino, tal como o homem o experimenta com certo estado interior, tecem-se rela\u00e7\u00f5es, significados, sentimentos que por si s\u00f3 ainda n\u00e3o s\u00e3o religi\u00e3o, cujo conte\u00fado factual para almas com diferentes estados de \u00e2nimo nunca tem algo a ver com ela; mas que, descolados dessas fatualidades e, por assim dizer, colados pela religiosidade que os permeia, formam assim um reino do objetivo para si, criando assim \u201ca religi\u00e3o\u201d, que aqui significa: o mundo objetivo da f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>E agora, finalmente chego \u00e0s rela\u00e7\u00f5es do homem com o mundo humano e \u00e0s fontes da religi\u00e3o que nelas fluem; tamb\u00e9m nelas atuam for\u00e7as e significados que n\u00e3o emprestam uma colora\u00e7\u00e3o religiosa de uma religi\u00e3o j\u00e1 existente, mas que possuem essa colora\u00e7\u00e3o como a disposi\u00e7\u00e3o de vida de seus portadores e agora, inversamente, desenvolvem a religi\u00e3o como um constructo espiritual-objetivo a partir de si mesmas. A religi\u00e3o em seu est\u00e1gio de conclus\u00e3o, o complexo an\u00edmico inteiro que se liga ao ser transcendente, aparece como a forma absoluta e unificada de sentimentos e impulsos que j\u00e1 desenvolvem o pr\u00f3prio modo social de vida, na medida em que \u2013 como disposi\u00e7\u00e3o ou fun\u00e7\u00e3o \u2013 est\u00e1 orientado religiosamente, em esbo\u00e7os e tentativas. Para compreender isso, \u00e9 necess\u00e1rio um olhar sobre o princ\u00edpio da estrutura sociol\u00f3gica, assim como antes sobre o da religiosa. A vida da sociedade consiste nas inter-rela\u00e7\u00f5es de seus elementos \u2013 inter-rela\u00e7\u00f5es que, por um lado, se dissolvem em a\u00e7\u00f5es e rea\u00e7\u00f5es moment\u00e2neas e, por outro, se corporificam em estruturas fixas: em cargos e leis, ordens e posses, linguagem e meios de comunica\u00e7\u00e3o. Todas essas intera\u00e7\u00f5es sociais surgem com base em certos interesses, objetivos e impulsos. Estes formam, por assim dizer, a mat\u00e9ria que se realiza socialmente no lado a lado e na coopera\u00e7\u00e3o, no apoio m\u00fatuo e na oposi\u00e7\u00e3o entre os indiv\u00edduos. Essa subst\u00e2ncia da vida pode persistir, enquanto uma variedade dessas formas a absorve alternadamente; e, inversamente, nas formas inalteradas das intera\u00e7\u00f5es, os conte\u00fados mais diversos podem entrar. Assim, algumas normas e resultados da vida p\u00fablica podem ser sustentados tanto pelo jogo livre de for\u00e7as concorrentes quanto pela supervis\u00e3o reguladora de elementos inferiores por superiores; assim, muitos interesses sociais \u00e0s vezes s\u00e3o preservados pela organiza\u00e7\u00e3o familiar, para depois ou em outros lugares serem assumidos por associa\u00e7\u00f5es puramente profissionais ou pela administra\u00e7\u00e3o estatal. Uma das formas mais t\u00edpicas da vida social, uma daquelas normas fixas de vida atrav\u00e9s das quais a sociedade garante o comportamento adequado de seus membros, \u00e9 o costume \u2013 em contextos culturais inferiores, a forma t\u00edpica de a\u00e7\u00e3o e omiss\u00e3o socialmente requerida em geral. Exatamente as mesmas condi\u00e7\u00f5es de vida da sociedade, que mais tarde s\u00e3o codificadas como leis e impostas pelo poder estatal por um lado, e por outro lado deixadas \u00e0 liberdade do homem cultivado e disciplinado, s\u00e3o garantidas em c\u00edrculos mais fechados e primitivos por aquela peculiar supervis\u00e3o direta do ambiente sobre o indiv\u00edduo, que se chama costume. Costume, direito, moralidade livre do indiv\u00edduo s\u00e3o diferentes formas de liga\u00e7\u00e3o dos elementos sociais, que podem ter todos exatamente os mesmos mandamentos como conte\u00fado e que em diferentes povos e em diferentes \u00e9pocas realmente t\u00eam. Entre essas formas, com as quais a coletividade garante um comportamento correto do indiv\u00edduo, tamb\u00e9m est\u00e3o inclu\u00eddas as religi\u00f5es. A transforma\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es em religiosas caracteriza frequentemente um de seus est\u00e1gios de desenvolvimento. O mesmo conte\u00fado que antes e depois \u00e9 sustentado por outras formas de rela\u00e7\u00e3o entre as pessoas, assume em um per\u00edodo a forma de rela\u00e7\u00e3o religiosa. Isso \u00e9 mais claro em legisla\u00e7\u00f5es que, em certos momentos e lugares, mostram um car\u00e1ter teocr\u00e1tico, totalmente sob san\u00e7\u00e3o religiosa, para serem garantidas em outro lugar pelo poder estatal ou pelo costume. Sim, parece que a ordem necess\u00e1ria da sociedade muitas vezes teria partido de uma forma totalmente indiferenciada, na qual a san\u00e7\u00e3o moral, religiosa e jur\u00eddica ainda repousava em uma unidade n\u00e3o separada \u2013 como o <em>Dharma<\/em> dos indianos, a <em>Themis<\/em> dos gregos, o <em>Fas<\/em> dos latinos \u2013 e que ent\u00e3o, de acordo com as diversas circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas, ora uma, ora outra forma de forma\u00e7\u00e3o se desenvolveu como portadora de tais ordens. Aqui e ali, pode-se ainda encontrar algo dos est\u00e1gios desse desenvolvimento. Quando se conta dos eg\u00edpcios na \u00e9poca romana e antes dela que eles suportaram pacificamente o dom\u00ednio estrangeiro, talvez mal o tenham sentido, contanto que as ideias e pr\u00e1ticas religiosas n\u00e3o fossem tocadas, e que essas estivessem de fato quase solidariamente ligadas \u00e0 forma de vida do pa\u00eds \u2013 ent\u00e3o, provavelmente, ainda estava ativo aquele conceito normativo abrangente que apenas para a consci\u00eancia e a pr\u00e1tica era representado ou preferencialmente concentrado em um dos elementos que dele poderiam ser desdobrados, o religioso. O aspecto abrangente e poderoso, mas ao mesmo tempo peculiarmente confuso e n\u00e3o esclarecido da ess\u00eancia religiosa eg\u00edpcia talvez se explique assim: a partir do conceito coletivo anteriormente indiferenciado do que \u00e9 valioso ou \u201cem ordem\u201d, o fator religioso pode ter se desenvolvido externamente, mas permaneceu internamente entrela\u00e7ado com ele. Este movimento cultural dos conte\u00fados na sua variada regress\u00e3o de formas normativas \u2013 do costume para o direito, mas tamb\u00e9m do direito para o costume, do dever humanit\u00e1rio para a san\u00e7\u00e3o religiosa, mas tamb\u00e9m desta para aquele \u2013 est\u00e1 de alguma forma ligado a outro movimento: os conte\u00fados pr\u00e1ticos e te\u00f3ricos da vida, ao longo da hist\u00f3ria, passam do claro entendimento consciente para pressupostos e h\u00e1bitos inconscientes e autoevidentes, enquanto outros, e muitas vezes os mesmos, passam de um est\u00e1gio instintivamente inconsciente para o da compreens\u00e3o clara e da presta\u00e7\u00e3o de contas. Quando o direito determina nossas a\u00e7\u00f5es, cont\u00e9m um quantum de consci\u00eancia muito maior do que quando o costume faz isso; a moralidade livre, baseada apenas na consci\u00eancia, distribui consci\u00eancia e inconsci\u00eancia de maneira muito diferente em nossos impulsos de a\u00e7\u00e3o do que a regula\u00e7\u00e3o social o faz; na san\u00e7\u00e3o religiosa, a tens\u00e3o entre os sentimentos vagos que acompanham e a clareza sobre o prop\u00f3sito da a\u00e7\u00e3o \u00e9 muito maior do que na imposta pelo costume, etc. \u00c9 caracter\u00edstico desta evolu\u00e7\u00e3o que a simples mudan\u00e7a na intensidade de uma rela\u00e7\u00e3o a fa\u00e7a circular atrav\u00e9s de uma multiplicidade de san\u00e7\u00f5es: em tempos de patriotismo exaltado, a rela\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo com seu grupo adquire uma santidade, uma intimidade, uma dedica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o apenas \u00e9 por si mesma de natureza religiosa, um ato de religiosidade, mas tamb\u00e9m leva a um apelo mais forte ao poder divino, ordenando muito mais decididamente seus impulsos diretamente a excita\u00e7\u00f5es religiosas do que nos tempos cotidianos, quando essas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o guiadas pela conven\u00e7\u00e3o ou pela lei estatal. Isso tamb\u00e9m \u00e9 uma intensifica\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia das rela\u00e7\u00f5es patri\u00f3ticas. Situa\u00e7\u00f5es de perigo, agita\u00e7\u00e3o apaixonada, triunfo do conjunto pol\u00edtico, que ajustam os sentimentos do indiv\u00edduo em rela\u00e7\u00e3o a isso \u00e0 colora\u00e7\u00e3o e ordem religiosa, enfatizam essa rela\u00e7\u00e3o para a consci\u00eancia de forma muito mais forte do que os per\u00edodos de validade exclusiva das outras normas, das quais aquela mais abrangente e calorosa se eleva e \u00e0s quais ela retorna. Rela\u00e7\u00f5es privadas, acess\u00edveis a san\u00e7\u00f5es religiosas, geralmente invocam essas san\u00e7\u00f5es nos momentos em que a consci\u00eancia est\u00e1 mais concentrada nelas: como o casamento no momento em que \u00e9 contra\u00eddo, como no medieval muitos contratos no ponto correspondente. A vida dos puritanos se destacou por uma consci\u00eancia exacerbada a um n\u00edvel doentio de cada momento da vida, pela presta\u00e7\u00e3o de contas mais consciente sobre cada a\u00e7\u00e3o e pensamento \u2013 e isso porque a norma religiosa havia subordinado incondicionalmente todos os detalhes da vida, n\u00e3o reconhecendo qualquer outra san\u00e7\u00e3o como leg\u00edtima. Mas tamb\u00e9m inversamente: a imensa import\u00e2ncia da organiza\u00e7\u00e3o de cl\u00e3s essencialmente pr\u00e9-hist\u00f3rica muitas vezes desbotou para uma mera signific\u00e2ncia religiosa com o predom\u00ednio do poder estatal. Certamente, ela sempre foi tamb\u00e9m uma comunidade de culto. No entanto, obviamente, al\u00e9m de incluir uma comunidade de resid\u00eancia, propriedade, prote\u00e7\u00e3o jur\u00eddica e armada, teve uma \u00eanfase muito mais forte na consci\u00eancia dos interesses do que nas \u00e9pocas em que significava apenas uma comunidade de festas e sacrif\u00edcios, como na Antiguidade tardia e na China de hoje. Aqui, a san\u00e7\u00e3o exclusivamente religiosa da uni\u00e3o teve de andar de m\u00e3os dadas com um acento reduzido na unidade do grupo e sua signific\u00e2ncia. A dire\u00e7\u00e3o oposta prevaleceu entre o direito sacral romano e o direito criminal. A mentalidade puramente l\u00f3gica e terrena dos romanos parece rejeitar a ideia que est\u00e1 na puni\u00e7\u00e3o simultaneamente terrena e divina do mesmo delito. Se o juiz criminal assumiu o caso, o sacerdote deve recuar, porque a ideia de que a totalidade do terreno ainda est\u00e1 sujeita a uma responsabilidade superior \u00e9 completamente estranha a esse povo. Por isso, observa-se que a import\u00e2ncia moral da religi\u00e3o entre eles diminui na mesma medida em que os crimes originalmente expiados pelo direito sacral passam para o direito criminal. Embora isso n\u00e3o esgote a ess\u00eancia dos tipos de normatiza\u00e7\u00e3o, pode tornar plaus\u00edvel como todas essas normas s\u00e3o, por assim dizer, diferentes estados agregados da alma e suas mudan\u00e7as s\u00e3o apenas realoca\u00e7\u00f5es formais dos mesmos conte\u00fados pr\u00e1ticos da vida. Onde esses conte\u00fados s\u00e3o colocados sob a \u00e9gide da religi\u00e3o, esta j\u00e1 deve, \u00e9 claro, existir previamente. No entanto, o que \u00e9 decisivo aqui n\u00e3o s\u00e3o as concep\u00e7\u00f5es dogm\u00e1ticas sobre as entidades transcendentes, que servem apenas como meios de san\u00e7\u00e3o, mas sim que o necess\u00e1rio social adquire um grau de firmeza, um acompanhamento emocional, uma consagra\u00e7\u00e3o que expressa seu grau de necessidade em um tom que n\u00e3o pode ser alcan\u00e7ado de outra forma, desenvolvendo assim um novo estado agregado da norma social.<\/p>\n\n\n\n<p>Sejam regulamentos de sa\u00fade p\u00fablica refor\u00e7ados como mandamentos divinos, como na legisla\u00e7\u00e3o judaica antiga; seja, como nos s\u00e9culos VII e VIII nas regi\u00f5es do cristianismo germ\u00e2nico, assassinato e perj\u00fario sendo transferidos para a jurisdi\u00e7\u00e3o eclesi\u00e1stica e expiados pelo bispo atrav\u00e9s da penit\u00eancia eclesi\u00e1stica como viola\u00e7\u00f5es da ordem divina; seja a obedi\u00eancia ao pr\u00edncipe surgindo como consequ\u00eancia de sua autoridade de direito divino \u2013 em todos esses casos, desenvolvem-se rela\u00e7\u00f5es dentro da sociedade que, sem sua signific\u00e2ncia social, nunca teriam ascendido ao n\u00edvel religioso \u2013 tamb\u00e9m n\u00e3o sem que o processo de vida que as sustenta, por assim dizer, mesmo antes de encontrar os conte\u00fados sociais ou qualquer conte\u00fado, corra com car\u00e1ter funcionalmente religioso. Mas em certas rela\u00e7\u00f5es sociol\u00f3gicas, h\u00e1 tens\u00f5es emocionais e significados que as predestinam \u00e0 ado\u00e7\u00e3o da forma religiosa. Assim, a estrutura religiosa ou seus aspectos individuais podem crescer a partir do social e, em seguida, se opor a ele como algo independente, porque esse social forma, por assim dizer, um canal atrav\u00e9s do qual essa disposi\u00e7\u00e3o de vida pode fluir, preservando sua dire\u00e7\u00e3o e ainda assim levando do territ\u00f3rio por onde passa uma forma ou uma subst\u00e2ncia, por assim dizer, uma possibilidade de se tornar uma estrutura. As rela\u00e7\u00f5es sociais nunca teriam invocado esse transcendente \u2013 como muitas outras normas coordenadas a elas de v\u00e1rias formas realmente n\u00e3o fizeram \u2013 se n\u00e3o fosse o seu valor emocional, sua for\u00e7a unificadora, sua intensidade, que as predisp\u00f4s a essa proje\u00e7\u00e3o no n\u00edvel religioso.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abaixo voc\u00ea ir\u00e1 ler um trecho da obra &#8220;Sociologia da Religi\u00e3o&#8221;, de Georg Simmel. Caso deseje saber mais sobre o livro, ou queira adquiri-lo, clique aqui, ou na imagem da capa abaixo. I N\u00e3o \u00e9 uma experi\u00eancia totalmente rara que for\u00e7as de natureza pessoal e objetiva, ao intervir em nossa\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/10\/10\/sociologia-da-religiao-de-georg-simmel\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1070,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,42],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1075"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1075"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1075\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1077,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1075\/revisions\/1077"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1070"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1075"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1075"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1075"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}