{"id":188,"date":"2018-03-04T21:29:11","date_gmt":"2018-03-04T21:29:11","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=188"},"modified":"2018-03-04T21:29:11","modified_gmt":"2018-03-04T21:29:11","slug":"charles-seignobos-o-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2018\/03\/04\/charles-seignobos-o-atual\/","title":{"rendered":"Charles Seignobos, o atual"},"content":{"rendered":"<p>A Escola Met\u00f3dica francesa \u00e9 a Geni da historiografia. Se voc\u00ea quer tomar um modelo de &#8220;como n\u00e3o se deve fazer hist\u00f3ria&#8221;, \u00e9 muito comum apelar-se aos modelos da Escola Met\u00f3dica.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 met\u00f3dicos e met\u00f3dicos. O pior deles \u00e9 aquele que se fixou nos curr\u00edculos escolares e nos livros did\u00e1ticos: o da hist\u00f3ria linear, essencialmente pol\u00edtica, voltada a estudar os &#8220;grandes homens&#8221;. E \u00e9 horripilante o quando esse modelo hist\u00f3rico custa a abandonar o dia-a-dia das escolas.<\/p>\n<p>E \u00e9 baseado nessa concep\u00e7\u00f5es que muitos historiadores gostam de chutar o cl\u00e1ssico &#8220;<a href=\"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/introducao-aos-estudos-historicos\/\">Introdu\u00e7\u00e3o aos estudos hist\u00f3ricos<\/a>&#8221; de Charles Langlois e Charles Seignobos. Chutam a obra sem l\u00ea-la. &#8220;\u00c9 met\u00f3dica&#8221;, pensam. &#8220;Ent\u00e3o deve ser linear, rasteira, previs\u00edvel&#8221;. Na verdade, tomam o livro apenas a partir da cr\u00edtica que os historiadores de Annales faziam a ela.<\/p>\n<p>Muitas delas profundamente indevidas.<\/p>\n<p>O livro \u00e9 escrito por Langlois e por Seignobos. Langlois \u00e9 fraquinho: ele \u00e9 o mais furioso dos dois, acredita que todos devem trabalhar como escravos aos historiadores, e est\u00e1 sempre, nos cap\u00edtulos em que escreveu., reclamando de alguma coisa. Langlois tinha uma clara percep\u00e7\u00e3o de que era muito mais profundo e relevante do que realmente era.<\/p>\n<p>Seignobos \u00e9 mais calmo, ponderado, articulado. Os cap\u00edtulos que escreveu s\u00e3o interessantes, estimulantes, e profundos. \u00c9 \u00f3bvio que tem os seus problemas (a hist\u00f3ria linear, de causalidade simples, est\u00e1 l\u00e1). Mas, no geral, ir\u00e1 se surpreender todo interessado em hist\u00f3ria que quiser uma discuss\u00e3o <strong>absolutamente atual<\/strong> sobre o conhecimento hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Por exemplo:<\/p>\n<ul>\n<li>O papel da linguagem nos estudos hist\u00f3ricos:<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote><p>Mesmo os fatos mais comuns da vida humana, como condi\u00e7\u00f5es sociais, a\u00e7\u00f5es, motivos, sentimentos, s\u00f3 podem ser expressos por termos vagos (rei, guerreiro, lutar, eleger). No caso de fen\u00f4menos mais complexos, a linguagem \u00e9 t\u00e3o indefinida que n\u00e3o h\u00e1 acordo nem mesmo quanto aos elementos essenciais dos fen\u00f4menos. O que devemos entender por uma tribo, um ex\u00e9rcito, uma ind\u00fastria, um mercado, uma revolu\u00e7\u00e3o?<\/p><\/blockquote>\n<ul>\n<li>Cr\u00edtico da ideia de progresso:<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote><p>De semelhante concep\u00e7\u00e3o otimista de uma dire\u00e7\u00e3o racional do mundo parte a teoria do progresso cont\u00ednuo e necess\u00e1rio de a humanidade. Embora adotada pelos positivistas, n\u00e3o \u00e9 mais que uma hip\u00f3tese metaf\u00edsica. Em sentido vulgar, o \u201cprogresso\u201d n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o uma express\u00e3o subjetiva que designa as mudan\u00e7as que se operam no sentido de nossas prefer\u00eancias.<\/p><\/blockquote>\n<ul>\n<li>Cr\u00edtico \u00e0 suposta coer\u00eancia individual (algo bastante popular nos dias de hoje:<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote><p>O estudo de personagens imagin\u00e1rios (dram\u00e1ticos ou novelescos) nos habituou a procurar uma razo\u00e1vel rela\u00e7\u00e3o entre os diferentes sentimentos e atos de um indiv\u00edduo: na literatura, um personagem atua conforme \u00e0 l\u00f3gica. N\u00e3o devemos transpor ao estudo dos indiv\u00edduos de carne e osso semelhante pretens\u00e3o de coer\u00eancia.<\/p><\/blockquote>\n<ul>\n<li>As diferentes temporalidades hist\u00f3ricas<\/li>\n<\/ul>\n<blockquote><p>Os per\u00edodos delimitados a partir de acontecimentos pontuais t\u00eam dura\u00e7\u00e3o desigual. Essa assimetria n\u00e3o deve ser motivo de preocupa\u00e7\u00e3o; um per\u00edodo n\u00e3o deve ser uma divis\u00e3o temporal constante, mas o tempo transcorrido em uma fase concreta da evolu\u00e7\u00e3o. A evolu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um movimento regular; compreende largas s\u00e9ries de anos durante os quais n\u00e3o se produz altera\u00e7\u00e3o not\u00e1vel, depois dos quais sobrev\u00eam \u00e9pocas de r\u00e1pida transforma\u00e7\u00e3o. Esta diferen\u00e7a sugeriu ao Saint Simon a distin\u00e7\u00e3o entre per\u00edodos org\u00e2nicos (de mudan\u00e7a lenta) e cr\u00edticos (de mudan\u00e7a acelerada).<\/p><\/blockquote>\n<p>&#8220;Introdu\u00e7\u00e3o aos estudos hist\u00f3ricos&#8221; \u00e9 um livro muito rico. Uma pena que tenha sido deixado de lado como curiosidade. Conselhos, advert\u00eancia, experi\u00eancias que Langlois e, especialmente, Seignobos j\u00e1 apresentavam em sua obra, est\u00e3o tendo de ser &#8220;redescobertos&#8221; na atualidade.<\/p>\n<p>Um livro que foi deixado de lado por simples preconceito.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Escola Met\u00f3dica francesa \u00e9 a Geni da historiografia. Se voc\u00ea quer tomar um modelo de &#8220;como n\u00e3o se deve fazer hist\u00f3ria&#8221;, \u00e9 muito comum apelar-se aos modelos da Escola Met\u00f3dica. Mas h\u00e1 met\u00f3dicos e met\u00f3dicos. 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