{"id":181,"date":"2017-12-14T14:15:10","date_gmt":"2017-12-14T14:15:10","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=181"},"modified":"2017-12-14T14:15:10","modified_gmt":"2017-12-14T14:15:10","slug":"e-por-falar-em-marc-bloch","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2017\/12\/14\/e-por-falar-em-marc-bloch\/","title":{"rendered":"E por falar em Marc Bloch&#8230;"},"content":{"rendered":"<p>Em 2018 estaremos lan\u00e7ando nossa tradu\u00e7\u00e3o de &#8220;Os reis taumaturgos&#8221;, o maior cl\u00e1ssico da obra de Marc Bloch. Tem sido uma aventura trabalhar com esse texto, desvendar seu interior, destrinchar cada trecho do pensamento de um dos fundadores da Escola de Annales.<\/p>\n<p>Mas nem tudo s\u00e3o flores. Veja, por exemplo, o trecho abaixo:<\/p>\n<blockquote><p>M\u00e9dicos de possu\u00eddos, pelo menos de forma honor\u00e1ria, enquanto herdeiros dos reis de Castela, os reis de Espanha, no s\u00e9culo XVII, \u00e0s vezes eram tidos, aos olhos de seus partid\u00e1rios, como tamb\u00e9m capazes, como os reis da Fran\u00e7a, de curar a escr\u00f3fula.<\/p><\/blockquote>\n<p>Se voc\u00ea pensa que esta frase poderia ter sido escrita de uma maneira mais simples, n\u00f3s concordamos. Talvez nem seja bom em dizer isso, para o bem de nossa pr\u00f3pria tradu\u00e7\u00e3o: mas uma das caracter\u00edsticas que sentimos no texto de Marc Bloch s\u00e3o suas complica\u00e7\u00f5es desnecess\u00e1rias. O texto n\u00e3o \u00e9 complexo; \u00e9, muitas vezes, simplesmente confuso. Tolamente conufuso, at\u00e9.<\/p>\n<p>A frase acima \u00e9 uma tradu\u00e7\u00e3o literal do texto de Bloch. Se voc\u00ea fosse tradutor, o que faria? Deixaria a frase assim, afinal \u00e9 a express\u00e3o, a mais exata poss\u00edvel, do pensamento original do autor, ou a rearranjaria? Afinal, para quem trabalha em uma editora, fica o pensamento: ser\u00e1 que os leitores ir\u00e3o perceber que essa \u00e9 uma caracter\u00edstica do texto do Bloch, ou v\u00e3o achar que \u00e9 uma m\u00e1 tradu\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Essa d\u00favida n\u00e3o \u00e9 tola.<\/p>\n<p>Estudando-se tradu\u00e7\u00f5es como essa, percebe-se que \u00e9 muito comum os tradutores &#8220;simplificarem&#8221;, ou &#8220;explicarem&#8221; o texto original. Nas vers\u00f5es, em portugu\u00eas ou n\u00e3o, que existem de &#8220;Os reis taumaturgos&#8221;, isso acontece muito comumente. Uma frase originalmente confusa aparece simplificada em tradu\u00e7\u00f5es. Como se os tradutores quisessem melhorar o texto de Marc Bloch. E,olhando-se o par\u00e1grafo acima, bem-se sabe que Bloch n\u00e3o perderia em nada se fosse ajudado por um corretor.<\/p>\n<p>A nossa solu\u00e7\u00e3o est\u00e1 sendo de manter a tradu\u00e7\u00e3o t\u00e3o fiel quanto o original; estilo, afinal, tamb\u00e9m \u00e9 informa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se pode desprez\u00e1-lo. Mas, sempre que necess\u00e1rio, procurando explicar ao leitor o significado pretendido pelo autor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2018 estaremos lan\u00e7ando nossa tradu\u00e7\u00e3o de &#8220;Os reis taumaturgos&#8221;, o maior cl\u00e1ssico da obra de Marc Bloch. Tem sido uma aventura trabalhar com esse texto, desvendar seu interior, destrinchar cada trecho do pensamento de um dos fundadores da Escola de Annales. Mas nem tudo s\u00e3o flores. Veja, por exemplo,\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2017\/12\/14\/e-por-falar-em-marc-bloch\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":115,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[3],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=181"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/181\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/115"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=181"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=181"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=181"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}