{"id":241,"date":"2018-08-18T20:26:04","date_gmt":"2018-08-18T20:26:04","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=241"},"modified":"2018-08-18T20:26:04","modified_gmt":"2018-08-18T20:26:04","slug":"de-deus-trecho-do-livro-ii-de-historia-natural-de-plinio-o-velho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2018\/08\/18\/de-deus-trecho-do-livro-ii-de-historia-natural-de-plinio-o-velho\/","title":{"rendered":"&#8220;De Deus&#8221;: trecho do Livro II de &#8220;Hist\u00f3ria Natural&#8221; de Pl\u00ednio, o Velho"},"content":{"rendered":"<p>Clique na capa para adquirir os livros I e II de &#8220;Hist\u00f3ria Natural&#8221;, de Pl\u00ednio, o Velho.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/B07GMZKL2D\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-246 aligncenter\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/capa-plinio-1-211x300.jpg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/capa-plinio-1-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/capa-plinio-1-106x150.jpg 106w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/capa-plinio-1.jpg 231w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/a><\/p>\n<hr \/>\n<h2>De deus<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn1\" name=\"_ftnref1\"><b>[1]<\/b><\/a><\/h2>\n<p>Por isso, considero uma indica\u00e7\u00e3o de fraqueza humana investigar a figura e a forma de Deus. Pois, o que quer que seja Deus, e se existir tal ente distinto<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn2\" name=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, e onde quer que ele exista, ele \u00e9 todo o sentido, toda a vis\u00e3o, todo o ouvir, toda a vida, toda a mente<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn3\" name=\"_ftnref3\">[3]<\/a> e tudo dentro de si mesmo. Acreditar que h\u00e1 um n\u00famero de Deuses, derivados das virtudes e v\u00edcios do homem<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn4\" name=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, como Castidade, Conc\u00f3rdia, Compreens\u00e3o, Esperan\u00e7a, Honra, Clem\u00eancia e Fidelidade; ou, de acordo com a opini\u00e3o de Dem\u00f3crito, que existam apenas dois, Puni\u00e7\u00e3o e Recompensa<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn5\" name=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, indica insanidade ainda maior. A natureza humana, fraca e fr\u00e1gil como \u00e9, consciente de sua pr\u00f3pria debilidade, criou essas divis\u00f5es, de modo que pudesse recorrer \u00e0quilo que acreditava estar mais particularmente necessitado<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn6\" name=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Da\u00ed encontramos diferentes nomes empregados por diferentes na\u00e7\u00f5es; as deidades inferiores s\u00e3o organizadas em classes; doen\u00e7as e pragas s\u00e3o deificadas, consequ\u00eancia de nosso ansioso desejo por aplac\u00e1-las. Foi por isso que um templo foi dedicado \u00e0 Febre, erigido com gastos p\u00fablicos no Monte Palatino<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn7\" name=\"_ftnref7\">[7]<\/a>, e outro em Orbona<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn8\" name=\"_ftnref8\">[8]<\/a>, pr\u00f3ximo do Templo de Lares, e que um altar foi erigido para a Boa Fortuna em Esquilino. Assim, podemos entender por que se acredita que haja uma popula\u00e7\u00e3o de Celestiais maior do que a de seres humanos, uma vez que cada indiv\u00edduo cria um Deus separado para si mesmo, adotando seu pr\u00f3prio Juno e seu pr\u00f3prio G\u00eanio<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn9\" name=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. E h\u00e1 na\u00e7\u00f5es que fazem deuses de certos animais, e at\u00e9 de certas coisas obscenas<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn10\" name=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, das quais n\u00e3o se deve falar, e fazem juramentos por coisas f\u00e9tidas e outras coisas assim. Supor que casamentos sejam contra\u00eddos entre deuses e que, durante ap\u00f3s um per\u00edodo t\u00e3o longo, n\u00e3o houvesse qualquer problema deles, que alguns devessem ser velhos e sempre grisalhos e outros jovens e como crian\u00e7as, alguns de pele escura, alados, coxos, nascidos a partir de ovos, vivendo e morrendo em dias alternados, \u00e9 algo absolutamente pueril e tolo. Mas \u00e9 o m\u00e1ximo da imprud\u00eancia imaginar que o adult\u00e9rio ocorra entre eles, que t\u00eam disputas e brigas, e que h\u00e1 deuses do roubo e de v\u00e1rios crimes<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn11\" name=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Ajudar o homem \u00e9 ser um Deus; este \u00e9 o caminho para a gl\u00f3ria eterna. Este \u00e9 o caminho que os nobres romanos antes perseguiam, e este \u00e9 o caminho que agora \u00e9 perseguido pelo maior governante de nossa \u00e9poca, Vespasiano Augusto, aquele que veio para o al\u00edvio de um imp\u00e9rio exausto, assim como seus filhos. Esse era o modo antigo de recompensar aqueles que mereciam: consider\u00e1-los como deuses<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn12\" name=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Pois os nomes de todos os deuses, bem como das estrelas que mencionei acima<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn13\" name=\"_ftnref13\">[13]<\/a>, derivam de seus servi\u00e7os \u00e0 humanidade. E o que dizer a respeito a J\u00fapiter e Merc\u00fario, e o restante nomenclatura celestial, que n\u00e3o admite refer\u00eancia a certos fen\u00f4menos naturais?<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn14\" name=\"_ftnref14\">[14]<\/a> \u00c9 rid\u00edculo supor que a grande cabe\u00e7a de todas as coisas, seja ela qual for, tenha qualquer considera\u00e7\u00e3o pelos assuntos humanos<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn15\" name=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. Dever\u00edamos acreditar, ou melhor, poderia haver alguma d\u00favida de que n\u00e3o seria polu\u00edda por uma tarefa t\u00e3o desagrad\u00e1vel e complicada? N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil determinar qual opini\u00e3o seria a mais vantajosa para a humanidade, pois observamos que alguns n\u00e3o t\u00eam respeito pelos deuses e h\u00e1 outros que levam esse respeito a um excesso escandaloso. S\u00e3o escravos de cerim\u00f4nias estrangeiras; carregam em seus dedos os deuses e os monstros que adoram<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn16\" name=\"_ftnref16\">[16]<\/a>; condenam e colocam grande \u00eanfase em certos tipos de alimento; imp\u00f5em a si mesmos terr\u00edveis obriga\u00e7\u00f5es, nem mesmo dormindo em paz. N\u00e3o se casam ou adotam crian\u00e7as, nem fazem qualquer outra coisa sem a san\u00e7\u00e3o de seus ritos sagrados. H\u00e1 outros, por outro lado, que trapaceiam no pr\u00f3prio Capit\u00f3lio e renunciam a si mesmos at\u00e9 mesmo por J\u00fapiter Tonante<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn17\" name=\"_ftnref17\">[17]<\/a>, e enquanto estes prosperam em seus crimes, outros se atormentam com suas supersti\u00e7\u00f5es sem prop\u00f3sito.<\/p>\n<p>Entre essas opini\u00f5es discordantes, a humanidade descobriu para si uma esp\u00e9cie de divindade intermedi\u00e1ria, pela qual nosso ceticismo em rela\u00e7\u00e3o a Deus \u00e9 ainda ampliado. Em todo o mundo, em todos os lugares e em todos os momentos, a Fortuna \u00e9 a \u00fanica que todos invocam; apenas ela \u00e9 chamada, apenas ela \u00e9 acusada e deve ser culpada; apenas ela est\u00e1 em nossos pensamentos, \u00e9 louvada, condenada, e carregada de reprova\u00e7\u00f5es; vacilante como \u00e9, concebida pela generalidade da humanidade para ser cega, errante, inconstante, incerta, vari\u00e1vel e muitas vezes favorecendo os indignos. A ela s\u00e3o referidas todas as nossas perdas e todos os nossos ganhos, e ao lan\u00e7ar as contas dos mortais, ela sozinha equilibra as duas folhas de nossa p\u00e1gina<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn18\" name=\"_ftnref18\">[18]<\/a>. Estamos t\u00e3o no poder do acaso, que a pr\u00f3pria mudan\u00e7a \u00e9 considerada um Deus, e a exist\u00eancia de Deus torna-se duvidosa.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 outros que rejeitam esse princ\u00edpio e atribuem eventos \u00e0 influ\u00eancia das estrelas<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn19\" name=\"_ftnref19\">[19]<\/a> e \u00e0s leis de nossa natividade; sup\u00f5em que Deus, de uma vez por todas, emite seus decretos e nunca depois interfere. Esta opini\u00e3o come\u00e7a a ganhar terreno, e tanto o erudito quanto o leigo a est\u00e3o aceitando. Por isso, temos as admoesta\u00e7\u00f5es do trov\u00e3o, as advert\u00eancias dos or\u00e1culos, as predi\u00e7\u00f5es dos adivinhos e todas as outras coisas, triviais demais para serem mencionadas, como espirrar e trope\u00e7ar com os p\u00e9s contados entre os press\u00e1gios<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn20\" name=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. O divino imperador Augusto<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn21\" name=\"_ftnref21\">[21]<\/a> relata que colocou o sapato esquerdo no p\u00e9 errado no dia em que esteve pr\u00f3ximo de ser atacado por seus soldados<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn22\" name=\"_ftnref22\">[22]<\/a>. E coisas como estas constrangem mortais improvidentes, que dentre eles tudo \u00e9 certo, que nada \u00e9 certo, ou que n\u00e3o existe nada mais orgulhoso ou miser\u00e1vel que o homem. Pois outros animais n\u00e3o se importam sen\u00e3o em prover sua subsist\u00eancia, para a qual a gentileza espont\u00e2nea da natureza \u00e9 suficiente; e esta circunst\u00e2ncia torna o seu quinh\u00e3o muito mais prefer\u00edvel, pois nunca pensam em gl\u00f3ria, dinheiro ou ambi\u00e7\u00e3o e, acima de tudo, nunca refletem sobre sua morte.<\/p>\n<p>A cren\u00e7a, entretanto, de que nesses pontos os deuses supervisionam os assuntos humanos \u00e9 \u00fatil para n\u00f3s, assim como a puni\u00e7\u00e3o pelos crimes, ainda que por vezes tardia, pois a Deidade est\u00e1 ocupada com tal massa de tarefas, ainda nunca sejam totalmente perdoadas, e que o homem n\u00e3o foi criado semelhante a ele mesmo, de modo que pudessem ser degradados como brutos. E de fato isso constitui o grande conforto ao homem em seu estado imperfeito, pois nem mesmo a Deidade pode tudo. Pois o homem n\u00e3o pode obter a morte para si mesmo, mesmo que desejasse \u2013 a qual, t\u00e3o numerosos s\u00e3o os males da vida, foi concedida ao homem como nosso maior bem. Nem pode a Deidade tornar os mortais imortais, ou tornar \u00e0 vida aqueles que est\u00e3o mortos; nem pode fazer viver aqueles que jamais viveram, ou que aquele que tenha desfrutado de honrarias n\u00e3o as tenha desfrutado; nem tem qualquer influ\u00eancia sobre eventos passados, salvo faz\u00ea-los serem esquecidos. E, se ilustramos a natureza de nossa conex\u00e3o com Deus por um argumento menos s\u00e9rio, ele n\u00e3o pode fazer que duas vezes n\u00e3o sejam vinte, e muitas outras coisas desse tipo. Por estas considera\u00e7\u00f5es, prova-se claramente o poder da natureza, que \u00e9 o que chamamos de Deus. N\u00e3o \u00e9 estranho ao tema que se tenha desviado para essas quest\u00f5es, comuns a todos, dos incessantes debates que existem com rela\u00e7\u00e3o a Deus<a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftn23\" name=\"_ftnref23\">[23]<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref1\" name=\"_ftn1\">[1]<\/a> \u00c9 ressaltado por Enfield , <i>Hist. de Phil <\/i>. ii. 131, que \u201ccom rela\u00e7\u00e3o \u00e0s opini\u00f5es filos\u00f3ficas, Pl\u00ednio n\u00e3o aderiu rigidamente a nenhuma seita&#8230; Ele reprova o dogma epicurista de uma infinidade de mundos; favorece a no\u00e7\u00e3o pitag\u00f3rica da harmonia das esferas; fala do universo como Deus, \u00e0 maneira dos estoicos, e por vezes parece passar para o campo dos c\u00e9ticos. Na maior parte, entretanto, ele se apoia na doutrina de Epicuro\u201d.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref2\" name=\"_ftn2\">[2]<\/a> \u201cSi alius est Deus quam sol\u201d, Alexandre em <i>Lem.<\/i> I. 230. Ou melhor, se existe algum Deus distinto do mundo; pois a \u00faltima parte da senten\u00e7a dificilmente pode ser aplicada ao sol. Poinsinet e Ajasson, no entanto, adotam a mesma opini\u00e3o com M. Alexandre; eles traduzem a passagem \u201cs&#8217;il en est autre que le soleil\u201d, i. 17 e ii. 11<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref3\" name=\"_ftn3\">[3]<\/a> \u201ctotus anim\u00e6, totus animi;\u201d \u201cAnima est\u00e1 qua vivinus, animus quo sapimus.\u201d Hard. em <i>Lem<\/i>. I. 230, 231. A distin\u00e7\u00e3o entre estas duas palavras \u00e9 precisamente apontada por Lucr\u00e9cio, iii. 137 e segs.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref4\" name=\"_ftn4\">[4]<\/a> \u201cfecer (Athenienses) Contumeli\u00e6 fanum et Impudenti\u00e6\u201d. C\u00edcero, <i>De Leg<\/i>. ii. 28. V. tamb\u00e9m Bossuet, <i>Discours sur l&#8217;Histoire univ<\/i>. I. 250<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref5\" name=\"_ftn5\">[5]<\/a> O relato que C\u00edcero nos d\u00e1 das opini\u00f5es de Dem\u00f3crito dificilmente concorda com a afirma\u00e7\u00e3o do texto; v. <i>De Nat. Deor.<\/i> I. 120.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref6\" name=\"_ftn6\">[6]<\/a> \u201cIn varios divisit Deos numen unicum, quod Plinio c\u0153lum est aut mundus; ejusque singulas partes, aut, ut philosophi aiunt, attributa, separatim coluit; \u201cAlexandre em Lemaire, i. 231.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref7\" name=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u201cFebrem autem ad menos nocendum, templis celebrant, quorum adhue unum em Palafio &#8230;.\u201d Val. Max. ii. 6; v. tamb\u00e9m \u00c6lian, <i>Var. Hist.<\/i> xii. 11. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil determinar o significado preciso dos termos <i>Fanum<\/i>, <i>\u00c6des<\/i> e <i>Templum<\/i>, empregados por Pl\u00ednio e Val. Maximus Gesner define Fanum \u201carea templi et solium, templum vero \u00e6dificium\u201d; mas essa distin\u00e7\u00e3o, como ele nos informa, nem sempre \u00e9 observada com precis\u00e3o; parece haver ainda menos distin\u00e7\u00e3o entre <i>\u00c6des<\/i> e <i>Templum<\/i>; v. seu <i>Thesaurus<\/i> <i>in loco<\/i>, tamb\u00e9m <i>Facciolati<\/i> de Bailey <i>in loco<\/i>.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref8\" name=\"_ftn8\">[8]<\/a> \u201cOrbona est Orbitalis dea.\u201d Hardouin em <i>Lemaire<\/i>, i. 231.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref9\" name=\"_ftn9\">[9]<\/a> \u201cAppositos sibi statim ab ortu custodes credebant, quos viri Genios, Junones f\u0153min\u00e6 vocabant.\u201d Hardouin em <i>Lemaire<\/i>, i. 232. V. Tibullus, 4. 6. 1, e S\u00eaneca, Epist. 110, <i>sub init<\/i>.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref10\" name=\"_ftn10\">[10]<\/a> Podemos supor que nosso autor aqui se refere \u00e0 mitologia popular dos eg\u00edpcios; os \u201cfidi cibi\u201d s\u00e3o mencionados por Juvenal; \u201cPorrum et c\u00e6pe nefas violare e frangere morsu\u201d, xv. 9; e Pl\u00ednio, em uma parte subsequente de seu trabalho, xix. 32, observa\u00e7\u00f5es, \u201cAllium ceepeque entre Deos in jurejurando habet \u00c6gyptus\u201d.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref11\" name=\"_ftn11\">[11]<\/a> V. C\u00edcero, <i>De Nat. Deor<\/i>. I. 42 <i>et alibi<\/i>, para uma ilustra\u00e7\u00e3o dessas observa\u00e7\u00f5es de Pl\u00ednio.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref12\" name=\"_ftn12\">[12]<\/a> Este sentimento \u00e9 elegantemente expresso por C\u00edcero<i>, De Nat. Deor<\/i>. ii. 62 e por Hor\u00e1cio, <i>Od<\/i>. iii. 3. 9 e segs. N\u00e3o parece, no entanto, que qualquer dos romanos, exceto Romulus, tenham sido deificados, anterior ao per\u00edodo adulat\u00f3rio do Imp\u00e9rio.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref13\" name=\"_ftn13\">[13]<\/a> \u201cPlanetarum nempe, qui omnes nomina mutuantur a diis.\u201d Alexandre em <i>Lemaire<\/i>, i. 234.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref14\" name=\"_ftn14\">[14]<\/a> Essa observa\u00e7\u00e3o pode ser ilustrada pela seguinte passagem de C\u00edcero, no primeiro livro de seu tratado <i>De Nat. Deor<\/i>. Falando da doutrina de Zeno, ele diz: \u201cneque enim Jovem, neque Junonem, neque Vestam, neque quemquam, qui ita appelletur, in deorum habet numero: sed rebus manimis, atque mutis, per quandam significationem, h\u00e6c docet tributa nomina.\u201d \u201cIdemque (Chrysippus) disputat, \u00e6thera esse eum, quem homines Jovem appellant: quique a\u00ebr per maria manaret, eum esse Neptunum: terramque eam esse, qu\u00e6 Ceres diceretur: similique ratione persequitur vocabula reliquorum deorum.\u201d<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref15\" name=\"_ftn15\">[15]<\/a> As seguintes observa\u00e7\u00f5es de Lucr\u00e9cio e de C\u00edcero podem servir para ilustrar a opini\u00e3o aqui expressa por nosso autor:<\/p>\n<p>\u201cOmnis enim per se Divum natura necesse est<\/p>\n<p>Immortal \u00e6vo summa cum pace fruatur,<\/p>\n<p>Semota ab nostris rebus, sejunctaque longe\u201d; Lucr\u00e9cio, i. 57\u201369.<\/p>\n<p>\u201cQuod \u00e6ternum beatumque sit, id nec habere ipsum negotii quidquam, nec exhibere alteri; itaque neque ira neque gratia teneri, quod, qu\u00e6 talia essent, imbecilla essent omnia.\u201d C\u00edcero, <i>De Nat. Deor<\/i>. i. 45.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref16\" name=\"_ftn16\">[16]<\/a> O autor aqui alude \u00e0s figuras das divindades eg\u00edpcias que foram gravadas em an\u00e9is.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref17\" name=\"_ftn17\">[17]<\/a> Seu of\u00edcio espec\u00edfico era executar vingan\u00e7a contra os \u00edmpios.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref18\" name=\"_ftn18\">[18]<\/a> \u201csola utramque paginam facit.\u201d As palavras <i>utraque pagina<\/i> geralmente se referem aos dois lados da mesma folha, mas, nessa passagem, elas provavelmente significam as partes cont\u00edguas da mesma superf\u00edcie.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref19\" name=\"_ftn19\">[19]<\/a> \u201castroqueo suo eventu assignat;\u201d a palavra <i>astrum<\/i> parece ser sin\u00f4nimo de <i>sidus<\/i>, geralmente significando uma \u00fanica estrela e, ocasionalmente, uma constela\u00e7\u00e3o; como em Manilius, i. 541, 2.<\/p>\n<p>\u201c&#8230;. quantis bis sena ferantur<\/p>\n<p>Finibus astra &#8230; \u201c<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 usado por sin\u00e9doque para os c\u00e9us, como \u00e9 o caso da palavra inglesa stars. V. o <i>Thesaurus<\/i> de Gesner.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref20\" name=\"_ftn20\">[20]<\/a> \u201cQu\u00e6 si suscipiamus, pedis offensio nobis&#8230;et sternutamenta erunt observanda.\u201d C\u00edcero, <i>De Nat. Deor.<\/i> ii. 84.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref21\" name=\"_ftn21\">[21]<\/a> \u201cDivus Augustus\u201d. O ep\u00edteto <i>divus<\/i> pode ser considerado apenas como um termo de etiqueta da corte, porque todos os imperadores ap\u00f3s a morte eram deificados <i>ex officio<\/i>.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref22\" name=\"_ftn22\">[22]<\/a> Aprendemos a natureza exata deste acidente sinistro de Suet\u00f4nio; \u201c&#8230;si mane sibi calceus perperam, et sinister pro dextro induceretur;\u201d Augustus, cap. 92. A partir desta passagem, parece que as sand\u00e1lias romanas eram feitas, como as denominamos, direita e esquerda.<\/p>\n<p><a title=\"\" href=\"file:\/\/\/J:\/hd%20500\/!Nuno\/2-18\/Pl%C3%ADnio\/plinio_2.docx#_ftnref23\" name=\"_ftn23\">[23]<\/a> \u00c9 quase desnecess\u00e1rio observar que as opini\u00f5es aqui apresentadas a respeito da Deidade s\u00e3o tomadas em parte dos princ\u00edpios dos epicuristas, combinados com a doutrina estoica de Destino. Os exemplos que s\u00e3o apresentados para provar o poder do destino sobre a Divindade s\u00e3o, em sua maior parte, mais verbais do que essenciais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique na capa para adquirir os livros I e II de &#8220;Hist\u00f3ria Natural&#8221;, de Pl\u00ednio, o Velho. De deus[1] Por isso, considero uma indica\u00e7\u00e3o de fraqueza humana investigar a figura e a forma de Deus. Pois, o que quer que seja Deus, e se existir tal ente distinto[2], e onde\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2018\/08\/18\/de-deus-trecho-do-livro-ii-de-historia-natural-de-plinio-o-velho\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":239,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[18],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=241"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/241\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/239"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=241"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}