{"id":1208,"date":"2025-04-27T23:31:39","date_gmt":"2025-04-27T23:31:39","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=1208"},"modified":"2025-04-27T23:31:39","modified_gmt":"2025-04-27T23:31:39","slug":"a-cultura-feminina-de-georg-simmel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2025\/04\/27\/a-cultura-feminina-de-georg-simmel\/","title":{"rendered":"A Cultura Feminina de Georg Simmel"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler, a seguir, um trecho de &#8220;A Cultura Feminina&#8221; de Georg Simmel. Se deseja saber mais sobre o livro, <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-cultura-feminina\/\">clique aqui<\/a>, ou na capa abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-cultura-feminina\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/capinha_cultura-feminina_simmel.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1205\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/capinha_cultura-feminina_simmel.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/capinha_cultura-feminina_simmel-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/04\/capinha_cultura-feminina_simmel-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>A mulher historiadora<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Se \u00e9 verdadeiro o princ\u00edpio de que uma disposi\u00e7\u00e3o subjetiva distinta produz um conhecimento distinto, a alma feminina tamb\u00e9m poderia criar produtos espec\u00edficos na ci\u00eancia da hist\u00f3ria. A cr\u00edtica do conhecimento demonstrou a falsidade e superficialidade desse realismo que considera a ci\u00eancia hist\u00f3rica como uma reprodu\u00e7\u00e3o o mais fiel e fotogr\u00e1fica poss\u00edvel dos acontecimentos \u201ctal como realmente foram\u201d. A hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 uma transla\u00e7\u00e3o da realidade imediata para a consci\u00eancia cient\u00edfica. Sabemos hoje que o acontecer n\u00e3o \u00e9 conhecido como tal, mas sim vivido, e que a hist\u00f3ria se constitui gra\u00e7as \u00e0 atividade de certas fun\u00e7\u00f5es, determinadas pela estrutura e inten\u00e7\u00f5es do esp\u00edrito que conhece. A hist\u00f3ria \u2013 resultado dessa atividade \u2013 conserva o car\u00e1ter determinado dessas fun\u00e7\u00f5es. N\u00e3o por isso devemos considerar a hist\u00f3ria como algo \u201csubjetivo\u201d, como algo alheio \u00e0 distin\u00e7\u00e3o entre verdade e erro. A verdade n\u00e3o \u00e9 a reprodu\u00e7\u00e3o dos acontecimentos no espelho do esp\u00edrito. A verdade consiste em certa rela\u00e7\u00e3o funcional entre o esp\u00edrito e os acontecimentos, de maneira que as representa\u00e7\u00f5es, seguindo suas pr\u00f3prias necessidades, obedecem ao mesmo tempo a uma exig\u00eancia das coisas, exig\u00eancia que, seja qual for, n\u00e3o consiste, sem d\u00favida, em ser fotografadas pelas representa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Refiro-me aqui apenas a um dos problemas onde se manifesta esse car\u00e1ter da vis\u00e3o hist\u00f3rica, que depende, inevitavelmente, da estrutura espiritual do historiador e das peculiaridades dessa estrutura. Se o conhecimento hist\u00f3rico se limitasse ao que, em sentido estrito, comprovamos, ter\u00edamos um monte de fragmentos desconexos. Para formar com eles as s\u00e9ries uniformes da \u201chist\u00f3ria\u201d, precisamos constantemente interpolar, completar por analogia, ordenar segundo conceitos de evolu\u00e7\u00e3o. De outro modo, n\u00e3o podemos descrever nem mesmo o tr\u00e1fego de uma rua que vimos com nossos pr\u00f3prios olhos. Mas, abaixo dessa camada em que at\u00e9 as s\u00e9ries dos fatos imediatos recebem, por espontaneidade espiritual, seus nexos e significa\u00e7\u00f5es, existe outra, que \u00e9 a que propriamente informa a hist\u00f3ria. E nela essa espontaneidade \u00e9 decisiva. Suponhamos que conhec\u00eassemos integralmente todos os acontecimentos que podem ser comprovados pelos sentidos no mundo humano. Pois tudo isso que saber\u00edamos pela vista, pelo tato ou pela audi\u00e7\u00e3o seria t\u00e3o indiferente, t\u00e3o insignificante como o passar das nuvens pelo c\u00e9u ou o rumor do vento na copa das \u00e1rvores, se n\u00e3o atribu\u00edssemos a ele uma interpreta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica, ou seja, se ap\u00f3s esse acontecer externo n\u00e3o coloc\u00e1ssemos um pensamento, um sentimento, uma vontade, que nunca podemos estabelecer imediatamente, mas que suspeitamos, inferimos, introduzimos nos fatos gra\u00e7as \u00e0 nossa fantasia sensitiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa constru\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria por meio de nossa imagina\u00e7\u00e3o, que reproduz internamente o que \u00e9 eternamente inacess\u00edvel \u00e0 experi\u00eancia \u2013 pois o exterior n\u00e3o tem sentido hist\u00f3rico sen\u00e3o como manifesta\u00e7\u00e3o das almas, como consequ\u00eancia ou causa dos processos ps\u00edquicos \u2013, geralmente n\u00e3o \u00e9 claramente percebida; porque a vida cotidiana tamb\u00e9m transcorre em cont\u00ednuas suposi\u00e7\u00f5es sobre o valor ps\u00edquico das manifesta\u00e7\u00f5es humanas, que sabemos interpretar na pr\u00e1tica com grande seguran\u00e7a e plena evid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, essa interpreta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica que o historiador realiza sup\u00f5e uma rela\u00e7\u00e3o peculiar de igualdade e desigualdade entre o sujeito e seus objetos. Deve haver, primeiro, entre eles, certa igualdade fundamental. De fato, um habitante do globo terrestre talvez n\u00e3o \u201ccompreenderia\u201d o habitante de outra estrela, mesmo que conhecesse pontualmente toda sua atitude e conduta exterior. Em geral, compreendemos melhor nossos compatriotas do que os estrangeiros, nossos familiares melhor do que os estranhos, os homens de temperamento semelhante ao nosso melhor do que os de temperamento contr\u00e1rio. Se compreender \u00e9 como reproduzir um processo ps\u00edquico que n\u00e3o podemos perceber diretamente, ent\u00e3o, compreenderemos um esp\u00edrito tanto melhor quanto mais nos assemelharmos a ele. No entanto, n\u00e3o deve haver nisso o paralelismo de uma reprodu\u00e7\u00e3o mec\u00e2nica. N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ser um C\u00e9sar para compreender C\u00e9sar, nem um Santo Agostinho para compreender Santo Agostinho. \u00c9 mais: algo de diferen\u00e7a introduz muitas vezes uma dist\u00e2ncia ou afastamento mais favor\u00e1vel para o conhecimento psicol\u00f3gico do outro do que a identidade do tipo ps\u00edquico.<\/p>\n\n\n\n<p>A intelig\u00eancia psicol\u00f3gica \u2013 e, portanto, tamb\u00e9m a hist\u00f3rica \u2013 \u00e9 visivelmente determinada por uma rela\u00e7\u00e3o muito vari\u00e1vel entre seu sujeito e seu objeto. Essa rela\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o foi analisada, mas com certeza n\u00e3o pode ser definida com a express\u00e3o abstrata de uma simples mistura quantitativa de igualdade e desigualdade. Mas de tudo o que j\u00e1 dissemos, uma conclus\u00e3o parece se desprender: dentro de certo limite, envolto, sem d\u00favida, em constru\u00e7\u00f5es fant\u00e1sticas e fr\u00e1geis, uma mesma imagem externa produz em almas diferentes imagens internas diferentes, isto \u00e9, imagens que insinuam no externo uma interpreta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica; e todas essas imagens internas s\u00e3o igualmente v\u00e1lidas. N\u00e3o se trata de hip\u00f3teses distintas sobre um mesmo objeto real; n\u00e3o se trata de explica\u00e7\u00f5es, uma das quais s\u00f3 pode ser a exata (embora isso tamb\u00e9m aconte\u00e7a com bastante frequ\u00eancia). Essas imagens internas guardam entre si a mesma rela\u00e7\u00e3o que os diferentes retratos de um mesmo modelo por pintores distintos, mas todos igualmente qualificados. Nenhum desses retratos \u00e9 \u201co exato\u201d; cada um constitui um conjunto fechado, que se justifica em si mesmo e por sua peculiar rela\u00e7\u00e3o com o modelo; cada um manifesta do modelo algo que os outros n\u00e3o dizem, mas que tamb\u00e9m n\u00e3o desmentem<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A interpreta\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica que as mulheres fazem dos homens \u00e9, em muitos pontos, radicalmente distinta da que fazem de si mesmas, e inversamente. Goethe, em certa ocasi\u00e3o, manifesta \u2013 contradizendo-se, ao que parece \u2013 que sua ideia das mulheres lhe era, sem d\u00favida, inata, e que, por isso mesmo, seus tipos femininos eram melhores do que a realidade. Propriamente, n\u00e3o se deve supor (e Goethe seria o \u00faltimo a faz\u00ea-lo) que as ideias inatas sejam mentirosas. No entanto, nessa express\u00e3o paradoxal se revela efetivamente o sentimento de que a concep\u00e7\u00e3o profunda das almas alheias depende da alma pr\u00f3pria do sujeito que as concebe. Existe, al\u00e9m disso, uma experi\u00eancia geral, impessoal, sobre os homens. E essa experi\u00eancia n\u00e3o precisa coincidir sempre com aquela outra que nasce do nosso ser profundo e penetra nos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Das raz\u00f5es indicadas, parece-me que podemos concluir que, sendo a hist\u00f3ria, em certo sentido, uma psicologia aplicada, a \u00edndole feminina pode constituir a base de produ\u00e7\u00f5es muito originais na pesquisa hist\u00f3rica. A mulher, por ser mulher, cont\u00e9m em sua alma uma mistura de igualdade e desigualdade com o objeto hist\u00f3rico em propor\u00e7\u00f5es distintas das do homem, raz\u00e3o pela qual deve ver coisas diferentes das que o homem v\u00ea. Mas, al\u00e9m disso e, sobretudo, deve ver as mesmas coisas de maneira diferente, precisamente por ser distinta sua peculiar estrutura psicol\u00f3gica. Assim como para a natureza da mulher a exist\u00eancia, em geral, aparece sob outro prisma do que para o homem, sem que essas duas interpreta\u00e7\u00f5es sucumbam \u00e0 simples alternativa de verdade ou falsidade, tamb\u00e9m o mundo hist\u00f3rico, refletido na alma feminina, deve oferecer um aspecto distinto em suas partes como no seu conjunto. Essas possibilidades podem parecer muito problem\u00e1ticas e sua import\u00e2ncia pode, por ora, ficar limitada a uma quest\u00e3o de princ\u00edpio. Mas, em minha opini\u00e3o, cabem na ci\u00eancia hist\u00f3rica fun\u00e7\u00f5es especificamente femininas, produtos baseados na especial constitui\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os perceptores, sentimentais e construtivos da mulher, desde a mais fina intelig\u00eancia dos movimentos populares at\u00e9 a intui\u00e7\u00e3o aguda das motiva\u00e7\u00f5es inconfessadas, e at\u00e9 mesmo a simples interpreta\u00e7\u00e3o das inscri\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>A mulher escritora<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Onde mais admiss\u00edvel deve parecer a atua\u00e7\u00e3o feminina em prol da cultura \u00e9, sem d\u00favida, na esfera da arte. J\u00e1 se percebem ind\u00edcios disso. J\u00e1 existem na literatura uma s\u00e9rie de mulheres que n\u00e3o t\u00eam a ambi\u00e7\u00e3o servil de escrever \u201ccomo um homem\u201d, que n\u00e3o delatam, pelo uso de pseud\u00f4nimos masculinos, o desconhecimento total das originalidades pr\u00f3prias e espec\u00edficas de seu sexo. Sem d\u00favida, \u00e9 muito dif\u00edcil, at\u00e9 mesmo na cultura liter\u00e1ria, dar express\u00e3o aos matizes femininos, porque as formas gerais da poesia s\u00e3o cria\u00e7\u00f5es do homem, e como, por ora, ao menos, as formas po\u00e9ticas especificamente femininas, embora poss\u00edveis, ainda ficam restritas \u00e0s regi\u00f5es da Utopia, subsiste uma leve contradi\u00e7\u00e3o com o prop\u00f3sito de preencher as formas masculinas com um conte\u00fado feminino. Na l\u00edrica feminina, e justamente em suas produ\u00e7\u00f5es mais bem-sucedidas, percebo muitas vezes um certo dualismo entre o conte\u00fado pessoal e a forma art\u00edstica, como se a alma criadora e a express\u00e3o n\u00e3o tivessem o mesmo estilo. A vida \u00edntima da mulher tende a objetivar-se em figuras est\u00e9ticas; mas, por um lado, n\u00e3o consegue preencher os contornos dessas figuras, de maneira que, para satisfazer \u00e0s exig\u00eancias formais, v\u00ea-se obrigada a recorrer a certa trivialidade e convencionalismo, e, por outro lado, sempre fica dentro um resto de sentimento vivo que permanece informe e sem express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez aqui se aplique o que se diz de que \u201ca poesia \u00e9 trai\u00e7\u00e3o\u201d. Porque parece que as duas necessidades humanas, a de se revelar e a de se ocultar, est\u00e3o misturadas na alma feminina com propor\u00e7\u00f5es diferentes das da masculina. Agora, as formas tradicionais internas da l\u00edrica \u2013 o vocabul\u00e1rio, a esfera sentimental em que se mant\u00e9m, a rela\u00e7\u00e3o entre o sentimento e o s\u00edmbolo expressivo \u2013 sup\u00f5em um m\u00f3dulo geral da express\u00e3o ps\u00edquica cujo car\u00e1ter \u00e9 nitidamente masculino. E se a alma feminina, de temperamento bem diferente, quer expressar-se nas mesmas formas, deve resultar daqui, por um lado, certo desabrimento (que, sem d\u00favida, se encontra tamb\u00e9m em muitos l\u00edricos masculinos, sem que por isso deva prescindir-se de um elo t\u00e3o geral), e, por outro lado, a chocante impudic\u00edcia que em algumas poetisas modernas brota como espont\u00e2nea da discrep\u00e2ncia entre seu ser e o estilo tradicional do lirismo, e em outras revela um grande desvio interno da \u00edndole feminina. De todo modo, as publica\u00e7\u00f5es destes \u00faltimos anos me parecem prenunciar, ainda que com leve voo, a forma\u00e7\u00e3o de um estilo l\u00edrico especificamente feminino.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 interessante notar que na esfera da can\u00e7\u00e3o popular h\u00e1 muitos povos em que as mulheres produzem com a mesma fecundidade e originalidade que os homens. Isso significa que, em uma cultura ainda n\u00e3o desenvolvida, quando ainda n\u00e3o existe uma plena objetiva\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, n\u00e3o h\u00e1 ocasi\u00e3o para que se manifestem as discrep\u00e2ncias das quais tratamos. Se as formas da cultura ainda n\u00e3o receberam um selo fixo e especial, n\u00e3o podem ter tamb\u00e9m um car\u00e1ter masculino predominante; e ent\u00e3o as energias femininas, encontrando-se ainda em estado de indiferencia\u00e7\u00e3o (que corresponde \u00e0 maior igualdade f\u00edsica dos sexos, observada pelos antrop\u00f3logos em povos primitivos), n\u00e3o precisam exteriorizar-se em formas inadequadas, mas se plasmam livremente seguindo suas pr\u00f3prias normas, que, nesses casos, n\u00e3o est\u00e3o ainda, como hoje, diferenciadas das masculinas.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, como em muitos outros processos evolutivos, o est\u00e1gio superior repete a forma do est\u00e1gio inferior. A produ\u00e7\u00e3o mais sublime da cultura espiritual, a matem\u00e1tica, \u00e9 talvez tamb\u00e9m a que mais se distancia da diferen\u00e7a entre homem e mulher. Os objetos da matem\u00e1tica n\u00e3o d\u00e3o a menor ocasi\u00e3o para que o intelecto reaja de modo distinto no homem que na mulher. Assim, se explica que seja precisamente na matem\u00e1tica, mais do que em outras ci\u00eancias, onde as mulheres t\u00eam demonstrado profunda penetrabilidade e realizado trabalhos not\u00e1veis. A abstra\u00e7\u00e3o da matem\u00e1tica est\u00e1, por assim dizer, al\u00e9m da diferen\u00e7a psicol\u00f3gica entre os sexos, assim como a esfera do canto popular est\u00e1 antes dela.<\/p>\n\n\n\n<p>A cria\u00e7\u00e3o novelesca parece oferecer \u00e0s mulheres menos dificuldades do que os outros g\u00eaneros liter\u00e1rios, porque seu problema e sua estrutura art\u00edstica ainda n\u00e3o est\u00e3o fixados em formas r\u00edgidas e rigorosas. Os contornos da novela n\u00e3o s\u00e3o fixos; seus fios se entrela\u00e7am sem se retomarem em uma unidade fechada. Muitos acabam por se perder, por assim dizer, fora de seus limites, no indeterminado. Seu realismo inevit\u00e1vel n\u00e3o permite que se escape ao caos da realidade e se organize em estruturas r\u00edtmicas, regulares, como a l\u00edrica e o drama. Nestes \u00faltimos g\u00eaneros liter\u00e1rios, a rigidez da forma \u00e9 como uma condi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de masculinidade. Em contrapartida, a laxid\u00e3o, a flexibilidade da novela deixam um campo aberto para a atividade propriamente feminina. Por isso, o instinto tem levado as mulheres de temperamento liter\u00e1rio para a novela, que viram neste g\u00eanero sua esfera pr\u00f3pria e peculiar. A forma novelesca, por ser, em sentido rigoroso, n\u00e3o \u201cforma\u201d, acaba sendo suficientemente male\u00e1vel. E assim, existem algumas novelas modernas que podem ser contadas entre as cria\u00e7\u00f5es espec\u00edficas do sexo feminino.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Sobre estas condi\u00e7\u00f5es<em> a priori<\/em> da hist\u00f3ria, veja meu livro &#8220;Problemas da filosofia da hist\u00f3ria&#8221;, primeiro cap\u00edtulo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler, a seguir, um trecho de &#8220;A Cultura Feminina&#8221; de Georg Simmel. Se deseja saber mais sobre o livro, clique aqui, ou na capa abaixo. A mulher historiadora Se \u00e9 verdadeiro o princ\u00edpio de que uma disposi\u00e7\u00e3o subjetiva distinta produz um conhecimento distinto, a alma feminina tamb\u00e9m poderia\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2025\/04\/27\/a-cultura-feminina-de-georg-simmel\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1205,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,42],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1208"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1208"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1208\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1209,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1208\/revisions\/1209"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1205"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1208"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1208"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1208"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}