{"id":310,"date":"2018-11-21T20:39:35","date_gmt":"2018-11-21T20:39:35","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=310"},"modified":"2018-11-21T20:39:35","modified_gmt":"2018-11-21T20:39:35","slug":"sussurros-na-escuridao-h-p-lovecraft","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2018\/11\/21\/sussurros-na-escuridao-h-p-lovecraft\/","title":{"rendered":"Sussurros na escurid\u00e3o, H. P. Lovecraft"},"content":{"rendered":"<h3>Cap\u00edtulo 1<\/h3>\n<p>Tenha em mente que ao final n\u00e3o vi qualquer horror visual. Dizer que tenha sido um choque mental a causa do que deduzi \u2013 a \u00faltima gota que me levou a sair correndo da solit\u00e1ria casa de campo de Akeley atrav\u00e9s das selvagens montanhas de Vermont guiando um carro \u00e0 noite \u2013 \u00e9 ignorar os mais evidentes fatos de minha experi\u00eancia \u00faltima. Apesar das coisas profundas que vi e ouvi, e de admitir a v\u00edvida impress\u00e3o que produziram em mim, mesmo agora n\u00e3o posso provar se estava certo ou errado em minha horr\u00edvel infer\u00eancia. Depois de tudo, o desaparecimento de Akeley n\u00e3o define nada. As pessoas n\u00e3o encontraram nada de errado em sua casa, apesar das marcas de bala do lado de fora e em seu interior. Era como se ele tivesse sa\u00eddo casualmente para caminhar pelas colinas e jamais retornado. N\u00e3o havia sequer um sinal de ter havido qualquer h\u00f3spede ali, ou de que aqueles horr\u00edveis cilindros e m\u00e1quinas tivessem guardados em seu escrit\u00f3rio. O fato de que ele temia mortalmente as verdejantes colinas e a intermin\u00e1vel corrente de riachos entre os quais nasceu e cresceu, tampouco nada significa; pois milhares de pessoas est\u00e3o sujeitas a tais temores m\u00f3rbidos. A excentricidade, al\u00e9m disso, poderia explicar facilmente seus estranhos atos e seus medos em rela\u00e7\u00e3o a este \u00faltimo.<\/p>\n<p>A quest\u00e3o toda come\u00e7ou, no que me diz respeito, com as inunda\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas e sem precedentes de Vermont em 3 de novembro de 1927. Eu era ent\u00e3o, como agora, um instrutor de literatura na Universidade Miskatonic em Arkham, Massachusetts, e um entusiasta amador estudante de literatura folcl\u00f3rica da Nova Inglaterra. Pouco depois da inunda\u00e7\u00e3o, em meio a variados relatos sobre dificuldades, sofrimentos e socorros organizados que tomavam a imprensa, surgiram algumas estranhas hist\u00f3rias de coisas encontradas flutuando em alguns dos rios transbordados; muitos de meus amigos embarcaram em curiosas discuss\u00f5es e me pediram que lan\u00e7asse alguma poss\u00edvel luz sobre o assunto. Senti-me lisonjeado por ter levado o meu estudo do folclore t\u00e3o a s\u00e9rio e fiz o que pude para menosprezar as hist\u00f3rias vagas e selvagens que pareciam t\u00e3o claramente uma recria\u00e7\u00e3o de velhas supersti\u00e7\u00f5es primitivas. Diverti-me ao encontrar v\u00e1rias pessoas instru\u00eddas que insistiam que algum fato obscuro e distorcido poderia estar por detr\u00e1s dos rumores.<\/p>\n<p>As hist\u00f3rias que assim me chamaram a aten\u00e7\u00e3o chegaram principalmente por meio de recortes de jornais; embora a trama tivesse uma fonte oral e fosse repetida para um amigo meu em uma carta de sua m\u00e3e em Hardwick, Vermont. O tipo de coisa descrita era essencialmente a mesma em todos os casos, embora parecesse haver tr\u00eas inst\u00e2ncias separadas envolvidas \u2013 uma conectada com o rio Winooski perto de Montpelier, outra ao rio West no condado de Windham al\u00e9m de Newfane, e uma terceira centrada no rio Passumpsic no condado da Caled\u00f4nia, para al\u00e9m de Lyndonville. Obviamente, muitos dos objetos perdidos mencionavam outras ocorr\u00eancias, mas na an\u00e1lise todos pareciam estar resumidos nestes tr\u00eas. Em cada caso, os camponeses relatavam ter visto um ou mais objetos muito bizarros e perturbadores nas turbulentas \u00e1guas que ca\u00edam das colinas desertas, e havia uma tend\u00eancia generalizada em ligar estas vis\u00f5es a um ciclo primitivo, algo esquecido, de lendas sussurradas que os velhos ressuscitavam para tais ocasi\u00f5es.<\/p>\n<p>O que as pessoas pensavam ver eram formas org\u00e2nicas n\u00e3o muito semelhantes com aquelas que j\u00e1 conheciam. \u00c9 obvio, houve muitos corpos humanos lavados pelas correntezas nesse tr\u00e1gico evento; mas os que descreveram estas estranhas formas estavam certos de que n\u00e3o eram humanas, apesar de algumas superficiais semelhan\u00e7as em tamanho e contorno geral. Tamb\u00e9m n\u00e3o eram, garantiam as testemunhas, quaisquer animais conhecidos de Vermont. Eram coisas rosadas de um metro e meio de comprimento; com corpos de crust\u00e1ceos que levavam vastos pares de aletas dorsais ou asas membranosas e v\u00e1rios conjuntos de membros articulados com uma esp\u00e9cie de elipsoide contorcida, coberta com v\u00e1rias antenas muito curtas, onde normalmente estaria uma cabe\u00e7a. Foi realmente impressionante como os relatos de diferentes fontes tenderam a coincidir; embora a maravilha fosse diminu\u00edda pelo fato de que as antigas lendas, compartilhadas em algum momento na regi\u00e3o montanhosa, forneciam uma imagem morbidamente v\u00edvida que poderia muito bem ter colorido a imagina\u00e7\u00e3o de todas as testemunhas envolvidas. Cheguei \u00e0 conclus\u00e3o de que tais testemunhas \u2013 em todos os casos pessoas simples e ing\u00eanuas \u2013 haviam visto os corpos maltratados e inchados de seres humanos ou animais das fazendas nas fortes correntes; e acabaram permitindo que o quase esquecido folclore investisse de atributos fant\u00e1sticos estes objetos miser\u00e1veis.<\/p>\n<p>O folclore antigo, embora nebuloso, evasivo e amplamente esquecido pela gera\u00e7\u00e3o atual, tinha um car\u00e1ter altamente singular e obviamente refletia a influ\u00eancia de contos ind\u00edgenas ainda anteriores. Eu o conhecia bem \u2013 embora nunca tivesse estado em Vermont \u2013 por meio da bastante rara monografia de Eli Davenport, que abrange material obtido oralmente antes de 1839 entre alguns dos mais antigos colonos do estado. Este material, ali\u00e1s, coincidia de maneira bastante pr\u00f3xima com os contos que eu ouvira pessoalmente dos mais velhos habitantes das montanhas de New Hampshire. Resumindo brevemente, insinuava a exist\u00eancia de uma ra\u00e7a oculta de seres monstruosos que espreitava em algum lugar entre as mais remotas colinas \u2013 nas florestas profundas dos picos mais altos, e nos vales escuros onde os riachos fluem de fontes desconhecidas. Esses seres raramente eram vistos, mas evid\u00eancias de sua presen\u00e7a eram relatadas por aqueles que se aventuraram mais longe do que o habitual pelas encostas de certas montanhas ou por certos desfiladeiros profundos e \u00edngremes que mesmo os lobos evitavam.<\/p>\n<p>No lodo das margens dos riachos havia estranhos rastros de pegadas ou marcas de garras, trechos est\u00e9reis e c\u00edrculos curiosos de pedras, com desgastada grama ao redor, que n\u00e3o pareciam ter sido colocadas ou inteiramente moldadas pela natureza. Havia tamb\u00e9m certas cavernas de problem\u00e1tica profundidade ao lado das colinas; com entradas cerradas por pedregulhos de uma forma quase acidental, e com uma algo perturbadora coincid\u00eancia de estranhos rastros que levavam at\u00e9 eles e para longe deles \u2013 se de fato a dire\u00e7\u00e3o destes vest\u00edgios pudesse ser estimada de maneira adequada. E, pior de tudo, existiam as coisas que aventureiros haviam muito raramente visto no crep\u00fasculo dos vales mais remotos e nas densas florestas perpendiculares acima dos limites da ascens\u00e3o normal das colinas.<\/p>\n<p>Teria sido menos desconfort\u00e1vel se os relatos perdidos dessas coisas n\u00e3o concordassem t\u00e3o precisamente. Pelo que se dizia, quase todos os rumores tinham v\u00e1rios pontos em comum; afirmavam que as criaturas eram uma esp\u00e9cie de enorme caranguejo vermelho-claro com muitos pares de pernas e com duas grandes asas semelhantes a morcegos no meio das costas. Que \u00e0s vezes caminhavam sobre todas as pernas, e \u00e0s vezes apenas sobre o \u00faltimo par, usando as outras para carregar grandes objetos de natureza indeterminada. Em certa ocasi\u00e3o, foram vistos em grandes quantidades, com um destacamento caminhando ao longo de um bosque rasteiro em grupos de tr\u00eas, em forma\u00e7\u00e3o evidentemente disciplinada. Certa vez, um esp\u00e9cime foi vista voando \u2013 lan\u00e7ando-se do topo de uma colina descampada e solit\u00e1ria \u00e0 noite e desaparecendo no c\u00e9u ap\u00f3s suas grandes asas abertas aparecerem recortadas, por um instante, contra a lua cheia.<\/p>\n<p>Essas coisas pareciam felizes, aparentemente, em deixar a humanidade em paz; apesar de serem \u00e0s vezes responsabilizadas pelo desaparecimento de aventureiros \u2013 especialmente pessoas que constru\u00edam casas muito pr\u00f3ximas a certos vales ou em locais muito altos em certas montanhas. V\u00e1rias localidades passaram a ser conhecidas como pouco aconselh\u00e1veis para se morar, sendo que o sentimento persistiu muito depois que sua causa acabou esquecida. As pessoas olhavam para os precip\u00edcios das montanhas vizinhas com estremecimento, mesmo quando n\u00e3o se lembravam de quantos colonos haviam se perdido, e de quantas casas de fazenda se transformaram em cinzas, nas encostas mais baixas daquelas sentinelas sombrias e esverdeadas.<\/p>\n<p>Mas, embora, de acordo com as primeiras lendas, as criaturas parecessem ter prejudicado apenas aqueles que invadissem sua privacidade, havia relatos posteriores sobre sua curiosidade em rela\u00e7\u00e3o aos homens e de suas tentativas de estabelecer secretos postos avan\u00e7ados no mundo humano. Hist\u00f3rias sobre estranhas pegadas vistas em torno das janelas das casas nas fazendas pela manh\u00e3, e de desaparecimentos ocasionais em regi\u00f5es fora das \u00e1reas obviamente assombradas. Havia hist\u00f3rias, al\u00e9m disso, de vozes zumbindo em imita\u00e7\u00e3o da fala humana que faziam ofertas assombrosas a viajantes solit\u00e1rios em estradas e caminhos de carro\u00e7as em densas florestas, e de crian\u00e7as assustadas por coisas vistas ou ouvidas onde o bosque primitivo se abria logo al\u00e9m de seus quintais. Na \u00faltima camada de lendas \u2013 a camada imediatamente anterior ao decl\u00ednio da supersti\u00e7\u00e3o e o abandono do contato pr\u00f3ximo com os lugares temidos \u2013 havia chocantes refer\u00eancias a eremitas e camponeses remotos que em algum per\u00edodo da vida teriam sofrido alguma repulsiva mudan\u00e7a mental, e que passaram a ser evitados e apontados como mortais que teriam se vendido aos estranhos seres. Em um dos condados do nordeste, em torno de 1800, teria sido moda acusar os reclusos exc\u00eantricos e impopulares de serem aliados ou representantes daquelas coisas abomin\u00e1veis.<\/p>\n<p>Quanto ao que as coisas eram \u2013 as explica\u00e7\u00f5es naturalmente variavam. O nome comum aplicado a eles era \u201caquelas coisas\u201d, ou \u201caquelas coisas antigas\u201d, embora outras express\u00f5es tivessem uso local e transit\u00f3rio. Talvez a maior parte dos colonos puritanos os qualificasse sem rodeios como familiares do diabo e os tenham integrado a uma admir\u00e1vel especula\u00e7\u00e3o teol\u00f3gica. Aqueles com lendas celtas em sua heran\u00e7a \u2013 principalmente o elemento escoc\u00eas-irland\u00eas de New Hampshire, e seus parentes que haviam se estabelecido em Vermont nas concess\u00f5es coloniais do Governador Wentworth \u2013 vagamente os associavam \u00e0s fadas malignas e \u00e0s \u201cpessoas pequenas\u201d dos p\u00e2ntanos e brejos, e se protegiam com fragmentos de encantamentos transmitidos atrav\u00e9s de muitas gera\u00e7\u00f5es. Mas eram os \u00edndios que tinham as teorias mais fant\u00e1sticas de todas. Embora as lendas tribais diferissem, havia um consenso marcante em certos aspectos vitais; sendo que todas concordavam de forma un\u00e2nime que as criaturas n\u00e3o eram nativas deste mundo.<\/p>\n<p>Os mitos dos Pennacook, que eram os mais coerentes e pitorescos, ensinavam que os Alados vieram do Grande Urso no c\u00e9u e possu\u00edam minas em nossas colinas terrenas, de onde extra\u00edam um tipo de pedra que n\u00e3o conseguiam em nenhum outro mundo. Eles n\u00e3o moravam aqui, diziam os mitos, mas apenas mantinham postos avan\u00e7ados e voavam de volta com vastas cargas de pedra para suas pr\u00f3prias estrelas no norte. Eles feriam apenas as pessoas da Terra que se aproximavam demais ou os espiavam. Evitavam animais devido a um medo instintivo, e n\u00e3o por serem ca\u00e7ados. N\u00e3o podiam comer as coisas e os animais da Terra, mas traziam seu pr\u00f3prio alimento das estrelas. Era algo ruim se aproximar deles, e \u00e0s vezes jovens ca\u00e7adores penetravam em suas colinas e nunca mais voltavam. Tamb\u00e9m n\u00e3o era bom ouvir o que sussurravam \u00e0 noite na floresta com vozes como as de abelhas que tentavam ser como as vozes dos homens. Conheciam a fala de todos os tipos de homens \u2013 Pennacooks, Hurons, homens das Cinco Na\u00e7\u00f5es \u2013, mas n\u00e3o pareciam ter ou precisar de nenhum idioma pr\u00f3prio. Eles conversavam com suas cabe\u00e7as, que mudavam de cor de maneiras diferentes para significar coisas diferentes.<\/p>\n<p>Todas as lendas, claro, de brancos e ind\u00edgenas, desapareceram durante o s\u00e9culo XIX, exceto por at\u00e1vicos surtos ocasionais. Os caminhos em Vermont se estabeleceram; e uma vez que seus trajetos e habita\u00e7\u00f5es habituais foram estabelecidos de acordo com um determinado plano fixo, eles se lembravam cada vez menos dos medos e receios que havia determinado esse plano, e at\u00e9 mesmo de que tivesse existido qualquer medo ou receio. A maioria das pessoas simplesmente sabia que certas regi\u00f5es montanhosas eram consideradas altamente insalubres, in\u00fateis e geralmente ruins de se viver, e que quanto mais longe delas se manter, melhor. Com o tempo, os rumos do interesse econ\u00f4mico e comercial se tornaram t\u00e3o profundos nos lugares aprovados que desapareceu qualquer motivo para desviar deles, e as colinas assombradas acabaram abandonadas por acidente, e n\u00e3o por inten\u00e7\u00e3o. Salvo durante raras ocorr\u00eancias locais, e apenas av\u00f3s amantes de maravilhas e nonagen\u00e1rios saudosistas, ningu\u00e9m cochichava sobre os seres que moravam naquelas colinas; e mesmo tais sussurros admitiam que n\u00e3o havia muito a temer daquelas coisas, agora que estavam acostumados \u00e0 presen\u00e7a de casas e assentamentos, e que os seres humanos haviam completamente abandonado o territ\u00f3rio em que estavam.<\/p>\n<p>Tudo isso eu sabia h\u00e1 muito tempo de minhas leituras e de certos contos populares de New Hampshire; portanto, quando no momento da inunda\u00e7\u00e3o come\u00e7aram a aparecer os rumores, pude facilmente adivinhar qual fundo imaginativo os havia desenvolvido. Eu me esforcei muito para explicar isso aos meus amigos, e me diverti quando v\u00e1rias almas contenciosas continuaram a insistir em um poss\u00edvel elemento de verdade nos relatos. Essas pessoas tentaram apontar que as primeiras lendas tinham persist\u00eancia e uniformidade significativas, e que a natureza virtualmente inexplorada das montanhas de Vermont tornava insensato ser dogm\u00e1tico sobre o que poderia ou n\u00e3o habitar entre elas; tampouco poderiam ser silenciados por minha garantia de que todos os mitos eram de um padr\u00e3o bem conhecido, comuns \u00e0 maioria da humanidade e determinados pelas fases iniciais da experi\u00eancia imaginativa, que sempre produziam o mesmo tipo de del\u00edrio.<\/p>\n<p>De nada servia demonstrar a tais obstinados que os mitos de Vermont diferiam pouco em ess\u00eancia daquelas lendas universais de personifica\u00e7\u00e3o natural que haviam enchido o mundo antigo de faunos e dr\u00edades e s\u00e1tiros, que sugeriam os kallikanzarai da Gr\u00e9cia moderna e havia dado \u00e0 Gales e \u00e0 Irlanda suas cren\u00e7as de ra\u00e7as ocultas estranhas, pequenas e terr\u00edveis de trogloditas e habitantes de tocas. Nem mesmo valia a pena ressaltar a cren\u00e7a ainda mais surpreendente das tribos montanhesas nepalesas no temido Mi-Go ou no \u201cAbomin\u00e1vel Homem das Neves\u201d que se escondiam horrendamente em meio a pin\u00e1culos de gelo e rocha dos cumes do Himalaia. Quando apresentei essas evid\u00eancias, meus oponentes as recusaram alegando que deveriam implicar alguma real historicidade dos contos antigos; que argumentavam pela exist\u00eancia real de alguma ra\u00e7a estranha mais antiga, levada a se esconder ap\u00f3s o advento e dom\u00ednio da humanidade, e que poderia ter sobrevivido em n\u00fameros reduzidos at\u00e9 \u00e9pocas relativamente recentes \u2013 ou mesmo at\u00e9 o presente.<\/p>\n<p>Quanto mais eu ria de tais teorias, mais meus teimosos amigos as afirmavam; acrescentavam que, mesmo sem a heran\u00e7a da lenda, os recentes relatos eram muito claros, consistentes, detalhados e sadiamente prosaicos no que contavam, para serem completamente ignorados. Dois ou tr\u00eas extremistas fan\u00e1ticos chegaram ao ponto de sugerir poss\u00edveis significados nos antigos contos ind\u00edgenas que davam aos seres ocultos uma origem n\u00e3o-terrestre; citavam os extravagantes livros de Charles Fort e suas alega\u00e7\u00f5es de que os viajantes de outros mundos e do espa\u00e7o exterior visitaram a Terra com frequ\u00eancia. A maioria dos meus advers\u00e1rios, no entanto, era de meros romancistas que insistiam em tentar transferir para a vida real o fant\u00e1stico conhecimento de \u201cpessoas pequenas\u201d que ficavam \u00e8 espreita, e que foram tornadas populares pela magn\u00edfica fic\u00e7\u00e3o de horror de Arthur Machen.<\/p>\n<hr \/>\n<p><em>Voc\u00ea pode ler o texto completo em vers\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/B07NTY4D1B\">Ebook<\/a> na <a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/B07NTY4D1B\">Amazon<\/a>.<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/dp\/B07NTY4D1B\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"size-medium wp-image-311 aligncenter\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/capa-lovecraft-211x300.jpg\" alt=\"\" width=\"211\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/capa-lovecraft-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/capa-lovecraft-106x150.jpg 106w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/capa-lovecraft.jpg 231w\" sizes=\"(max-width: 211px) 100vw, 211px\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cap\u00edtulo 1 Tenha em mente que ao final n\u00e3o vi qualquer horror visual. 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