{"id":1196,"date":"2025-01-17T16:51:00","date_gmt":"2025-01-17T16:51:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=1196"},"modified":"2025-03-17T16:55:19","modified_gmt":"2025-03-17T16:55:19","slug":"dialogos-piticos-de-plutarco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2025\/01\/17\/dialogos-piticos-de-plutarco\/","title":{"rendered":"Di\u00e1logos P\u00edticos de Plutarco"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler, a seguir, um trecho de &#8220;Di\u00e1logos P\u00edticos&#8221; de Plutarco. Caso deseje conhecer mais sobre a obra, ou saber como adquiri-la, <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/dialogos-piticos\/\">clique aqui<\/a> ou na capa abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/dialogos-piticos\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/capinha_plutarco.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1151\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/capinha_plutarco.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/capinha_plutarco-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/capinha_plutarco-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>I. Sobre o \u201cE\u201d em Delfos<\/a><\/h1>\n\n\n\n<p>I. H\u00e1 um ou dois dias, caro Sarapi\u00e3o<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, deparei-me com alguns versos bastante bons, que Dicearco<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> acredita terem sido dirigidos a Arquelau por Eur\u00edpides<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o quero, sendo pobre, dar presentes a um rico,<\/p>\n\n\n\n<p>n\u00e3o me considere tolo, nem pense que ao dar estou pedindo<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\"><strong>[4]<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem, de seus modestos recursos, oferece pequenos presentes a homens de grandes posses n\u00e3o concede favor algum; ningu\u00e9m acredita que ele d\u00e1 algo sem interesse e acaba ganhando fama de ciumento e mesquinho. Ora, assim como presentes em dinheiro s\u00e3o inferiores aos de literatura e aprendizado, h\u00e1 beleza em oferecer estes \u00faltimos e beleza em esperar uma retribui\u00e7\u00e3o na mesma medida. De qualquer forma, estou enviando a voc\u00ea, e assim aos meus amigos da\u00ed<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, alguns de nossos Di\u00e1logos P\u00edticos como uma esp\u00e9cie de prim\u00edcias; e, ao fazer isso, confesso que espero outros de voc\u00ea, maiores e melhores, j\u00e1 que voc\u00ea desfruta de uma grande cidade, amplo lazer, muitos livros e discuss\u00f5es de todo tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>Bem, nosso bondoso Apolo, nos or\u00e1culos que d\u00e1 aos seus consulentes, parece resolver os problemas da vida e encontrar rem\u00e9dios, enquanto problemas intelectuais ele realmente sugere e prop\u00f5e ao amor inato pela sabedoria na alma, implantando assim um apetite que conduz \u00e0 verdade. Entre muitos outros exemplos, isso \u00e9 claramente demonstrado na consagra\u00e7\u00e3o da letra E. Podemos supor que n\u00e3o foi por acaso ou sorte que, sozinha entre as letras, ela recebeu preemin\u00eancia na casa do deus e foi elevada a uma oferta sagrada e objeto de exposi\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, os oficiais do deus, em tempos antigos, quando come\u00e7aram a especular, ou perceberam nela uma virtude especial e extraordin\u00e1ria, ou a consideraram um s\u00edmbolo de algo de grande import\u00e2ncia, e assim a adotaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu mesmo muitas vezes evitei a quest\u00e3o e a recusei discretamente quando levantada na escola. No entanto, recentemente fui surpreendido por meus filhos em uma discuss\u00e3o s\u00e9ria com alguns estrangeiros que estavam partindo de Delfos; n\u00e3o seria decente adi\u00e1-los com desculpas, pois estavam ansiosos por alguma explica\u00e7\u00e3o. Sentamo-nos perto do templo, e comecei a levantar quest\u00f5es comigo mesmo e a coloc\u00e1-las para eles; o lugar e o que disseram me lembraram uma discuss\u00e3o que ouvimos h\u00e1 muito tempo de Am\u00f4nio e outros, na \u00e9poca da visita de Nero<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, quando o mesmo problema foi levantado aqui da mesma forma.<\/p>\n\n\n\n<p>II. Que o deus \u00e9 t\u00e3o fil\u00f3sofo quanto profeta pareceu evidente para todos, diretamente a partir da exposi\u00e7\u00e3o que Am\u00f4nio fez de cada um de seus nomes. Ele \u00e9 \u201cP\u00edtio\u201d (O Inquiridor) para aqueles que est\u00e3o come\u00e7ando a aprender e a investigar; \u201cDeliano\u201d (O Claro) e \u201cFaneu\u201d (L\u00facido) para aqueles que j\u00e1 est\u00e3o obtendo algo claro e um vislumbre da verdade; \u201cIsm\u00eanio\u201d (O S\u00e1bio) para aqueles que possuem o conhecimento; \u201cLesquen\u00f3rio\u201d (deus da Conversa) quando est\u00e3o em pleno desfrute do interc\u00e2mbio dial\u00e9tico e filos\u00f3fico.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora\u201d, continuou ele, \u201ccomo a Filosofia abrange investiga\u00e7\u00e3o, admira\u00e7\u00e3o e d\u00favida, parece natural que a maioria das coisas relacionadas ao deus tenha sido ocultada em enigmas e exija uma explica\u00e7\u00e3o de seu prop\u00f3sito e uma an\u00e1lise de sua causa. Por exemplo, no caso do fogo eterno<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, o fato de que aqui s\u00f3 s\u00e3o usadas madeiras de pinheiro para queimar e de louro para incensar; novamente, o fato de que h\u00e1 apenas duas Moiras instaladas aqui<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, enquanto em outros lugares seu n\u00famero \u00e9 considerado tr\u00eas; por que nenhuma mulher \u00e9 permitida no local dos or\u00e1culos<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>; quest\u00f5es sobre o tr\u00edpode<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a> e outros aspectos similares.\u201d Esses problemas, quando sugeridos a pessoas n\u00e3o desprovidas de raz\u00e3o e alma, atraem-nas, desafiando-as a investigar, ouvir e discutir. Veja novamente aquelas inscri\u00e7\u00f5es: CONHECE-TE A TI MESMO e NADA EM EXCESSO; quantas investiga\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas elas provocaram! Quantos argumentos surgiram de cada uma delas, como de uma semente! Nenhum desses temas, creio eu, \u00e9 mais frut\u00edfero nesse aspecto do que o objeto de nossa presente investiga\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>III. Quando Am\u00f4nio disse isso, meu irm\u00e3o L\u00e2mpreas falou:<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Afinal, o relato que ouvimos sobre o assunto \u00e9 bastante simples e bem breve. Dizem que os famosos S\u00e1bios, tamb\u00e9m chamados por alguns de \u201cSofistas\u201d, eram propriamente apenas cinco: Quilon, Tales, S\u00f3lon, B\u00edas e P\u00edtaco. Mas Cle\u00f3bulo, tirano de Lindos, e, mais tarde, Periandro de Corinto, homens sem sabedoria ou virtude, mas que for\u00e7aram a opini\u00e3o p\u00fablica por meio de influ\u00eancia, amigos e favores, se colocaram na lista dos s\u00e1bios e disseminaram pela Gr\u00e9cia m\u00e1ximas e ditos que imitavam as declara\u00e7\u00f5es dos cinco.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o os cinco ficaram irritados, mas n\u00e3o quiseram expor a impostura ou entrar em uma disputa aberta sobre o t\u00edtulo, nem lutar contra pessoas t\u00e3o poderosas. Reuniram-se aqui entre eles e, ap\u00f3s discutirem o assunto, dedicaram a letra que \u00e9 a quinta do alfabeto e que, como n\u00famero, simboliza cinco, protestando assim perante o deus que eram cinco, descartando e rejeitando o sexto e o s\u00e9timo, como n\u00e3o tendo parte nem heran\u00e7a entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Que este relato n\u00e3o \u00e9 absurdo pode ser reconhecido por qualquer um que tenha ouvido os oficiais do templo nomeando o \u201cE\u201d dourado como sendo o de L\u00edvia, esposa de C\u00e9sar, o de bronze como sendo dos atenienses, enquanto a letra original e mais antiga, feita de madeira, at\u00e9 hoje \u00e9 chamada de \u201cDos S\u00e1bios\u201d, como sendo a oferenda de todos em comum, e n\u00e3o de qualquer um deles individualmente.\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>IV. Am\u00f4nio deu um leve sorriso; ele desconfiava que L\u00e2mpreas estivesse nos apresentando sua pr\u00f3pria vis\u00e3o, inventando hist\u00f3rias e lendas \u00e0 vontade. Algu\u00e9m comentou que aquilo era semelhante \u00e0s bobagens que ouviram de um estrangeiro caldeu h\u00e1 um ou dois dias; ele disse que h\u00e1 sete letras que s\u00e3o vogais, sete estrelas que t\u00eam movimento independente e n\u00e3o est\u00e3o fixas no c\u00e9u; al\u00e9m disso, que E \u00e9 a segunda vogal a partir do in\u00edcio e o sol o segundo planeta, depois da lua, e que todos os gregos, ou quase todos, identificam Apolo com o sol.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMas tudo isso\u201d, disse ele, \u201c\u00e9 um pernicioso absurdo\u201d. L\u00e2mpreas, no entanto, provavelmente sem saber, fez uma afirma\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a> que agitou todos os que t\u00eam algo a ver com o templo contra sua vis\u00e3o. O que ele nos contou era desconhecido por qualquer um dos de Delfos; eles costumavam apresentar a explica\u00e7\u00e3o habitual dos guias, de que nem a apar\u00eancia nem o som da letra t\u00eam qualquer significado, apenas o nome.\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>V. \u2018De fato, segundo acreditam os de Delfos\u2019, disse Nicandro, o sacerdote, falando em nome deles, \u2018que a letra \u00e9 um ve\u00edculo, uma forma assumida pelo pedido dirigido ao deus; ela ocupa um lugar de destaque nas perguntas feitas pelos que o consultam, como: Se vencer\u00e3o? Se devem casar? Se \u00e9 aconselh\u00e1vel navegar? Se devem cultivar a terra? Se devem viajar? O deus, em sua sabedoria, dispensaria os dial\u00e9ticos quando eles pensam que nada pr\u00e1tico resulta da parte condicional \u2018Se\u2019 com sua cl\u00e1usula anexada; ele aceita como fatos reais, em seu sentido da palavra, todas as perguntas assim formuladas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, como \u00e9 nossa preocupa\u00e7\u00e3o pessoal question\u00e1-lo como profeta, mas uma preocupa\u00e7\u00e3o geral orar a ele como deus, eles sustentam que a letra abrange tanto a virtude da ora\u00e7\u00e3o quanto a da investiga\u00e7\u00e3o; \u201cOh, se eu pudesse!\u201d, diz todo aquele que ora, como Arqu\u00edloco.\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>De minha Ne\u00f3bule, se me fosse dado tocar sua m\u00e3o!<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\"><strong>[12]<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Quando <em>eith\u00e9 <\/em>\u201cse assim for\u201d \u00e9 usado, a \u00faltima parte \u00e9 um mero ap\u00eandice, como por exemplo <em>th\u00e9n<\/em> nesta passagem de S\u00f3fron<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, ela que tamb\u00e9m queria ser m\u00e3e.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou, de Homero:<\/p>\n\n\n\n<p>Estou certo, hei de abater seu orgulho<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\"><strong>[14]<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u03b5\u1f30\u2013<em> Se <\/em>\u2013 expressa suficientemente o sentido optativo.\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>VI. Quando Nicandro concluiu sua exposi\u00e7\u00e3o, nosso amigo Teon, que tenho certeza de que voc\u00ea conhece, perguntou a Am\u00f4nio se a Dial\u00e9tica poderia falar livremente, ap\u00f3s os coment\u00e1rios insultantes que ela havia recebido. Am\u00f4nio disse a ele para falar em sua defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Que o deus \u00e9 um mestre da Dial\u00e9tica\u2019, disse Teon, \u2018fica claramente demonstrado pela maioria de seus or\u00e1culos; pois voc\u00eas h\u00e3o de concordar que a solu\u00e7\u00e3o de enigmas pertence \u00e0 pr\u00f3pria pessoa que os cria. Al\u00e9m disso, como Plat\u00e3o costumava dizer, quando foi dado o or\u00e1culo de que o altar em Delos deveria ser duplicado<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>, um problema que exigia avan\u00e7ada geometria, o deus n\u00e3o estava apenas ordenando isso, mas tamb\u00e9m impondo aos gregos a pr\u00e1tica da geometria.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, quando o deus prop\u00f5e or\u00e1culos amb\u00edguos, ele est\u00e1 enaltecendo e estabelecendo a Dial\u00e9tica como essencial para a correta compreens\u00e3o de si mesmo. Voc\u00eas concordar\u00e3o tamb\u00e9m que, na Dial\u00e9tica, esta conjun\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica tem grande import\u00e2ncia, porque formula a mais l\u00f3gica de todas as senten\u00e7as. Certamente \u00e9 a proposi\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica, visto que os outros animais conhecem a exist\u00eancia das coisas, mas apenas o homem recebeu da natureza o dom de observar e discernir sua sequ\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Que \u201c\u00e9 dia\u201d e \u201cest\u00e1 claro\u201d, podemos supor que lobos, c\u00e3es e p\u00e1ssaros percebam. Mas \u201cse \u00e9 dia, est\u00e1 claro\u201d \u00e9 intelig\u00edvel apenas para o homem; somente ele \u00e9 capaz de compreender antecedente e consequente, a enuncia\u00e7\u00e3o de cada um e sua conex\u00e3o, sua rela\u00e7\u00e3o m\u00fatua e diferen\u00e7a, sendo neles que toda demonstra\u00e7\u00e3o encontra seu princ\u00edpio primeiro e dominante.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, como a Filosofia se preocupa com a verdade, e a luz da verdade \u00e9 a demonstra\u00e7\u00e3o, e o princ\u00edpio da demonstra\u00e7\u00e3o \u00e9 a proposi\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tica, a faculdade que engloba e produz isso foi consagrada, com raz\u00e3o, pelos s\u00e1bios a esse deus, que est\u00e1 acima de tudo como amante da verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o deus \u00e9 um profeta, e a arte prof\u00e9tica trata do futuro que surge a partir das coisas presentes ou passadas. Nada surge sem uma causa, nada \u00e9 conhecido de antem\u00e3o sem uma raz\u00e3o. As coisas que surgem seguem as coisas que foram; as coisas que est\u00e3o por vir seguem as coisas que agora est\u00e3o surgindo, todas conectadas em uma cadeia cont\u00ednua de evolu\u00e7\u00e3o. Portanto, aquele que sabe ligar causas em uma s\u00f3 e combin\u00e1-las em um processo natural pode tamb\u00e9m declarar antecipadamente coisas<\/p>\n\n\n\n<p>Que s\u00e3o, que ser\u00e3o e que foram outrora.<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\"><strong>[16]<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Homero agiu bem ao colocar o presente em primeiro lugar, o futuro em seguida e o passado por \u00faltimo. A infer\u00eancia come\u00e7a com o presente e opera pela for\u00e7a da conjun\u00e7\u00e3o: \u201cSe isto \u00e9, aquilo foi seu antecedente\u201d; \u201cSe isto \u00e9, aquilo ser\u00e1.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Como j\u00e1 dissemos, o requisito t\u00e9cnico e l\u00f3gico discursivo \u00e9 o conhecimento da consequ\u00eancia; os sentidos fornecem a premissa menor. Assim, embora possa parecer algo pequeno de se dizer, n\u00e3o me esquivarei disso: o verdadeiro trip\u00e9 da verdade \u00e9 o processo l\u00f3gico que assume a rela\u00e7\u00e3o de consequente com antecedente, introduz o fato e, assim, estabelece a conclus\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o deus P\u00edtico realmente encontra prazer na m\u00fasica, nas vozes dos cisnes e nos tons da lira, que surpresa h\u00e1 em que, como amigo da Dial\u00e9tica, ele receba e ame essa parte da linguagem que v\u00ea os fil\u00f3sofos usarem mais, e com mais frequ\u00eancia, do que qualquer outra? Assim, H\u00e9racles, quando ainda n\u00e3o havia libertado Prometeu, nem conversado com os sofistas Quiron e Atlas, mas era jovem e apenas um be\u00f3cio, primeiro aboliu a Dial\u00e9tica, zombou do \u201cSe o primeiro, ent\u00e3o o segundo\u201d<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a>, e decidiu levar o tr\u00edpode pela for\u00e7a e desafiar o deus em sua arte<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. De qualquer forma, com o passar do tempo, ele tamb\u00e9m parece ter se tornado um grande profeta e um grande dial\u00e9tico.\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>VII. Quando Teon terminou, creio que foi Eustrofo de Atenas quem nos dirigiu a palavra:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cVoc\u00eas veem com que disposi\u00e7\u00e3o Teon defende a Dial\u00e9tica? S\u00f3 falta vestir a pele de le\u00e3o!<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a> Agora \u00e9 a vez de voc\u00eas, que re\u00fanem sob o n\u00famero todas as coisas em uma \u00fanica massa \u2013 todas as naturezas e princ\u00edpios, divinos e humanos \u2013 e o consideram l\u00edder e senhor de tudo o que \u00e9 belo e honroso! N\u00e3o \u00e9 hora de ficarem quietos; ofere\u00e7am ao deus as prim\u00edcias de sua querida Matem\u00e1tica, se acreditam que o \u201cE\u201d se eleva acima das outras letras, n\u00e3o por m\u00e9rito pr\u00f3prio em poder ou forma, nem pelo seu significado como palavra, mas como o honrado s\u00edmbolo de um n\u00famero absolutamente grandioso e soberano, o cinco (<em>pemp\u00e1s<\/em>), do qual os S\u00e1bios tiraram seu verbo \u2018quintar\u2019 (<em>pemazein<\/em>), ou seja, \u2018contar\u2019.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Eustrofo n\u00e3o estava brincando quando disse isso; ele falou porque, naquela \u00e9poca, eu estava profundamente apaixonado pela Matem\u00e1tica, embora logo aprenderia o valor do ditado: \u201cNADA EM EXCESSO\u201d, tendo me juntado \u00e0 Academia<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>VIII. Ent\u00e3o, eu disse que a solu\u00e7\u00e3o de Eustrofo para o problema por meio do n\u00famero era excelente.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Pois, como voc\u00eas sabem,\u2019 continuei, \u2018quando todo n\u00famero \u00e9 dividido em par e \u00edmpar, apenas a unidade, em seu efeito, \u00e9 comum a ambos, e, portanto, se somada a um n\u00famero \u00edmpar, o torna par, e vice-versa. E como os n\u00fameros pares come\u00e7am com o dois, os \u00edmpares com o tr\u00eas, e o cinco \u00e9 produzido pela combina\u00e7\u00e3o desses, ele foi corretamente honrado como o produto dos primeiros princ\u00edpios, sendo chamado tamb\u00e9m de \u201cCasamento\u201d, porque o par se assemelha ao feminino, e o \u00edmpar, ao masculino.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando dividimos os n\u00fameros em segmentos iguais, o par se separa perfeitamente e deixa dentro de si um tipo de princ\u00edpio ou espa\u00e7o receptivo; se o \u00edmpar for tratado da mesma forma, sempre sobra uma parte central, que \u00e9 geradora. Por isso, o \u00edmpar \u00e9 mais gerativo e, quando combinado, invariavelmente prevalece; em nenhuma combina\u00e7\u00e3o ele produz um resultado par, mas, em todos os casos, um \u00edmpar.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, quando cada um \u00e9 aplicado a si mesmo e somado, a diferen\u00e7a se revela. Par com par nunca resulta em \u00edmpar, nem sai de sua natureza pr\u00f3pria; falta-lhe for\u00e7a para produzir algo diferente. N\u00fameros \u00edmpares com \u00edmpares produzem n\u00fameros pares em abund\u00e2ncia, devido \u00e0 sua inesgot\u00e1vel fertilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>As outras propriedades dos n\u00fameros e suas distin\u00e7\u00f5es n\u00e3o podem ser agora analisadas em detalhes. Contudo, os pitag\u00f3ricos chamaram o cinco de \u201cCasamento\u201d, por ser produzido pela uni\u00e3o do primeiro n\u00famero masculino com o primeiro feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>Sob outra perspectiva, ele foi chamado de \u201cNatureza\u201d, porque, quando multiplicado por si mesmo, acaba retornando a si mesmo. Assim como a Natureza pega um gr\u00e3o de trigo e, nas etapas intermedi\u00e1rias de crescimento, d\u00e1 formas e figuras em abund\u00e2ncia, pelas quais ela traz sua obra \u00e0 perfei\u00e7\u00e3o e, depois de tudo, nos apresenta novamente um gr\u00e3o de trigo, restaurando o in\u00edcio no fim de todo o processo, o mesmo ocorre com os n\u00fameros. Quando outros n\u00fameros s\u00e3o multiplicados por si mesmos, terminam em n\u00fameros diferentes ap\u00f3s serem quadrados; apenas aqueles formados pelo cinco ou pelo seis se recuperam e preservam a si mesmos todas as vezes.\u2019 Assim, seis vezes seis d\u00e1 trinta e seis, cinco vezes cinco d\u00e1 vinte e cinco. E novamente, um n\u00famero formado por seis faz isso apenas uma vez, no \u00fanico caso de ser elevado ao quadrado. O cinco tem a mesma propriedade na multiplica\u00e7\u00e3o e tamb\u00e9m uma propriedade especial quando somado a si mesmo: ele produz alternadamente a si pr\u00f3prio ou dez, e isso at\u00e9 o infinito. Pois este n\u00famero imita o princ\u00edpio que ordena todas as coisas. Como Her\u00e1clito<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a> nos diz que a Natureza sucessivamente gera o universo a partir de si mesma e a si mesma a partir do universo, trocando \u201cfogo por coisas e coisas por fogo, como bens por ouro e ouro por bens\u201d, o mesmo ocorre com o cinco. Em uni\u00e3o consigo mesmo, ele n\u00e3o produz por sua natureza nada imperfeito ou estranho. Todas as suas transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o definidas; ele produz a si pr\u00f3prio ou a dezena, o homog\u00eaneo ou o perfeito.<\/p>\n\n\n\n<p>IX. \u2018E se algu\u00e9m perguntar: \u201cO que tudo isso tem a ver com Apolo?\u201d<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a> Muito, responderemos, n\u00e3o s\u00f3 com Apolo, mas tamb\u00e9m com Dion\u00edsio, que n\u00e3o tem menos a ver com Delfos do que Apolo<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. Agora ouvimos os te\u00f3logos dizendo ou cantando, em poemas ou em prosa simples, que o deus subsiste indestrut\u00edvel e eterno, e que, por for\u00e7a de algum plano e m\u00e9todo preestabelecidos, ele passa por mudan\u00e7as de sua persona. Em um momento, ele incendeia a Natureza e assim faz tudo ser semelhante ao todo; em outro, passa por todas as fases de diferen\u00e7a \u2013 formas, sofrimentos, poderes \u2013, e, agora, por exemplo, ele se torna o \u201cCosmos\u201d, e este \u00e9 o seu nome mais familiar.<\/p>\n\n\n\n<p>Os s\u00e1bios escondem do vulgo a mudan\u00e7a para o fogo, chamando-o de \u201cApolo\u201d<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\">[24]<\/a> por seu isolamento, \u201cFebo\u201d por sua pureza imaculada. Quanto \u00e0 sua passagem e distribui\u00e7\u00e3o em ondas e \u00e1gua, terra, estrelas e plantas e animais em nascimento, eles insinuam a mudan\u00e7a real sofrida como um rasgamento e desmembramento, mas nomeiam o pr\u00f3prio deus como Dion\u00edsio, ou Zagreu, ou Nict\u00e9lio, ou Isodetes<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a>. Tamb\u00e9m relatam mortes e desaparecimentos, passagens para fora da vida e novos nascimentos, todos enigmas e hist\u00f3rias para corresponder \u00e0s mudan\u00e7as mencionadas. Por isso, cantam a Dion\u00edsio hinos ditir\u00e2mbicos<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a>, repletos de sentimentos violentos e de movimentos que exprimem o tumulto e o desvario, pois, como diz \u00c9squilo:<\/p>\n\n\n\n<p>com seus gritos mesclados o ditirambo deve<\/p>\n\n\n\n<p>acompanhar Dion\u00edsio em sua festa<a href=\"#_ftn27\" id=\"_ftnref27\"><strong>[27]<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Mas Apolo tem o Pe\u00e3, um canto ordenado e s\u00f3brio. Apolo \u00e9 sempre eterno e jovem; Dion\u00edsio tem muitas formas e muitas figuras, como representado em pinturas e esculturas<a href=\"#_ftn28\" id=\"_ftnref28\">[28]<\/a>, que atribuem a Apolo suavidade, ordem e uma gravidade sem misturas, enquanto a Dion\u00edsio, uma mistura de divers\u00e3o e irrever\u00eancia com seriedade e frenesi:<\/p>\n\n\n\n<p>O deus do evo\u00e9,<\/p>\n\n\n\n<p>Dion\u00edsio, escoltado pelas mulheres que ele inspira,<\/p>\n\n\n\n<p>E todo orgulhoso das honras que seu del\u00edrio lhe presta<a href=\"#_ftn29\" id=\"_ftnref29\"><strong>[29]<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Assim o invocam, captando corretamente o car\u00e1ter de cada mudan\u00e7a. Mas, como os per\u00edodos de mudan\u00e7a n\u00e3o s\u00e3o iguais, aquele chamado de \u201csaciedade\u201d \u00e9 mais longo, enquanto o de \u201climita\u00e7\u00e3o\u201d \u00e9 mais curto, preservam aqui uma propor\u00e7\u00e3o e usam o Pe\u00e3 em seu sacrif\u00edcio durante o restante do ano, mas, no in\u00edcio do inverno, despertam o ditirambo, interrompem o Pe\u00e3 e invocam este deus em vez do outro, supondo que essa propor\u00e7\u00e3o de tr\u00eas para um \u00e9 a mesma da \u201cOrdena\u00e7\u00e3o\u201d para a \u201cConflagra\u00e7\u00e3o\u201d<a href=\"#_ftn30\" id=\"_ftnref30\">[30]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>X. \u2018Mas talvez tenhamos nos alongado demais do necess\u00e1rio. O que est\u00e1 claro \u00e9 que eles associam o <em>cinco<\/em> ao deus, pois ele agora produz a si mesmo como o fogo e novamente produz a dezena a partir de si mesmo, como o universo. Agora, considerando a m\u00fasica, que o deus tanto favorece, n\u00e3o dever\u00edamos supor que este n\u00famero tamb\u00e9m tem sua participa\u00e7\u00e3o aqui?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018A maior parte da ci\u00eancia das harmonias, para coloc\u00e1-la em uma palavra, trata dos acordes. Que estes sejam cinco e n\u00e3o mais, \u00e9 provado pela raz\u00e3o, contra o homem que \u00e9 totalmente favor\u00e1vel \u00e0s cordas e furos, e quer explorar esses pontos irracionalmente pelos sentidos; todos t\u00eam sua origem em raz\u00f5es num\u00e9ricas. A raz\u00e3o da quarta \u00e9 de quatro para tr\u00eas, da quinta de tr\u00eas para dois, da oitava de dois para um, da oitava e quinta de tr\u00eas para um, da dupla oitava de quatro para um. A conson\u00e2ncia adicional que os escritores de harmonia introduzem sob o nome de oitava e quarta n\u00e3o merece ser admitida, sendo fora da medida; admiti-la seria ceder ao lado irracional do nosso sentido auditivo e violar a raz\u00e3o, ou a lei<a href=\"#_ftn31\" id=\"_ftnref31\">[31]<\/a>. Passando ent\u00e3o por cinco disposi\u00e7\u00f5es de tetrac\u00f3rdios, e pelos primeiros cinco \u201ctons\u201d, ou \u201cmodos\u201d, ou \u201charmonias\u201d, qualquer que seja o nome correto, por varia\u00e7\u00f5es dos quais, feitas mais altas ou mais baixas, as escalas restantes, altas e baixas, s\u00e3o produzidas, n\u00e3o \u00e9 verdade que, embora os intervalos sejam muitos, de fato infinitos, os princ\u00edpios da melodia sejam apenas cinco, o quarto de tom, meio tom, tom, tom e meio, tom duplo? Em sons, nenhum outro intervalo de altura e profundidade, seja menor ou maior, pode ser usado para melodia.<\/p>\n\n\n\n<p>XI. \u2018Passando por muitos pontos semelhantes, eu vou\u2019, eu disse, \u2018apresentar Plat\u00e3o<a href=\"#_ftn32\" id=\"_ftnref32\">[32]<\/a>, que, ao discutir a quest\u00e3o de um \u00fanico universo, diz que, se houver outros al\u00e9m do nosso, e este n\u00e3o for \u00fanico, ent\u00e3o o n\u00famero total deles \u00e9 cinco e n\u00e3o mais; n\u00e3o obstante, se o nosso for o \u00fanico universo existente, como tamb\u00e9m pensa Arist\u00f3teles<a href=\"#_ftn33\" id=\"_ftnref33\">[33]<\/a>, at\u00e9 este \u00e9 de certa forma composto e formado de cinco; um de terra, um de \u00e1gua, o terceiro de fogo, o quarto de ar, enquanto o quinto \u00e9 chamado de c\u00e9u ou luz ou \u00e9ter, ou por outros a \u201cquinta ess\u00eancia\u201d, \u00e0 qual somente de todos os corpos o movimento circular \u00e9 natural, n\u00e3o devido \u00e0 for\u00e7a ou a outra causa acidental. Portanto, \u00e9 por isso que Plat\u00e3o, observando as cinco figuras perfeitas da Natureza \u2013 Pir\u00e2mide, Cubo, Octaedro, Icosaedro e Dodecaedro \u2013 as atribuiu aos elementos, cada um a cada um deles.<\/p>\n\n\n\n<p>XII. \u2018H\u00e1 alguns que atribuem aos mesmos elementos nossos pr\u00f3prios sentidos, tamb\u00e9m cinco em n\u00famero. O tato, como eles veem, \u00e9 resistente e terroso. O paladar absorve propriedades pela umidade nas coisas provadas. O ar, quando tocado, se torna voz aud\u00edvel ou som. Restam dois: o odor, objeto do nosso sentido olfativo, \u00e9 uma exala\u00e7\u00e3o gerada pelo calor, e assim se assemelha ao fogo; a vis\u00e3o \u00e9 semelhante ao ar e \u00e0 luz, que lhe d\u00e3o uma passagem luminosa, ent\u00e3o h\u00e1 uma mistura de ambos com sensa\u00e7\u00f5es semelhantes. Al\u00e9m desses, o animal n\u00e3o tem outro sentido, e o universo n\u00e3o tem outra subst\u00e2ncia, que seja simples e n\u00e3o misturada. Uma maravilhosa distribui\u00e7\u00e3o dos cinco aos cinco!\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>XIII. Aqui, eu acho, eu pausei, e depois de um intervalo, continuei: \u2018O que aconteceu conosco, Eustrofo? Quase esquecemos Homero<a href=\"#_ftn34\" id=\"_ftnref34\">[34]<\/a>, como se ele n\u00e3o tivesse sido o primeiro a dividir o universo em cinco partes, atribuindo as tr\u00eas no meio aos tr\u00eas Deuses, enquanto deixou os dois extremos comuns e n\u00e3o distribu\u00eddos, Olimpo e terra, um o limite do que est\u00e1 abaixo, o outro do que est\u00e1 acima. \u201cDevemos retomar a explica\u00e7\u00e3o\u201d, como diz Eur\u00edpides<a href=\"#_ftn35\" id=\"_ftnref35\">[35]<\/a>. Agora, aqueles que exaltam o n\u00famero quatro como a base da g\u00eanese de todo corpo, t\u00eam um bom argumento. Pois todo corpo s\u00f3lido possui comprimento, largura e profundidade; mas o comprimento pressup\u00f5e um ponto como uma unidade; a linha \u00e9 chamada de comprimento sem largura, e \u00e9 dualidade; o movimento de uma linha em largura produz uma superf\u00edcie plana, por meio da tr\u00edada; adicionando a profundidade, chegamos a um s\u00f3lido com quatro fatores. Qualquer um pode ver que o n\u00famero quatro leva a Natureza at\u00e9 este ponto, isto \u00e9, at\u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de um corpo completo, que pode ser tocado e pesado; a\u00ed ela a deixou, carente do que \u00e9 mais importante. Pois o que n\u00e3o tem alma \u00e9, em termos simples, \u00f3rf\u00e3o e incompleto, e n\u00e3o serve para nada, a menos que seja empregado pela alma. Mas o movimento ou disposi\u00e7\u00e3o que coloca a alma a\u00ed \u2013 uma mudan\u00e7a que introduz um quinto fator \u2013 restaura \u00e0 Natureza sua completude, sua base racional \u00e9 muito mais dominante do que a do quatro, assim como o animal est\u00e1 acima do inanimado.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a simetria e a pot\u00eancia do cinco prevalecem, de forma que n\u00e3o permitem que o animado forme classes sem limite, mas d\u00e1 cinco formas para todos os seres vivos. Existem Deuses, sabemos, e dem\u00f4nios, e her\u00f3is, e depois destes, quarto em todos, a ra\u00e7a dos homens<a href=\"#_ftn36\" id=\"_ftnref36\">[36]<\/a>: quinto, e \u00faltimo, a ordem irracional dos animais. Novamente, se voc\u00ea fizer uma divis\u00e3o natural da pr\u00f3pria alma, a primeira e menos distinta das partes \u00e9 a vegetativa; a segundo \u00e9 a sensitiva, depois vem o apetite, depois a parte passional; quando alcan\u00e7a o poder de racioc\u00ednio e aperfei\u00e7oa sua natureza, permanece em repouso no quinto est\u00e1gio como seu limite superior\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>XIV. \u2018Agora, como este n\u00famero cinco tem poderes t\u00e3o grandes e numerosos, sua origem tamb\u00e9m \u00e9 nobre: n\u00e3o o processo j\u00e1 descrito, a partir dos n\u00fameros dois e tr\u00eas, mas aquele dado pela combina\u00e7\u00e3o do primeiro princ\u00edpio do n\u00famero com o primeiro quadrado. O primeiro princ\u00edpio \u00e9 a unidade, o primeiro quadrado \u00e9 quatro; a partir destes, como da ideia e da subst\u00e2ncia limitada, vem o cinco. Ou, se for realmente correto, como alguns defendem, considerar a unidade como um quadrado, sendo um poder de si mesma e trabalhando para si mesma, ent\u00e3o o cinco \u00e9 formado a partir dos dois primeiros quadrados, e assim n\u00e3o falhou um nascimento de estirpe mais nobre.\u2019<\/p>\n\n\n\n<p>XV. \u2018Meu ponto mais importante\u2019, continuei, \u2018pode, temo, ser dif\u00edcil para Plat\u00e3o, assim como ele disse que Anax\u00e1goras \u201cfoi maltratado pelo nome da lua\u201d, quando ele quis apropriar-se da teoria de sua luz, realmente uma teoria muito antiga. N\u00e3o s\u00e3o estas palavras de Plat\u00e3o, no Cr\u00e1tilo?<a href=\"#_ftn37\" id=\"_ftnref37\">[37]<\/a>\u2019 \u2018Certamente s\u00e3o\u2019, disse Eustrofo, \u2018mas n\u00e3o vejo a semelhan\u00e7a.\u2019 \u2018Muito bem ent\u00e3o; voc\u00ea sabe, suponho, que no \u201cSofista\u201d ele prova que os princ\u00edpios supremos s\u00e3o cinco: ser, identidade, diferen\u00e7a, e depois destes, como quarto e quinto, movimento e posi\u00e7\u00e3o. Mas no Filebo<a href=\"#_ftn38\" id=\"_ftnref38\">[38]<\/a> ele divide de um plano diferente. Ele distingue o infinito e o finito, cuja combina\u00e7\u00e3o d\u00e1 origem a todo o ser. Ele toma a causa da combina\u00e7\u00e3o como sendo uma quarta esp\u00e9cie. A quinto, pelo qual as coisas t\u00e3o misturadas s\u00e3o novamente separadas e distinguidas, ele deixou para n\u00f3s adivinharmos. Eu conjecturo que esta segunda divis\u00e3o imagens da primeira; pois cria\u00e7\u00e3o corresponde ao ser, infinito ao movimento, o finito \u00e0 estabilidade; o princ\u00edpio de uni\u00e3o \u00e0 identidade e o princ\u00edpio de separa\u00e7\u00e3o \u00e0 alteridade. Mas, se os dois conjuntos s\u00e3o diferentes, ainda assim, em uma vis\u00e3o ou na outra, haveria cinco classes, e cinco modos de diferen\u00e7a. Algum s\u00e1bio, certamente ser\u00e1 dito, viu isso antes de Plat\u00e3o, e consagrou o \u201cE\u201d ao deus, como uma manifesta\u00e7\u00e3o e s\u00edmbolo do n\u00famero de todas as coisas. Mas, al\u00e9m disso, ao perceber que o bem se manifesta em cinco formas \u2013 modera\u00e7\u00e3o, simetria, intelig\u00eancia, ci\u00eancias e artes (incluindo as opini\u00f5es verdadeiras ligadas \u00e0 alma) e prazeres puros, n\u00e3o misturados com a dor \u2013, ele conclui, sugerindo apenas o verso \u00f3rfico:<\/p>\n\n\n\n<p>No sexta gera\u00e7\u00e3o, que se interrompa este belo canto<a href=\"#_ftn39\" id=\"_ftnref39\"><strong>[39]<\/strong><\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>XVI. \u2018Depois de ter dito tanto\u2019, continuei, \u2018a todos voc\u00eas, cantarei um breve verso para Nicandro e \u201cos inteligentes\u201d.<a href=\"#_ftn40\" id=\"_ftnref40\">[40]<\/a> \u2018No sexto dia da lua nova, quando a P\u00edtia \u00e9 introduzida no Pritaneu, procede-se ao primeiro dos tr\u00eas sorteios para os cinco nomes; ela sorteia dois, e tu, tr\u00eas<a href=\"#_ftn41\" id=\"_ftnref41\">[41]<\/a>. \u2018\u00c9 assim\u2019, disse Nicandro, \u2018mas a raz\u00e3o n\u00e3o deve ser revelada a outros.\u2019 \u2018Ent\u00e3o,\u2019 respondi com um sorriso, \u2018at\u00e9 o momento em que nos tornemos sacerdotes, e o deus nos permita conhecer a verdade, isso e nada mais ser\u00e1 acrescentado ao que temos a dizer sobre o cinco.\u2019 Tal, at\u00e9 onde me lembro, foi o fim de nosso relato sobre as raz\u00f5es aritm\u00e9ticas ou matem\u00e1ticas para exaltar a letra \u2018E\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p>XVII. Am\u00f4nio, como algu\u00e9m que dava \u00e0 Matem\u00e1tica um lugar consider\u00e1vel na Filosofia, ficou satisfeito com o rumo que a conversa tomava, e disse: \u2018N\u00e3o vale a pena respondermos aos nossos jovens amigos com precis\u00e3o absoluta sobre esses pontos; eu s\u00f3 observarei que qualquer um dos n\u00fameros fornecer\u00e1 n\u00e3o poucos pontos para aqueles que escolherem cantar seus louvores<a href=\"#_ftn42\" id=\"_ftnref42\">[42]<\/a>. Por que falar dos outros? O sagrado \u201cSete\u201d de Apolo tomar\u00e1 todo um dia antes que esgotemos suas propriedades<a href=\"#_ftn43\" id=\"_ftnref43\">[43]<\/a>. Devemos, ent\u00e3o, mostrar os Sete S\u00e1bios em desacordo com o uso comum e \u201ca maior parte do tempo\u201d<a href=\"#_ftn44\" id=\"_ftnref44\">[44]<\/a>, e supor que eles destitu\u00edram o \u201cSete\u201d de sua preemin\u00eancia diante do deus, e consagraram o \u201cCinco\u201d como talvez mais apropriado?<\/p>\n\n\n\n<p>\u2018Minha pr\u00f3pria opini\u00e3o \u00e9 que a letra n\u00e3o significa n\u00famero, nem ordem, nem conjun\u00e7\u00e3o, nem qualquer outra parte de fala omitida; \u00e9 um modo completo e autossuficiente de se dirigir ao deus; a palavra, uma vez pronunciada, coloca o falante na apreens\u00e3o de seu poder. O deus, por assim dizer, se dirige a cada um de n\u00f3s, ao entrar, com seu \u201cConhece-te a ti mesmo\u201d, que \u00e9 pelo menos t\u00e3o bom quanto \u201cSalve\u201d. Respondemos ao deus com \u201cTu \u00c9s\u201d, rendendo-lhe a designa\u00e7\u00e3o que \u00e9 verdadeira e n\u00e3o cont\u00e9m mentira alguma, e que \u00e9 exclusivamente dele, e de mais ningu\u00e9m, a de ser.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Poeta ateniense e fil\u00f3sofo estoico, contempor\u00e2neo de Plutarco. Sarapi\u00e3o \u00e9 mencionado em outros textos de Plutarco, refor\u00e7ando a ideia de que fosse um interlocutor habitual em debates filos\u00f3ficos e religiosos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Dicearco de Mess\u00eania foi um fil\u00f3sofo, ge\u00f3grafo e historiador grego do per\u00edodo helen\u00edstico, disc\u00edpulo direto de Arist\u00f3teles no Liceu. Viveu entre os s\u00e9culos IV e III a.C.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Arquelau, rei da Maced\u00f4nia entre 413 a.C. e 399 a.C. Eur\u00edpides, dramaturgo ateniense, passou os \u00faltimos anos de sua vida na corte de Arquelau. \u00c9 nesse contexto que Plutarco menciona estes versos que Dicearco atribui a Eur\u00edpides e que supostamente teriam sido dirigidos a Arquelau.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> \u03bf\u1f50 \u03b2\u03bf\u03cd\u03bb\u03bf\u03bc\u03b1\u03b9 \u03c0\u03bb\u03bf\u03c5\u03c4\u03bf\u03cd\u03bd\u03c4\u03b9 \u03b4\u03c9\u03c1\u03b5\u1fd6\u03c3\u03b8\u03b1\u03b9 \u03c0\u03ad\u03bd\u03b7\u03c2, \u03bc\u03ae \u03bc&#8217; \u1f04\u03c6\u03c1\u03bf\u03bd\u03b1 \u03ba\u03c1\u03af\u03bd\u03b7\u03c2 \u1f22 \u03b4\u03b9\u03b4\u1f7c\u03c2 \u03b1\u1f30\u03c4\u03b5\u1fd6\u03bd \u03b4\u03bf\u03ba\u1ff6. Eur\u00edpides, Fr. 969.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Atenas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Em viagem \u00e0 Gr\u00e9cia entre 66-67 d.C.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Mantido aceso no santu\u00e1rio do templo. Posteriormente (em \u201cPor que a P\u00edtia n\u00e3o apresenta seus or\u00e1culos em versos\u201d, VI), Plutarco ir\u00e1 especificar que neste fogo a P\u00edtia, sacerdotisa de Apolo, queimava folhas de louro e farinha de cevada, como parte da prepara\u00e7\u00e3o para realizar suas profecias.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> As Moiras eram deusas do destino na mitologia grega, respons\u00e1veis por controlar a vida e a morte dos seres humanos e usualmente representadas como sendo tr\u00eas: Cloto, que fiava o fio da vida; L\u00e1quesis, que o mediava e determinava seu comprimento; e \u00c1tropos, que cortava o fio, simbolizando a morte. Plutarco afirma que, no templo de Delfos, havia a est\u00e1tua de apenas duas Moiras.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> Proibi\u00e7\u00e3o aludida em <em>\u00cdon<\/em>, de Eur\u00edpedes:<br>\u201cCoro: Voc\u00ea, senhor, ao lado do altar, pode meu p\u00e9, com pudor, entrar no templo e sondar suas profundezas?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00cdon: Isso n\u00e3o \u00e9 permitido aqui\u201d. (A partir de EURIPIDES. Ion. Anne P. Burnnet (ed.) Estados Unidos: Prentice Hall, 1970. p. 41)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> Esp\u00e9cie de m\u00f3vel religioso, com tr\u00eas p\u00e9s, associado a rituais religiosos na Gr\u00e9cia antiga. H\u00e1 poucas descri\u00e7\u00f5es absolutamente confi\u00e1veis de como o tr\u00edpode era utilizado em Delfos. A narrativa mais aceita \u00e9 que a P\u00edtia, para atingir seu estado de transe, sentava-se sobre o tr\u00edpode para proferir as previs\u00f5es recebidas por Apolo. Diodoro S\u00edculo (90 a.C. a 30 a.C.), tratando da descoberta e do in\u00edcio do funcionamento do or\u00e1culo de Delfos, apresenta assim sua descri\u00e7\u00e3o: \u201cE para ela [a P\u00edtia] foi criado um equipamento no qual ela poderia sentar com seguran\u00e7a, ent\u00e3o ficar inspirada e dar as profecias \u00e0queles que desejassem. E esse equipamento tem tr\u00eas suportes e, portanto, foi chamado de tr\u00edpode, e, ouso dizer, todos os tr\u00edpodes de bronze que s\u00e3o constru\u00eddos at\u00e9 hoje s\u00e3o feitos em imita\u00e7\u00e3o desse equipamento\u201d (Diodoro S\u00edculo, XVI, 26).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> i.e. em correntes de ar, com um jogo de palavras.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> Ne\u00f3bule seria a amada de Arqu\u00edloco.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> S\u00f3fron de Siracursa, autor d\u00f3rico popular do s\u00e9culo V.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> Il\u00edada XVII, 29.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> A quest\u00e3o apresentada se refere ao problema insol\u00favel da duplica\u00e7\u00e3o de um cubo. Teon de Esmirna (s\u00e9culos I e II) cita a vers\u00e3o de Erast\u00f3tenes (s\u00e9culos III e II a.C.): \u201cErat\u00f3stenes, em sua obra intitulada <em>Platonicus<\/em>, relata que, quando o deus proclamou aos delianos, por meio do or\u00e1culo, que, para se livrarem de uma peste, deveriam construir um altar com o dobro do tamanho do existente, os artes\u00e3os ficaram em grande perplexidade ao tentar descobrir como um s\u00f3lido poderia ser feito com o dobro do volume de outro s\u00f3lido semelhante. Assim, eles recorreram a Plat\u00e3o, que respondeu que o or\u00e1culo n\u00e3o indicava que o deus queria um altar com o dobro do tamanho, mas sim que, ao lhes dar essa tarefa, desejava envergonhar os gregos por seu descaso com a matem\u00e1tica e seu desprezo pela geometria.\u201d (Apud HEATH, T. A history of Greek mathematics. v. 1. Estados Unidos: Clarendon Press, 1921. p. 246).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> Il\u00edada I, 70.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> Assim, Emp\u00e9rio, cuja leitura \u00e9 a do Paris manuscrito E.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> H\u00e9racles roubou o tr\u00edpode da P\u00edtia, em Delfos, em um momento de f\u00faria. O epis\u00f3dio ocorreu quando ele foi ao or\u00e1culo de Delfos em busca de orienta\u00e7\u00e3o sobre como se purificar ap\u00f3s ter cometido um ato violento. A P\u00edtia, sacerdotisa de Apolo, recusou-se a responder \u00e0s perguntas de H\u00e9racles, j\u00e1 que ele estava em um estado de impureza ritual. Enfurecido pela recusa, H\u00e9racles invadiu o templo de Apolo e tentou levar o tr\u00edpode sagrado.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> Ao matar o Le\u00e3o de Nemeia, H\u00e9racles passou a utilizar sua pele enquanto indument\u00e1ria. Eustrofo, portanto, estaria se igualando a coragem de Teon \u00e0 de H\u00e9racles, provavelmente com algum exagero e ironia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> A Academia plat\u00f4nica utilizava-se da m\u00e1xima d\u00e9lfica como alerta contra o dogmatismo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> Fragmento 22 em Bywater, I. Heracliti Ephesii reliquiae. Reino Unido: Macmillan, 1877, p. 10.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> Uma refer\u00eancia \u00e0 reclama\u00e7\u00e3o com que foram recebidas as primeiras tentativas de \u00c9squilo e outros de dar forma liter\u00e1ria aos hinos populares em honra de Dion\u00edsio.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a> O or\u00e1culo de Delfos n\u00e3o funcionava durante os tr\u00eas meses de inverno. Estes meses eram, por\u00e9m, dedicados a Dion\u00edsio.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a> Sendo \u201c<em>pollo\u00ed<\/em>\u201d, muitos, <em>a-pollo\u00ed<\/em> (\u03ac-\u03c0\u03bf\u03bb\u03bb\u03bf\u03af) seria \u201cn\u00e3o muitos\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a> No mito \u00f3rfico, <em>Dion\u00edsio-Zagreu<\/em> \u00e9 morto e despeda\u00e7ado pelos Tit\u00e3s, mas ressuscitado por Zeus, simbolizando os ciclos de morte, regenera\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o, essenciais aos mist\u00e9rios dionis\u00edacos. <em>Nict\u00e9lio<\/em> faz refer\u00eancia \u00e0s cerim\u00f4nias noturnas de seu culto. <em>Isodestes<\/em> seria \u201caquele que (se) divide igualmente\u201d, novamente aludindo ao mito \u00f3rfico.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a> Can\u00e7\u00f5es dedicadas a Dion\u00edsio, inicialmente simples e corais, que gradualmente influenciaram o teatro grego. Celebravam o poder de Dion\u00edsio e, ao longo do tempo, passaram a incorporar elementos dram\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\" id=\"_ftn27\">[27]<\/a> Fragmento de uma pe\u00e7a de \u00c9squilo, hoje perdida.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\" id=\"_ftn28\">[28]<\/a> Nas quais ele pode ser representado como crian\u00e7a, ou jovem imberbe, ou um adulto barbado.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\" id=\"_ftn29\">[29]<\/a> Fragmento l\u00edrico de autoria desconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\" id=\"_ftn30\">[30]<\/a> Termos usados por Her\u00e1clito, adaptados pelos estoicos para a conflagra\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o peri\u00f3dicas do universo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\" id=\"_ftn31\">[31]<\/a> A ideia central do trecho \u00e9 de que esses intervalos harm\u00f4nicos n\u00e3o s\u00e3o arbitr\u00e1rios, mas definidos por propor\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas claras. Os \u201cacordes\u201d mencionados no texto se referem justamente \u00e0 combina\u00e7\u00e3o dessas notas, de modo que, quando tocadas juntas, produzem um som harmonioso e agrad\u00e1vel ao ouvido, conforme as propor\u00e7\u00f5es num\u00e9ricas descritas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\" id=\"_ftn32\">[32]<\/a> Timeu, 31a e 55c-d. \u201cAgora, ao raciocinar sobre todas essas coisas, um homem poderia questionar se deve afirmar a exist\u00eancia de uma diversidade infinita de Universos ou de um n\u00famero limitado; e, se questionasse corretamente, concluiria que a doutrina de uma diversidade infinita \u00e9 a de um homem n\u00e3o versado nas quest\u00f5es que deveria compreender; mas a quest\u00e3o de saber se deveriam realmente ser descritos como um Universo ou cinco \u00e9 uma que, com mais raz\u00e3o, nos faria hesitar.\u201d (Plato. Plato in Twelve Volumes, Vol. 9. Reino Unido: William Heinemann, 1925).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref33\" id=\"_ftn33\">[33]<\/a> De Caelo, 1, 8-9, 276 a 18. \u201cAs part\u00edculas de terra, ent\u00e3o, em outro mundo, mover-se-iam naturalmente tamb\u00e9m para o nosso centro, e seu fogo para a nossa circunfer\u00eancia. Isso, no entanto, \u00e9 imposs\u00edvel, pois, se fosse verdade, a terra, em seu pr\u00f3prio mundo, deveria mover-se para cima, e o fogo para o centro; da mesma forma, a terra do nosso mundo deveria mover-se naturalmente para longe do centro quando se deslocasse em dire\u00e7\u00e3o ao centro de outro universo. Isso decorre da suposta justaposi\u00e7\u00e3o dos mundos. Pois ou devemos recusar admitir a natureza id\u00eantica dos corpos simples nos diversos universos, ou, admitindo isso, ter\u00edamos que fazer do centro e da extremidade uma s\u00f3 coisa, como sugerido. Sendo assim, conclui-se que n\u00e3o pode haver mais do que um \u00fanico mundo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\" id=\"_ftn34\">[34]<\/a> Il\u00edada 15, 190. Os tr\u00eas deuses a que o texto se refere s\u00e3o Zeus, Pos\u00eddon e Hades.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref35\" id=\"_ftn35\">[35]<\/a> Fragmento de uma pe\u00e7a de Eur\u00edpedes, hoje desconhecida.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref36\" id=\"_ftn36\">[36]<\/a> Classifica\u00e7\u00e3o de Hes\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref37\" id=\"_ftn37\">[37]<\/a> Plat\u00e3o, Cr\u00e1tilo, 409 a: \u03a4\u03bf\u03cd\u03c4\u03bf \u03c4\u03cc \u03b4\u03bd\u03bf\u03bc\u03b1 (\u03ae \u03c3\u03b5\u03bb\u03ae\u03bd\u03b7) \u03c6\u03b1\u03af\u03bd\u03b5\u03c4\u03b1\u03b9 \u03c4\u03cc\u03bd \u0386\u03bd\u03b1\u03be\u03b1\u03b3\u03cc\u03c1\u03b1\u03bd \u03c0\u03b9\u03ad\u03b6\u03b5\u03b9\u03bd, e seguintes. A teoria que afirma que a lua recebe sua luz do sol, apresentada como sendo de Anax\u00e1goras, j\u00e1 era afirmado pela escola de Tales.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref38\" id=\"_ftn38\">[38]<\/a> Plat\u00e3o, Filebo, 23 c-e.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref39\" id=\"_ftn39\">[39]<\/a> Plat\u00e3o, Filebo, 23 c-e.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref40\" id=\"_ftn40\">[40]<\/a> Fragmento \u00f3rfico.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref41\" id=\"_ftn41\">[41]<\/a> O trecho, aqui, muito corrompido, \u00e9 dif\u00edcil de compreender. Editores usaram diferentes vers\u00f5es e emendas visando restaurar o sentido do texto, sendo que a express\u00e3o \u201cos cinco\u201d possivelmente se refere aos pr\u00edtanes, sacerdotes administradores de Delfos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref42\" id=\"_ftn42\">[42]<\/a> Como os que, anteriormente, foram feitos ao n\u00famero quatro.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref43\" id=\"_ftn43\">[43]<\/a> \u201cA conex\u00e3o de Apolo com o s\u00e9timo dia do m\u00eas \u00e9 bem estabelecida. Enquanto a maioria dos antigos festivais da Gr\u00e9cia ocorre na lua cheia ou pr\u00f3ximo dela, os festivais de Apolo ocorrem, sem exce\u00e7\u00e3o, no s\u00e9timo dia. A cren\u00e7a de que o deus nasceu no s\u00e9timo dia \u00e9 t\u00e3o antiga quanto o ap\u00eandice de Hes\u00edodo. Contudo, o m\u00eas variava. Em Cirene, era celebrado no 7\u00ba dia de Carneios; em Delos e Atenas, no 7\u00ba de Targu\u00e9lion, dia em que Plat\u00e3o tamb\u00e9m nasceu. Por isso, o deus recebeu os t\u00edtulos cultuais de Hebdomagenes, Hebdomagetes e Hebdomeios. A afirma\u00e7\u00e3o de N\u00e9vio de que os Delfos alegavam que o nascimento ocorreu em Delfos \u00e9 provavelmente equivocada. O 7\u00ba dia de B\u00fasios era considerado, em Delfos, o dia do retorno do deus. Durante os tr\u00eas meses de inverno, o pe\u00e3 era silenciado, e apenas o ditirambo era ouvido: Apolo estava ausente junto aos Hiperb\u00f3reos, e Dioniso reinava sozinho\u201d (HALLIDAY, W. R. The Greek Questions of Plutarch. Estados Unidos: Arno Press, 1975. p. 60-61.)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref44\" id=\"_ftn44\">[44]<\/a> De Sim\u00f4nides, uma frase bastante utilizada por Plutarco.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler, a seguir, um trecho de &#8220;Di\u00e1logos P\u00edticos&#8221; de Plutarco. Caso deseje conhecer mais sobre a obra, ou saber como adquiri-la, clique aqui ou na capa abaixo. I. Sobre o \u201cE\u201d em Delfos I. H\u00e1 um ou dois dias, caro Sarapi\u00e3o[1], deparei-me com alguns versos bastante bons, que\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2025\/01\/17\/dialogos-piticos-de-plutarco\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1151,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,54],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1196"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1196"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1196\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1197,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1196\/revisions\/1197"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1151"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1196"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1196"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1196"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}