{"id":440,"date":"2020-11-01T19:42:17","date_gmt":"2020-11-01T19:42:17","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=440"},"modified":"2023-08-31T14:23:00","modified_gmt":"2023-08-31T14:23:00","slug":"livro-v-de-a-historia-contra-os-pagaos-de-paulo-orosio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2020\/11\/01\/livro-v-de-a-historia-contra-os-pagaos-de-paulo-orosio\/","title":{"rendered":"Livro V de &#8220;A Hist\u00f3ria contra os Pag\u00e3os&#8221; de Paulo Or\u00f3sio"},"content":{"rendered":"\n<p>Se desejar adquirir a obra &#8220;<strong><a href=\"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-historia-contra-os-pagaos\/\">A Hist\u00f3ria contra os Pag\u00e3os<\/a><\/strong>&#8220;, clique na capa abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-historia-contra-os-pagaos\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/orosio_capinha_nova.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-686\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/orosio_capinha_nova.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/orosio_capinha_nova-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/orosio_capinha_nova-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<p>Or\u00f3sio n\u00e3o apresenta, em seu livro, muitas discuss\u00f5es te\u00f3ricas que fundamentem a narrativa que apresenta. O in\u00edcio do livro V, que voc\u00ea ir\u00e1 ler a seguir, talvez seja um dos momentos em que Or\u00f3sio mais profundamente se dedica a discutir os princ\u00edpios religiosos que norteiam sua obra. Fica evidente, aqui, como seu texto tem um fundamento moral e religioso, muito mais do que hist\u00f3rico. Esse modelo de pensar a hist\u00f3ria, ali\u00e1s, foi caracter\u00edstico dos trabalhos de hist\u00f3ria de toda a Idade M\u00e9dia.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Livro V<\/h3>\n\n\n\n<p>1. \u00c0 luz dos acontecimentos diretamente posteriores aos que acabo de relatar, percebo que algumas pessoas podem ser influenciadas pelo fato de que as vit\u00f3rias romanas continuaram a crescer como resultado da destrui\u00e7\u00e3o de muitos povos e cidades. Se pesarem cuidadosamente as evid\u00eancias, no entanto, descobrir\u00e3o que produziram mais danos do que benef\u00edcios. Pois nenhuma dessas guerras contra escravos, aliados, cidad\u00e3os ou fugitivos deve ser simplesmente descartada, pois certamente n\u00e3o trouxe nenhum benef\u00edcio, mas apenas grandes desastres. No entanto, vou ignorar este fato para tratar a situa\u00e7\u00e3o \u00e0 luz da qual estas pessoas a viram. Penso que diriam: j\u00e1 houve uma idade mais feliz do que esta com seus cont\u00ednuos triunfos, famosas vit\u00f3rias, ricos pr\u00eamios de guerra, imponentes prociss\u00f5es, e com reis e povos conquistados marchando numa longa fila diante da carruagem triunfante? Ireis lhes responder brevemente que enquanto eles mesmos reclamam de nossa \u00e9poca, n\u00f3s, em nome dessa mesma \u00e9poca, nos engajamos em uma discuss\u00e3o sobre \u00e9pocas e eventos que devem ser considerados n\u00e3o apenas do ponto de vista de uma cidade, mas levando o mundo inteiro em considera\u00e7\u00e3o. Ficar\u00e1 evidente ent\u00e3o que sempre que Roma conquista e \u00e9 feliz, o resto do mundo \u00e9 infeliz e conquistado. Devemos, portanto, dar demasiada import\u00e2ncia a esta pequena medida de felicidade quando foi obtida com t\u00e3o grandes pesares? Admito que estes tempos trouxeram alguma felicidade a uma determinada cidade, mas ser\u00e1 que n\u00e3o pesaram tamb\u00e9m o resto do mundo com a mis\u00e9ria e n\u00e3o atingiram sua ru\u00edna? Se aqueles tempos devem ser considerados felizes porque a riqueza de uma \u00fanica cidade foi ampliada, por que n\u00e3o deveriam ser julgados como os mais infelizes, tendo em vista a miser\u00e1vel destrui\u00e7\u00e3o e queda de poderosos reinos, de numerosos povos desenvolvidos?<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez Cartago n\u00e3o tenha entendido a situa\u00e7\u00e3o de maneira diferente naquela \u00e9poca? Durante um per\u00edodo de cem anos, a cidade temeu alternadamente os desastres da guerra e os termos da paz. Em certo momento decidindo renovar a guerra, e em outro buscando humildemente pela paz, Cartago estava continuamente trocando a paz pela guerra e a guerra pela paz. Ao final, seus miser\u00e1veis cidad\u00e3os, por toda a cidade, foram levados ao desespero e se jogaram nas chamas. A cidade inteira se tornou uma pira funer\u00e1ria. A cidade agora \u00e9 pequena em tamanho e destitu\u00edda de muros, e faz parte de seu infeliz destino ouvir falar de seu passado glorioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Que a Hisp\u00e2nia apresente sua opini\u00e3o. Durante duzentos anos os campos hisp\u00e2nicos foram encharcados com seu pr\u00f3prio sangue. O pa\u00eds era incapaz de se submeter ou de resistir a um inimigo problem\u00e1tico que persistentemente atacava todas as fronteiras. Cidades e distritos camponeses em todos os lugares estavam em ru\u00ednas. Os habitantes esmagados pela carnificina da batalha e exaustos pela fome que acompanhava os cercos. Os homens matavam suas esposas e filhos, e para acabar com seus pr\u00f3prios sofrimentos, corriam uns contra os outros, cortavam a garganta uns dos outros e sofriam mortes infelizes. O que, ent\u00e3o, a Hisp\u00e2nia pensa sobre sua pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<p>E agora deixe a It\u00e1lia falar. Por que a It\u00e1lia deveria ter oprimido, resistido e colocado todo tipo de obst\u00e1culos no caminho de seus pr\u00f3prios romanos durante um per\u00edodo de quatrocentos anos? Ela certamente n\u00e3o poderia ter agido desta maneira se a felicidade dos romanos n\u00e3o tivesse sido escrita em seu pr\u00f3prio desastre e se n\u00e3o tivesse sentido que estava promovendo o bem-estar de todos, impedindo que os romanos se tornassem senhores do mundo inteiro.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o estou levantando agora a quest\u00e3o sobre in\u00fameros povos de v\u00e1rios pa\u00edses, que, depois de gozar longos per\u00edodos de liberdade, foram derrotados na guerra, tirados \u00e0 for\u00e7a de suas terras natais, vendidos \u00e0 escravid\u00e3o e dispersos por toda parte. N\u00e3o pergunto o que teriam preferido para si mesmos, o que pensavam dos romanos, e como julgavam os tempos. N\u00e3o estou levantando uma palavra sobre reis de vasta riqueza, grande poder e renome, que, depois de gozar de longo poder, foram posteriormente capturados, acorrentados como escravos, enviados sob o jugo, conduzidos diante da carruagem triunfante e mortos na pris\u00e3o. Perguntar sua opini\u00e3o \u00e9 t\u00e3o insensato quanto dif\u00edcil n\u00e3o ter pena de sua mis\u00e9ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o nos questionemos, digo eu, sobre o modo de vida que escolhemos e que estamos acostumados a viver. Nossos antepassados travaram guerras, buscaram a paz e ofereceram tributos; pois o tributo \u00e9 o pre\u00e7o da paz. N\u00f3s mesmos prestamos tributos para evitar a guerra e por este meio chegamos a ancorar e estamos permanecendo no porto em que nossos antepassados finalmente se refugiaram a fim de escapar da tempestade dos males. Portanto, gostaria de saber se nossos tempos n\u00e3o s\u00e3o felizes. Certamente n\u00f3s, que continuamente possu\u00edmos o que nossos antepassados finalmente escolheram, consideramos nossos dias mais felizes do que aqueles dias antigos; pois o tumulto das guerras que os esgotaram \u00e9 desconhecido para n\u00f3s. N\u00f3s mesmos tamb\u00e9m nascemos e fomos criados em um estado de paz que eles desfrutaram apenas por um breve per\u00edodo ap\u00f3s o governo de C\u00e9sar e o nascimento de Cristo. O pagamento que a sujei\u00e7\u00e3o os obrigava a fazer, para n\u00f3s \u00e9 a liberdade para a defesa comum. Qu\u00e3o grande \u00e9 a diferen\u00e7a entre o presente e o passado que melhor pode ser julgada pelo fato de que o que Roma uma vez extorquiu de nosso povo pela espada apenas para satisfazer sua sede de luxo, ela agora contribui conosco para a manuten\u00e7\u00e3o do governo. E se algu\u00e9m afirma que os romanos naquela \u00e9poca eram inimigos muito mais toler\u00e1veis para nossos antepassados do que os godos s\u00e3o agora para n\u00f3s, seu conhecimento e compreens\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es est\u00e3o bastante em desacordo com os fatos.<\/p>\n\n\n\n<p>No passado, o mundo inteiro estava em chamas com guerras, e cada prov\u00edncia era governada por seu pr\u00f3prio rei, leis e costumes. Faltava tamb\u00e9m um sentimento de comunh\u00e3o quando diferentes poderes discordavam uns dos outros. O que ent\u00e3o finalmente poderia atrair em um la\u00e7o as tribos b\u00e1rbaras que estavam espalhadas por toda parte e, al\u00e9m disso, separadas por diferen\u00e7as de religi\u00e3o e rituais? Suponha que naqueles dias uma pessoa era levada pela amargura de seu infort\u00fanio ao desespero total e que decidia abandonar seu pr\u00f3prio pa\u00eds e partir em companhia do inimigo. A qual pa\u00eds estranho ele, um forasteiro, se aproximaria? A quais pessoas, geralmente inimigas, ele, um inimigo, suplicaria? Em que homem, no primeiro encontro, depositaria sua confian\u00e7a? Ele, que n\u00e3o seria chamado porque n\u00e3o pertencia \u00e0 mesma ra\u00e7a, n\u00e3o seria convidado a permanecer porque n\u00e3o obedecia \u00e0 mesma lei, e n\u00e3o se sentiria seguro porque n\u00e3o acreditava na mesma religi\u00e3o. Temos muitos exemplos para ilustrar o que aconteceu. Os de Bus\u00edris n\u00e3o ofereciam como sacrif\u00edcios brutais todos os estrangeiros que tiveram a infelicidade de cruzar seu caminho? As pessoas nas margens da Diana T\u00e1urica n\u00e3o agiam de forma cruel para com os visitantes e realizavam ritos sagrados que eram ainda mais cru\u00e9is? A Tr\u00e1cia e seu pr\u00f3prio Polim\u00e9stor n\u00e3o tratava os convidados, que eram ao mesmo tempo seus parentes, de forma muito criminosa? Sem me alongar muito sobre eventos da antiguidade, citarei apenas o testemunho de Roma a respeito do assassinato de Pompeu e o testemunho do Egito a respeito de Ptolomeu, seu assassino.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><em>Gostou? Leia o restante da obra, adquirindo o livro: basta clicar na capa abaixo!<\/em><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-historia-contra-os-pagaos\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/orosio_capinha_nova.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-686\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/orosio_capinha_nova.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/orosio_capinha_nova-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2023\/08\/orosio_capinha_nova-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><\/figure><\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se desejar adquirir a obra &#8220;A Hist\u00f3ria contra os Pag\u00e3os&#8220;, clique na capa abaixo. 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