{"id":448,"date":"2021-07-02T16:54:25","date_gmt":"2021-07-02T16:54:25","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=448"},"modified":"2022-10-15T19:25:12","modified_gmt":"2022-10-15T19:25:12","slug":"a-inquisicao-no-brasil-em-1618-confissao-de-diogo-lopes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2021\/07\/02\/a-inquisicao-no-brasil-em-1618-confissao-de-diogo-lopes\/","title":{"rendered":"A Inquisi\u00e7\u00e3o no Brasil em 1618 &#8211; Confiss\u00e3o de Diogo Lopes"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\" id=\"block-fe3ceea7-9e1c-4151-a3fd-d84192137e59\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/capinha_confissoes.jpg\" alt=\"O atributo alt desta imagem est\u00e1 vazio. O nome do arquivo \u00e9 capinha_confissoes.jpg\"\/><\/figure>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-4\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/www.estantevirtual.com.br\/busca?utf8=%E2%9C%93&amp;q=Novas%20confiss%C3%B5es%20da%20Bahia%20Antonio%20Fontoura\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"70\" height=\"28\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/logo_estantevirtual.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-464\"\/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/clubedeautores.com.br\/livro\/novas-confissoes-da-bahia\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"74\" height=\"28\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/clube_autores_pq.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-534\"\/><\/a><\/figure>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow\"><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><span style=\"font-size: revert; color: initial;\">Diogo Lopes era mercador e sua confiss\u00e3o parece banal: ele admite que fez gracejos com est\u00e1tuas de santos, cujas representa\u00e7\u00f5es lhes lembrava outros moradores de Salvador. Mas dois elementos podem ser destacadas de seu depoimento: o primeiro, era de que ele era &#8220;da Na\u00e7\u00e3o&#8221;, ou seja, judeu; assim, qualquer brincadeira com s\u00edmbolos cat\u00f3licos era visto com maior desconfian\u00e7a. O segundo ponto \u00e9 que seu depoimento, como tantos outros dessas confiss\u00f5es, revelam-nos pequenos instant\u00e2neos interessantes da vida cotidiana em Salvador no s\u00e9culo XVIII<\/span><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Confiss\u00e3o de Diogo Lopes Franco<\/h3>\n\n\n\n<p>Aos treze dias do m\u00eas de setembro de mil seiscentos e dezoito anos, na cidade de Salvador da Bahia de Todos os Santos, na Igreja do Col\u00e9gio da Companha de Jesus, em audi\u00eancia de pela manh\u00e3 no tempo da gra\u00e7a, estando a\u00ed o senhor Inquisidor Marcos Teixeira, perante ele apareceu sem ser chamado Diogo Lopes Franco, da Na\u00e7\u00e3o, natural de Montemor o Novo, no Reino, de idade de vinte e seis anos, filho de Lu\u00eds Dias, mercador, e de Ana Lopes, todos da Na\u00e7\u00e3o, j\u00e1 defuntos; moradores foram na dita vila de Montemor o Novo; e ele casado, mercador, e morador em Matoim, seis l\u00e9guas desta cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>E sendo presente para em tudo dizer verdade e ter segredo, lhe foi dado juramento dos santos Evangelhos, em que p\u00f4s a m\u00e3o, sob cargo do qual assim o prometeu.<\/p>\n\n\n\n<p>E disse que se acusava que na semana santa da quaresma pr\u00f3xima passada, nesta cidade, fazendo-se na hermida de Nossa Senhora da Ajuda, umas figuras dos Ap\u00f3stolos para a ceia da Quinta-feira de Endoen\u00e7as, pusera ele, Confitente, a m\u00e3o em os rostos dos sagrados Ap\u00f3stolos, comparando-os com alguns homens desta terra, e de um deles dissera que se parecia com o Meirinho do Mar; e disse que n\u00e3o lhe lembrava mais e que disso pedia perd\u00e3o, e estava arrependido e obediente para a penit\u00eancia que se lhe desse.<\/p>\n\n\n\n<p>E logo pelo senhor Inquisidor lhe foi dito que fora bem aconselhado em se vir acusar assim para a salva\u00e7\u00e3o da sua alma, como para se usar com ele de muita miseric\u00f3rdia; e lhe perguntou que testemunhas se acharam presentes quando o caso aconteceu, se houve esc\u00e2ndalo dele, e se o louvou algu\u00e9m ou reprovou?<\/p>\n\n\n\n<p>Ao que o Confitente respondeu que sen\u00e3o lembrava estarem a\u00ed mais testemunhas que o Padre Domingos Lopes, sacerdote coadjutor que hora \u00e9 em Paripe, quatro l\u00e9guas desta cidade, e o Padre Soveral, que ent\u00e3o era capel\u00e3o de Nossa Senhora d&#8217;Ajuda, que n\u00e3o sabe onde agora reside; e outras pessoas de que n\u00e3o estava lembrado; e que n\u00e3o houvera esc\u00e2ndalo do caso, porque ainda ent\u00e3o tinham chegado os rostos das ditas figuras dos Ap\u00f3stolos de casa do Cereeiro e as come\u00e7avam a vestir.<\/p>\n\n\n\n<p>E perguntado que inten\u00e7\u00e3o tivera no caso, e se sentia e cria que n\u00e3o devia haver imagens, e que eram coisa profana, e que por isso mereciam ser escarnicadas; e se sabia que a Santa Madre Igreja as aprovava e mandava que se venerassem e respeitassem muito?<\/p>\n\n\n\n<p>Respondeu que o que dissera fora galanteando, parecendo-lhe que n\u00e3o era coisa de esc\u00e2ndalo, e que bem sabia que as imagens deviam ser veneradas e respeitadas, e que assim o mandava a santa Madre Igreja.<\/p>\n\n\n\n<p>E sendo perguntado se quando o caso aconteceu estava em seu perfeito ju\u00edzo, ou acostumava a sair dele e a que horas acontecera?<\/p>\n\n\n\n<p>Disse que n\u00e3o estava lembrado se era pela manh\u00e3, se \u00e0 tarde, mas que estava em seu perfeito ju\u00edzo, e n\u00e3o costuma a sair dele.<\/p>\n\n\n\n<p>E perguntado se houve outras pessoas que fizessem o mesmo ou coisas semelhantes \u00e0s ditas figuras quando o caso aconteceu? Disse que n\u00e3o sabe se foi dessa vez, se de outra, vira a Duarte Alvarez Ribeiro, da Na\u00e7\u00e3o, casado e morador nesta cidade, que n\u00e3o sabe donde \u00e9 natural, galantear com as mesmas figuras, dizendo que se pareciam com uns e com outros.<\/p>\n\n\n\n<p>E perguntado que o movera a se vir acusar a este tribunal, e se se denunciara j\u00e1 do caso diante do ordin\u00e1rio?<\/p>\n\n\n\n<p>Disse que por se temer de inimigos que lhe poderiam trocar as palavras, e a inten\u00e7\u00e3o delas, se vinha acusar; e que suspeitava que diante o ordin\u00e1rio se tratara j\u00e1 do caso.<\/p>\n\n\n\n<p>E sendo perguntado se fora j\u00e1 penitenciado ou reconciliado pelo Santo Of\u00edcio ou alguns parentes seus; e se sabia de alguns culpados em erros contra a santa f\u00e9, ou em culpas pertencentes ao Santo Of\u00edcio? E pelo costume, com o dito Duarte \u00c1lvarez?<\/p>\n\n\n\n<p>Respondeu que o dito seu pai morrera preso no Santo Of\u00edcio, e sua est\u00e1tua fora queimada, e alguns mais parentes seus penitenciados; e que n\u00e3o sabia mais. E do costume disse que era amigo do dito Duarte \u00c1lvarez.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi mandado tornar \u00e0 mesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Estiveram a tudo presentes pessoas honestas e religiosos padres, Domingos Monteiro e o Padre Manoel Sanches, sacerdotes deste col\u00e9gio da Companhia, que tudo viram e ouviram. E prometeram ter segredo e dizer verdade no que lhes fosse perguntado, e assim o juraram aos santos evangelhos em que puseram suas m\u00e3os. E assim aqui com o dito senhor Inquisidor e juntamente com o dito Diogo Lopes Franco; Manoel Marinho o escrevi.<\/p>\n\n\n\n<p>[Assinaturas]<\/p>\n\n\n\n<p>E ido o dito Diogo Lopes Franco para fora, foram perguntados os ditos reverendos Padres se lhes parecia que ele, Diogo Lopes Franco, falava verdade e se lhe devia dar cr\u00e9dito? E por eles foi o dito que lhes parecia que ele falava verdade no que faz contra ele, e no mais que se h\u00e1 de lhe dar cr\u00e9dito; e assinaram aqui com o senhor Inquisidor: Manoel Marinho o escrevi. E declararam que, no que diz do C\u00famplice, se lhe pode tamb\u00e9m dar cr\u00e9dito. Eu, Manoel Marinho, o escrevi.<\/p>\n\n\n\n<p>[Assinaturas]<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><em>Gostou do trecho? Na obra completa voc\u00ea encontra todas as Confiss\u00f5es e todas as Den\u00fancias \u00e0 Inquisi\u00e7\u00e3o, em Salvador em 1618.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/novas-confissoes-da-bahia\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/capinha_confissoes.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-528\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/capinha_confissoes.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/capinha_confissoes-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2022\/10\/capinha_confissoes-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diogo Lopes era mercador e sua confiss\u00e3o parece banal: ele admite que fez gracejos com est\u00e1tuas de santos, cujas representa\u00e7\u00f5es lhes lembrava outros moradores de Salvador. 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