{"id":1251,"date":"2025-09-17T21:36:22","date_gmt":"2025-09-17T21:36:22","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=1251"},"modified":"2025-09-17T21:36:59","modified_gmt":"2025-09-17T21:36:59","slug":"jardins-de-corais-e-sua-magia-de-malinowski","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2025\/09\/17\/jardins-de-corais-e-sua-magia-de-malinowski\/","title":{"rendered":"Jardins de Corais e sua Magia de Malinowski"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler, a seguir, um trecho de &#8220;Jardins de Corais e sua Magia&#8221; de Malinowski. Caso queira adquirir a obra completa, <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/jardins-de-corais-e-sua-magia\/\">clique aqui<\/a>, ou na imagem da capa abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/jardins-de-corais-e-sua-magia\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/capinha_corais.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1248\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/capinha_corais.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/capinha_corais-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/capinha_corais-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>Parte I. Introdu\u00e7\u00e3o. Economia tribal e organiza\u00e7\u00e3o social dos Trobriandeses<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>1. O cen\u00e1rio e a paisagem dos jardins da Nova Guin\u00e9<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Este estudo se concentra, em grande parte, no esfor\u00e7o humano em solo tropical, nas lutas do homem para extrair seu sustento da terra em uma parte ex\u00f3tica do mundo: as Ilhas Trobriand, localizadas na extremidade leste da Nova Guin\u00e9. Nada impressiona mais um etn\u00f3grafo em sua primeira peregrina\u00e7\u00e3o ao campo do que a for\u00e7a avassaladora da vida vegetal e a aparente futilidade dos esfor\u00e7os humanos para control\u00e1-<em>la<\/em>. Esse contraste se torna evidente quando, em sua primeira viagem pela costa sul da Nova Guin\u00e9 ou atrav\u00e9s dos arquip\u00e9lagos a leste, voc\u00ea avalia, quase \u00e0 primeira vista, o car\u00e1ter dessa vasta extens\u00e3o de pa\u00eds tropical.<\/p>\n\n\n\n<p>Cadeias de colinas se sucedem; vales profundos frequentemente oferecem uma vis\u00e3o direta do cora\u00e7\u00e3o do pa\u00eds; o primeiro plano, \u00e0s vezes, se eleva em uma parede quase vertical de vegeta\u00e7\u00e3o ou, em outras ocasi\u00f5es, se inclina para baixo e se estende em plan\u00edcies aluviais. Tudo isso revela a for\u00e7a da selva tropical, a tenacidade da estepe de lalang e a impressionante solidez da vegeta\u00e7\u00e3o rasteira e das trepadeiras emaranhadas. No entanto, para perceber a presen\u00e7a do homem ou mesmo vest\u00edgios de suas obras, \u00e9 necess\u00e1rio ser um etn\u00f3grafo treinado. Para o olho experiente, a mancha de vegeta\u00e7\u00e3o murcha nas ondas de verde vivo \u00e9 uma pequena aldeia, com cabanas constru\u00eddas de vime seco, cobertas com folhas de palmeira bronzeadas e cercadas por pali\u00e7adas de madeira seca.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui e ali, na encosta de uma colina, uma forma\u00e7\u00e3o geom\u00e9trica, marrom na \u00e9poca da colheita, com a folhagem de videiras maduras ou, mais cedo no ano, coberta com o verde mais claro das culturas brotando, \u00e9 uma planta\u00e7\u00e3o da aldeia. Se voc\u00ea tiver sorte, pode at\u00e9 passar a noite em meio a uma constela\u00e7\u00e3o de fogueiras fumegantes, onde o mato foi limpo e as \u00e1rvores e arbustos est\u00e3o sendo queimados. Contudo, quanto mais voc\u00ea concentra sua aten\u00e7\u00e3o em tais sinais quase impercept\u00edveis e esfor\u00e7a sua imagina\u00e7\u00e3o para interpret\u00e1-los, mais percebe qu\u00e3o pouco rastro o homem deixou at\u00e9 agora neste solo, qu\u00e3o facilmente seus esfor\u00e7os s\u00e3o obliterados e como tudo o que ele fez parece um presente do crescimento espont\u00e2neo. A natureza aqui parece ainda n\u00e3o ter sido subjugada pelo homem e moldada para servir a seus prop\u00f3sitos. O homem, ao contr\u00e1rio, \u00e9 apenas uma parte desse esquema, abrigando-se precariamente sob o que a selva produziu, vestido com folhas secas e subsistindo do que, ano ap\u00f3s ano, arranca da floresta virgem, que, ap\u00f3s alguns anos, retorna a ela novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea se estabelecesse em uma das aldeias e seguisse o trabalho e os interesses dos nativos, a perspectiva mudaria consideravelmente. Voc\u00ea descobriria que, em toda parte, a agricultura \u00e9 um procedimento comercial, n\u00e3o apenas uma empreitada altamente qualificada e t\u00e9cnica, mas tamb\u00e9m um importante cerimonial da tribo; que todo o territ\u00f3rio \u00e9 bem demarcado, legalmente definido e mais ou menos apropriado a indiv\u00edduos ou grupos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea navegasse mais longe, avaliando as v\u00e1rias culturas e explorando as diferentes partes do pa\u00eds e das ilhas, acabaria, mais cedo ou mais tarde, encontrando o arquip\u00e9lago de coral plano dos Trobriandeses, que fica a cerca de cento e vinte milhas diretamente ao norte da ponta mais oriental da Nova Guin\u00e9. L\u00e1, voc\u00ea reconheceria imediatamente que estava em uma regi\u00e3o onde as rela\u00e7\u00f5es do homem com a natureza s\u00e3o completamente diferentes. \u00c0 primeira vista, perceberia que o solo \u00e9 valorizado da mais alta maneira, que est\u00e1 mapeado de forma muito definida e utilizado de maneira mais eficaz do que em qualquer lugar na terra de florestas montanhosas, p\u00e2ntanos de sagu ou estepe de lalang. Mesmo durante uma visita casual \u00e0s Ilhas Trobriand, o etn\u00f3grafo ficaria impressionado pela densidade da popula\u00e7\u00e3o, pela extens\u00e3o dos jardins e pela variedade e minuciosidade do cultivo. Ele tamb\u00e9m descobriria que relativamente pouco desse territ\u00f3rio \u00e9 deixado \u00e0 natureza e seu crescimento espont\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas aldeias, novamente, seria f\u00e1cil perceber que mais da metade dos edif\u00edcios s\u00e3o celeiros, e que a produ\u00e7\u00e3o \u00e9 acumulada, armazenada e manipulada de uma maneira que torna evidente que o homem aqui n\u00e3o leva uma exist\u00eancia de sobreviv\u00eancia, mas depende do que alcan\u00e7ou e fez a partir de uma base s\u00f3lida de riqueza.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos cap\u00edtulos seguintes, nos dirigiremos aos jardins de inhame dos Trobriandeses e \u00e0s suas planta\u00e7\u00f5es de taro e banana. Participaremos de seu trabalho e seguiremos suas alegrias e divers\u00f5es durante a colheita. Percorreremos os coqueirais e entraremos na casa do m\u00e1gico para observ\u00e1-lo em seus feiti\u00e7os e rituais. Em tudo isso, seguiremos duas linhas de abordagem: por um lado, devemos afirmar com a maior precis\u00e3o poss\u00edvel os princ\u00edpios da organiza\u00e7\u00e3o social, as regras da lei e do costume tribal; as ideias principais, m\u00e1gicas, tecnol\u00f3gicas e cient\u00edficas dos nativos. Por outro lado, tentaremos manter contato com um povo vivo, para manter diante de nossos olhos uma imagem clara do cen\u00e1rio e da paisagem. Para alcan\u00e7ar isso, ser\u00e1 necess\u00e1rio, antes de mergulharmos em nosso assunto especial, dar uma introdu\u00e7\u00e3o geral aos Trobriandeses, \u00e0 sua terra, ao seu mar e \u00e0 sua lagoa.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns de voc\u00eas podem j\u00e1 estar familiarizados com os nativos de nosso arquip\u00e9lago<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>. Voc\u00ea pode ter me acompanhado na peregrina\u00e7\u00e3o que tive que fazer v\u00e1rias vezes a partir de um dos assentamentos brancos ao longo da costa sul e atrav\u00e9s dos arquip\u00e9lagos da extremidade leste da Nova Guin\u00e9, que s\u00e3o habitados pelos \u201cMassim meridionais\u201d \u2013 um termo cunhado pelo Dr. Haddon que descreve uma cultura papuo-melan\u00e9sia da qual voc\u00ea encontrar\u00e1 uma vis\u00e3o abrangente na terceira parte de <em>Melanesians of British New Guinea<\/em>, de Seligman. N\u00e3o irei retratar esta peregrina\u00e7\u00e3o em detalhes aqui. A paisagem da costa sul e da extremidade leste, os encantadores assentamentos dispersos dos nativos e alguns dos costumes desses canibais, ca\u00e7adores de cabe\u00e7as e guerreiros sedentos de sangue foram descritos em meus <em>Argonautas<\/em> (Cap. I). Nesse trabalho, tamb\u00e9m forneci um esbo\u00e7o da cultura de alguns dos vizinhos imediatos dos Trobriandeses \u2013 aqueles que habitam a costa e as \u00edngremes encostas inacess\u00edveis do grupo d\u2019Entrecasteaux, al\u00e9m das rochas dispersas dos Amphletts. Tamb\u00e9m me detive no contraste entre os dois tipos de paisagem e os dois tipos de cultura.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cDeixando as rochas marrons e a densa selva dos Amphletts, navegamos para o Norte em um mundo completamente diferente, repleto de ilhas de coral planas, em um distrito etnogr\u00e1fico que se destaca por suas peculiaridades em modos de vida e costumes em rela\u00e7\u00e3o ao restante da Papuo-Melan\u00e9sia. At\u00e9 agora, navegamos sobre mares intensamente azuis e claros, onde, em lugares rasos, o fundo de coral, com sua variedade de cores e formas, e sua maravilhosa vida vegetal e de peixes, \u00e9 um espet\u00e1culo fascinante em si \u2013 um mar emoldurado por todos os esplendores da selva tropical, de paisagens vulc\u00e2nicas e montanhosas, com cursos d\u2019\u00e1gua e cachoeiras vibrantes, e nuvens vaporosas se arrastando pelos altos vales. Finalmente, nos despedimos de tudo isso enquanto navegamos para o Norte. Os contornos dos Amphletts logo desaparecem na n\u00e9voa tropical, at\u00e9 que apenas a esbelta pir\u00e2mide de Koyatabu, erguida sobre eles, permanece no horizonte, uma forma graciosa que nos acompanha at\u00e9 mesmo na Lagoa de Kiriwina.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAgora entramos em um mar opaco e esverdeado, cuja monotonia \u00e9 quebrada apenas por alguns bancos de areia, alguns nus e \u00e0 flor d\u2019\u00e1gua, outros com algumas \u00e1rvores de p\u00e2ndano agachadas em suas ra\u00edzes a\u00e9reas, altas em terra. A esses bancos, os nativos dos Amphletts v\u00eam e l\u00e1 passam semanas a fio, pescando tartarugas e dugongos. Aqui tamb\u00e9m se desenrola a cena de v\u00e1rios dos incidentes m\u00edticos do <em>Kula<\/em> primitivo (o com\u00e9rcio intertribal ao qual se dedicam muito tempo, esfor\u00e7o e ambi\u00e7\u00e3o). Mais adiante, atrav\u00e9s da n\u00e9voa espumosa, a linha do horizonte engrossa aqui e ali, como se marcas de l\u00e1pis fracas tivessem sido desenhadas sobre ele. Essas marcas se tornam mais substanciais; uma delas se alonga e se alarga, enquanto outras surgem nas formas distintas de pequenas ilhas, e nos encontramos na grande Lagoa dos Trobriandeses, com Boyowa, a maior ilha, \u00e0 nossa direita, e muitas outras, habitadas e desabitadas, ao Norte e Noroeste.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEnquanto navegamos na Lagoa, seguindo os intrincados canais entre os rasos, e \u00e0 medida que nos aproximamos da ilha principal, a densa e emaranhada cobertura da baixa selva se abre aqui e ali sobre uma praia, e podemos ver um pomar de palmeiras, como um interior sustentado por pilares. Isso indica o local de uma aldeia. Desembarcamos na frente do mar, geralmente coberta de lama e lixo, com canoas puxadas para cima e secas, e, passando pelo pomar, entramos na pr\u00f3pria aldeia.\u201d<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>2. O habitat e as atividades dos Trobriandeses<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>A partir de agora, habitaremos entre os Trobriandeses. Este arquip\u00e9lago est\u00e1, como j\u00e1 sabemos, ao norte do Cabo Leste. Todo antrop\u00f3logo tamb\u00e9m sabe que os habitantes s\u00e3o melan\u00e9sios. No entanto, eles apresentam maiores afinidades, em termos f\u00edsicos, culturais e institucionais, com algumas das popula\u00e7\u00f5es oce\u00e2nicas mais distantes do que com seus vizinhos papuas no continente da Nova Guin\u00e9. Eles possuem uma chefia desenvolvida, s\u00e3o marinheiros e comerciantes experientes, e sua arte decorativa \u00e9 a gl\u00f3ria de muitos museus etnogr\u00e1ficos. O arquip\u00e9lago Trobriand, que se apresenta a voc\u00ea no mapa (Fig. 1), \u00e9 um atol de coral, ou mais corretamente, uma parte do atol Lusancay. O grupo que nos interessa consiste em uma grande ilha, duas de tamanho razo\u00e1vel \u2013 Vakuta e Kayleula \u2013 e um n\u00famero de ilhas menores que cercam uma bacia ou lagoa. Esta \u00faltima \u00e9 muito rasa; partes dela n\u00e3o s\u00e3o naveg\u00e1veis nem mesmo para as canoas nativas, mas \u00e9 cruzada por canais mais profundos. Est\u00e1 aberta a todos os ventos, n\u00e3o oferecendo abrigo algum do mon\u00e7\u00e3o noroeste ou dos fortes ventos do sul, e proporcionando apenas um pouco de prote\u00e7\u00e3o perto das costas da ilha principal contra o vento al\u00edsio sudeste. A leste, a uma dist\u00e2ncia de cerca de cem milhas, encontra-se o segundo grande centro da cultura Massim Setentrional \u2013 a Ilha Woodlark. O Massim Setentrional \u2013 o nome \u00e9 novamente do Dr. Haddon \u2013 \u00e9 o segundo ramo dos Papuo-Melan\u00e9sios Orientais. Entre a Ilha Woodlark e os Trobriandeses h\u00e1 uma ponte de cinco pequenas ilhas \u2013 Kitava, Iwa, Gawa, Kwaywata e Digumenu \u2013 tamb\u00e9m habitadas por pessoas da mesma cultura. N\u00f3s os encontraremos novamente na mitologia da jardinagem. Em nossas descri\u00e7\u00f5es detalhadas, no entanto, nos deteremos quase exclusivamente na ilha principal dos Trobriandeses, com apenas breves refer\u00eancias \u00e0s \u00e1reas cont\u00edguas. Nesta grande ilha, chamada pelos nativos de Boyowa ou, ap\u00f3s sua principal prov\u00edncia, Kiriwina, encontraremos v\u00e1rios tipos de paisagem, solo e agricultura. A parte norte, uma ampla extens\u00e3o circular de terra, abriga a maior parte do solo f\u00e9rtil. Apenas a estreita crista de coral que corre ao longo de sua borda norte e leste permanece quase completamente fora da cultura e \u00e9 coberta com manchas de selva primitiva. Contudo, isso nunca atinge a plena exuber\u00e2ncia tropical, e algumas plantas economicamente importantes, como a palmeira-sagu, a trepadeira espinhosa e o bambu, n\u00e3o crescem l\u00e1 e precisam ser importadas como mat\u00e9ria-prima do exterior. Algumas por\u00e7\u00f5es da terra no interior tamb\u00e9m s\u00e3o in\u00fateis porque s\u00e3o muito pantanosas; enquanto, no oeste, grandes extens\u00f5es na costa s\u00e3o cobertas de mangue, que cresce em um p\u00e2ntano salobra \u00e0 flor da mar\u00e9 alta. Na parte sul da ilha, o coral morto aparece, especialmente na extremidade extrema, deixando grandes \u00e1reas de terra incultiv\u00e1veis e desabitadas. Os p\u00e2ntanos salobros da por\u00e7\u00e3o sul se estendem mais para o interior, e as aldeias est\u00e3o localizadas ou na lagoa, onde a pesca torna sua exist\u00eancia poss\u00edvel, ou em um ou dois pontos f\u00e9rteis no interior.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>3. Primeiras impress\u00f5es dos jardins Trobriandeses<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Desde que nosso assunto aqui, os sistemas de jardinagem nativa, formam apenas parte da vida econ\u00f4mica da tribo, embora sejam a parte principal, teremos que considerar a explora\u00e7\u00e3o dos recursos naturais como um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>O breve esbo\u00e7o da economia tribal aqui apresentado forma um pano de fundo indispens\u00e1vel para as descri\u00e7\u00f5es detalhadas da agricultura<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. A descri\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio apresentada, em conex\u00e3o com o mapa do Arquip\u00e9lago (que mostra, incidentalmente, que para uma tribo do Mar do Sul, os Trobriandeses t\u00eam uma popula\u00e7\u00e3o muito densa), juntamente com a percep\u00e7\u00e3o de que esses nativos possuem um alto n\u00edvel de habilidade cultural, organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica, nos permite avaliar, de forma geral, o tipo de produ\u00e7\u00e3o e desenvolvimento industrial que possuem. O h\u00famus f\u00e9rtil que cobre a vasta extens\u00e3o de coral morto \u00e9, evidentemente, prop\u00edcio para o cultivo intensivo de plantas \u00fateis, como inhame, taro, batata-doce, banana e coco, uma vez que estamos no Mar do Sul. A lagoa aberta, repleta de vida submarina, naturalmente convidaria uma popula\u00e7\u00e3o empreendedora e inteligente a desenvolver uma pesca eficaz. Os assentamentos industriosos e compactos nos levam a antecipar excel\u00eancia em artes e of\u00edcios. Diferen\u00e7as em habitat e oportunidades poderiam muito bem resultar em centros especiais de ind\u00fastria e sistemas de troca interno. Al\u00e9m disso, a aus\u00eancia de certas mat\u00e9rias-primas indispens\u00e1veis \u2013 como pedra (o coral morto \u00e9 in\u00fatil para qualquer prop\u00f3sito industrial), argila, rat\u00e3, bambu e sagu \u2013 sugere a necessidade de um com\u00e9rcio extenso com o mundo exterior. A falta de selva primitiva indica que a ca\u00e7a n\u00e3o pode ter grande import\u00e2ncia, e a busca por produtos silvestres pode desempenhar apenas um papel secund\u00e1rio. Essa estimativa geral \u00e9, de fato, correta em quase todos os aspectos essenciais. O Trobriand\u00eas \u00e9, acima de tudo, um cultivador, n\u00e3o apenas por oportunidade e necessidade, mas tamb\u00e9m por paix\u00e3o e por seu sistema tradicional de valores. Como j\u00e1 mencionei em outro lugar:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cMetade da vida de trabalho do nativo \u00e9 passada no jardim, e ao redor dele se concentram talvez mais da metade de seus interesses e ambi\u00e7\u00f5es. Na jardinagem, os nativos produzem muito mais do que realmente necessitam, e em um ano m\u00e9dio, eles colhem talvez o dobro do que podem consumir. Hoje em dia, esse excedente \u00e9 exportado por europeus para alimentar trabalhadores de planta\u00e7\u00f5es em outras partes da Nova Guin\u00e9; nos tempos antigos, era simplesmente deixado apodrecer. Al\u00e9m disso, eles produzem esse excedente de uma maneira que exige muito mais trabalho do que o estritamente necess\u00e1rio para obter as colheitas. Muito tempo e esfor\u00e7o s\u00e3o dedicados a prop\u00f3sitos est\u00e9ticos, como deixar os jardins arrumados, limpos e livres de detritos; construir cercas finas e s\u00f3lidas; e fornecer postes de inhame especialmente fortes e grandes. Todas essas coisas s\u00e3o, em certa medida, necess\u00e1rias para o crescimento das plantas, mas n\u00e3o h\u00e1 d\u00favida de que os nativos levam sua consci\u00eancia muito al\u00e9m dos limites do estritamente necess\u00e1rio. O elemento n\u00e3o utilit\u00e1rio em seu trabalho no jardim \u00e9 ainda mais claramente percept\u00edvel nas v\u00e1rias tarefas que realizam inteiramente por conta da ornamenta\u00e7\u00e3o, em conex\u00e3o com cerim\u00f4nias m\u00e1gicas e em obedi\u00eancia ao uso tribal.\u201d<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A pesca vem em seguida em import\u00e2ncia. Em algumas aldeias situadas na lagoa, \u00e9 a principal fonte de sustento e consome cerca da metade de seu tempo e trabalho. No entanto, enquanto a pesca \u00e9 proeminente em alguns distritos, a agricultura \u00e9 primordial em todos. Se a pesca fosse impossibilitada para os Trobriandenses por uma calamidade natural ou cultural, a popula\u00e7\u00e3o como um todo encontraria sustento suficiente na agricultura. Mas quando os jardins falham em tempos de seca, a fome inevitavelmente se instala. A ca\u00e7a \u00e9 quase uma atividade econ\u00f4mica. De vez em quando, voc\u00ea v\u00ea um nativo saindo da aldeia com uma lan\u00e7a na m\u00e3o, e ele lhe diz que talvez consiga matar um pequeno wallaby ou um porco-do-mato. A captura de aves tem um pouco mais de import\u00e2ncia. Contudo, sempre que vi os nativos comendo uma ave selvagem, descobri que ela havia sido abatida por algum comerciante branco e trazida de uma aldeia distante. A coleta de alimentos do mato em tempos de seca, a captura de caranguejos e moluscos em p\u00e2ntanos de mangue e lagoas s\u00e3o contribui\u00e7\u00f5es muito mais substanciais para a despensa tribal. O transporte e o com\u00e9rcio est\u00e3o bem desenvolvidos. O escambo interno de peixe e alimentos vegetais \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que controla grande parte de sua vida p\u00fablica. Assim, em resumo, encontramos que as previs\u00f5es do ambientalista est\u00e3o substancialmente corretas. No entanto, h\u00e1 muitas quest\u00f5es relacionadas ao trabalho e sua organiza\u00e7\u00e3o, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de riqueza e ao seu consumo, que n\u00e3o podem ser inferidas a partir de indica\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas. O ambientalista n\u00e3o prever\u00e1 a grande import\u00e2ncia da magia e do poder pol\u00edtico na organiza\u00e7\u00e3o da jardinagem. Na distribui\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, ele n\u00e3o pode antecipar a maneira extremamente complexa em que o parentesco e o relacionamento por casamento imp\u00f5em obriga\u00e7\u00f5es e colocam a economia do lar Trobriand\u00eas sobre uma base dupla (cf. Cap\u00edtulos V e VI). Nem poderia ele adivinhar a maneira intrincada em que o direito materno, combinado com o casamento patrilocal, complica o sistema. Os dispositivos e costumes que permitem a esses nativos acumular grandes quantidades de alimentos, e o sistema legal que concentra a riqueza nas m\u00e3os de alguns l\u00edderes que podem ent\u00e3o organizar empreendimentos em escala tribal, devem ser observados e declarados a partir da experi\u00eancia. Vamos, ent\u00e3o, examinar as v\u00e1rias atividades de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, as artes e of\u00edcios e os com\u00e9rcios, um ap\u00f3s o outro. Come\u00e7aremos pelos jardins. Ao chegar, certamente fiquei impressionado e fascinado pela vida nos jardins, por sua beleza buc\u00f3lica e riqueza, bem como sobrecarregado pela complexidade dos eventos agr\u00edcolas. Cheguei \u00e0s ilhas Trobriand em junho de 1915, e ap\u00f3s alguns dias na costa, estabeleci-me em Omarakana, a resid\u00eancia do chefe e o principal vilarejo do arquip\u00e9lago. A colheita na maioria das aldeias circunvizinhas estava a todo vapor; na capital, ela acabara de come\u00e7ar ou estava prestes a come\u00e7ar. N\u00e3o h\u00e1 momento em que os jardins Trobriandenses se mostrem em melhor vantagem ou o interesse dos nativos na produ\u00e7\u00e3o se manifeste com maior intensidade; nenhuma esta\u00e7\u00e3o em que tantos fios na trama da jardinagem estejam entrela\u00e7ados (Cap\u00edtulos I, II).<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em um momento, n\u00e3o se v\u00ea ningu\u00e9m entre as casas desertas, exceto idosos trabalhando e pequenas crian\u00e7as brincando. Ent\u00e3o, uma parte ap\u00f3s a outra chega com as colheitas, enchendo todo o assentamento com inhames, cestos, conversas e brincadeiras, al\u00e9m da import\u00e2ncia da jardinagem (cf. pranchas<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> 60-64). Foi nessa \u00e9poca que recebi a primeira indica\u00e7\u00e3o de que o Trobriand\u00eas \u00e9, acima de tudo, um jardineiro que cava com prazer e coleta com orgulho. Para ele, a comida acumulada proporciona uma sensa\u00e7\u00e3o de seguran\u00e7a e satisfa\u00e7\u00e3o, e a rica folhagem das videiras de inhame ou das folhas de taro \u00e9 uma express\u00e3o direta de beleza. Nesse aspecto, como em muitos outros, o Trobriand\u00eas concordaria com a defini\u00e7\u00e3o de beleza de Stendhal como a promessa de felicidade, em vez de com a afirma\u00e7\u00e3o desprovida de emo\u00e7\u00e3o de Kant sobre a contempla\u00e7\u00e3o desinteressada como a ess\u00eancia do prazer est\u00e9tico. Para o Trobriand\u00eas, tudo que \u00e9 belo aos olhos e ao cora\u00e7\u00e3o \u2013 ou, como ele diria mais corretamente, ao est\u00f4mago, que para ele \u00e9 o assento das emo\u00e7\u00f5es e da compreens\u00e3o \u2013 reside em coisas que prometem seguran\u00e7a, prosperidade, abund\u00e2ncia e prazer sensual.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao atravessar o pa\u00eds naquela esta\u00e7\u00e3o, voc\u00ea veria alguns jardins em toda a gl\u00f3ria de sua folhagem verde, come\u00e7ando a se tornar dourada (cf. pranchas 21 e 31). Esses seriam alguns dos principais plantios de inhames, que amadureceram mais tarde do que a maioria. Em seguida, voc\u00ea veria alguns dos jardins da pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o sendo iniciados (cf. prancha 20), e, de tempos em tempos, passaria por uma extens\u00e3o plana de largas folhas verdes \u2013 os jardins de taro (cf. prancha 112).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante minha primeira inspe\u00e7\u00e3o rudimentar dos jardins ao redor de Omarakana, fiquei surpreso com a deslumbrante variedade de cen\u00e1rios de jardim, trabalho de jardinagem e significados associados a eles. Em um lugar, uma colheita estava acontecendo, com homens e mulheres cortando videiras, desenterrando ra\u00edzes, limpando-as e empilhando-as em montes; em algumas das planta\u00e7\u00f5es de taro, mulheres estavam capinando; homens estavam limpando o mato baixo com machados em partes do jardim, enquanto em outras estavam dividindo o solo em pequenos quadrados, como um tabuleiro de xadrez, cujo prop\u00f3sito, a princ\u00edpio, eludiu minhas mais insistentes perguntas em Pidgin (cf. pranchas 26 e 38).<\/p>\n\n\n\n<p>Foi tamb\u00e9m nessa \u00e9poca que, em um dos meus primeiros dias, fui testemunha involunt\u00e1ria de um grande conselho do jardim, que chamar\u00e1 nossa aten\u00e7\u00e3o v\u00e1rias vezes durante a narrativa seguinte (Cap\u00edtulos II, XI e XII). Vi o chefe, seu herdeiro e sobrinho Bagido\u2019u, que tamb\u00e9m era o m\u00e1gico, junto com todos os not\u00e1veis em assembleia, discutindo assuntos que meu int\u00e9rprete n\u00e3o conseguiu traduzir. Logo depois, o pr\u00f3prio chefe me levou para uma caminhada e trabalho matinal nos jardins. Fiquei impressionado ao ver que ele, como o mais humilde de seus s\u00faditos, trabalhava dia ap\u00f3s dia em suas pr\u00f3prias terras, empunhando um poderoso bast\u00e3o de cavar, pois ele estava entre os mais altos e fortes dos Trobriandeses. Como todos os outros, ele plantava o taytu<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>, tub\u00e9rculo por tub\u00e9rculo, buscando para cada um certo peda\u00e7o apropriado de solo. Na colheita, ele trabalhava com a mesma min\u00facia e precis\u00e3o, quebrando o solo, retirando o taytu com suas pr\u00f3prias m\u00e3os e limpando-o, t\u00e3o cuidadosamente, amorosamente e pacientemente quanto qualquer outra pessoa (Cap\u00edtulo V, Se\u00e7\u00e3o 4). Geralmente, ele era acompanhado por uma ou outra de suas esposas: a forte e saud\u00e1vel Isupwana (cf. prancha 81), a bela jovem Ilaka\u2019isi (cf. prancha 82), ou a primeira esposa de seu pr\u00f3prio casamento, Kadamwasila, ou a mais velha de suas esposas, que ele herdou de seu irm\u00e3o mais velho, Bokuyoba (cf. prancha 2). Foi a To\u2019uluwa e suas esposas que me ensinaram as primeiras li\u00e7\u00f5es na tecnologia da jardinagem. \u00c9 \u00fatil no trabalho de campo mostrar algum interesse pr\u00e1tico em uma atividade e demonstrar alguma compet\u00eancia manual, para compensar aquela curiosidade te\u00f3rica e ainda pessoal que tende a ofender as suscetibilidades nativas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Notavelmente aqueles que leram o livro do Professor Seligman, <em>Melanesians of British New Guinea<\/em> (1910), ou os tr\u00eas cap\u00edtulos introdut\u00f3rios de meu <em>Argonautas do Pac\u00edfico Ocidental<\/em> (1922). Sua domesticidade, sua vida familiar e seus relacionamentos amorosos foram descritos em meu <em>A Vida Sexual dos Selvagens<\/em>, enquanto sua inf\u00e2ncia \u00e9 discutida em meu pequeno volume <em>Sexo e Repress\u00e3o<\/em>. Para a \u00e1rea cont\u00edgua da Nova Guin\u00e9, temos, em primeiro lugar, o excelente livro do Doutor Fortune, <em>The Sorcerers of Dobu<\/em>, que deve ser consultado por todos que est\u00e3o interessados na regi\u00e3o; tamb\u00e9m o livro sobre a Ilha Rossell de W. A. Armstrong, os relatos do Sr. F. E. Williams (<em>Orokaiva Society<\/em> e <em>Orokaiva Magic<\/em>) e D. Jenness e A. Ballantyne, <em>The Northern D\u2019Entrecasteaux<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> <em>Argonautas do Pac\u00edfico Ocidental<\/em>, pp. 49-51.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Gostaria de afirmar que isso, assim como o breve relato j\u00e1 publicado no Economic Journal, em 1921, sobre \u201cA Economia Primitiva dos Habitantes de Trobriand\u201d, \u00e9 apenas um esbo\u00e7o preliminar do assunto. Estou atualmente trabalhando em um relato completo sobre a pesca, ca\u00e7a, ind\u00fastrias e com\u00e9rcio interno de Trobriand. Suas expedi\u00e7\u00f5es mar\u00edtimas, trocas cerimoniais e com\u00e9rcio intertribal j\u00e1 foram descritos em <em>Argonautas do Pac\u00edfico Ocidental<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> <em>Argonautas<\/em>, pp. 58, 59.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Todas as pranchas, ou seja, as imagens capturadas por Malinowski e usadas extensamente ao longo da obra, encontram-se no final da edi\u00e7\u00e3o (N.E.).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Dioscorea esculenta (N.T.)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler, a seguir, um trecho de &#8220;Jardins de Corais e sua Magia&#8221; de Malinowski. Caso queira adquirir a obra completa, clique aqui, ou na imagem da capa abaixo. Parte I. Introdu\u00e7\u00e3o. Economia tribal e organiza\u00e7\u00e3o social dos Trobriandeses 1. O cen\u00e1rio e a paisagem dos jardins da Nova\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2025\/09\/17\/jardins-de-corais-e-sua-magia-de-malinowski\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1248,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,34],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1251"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1251"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1251\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1253,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1251\/revisions\/1253"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1248"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1251"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1251"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1251"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}