{"id":414,"date":"2020-02-25T16:53:13","date_gmt":"2020-02-25T16:53:13","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=414"},"modified":"2022-10-15T21:22:17","modified_gmt":"2022-10-15T21:22:17","slug":"uma-biografia-de-arthur-de-gobineau-de-1883","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2020\/02\/25\/uma-biografia-de-arthur-de-gobineau-de-1883\/","title":{"rendered":"Uma biografia de Arthur de Gobineau, de 1883"},"content":{"rendered":"\n<p>Arthur de Gobineau, autor de <a href=\"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/ensaio-sobre-a-desigualdade-das-racas-humanas\/\">Ensaio sobre a Desigualdade das Ra\u00e7as Humanas<\/a>, morreu em 1882, nos preparativos para a publica\u00e7\u00e3o da segunda edi\u00e7\u00e3o de sua obra. Como forma de homenage\u00e1-lo, a editora decidiu incluir uma pequena biografia sobre o autor. Esta biografia se encontra em nossa edi\u00e7\u00e3o da obra, que voc\u00ea pode adquirir clicando no livro abaixo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/ensaio-sobre-a-desigualdade-das-racas-humanas\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/gobineau-capinha.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-384\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/gobineau-capinha.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/gobineau-capinha-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/gobineau-capinha-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption>Clique no livro para adquirir seu exemplar<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Esta biografia \u00e9 interessante, para n\u00f3s, brasileiros, especialmente pela \u00eanfase dada pelos editores \u00e0 amizade entre Gobineau e D. Pedro II. Trata-se de uma proximidade t\u00e3o grande, e de uma intimidade t\u00e3o compartilhada, que deixa evidente o que D. Pedro II realmente pensava sobre o pa\u00eds sobre o qual reinava.<\/p>\n\n\n\n<p>Gobineau faleceu antes da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no Brasil. Sendo um radical que n\u00e3o modificada seus pensamentos diante dos fatos, certamente acreditaria verem confirmadas, neste evento, suas previs\u00f5es. Afinal,&nbsp;afirmou em dado momento de sua obra: &#8220;a decad\u00eancia da escravid\u00e3o em qualquer pa\u00eds corresponde \u00e0 confus\u00e3o entre as ra\u00e7as, e \u00e9 o resultado direto da rela\u00e7\u00e3o cada vez mais estreita entre senhores e servos&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>Leia, a seguir, a biografia de Gobineau, presente na segunda edi\u00e7\u00e3o de sua obra.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Biografia (1883)<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O Conde de Gobineau morreu em Torino em 13 de outubro de 1882, sem ter visto a segunda edi\u00e7\u00e3o do livro que estamos reimprimindo. Nascido em Ville-d\u2019Avray em 14 de julho de 1816, havia acabado de completar sessenta e sete anos; mas a idade n\u00e3o havia extinguido seu ardor pelo trabalho, e o poema de Amadis, que em breve ser\u00e1 publicado na \u00edntegra, mostrar\u00e1 o auge ao qual essa rara intelig\u00eancia foi preservada at\u00e9 o final.<\/p>\n\n\n\n<p>Gobineau era filho de um oficial da guarda real e descendia de um ramo da grande fam\u00edlia normanda de Gournay que se estabelecera em Guyenne no s\u00e9culo XIV. Seu av\u00f4 era membro do parlamento de Bordeaux.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um livro muito curioso publicado em 1879, intitulado Hist\u00f3ria de Ottar Jarl e seus descendentes, ele relatou as vicissitudes de sua fam\u00edlia.<\/p>\n\n\n\n<p>Passou seus primeiros anos em Paris e arredores. Quando tinha cerca de doze anos de idade, foi enviado \u00e0 Su\u00ed\u00e7a para estudar e viveu principalmente em Biel. Tinha boas lembran\u00e7as desta pequena cidade, seu lago e a ilha de Saint-Pierre, t\u00e3o famosa pelas descri\u00e7\u00f5es de Rousseau. Foi l\u00e1 que ficou encantado com suas primeiras leituras, que aprendeu alem\u00e3o e que come\u00e7ou, como que por instinto, a refletir sobre a quest\u00e3o das ra\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando retornou \u00e0 Fran\u00e7a, foi para a Bretanha, onde seu pai havia se aposentado ap\u00f3s deixar o servi\u00e7o ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o de 1830.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele viveu ali por algum tempo, em um meio legitimista provincial respeit\u00e1vel, mas muito estreito, o que s\u00f3 poderia aborrecer um jovem j\u00e1 repleto de ardor e curiosidade de esp\u00edrito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o ele veio a Paris assim que p\u00f4de e, como tantos outros, procurou seu caminho. A vis\u00e3o legitimista de sua fam\u00edlia o impediu de seguir uma carreira. Ele n\u00e3o tinha fortuna, e um irm\u00e3o mais velho de seu pai, bastante rico e dif\u00edcil, era intermitente em suas liberalidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Este foi um per\u00edodo dif\u00edcil que durou at\u00e9 1848.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, aqueles que lhe eram pr\u00f3ximos j\u00e1 estavam cientes de seu grande valor. As obras liter\u00e1rias publicadas no Journal des D\u00e9bats haviam sido apreciadas, e a fam\u00edlia de Serre, a fam\u00edlia dos dois pintores Ary e Henri Scheffer, e a de Alexis de Tocqueville, para mencionar apenas os nomes mais conhecidos, o cercaram de estima e carinho. Assim, quando este \u00faltimo tornou-se Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, ele n\u00e3o hesitou em nomear Gobineau para o cargo de chefe de gabinete.<\/p>\n\n\n\n<p>Conhecemos a hist\u00f3ria deste minist\u00e9rio que, tanto e mais que um famoso gabinete ingl\u00eas do in\u00edcio deste s\u00e9culo, teria merecido o nome de \u201cminist\u00e9rio de todos os talentos\u201d. Foi uma fonte de aborrecimento para o Pr\u00edncipe Lu\u00eds Napole\u00e3o, que travou uma guerra surda contra ela e acabou se livrando dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Tocqueville se retirou sem querer dar ou pedir nada; mas o Ministro das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores em exerc\u00edcio, General de La Hitte, ex-companheiro do pai de Gobineau na guarda real, se interessou pelo rapaz e o nomeou secret\u00e1rio da embaixada em Berna.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi uma escolha feliz. A posi\u00e7\u00e3o material de Gobineau estava assegurada. Sua carreira lhe proporcionava tempo livre. Ele se entregou ao trabalho, e o livro cuja segunda edi\u00e7\u00e3o estamos agora apresentando ao p\u00fablico foi composto por volta desta \u00e9poca em Berna, depois em Han\u00f4ver e Frankfurt, para onde foi sucessivamente enviado.<\/p>\n\n\n\n<p>O golpe de estado de 1851 n\u00e3o mudou sua situa\u00e7\u00e3o. Ele n\u00e3o o recebeu com o mesmo desagrado que seus amigos. Ele tinha certo gosto pela for\u00e7a, e a ral\u00e9 baixa e feroz de mesti\u00e7os das grandes cidades o inspirava profundo desgosto.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Frankfurt conheceu dois personagens muito diferentes: o terr\u00edvel futuro Grande Chanceler que estava prestes a trazer ferro e fogo para a obra de Metternich, e o Bar\u00e3o de Prockesh, o \u00faltimo disc\u00edpulo do prudente estadista austr\u00edaco, que deveria representar a \u00c1ustria na Turquia por tanto tempo com tanta sabedoria e dignidade. Ele n\u00e3o teve mais nenhum contato com o primeiro, mas formou uma amizade imortal com o segundo, como evidenciado por uma longa e interessante correspond\u00eancia, que talvez venha a ser publicada algum dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1834, foi nomeado Primeiro Secret\u00e1rio na P\u00e9rsia e partiu no final do ano. Ele n\u00e3o voltou \u00e0 Europa at\u00e9 a primavera de 1838. Havia alcan\u00e7ado Teer\u00e3 atrav\u00e9s do Egito e do Golfo P\u00e9rsico. Ao retornar, viu a Arm\u00eania e Constantinopla. Este foi o momento mais feliz de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>O Oriente o tinha atra\u00eddo desde sua mais tenra juventude. Antes dos vinte anos de idade ele estudava a l\u00edngua persa. Ele a aprendeu a fundo em Teer\u00e3 e foi capaz de manter amizades intelectuais com os mais famosos m\u00e9dicos e fil\u00f3sofos Persas. Em vez de se entregar a divers\u00f5es f\u00fateis ou \u00e0s queixas comuns contra um posto distante e discreto, foi profundamente iniciado nesta vida, nestas ideias t\u00e3o diferentes das nossas, e que nossas mentes ofendidas pelo orgulho de um s\u00e9culo sem boa f\u00e9 est\u00e3o erradas em desdenhar.<\/p>\n\n\n\n<p>De volta \u00e0 Fran\u00e7a, publicou Tr\u00eas Anos na \u00c1sia. Este livro encantador transpira felicidade. Esta foi a impress\u00e3o de Prockesh, que lhe escreveu em 20 de novembro de 1859: \u201cEstou lendo em seus Tr\u00eas Anos na \u00c1sia. H\u00e1 muito tempo n\u00e3o leio nada t\u00e3o fresco. \u00c9 um passeio sob os pl\u00e1tanos de Schoubra. \u00c9 um passeio por um prado cheio de flores como um tapete persa e onde os cheiros e as cores (irm\u00e3os g\u00eameos de uma jovem m\u00e3e) te enfeitam de alegria\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1861, uma Viagem \u00e0 Nova Terra, tamb\u00e9m repleta de verve alegre, foi resultado de uma miss\u00e3o que lhe foi dada para tratar da quest\u00e3o das pescas em Newfoundland Bank com os comiss\u00e1rios do governo ingl\u00eas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mesmo ano, no outono, foi nomeado ministro e partiu para a P\u00e9rsia, onde permaneceu por dois anos. Ao retornar, atravessou toda a R\u00fassia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tinha com ele em Teer\u00e3 um adido de car\u00e1ter um tanto estranho, mas cheio de ousadia e de tenacidade r\u00e1pida. De Rochechouart tinha um profundo afeto por seu chefe, e o livro que escreveu mais tarde sobre a China, onde foi encarregado de neg\u00f3cios antes de morrer ainda jovem em Saint-Dominique, mostra a influ\u00eancia que as ideias de Gobineau tiveram em seu pensamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela \u00e9poca, a R\u00fassia ainda n\u00e3o era senhora da \u00c1sia Central. Entre esta pot\u00eancia invasora e a Inglaterra, h\u00e1 muito temida pelos pr\u00edncipes asi\u00e1ticos, havia espa\u00e7o para uma grande influ\u00eancia da Fran\u00e7a, que mantinha o equil\u00edbrio. Nosso prest\u00edgio ainda estava intacto.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de rela\u00e7\u00f5es excepcionais com os deposit\u00e1rios da ci\u00eancia asi\u00e1tica, Gobineau teve os meios para abrir o dif\u00edcil caminho dos canatos da \u00c1sia Central a de Rochechouart, que se ofereceu para esta interessante miss\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores recusou seu consentimento. As ideias de Gobineau foram recebidas com desconfian\u00e7a. A palavra \u201cquim\u00e9rico\u201d foi sem d\u00favida usada para descrev\u00ea-las; depois, orgulhoso demais, delicado demais para se exibir, Gobineau talvez tenha negligenciado demais aquela arte de encena\u00e7\u00e3o que \u00e0s vezes se torna necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, em 1864, em vez de envi\u00e1-lo a Constantinopla, onde seu conhecimento do Oriente e dos orientais poderia ser de grande utilidade, foi-lhe oferecido o posto secund\u00e1rio de Atenas. Ele passou quatro anos l\u00e1. Ele era simp\u00e1tico \u00e0 Gr\u00e9cia; os horizontes maravilhosos da \u00c1tica agradavam seus olhos. O Tratado sobre Inscri\u00e7\u00f5es Cuneiformes, a Hist\u00f3ria dos Persas e as Religi\u00f5es e Filosofias da \u00c1sia Central datam deste per\u00edodo e deste ambiente favor\u00e1vel para o trabalho. Ele tamb\u00e9m retomou a poesia, que tinha sido uma das alegrias de sua juventude, e Aphroessa foi composta nessa \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o satisfeito com esta atividade liter\u00e1ria e inspirado pelos vest\u00edgios do grande per\u00edodo art\u00edstico grego, ele se voltou para a escultura e logo alcan\u00e7ou resultados not\u00e1veis pela intensidade da vida e da express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1868 Gobineau foi enviado para o Rio de Janeiro. Ele encontrou no Brasil uma ra\u00e7a muito mesti\u00e7a, um clima irritante. Ele n\u00e3o era sens\u00edvel \u00e0 beleza da natureza tropical sobre a qual tantas frases foram criadas e que \u00e9 t\u00e3o inferior \u00e0 da zona temperada. Ele chamou estas paisagens sem hist\u00f3rias de \u201cpaisagens invis\u00edveis\u201d. Mas foi uma grande compensa\u00e7\u00e3o para ele que a personalidade do soberano era t\u00e3o simp\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>O imperador do Brasil j\u00e1 conhecia Gobineau por suas obras, e ficou feliz em v\u00ea-lo credenciado a ele. Os autores muitas vezes decepcionam. N\u00e3o era o caso de Gobineau, orador brilhante, mas um bom ouvinte, uma coisa rara, que o tornava irresistivelmente sedutor.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele encantava a mente aberta de Dom Pedro. Uma amizade sincera se desenvolveu entre eles. Todos os domingos se reuniam para longas conversas. Ap\u00f3s a partida de Gobineau, come\u00e7aram uma correspond\u00eancia constante, que s\u00f3 foi interrompida durante as visitas que fizeram juntos em 1871, 1876 e 1877, durante as viagens do imperador na Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta correspond\u00eancia, que temos diante de n\u00f3s, faz a maior honra a este soberano que, por um fen\u00f4meno de feliz atavismo, parece unir em si as qualidades mentais e f\u00edsicas mais preciosas das casas de Bragan\u00e7a e do Habsburgos.<\/p>\n\n\n\n<p>A estadia no Rio havia testado o temperamento de Gobineau. Ele tirou uma licen\u00e7a na primavera de 1870 e a passou no castelo de Trye, que havia comprado em 1857 ap\u00f3s a morte de seu tio. Ele havia se apegado a esta terra, que j\u00e1 havia sido parte dos dom\u00ednios da ra\u00e7a Ottar Jarl. Ele foi prefeito de Trye e membro do conselho geral de Oise para o cant\u00e3o de Chaumont-en-Vexin. Nossas primeiras derrotas o encontraram l\u00e1. Elas o angustiaram sem surpreend\u00ea-lo. Ele havia servido fielmente ao Imp\u00e9rio, que havia at\u00e9 mesmo inspirado muita simpatia em seu in\u00edcio; mas por alguns anos n\u00e3o teve mais ilus\u00f5es e viu claramente o abismo ao qual uma pol\u00edtica de aventuras e caprichos estava conduzindo a Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O canto da Marselhesa, os gritos de \u201cpara Berlim!\u201d eram repugnantes \u00e0 sua natureza. Ele n\u00e3o deu o nome de patriotismo a essas excita\u00e7\u00f5es doentias que s\u00e3o todas muito comuns nas ra\u00e7as latinas. Ele viu nelas sintomas fatais.<\/p>\n\n\n\n<p>Com grande firmeza, ele tentou organizar a resist\u00eancia ao seu redor; depois, quando a invas\u00e3o chegou, permanecendo calmo e digno diante do vencedor, raciocinando com ele, falando sua l\u00edngua, obteve concess\u00f5es que aliviaram o fardo do desastre n\u00e3o apenas para seu cant\u00e3o, mas para todo o departamento .<\/p>\n\n\n\n<p>Com o armist\u00edcio, a cidade de Beauvais apresenta um agradecimento p\u00fablico. Eles queriam envi\u00e1-lo para a C\u00e2mara; mais tarde, tratava-se de lev\u00e1-lo ao Senado. Ele n\u00e3o aceitou estas candidaturas. Ele sequer representou a si mesmo para o conselho geral depois disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele havia visto de perto muita mesquinhez, muita covardia, e o sufr\u00e1gio universal, grosseiro, cheio de desconfian\u00e7a por personagens delicados e elevados, inspira, em troca, um inevit\u00e1vel distanciamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O governo de Thiers nomeou Gobineau Ministro para a Su\u00e9cia. Ele foi para l\u00e1 em 1872 e permaneceu por cinco anos. Como em outros lugares, foi apreciado pelo elemento mais inteligente da sociedade. A acolhida cordial de algumas das almas de elite o consolou dos sofrimentos de m\u00e1 sa\u00fade e de muitas outras tristezas. Encorajado por esta simpatia, sua estadia em Estocolmo foi frut\u00edfera em novas obras. Na primeira parte do Amadis ele evoca a Idade M\u00e9dia e a mais pura personifica\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a Ariana; na Renascen\u00e7a ele traz \u00e0 vida as grandes figuras do s\u00e9culo XVI italiano. Na muita estranha novela Pl\u00eaiades, no qual trouxe tantas de suas ideias sobre a vida, ele representa para n\u00f3s as diferentes maneiras pelas quais um ingl\u00eas, um alem\u00e3o, um franc\u00eas e um eslavo consideram a paix\u00e3o do amor. Finalmente, lembrando o distante Oriente, cheio daquele anseio pelo sol que se sente durante os tristes crep\u00fasculos e longas noites do Norte, ele escreveu estas Not\u00edcias Asi\u00e1ticas \u00e0s vezes t\u00e3o espirituosas, \u00e0s vezes t\u00e3o apaixonadas, sempre t\u00e3o bem observadas e que s\u00e3o uma das joias mais requintadas em seu caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma viagem \u00e0 Noruega, na \u00e9poca da coroa\u00e7\u00e3o do Rei Oscar em Drontheim, fora para Gobineau uma agrad\u00e1vel divers\u00e3o. Ele tinha encontrado ali uma popula\u00e7\u00e3o Ariana bastante pura, e certas descri\u00e7\u00f5es do Amadis mostram o quanto ele tinha sido atingido por esta natureza selvagem do norte, onde o oceano luta t\u00e3o duramente com a terra.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1876, autorizado por seu governo, ele acompanhou o imperador Dom Pedro em uma interessante viagem \u00e0 R\u00fassia, Constantinopla e Gr\u00e9cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele havia acabado de retornar \u00e0 Su\u00e9cia quando, em fevereiro de 1877, foi repentinamente aposentado por Decazes. N\u00e3o sabemos as raz\u00f5es desta medida, que o afetou na plenitude de seu talento. Incapaz de reclamar ou de pedir ajuda, ele n\u00e3o fez nenhum coment\u00e1rio contra esta injusti\u00e7a, mas ficou profundamente ressentido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele manteve uma atitude de desd\u00e9m e altivez para com aqueles que governavam mal e tentavam um golpe de Estado fracassado sem previs\u00e3o nem energia. Ele estava em grandes apuros na \u00e9poca. Absolutamente altru\u00edsta, havia deixado sua fortuna desaparecer. Ele teve que se desfazer do castelo de Trye, e a transi\u00e7\u00e3o de uma exist\u00eancia ampla para uma vida restrita foi inevitavelmente bastante dolorosa para ele. Seus gostos, entretanto, eram de tal simplicidade que ele disse que estava apto a ser um dervixe , e estava certo; mas ele era sens\u00edvel ao prazer de dar, e era abomin\u00e1vel para ele ter que lidar com as pequenas economias di\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s uma breve estadia em Paris, Gobineau foi morar em Roma, e l\u00e1, exceto por algumas viagens ao Norte no ver\u00e3o, passou os \u00faltimos anos de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele havia encontrado velhas amizades e feito novas. Havia retomado a escultura com grande entusiasmo; tamb\u00e9m publicou Ottar Jarl e terminou a segunda e terceira partes de seu belo poema Amadis.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas sua sa\u00fade estava seriamente comprometida. O ver\u00e3o de 1879, passado inteiramente na It\u00e1lia, deixou-o sem for\u00e7as contra as m\u00f3rbidas influ\u00eancias do clima romano.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele sempre foi severo com a ra\u00e7a latina. Ele n\u00e3o podia suportar o contato t\u00e3o pr\u00f3ximo a seu charlatanismo. Ele viu as previs\u00f5es de seu livro se realizarem; mas longe de ter prazer em sua adivinha\u00e7\u00e3o, a velocidade assustadora da decad\u00eancia o encheu de tristeza e repugn\u00e2ncia. Ele contemplava com horror a multid\u00e3o, mesti\u00e7a de amarelos e negros, correndo ao assalto dos \u00faltimos redutos das institui\u00e7\u00f5es Arianas; a pr\u00f3pria Inglaterra, corrompida pelos elementos f\u00ednicos-Celtas, enfraquecida e levada \u00e0 ru\u00edna pelo som das frases ocas de seus criminosos ret\u00f3ricos; o mundo eslavo unindo-se em breve com o mundo chin\u00eas, e pronto para dar um impulso formid\u00e1vel e final sobre o Ocidente degenerado. Estas ideias podem parecer exageradas para observadores superficiais, mas pareciam inquestion\u00e1veis para esta mente poderosa. Quem pode negar que a agita\u00e7\u00e3o nervosa e a prostra\u00e7\u00e3o senil aumentaram, com a expectativa de uma pr\u00f3xima crise e o terror de um temido desconhecido, no ano que acaba de passar desde a morte de Gobineau?<\/p>\n\n\n\n<p>O inverno de 1881 a 1882 foi doloroso para ele. Aos seus outros sofrimentos havia sido acrescentada uma doen\u00e7a ocular que o privou do recurso da leitura, daquele prazer que \u00e9 uma das mais s\u00f3lidas recompensas do culto \u00e0s coisas do esp\u00edrito. Na primavera ele foi a Bayreuth para ver o grande mestre Richard Wagner, por quem tinha uma grande admira\u00e7\u00e3o. Ele foi recebido com a mais ardente solicitude, mas n\u00e3o p\u00f4de ficar l\u00e1. Os m\u00e9dicos o enviaram para Gastein, onde ele se sentiu melhor.<\/p>\n\n\n\n<p>De l\u00e1, acompanhado por um amigo fiel que veio da It\u00e1lia para fazer a viagem com ele, ele se dirigiu para Auvergne. Ali ele se uniu aos seus amigos que, de todos, tinham sido os mais constantemente dedicados, os mais unidos a ele em esp\u00edrito e em sentimento. Foi gra\u00e7as a eles, durante seus \u00faltimos anos, que seus pensamentos desfrutaram de um pouco de paz e que sua sa\u00fade foi cercada por cuidados afetuosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o frio de um outono chuvoso o congelou. Dia ap\u00f3s dia, ele pediu em v\u00e3o por um raio de sol. No dia 11 de outubro, partiu para Pisa; no dia 13, uma morte repentina e inesperada tomou em poucas horas este nobre cora\u00e7\u00e3o que nunca havia batido por nada al\u00e9m do Bem e do Belo.<\/p>\n\n\n\n<p>B.<br>Paris, 1883.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><em>Gostou do trecho? Adquira o Livro!<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/ensaio-sobre-a-desigualdade-das-racas-humanas\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/gobineau-capinha.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-384\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/gobineau-capinha.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/gobineau-capinha-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/gobineau-capinha-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption>Clique no livro para adquirir seu exemplar<\/figcaption><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arthur de Gobineau, autor de Ensaio sobre a Desigualdade das Ra\u00e7as Humanas, morreu em 1882, nos preparativos para a publica\u00e7\u00e3o da segunda edi\u00e7\u00e3o de sua obra. Como forma de homenage\u00e1-lo, a editora decidiu incluir uma pequena biografia sobre o autor. 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