{"id":222,"date":"2018-08-05T16:52:22","date_gmt":"2018-08-05T16:52:22","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=222"},"modified":"2018-08-05T16:52:22","modified_gmt":"2018-08-05T16:52:22","slug":"virgindade-anti-higienica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2018\/08\/05\/virgindade-anti-higienica\/","title":{"rendered":"Virgindade anti-higi\u00eanica!"},"content":{"rendered":"<p>Relan\u00e7amos uma das principais obras da hist\u00f3ria do feminismo brasileiro: <a href=\"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/virgindade-anti-higienica\/\">Virgindade anti-higi\u00eanica<\/a>, de Erc\u00edlia Nogueira Cobra. Ainda que seu pensamento esteja sendo recuperado, h\u00e1 quase um s\u00e9culo n\u00e3o surgiam novas edi\u00e7\u00f5es de sua obra.<\/p>\n<p>Abaixo, voc\u00ea pode ler a Apresenta\u00e7\u00e3o escrita para essa edi\u00e7\u00e3o especial\u00edssima, e comentada, do livro de Erc\u00edlia Cobra.<\/p>\n<hr \/>\n<p>Sabe-se que Erc\u00edlia Nogueira Cobra nasceu em 1891, em S\u00e3o Paulo, e o fato de n\u00e3o sabermos quando e onde faleceu diz muito sobre o significado do impacto social de sua escrita.<\/p>\n<p>Virgindade anti-higi\u00eanica, publicado originalmente em 1924, \u00e9 um dos dois \u00fanicos livros escritos por Erc\u00edlia Cobra. O outro, publicado em 1927, apresenta ideias semelhantes, embora na forma de um romance: Virgindade in\u00fatil e anti-higi\u00eanica. Em ambas as obras, ainda que mais claramente nesta que voc\u00ea tem em m\u00e3os, o argumento de Erc\u00edlia Cobra \u00e9 direto e impactante: a nega\u00e7\u00e3o de uma educa\u00e7\u00e3o formal \u00e0 mulher, igual \u00e0 dada ao homem, e a imposi\u00e7\u00e3o de um rigor comportamental, particularmente em rela\u00e7\u00e3o aos atos e desejos sexuais, \u00e9 resultado de preconceitos defendidos pelos homens \u2013 que se beneficiam deles \u2013 n\u00e3o fundados na ci\u00eancia. Mas em preconceitos que seriam, como ela bem disse, hip\u00f3critas. Para Erc\u00edlia Cobra, a concep\u00e7\u00e3o do per\u00edodo que avaliava a honra feminina a partir de sua virgindade era incompat\u00edvel com a modernidade, com a higiene, e com a indiscut\u00edvel igualdade que existia entre homens e mulheres.<\/p>\n<p>Seu argumento \u00e9 direto e expl\u00edcito, como voc\u00ea poder\u00e1 confirmar nas pr\u00f3ximas p\u00e1ginas. E, por isso mesmo, Erc\u00edlia Cobra recebeu todas as san\u00e7\u00f5es sociais poss\u00edveis para uma mulher que questionava, especialmente de tal forma aberta, os princ\u00edpios fundamentais da diferen\u00e7a entre g\u00eaneros. Condenada pela Igreja, renegada pela fam\u00edlia, perseguida pela justi\u00e7a (teria sido ela, inclusive, presa durante o Estado Novo), viu-se, na d\u00e9cada de 1940, obrigada a mudar de nome. Provavelmente, segundo o \u00fanico e j\u00e1 antigo estudo sobre sua biografia, acabou se casando e fugiu do pa\u00eds. Erc\u00edlia desapareceu: parece ter sido a solu\u00e7\u00e3o que encontrou para fugir da avassaladora press\u00e3o social que recebeu por expor suas ideias transgressoras. Falta quase tudo de trabalho historiogr\u00e1fico para que se possa conhecer essa segunda e enigm\u00e1tica parte da vida de Erc\u00edlia Cobra.<\/p>\n<p>Apesar de desde a d\u00e9cada de 1980 terem aumentado os estudos sobre o pensamento de Erc\u00edlia Nogueira Cobra, o Brasil n\u00e3o contava com edi\u00e7\u00f5es mais recentes desta sua obra, por assim dizer, te\u00f3rica. O objetivo da publica\u00e7\u00e3o desta edi\u00e7\u00e3o de Virgindade anti-higi\u00eanica \u00e9 o de ajudar \u00e0 recupera\u00e7\u00e3o das ideias e da pr\u00f3pria vida de Erc\u00edlia Cobra.<\/p>\n<p>N\u00e3o se trata, por\u00e9m, de uma mera reprodu\u00e7\u00e3o de seu livro. Como estrat\u00e9gia ret\u00f3rica \u2013 quem sabe para demonstrar sua capacidade intelectual e seu conhecimento? \u2013 muitos trechos de sua obra foram escritos originalmente em franc\u00eas: cita\u00e7\u00f5es de obras estrangeiras usadas como sustenta\u00e7\u00e3o aos argumentos. Essa vers\u00e3o traz a tradu\u00e7\u00e3o desses trechos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as notas procuram identificar os v\u00e1rios autores citados por Erc\u00edlia Cobra, algo que nem sempre \u00e9 simples. Certos autores algo populares no per\u00edodo, ao menos entre a elite que tinha acesso a textos estrangeiros, s\u00e3o hoje relativamente desconhecidos, e sobre os quais h\u00e1 poucas informa\u00e7\u00f5es. De toda forma, as informa\u00e7\u00f5es mais pertinentes sobre esses escritores, bem como sobre suas obras, est\u00e3o presentes.<\/p>\n<p>Essa viagem nas refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas de Erc\u00edlia Cobra revelou duas curiosidades que cabe destacar. A primeira \u00e9 a pequena distor\u00e7\u00e3o intencional de uma cita\u00e7\u00e3o de Schopenhauer. A segunda \u00e9 a exist\u00eancia de dois par\u00e1grafos que ela traduziu e reproduziu em seu livro sem citar o autor original, o franc\u00eas Georges-Anquetil. Ambas talvez possam ser explicadas pela mesma raz\u00e3o: o desejo de Erc\u00edlia Cobra de se aproveitar dos argumentos desses autores em fun\u00e7\u00e3o de seus objetivos, mas sem se alinhar com o ataque, presente em ambos, aos relacionamentos monog\u00e2micos. Detalhes dessa hip\u00f3tese podem ser encontrados na nota 3, da p\u00e1gina 64.<\/p>\n<p>Boa leitura.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relan\u00e7amos uma das principais obras da hist\u00f3ria do feminismo brasileiro: Virgindade anti-higi\u00eanica, de Erc\u00edlia Nogueira Cobra. Ainda que seu pensamento esteja sendo recuperado, h\u00e1 quase um s\u00e9culo n\u00e3o surgiam novas edi\u00e7\u00f5es de sua obra. 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