{"id":1245,"date":"2025-08-02T21:07:26","date_gmt":"2025-08-02T21:07:26","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=1245"},"modified":"2025-08-02T21:07:26","modified_gmt":"2025-08-02T21:07:26","slug":"trecho-de-cultura-primitiva-volume-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2025\/08\/02\/trecho-de-cultura-primitiva-volume-ii\/","title":{"rendered":"Trecho de &#8220;Cultura Primitiva&#8221;, Volume II"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler, a seguir, um trecho de &#8220;Cultura Primitiva&#8221;, de Edward Tylor, Volume II. Caso deseje saber mais sobre a obra, e como adquiri-la (tanto em vers\u00e3o impressa quanto em ebook), <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/cultura-primitiva\/\">clique aqui<\/a> ou na capa abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/cultura-primitiva\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/capinha_tylor_2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1241\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/capinha_tylor_2.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/capinha_tylor_2-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/capinha_tylor_2-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>XII. Animismo (cont.)<\/a><\/h1>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s tra\u00e7ar, a partir dos n\u00edveis mais baixos de cultura, as opini\u00f5es da humanidade sobre almas, esp\u00edritos, fantasmas ou espectros, que s\u00e3o considerados pertencentes a homens, animais inferiores, plantas e objetos, estamos agora prontos para investigar uma das grandes doutrinas religiosas do mundo: a cren\u00e7a na exist\u00eancia continuada da alma em uma Vida ap\u00f3s a Morte. Aqui, mais uma vez, devemos lembrar de uma considera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o pode ser enfatizada demais: a doutrina de uma Vida Futura, tal como \u00e9 sustentada pelas ra\u00e7as inferiores, \u00e9 o resultado quase necess\u00e1rio do animismo selvagem. A evid\u00eancia de que essas ra\u00e7as acreditam que as figuras dos mortos vistas em sonhos e vis\u00f5es s\u00e3o suas almas sobreviventes n\u00e3o apenas ajuda a explicar a comparativa universalidade de sua cren\u00e7a na exist\u00eancia continuada da alma ap\u00f3s a morte do corpo, mas tamb\u00e9m fornece a chave para muitas de suas especula\u00e7\u00f5es sobre a natureza dessa exist\u00eancia. Essas especula\u00e7\u00f5es s\u00e3o suficientemente racionais do ponto de vista selvagem, embora possam parecer absurdos exagerados para os modernos, em sua condi\u00e7\u00e3o intelectual muito alterada.<\/p>\n\n\n\n<p>A cren\u00e7a em uma Vida Futura se divide em duas principais categorias. Estreitamente conectadas e at\u00e9 mesmo em grande parte sobrepostas, ambas de distribui\u00e7\u00e3o mundial, ambas remontando a per\u00edodos de antiguidade desconhecida e profundamente enraizadas nas camadas mais baixas da vida humana que est\u00e3o abertas \u00e0 nossa observa\u00e7\u00e3o, essas duas doutrinas passaram, no mundo moderno, por condi\u00e7\u00f5es maravilhosamente diferentes. A primeira \u00e9 a teoria da Transmigra\u00e7\u00e3o das Almas, que, de fato, surgiu de seus est\u00e1gios mais baixos para se estabelecer entre as enormes comunidades religiosas da \u00c1sia, grandes na hist\u00f3ria e massivas em n\u00famero, mas que parece ter sido paralisada e, a partir de agora, n\u00e3o progressiva em seu desenvolvimento. O mundo mais educado rejeitou a cren\u00e7a antiga, e agora ela sobrevive na Europa apenas em remanescentes em diminui\u00e7\u00e3o. Muito diferente tem sido a hist\u00f3ria da outra doutrina, a da exist\u00eancia independente da alma pessoal ap\u00f3s a morte do corpo, em uma Vida Futura. Passando por mudan\u00e7as sucessivas na condi\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a humana, modificada e renovada em seu longo curso \u00e9tnico, essa grande cren\u00e7a pode ser rastreada desde suas manifesta\u00e7\u00f5es cruas e primitivas entre ra\u00e7as selvagens at\u00e9 seu estabelecimento no cora\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o moderna, em que a f\u00e9 em uma exist\u00eancia futura forma, ao mesmo tempo, um incentivo \u00e0 bondade, uma esperan\u00e7a sustentadora atrav\u00e9s do sofrimento e al\u00e9m do medo da morte, e uma resposta ao problema perplexo da distribui\u00e7\u00e3o de felicidade e mis\u00e9ria neste mundo presente, pela expectativa de outro mundo que corrija isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao investigar a doutrina da Transmigra\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 \u00fatil primeiro tra\u00e7ar sua posi\u00e7\u00e3o entre as ra\u00e7as inferiores e, em seguida, acompanhar seus desenvolvimentos na medida em que se estendem na civiliza\u00e7\u00e3o mais alta. A migra\u00e7\u00e3o tempor\u00e1ria de almas para subst\u00e2ncias materiais, desde corpos humanos at\u00e9 peda\u00e7os de madeira e pedra, \u00e9 uma parte muito importante da psicologia inferior. No entanto, isso n\u00e3o se relaciona com a exist\u00eancia continuada da alma ap\u00f3s a morte e pode ser tratado de forma mais conveniente em outro lugar, em conex\u00e3o com assuntos como possess\u00e3o demon\u00edaca e culto a fetiches. Estamos aqui preocupados com a ocupa\u00e7\u00e3o mais permanente das almas em vidas sucessivas em corpos sucessivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Transi\u00e7\u00e3o permanente, novo nascimento ou reencarna\u00e7\u00e3o de almas humanas em outros corpos \u00e9 especialmente considerada quando a alma de uma pessoa falecida anima o corpo de um infante. Brebeuf registra que os Hurons, ao perderem crian\u00e7as pequenas, as enterravam \u00e0 beira do caminho para que suas almas pudessem entrar em m\u00e3es que passavam, permitindo assim o renascimento.<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> Na Am\u00e9rica do Noroeste, entre os Taculis, ouvimos falar de uma transfus\u00e3o direta de alma realizada pelo homem-m\u00e9dico, que, colocando suas m\u00e3os sobre o peito do moribundo ou do morto, depois as posiciona sobre a cabe\u00e7a de um parente e sopra atrav\u00e9s delas; a pr\u00f3xima crian\u00e7a nascida para esse receptor da alma partida \u00e9 animada por ela e assume a posi\u00e7\u00e3o e o nome do falecido.<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a> Os \u00edndios Nutka, com certa engenhosidade, explicavam a exist\u00eancia de uma tribo distante que falava a mesma l\u00edngua que eles, considerando-os os esp\u00edritos de seus mortos.<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a> Na Groenl\u00e2ndia, onde o triste costume de abandonar e at\u00e9 saquear vi\u00favas e \u00f3rf\u00e3os estava levando toda a ra\u00e7a \u00e0 extin\u00e7\u00e3o, uma vi\u00fava desamparada tentava persuadir algum pai de que a alma de uma crian\u00e7a morta dele havia passado para uma crian\u00e7a viva dela, ou vice-versa, assim ganhando um novo parente e protetor.<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> A cren\u00e7a \u00e9 de que principalmente almas ancestrais ou de parentes entram nas crian\u00e7as, e esse tipo de transmigra\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, uma teoria altamente filos\u00f3fica do ponto de vista selvagem, explicando bem a semelhan\u00e7a geral entre pais e filhos, e at\u00e9 mesmo os fen\u00f4menos mais espec\u00edficos de atavismo. Na Am\u00e9rica do Noroeste, entre os Koloshes, a m\u00e3e v\u00ea em um sonho o parente falecido cuja alma transmitida dar\u00e1 sua semelhan\u00e7a \u00e0 crian\u00e7a;<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> e na Ilha de Vancouver, em 1860, um rapaz era muito respeitado pelos \u00edndios porque tinha uma marca semelhante \u00e0 cicatriz de um ferimento de bala em seu quadril, acreditando-se que um chefe que havia morrido cerca de quatro gera\u00e7\u00f5es antes, que tinha tal marca, havia retornado.<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a> Em Old Calabar, se uma m\u00e3e perde uma crian\u00e7a e outra nasce logo depois, ela acredita que o falecido voltou.<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> Os Wanika consideram que a alma de um ancestral falecido anima uma crian\u00e7a, e \u00e9 por isso que ela se parece com seu pai ou m\u00e3e;<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> na Guin\u00e9, uma crian\u00e7a que apresenta uma forte semelhan\u00e7a, f\u00edsica ou mental, com um parente falecido \u00e9 considerada como tendo herdado sua alma;<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a> e os Iorub\u00e1s, ao saudarem um rec\u00e9m-nascido com a express\u00e3o \u201cTu vieste!\u201d, buscam sinais que indiquem qual alma ancestral retornou entre eles.<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a> Entre os Khonds de Orissa, os nascimentos s\u00e3o celebrados com um banquete no s\u00e9timo dia, e o sacerdote, ao deixar cair gr\u00e3os de arroz em um copo de \u00e1gua e observando a crian\u00e7a, determina qual de seus progenitores reapareceu; geralmente, a crian\u00e7a, pelo menos entre as tribos do norte, recebe o nome daquele ancestral.<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a> Na Europa, os Lap\u00f5es repetem uma ideia animista j\u00e1 observada na Am\u00e9rica: a futura m\u00e3e \u00e9 informada em um sonho sobre qual nome dar a seu filho, geralmente dado pelo pr\u00f3prio esp\u00edrito do ancestral falecido que est\u00e1 prestes a se encarnar nela.<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a> Entre as ra\u00e7as inferiores em geral, sempre se pode suspeitar que a renova\u00e7\u00e3o de antigos nomes de fam\u00edlia ao atribu\u00ed-los a crian\u00e7as rec\u00e9m-nascidas envolve algum pensamento desse tipo. A seguir, temos um curioso par de exemplos das duas metades do globo. O sacerdote da Nova Zel\u00e2ndia repetiria ao infante uma longa lista de nomes de seus ancestrais, fixando-se naquele nome que a crian\u00e7a, ao espirrar ou chorar quando era pronunciado, considerava-se que o escolhia para si; enquanto os Queremisas na R\u00fassia balan\u00e7ariam o beb\u00ea at\u00e9 que ele chorasse, e ent\u00e3o repetiriam nomes para ele, at\u00e9 que escolhesse um ao parar de chorar.<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A cren\u00e7a no novo nascimento humano da alma partida, que levou at\u00e9 mesmo os negros da \u00c1frica Ocidental a cometer suic\u00eddio quando em escravid\u00e3o distante, para que possam renascer em sua pr\u00f3pria terra, equivale, entre v\u00e1rias das ra\u00e7as inferiores, a uma doutrina distinta de ressurrei\u00e7\u00e3o terrestre. Uma das formas mais not\u00e1veis que essa cren\u00e7a assume \u00e9 quando ra\u00e7as de pele escura, buscando uma explica\u00e7\u00e3o razo\u00e1vel para a apari\u00e7\u00e3o entre elas de criaturas humanas de um novo tipo estranho, os homens brancos, impressionadas com seu tom p\u00e1lido e mortal combinado com poderes que parecem os de seres espirituais sobre-humanos, determinam que as almas de seus mortos devem ter voltado nessa forma maravilhosa. Os abor\u00edgenes da Austr\u00e1lia expressaram essa teoria na simples f\u00f3rmula: \u201cO Blackfellow cai, o Whitefellow salta.\u201d Assim, um nativo que foi enforcado anos atr\u00e1s em Melbourne expressou em seus \u00faltimos momentos a cren\u00e7a esperan\u00e7osa de que ele saltaria como um Whitefellow e teria muitos seis-pences. A doutrina tem sido corrente entre eles desde os primeiros dias de interc\u00e2mbio europeu, e, de acordo com ela, eles habitualmente consideravam os ingleses como seus pr\u00f3prios parentes falecidos que voltaram para seu pa\u00eds por um apego a ele em uma vida anterior. Semelhan\u00e7a real ou imagin\u00e1ria completava a ilus\u00e3o, como quando Sir George Grey foi abra\u00e7ado e chorado por uma velha que encontrou nele um filho que havia perdido, ou quando um condenado, reconhecido como um parente falecido, foi dotado novamente com a terra que possu\u00eda durante sua vida anterior. Uma teoria semelhante pode ser rastreada para o norte, pelas Ilhas Torres at\u00e9 Nova Caled\u00f4nia, onde os nativos pensavam que os homens brancos eram os esp\u00edritos dos mortos que trazem doen\u00e7as, e atribu\u00edram isso como sua raz\u00e3o para desejar matar homens brancos.<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a> Na \u00c1frica, novamente, a cren\u00e7a \u00e9 encontrada entre os negros ocidentais de que eles ressurgir\u00e3o brancos, e os Bari do Nilo Branco, acreditando na ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos na terra, consideravam as primeiras pessoas brancas que viram como esp\u00edritos falecidos que assim voltaram.<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em seguida, a psicologia inferior, ao n\u00e3o tra\u00e7ar uma linha de demarca\u00e7\u00e3o definida entre as almas dos homens e dos animais, pode, pelo menos, admitir sem dificuldade a transmiss\u00e3o de almas humanas para os corpos de seres inferiores. Uma s\u00e9rie de exemplos entre as tribos nativas da Am\u00e9rica ilustra bem as diversas maneiras pelas quais tais ideias s\u00e3o desenvolvidas. Os Ahts da Ilha de Vancouver acreditam que a alma de um homem vivo \u00e9 capaz de entrar em outros corpos, tanto de homens quanto de animais, entrando e saindo como um habitante de uma casa. Nos tempos antigos, afirmam, os homens existiam nas formas de p\u00e1ssaros, bestas e peixes, ou estes possu\u00edam os esp\u00edritos dos \u00edndios em seus corpos; alguns acreditam que, ap\u00f3s a morte, as almas retornar\u00e3o aos corpos dos animais que ocuparam em sua vida anterior.<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a> Em um distrito ind\u00edgena do Noroeste da Calif\u00f3rnia, encontramos nativos que acreditam que os esp\u00edritos de seus mortos entram em ursos, e viajantes relataram uma tribo que pedia a vida de uma velha ursa grisalha, de rosto enrugado, como receptora da alma de uma av\u00f3 espec\u00edfica, que eles imaginavam que a criatura se assemelhasse.<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a> Assim, entre os Esquim\u00f3s, um viajante notou uma vi\u00fava que, por conta de sua consci\u00eancia, se alimentava de p\u00e1ssaros e n\u00e3o tocava na carne de morsa, pois o angekok lhe havia proibido, j\u00e1 que seu falecido marido havia se transformado em uma morsa.<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a> Entre outras tribos da Am\u00e9rica do Norte, ouvimos falar dos Powhatans, que se abst\u00eam de fazer mal a certos pequenos p\u00e1ssaros da floresta, acreditando que eles abrigam as almas de seus chefes;<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a> das almas Huron que se transformam em rolinhas ap\u00f3s o enterro de seus ossos na Festa dos Mortos;<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a> e do pat\u00e9tico rito funer\u00e1rio dos Iroquois, que consiste na liberta\u00e7\u00e3o de um p\u00e1ssaro na noite do enterro, para levar a alma.<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a> No M\u00e9xico, os Tlascalans acreditavam que, ap\u00f3s a morte, as almas dos nobres se tornariam belos p\u00e1ssaros cantores, enquanto os plebeus se transformariam em doninhas, besouros e outras criaturas menosprezadas.<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a> Assim, no Brasil, os I\u00e7anas afirmam que as almas dos valentes se transformar\u00e3o em belos p\u00e1ssaros, alimentando-se de frutas agrad\u00e1veis, enquanto os covardes ser\u00e3o transformados em r\u00e9pteis.<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a> Entre os Abipones, h\u00e1 relatos de pequenos patos que voam em bandos \u00e0 noite, emitindo um sibilo triste, e que a fantasia associa \u00e0s almas dos mortos;<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\">[24]<\/a> enquanto em Popay\u00e1n, diz-se que as pombas n\u00e3o s\u00e3o mortas, pois s\u00e3o inspiradas por almas que partiram.<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a> Por fim, a transmigra\u00e7\u00e3o para os animais tamb\u00e9m \u00e9 uma doutrina aceita na Am\u00e9rica do Sul, como quando um mission\u00e1rio ouviu uma mulher Chiriquane, do oeste do Brasil, dizer sobre uma raposa: \u201cN\u00e3o pode ser o esp\u00edrito da minha filha morta?\u201d<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00c1frica, novamente, menciona-se que os Maravi acreditam que as almas dos homens maus se tornam chacais, enquanto as dos homens bons se transformam em cobras.<a href=\"#_ftn27\" id=\"_ftnref27\">[27]<\/a> Os Zulus, ao admitirem que um homem pode se transformar em uma vespa ou lagarto, desenvolvem de maneira mais completa a ideia de que os mortos se tornam cobras, uma criatura cuja troca de pele tem sido frequentemente associada ao conceito de ressurrei\u00e7\u00e3o e imortalidade. Certas cobras verdes ou marrons inofensivas, que entram suavemente e sem medo nas casas, s\u00e3o consideradas <em>amatongo<\/em> ou ancestrais, e, portanto, tratadas com respeito, recebendo ofertas de comida. O homem morto que se tornou uma cobra pode ser reconhecido de duas maneiras: se a criatura tiver um olho s\u00f3, ou uma cicatriz ou outra marca, \u00e9 identificada como o <em>itongo<\/em> de um homem que foi assim marcado em vida; mas se n\u00e3o tiver marca, o <em>itongo<\/em> aparece em forma humana nos sonhos, revelando assim a personalidade da cobra.<a href=\"#_ftn28\" id=\"_ftnref28\">[28]<\/a> Na Guin\u00e9, macacos encontrados perto de um cemit\u00e9rio s\u00e3o considerados animados pelos esp\u00edritos dos mortos, e em certas localidades, macacos, crocodilos e cobras, sendo vistos como homens em metempsicose, s\u00e3o considerados sagrados.<a href=\"#_ftn29\" id=\"_ftnref29\">[29]<\/a> \u00c9 importante notar que no\u00e7\u00f5es desse tipo podem formar na psicologia b\u00e1rbara apenas uma parte da ampla doutrina sobre a futura exist\u00eancia da alma. Um exemplo not\u00e1vel disso \u00e9 o sistema dos negros da Costa do Ouro. Eles acreditam que o <em>kla<\/em> ou <em>kra<\/em>, a alma vital, se torna, na morte, um <em>sisa<\/em> ou fantasma, que pode permanecer na casa com o corpo, atormentar os vivos e causar doen\u00e7as, at\u00e9 que parta ou seja expulso por um feiticeiro para a margem do Rio Volta, onde os fantasmas constroem casas e habitam. No entanto, eles podem e voltam dessa Terra das Almas. Podem renascer como almas em novos corpos humanos, e uma alma que era pobre antes agora pode ser rica. Para uma m\u00e3e africana que perdeu seu filho, \u00e9 um consolo dizer: \u201cEle voltar\u00e1.\u201d<a href=\"#_ftn30\" id=\"_ftnref30\">[30]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em n\u00edveis mais elevados de cultura, a teoria da reencarna\u00e7\u00e3o da alma se desenvolve de forma intensa e variada. Embora aparentemente n\u00e3o tenha sido aceita pelos primeiros arianos, a doutrina da migra\u00e7\u00e3o foi adotada e adaptada pela filosofia hindu, tornando-se parte integral daquele grande sistema comum ao bramanismo e ao budismo. Nesse contexto, acredita-se que os nascimentos ou exist\u00eancias sucessivas carregam as consequ\u00eancias de vidas passadas e preparam os antecedentes da vida futura. Para o hindu, o corpo \u00e9 apenas um recept\u00e1culo tempor\u00e1rio da alma, que, \u201cpresa nas correntes das a\u00e7\u00f5es\u201d e \u201ccolhendo os frutos das a\u00e7\u00f5es passadas\u201d, promove ou degrada a si mesma ao longo de uma s\u00e9rie de reencarna\u00e7\u00f5es em planta, animal, humano ou divino. Assim, todas as criaturas diferem mais em grau do que em esp\u00e9cie; todas s\u00e3o afins ao homem, e um elefante, um macaco ou um verme pode ter sido humano uma vez e pode se tornar humano novamente. Um p\u00e1ria ou um b\u00e1rbaro \u00e9, ao mesmo tempo, de baixa casta entre os homens e de alta casta entre os seres brutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de tais corpos, migram as almas pecadoras que o desejo atraiu da pureza primal para a exist\u00eancia material grosseira. O mundo onde elas fazem penit\u00eancia pela culpa incorrida em exist\u00eancias passadas \u00e9 um enorme reformat\u00f3rio, e a vida \u00e9 um longo e penoso processo de transformar o mal em bem. As regras est\u00e3o expostas no livro de Manu, que descreve como as almas dotadas da qualidade de bondade adquirem a natureza divina, enquanto as almas governadas pela paix\u00e3o assumem o estado humano, e as almas afundadas na escurid\u00e3o s\u00e3o degradadas a seres brutos. Assim, o alcance da migra\u00e7\u00e3o se estende para baixo, desde deuses e santos, passando por ascetas sagrados, br\u00e2manes, ninfas, reis e conselheiros, at\u00e9 atores, b\u00eabados, p\u00e1ssaros, dan\u00e7arinos, trapaceiros, elefantes, cavalos, sudras, b\u00e1rbaros, feras selvagens, cobras, vermes, insetos e coisas inertes.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora a rela\u00e7\u00e3o entre o crime e sua puni\u00e7\u00e3o em uma nova vida seja geralmente obscura, pode-se discernir, atrav\u00e9s do c\u00f3digo de transmigra\u00e7\u00e3o penal, uma tentativa de adequa\u00e7\u00e3o da pena e uma inten\u00e7\u00e3o de punir o pecador onde ele pecou. Por faltas cometidas em uma exist\u00eancia anterior, os homens s\u00e3o afligidos com deformidades: o ladr\u00e3o de comida ser\u00e1 disp\u00e9ptico, o espalhador de esc\u00e2ndalos ter\u00e1 h\u00e1lito f\u00e9tido, o ladr\u00e3o de cavalos ficar\u00e1 manco, e, em consequ\u00eancia de suas a\u00e7\u00f5es, os homens nascer\u00e3o idiotas, cegos, surdos e mudos, malformados, e assim desprezados pelos homens de bem. Ap\u00f3s a expia\u00e7\u00e3o de sua maldade nos infernos de tormento, o assassino de um br\u00e2mane pode reencarnar como uma fera selvagem ou um p\u00e1ria; aquele que adultera e desonra seu guru ou pai espiritual ser\u00e1 reencarnado cem vezes como grama, arbusto, trepadeira, p\u00e1ssaro de carni\u00e7a ou besta de presa; o cruel se tornar\u00e1 bestas sedentas de sangue; os ladr\u00f5es de gr\u00e3os e carne se transformar\u00e3o em ratos e abutres; o ladr\u00e3o que levou roupas tingidas, ervas de cozinha ou perfumes se tornar\u00e1, conforme o caso, uma perdiz vermelha, um pav\u00e3o ou um rato alm\u00edscar. Em suma, \u201cna disposi\u00e7\u00e3o de esp\u00edrito em que um homem realiza tal e tal ato, ele colher\u00e1 o fruto em um corpo dotado de tal e tal qualidade.\u201d<a href=\"#_ftn31\" id=\"_ftnref31\">[31]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O reconhecimento das plantas como poss\u00edveis recept\u00e1culos do esp\u00edrito transmigrante ilustra bem a concep\u00e7\u00e3o das almas vegetais. Essa ideia \u00e9 conhecida entre ra\u00e7as inferiores em uma regi\u00e3o do mundo que esteve sob influ\u00eancia hindu. Assim, ouvimos entre os Dayaks de Born\u00e9u sobre a alma humana entrando nos troncos das \u00e1rvores, onde pode ser vista \u00famida e semelhante ao sangue, mas n\u00e3o mais pessoal e sens\u00edvel, ou de seu renascimento a partir de um animal que comeu da casca, flor ou fruto;<a href=\"#_ftn32\" id=\"_ftnref32\">[32]<\/a> e os Santais de Bengala dizem imaginar que homens n\u00e3o caridosos e mulheres sem filhos s\u00e3o eternamente devorados por vermes e cobras, enquanto os bons entram em \u00e1rvores frut\u00edferas.<a href=\"#_ftn33\" id=\"_ftnref33\">[33]<\/a> No entanto, \u00e9 uma quest\u00e3o em aberto at\u00e9 que ponto essas e as ideias hindus de transmigra\u00e7\u00e3o vegetal podem ser consideradas independentes. Um curioso coment\u00e1rio sobre a elabora\u00e7\u00e3o hindu da concep\u00e7\u00e3o de almas vegetais pode ser encontrado em um trecho de uma obra do s\u00e9culo XVII, que descreve certos br\u00e2manes da Costa de Coromandel como comendo frutas, mas tendo o cuidado de n\u00e3o arrancar as plantas pelas ra\u00edzes, para n\u00e3o deslocar uma alma. Contudo, observa-se que poucos s\u00e3o t\u00e3o escrupulosos quanto isso, e a considera\u00e7\u00e3o lhes ocorre de que almas em ra\u00edzes e ervas s\u00e3o corpos mais vil e abjetos, de modo que, se deslocadas, podem se tornar melhores ao entrar nos corpos de homens ou bestas.<a href=\"#_ftn34\" id=\"_ftnref34\">[34]<\/a> Al\u00e9m disso, a doutrina bram\u00e2nica das almas transmigrando para coisas inertes tem, de maneira semelhante, uma rela\u00e7\u00e3o com a teoria selvagem das almas-objetos.<a href=\"#_ftn35\" id=\"_ftnref35\">[35]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O budismo, assim como o bramanismo do qual se separou, reconheceu habitualmente a transmigra\u00e7\u00e3o entre seres super-humanos, humanos e animais inferiores, e, de maneira excepcional, reconheceu uma degrada\u00e7\u00e3o at\u00e9 mesmo em uma planta ou uma coisa. Como a mente budista elaborou a doutrina da metempsicose pode ser visto nas intermin\u00e1veis lendas de Gautama, que ele mesmo passou por seus 550 nascimentos, sofrendo dor e mis\u00e9ria atrav\u00e9s de incont\u00e1veis eras para ganhar o poder de libertar os seres sencientes da mis\u00e9ria inerente a toda exist\u00eancia. Quatro vezes ele se tornou Maha Brahma, vinte vezes o <em>deva<\/em> Sekra, e muitas vezes ou poucas ele passou por tais est\u00e1gios como eremita, rei, homem rico, escravo, oleiro, jogador, curador de picadas de cobra, macaco, elefante, touro, serpente, ma\u00e7arico<a href=\"#_ftn36\" id=\"_ftnref36\">[36]<\/a>, peixe e sapo, al\u00e9m de ser o <em>deva<\/em> ou g\u00eanio de uma \u00e1rvore. Por fim, quando se tornou o supremo Buda, sua mente, como um vaso transbordando de mel, transbordou com a ambrosia da verdade, e ele proclamou seu triunfo sobre a vida:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cPenosos s\u00e3o os nascimentos repetidos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00d3 construtor da casa! Eu te vi,<\/p>\n\n\n\n<p>Tu n\u00e3o podes mais construir uma casa para mim.<\/p>\n\n\n\n<p>Tuas vigas est\u00e3o quebradas,<\/p>\n\n\n\n<p>Teus madeiramentos est\u00e3o despeda\u00e7ados.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha mente est\u00e1 desapegada,<\/p>\n\n\n\n<p>Eu alcancei a extin\u00e7\u00e3o do desejo.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>Se os budistas aceitam a plena doutrina hindu da migra\u00e7\u00e3o da alma individual de nascimento em nascimento, ou se refinam a no\u00e7\u00e3o de personalidade cont\u00ednua em sutilezas metaf\u00edsicas, eles sustentam de forma consistente e sistem\u00e1tica que a vida de um homem em exist\u00eancias anteriores \u00e9 a causa de seu ser atual. Neste momento, ele est\u00e1 acumulando m\u00e9rito ou dem\u00e9rito, cujo resultado determinar\u00e1 seu destino em vidas futuras. A mem\u00f3ria, \u00e9 verdade, geralmente falha em recordar esses nascimentos passados, mas, como sabemos, tamb\u00e9m falha em reter informa\u00e7\u00f5es desde o in\u00edcio desta vida presente. Quando os p\u00e9s do rei Bimsara foram queimados e esfregados com sal por ordem de seu cruel filho, para que ele n\u00e3o pudesse andar, por que essa tortura foi infligida a um homem t\u00e3o santo? Porque, em uma vida anterior, ele havia andado perto de uma estupa com suas sand\u00e1lias e pisado no tapete de um sacerdote sem lavar os p\u00e9s. Um homem pode ser pr\u00f3spero por um tempo devido ao m\u00e9rito que recebeu em vidas anteriores, mas se n\u00e3o continuar a manter os preceitos, seu pr\u00f3ximo nascimento ser\u00e1 em um dos infernos. Ele ent\u00e3o poder\u00e1 nascer neste mundo como uma besta, depois como um preta ou esp\u00edrito; um homem orgulhoso pode renascer com fei\u00e7\u00f5es desfiguradas, como l\u00e1bios grandes, ou como um dem\u00f4nio ou um verme. A teoria budista de <em>karma<\/em> ou <em>a\u00e7\u00e3o<\/em>, que controla o destino de todos os seres sencientes, n\u00e3o por recompensa e puni\u00e7\u00e3o judiciais, mas pelo resultado inflex\u00edvel de causa e efeito, onde o presente \u00e9 sempre determinado pelo passado em uma linha ininterrupta de causalidade, \u00e9, de fato, um dos desenvolvimentos mais not\u00e1veis da especula\u00e7\u00e3o \u00e9tica do mundo.<a href=\"#_ftn37\" id=\"_ftnref37\">[37]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do mundo cl\u00e1ssico, os antigos eg\u00edpcios foram descritos como mantendo uma doutrina de migra\u00e7\u00e3o, seja por emana\u00e7\u00f5es sucessivas da alma imortal atrav\u00e9s de criaturas da terra, do mar e do ar, e de volta ao homem, ou pela penalidade judicial mais simples que enviava os mortos \u00edmpios de volta \u00e0 terra como bestas impuras.<a href=\"#_ftn38\" id=\"_ftnref38\">[38]<\/a> As imagens e frases hierogl\u00edficas do Livro dos Mortos, no entanto, n\u00e3o fornecem a confirma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para essas afirma\u00e7\u00f5es, mesmo as transforma\u00e7\u00f5es m\u00edsticas da alma n\u00e3o sendo da natureza das transmigra\u00e7\u00f5es. Assim, parece que o centro teol\u00f3gico de onde a doutrina da metempsicose moral pode ter se espalhado sobre as antigas religi\u00f5es cultas deve ser buscado em outro lugar que n\u00e3o no Egito. Na filosofia grega, grandes mestres se destacaram para proclamar a doutrina em uma forma altamente desenvolvida. Plat\u00e3o tinha conhecimento m\u00edtico a transmitir sobre almas entrando em novas encarna\u00e7\u00f5es conforme sua vis\u00e3o da verdadeira exist\u00eancia as tornava aptas, desde o corpo de um fil\u00f3sofo ou de um amante at\u00e9 o corpo de um tirano e usurpador; de almas transmigrando para bestas e ressurgindo como homens de acordo com as vidas que levaram; de p\u00e1ssaros que eram almas levianas; de ostras sofrendo no ex\u00edlio a penalidade da completa ignor\u00e2ncia. Pit\u00e1goras \u00e9 apresentado como um exemplo de sua pr\u00f3pria doutrina de metempsicose, reconhecendo onde pendia no templo de Hera o escudo que ele havia carregado em uma vida anterior, quando era Euforbos, que Menelau matou durante o cerco de Tr\u00f3ia. Depois, ele foi Herm\u00f3timo, o profeta de Claz\u00f4menas cujos rituais f\u00fanebres foram celebrados t\u00e3o prematuramente enquanto sua alma estava fora, e, como Lucian conta a hist\u00f3ria, sua alma prof\u00e9tica passou para o corpo de um galo. Mikylos pede a esse galo que lhe conte sobre Tr\u00f3ia \u2013 ser\u00e1 que as coisas l\u00e1 eram realmente como Homero disse? Mas o galo responde: \u201cComo poderia Homero saber, \u00f3 Mikylos? Quando a guerra de Tr\u00f3ia estava acontecendo, ele era um camelo na B\u00e1ctria!\u201d<a href=\"#_ftn39\" id=\"_ftnref39\">[39]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na filosofia judaica posterior, os cabalistas retomaram a doutrina da migra\u00e7\u00e3o, o <em>gilgul<\/em> ou <em>rolar<\/em> das almas, e a mantiveram por meio daquele m\u00e9todo caracter\u00edstico de interpreta\u00e7\u00e3o b\u00edblica que \u00e9 importante ressaltar de tempos em tempos como um aviso para os int\u00e9rpretes m\u00edsticos de nossos dias. A alma de Ad\u00e3o passou para Davi e passar\u00e1 para o Messias, pois n\u00e3o est\u00e3o essas iniciais no pr\u00f3prio nome de Ad(a)m? E n\u00e3o diz Ezequiel que \u201cmeu servo Davi ser\u00e1 seu pr\u00edncipe para sempre\u201d? A alma de Caim passou para Jetro, e a de Abel para Mois\u00e9s, e foi por isso que Jetro deu sua filha em casamento a Mois\u00e9s. As almas migram para bestas, aves e vermes, pois n\u00e3o \u00e9 Jeov\u00e1 \u201co senhor dos esp\u00edritos de toda carne\u201d? Aquele que comete um pecado al\u00e9m de suas boas obras passar\u00e1 a ser uma besta. Aquele que d\u00e1 a um judeu carne impura para comer, sua alma entrar\u00e1 em uma folha, soprada de um lado para o outro pelo vento; \u201cpois sereis como um carvalho cujas folhas murcham\u201d; e aquele que fala palavras m\u00e1s, sua alma passar\u00e1 para uma pedra muda, como a de Nabal, \u201ce ele se tornou uma pedra.\u201d<a href=\"#_ftn40\" id=\"_ftnref40\">[40]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro do alcance da influ\u00eancia crist\u00e3, os maniqueus aparecem como os mais not\u00e1veis expoentes da metempsicose. Ouvimos sobre suas ideias de almas de pecadores transmigrando para bestas, as mais vil\u00e3s de acordo com seus crimes; que aquele que mata uma ave ou um rato se tornar\u00e1 uma ave ou um rato; que as almas podem passar para plantas enraizadas no solo, que assim t\u00eam n\u00e3o apenas vida, mas tamb\u00e9m sentido; que as almas dos ceifeiros passam para feij\u00f5es e cevada, para serem cortadas em sua vez, e assim os eleitos se preocupavam em explicar ao p\u00e3o, quando o comiam, que n\u00e3o eram eles que ceifavam o gr\u00e3o do qual ele era feito; que as almas dos ouvintes, ou seja, a plebe espiritualmente baixa que vivia uma vida casada, passariam para mel\u00f5es e pepinos, para terminar sua purifica\u00e7\u00e3o sendo comidas pelos eleitos. No entanto, esses detalhes nos chegam dos relatos de amargos advers\u00e1rios teol\u00f3gicos, e a quest\u00e3o \u00e9: quanto deles os maniqueus realmente e sobriamente acreditavam? Considerando o exagero e a imputa\u00e7\u00e3o construtiva, h\u00e1 alguma raz\u00e3o para considerar que o relato \u00e9, pelo menos, fundamentado em fatos. Os maniqueus parecem ter reconhecido uma err\u00e2ncia de almas imperfeitas, quer sua religi\u00e3o composta, com seus elementos Zaratustra e crist\u00e3os, tamb\u00e9m tenha absorvido de forma t\u00e3o indiana a doutrina da purifica\u00e7\u00e3o das almas pela migra\u00e7\u00e3o para animais e plantas.<a href=\"#_ftn41\" id=\"_ftnref41\">[41]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em tempos posteriores, a doutrina da metempsicose foi repetidamente notada em uma regi\u00e3o do sudoeste da \u00c1sia. Wiliam de Ruysbroek fala da no\u00e7\u00e3o de almas passando de corpo para corpo como algo comum entre os nestorianos medievais; at\u00e9 mesmo um sacerdote um tanto inteligente o consultou sobre as almas dos brutos, se poderiam encontrar ref\u00fagio em outro lugar para n\u00e3o serem obrigados a trabalhar ap\u00f3s a morte. O rabino Benjamin de Tudela registra no s\u00e9culo XII sobre os drusos do Monte Hermon: \u201cEles dizem que a alma de um homem virtuoso \u00e9 transferida para o corpo de uma crian\u00e7a rec\u00e9m-nascida, enquanto a do vicioso transmigra para um cachorro ou algum outro animal.\u201d Tais ideias, de fato, parecem ainda n\u00e3o estar extintas na moderna na\u00e7\u00e3o drusa. Entre os nassairi, tamb\u00e9m se acredita na transmigra\u00e7\u00e3o como uma forma de penit\u00eancia e purifica\u00e7\u00e3o: ouvimos sobre a migra\u00e7\u00e3o de descrentes para camelos, jumentos, c\u00e3es ou ovelhas, de nassairi desobedientes para judeus, sunitas ou crist\u00e3os, e dos fi\u00e9is para novos corpos de seu pr\u00f3prio povo, algumas dessas mudan\u00e7as de <em>camisa<\/em> (ou seja, corpo) levando-os a entrar no para\u00edso ou se tornarem estrelas.<a href=\"#_ftn42\" id=\"_ftnref42\">[42]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo da cren\u00e7a dentro dos limites da Europa crist\u00e3 moderna pode ser encontrado entre os b\u00falgaros, cuja supersti\u00e7\u00e3o \u00e9 que turcos que nunca comeram carne de porco em vida se tornar\u00e3o javalis ap\u00f3s a morte. Um grupo reunido para festejar um javali j\u00e1 foi conhecido por jogar tudo fora, pois a carne pulou do espeto para o fogo, e um peda\u00e7o de algod\u00e3o foi encontrado nas orelhas, que o homem s\u00e1bio decidiu ser um peda\u00e7o do turbante do antigo turco.<a href=\"#_ftn43\" id=\"_ftnref43\">[43]<\/a> Tais casos, no entanto, s\u00e3o excepcionais. A metempsicose nunca se tornou uma das grandes doutrinas da cristandade, embora n\u00e3o fosse desconhecida na escol\u00e1stica medieval, e embora tenha sido mantida por um te\u00f3logo exc\u00eantrico aqui e ali at\u00e9 nossos pr\u00f3prios tempos. Seria estranho se n\u00e3o fosse assim. Est\u00e1 na pr\u00f3pria natureza do desenvolvimento da religi\u00e3o que especula\u00e7\u00f5es da cultura anterior diminuam para sobreviv\u00eancias, mas sejam repetidamente revividas. Doutrinas transmigram, se as almas n\u00e3o o fazem; e a metempsicose, vagando ao longo do curso dos s\u00e9culos, acabou por animar as almas de Fourier e Soame Jenyns.<a href=\"#_ftn44\" id=\"_ftnref44\">[44]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, tra\u00e7amos a teoria da metempsicose em est\u00e1gios sucessivos da civiliza\u00e7\u00e3o mundial, disseminada entre as ra\u00e7as nativas da Am\u00e9rica e da \u00c1frica, estabelecida nas na\u00e7\u00f5es asi\u00e1ticas, especialmente onde foi elaborada pela mente hindu em seu sistema de filosofia \u00e9tica. Essa teoria subiu e desceu na Europa cl\u00e1ssica e medieval, persistindo, por fim, no mundo moderno como uma peculiaridade intelectual de pouco valor, exceto para o etn\u00f3grafo que a registra como um item de evid\u00eancia para sua continuidade cultural. O que, podemos perguntar, foi a causa e o motivo originais da doutrina da transmigra\u00e7\u00e3o? Algo pode ser dito em resposta, embora isso n\u00e3o seja, de forma alguma, suficiente para uma explica\u00e7\u00e3o completa. A teoria de que as almas ancestrais retornam, transmitindo sua pr\u00f3pria semelhan\u00e7a de mente e corpo a seus descendentes e parentes, j\u00e1 foi mencionada e elogiada como uma hip\u00f3tese bastante razo\u00e1vel e filos\u00f3fica, explicando o fen\u00f4meno da semelhan\u00e7a familiar que se perpetua de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. Mas por que se imaginou que as almas dos homens poderiam habitar os corpos de bestas e aves? Como j\u00e1 foi apontado, os selvagens n\u00e3o consideram irracional que os animais inferiores tenham almas semelhantes \u00e0s suas, e esse estado de esp\u00edrito torna a ideia de que a alma de um homem transmigre para o corpo de uma besta pelo menos plaus\u00edvel. No entanto, isso n\u00e3o sugere, de fato, a ideia. A vis\u00e3o exposta em um cap\u00edtulo anterior sobre a origem da concep\u00e7\u00e3o de alma em geral pode nos ajudar aqui. Parece que a primeira concep\u00e7\u00e3o de almas pode ter sido a das almas humanas, sendo esta posteriormente estendida, por analogia, \u00e0s almas dos animais, plantas, etc. Assim, pode-se inferir que a ideia original de transmigra\u00e7\u00e3o era a direta e razo\u00e1vel de almas humanas renascendo em novos corpos humanos, onde s\u00e3o reconhecidas por semelhan\u00e7as familiares em gera\u00e7\u00f5es sucessivas. Essa no\u00e7\u00e3o pode ter sido posteriormente ampliada para incluir renascimentos em corpos de animais, entre outros. Existem algumas ideias selvagens bem definidas que se encaixam nessa linha de pensamento. As caracter\u00edsticas e a\u00e7\u00f5es meio humanas dos animais s\u00e3o observadas com simpatia admirada tanto pelos selvagens quanto pelas crian\u00e7as. A besta \u00e9 a pr\u00f3pria encarna\u00e7\u00e3o de qualidades familiares do homem; e nomes como le\u00e3o, urso, raposa, coruja, papagaio, v\u00edbora e verme, quando aplicados como ep\u00edtetos a homens, condensam em uma palavra alguma caracter\u00edstica principal de uma vida humana. De forma consistente com isso, ao analisarmos os detalhes da transmigra\u00e7\u00e3o selvagem, percebemos que as criaturas frequentemente apresentam uma evidente adequa\u00e7\u00e3o ao car\u00e1ter dos seres humanos cujas almas devem passar para elas, de modo que a fantasia do fil\u00f3sofo selvagem sobre almas transferidas oferece algo como uma explica\u00e7\u00e3o da semelhan\u00e7a entre a besta e o homem. Isso se torna mais claro entre as ra\u00e7as mais civilizadas que elaboraram a ideia de transmigra\u00e7\u00e3o em esquemas \u00e9ticos de retribui\u00e7\u00e3o, onde a adequa\u00e7\u00e3o das criaturas escolhidas \u00e9 quase t\u00e3o manifesta para o cr\u00edtico moderno quanto poderia ter sido para o crente antigo. Talvez a restaura\u00e7\u00e3o mais gr\u00e1fica do estado de esp\u00edrito em que a doutrina teol\u00f3gica da metempsicose foi elaborada em \u00e9pocas passadas possa ser encontrada nos escritos de um te\u00f3logo moderno cujo espiritualismo muitas vezes segue ao extremo as trilhas intelectuais das ra\u00e7as inferiores. No mundo espiritual, diz Emanuel Swedenborg, tais pessoas que se abriram para a admiss\u00e3o do diabo e adquiriram a natureza das bestas, tornando-se raposas em ast\u00facia, etc., aparecem \u00e0 dist\u00e2ncia na forma adequada de tais bestas que representam em disposi\u00e7\u00e3o.<a href=\"#_ftn45\" id=\"_ftnref45\">[45]<\/a> Por fim, um dos pontos mais not\u00e1veis sobre a teoria da transmigra\u00e7\u00e3o \u00e9 sua estreita rela\u00e7\u00e3o com um pensamento que est\u00e1 profundamente enraizado na hist\u00f3ria da filosofia: a teoria do desenvolvimento da vida org\u00e2nica em est\u00e1gios sucessivos. Uma eleva\u00e7\u00e3o do vegetal para a vida animal inferior, e da\u00ed em diante atrav\u00e9s dos animais superiores at\u00e9 o homem, sem mencionar seres sobre-humanos, n\u00e3o requer aqui nem mesmo uma sucess\u00e3o de indiv\u00edduos distintos, mas \u00e9 trazida pela teoria da metempsicose dentro do alcance das vidas vegetais e animais sucessivas de um \u00fanico ser.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, algumas palavras podem ser ditas sobre um assunto que n\u00e3o pode ser deixado de lado, conectando os dois grandes ramos da doutrina da exist\u00eancia futura. No entanto, \u00e9 dif\u00edcil trat\u00e1-lo em termos definitivos e, ainda mais, tra\u00e7ar uma compara\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre as vis\u00f5es de ra\u00e7as inferiores e superiores. Essa \u00e9 a doutrina da renova\u00e7\u00e3o ou ressurrei\u00e7\u00e3o corporal. Para a filosofia das ra\u00e7as inferiores, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio que a alma sobrevivente receba um novo corpo, pois parece ter uma natureza corp\u00f3rea et\u00e9rea ou vaporosa, capaz de manter uma exist\u00eancia independente, como outras criaturas corp\u00f3reas. Descri\u00e7\u00f5es do al\u00e9m s\u00e3o frequentemente c\u00f3pias absolutas deste mundo, de modo que \u00e9 quase imposs\u00edvel afirmar se os mortos s\u00e3o ou n\u00e3o considerados como possuindo corpos semelhantes aos vivos; algumas evid\u00eancias dessa classe s\u00e3o, portanto, insuficientes para provar que as ra\u00e7as inferiores possuem doutrinas originais e distintas sobre a ressurrei\u00e7\u00e3o corporal.<a href=\"#_ftn46\" id=\"_ftnref46\">[46]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, deve-se atentar para a pr\u00e1tica, comum entre ra\u00e7as tanto baixas quanto altas, de preservar rel\u00edquias dos mortos, que v\u00e3o desde meros peda\u00e7os de osso at\u00e9 corpos mumificados inteiros. \u00c9 bem conhecido que a alma partida \u00e9 frequentemente considerada apta a revisitar os restos do corpo, como se observa nas conhecidas imagens do ritual funer\u00e1rio eg\u00edpcio. Contudo, a preserva\u00e7\u00e3o desses restos, mesmo quando envolve uma conex\u00e3o permanente entre corpo e alma, n\u00e3o se aproxima necessariamente de uma ressurrei\u00e7\u00e3o corporal.<a href=\"#_ftn47\" id=\"_ftnref47\">[47]<\/a> Ao discutir a doutrina intimamente relacionada da metempsicose, descrevi a teoria da transmigra\u00e7\u00e3o da alma para um novo corpo humano como uma afirma\u00e7\u00e3o, de fato, de uma ressurrei\u00e7\u00e3o terrena. Sob o mesmo ponto de vista, uma ressurrei\u00e7\u00e3o corporal no C\u00e9u ou no Hades \u00e9 tecnicamente uma transmigra\u00e7\u00e3o da alma. Isso \u00e9 evidente entre as ra\u00e7as superiores, cuja religi\u00e3o faz com que essas doutrinas assumam imediatamente uma defini\u00e7\u00e3o mais clara e um significado mais pr\u00e1tico. Existem algumas men\u00e7\u00f5es distintas de ressurrei\u00e7\u00e3o corporal no Rig Veda: o morto \u00e9 descrito como glorificado, vestindo seu corpo (<em>tanu<\/em>); e \u00e9 at\u00e9 prometido que o homem piedoso renascer\u00e1 no pr\u00f3ximo mundo com seu corpo inteiro (<em>sarvatan\u00fb<\/em>). No bramanismo e no budismo, os renascimentos das almas em corpos para habitar c\u00e9us e infernos s\u00e3o simplesmente considerados casos particulares de transmigra\u00e7\u00e3o. A doutrina da ressurrei\u00e7\u00e3o j\u00e1 aparece h\u00e1 muito tempo na religi\u00e3o da P\u00e9rsia e sup\u00f5e-se que tenha influenciado a cren\u00e7a judaica tardia.<a href=\"#_ftn48\" id=\"_ftnref48\">[48]<\/a> No in\u00edcio do cristianismo, a concep\u00e7\u00e3o de ressurrei\u00e7\u00e3o corporal \u00e9 desenvolvida com especial for\u00e7a e plenitude na doutrina paulina. Para uma interpreta\u00e7\u00e3o expl\u00edcita dessa doutrina, tal como foi recomendada \u00e0s mentes dos te\u00f3logos posteriores, \u00e9 instrutivo citar a not\u00e1vel passagem de Or\u00edgenes, onde ele fala de \u201cmat\u00e9ria corp\u00f3rea, da qual, em qualquer qualidade colocada, a alma sempre tem uso, agora de fato carnal, mas depois de fato mais sutil e pura, que \u00e9 chamada espiritual.\u201d<a href=\"#_ftn49\" id=\"_ftnref49\">[49]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Passando dessas doutrinas metaf\u00edsicas da teologia civilizada, agora abordamos uma s\u00e9rie de cren\u00e7as de maior relev\u00e2ncia pr\u00e1tica e mais claramente concebidas no pensamento selvagem. Pode muito bem ter havido, e pode ainda haver, ra\u00e7as inferiores desprovidas de qualquer cren\u00e7a em um Estado Futuro. No entanto, etn\u00f3grafos prudentes devem muitas vezes duvidar de relatos desse tipo, pois o selvagem que declara que os mortos n\u00e3o vivem mais pode simplesmente querer dizer que eles est\u00e3o mortos. Quando o africano oriental \u00e9 perguntado sobre o que acontece com seus ancestrais enterrados, os <em>velhos<\/em>, ele pode responder que \u201celes acabaram\u201d, mas admite plenamente que seus fantasmas sobrevivem.<a href=\"#_ftn50\" id=\"_ftnref50\">[50]<\/a> Em um relato das ideias religiosas dos zulus, anotado por um nativo, \u00e9 explicitamente afirmado que Unkulunkulu, o Velho-Velho, disse que as pessoas \u201cdeveriam morrer e nunca mais ressuscitar\u201d, e que ele permitiu que elas \u201cmorressem e n\u00e3o ressuscitassem mais.\u201d<a href=\"#_ftn51\" id=\"_ftnref51\">[51]<\/a> Sabendo t\u00e3o bem como sabemos agora a teologia dos zulus, cujos fantasmas n\u00e3o apenas sobrevivem no submundo, mas s\u00e3o as pr\u00f3prias divindades dos vivos, podemos dar o sentido apropriado a essas express\u00f5es. Sem tal informa\u00e7\u00e3o, poder\u00edamos t\u00ea-las confundido com nega\u00e7\u00f5es da exist\u00eancia da alma ap\u00f3s a morte. Esta obje\u00e7\u00e3o pode at\u00e9 se aplicar a uma das nega\u00e7\u00f5es mais formais de uma vida futura j\u00e1 registradas entre uma ra\u00e7a inculta, um poema da tribo Dinka do Nilo Branco, sobre Dendid, o Criador: \u2013<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNo dia em que Dendid fez todas as coisas,<\/p>\n\n\n\n<p>Ele fez o sol;<\/p>\n\n\n\n<p>E o sol surge, se p\u00f5e e volta a surgir:<\/p>\n\n\n\n<p>Ele fez a lua;<\/p>\n\n\n\n<p>E a lua surge, se p\u00f5e e volta a surgir:<\/p>\n\n\n\n<p>Ele fez as estrelas;<\/p>\n\n\n\n<p>E as estrelas surgem, se p\u00f5em e voltam a surgir:<\/p>\n\n\n\n<p>Ele fez o homem;<\/p>\n\n\n\n<p>E o homem surge, desce ao ch\u00e3o e n\u00e3o volta mais.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante notar, no entanto, que os vizinhos pr\u00f3ximos dos Dinka, os Bari, acreditam que os mortos retornam a viver novamente na terra. Surge, ent\u00e3o, a quest\u00e3o de se o poema Dinka nega a doutrina da ressurrei\u00e7\u00e3o corporal ou a doutrina da alma-fantasma sobrevivente. O mission\u00e1rio Kaufmann afirma que os Dinka n\u00e3o acreditam na imortalidade da alma, considerando-a apenas um sopro, e que com a morte tudo acaba; a autoridade contr\u00e1ria de Brun-Rolet prova que eles acreditam em outra vida; ambos deixam em aberto a quest\u00e3o de saber se reconhecem a exist\u00eancia de fantasmas sobreviventes.<a href=\"#_ftn52\" id=\"_ftnref52\">[52]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Analisando a religi\u00e3o das ra\u00e7as inferiores como um todo, n\u00e3o estaremos mal aconselhados ao considerar a doutrina da Vida Futura da alma como um de seus elementos gerais e principais. No entanto, \u00e9 necess\u00e1rio explicar, limitar e reservar essa an\u00e1lise, para que as ideias teol\u00f3gicas modernas n\u00e3o nos levem a interpretar erroneamente cren\u00e7as mais primitivas. Em tais investiga\u00e7\u00f5es, a express\u00e3o \u201cimortalidade da alma\u201d deve ser evitada, pois \u00e9 enganosa. \u00c9 duvidoso at\u00e9 que ponto a psicologia inferior abriga uma concep\u00e7\u00e3o absoluta de imortalidade, uma vez que passado e futuro logo se desvanecem em total vaguidade \u00e0 medida que a mente primitiva abandona o presente para explor\u00e1-los. A medida de meses e anos se desmorona mesmo dentro do estreito intervalo da vida humana, e o pensamento do sobrevivente sobre a alma do falecido diminui e desaparece com a mem\u00f3ria pessoal que a mantinha viva. A doutrina da alma sobrevivente pode, de fato, ser considerada comum a todas as ra\u00e7as conhecidas, embora sua aceita\u00e7\u00e3o n\u00e3o seja un\u00e2nime. Na vida selvagem, assim como na vida civilizada, naturezas ap\u00e1ticas e descuidadas ignoram um mundo vindouro como algo muito distante, enquanto intelectos c\u00e9ticos tendem a rejeitar essa cren\u00e7a por falta de provas. H\u00e1 at\u00e9 relatos de classes inteiras sendo formalmente exclu\u00eddas da vida futura, o que pode ser uma quest\u00e3o de orgulho social.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas Ilhas Tonga, segundo Mariner, acreditava-se que os chefes e nobres viveriam futuramente na feliz ilha de Bolotu, enquanto as almas do povo comum morreriam com seus corpos. O Capit\u00e3o John Smith relata que os virginianos acreditavam que os chefes iam, ap\u00f3s a morte, al\u00e9m das montanhas do p\u00f4r do sol, para dan\u00e7ar e cantar com seus predecessores, \u201cmas o povo comum sup\u00f5e que n\u00e3o viver\u00e1 ap\u00f3s a morte.\u201d Em um exame mission\u00e1rio dos nicaraguenses, eles afirmam acreditar que, se um homem viver bem, sua alma ascender\u00e1 para habitar entre os deuses; mas se viver mal, ela perecer\u00e1 com o corpo, e isso ser\u00e1 o fim.<a href=\"#_ftn53\" id=\"_ftnref53\">[53]<\/a> Nenhum desses relatos, no entanto, concorda com o que se sabe sobre a religi\u00e3o de povos afins, como polin\u00e9sios, algonquinos ou astecas. Contudo, concedendo que a alma sobrevive \u00e0 morte do corpo, exemplos dos registros da cultura inferior mostram que essa alma \u00e9 considerada um ser mortal, sujeita, assim como o pr\u00f3prio corpo, a acidentes e \u00e0 morte. Os groenlandeses sentiam pena das pobres almas que devem passar no inverno ou na tempestade pela terr\u00edvel montanha onde os mortos descem para alcan\u00e7ar o outro mundo, pois, assim, uma alma pode se ferir e morrer uma segunda morte, onde n\u00e3o resta nada, e isso \u00e9 para eles a coisa mais triste de todas.<a href=\"#_ftn54\" id=\"_ftnref54\">[54]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os fijianos contam sobre a luta que o fantasma de um guerreiro falecido deve travar com Samu, que mata almas, e seus irm\u00e3os; essa \u00e9 a disputa para a qual o homem morto \u00e9 armado ao enterrar o clava de guerra com seu corpo. Se ele vencer, o caminho est\u00e1 aberto para ele ao tribunal de Ndengei; mas se for ferido, seu destino \u00e9 vagar entre as montanhas, e se for morto no confronto, ele \u00e9 cozido e comido por Samu e seus irm\u00e3os. No entanto, as almas dos fijianos n\u00e3o casados nem mesmo sobreviver\u00e3o para enfrentar essa aposta de batalha; elas tentam em v\u00e3o roubar na mar\u00e9 baixa at\u00e9 a borda do recife, passando pelas rochas onde Nangananga, destruidor de almas sem esposas, se senta rindo de seus esfor\u00e7os desesperados, perguntando-lhes se pensam que a mar\u00e9 nunca mais subir\u00e1. Por fim, a enchente crescente empurra os fantasmas tremendo para a praia, e Nangananga os despeda\u00e7a na grande pedra negra, como se quebra lenha podre.<a href=\"#_ftn55\" id=\"_ftnref55\">[55]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assim, novamente, eram as hist\u00f3rias contadas pelos negros da Guin\u00e9 sobre a vida ou morte das almas falecidas. Ou o grande sacerdote, diante do qual eles devem aparecer ap\u00f3s a morte, os julgar\u00e1, enviando os bons em paz para um lugar feliz, mas matando os \u00edmpios uma segunda vez com a clava que est\u00e1 pronta diante de sua morada; ou os falecidos ser\u00e3o julgados por seu deus no rio da morte, para serem suavemente levados por ele a uma terra agrad\u00e1vel se tiverem mantido festas e juramentos e se abstido de carnes proibidas. Caso contr\u00e1rio, ser\u00e3o mergulhados no rio pelo deus, e assim afogados e enterrados em eterno esquecimento.<a href=\"#_ftn56\" id=\"_ftnref56\">[56]<\/a> Mesmo \u00e1gua comum pode afogar um fantasma negro, se podemos acreditar na hist\u00f3ria do mission\u00e1rio Cavazzi sobre as vi\u00favas de Matamba sendo submersas no rio ou lago para afogar as almas de seus maridos falecidos, que ainda poderiam estar por perto, agarrando-se mais perto das esposas amadas. Ap\u00f3s essa cerim\u00f4nia, elas foram e se casaram novamente.<a href=\"#_ftn57\" id=\"_ftnref57\">[57]<\/a> A partir de tais detalhes, parece que a concep\u00e7\u00e3o de algumas almas sofrendo extin\u00e7\u00e3o na morte ou morrendo uma segunda morte, um pensamento ainda t\u00e3o familiar \u00e0 teologia especulativa, n\u00e3o \u00e9 desconhecida na cultura inferior.<\/p>\n\n\n\n<p>A alma, como reconhecida na filosofia das ra\u00e7as inferiores, pode ser definida como um ser et\u00e9reo sobrevivente, cujas concep\u00e7\u00f5es precederam e levaram \u00e0 teoria mais transcendental da alma imaterial e imortal, que faz parte da teologia de na\u00e7\u00f5es superiores. \u00c9 principalmente a alma et\u00e9rea sobrevivente da cultura primitiva que agora deve ser estudada nas religi\u00f5es de selvagens e b\u00e1rbaros e no folclore do mundo civilizado. Que essa alma deva ser vista como sobrevivente al\u00e9m da morte \u00e9 uma quest\u00e3o que mal necessita de um argumento elaborado. A experi\u00eancia simples est\u00e1 l\u00e1 para ensinar isso a cada selvagem; seu amigo ou seu inimigo est\u00e1 morto, e ainda assim, em sonho ou vis\u00e3o aberta, ele v\u00ea a forma espectral que, para sua filosofia, \u00e9 um ser objetivo real, carregando personalidade como carrega semelhan\u00e7a. Esse pensamento da continuidade da exist\u00eancia da alma \u00e9, no entanto, apenas o portal para uma regi\u00e3o complexa de cren\u00e7a. As doutrinas que, separadas ou compostas, comp\u00f5em o esquema da exist\u00eancia futura entre tribos particulares s\u00e3o, principalmente, as seguintes: as teorias de fantasmas persistentes, errantes e retornantes, e de almas habitando sobre, abaixo ou acima da terra em um mundo espiritual, onde a exist\u00eancia \u00e9 modelada com base na vida terrena, elevada a uma gl\u00f3ria superior ou colocada sob condi\u00e7\u00f5es invertidas. Por fim, h\u00e1 a cren\u00e7a em uma divis\u00e3o entre felicidade e mis\u00e9ria das almas falecidas, determinada por uma retribui\u00e7\u00e3o pelos atos cometidos em vida, em um julgamento ap\u00f3s a morte.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTodo argumento \u00e9 contr\u00e1rio; mas toda cren\u00e7a \u00e9 a favor\u201d, disse o Dr. Johnson sobre a apari\u00e7\u00e3o de esp\u00edritos falecidos. A doutrina de que as almas dos mortos pairam entre os vivos est\u00e1, de fato, enraizada nos n\u00edveis mais baixos da cultura selvagem, se estende pela vida b\u00e1rbara quase sem interrup\u00e7\u00e3o e sobrevive de forma ampla e profunda no seio da civiliza\u00e7\u00e3o. A partir dos in\u00fameros relatos de viajantes, mission\u00e1rios, historiadores, te\u00f3logos e espiritualistas, pode-se afirmar, como uma opini\u00e3o amplamente aceita e natural em seu pensamento, que os dois principais campos de ca\u00e7a da alma do falecido s\u00e3o os cen\u00e1rios de sua vida carnal e o local de sepultamento de seu corpo. Assim como, na Am\u00e9rica do Norte, os Chickasaws acreditavam que os esp\u00edritos dos mortos, em sua forma corporal, se moviam entre os vivos com grande alegria; assim como os ilh\u00e9us ale\u00fates imaginavam as almas dos falecidos caminhando invis\u00edveis entre seus parentes e os acompanhando em suas jornadas por mar e terra; assim como os africanos acreditam que as almas dos mortos habitam entre eles e compartilham das refei\u00e7\u00f5es; assim como os chineses prestam suas homenagens aos esp\u00edritos ancestrais presentes no sal\u00e3o dos ancestrais;<a href=\"#_ftn58\" id=\"_ftnref58\">[58]<\/a> assim, multid\u00f5es na Europa e na Am\u00e9rica vivem em uma atmosfera que fervilha com formas fantasmag\u00f3ricas \u2013 esp\u00edritos dos mortos que se sentam em frente ao m\u00edstico, junto ao fogo da meia-noite, batem e escrevem em c\u00edrculos espirituais, e espiam por cima dos ombros das meninas enquanto elas se assustam at\u00e9 a histeria com hist\u00f3rias de fantasmas. Quase em toda a vasta gama da religi\u00e3o animista, encontramos as almas dos falecidos sendo hospitaleiramente recebidas pelos sobreviventes em ocasi\u00f5es espec\u00edficas, e o culto aos manes, t\u00e3o profundo e forte entre as cren\u00e7as do mundo, reconhece, com uma rever\u00eancia n\u00e3o isenta de medo e tremor, aqueles esp\u00edritos ancestrais que, poderosos para o bem ou para o mal, manifestam sua presen\u00e7a entre a humanidade. No entanto, a morte e a vida habitam mal juntas, e desde a selvageria at\u00e9 os dias atuais, h\u00e1 muitos registros de dispositivos pelos quais os sobreviventes buscaram se livrar de fantasmas dom\u00e9sticos. Embora o infeliz costume selvagem de abandonar casas ap\u00f3s um falecimento possa muitas vezes estar ligado a outras causas, como horror ou abnega\u00e7\u00e3o de todas as coisas pertencentes ao morto, h\u00e1 casos em que parece que o lugar \u00e9 simplesmente abandonado ao fantasma. Em Old Calabar, era costume que o filho deixasse a casa do pai apodrecer, mas ap\u00f3s dois anos ele poderia reconstru\u00ed-la, considerando que o fantasma j\u00e1 teria partido;<a href=\"#_ftn59\" id=\"_ftnref59\">[59]<\/a> os Hotentotes abandonavam a casa do homem morto e diziam evitar entrar nela para que o fantasma n\u00e3o estivesse dentro;<a href=\"#_ftn60\" id=\"_ftnref60\">[60]<\/a> os Yakuts deixavam a cabana cair em ru\u00ednas onde algu\u00e9m havia falecido, pensando ser a habita\u00e7\u00e3o de dem\u00f4nios;<a href=\"#_ftn61\" id=\"_ftnref61\">[61]<\/a> os Karens eram conhecidos por destruir suas aldeias para escapar da vizinhan\u00e7a perigosa de almas falecidas.<a href=\"#_ftn62\" id=\"_ftnref62\">[62]<\/a> Tais procedimentos, no entanto, mal se estendem al\u00e9m dos limites da barbaridade, e apenas um fraco resqu\u00edcio do antigo pensamento persiste na civiliza\u00e7\u00e3o, onde, de tempos em tempos, uma casa assombrada \u00e9 deixada para cair em ru\u00ednas, abandonada a um inquilino fantasmag\u00f3rico que n\u00e3o pode mant\u00ea-la em reparo. Mas mesmo na cultura mais baixa encontramos a carne mantendo sua posi\u00e7\u00e3o contra o esp\u00edrito, e em est\u00e1gios mais elevados o chefe de fam\u00edlia se livra, com pouco escr\u00fapulo, de um inquilino indesejado. Os groenlandeses carregavam os mortos pela janela, n\u00e3o pela porta, enquanto uma velha, acenando com uma tocha atr\u00e1s, gritava <em>piklerrukpok!<\/em>, ou seja, \u201cn\u00e3o h\u00e1 mais nada a ser encontrado aqui!\u201d;<a href=\"#_ftn63\" id=\"_ftnref63\">[63]<\/a> os Hotentotes removiam os mortos da cabana por uma abertura quebrada de prop\u00f3sito, para impedir que ele encontrasse o caminho de volta;<a href=\"#_ftn64\" id=\"_ftnref64\">[64]<\/a> os siameses, com a mesma inten\u00e7\u00e3o, quebravam uma abertura na parede da casa para carregar o caix\u00e3o e, em seguida, apressavam-se a dar tr\u00eas voltas em alta velocidade ao redor da casa;<a href=\"#_ftn65\" id=\"_ftnref65\">[65]<\/a> na R\u00fassia, os Chuwashes lan\u00e7avam uma pedra em brasa ap\u00f3s o corpo ser carregado para fora, como um obst\u00e1culo para impedir a alma de voltar;<a href=\"#_ftn66\" id=\"_ftnref66\">[66]<\/a> assim, os camponeses de Brandemburgo despejavam um balde de \u00e1gua na porta ap\u00f3s o caix\u00e3o, para evitar que o fantasma andasse; e os enlutados da Pomer\u00e2nia, voltando do cemit\u00e9rio, deixavam para tr\u00e1s a palha da carro\u00e7a f\u00fanebre para que a alma errante pudesse descansar ali e n\u00e3o voltar t\u00e3o longe quanto para casa.<a href=\"#_ftn67\" id=\"_ftnref67\">[67]<\/a> No mundo antigo e medieval, os homens habitualmente invocavam ajuda sobrenatural al\u00e9m de tais artif\u00edcios materiais, chamando o sacerdote para afastar ou banir fantasmas intrusos; nem esta parte da arte do exorcista ainda \u00e9 esquecida. H\u00e1, e sempre houve, um sentimento prevalente de que almas desencarnadas, especialmente aquelas que sofreram uma morte violenta ou prematura, s\u00e3o seres mal\u00e9ficos e maliciosos. Como sugere Meiners em sua \u201cHist\u00f3ria das Religi\u00f5es\u201d, elas foram for\u00e7adas a deixar seus corpos contra a vontade e levaram para sua nova exist\u00eancia um anseio raivoso por vingan\u00e7a. N\u00e3o \u00e9 de se admirar que a humanidade concorde t\u00e3o geralmente que, se as almas dos mortos devem permanecer no mundo, seu abrigo adequado n\u00e3o deve ser os lugares dos vivos, mas os locais de descanso dos mortos.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Brebeuf em Rel. des J\u00e9s. dans la Nouvele France, 1636, p. 130; Charlevoix, Nouvele France, vol. vi. p. 75. Veja Brinton, p. 253.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Waitz, vol. iii. p. 195, veja p. 213. Morse, Report on Indian Affairs, p. 345.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Mayne, British Columbia, p. 181.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Cranz, Gr\u00f6nland, pp. 248, 258, veja p. 212. Veja tamb\u00e9m Turner, Polynesia, p. 353; Meiners, vol. ii. p. 793.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Bastian, Psychologie, p. 28.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Bastian, Zur vergl. Psychologie, em Zeitschrift de Lazarus e Steinthal, vol. v. p. 160, etc., tamb\u00e9m Papuas e outras ra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Burton, W. &amp; W. fr. W. Afr. p. 376.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Krapf, E. Afr. p. 201.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> J. L. Wilson, W. Afr. p. 210; veja tamb\u00e9m R. Clarke, Sierra Leone, p. 159.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> Bastian, l. c.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> Macpherson, p. 72; tamb\u00e9m Tickel em Journ. As. Soc. Bengal, vol. ix. pp. 793, etc.; Dalton em Tr. Eth. Soc. vol. vi. p. 22 (rito semelhante dos Mundas e Oraons).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> Klemm, C. G. vol. iii. p. 77; K. Leems, Lapper, c. xiv.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> R. Taylor, New Zealand, p. 284; veja Shortland, Traditions, p. 145; Turner, Polynesia, p. 353; Bastian, Mensch, vol. ii. p. 279; veja tamb\u00e9m p. 276 (Samoyeds). Compare Charlevoix, Nouvele France, vol. v. p. 426; Steler, Kamtschatka, p. 353; Kracheninnikow, ii. 117. Veja Plath, Rel. der alten Chinesen, ii. p. 98.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> Grey, Australia, vol. i. p. 301, vol. ii. p. 363 (acusa\u00e7\u00e3o do nativo contra alguns marinheiros estrangeiros que o agrediram, djanga Taal-wurt kyle-gut bomb-gur,\u201d \u2013 \u201cum dos mortos atingiu Taal-wurt sob a orelha, etc. A palavra djanga = os mortos, os esp\u00edritos de pessoas falecidas (veja Grey, Vocab. of S. W. Australia\u201d), passou a ser o termo usual para um europeu). Lang, Queensland, pp. 34, 336; Bonwick, Tasmanians, p. 183; Scherzer, Voy. of Novara, vol. iii. p. 34; Bastian, Psychologie, p. 222, Mensch, vol. iii. pp. 362-3, e na Zeitschrift de Lazarus e Steinthal, l. c.; Turner, Polynesia, p. 424.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> R\u00f6mer, Guinea, p. 85; Brun-Rolet, Nil Blanc, etc. p. 234.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> Sproat, Savage Life, cap\u00edtulo xviii., xix., xxi. As almas dos mortos aparecem em sonhos, seja em formas humanas ou animais, p. 174. Veja tamb\u00e9m Brinton, p. 145.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> Schoolcraft, Indian Tribes, parte iii. p. 113.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> Hayes, Arctic Boat Journey, p. 198.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> Brinton, Myths of New World, p. 102.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> Brebeuf em Rel. des J\u00e9s. 1636, p. 104.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> Morgan, Iroquois, p. 174.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> Clavigero, Messico, vol. ii. p. 5.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a> Martius, Ethnog. Amer. vol. i. p. 602; Markham em Tr. Eth. Soc. vol. iii. p. 195.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a> Dobrizhoffer, Abipones, vol. ii. pp. 74, 270.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a> Coreal em Brinton, l. c. Veja tamb\u00e9m J. G. M\u00fcler, pp. 139 (Natchez), 223 (Caribes), 402 (Peru).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a> Chom\u00e9 em Lettres Edif. vol. viii.; veja tamb\u00e9m Martius, vol. i. p. 446.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\" id=\"_ftn27\">[27]<\/a> Waitz, vol. ii. p. 419 (Maravi).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\" id=\"_ftn28\">[28]<\/a> Calaway, Rel. of Amazulu, p. 196, etc.; Arbousset e Daumas, p. 237.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\" id=\"_ftn29\">[29]<\/a> J. L. Wilson, W. Afr. pp. 210, 218. Veja tamb\u00e9m Brun-Rolet, pp. 200, 234; Meiners, vol. i. p. 211.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\" id=\"_ftn30\">[30]<\/a> Steinhauser em Mag. der Evang. Miss. Basel, 1856, No. 2, p. 135.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\" id=\"_ftn31\">[31]<\/a> Manu, xi. xii. Ward, Hindoos, vol. i. p. 164, vol. ii. pp. 215, 347-52.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\" id=\"_ftn32\">[32]<\/a> St. John, Far East, vol. i. p. 181; Perelaer, Ethnog. Beschr. der Dajaks, p. 17.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref33\" id=\"_ftn33\">[33]<\/a> Hunter, Rural Bengal, p. 210. Veja tamb\u00e9m Shaw em As. Res. vol. iv. p. 46 (tribos de Rajmahal).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\" id=\"_ftn34\">[34]<\/a> Abraham Roger, La Porte Ouverte, Amst. 1670, p. 107.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref35\" id=\"_ftn35\">[35]<\/a> Manu, xii. 9: \u00e7ar\u00eerajaih karmmadoshaih y\u00e2ti sth\u00e2varat\u00e2m narah\u2019 \u2013 \u2018por crimes cometidos no corpo, o homem vai para o estado inerte (im\u00f3vel); xii. 42, sth\u00e2var\u00e2h krimak\u00eet\u00e2\u00e7cha matsy\u00e2h sarp\u00e2h sakachhap\u00e2h pa\u00e7ava\u00e7cha mrigaschaiva jaghany\u00e2 t\u00e2mas\u00ee gatih\u2019 \u2013 \u2018coisas inertes (im\u00f3veis), vermes e insetos, peixes, serpentes, tartarugas e bestas e cervos tamb\u00e9m s\u00e3o a \u00faltima forma escura.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref36\" id=\"_ftn36\">[36]<\/a> Numenius arquata (N.T.).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref37\" id=\"_ftn37\">[37]<\/a> K\u00f6ppen, Religion des Buddha, vol. i. pp. 35, 289, etc., 318; Barth\u00e9lemy Saint-Hilaire, Le Bouddha et sa Religion, p. 122; Hardy, Manual of Budhism, pp. 98, etc., 180, 318, 445, etc.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref38\" id=\"_ftn38\">[38]<\/a> Herod. ii. 123, veja a tradu\u00e7\u00e3o de Rawlinson; Plutarco. De Iside 31, 72; Wilkinson, Ancient Eg. vol. ii. cap\u00edtulo xvi.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref39\" id=\"_ftn39\">[39]<\/a> Plat. F\u00e9don, Timeu, F\u00e9dro, Rep\u00fablica; Diog. La\u00e9rcio Emp\u00e9docles xii.; P\u00edndaro. Ol\u00edmpico ii. antistr. 4; Ov\u00eddio. Metam. xv. 160; Luciano. Sono. 17, etc. Fil\u00f3strato. Vit. Apolon. Tiana. Veja tamb\u00e9m o Conversa\u00e7\u00f5es-Lexicon de Meyer, art. Seelenwanderung. Para reencarna\u00e7\u00e3o na antiga Escandin\u00e1via, veja Helgakvidha, iii., em Edda.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref40\" id=\"_ftn40\">[40]<\/a> Eisenmenger, parte ii. p. 23, etc.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref41\" id=\"_ftn41\">[41]<\/a> Beausobre, Hist. de Manich\u00e9e, etc., vol. i. pp. 245-6, vol. ii. pp. 496-9; G. Fl\u00fcgel, Mani. Veja Agostinho. Contra Fausto; De Heres.; De Quantitate Anime.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref42\" id=\"_ftn42\">[42]<\/a> Gul. de Rubruquis em Rec. des Voy. Soc. de G\u00e9ographie de Paris, vol. iv. p. 356. Benjamin de Tudela, ed. e tr. por Asher, Hebraico 22, Ingl\u00eas p. 62. Niebuhr, Reisebeschr. nach Arabien, etc., vol. ii. pp. 438-443; Meiners, vol. ii. p. 796.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref43\" id=\"_ftn43\">[43]<\/a> St. Clair e Brophy,<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref44\" id=\"_ftn44\">[44]<\/a> Desde a primeira publica\u00e7\u00e3o da observa\u00e7\u00e3o acima, M. Louis Figuier forneceu um exemplo moderno perfeito em seu livro, intitulado Le Lendemain de la Mort, traduzido para o ingl\u00eas como The Day after Death: Our Future Life according to Science. Sua tentativa de reviver a cren\u00e7a antiga e de conect\u00e1-la com a teoria da evolu\u00e7\u00e3o dos naturalistas modernos \u00e9 realizada com mais do que a elabora\u00e7\u00e3o budista. O corpo \u00e9 o habitat da alma, que sai quando um homem morre, assim como se abandona uma casa em chamas. No curso do desenvolvimento, uma alma pode migrar atrav\u00e9s de corpos, etapa ap\u00f3s etapa, zo\u00f3fito e ostra, gafanhoto e \u00e1guia, crocodilo e cachorro, at\u00e9 chegar ao homem, da\u00ed ascendendo para se tornar um dos seres sobre-humanos ou anjos que habitam o \u00e9ter planet\u00e1rio, e da\u00ed para um estado ainda mais elevado, cujo segredo de sua natureza M. Figuier n\u00e3o se esfor\u00e7a para penetrar, porque nossos meios de investiga\u00e7\u00e3o falham neste ponto. O destino final do ser mais glorificado \u00e9 o Sol; os esp\u00edritos puros que formam sua massa de gases em chamas, derramam germes e vida para iniciar o curso da exist\u00eancia planet\u00e1ria. (Nota \u00e0 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o.)<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref45\" id=\"_ftn45\">[45]<\/a> Swedenborg, The True Christian Religion, 13. Compare a no\u00e7\u00e3o atribu\u00edda aos seguidores de Basilides, o gn\u00f3stico, de homens cujas almas s\u00e3o afetadas por esp\u00edritos ou disposi\u00e7\u00f5es como as de lobo, macaco, le\u00e3o ou urso, pelo que suas almas possuem as propriedades destes e imitam seus feitos (Clem. Alex. Stromat. ii. c. 20).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref46\" id=\"_ftn46\">[46]<\/a> Veja J. G. M\u00fcler, Amer. Urrel. p. 208 (Caribes); mas compare Rochefort, p. 429. Steler, Kamtschatka, p. 269, Castr\u00e9n, Finnische Mythologie, p. 119.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref47\" id=\"_ftn47\">[47]<\/a> Para evid\u00eancias eg\u00edpcias, veja os papiros funer\u00e1rios e tradu\u00e7\u00f5es do Livro dos Mortos. Compare Brinton, Myths of New World, p. 254, etc.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref48\" id=\"_ftn48\">[48]<\/a> Evid\u00eancias arianas em Rig-Veda, x. 14, 8; xi. 1, 8; Manu, xii. 16-22; Max M\u00fcler, Todtenbestattung, pp. xii. xiv.; Chips, vol. i. p. 47; Muir em Journ. As. Soc. Bengal, vol. i. 1865, p. 306; Spiegel, Avesta; Haug, Essays on the Parsis.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref49\" id=\"_ftn49\">[49]<\/a> Or\u00edgenes, De Princip. ii. 3, 2: materie corporalis, cujus materie anima usum semper habet, in qualibet qualitate posite, nunc quidem carnali, postmodum vero subtiliori e puriori, que spiritalis appelatur.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref50\" id=\"_ftn50\">[50]<\/a> Burton, Central Africa, vol. ii. p. 345.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref51\" id=\"_ftn51\">[51]<\/a> Calaway, Rel. of Amazulu, p. 84.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref52\" id=\"_ftn52\">[52]<\/a> Kaufmann, Schilderungen aus Centralafrika, p. 124; G. Lejean em Rev. des Deux Mondes, 1 de abril de 1860, p. 760; veja Brun-Rolet, Nil Blanc, pp. 100, 234. Um di\u00e1logo do mission\u00e1rio Beltrame (1859-60), em Mitterutzner, Dinka-Sprache, p. 57, atribui aos Dinkas ideias de c\u00e9u e inferno, que, no entanto, mostram influ\u00eancia crist\u00e3.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref53\" id=\"_ftn53\">[53]<\/a> Mariner, Tonga Is. vol. ii. p. 136; John Smith, Descr. of Virginia, 33; Oviedo, Nicaragua, p. 50. A refer\u00eancia aos Laos em Meiners, vol. ii. p. 760, \u00e9 sem valor.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref54\" id=\"_ftn54\">[54]<\/a> Cranz, Gr\u00f6nland, p. 259.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref55\" id=\"_ftn55\">[55]<\/a> Wiliams, Fiji, vol. i. p. 244. Veja Journ. Ind. Archip. vol. iii. p. 113 (Dayaks). Compare o desperd\u00edcio e a morte das almas nas profundezas do Hades, Taylor, New Zealand, p. 232.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref56\" id=\"_ftn56\">[56]<\/a> Bosman, Guinea em Pinkerton, vol. xvi. p. 401. Veja tamb\u00e9m Waitz, Anthropologie, vol. ii. p. 191 (W. Afr.); Calaway, Rel. of Amazulu, p. 355.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref57\" id=\"_ftn57\">[57]<\/a> Cavazzi, Congo, Matamba, et Angola, lib. i. p. 270. Veja tamb\u00e9m Liebrecht em Zeitschr. f\u00fcr Ethnologie, vol. v. p. 96 (Tart\u00e1ria, Escandin\u00e1via, Gr\u00e9cia).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref58\" id=\"_ftn58\">[58]<\/a> Schoolcraft, Indian Tribes, parte i. p. 310; Bastian, Psychologie, pp. 111, 193; Doolittle, Chinese, vol. i. p. 235.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref59\" id=\"_ftn59\">[59]<\/a> Bastian, Mensch, vol. ii. p. 323.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref60\" id=\"_ftn60\">[60]<\/a> Kolben, p. 579.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref61\" id=\"_ftn61\">[61]<\/a> Bilings, p. 125.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref62\" id=\"_ftn62\">[62]<\/a> Bastian, Oestl. Asien. vol. i. p. 145; Cross, l.c., p. 311. Para outros casos de abandono de habita\u00e7\u00f5es ap\u00f3s uma morte, possivelmente pelo mesmo motivo, veja Bourien, Tribes of Malay Pen. em Tr. Eth. Soc. vol. iii. p. 82; Polack, M. of New Zealanders, vol. i. pp. 204, 216; Steiler, Kamtschatka, p. 271. Mas os Todas dizem que os b\u00fafalos abatidos e a cabana queimada no funeral s\u00e3o transferidos para o esp\u00edrito do falecido no pr\u00f3ximo mundo; Shortt em Tr. Eth. Soc. vol. vii. p. 247. Veja Waitz, vol. iii. p. 199.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref63\" id=\"_ftn63\">[63]<\/a> Egede, Greenland, p. 152; Cranz, p. 300.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref64\" id=\"_ftn64\">[64]<\/a> Bastian, Mensch, vol. ii. p. 323; veja pp. 329, 363.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref65\" id=\"_ftn65\">[65]<\/a> Bowring, Siam, vol. i. p. 122; Bastian, Oestl. Asien. vol. iii. p. 258.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref66\" id=\"_ftn66\">[66]<\/a> Castr\u00e9n, Finn. Myth. p. 120.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref67\" id=\"_ftn67\">[67]<\/a> Wuttke, Volksaberglaube, pp. 213-17. Outros casos de retirada dos mortos por uma abertura feita de prop\u00f3sito: Arbousset e Daumas, p. 502 (Bushmen); Magyar, p. 351 (Kimbunda); Moffat, p. 307 (Bechuanas); Waitz, vol. iii. p. 199 (Ojibwas); \u2013 seu motivo \u00e9 provavelmente que o fantasma n\u00e3o encontre seu caminho de volta pela porta.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler, a seguir, um trecho de &#8220;Cultura Primitiva&#8221;, de Edward Tylor, Volume II. Caso deseje saber mais sobre a obra, e como adquiri-la (tanto em vers\u00e3o impressa quanto em ebook), clique aqui ou na capa abaixo. XII. Animismo (cont.) Ap\u00f3s tra\u00e7ar, a partir dos n\u00edveis mais baixos de\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2025\/08\/02\/trecho-de-cultura-primitiva-volume-ii\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1241,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,55],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1245"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1245"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1245\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1246,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1245\/revisions\/1246"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1241"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1245"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1245"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1245"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}