{"id":1323,"date":"2026-06-03T17:40:02","date_gmt":"2026-06-03T17:40:02","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=1323"},"modified":"2026-06-03T17:40:02","modified_gmt":"2026-06-03T17:40:02","slug":"os-prolegomenos-de-ibn-khaldun-volume-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2026\/06\/03\/os-prolegomenos-de-ibn-khaldun-volume-i\/","title":{"rendered":"Os Proleg\u00f4menos, de Ibn Khaldun (volume I)"},"content":{"rendered":"\n<p>Leia, a seguir, um trecho da obra &#8220;Os Proleg\u00f4menos&#8221; de Ibn Khaldun. Caso deseje mais informa\u00e7\u00f5es sobre o livro, <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/prolegomenos-muqaddimah\/\">clique aqui<\/a>, ou na imagem da capa abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/prolegomenos-muqaddimah\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"221\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/capinha_khaldun1.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1320\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/capinha_khaldun1.jpg 221w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/capinha_khaldun1-202x300.jpg 202w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/capinha_khaldun1-101x150.jpg 101w\" sizes=\"(max-width: 221px) 100vw, 221px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>Livro Primeiro. Da sociedade humana e dos fen\u00f4menos que ela apresenta, tais como a vida n\u00f4made, a vida sedent\u00e1ria, a domina\u00e7\u00e3o, a aquisi\u00e7\u00e3o, os meios de ganhar a sua subsist\u00eancia, as ci\u00eancias e as artes. Indica\u00e7\u00e3o das causas que levaram a estes resultados.<\/a><\/h1>\n\n\n\n<p>A hist\u00f3ria tem como verdadeiro objetivo nos fazer compreender o estado social do homem, ou seja, a civiliza\u00e7\u00e3o, e nos ensinar sobre os fen\u00f4menos que a ela se relacionam naturalmente, como a vida selvagem, o amolecimento dos costumes, o esp\u00edrito de fam\u00edlia e de tribo, os diversos g\u00eaneros de superioridade<a href=\"#_edn1\" id=\"_ednref1\">[i]<\/a> que os povos exercem uns sobre os outros e que levam ao surgimento de imp\u00e9rios e dinastias, a distin\u00e7\u00e3o de classes, as ocupa\u00e7\u00f5es \u00e0s quais os homens dedicam seus trabalhos e esfor\u00e7os, como as profiss\u00f5es lucrativas, os of\u00edcios que sustentam, as ci\u00eancias e as artes; enfim, todas as mudan\u00e7as que a natureza das coisas pode operar no car\u00e1ter da sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ora, como a mentira se introduz naturalmente nos relatos hist\u00f3ricos, \u00e9 importante indicar aqui as causas que a produzem: 1\u00aa o apego dos homens a certas opini\u00f5es e doutrinas. Enquanto o esp\u00edrito mant\u00e9m sua imparcialidade, ele examina o relato que lhe \u00e9 apresentado e o considera com a aten\u00e7\u00e3o que o assunto exige, conseguindo assim reconhecer a falsidade ou a veracidade da informa\u00e7\u00e3o. No entanto, se o esp\u00edrito se deixa influenciar por seu apego a certas opini\u00f5es e doutrinas, ele acolhe, sem hesita\u00e7\u00e3o, o relato que est\u00e1 de acordo com elas. Essa inclina\u00e7\u00e3o e esse apego lan\u00e7am um v\u00e9u sobre os olhos da intelig\u00eancia, impedindo a an\u00e1lise cr\u00edtica e a avalia\u00e7\u00e3o atenta, de modo que a mentira \u00e9 aceita e transmitida aos outros.<\/p>\n\n\n\n<p>A segunda causa que introduz a mentira nos relatos \u00e9 a confian\u00e7a depositada na palavra das pessoas que os transmitem. Para reconhecer se essas pessoas s\u00e3o dignas de f\u00e9, \u00e9 preciso recorrer a um exame semelhante ao que se designa pelas palavras <em>reprova\u00e7\u00e3o<\/em> e <em>confirma\u00e7\u00e3o<\/em><a href=\"#_edn2\" id=\"_ednref2\">[ii]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma terceira causa \u00e9 a ignor\u00e2ncia do objetivo que os protagonistas dos grandes eventos tinham em mente. A maioria dos narradores, ao n\u00e3o saber com que prop\u00f3sito as coisas que observaram ou das quais ouviram falar foram feitas, exp\u00f5e cada evento segundo a maneira como o compreendeu e, deixando-se enganar pela imagina\u00e7\u00e3o, acaba caindo na mentira.<\/p>\n\n\n\n<p>A quarta causa dos erros \u00e9 a facilidade com que o esp\u00edrito humano acredita que possui a verdade. Esse defeito \u00e9 bastante comum e geralmente decorre de um excesso de confian\u00e7a nas pessoas que transmitem as informa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Como quinta causa, podemos indicar a ignor\u00e2ncia das rela\u00e7\u00f5es que existem entre os eventos e as circunst\u00e2ncias que os acompanham. Isso se nota nos historiadores, quando os detalhes de um relato sofreram remanejamentos e altera\u00e7\u00f5es. Eles narram os eventos conforme os compreenderam, mas suas informa\u00e7\u00f5es foram modificadas, o que altera a exatid\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>A sexta causa \u00e9 a tend\u00eancia dos homens a favorecer personagens ilustres e elevados em dignidade; eles empregam louvores e elogios, embelezam os fatos e, em seguida, os propagam. Esses relatos, maculados de falsidade, recebem ampla divulga\u00e7\u00e3o. De fato, os esp\u00edritos s\u00e3o atra\u00eddos pela adula\u00e7\u00e3o; os homens ambicionam os bens do mundo, como status e riquezas, e, em geral, demonstram pouco empenho em se distinguir por nobres qualidades ou em<a href=\"#_edn3\" id=\"_ednref3\">[iii]<\/a> mostrar considera\u00e7\u00e3o por pessoas de verdadeiro m\u00e9rito.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra causa, que se sobrep\u00f5e \u00e0s que acabamos de indicar, \u00e9 a ignor\u00e2ncia da natureza das coisas que surgem da civiliza\u00e7\u00e3o. Tudo o que acontece, seja espontaneamente, seja por efeito de uma influ\u00eancia externa, possui um car\u00e1ter pr\u00f3prio, tanto em sua ess\u00eancia quanto nas circunst\u00e2ncias que o acompanham. Assim, o homem que coleta informa\u00e7\u00f5es e conhece de antem\u00e3o os caracteres que realmente apresentam os eventos e os fatos, bem como suas causas, possui um meio pelo qual pode controlar toda esp\u00e9cie de relato e distinguir a verdade da mentira. Esse meio \u00e9 mais eficaz do que todos os outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Com frequ\u00eancia, homens, baseando-se em um simples ouvir dizer, adotam hist\u00f3rias absurdas, que comunicam aos outros e que se transmitem em suas palavras. Tal \u00e9 a narra\u00e7\u00e3o de Masudi sobre Alexandre, o Grande. Segundo esse historiador, Alexandre, ao ver que monstros marinhos o impediam de fundar a cidade de Alexandria, mandou fabricar um cofre de madeira que continha uma caixa de vidro. Colocando-se dentro dessa caixa, ele desceu ao fundo do mar, de modo que p\u00f4de desenhar as figuras dos monstros diab\u00f3licos que se apresentavam \u00e0 sua vista e reproduzir suas formas com certos metais. Ele colocou essas imagens diante dos edif\u00edcios que havia come\u00e7ado, e, quando os monstros sa\u00edram de seu esconderijo e viram as imagens, fugiram, permitindo a conclus\u00e3o das constru\u00e7\u00f5es. Tudo isso faz parte de uma longa hist\u00f3ria, repleta de detalhes fabulosos e absurdos. N\u00e3o se pode fabricar um cofre de vidro capaz de resistir \u00e0 viol\u00eancia das ondas; al\u00e9m disso, um rei n\u00e3o empreenderia voluntariamente uma tentativa t\u00e3o arriscada. Se ele se envolvesse em uma empreitada semelhante, isso resultaria em sua pr\u00f3pria perda: o pacto social se quebraria e seus s\u00faditos se reuniriam em torno de outro pr\u00edncipe, sem lhe dar tempo de voltar de sua expedi\u00e7\u00e3o temer\u00e1ria. Ademais, os g\u00eanios n\u00e3o t\u00eam formas nem figuras que lhes sejam pr\u00f3prias, mas podem assumir a seu crit\u00e9rio. Quando se diz que eles t\u00eam um grande n\u00famero de cabe\u00e7as, o objetivo n\u00e3o \u00e9 dizer a verdade, mas inspirar horror e pavor.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas circunst\u00e2ncias s\u00e3o suficientes para desacreditar a narra\u00e7\u00e3o de Masudi; mas h\u00e1 um fato que demonstra, de maneira ainda mais evidente, o absurdo e a impossibilidade f\u00edsica do que ele relata. O homem que mergulhasse na \u00e1gua, mesmo que estivesse encerrado em um cofre, logo sentiria uma grande dificuldade para respirar, devido \u00e0 escassez de ar, e seu h\u00e1lito n\u00e3o tardaria a se aquecer. Privado do ar frio, que mant\u00e9m o equil\u00edbrio entre o pulm\u00e3o e os esp\u00edritos cordiais<a href=\"#_edn4\" id=\"_ednref4\">[iv]<\/a>, ele morreria instantaneamente. Essa \u00e9 a causa que leva \u00e0 morte das pessoas encerradas em uma sala de banho cujos respiradouros foram obstru\u00eddos para excluir o ar frio. Isso tamb\u00e9m \u00e9 a causa que faz perecer aqueles que s\u00e3o descidos em po\u00e7os ou subterr\u00e2neos de grande profundidade; o ar ali \u00e9 aquecido por miasmas, e os ventos n\u00e3o podem penetrar para dissipar essas emana\u00e7\u00f5es; assim, aquele que desce ali morre instantaneamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Da\u00ed resulta que o peixe cessa de viver quando est\u00e1 fora do mar; o ar n\u00e3o lhe \u00e9 suficiente para manter o equil\u00edbrio em seu pulm\u00e3o, cujo extremo calor precisa ser temperado pela frescura da \u00e1gua. A atmosfera na qual se o faz entrar, sendo quente, resulta em que o calor prevalece sobre os esp\u00edritos animais, e o peixe morre subitamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Explica-se da mesma maneira a morte das pessoas atingidas por raios. Mais uma hist\u00f3ria absurda \u00e9 relatada por Masudi. Segundo este autor, na cidade de Roma, h\u00e1 a imagem de um estorninho, em torno da qual, em um determinado dia de cada ano, os outros p\u00e1ssaros dessa esp\u00e9cie se re\u00fanem em multid\u00e3o, cada um trazendo uma oliva. Os frutos que chegam dessa forma servem, segundo ele, para fornecer aos habitantes \u00f3leo suficiente para seu consumo. Veja qu\u00e3o fora do curso natural das coisas \u00e9 essa maneira de se conseguir \u00f3leo!<\/p>\n\n\n\n<p>Entre esses contos, pode-se incluir o que El Bekri relata sobre a cidade chamada Dhat el Abouab<a href=\"#_edn5\" id=\"_ednref5\">[v]<\/a>, cuja circunfer\u00eancia, segundo ele, era de mais de trinta jornadas de marcha e cujas portas somavam dez mil. Ora, cidades n\u00e3o s\u00e3o constru\u00eddas sen\u00e3o para garantir seguran\u00e7a e defesa, como diremos adiante; quanto a esta, seria imposs\u00edvel bloque\u00e1-la, e muito menos transform\u00e1-la em abrigo ou fortaleza. O mesmo se aplica \u00e0 hist\u00f3ria que Masudi conta sobre a Cidade de Cobre (Medinet en Nahhas). Segundo ele, essa cidade \u00e9 inteiramente constru\u00edda de cobre e ocupa um local no deserto de Sidjilmessa. Mou\u00e7a Ibn Noceir chegou diante dela por acaso, durante sua expedi\u00e7\u00e3o no Magrebe. As portas estavam fechadas, e todos os homens que ousaram escalar as muralhas, ao chegarem ao alto do parapeito, bateram palmas, precipitaram-se para o interior da cidade e nunca mais reapareceram. Isso faz parte de um relato bastante absurdo para ser inclu\u00eddo entre as hist\u00f3rias contadas pelos contadores p\u00fablicos<a href=\"#_edn6\" id=\"_ednref6\">[vi]<\/a>. O deserto de Sidjilmessa foi percorrido, em todas as dire\u00e7\u00f5es, por caravanas e guias, sem que esses viajantes tivessem obtido a menor not\u00edcia da Cidade de Cobre. Al\u00e9m disso, todos os detalhes que se d\u00e3o sobre esse lugar s\u00e3o absurdos, se os julgarmos pela experi\u00eancia di\u00e1ria, e n\u00e3o podem ser conciliados com os procedimentos utilizados na funda\u00e7\u00e3o de uma cidade: os metais s\u00e3o usados, no m\u00e1ximo, para fabricar vasos e utens\u00edlios dom\u00e9sticos; afirmar que se construiu uma cidade com esses materiais \u00e9, evidentemente, uma afirma\u00e7\u00e3o inveross\u00edmil e absurda. Relatos desse tipo s\u00e3o numerosos, mas \u00e9 f\u00e1cil descobrir sua falsidade quando se conhece os caracteres naturais da civiliza\u00e7\u00e3o. Por meio desse conhecimento, \u00e9 poss\u00edvel constatar mais facilmente o valor de um relato e distinguir o verdadeiro do falso, em vez de examinar primeiro a credibilidade das pessoas que o transmitiram. Este \u00faltimo m\u00e9todo deve ser empregado apenas ap\u00f3s o estudo do relato em si, a fim de reconhecer se os fatos que ele cont\u00e9m s\u00e3o poss\u00edveis ou n\u00e3o. Se a impossibilidade for demonstrada, \u00e9 in\u00fatil recorrer a esse procedimento<a href=\"#_edn7\" id=\"_ednref7\">[vii]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os investigadores da verdade consideram, entre os pontos que levam \u00e0 rejei\u00e7\u00e3o da autenticidade de um relato, a impossibilidade do fato que ele enuncia, seja mantendo a significa\u00e7\u00e3o natural das palavras, seja dando-lhes uma interpreta\u00e7\u00e3o que repugne \u00e0 raz\u00e3o. Quanto \u00e0s informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 lei mu\u00e7ulmana, consistem, na maioria, em prescri\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias, \u00e0s quais o legislador deseja que se conforme, e que devem ser aceitas desde que se acredite que s\u00e3o aut\u00eanticas. Para chegar a essa cren\u00e7a, \u00e9 preciso estar perfeitamente convencido da credibilidade e da exatid\u00e3o das pessoas que transmitiram essas informa\u00e7\u00f5es. Quanto aos relatos de eventos, n\u00e3o se pode consider\u00e1-los verdadeiros e aut\u00eanticos at\u00e9 que se reconhe\u00e7a seu acordo com o que ocorre no mundo. Para isso, \u00e9 necess\u00e1rio examinar se o fato \u00e9 poss\u00edvel: esse \u00e9 um meio mais eficaz do que o procedimento de justifica\u00e7\u00e3o e deve ser empregado primeiro. A validade das prescri\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias se estabelece apenas pela justifica\u00e7\u00e3o, enquanto o valor de uma informa\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica se obt\u00e9m pelo emprego desse procedimento em conjunto com o exame do acordo que existe entre o relato e o que acontece ordinariamente no mundo<a href=\"#_edn8\" id=\"_ednref8\">[viii]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>As coisas sendo<a href=\"#_edn9\" id=\"_ednref9\">[ix]<\/a> assim, a regra que deve ser empregada para discernir a verdade do erro nos relatos, uma regra fundamentada na aprecia\u00e7\u00e3o do poss\u00edvel e do imposs\u00edvel, consiste em examinar a sociedade humana, ou seja, a civiliza\u00e7\u00e3o; distinguir, de um lado, o que \u00e9 inerente \u00e0 sua ess\u00eancia e \u00e0 sua natureza, e, de outro lado, o que \u00e9 acidental e n\u00e3o deve ser levado em conta, reconhecendo assim o que ela n\u00e3o admite. Agindo dessa forma, temos uma regra segura para distinguir, nos relatos, a verdade do erro, o verdadeiro do falso, por meio de um m\u00e9todo demonstrativo que n\u00e3o deixa margem \u00e0 d\u00favida. Portanto, se ouvimos contar algum evento que teria ocorrido na sociedade humana, estamos em condi\u00e7\u00f5es de reconhecer se devemos aceit\u00e1-lo como verdadeiro ou rejeit\u00e1-lo como falso. Assim, dispomos de um instrumento que permite apreciar os fatos com exatid\u00e3o e que poder\u00e1 servir aos historiadores que, em seus escritos, buscam seguir o caminho da verdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o objetivo que nos propusemos alcan\u00e7ar no primeiro livro de nossa obra. Trata-se de uma ci\u00eancia sui generis, pois tem, antes de tudo, um objeto especial, ou seja, a civiliza\u00e7\u00e3o e a sociedade humana, e aborda v\u00e1rias quest\u00f5es que servem para explicar sucessivamente os fatos relacionados \u00e0 pr\u00f3pria ess\u00eancia da sociedade. Tal \u00e9 o car\u00e1ter de todas as ci\u00eancias, tanto aquelas que se apoiam na autoridade quanto aquelas que s\u00e3o fundadas na raz\u00e3o<a href=\"#_edn10\" id=\"_ednref10\">[x]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os discursos nos quais iremos tratar esta mat\u00e9ria formar\u00e3o uma ci\u00eancia nova, que ser\u00e1 not\u00e1vel tanto pela originalidade de suas vis\u00f5es quanto pela extens\u00e3o de sua utilidade. N\u00f3s a descobrimos por meio de pesquisas e profundas medita\u00e7\u00f5es. Esta ci\u00eancia n\u00e3o tem nada em comum com a ret\u00f3rica, que \u00e9 um ramo da l\u00f3gica e se limita ao uso de discursos persuasivos, destinados a levar a multid\u00e3o a uma opini\u00e3o ou afast\u00e1-la dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela n\u00e3o deve ser confundida com a ci\u00eancia administrativa, que tem por objeto a maneira de governar uma fam\u00edlia ou uma cidade de acordo com as exig\u00eancias das boas maneiras e da sabedoria, de modo que o povo seja colocado em um caminho que possa levar \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o e \u00e0 dura\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie. Embora possa parecer oferecer alguns tra\u00e7os de semelhan\u00e7a com a ret\u00f3rica e a ci\u00eancia administrativa<a href=\"#_edn11\" id=\"_ednref11\">[xi]<\/a>, no entanto, difere muito delas. \u00c9, por assim dizer, uma ci\u00eancia nova, que surgiu espontaneamente; pois, com certeza, n\u00e3o conhe\u00e7o ningu\u00e9m que tenha composto um tratado especial sobre essa mat\u00e9ria. Ignoro se devemos atribuir \u00e0 neglig\u00eancia dos autores o esquecimento de um assunto como esse, o que, ali\u00e1s, n\u00e3o deve prejudicar sua considera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez j\u00e1 tenham escrito sobre essa mat\u00e9ria e tratado o assunto a fundo, mas seus livros n\u00e3o chegaram at\u00e9 n\u00f3s. De fato, o n\u00famero de ci\u00eancias \u00e9 muito grande, assim como o de s\u00e1bios pertencentes \u00e0s diversas ra\u00e7as da esp\u00e9cie humana; no entanto, os conhecimentos cient\u00edficos que n\u00e3o nos chegaram superam em quantidade aqueles que recebemos. O que se tornou das ci\u00eancias dos persas, cujos<a href=\"#_edn12\" id=\"_ednref12\">[xii]<\/a> escritos, na \u00e9poca da conquista, foram aniquilados por ordem de Omar? Onde est\u00e3o as ci\u00eancias dos caldeus, dos ass\u00edrios, dos habitantes da Babil\u00f4nia? Onde est\u00e3o os resultados e as marcas que deixaram nesses povos? Onde est\u00e3o as ci\u00eancias que, em tempos mais remotos, reinaram entre os copta? H\u00e1 uma \u00fanica na\u00e7\u00e3o, a dos gregos, cujas produ\u00e7\u00f5es cient\u00edficas possu\u00edmos exclusivamente, e isso gra\u00e7as aos cuidados que El-Mamun teve em fazer traduzir essas obras da l\u00edngua original. Este pr\u00edncipe teve sucesso em sua empreitada porque encontrou um grande n\u00famero de tradutores e gastou muito dinheiro nisso. N\u00e3o conhecemos nada das ci\u00eancias dos outros povos.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como toda verdade pode ser concebida pela intelig\u00eancia e se harmoniza com a natureza das coisas, a busca dos acidentes que dependem de sua ess\u00eancia \u00e9 uma tarefa realiz\u00e1vel<a href=\"#_edn13\" id=\"_ednref13\">[xiii]<\/a>. Portanto, o exame de cada verdade e de cada coisa compreendida pela mente gera uma ci\u00eancia particular. Contudo, os s\u00e1bios que consideraram essas mat\u00e9rias parecem ter se interessado por elas apenas para obter lucro. A ci\u00eancia que nos ocupa n\u00e3o traz nenhum benef\u00edcio, exceto para as pesquisas hist\u00f3ricas, como os leitores poder\u00e3o j\u00e1 vislumbrar. Embora as quest\u00f5es que se relacionam com sua ess\u00eancia e as circunst\u00e2ncias que lhe s\u00e3o pr\u00f3prias forne\u00e7am um nobre tema de estudo, \u00e9 preciso admitir que os resultados positivos oferecem apenas um fraco atrativo, uma vez que se limitam \u00e0 simples verifica\u00e7\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es. Pode ser por essa raz\u00e3o que os s\u00e1bios evitaram se ocupar com isso. A prop\u00f3sito, Deus o sabe, e a ci\u00eancia que voc\u00ea recebeu em parte se reduz a pouco. (Alcor\u00e3o, sura XVII, vers. 87.)<\/p>\n\n\n\n<p>Este ramo do conhecimento, que se tornou para n\u00f3s, os primeiros, um objeto de exame, nos apresenta problemas que j\u00e1 se manifestaram acidentalmente aos eruditos e que lhes serviram de argumentos em apoio \u00e0s ci\u00eancias que cultivavam. No entanto, essas quest\u00f5es, por seu objeto e por sua abrang\u00eancia, pertencem \u00e0 classe daquelas com as quais nossa ci\u00eancia se ocupa. Assim, os s\u00e1bios, ao quererem demonstrar a miss\u00e3o divina dos profetas, alegam que os homens, que devem se ajudar mutuamente para poder existir, necessitam de um magistrado para control\u00e1-los. \u00c9 tamb\u00e9m assim que, nos tratados sobre os princ\u00edpios fundamentais da jurisprud\u00eancia, se expressa, no cap\u00edtulo que trata da linguagem, que os homens precisam expressar seu pensamento para poderem se prestar aux\u00edlio m\u00fatuo e se reunir em sociedade, e que a linguagem \u00e9 o instrumento<a href=\"#_edn14\" id=\"_ednref14\">[xiv]<\/a> mais f\u00e1cil que podem empregar. Os juristas, ao quererem explicar o estabelecimento das leis, indicam os motivos que levaram \u00e0 sua promulga\u00e7\u00e3o, afirmando que a fornica\u00e7\u00e3o confunde as genealogias e prejudica a esp\u00e9cie, que o califado tamb\u00e9m causa danos, e que a tirania anuncia a ru\u00edna da civiliza\u00e7\u00e3o, resultando necessariamente em um grande preju\u00edzo \u00e0 esp\u00e9cie. Poder\u00edamos citar ainda outros exemplos dos motivos que levaram o legislador a promulgar certas leis, todos baseados na necessidade de conservar a sociedade. De acordo com o que acabamos de expor, \u00e9 evidente que essas quest\u00f5es se referem a circunst\u00e2ncias que afetam a civiliza\u00e7\u00e3o. Encontramos tamb\u00e9m aqui e ali outras quest\u00f5es do mesmo g\u00eanero, que os s\u00e1bios mencionaram sem as tratar a fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na f\u00e1bula da coruja, conforme relatada por Masudi, o mubedano<a href=\"#_edn15\" id=\"_ednref15\">[xv]<\/a> diz, entre outras coisas, a Behram, filho de Behram: \u201c\u00d3 rei, o soberano n\u00e3o chega ao auge do poder sen\u00e3o pela observ\u00e2ncia da lei, por uma submiss\u00e3o total a Deus e pela exatid\u00e3o em respeitar seus mandamentos e suas proibi\u00e7\u00f5es. A lei n\u00e3o pode subsistir sem o soberano; o soberano n\u00e3o \u00e9 poderoso sen\u00e3o por seus soldados; para manter soldados, \u00e9 preciso ter dinheiro; o dinheiro s\u00f3 se obt\u00e9m pela agricultura; n\u00e3o h\u00e1 agricultura sem uma administra\u00e7\u00e3o justa; a justi\u00e7a \u00e9 uma balan\u00e7a estabelecida pelo Senhor entre os homens, e perto da qual Ele colocou um inspetor, que \u00e9 o rei.\u201d Anuchiruan dizia sobre o mesmo assunto: \u201cSem ex\u00e9rcito, n\u00e3o h\u00e1 rei; sem dinheiro, n\u00e3o h\u00e1 ex\u00e9rcito; sem impostos, n\u00e3o h\u00e1 dinheiro; sem agricultura, n\u00e3o h\u00e1 impostos; sem administra\u00e7\u00e3o justa, n\u00e3o h\u00e1 agricultura; sem retid\u00e3o de conduta, n\u00e3o h\u00e1 boa administra\u00e7\u00e3o; sem a integridade dos vizires, n\u00e3o h\u00e1 retid\u00e3o de conduta. O ponto capital \u00e9 que o rei examine por si mesmo a condi\u00e7\u00e3o de seus s\u00faditos e que seja forte o suficiente para puni-los, a fim de que ele reine sobre eles e n\u00e3o seja dominado por eles.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>O tratado sobre a pol\u00edtica atribu\u00eddo a Arist\u00f3teles, que circula entre o p\u00fablico, cont\u00e9m v\u00e1rias observa\u00e7\u00f5es desse tipo; no entanto, elas n\u00e3o s\u00e3o apresentadas de maneira completa, nem apoiadas em todas as provas que reclamam; al\u00e9m disso, encontram-se misturadas a outras mat\u00e9rias. No mesmo trabalho, o autor tamb\u00e9m indicou as m\u00e1ximas gerais que relatamos com base no Mubedan e Anuchiruan.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele as organizou em um c\u00edrculo, do qual faz um grande elogio, apresentando-as da seguinte maneira: \u201cO mundo \u00e9 um jardim cujo governo \u00e9 a cerca; o governo \u00e9 uma pot\u00eancia que assegura a manuten\u00e7\u00e3o da lei; a lei \u00e9 uma regra administrativa cuja execu\u00e7\u00e3o \u00e9 supervisionada pela realeza; a realeza \u00e9 um v\u00ednculo que obt\u00e9m sua for\u00e7a do ex\u00e9rcito; o ex\u00e9rcito \u00e9 um corpo de auxiliares que servem por dinheiro; o dinheiro \u00e9 um subs\u00eddio fornecido pelos s\u00faditos; os s\u00faditos s\u00e3o servos protegidos pela justi\u00e7a; a justi\u00e7a deve entrar nos h\u00e1bitos do povo, pois assegura a exist\u00eancia do mundo. Ora, o mundo \u00e9 um jardim, etc.\u201d O autor retorna assim ao come\u00e7o de sua proposi\u00e7\u00e3o. Essas oito m\u00e1ximas est\u00e3o igualmente ligadas \u00e0 filosofia e \u00e0 pol\u00edtica; elas est\u00e3o interconectadas, com o fim de uma se relacionando com o come\u00e7o da outra, formando um c\u00edrculo sem fim. Arist\u00f3teles se vangloriou muito de ter descoberto essa combina\u00e7\u00e3o e destacou pomposamente suas vantagens<a href=\"#_edn16\" id=\"_ednref16\">[xvi]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O leitor que desejar examinar o cap\u00edtulo no qual trato das vantagens apresentadas pela realeza e pelos governos din\u00e1sticos, e que o tiver percorrido com a aten\u00e7\u00e3o que o assunto requer, encontrar\u00e1 o desenvolvimento dessas m\u00e1ximas e uma exposi\u00e7\u00e3o completa de seu alcance; uma exposi\u00e7\u00e3o simples, detalhada, sustentada pelos esclarecimentos e pelas provas mais satisfat\u00f3rias. \u00c9 gra\u00e7as \u00e0 gra\u00e7a de Deus que adquirimos esses conhecimentos; n\u00e3o os devemos nem aos ensinamentos de Arist\u00f3teles, nem \u00e0s li\u00e7\u00f5es do Mubedan.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontramos tamb\u00e9m nos escritos de Ibn el Mocaff\u00e2<a href=\"#_edn17\" id=\"_ednref17\">[xvii]<\/a> e nas ep\u00edstolas em que exp\u00f5e os princ\u00edpios da pol\u00edtica um grande n\u00famero de quest\u00f5es id\u00eanticas \u00e0s que pertencem ao tema de nosso livro. No entanto, em sua obra, essas quest\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o sustentadas por provas que as respaldem. Ele as introduz em seus discursos, utilizando o estilo ret\u00f3rico caracter\u00edstico dos escritos epistolares, com o intuito de causar impacto. O c\u00e1di Turtushi<a href=\"#_edn18\" id=\"_ednref18\">[xviii]<\/a> abordou esse tema no Siradj el-Molouk, uma obra organizada em cap\u00edtulos que apresenta muitas analogias com os cap\u00edtulos e problemas contidos em nosso livro. Contudo, a presa \u00e0 qual ele se dirigia lhe escapou; ele n\u00e3o a atingiu no flanco, e as quest\u00f5es permaneceram sem provas e sem esclarecimentos. Ele se contentou em dedicar a cada quest\u00e3o um cap\u00edtulo espec\u00edfico, acumulando muitas anedotas e hist\u00f3rias, al\u00e9m de relatar diversas palavras atribu\u00eddas a s\u00e1bios da P\u00e9rsia, como Buzurdjmihar e o Mubedan, assim como a fil\u00f3sofos da \u00cdndia, e acrescentou v\u00e1rias m\u00e1ximas atribu\u00eddas a Daniel, Hermes e outros grandes pensadores. No entanto, ele n\u00e3o conseguiu levantar o v\u00e9u que encobria a verdade, nem dissipar, por meio de argumentos extra\u00eddos da natureza das coisas, as obscuridades que cercavam o assunto. Sua obra serve apenas para transmitir as ideias de outros e n\u00e3o passa de uma sequ\u00eancia de exorta\u00e7\u00f5es semelhantes a serm\u00f5es. O autor, por assim dizer, rondou o objetivo sem conseguir descobri-lo; ele n\u00e3o compreendeu bem o que queria fazer e n\u00e3o tratou nenhuma quest\u00e3o de maneira completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a mim, foi uma inspira\u00e7\u00e3o celestial que me conduziu a essa empreitada, fazendo-me encontrar uma ci\u00eancia que me tornou o deposit\u00e1rio de seus segredos e seu int\u00e9rprete mais fiel. Se consegui abordar a fundo as quest\u00f5es relacionadas a ela, se soube reconhecer os diversos aspectos e as tend\u00eancias dessa ci\u00eancia e distingui-la das demais, isso se deve ao favor e \u00e0 dire\u00e7\u00e3o divinas. Se, na enumera\u00e7\u00e3o de seus caracteres distintivos, algo me escapou ou se alguma quest\u00e3o se encontra confundida com outra, o leitor cr\u00edtico saber\u00e1 corrigir meu erro; mas terei sempre o m\u00e9rito de ter lhe aberto o caminho e indicado a dire\u00e7\u00e3o, e Deus dirige por sua luz aqueles que lhe agradam<a href=\"#_edn19\" id=\"_ednref19\">[xix]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref1\" id=\"_edn1\">[i]<\/a> Para \ufe96\ufe8e\ufe91\ufee0\ufed7\ufe97\ufee0\ufe8d, leia \ufe96\ufe8e\ufe91\ufee0\ufed0\ufe97\ufee0\ufe8d com os manuscritos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref2\" id=\"_edn2\">[ii]<\/a> Para exercer as fun\u00e7\u00f5es de testemunha, \u00e9 necess\u00e1rio ter uma integridade bem reconhecida e cumprir fielmente os deveres da religi\u00e3o. No caso em que o c\u00e1di suspeita da moralidade do indiv\u00edduo que vem servir como testemunha ou depor em ju\u00edzo, ele toma secretamente as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para esclarecer suas d\u00favidas. Se o resultado desse tipo de investiga\u00e7\u00e3o for favor\u00e1vel, o c\u00e1di declara que o testemunha \u00e9 \u00edntegro: o termo \u00e1rabe \u00e9 t\u00e2dil (justificatio); caso contr\u00e1rio, ele se recusa a admitir o testemunho dessa pessoa, a qual ele imprime assim uma esp\u00e9cie de estigma, em \u00e1rabe tedjrih (improbatio). Este \u00faltimo termo significa mais exatamente ferir, e, em sentido figurado, ferir um homem em sua reputa\u00e7\u00e3o. Os doutores que compilaram as tradi\u00e7\u00f5es n\u00e3o aceitavam nenhuma como aut\u00eantica antes de se convencerem da probidade, da veracidade e da piedade de cada um dos tradicionalistas pelos quais essa tradi\u00e7\u00e3o havia sido transmitida. Para isso, eles se dedicavam a longas pesquisas. Essa ramifica\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia religiosa era designada pelos termos tedjrih oua t\u00e2dil (improbatio e justificatio).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref3\" id=\"_edn3\">[iii]<\/a> Leia \ufefb\ufeee, no lugar de \ufefb.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref4\" id=\"_edn4\">[iv]<\/a> Literalmente, \u201co esp\u00edrito do cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref5\" id=\"_edn5\">[v]<\/a> As Portas caspianas, Derbend.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref6\" id=\"_edn6\">[vi]<\/a> De fato, essa hist\u00f3ria se encontra na edi\u00e7\u00e3o das Mil e Uma Noites impressa em Boulac, e na tradu\u00e7\u00e3o inglesa desses contos, por Lane, volume III, p. 118.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref7\" id=\"_edn7\">[vii]<\/a> Lit. \u201ca investiga\u00e7\u00e3o de justifica\u00e7\u00e3o e de improbidade \u00e9 in\u00fatil.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref8\" id=\"_edn8\">[viii]<\/a> Literalmente, \u201centre a enuncia\u00e7\u00e3o e o extr\u00ednseco\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref9\" id=\"_edn9\">[ix]<\/a> Antes da palavra \ufe8d\ufeac\ufe8d, deve-se inserir a conjun\u00e7\u00e3o \ufeed.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref10\" id=\"_edn10\">[x]<\/a> Literalmente, \u201cseja impostas, seja intelectuais\u201d. \u2013 O autor quer dizer que as mat\u00e9rias das quais se ocupa formam uma ci\u00eancia porque oferecem um objeto especial (maudou\u00e2), problemas a resolver (me\u00e7ail) e um objetivo a alcan\u00e7ar (ghaia), as tr\u00eas condi\u00e7\u00f5es de toda ci\u00eancia. \u2013 No texto \u00e1rabe, deve-se substituir \ufee5\ufe80\ufe8e\ufeb8 por \ufee5\ufe84\ufeb7.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref11\" id=\"_edn11\">[xi]<\/a> Para \ufee5\ufef3\ufeac\ufee0\ufe8d, leia \ufee5\ufef3\ufeac\ufee0\ufedf\ufe8d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref12\" id=\"_edn12\">[xii]<\/a> Para \ufeef\ufeab\ufedf\ufe8d, leia \ufef0\ufe97\ufee0\ufe8d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref13\" id=\"_edn13\">[xiii]<\/a> Para \ufea2\ufedf\ufebb\ufef3, leia \ufea2\ufedf\ufebb\ufef3\ufeee. \u2013 Para as seis esp\u00e9cies de acidentes reconhecidas pelos l\u00f3gicos \u00e1rabes, veja a edi\u00e7\u00e3o da Ri\u00e7alet chemsiya publicada em Calcut\u00e1 em 1854, por Sprenger, p. 3 da tradu\u00e7\u00e3o. Este pequeno tratado deve servir de Ap\u00eandice ao grande trabalho intitulado Dictionary of the technical terms of the Musulmans.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref14\" id=\"_edn14\">[xiv]<\/a> Para \ufee5\ufe80\ufe8e\ufeb7, leia \ufee5\ufe8e\ufeb7.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref15\" id=\"_edn15\">[xv]<\/a> Mubedan \u00e9 o plural da palavra persa mubed (sacerdote dos adoradores do fogo). Seu grande sacerdote portava o t\u00edtulo de mubedi mubedan (sacerdote dos sacerdotes). Os autores \u00e1rabes tomaram mubedan como um nome no singular e lhe deram como plural mewabeda.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref16\" id=\"_edn16\">[xvi]<\/a> Busca-se inutilmente essa passagem na Pol\u00edtica ou nas Econ\u00f4micas de Arist\u00f3teles. Ibn Khaldun provavelmente a encontrou em um dos escritos ap\u00f3crifos que estavam nas m\u00e3os dos mu\u00e7ulmanos, e que eles aceitaram como sendo tradu\u00e7\u00f5es dos escritos deixados pelo grande fil\u00f3sofo grego.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref17\" id=\"_edn17\">[xvii]<\/a> Abd Allah Ibn el Mocaff\u00e2, o autor da tradu\u00e7\u00e3o \u00e1rabe das f\u00e1bulas de Bidpai, foi empregado nos escrit\u00f3rios do governo ab\u00e1ssida como secret\u00e1rio redator. Ele foi executado, por volta do ano 139 (756-757 d.C.), por ordem do califa El Mansura<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref18\" id=\"_edn18\">[xviii]<\/a> Abu Bakr Mohammed e Tortouchi nasceu em Tortosa, na Espanha, por volta do ano 451 (1059 d.C.). Ele viajou para o Oriente, fez a peregrina\u00e7\u00e3o e morreu em Alexandria, em 520 (1126 d.C.). Sua obra, o Siradj el Molouk, \u00e9 uma esp\u00e9cie de manual para o uso dos soberanos e cont\u00e9m um grande n\u00famero de anedotas mais ou menos instrutivas, que o autor distribuiu em sessenta e dois cap\u00edtulos. Dozy apresentou algumas delas na segunda edi\u00e7\u00e3o de suas Recherches sur l\u2019histoire et la litt\u00e9rature de l\u2019Espagne durant le moyen \u00e2ge, t. II, p. 254 e segs. Encontrar\u00e1 uma nota de Quatrem\u00e8re sobre Tortouchi no <em>Journal asiatique<\/em> de 1861, caderno de fevereiro-mar\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ednref19\" id=\"_edn19\">[xix]<\/a> Alcor\u00e3o, sura XXIV, vers. 35. L\u00ea-se: \ufee9\ufead\ufeed\ufee8\ufedf \u201cem sua luz\u201d, em vez de \ufee9\ufead\ufeed\ufee8\ufe92 \u201cpor sua luz\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia, a seguir, um trecho da obra &#8220;Os Proleg\u00f4menos&#8221; de Ibn Khaldun. Caso deseje mais informa\u00e7\u00f5es sobre o livro, clique aqui, ou na imagem da capa abaixo. Livro Primeiro. Da sociedade humana e dos fen\u00f4menos que ela apresenta, tais como a vida n\u00f4made, a vida sedent\u00e1ria, a domina\u00e7\u00e3o, a aquisi\u00e7\u00e3o,\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2026\/06\/03\/os-prolegomenos-de-ibn-khaldun-volume-i\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1320,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,61],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1323"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1323"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1323\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1324,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1323\/revisions\/1324"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1320"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1323"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1323"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1323"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}