{"id":62,"date":"2017-10-23T19:55:15","date_gmt":"2017-10-23T19:55:15","guid":{"rendered":"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=62"},"modified":"2017-10-23T19:55:15","modified_gmt":"2017-10-23T19:55:15","slug":"capitulo-1-de-a-mulher-delinquente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2017\/10\/23\/capitulo-1-de-a-mulher-delinquente\/","title":{"rendered":"Cap\u00edtulo 1 de &#8220;A Mulher Delinquente&#8221;"},"content":{"rendered":"<p>Caso voc\u00ea prefira baixar o cap\u00edtulo em PDF, <a href=\"http:\/\/www.antoniofontoura.com.br\/pdf\/a mulher delinquente lombroso ferrero.pdf\">clique aqui<\/a>.<\/p>\n<hr \/>\n<h2>Cap\u00edtulo I \u2013 A f\u00eamea no mundo zool\u00f3gico<\/h2>\n<p>1. As ci\u00eancias morais est\u00e3o, atualmente, t\u00e3o intimamente ligadas \u00e0s ci\u00eancias naturais, que nos \u00e9 imposs\u00edvel realizar um estudo da mulher criminosa sem antes termos analisado a mulher normal, assim como a f\u00eamea na ordem zool\u00f3gica.<\/p>\n<p>Nas ordens inferiores da vida org\u00e2nica, a reprodu\u00e7\u00e3o n\u00e3o precisa de sexo; ela se faz por fiss\u00e3o (divis\u00e3o de uma c\u00e9lula, exageradamente aumentada, em duas), por gema\u00e7\u00e3o (aumento e fracionamento de uma parte da c\u00e9lula), por polisporogamia (aumento e fracionamento de um organismo pluricelular em um grupo de c\u00e9lulas), por monosporogamia (crescimento e divis\u00e3o em um organismo celular de uma \u00fanica c\u00e9lula, que se desenvolve por divis\u00e3o espont\u00e2nea).<\/p>\n<p>Em todos esses casos diferentes, a gera\u00e7\u00e3o \u00e9 assexuada; o fen\u00f4meno fundamental da reprodu\u00e7\u00e3o \u2013 desde o primeiro vislumbre da vida \u2013 \u00e9 sempre o mesmo: um fragmento se separa de um organismo, vive e se desenvolve a partir de ent\u00e3o de maneira aut\u00f4noma.<\/p>\n<p>A partir da gera\u00e7\u00e3o assexuada, passamos por uma s\u00e9rie de formas intermedi\u00e1rias (hermafroditismo, gera\u00e7\u00e3o alternada) at\u00e9 alcan\u00e7armos a gera\u00e7\u00e3o sexual: aqui a divis\u00e3o e o abandono de uma parte do organismo n\u00e3o s\u00e3o provocados diretamente por uma necessidade org\u00e2nica interna (aumento de volume), mas indiretamente, por meio de uma influ\u00eancia externa: a fecunda\u00e7\u00e3o do macho.<\/p>\n<p>Na reprodu\u00e7\u00e3o sexuada, portanto, o fato principal, o desenvolvimento das partes do organismo que formar\u00e3o o novo ser, \u00e9 realizado quase que \u00e0s custas da mulher.<\/p>\n<p>2. A rela\u00e7\u00e3o entre volume, for\u00e7a e estrutura entre os dois seres. Superioridade e inferioridade da f\u00eamea.<\/p>\n<p>Em animais inferiores, de acordo com Milne Edwards, os indiv\u00edduos dos dois sexos s\u00e3o diferenciados entre si apenas a partir das caracter\u00edsticas dos aparelhos reprodutores. Assim, acreditou-se que entre muitos zo\u00f3fitos n\u00e3o existissem sen\u00e3o apenas f\u00eameas; em muitos moluscos, os machos s\u00e3o diferenciados das f\u00eameas apenas no momento da reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Mas, \u00e0 medida que as diferen\u00e7as entre os dois sexos se tornam mais evidentes, a f\u00eamea tem superioridade de tamanho, for\u00e7a e n\u00famero sobre o macho. \u201cEu acredito\u201d, escreve o prof. Emery, quando questionado sobre esta quest\u00e3o \u2013 \u201cque a superioridade feminina \u00e9 primitiva, pois \u00e9 mais importante para a gera\u00e7\u00e3o. Esta frequente superioridade pode ser vista em casos de partenog\u00eanese encontrados entre os crust\u00e1ceos e mesmo entre certos insetos (Rhodites rosae), nos quais, em certas ordens ou esp\u00e9cies, o sexo masculino n\u00e3o existe, ou est\u00e1 reduzido a uma m\u00ednima fun\u00e7\u00e3o; e tamb\u00e9m em casos de gera\u00e7\u00e3o alternada\u201d.<\/p>\n<p>Nos vermes do g\u00eanero Bonellia, a f\u00eamea \u00e9 um animal vistoso, enquanto o macho \u00e9 pequeno, de organiza\u00e7\u00e3o simples e parasita da f\u00eamea.<br \/>\nEm um rot\u00edfero, Hydatina Senta, o macho n\u00e3o possui v\u00edscera abdominal, apenas os \u00f3rg\u00e3os sexuais e aqueles ligados ao movimento; enquanto a f\u00eamea tem todos os seus \u00f3rg\u00e3os.<\/p>\n<p>E a respeito de muitos rot\u00edferos discutiu-se \u2013 afirma Brehm \u2013 se seriam ou n\u00e3o hermafroditas, pois n\u00e3o se encontravam os \u00f3rg\u00e3os masculinos de gera\u00e7\u00e3o. Mas depois se descobriu que quase todos os indiv\u00edduos conhecidos eram f\u00eameas, e que os poucos machos encontrados s\u00e3o uma parte subordinada e apenas tolerados (id., p. 719). Entre os Caligus, as f\u00eameas s\u00e3o extraordinariamente mais numerosas que os machos (op. cit. p. 713). As f\u00eameas D\u00e1fnia, bem maiores que os machos, produzem duas esp\u00e9cies de \u00f3vulos, que o naturalista passou a denominar de \u201cver\u00e3o\u201d e \u201cinverno\u201d; sendo que os do ver\u00e3o crescem sem fertiliza\u00e7\u00e3o, enquanto os do inverno s\u00e3o fertilizados: existindo ent\u00e3o mistura de partenog\u00eanese e de gera\u00e7\u00e3o g\u00e2mica (Brehm, p. 706). A respeito dos branqui\u00f3podes, em geral, Brehm afirma: pode-se dizer que, em quase todos, as f\u00eameas excedem o n\u00famero de machos, e que em alguns dos g\u00eaneros mais comuns, como o Apus, estes apenas recentemente foram descobertos; em outros g\u00eaneros, s\u00e3o encontrados por um curto per\u00edodo de ano; durante os meses seguintes, h\u00e1 um longo n\u00famero de gera\u00e7\u00f5es nos quais os machos n\u00e3o est\u00e3o envolvidos (Brehm, p. 702). Nos Branchiopoda, as f\u00eameas s\u00e3o muito maiores do que os machos (id., p. 698). Em alguns moluscos no grupo Phyllopoda \u2013 afirma Emery \u2013 o macho n\u00e3o existe e a gera\u00e7\u00e3o \u00e9 por partenog\u00eanese.<\/p>\n<p>Outro exemplo de superioridade feminina \u00e9 dado pela Anilocra e em g\u00eaneros relacionados (crust\u00e1ceos de peixes parasitas); enquanto s\u00e3o jovens, produzem esperma e possuem \u00f3rg\u00e3os sexuais masculinos; atingindo a maturidade, os test\u00edculos e os p\u00eanis se atrofiam; desenvolvem ov\u00e1rios e vulva e se tornam f\u00eameas. Em muitos crust\u00e1ceos parasitas \u2013 escreve Emery \u2013 a f\u00eamea \u00e9 bem maior que o pequeno macho, que quase parasita a f\u00eamea.<\/p>\n<p>Mesmo subindo na escala zool\u00f3gica, \u00e9 frequente a superioridade no tamanho e for\u00e7a da f\u00eamea em rela\u00e7\u00e3o ao macho. Em aranhas, a f\u00eamea \u00e9 maior e mais robusta do que o macho, ainda que em algumas esp\u00e9cies, como a Argyroneta aquatica \u2013 segundo afirma Brehm \u2013, contrariamente ao que se encontra em outras aranhas, o macho \u00e9 mais robusto e mede 14 mm de comprimento, enquanto a f\u00eamea mede apenas 11 mm (Vita degli animali, VI, p. 627, Turim, 1871); mas, em quase todas as demais esp\u00e9cies, a diferen\u00e7a \u00e9 a favor da f\u00eamea, como ocorre na Dolomedes em que a f\u00eamea \u00e9 um cent\u00edmetro e meio maior que o macho (id., p. 635). A f\u00eamea da Tegenaria domestica mede de 16 a 18mm de comprimento, enquanto o macho mede 10mm. Na c\u00f3pula, \u00e9 poss\u00edvel notar o quanto a for\u00e7a da f\u00eamea lan\u00e7a medo no macho e enfraquece seu ardor. Quando o macho, segundo Brehm, deseja a c\u00f3pula, aproxima-se com toda prud\u00eancia e cuidado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00eamea, para ver se essa recebe suas car\u00edcias ou se ela o v\u00ea como uma deliciosa iguaria. Se a f\u00eamea mostra disposi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, o macho se aproxima rapidamente, toca alternadamente a base do ventre da f\u00eamea com as duas pontas das patas, e depois foge rapidamente para n\u00e3o ser v\u00edtima de sua dama (id., p. 611).<\/p>\n<p>De Geer presenciou quando um macho, no meio de suas car\u00edcias preparativas, acabou capturado pela f\u00eamea, preso por ela em suas teias, e devorado (Darwin, L\u2019origine dell\u2019uomo, p. 245).<\/p>\n<p>O menor tamanho poder ser, tamb\u00e9m, produto da sele\u00e7\u00e3o natural, porque os menores est\u00e3o mais a salvo das armadilhas das f\u00eameas.<br \/>\nEm quase todas as esp\u00e9cies de insetos \u2013 observa Darwin \u2013 o macho \u00e9 menor do que a f\u00eamea. Sabe-se que os machos de algumas esp\u00e9cies, mesmo das fr\u00e1geis e delicadas, participam de muitos confrontos, e poucos est\u00e3o equipados com armas especiais para combater seus rivais. Mas a lei da luta n\u00e3o prevalece tanto neles como nos animais superiores. Portanto, \u00e9 prov\u00e1vel que esta seja a raz\u00e3o pela qual os machos n\u00e3o se tornaram maiores e mais fortes do que as f\u00eameas; na verdade, geralmente s\u00e3o menores, porque podem se desenvolver em um per\u00edodo mais curto de tempo, al\u00e9m de numerosos, de forma a estarem prontos \u00e0s necessidades das f\u00eameas (op. cit., p. 250 e 298).<\/p>\n<p>Na Hemiptera, as f\u00eameas s\u00e3o quase sempre maiores e mais fortes do que os machos (id., p. 288).<\/p>\n<p>A superioridade da f\u00eamea \u00e9 especialmente not\u00e1vel nos himen\u00f3pteros. Em alguns (Rhodites ros\u00e6) n\u00e3o h\u00e1 qualquer macho (Emery). A superioridade das f\u00eameas sobre os machos entre abelhas e vespas \u00e9 t\u00e3o grande que todos os seus complexos organismos sociais dependem disso. Entre as abelhas, as oper\u00e1rias (f\u00eameas incapazes para a reprodu\u00e7\u00e3o) realizam toda a tarefa do trabalho social, enquanto os machos n\u00e3o possuem outro of\u00edcio sen\u00e3o o de fertilizar a rainha; s\u00e3o parasitas e, como tal, s\u00e3o mortos todos os anos pelas oper\u00e1rias. E note que, entre as abelhas, a c\u00f3pula ocorre apenas uma vez, como acontece com quase todos os himen\u00f3pteros; uma fertiliza\u00e7\u00e3o \u00e9 v\u00e1lida ao longo da vida, que pode ser bastante longa (Lubbock demonstrou que uma f\u00eamea pode viver mais de 12 anos); existe, ainda, a partenog\u00eanese; os machos nascem de ovos n\u00e3o fertilizados; esta \u00e9 provavelmente a causa da superioridade da f\u00eamea, que desepenha um papel muito mais relevante do que os machos na conserva\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>Mesmo em cupins, as f\u00eameas dominam: mas sociedades s\u00e3o constitu\u00eddas por machos e f\u00eameas. Deve-se destacar que, aqui, a import\u00e2ncia do macho \u00e9 maior, pois a c\u00f3pula ocorre repetidas vezes (Emery).<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m o fato de que muitos machos sendo procriados pela partenog\u00eanese, e as f\u00eameas ordinariamente por gera\u00e7\u00e3o assexuada, pode ser importante nesta quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos besouros, segundo Camerano, os machos s\u00e3o geralmente menores do que as f\u00eameas, \u00e0s vezes com uma diferen\u00e7a muito grande, como, por exemplo, na Lytta pallasii, em que o macho mede 0,009m e a f\u00eamea 0,019m.<\/p>\n<p>Mesmo nos peixes \u00e9 comum ocorrer a superioridade no tamanho da f\u00eamea em compara\u00e7\u00e3o ao macho. Darwin diz: \u201cNo que diz respeito ao tamanho, o Sr. Carbonnier afirma que, na maioria dos peixes, a f\u00eamea \u00e9 maior do que o macho, e o Dr. Guenther n\u00e3o conhece um caso em que o macho seja maior do que a f\u00eamea. Como em muitos tipos de peixe, os machos lutam uns contra os outros, \u00e9 impressionante que n\u00e3o se tornem mais fortes e maiores que as f\u00eameas, a menos que se acredite que, como afirma Carbonnier, devam ser devorados pelas f\u00eameas de suas pr\u00f3prias esp\u00e9cies, quando s\u00e3o carn\u00edvoros e, talvez, a partir de outras esp\u00e9cies\u201d (Darwin, op. cit. p. 307).<\/p>\n<p>Nos anf\u00edbios, e em quase todos os Testudinata, os caracteres sexuais secund\u00e1rios n\u00e3o v\u00e3o al\u00e9m das cores e dos \u00f3rg\u00e3os vocais; n\u00e3o se encontram nelas as not\u00e1veis diferen\u00e7as de tamanho e for\u00e7a em favor da f\u00eamea; no entanto, existem v\u00e1rias exce\u00e7\u00f5es determinadas pela luta sexual.<\/p>\n<p>Entre os anf\u00edbios urodelos: na salamandra maculata, os machos variam entre 0,180m e 0,192m, f\u00eameas entre 0,180 e 0,200m; no Triton cristatus, os machos variam de 0,120m a 0,135m, as f\u00eameas de 0,136m a 0,148m; no trit\u00e3o alpino, o macho pode medir 0,090m, enquanto a f\u00eamea 0,110m; na Pelonectes boscai, o macho alcan\u00e7a 0,075m, enquanto a f\u00eamea varia de 0,084m a 0,094m, N\u00e3o existe luta sexual (Camerano, Della scelta sessuale negli anfibi urodeli, Turim, 1881).<\/p>\n<p>Entre os anf\u00edbios anuros: no Rana esculenta, o macho mede 0,068m, a f\u00eamea 0,082m; no Rana rugosa, o macho tem 0,040m, a f\u00eamea 0,047m; no Rana marmorata, o macho possui 0,053m, a f\u00eamea 0,056m; Na Rana temporaria, o macho tem 0,068m, a f\u00eamea 0,075m; no Bufo vulgaris, o macho apresenta 0,080m, a f\u00eamea 0,110m; por outro lado, no Cystignatus ocellatus, o macho mede 0,114m, e a f\u00eamea 0,96m. N\u00e3o existe luta sexual (Camerano, Della scelta sessuale negli anfibi urodeli, Turim, 1881).<\/p>\n<p>No Testudo ibera Pall., no entanto, embora n\u00e3o se saiba se existe luta sexual, Camerano descobriu que os machos s\u00e3o maiores do que as f\u00eameas e, geralmente, s\u00e3o mais convexos e proporcionalmente mais estreitos, com escalas laterais ampliadas (a capacidade feminina \u00e9 maior, obviamente, devido \u00e0s necessidades para a reprodu\u00e7\u00e3o), com cauda mais longa e grossa na base e com patas mais longas (Camerano, Sui caratteri sessuali secondari della Testudo ibera Pall., Turim, 1877).<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m entre os of\u00eddios (n\u00e3o se sabe se existe luta sexual), o macho \u00e9 muitas vezes menor do que a f\u00eamea. O lagarto, por sua vez, em que o macho \u00e9 maior e mais forte que a f\u00eamea, se envolve em intensos duelos para sua conquista (id., p. 320).<\/p>\n<p>Com os p\u00e1ssaros, por conta da luta sexual, come\u00e7a a preval\u00eancia de for\u00e7a e do tamanho do macho sobre a f\u00eamea. Por\u00e9m, mesmo nas ordens zool\u00f3gicas inferiores, por uma dessas contradi\u00e7\u00f5es que frequentemente encontramos nesses estudos, os machos s\u00e3o quase sempre superiores pela diferencia\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os, al\u00e9m da variabilidade e motilidade que possuem, sendo inferiores em tudo o mais (formigas), demonstrando que s\u00e3o mais ativos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 fun\u00e7\u00e3o sexual.<\/p>\n<p>Entre os crust\u00e1ceos, entre os quais h\u00e1 um \u00fanico sexo que possui \u00f3rg\u00e3os de sentido e locomo\u00e7\u00e3o, ou que os possui mais desenvolvidos, ser\u00e1 sempre o macho que os possuir\u00e1, ou os ter\u00e1 mais desenvolvidos (Darwin, op. cit.).<\/p>\n<p>Mesmo no caso dos insetos, os machos, embora de tamanho menor, t\u00eam uma estrutura mais complexa e \u00f3rg\u00e3os mais numerosos e espec\u00edficos para a realiza\u00e7\u00e3o do ato sexual. Deve-se notar, al\u00e9m disso, que em um grande n\u00famero de esp\u00e9cies, apenas os machos possuem asas, e quase nunca as f\u00eameas. Isto \u00e9 explicado pelo fato de que os machos mais frequentemente devem se locomover em busca da f\u00eamea: tal \u00e9 o caso dos lampyris, das Mutillidae, dos Orgyia, dos Psychidae. Muitos outros possuem \u00f3rg\u00e3os para reter a f\u00eamea durante o coito, como os ap\u00eandices da extremidade da cauda em lib\u00e9lulas.<\/p>\n<p>Brooks afirma que, por conta da luta sexual, os insetos machos se tornaram brilhantes e variados. Por isso possuem mais cores, cantam, est\u00e3o mais armados, pois entre muitos deles a sele\u00e7\u00e3o \u00e9 feita por combates pela f\u00eamea \u2013 algo que ocorre tamb\u00e9m nos mam\u00edferos \u2013, afetando o processo de sele\u00e7\u00e3o natural, algo que ocorre tamb\u00e9m entre as aves (Revue scientifique, n.13, 1891).<\/p>\n<p>Assim, de acordo com Camerano, os machos do besouro, que tamb\u00e9m s\u00e3o bem menores, possuem, no entanto, diferentes caracter\u00edsticas sexuais, como antenas, olhos, palpos, \u00f3rg\u00e3os do movimento, mand\u00edbulas, cores especiais, fosforesc\u00eancia, armas, sons, enquanto nas f\u00eameas n\u00e3o se notam quaisquer odores, fosforesc\u00eancia ou sons e cores especiais (Camerano, La scelta sessuale e i caratteri sessuali secondari nei coleotteri, Turim, 1880).<\/p>\n<p>Os p\u00e1ssaros, por outro lado, tamb\u00e9m aproveitam a superioridade da for\u00e7a, do tamanho, e at\u00e9 mesmo em quantidade que, como j\u00e1 mencionado para alguns insetos (Lucanus elaphus), permanece como algo comum at\u00e9 as ordens zool\u00f3gicas mais elevadas.<\/p>\n<p>Os machos de muitos p\u00e1ssaros s\u00e3o maiores do que as f\u00eameas: de fato, em certas esp\u00e9cies da Austr\u00e1lia, a superioridade \u00e9 de tal monta, que os machos do Cicloramphus cruralis s\u00e3o quase duas vezes maiores que as f\u00eameas (Darwin, op. cit. p. 332). Deve-se notar, ao mesmo tempo, as ferozes lutas que envolvem os machos desses p\u00e1ssaros, em sua \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O macho quase sempre possui caracter\u00edsticas sexuais secund\u00e1rias; a plumagem rica, o canto e, em muitas esp\u00e9cies, mais solidamente armados; sem mencionar todo esse arsenal de tufos, pelos, penas, cristas que tem o macho e que servem n\u00e3o apenas para decora\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m para aparentar ser um animal mais tem\u00edvel: assim, o macho Neomorpha da Nova Zel\u00e2ndia possui um bico bastante forte (Darwin, p. 330); o macho da pernice indiana possui esporas, que a f\u00eamea n\u00e3o possui; algo que tamb\u00e9m ocorre no tetraz-grande. As asas do pato-ferr\u00e3o possuem esporas mais longas que as da f\u00eamea, e as utiliza na defesa dos filhotes.<\/p>\n<p>Mas h\u00e1 \u2013 escreve Darwin \u2013 diferentes esp\u00e9cies em que as f\u00eameas s\u00e3o maiores que os machos; e a explica\u00e7\u00e3o que usualmente se d\u00e1, ou seja, de que as f\u00eameas dispendem mais esfor\u00e7o para alimentar os filhotes, n\u00e3o \u00e9 suficiente. Em alguns casos, as f\u00eameas aparentemente desenvolveram seu tamanho e for\u00e7a como consequ\u00eancia da luta contra outras f\u00eameas para ganhar a posse de machos (id., p. 333). \u201cEm alguns casos, as f\u00eameas se tornaram mais agressivas no cortejar, enquanto os machos permanecem comparativamente passivos, e escolhem as mais belas f\u00eameas. As f\u00eameas de certas aves adquiriram assim cores brilhantes ou outros tipos de ornamentos, e tornaram-se mais fortes e belicosas que os machos\u201d.<\/p>\n<p>Mas o predom\u00ednio do macho, incerto em todas as ordens zool\u00f3gicas inferiores, estende-se e se instala permanentemente entre os mam\u00edferos, nos quais o reinado masculino \u00e9 incontest\u00e1vel. \u201cEm todos os mam\u00edferos\u201d, diz Darwin, \u201cos machos s\u00e3o sempre mais fortes e maiores que as f\u00eameas, sempre que h\u00e1 uma diferen\u00e7a de tamanho entre os dois sexos, como \u00e9 frequentemente o caso\u201d. Os quir\u00f3pteros, inset\u00edvoros, e muitos dos roedores, no entanto, n\u00e3o apresentam diferen\u00e7as significativas, de modo que \u00e9 dif\u00edcil descobrir o sexo de cada indiv\u00edduo: e, provavelmente, mesmo o vigor entre ambos ser\u00e1 semelhante (Canestrini, Teoria dell\u2019evoluzione, p. 64). Nos carn\u00edvoros, as diferen\u00e7as s\u00e3o not\u00e1veis: o le\u00e3o \u00e9 maior e mais forte. O que tamb\u00e9m ocorre entre ruminantes e caprinos.<\/p>\n<p>O mesmo se pode dizer em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 estrutura f\u00edsica. O le\u00e3o possui juba, m\u00fasculos, patas, dentes caninos mais poderosos; e possui, ainda, outra poderosa arma de intimida\u00e7\u00e3o, o rugido, que n\u00e3o existe na f\u00eamea.<\/p>\n<p>O mesmo ocorre entre os ruminantes. Os machos s\u00e3o maiores e mais fortes, al\u00e9m de armados com complexos sistemas de chifres que, nas f\u00eameas, s\u00e3o bastante rudimentares. O cervo macho possui chifres, mas n\u00e3o as f\u00eameas; nas renas, ambos os sexos os possuem. Machos e f\u00eameas de certas esp\u00e9cies possuem chifres, mas que s\u00e3o maiores e mais fortes nos machos \u2013 como ocorre com o boi almiscarado e com o touro. O macho do b\u00fafalo indiano possui chifres mais curtos que os da f\u00eamea, mas s\u00e3o mais s\u00f3lidos: o mesmo caso do Rhinoceros simus. Nos cavirc\u00f3rneos, geralmente ambos os sexos apresentam chifres, mas s\u00e3o menores nas f\u00eameas e, em algumas esp\u00e9cies, est\u00e3o totalmente ausentes (Antilocapra bezoartica, A. americana). Certos ant\u00edlopes machos possuem os dentes caninos mais desenvolvidos; no cervo almiscarado (Moschidae), os machos possuem caninos que se sobressaem como garras.<\/p>\n<p>Entre os sol\u00edpedes, o garanh\u00e3o possui dentes caninos bem desenvolvidos, que na f\u00eamea s\u00e3o rudimentares. Entre os paquidermes, o elefante e o javali s\u00e3o armados com defesas, que se apresentam como apenas rudimentares ou deficientes nas f\u00eameas (Brelim, op. cit. I, p. 163). As f\u00eameas dos rinocerontes t\u00eam chifres mais fr\u00e1geis.<\/p>\n<p>Entre os cet\u00e1ceos, o narval macho possui dois dentes caninos no maxilar superior, dos quais o da esquerda se estende horizontalmente para a frente com um comprimento de tr\u00eas metros e \u00e9 retorcido, enquanto na f\u00eamea os dois caninos s\u00e3o rudimentares. O macho da cachalote possui uma cabe\u00e7a maior.<\/p>\n<p>3. Primatas. Entre os primatas, as diferen\u00e7as se acentuam em perfeita analogia com a ra\u00e7a humana.<\/p>\n<p>Enquanto o macho gorila tem at\u00e9 2 metros de altura, a f\u00eamea nunca ultrapassa 1,50m. Na f\u00eamea, o cr\u00e2nio \u00e9 menor e arredondado; \u00e9 menos pr\u00f3gnato e mais leve, carece de cristas \u00f3sseas, por isso toma a forma trapezoidal, enquanto no macho \u00e9 piramidal; o nariz \u00e9 menor e inclinado, com uma parte traseira mais curta. Corpo, m\u00e3os, p\u00e9s s\u00e3o mais finos, e os m\u00fasculos menos musculosos; os ombros, os bra\u00e7os, as pernas s\u00e3o mais delicados; o topo do \u00famero \u00e9 mais achatado, a t\u00edbia \u00e9 menor e menos prism\u00e1tica, os ossos da bacia s\u00e3o maiores e planos e menos ocos em seu interior; e o \u00edsquio \u00e9 mais divergente na f\u00eamea. A f\u00eamea \u00e9 muito mais fraca (Hartmann, Scimmie antropomorfe, Mil\u00e3o, 1881). Seus dentes caninos s\u00e3o menos acuminados, menos comprimidos, de forma triangular e menos salientes: o molar tem cinco c\u00faspides, duas exteriores, duas interiores, e uma posterior, similar ao que ocorre com os humanos (Hartmann).<\/p>\n<p>A f\u00eamea do chimpanz\u00e9 tamb\u00e9m \u00e9 menor e mais fraca, com m\u00fasculos menos angulosos e o corpo com formas mais arredondadas. Ela tem a cabe\u00e7a menor, face oval e nariz mais achatado; possui m\u00fasculos dos membros inferiores menos angulosos, m\u00e3os e p\u00e9s menores e mais graciosos; possui dentes mais finos. No cr\u00e2nio, os ossos parietais descem muito obliquamente da sutura sagital, em que h\u00e1 uma protrus\u00e3o \u00f3ssea, e as arcadas supraciliares s\u00e3o menos desenvolvidas. \u00c9 menos pronunciada do que no macho, que tem o rosto oval (id.). O clit\u00f3ris e os pequenos l\u00e1bios, muito volumosos, sobressaem dos grandes l\u00e1bios quase atrofiados, de modo que a rima pudendi n\u00e3o \u00e9 constitu\u00edda pelos pequenos l\u00e1bios (Blanchard, Sur la Steathopigie des Hottentots, 1883).<\/p>\n<p>A f\u00eamea do orangotango tamb\u00e9m \u00e9 menor; em seu cr\u00e2nio n\u00e3o existem cristas \u00f3sseas: o maxilar superior \u00e9 mais baixo, o inferior \u00e9 menor; a face, apesar de saliente, \u00e9 mais plana na frente (Hartmann).<\/p>\n<p>Entre os gib\u00f5es, o macho \u00e9 o indiv\u00edduo predominante das esp\u00e9cies em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento completo de algumas peculiaridades de sua forma, encontradas apenas de maneira rudimentar no indiv\u00edduo feminino, e que no jovem ou imaturo, ou n\u00e3o existem ou se apresentam em est\u00e1gios primitivos (Hartmann). Um dos gib\u00f5es, o macaco Sciamang, vive em hordas comandadas por um macho (id.).<\/p>\n<p>Nos machos, o conjunto de pelos \u00e9 mais desenvolvido do que nas f\u00eameas: tamb\u00e9m parece que, como na ra\u00e7a humana, a f\u00eamea dos macacos se desenvolve mais rapidamente; certamente, este \u00e9 o caso do Cebus azarae (Rengger, S\u00e4ugethiere von Paraguay, 1830).<\/p>\n<p>4. S\u00edntese.<\/p>\n<p>Entre os animais inferiores, portanto, \u00e9 bastante difundido o predom\u00ednio do tamanho e da for\u00e7a da f\u00eamea: superioridade que \u00e9 mantida no mundo zool\u00f3gico, e alcan\u00e7a algumas esp\u00e9cies de aves. De toda forma, quanto mais se sobe na escala zool\u00f3gica, mais o macho se aproxima da f\u00eamea; de tal forma que, entre os mam\u00edferos, possui, sem margem a d\u00favidas, o protagonismo da esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>E, al\u00e9m disso, mesmo em esp\u00e9cies nas quais o macho seja inferior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 for\u00e7a e ao tamanho, ser\u00e1 sempre superior em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 variabilidade e perfei\u00e7\u00e3o da estrutura f\u00edsica. E se deve salientar ainda \u2013 como escreve Milne Edwards \u2013 que, usualmente, as diferen\u00e7as espec\u00edficas que existem entre diferentes membros, s\u00e3o menores entre as f\u00eameas do que entre os machos. E, de acordo com Darwin, a for\u00e7a primitiva e a tend\u00eancia heredit\u00e1ria s\u00e3o maiores nas f\u00eameas, enquanto nos machos s\u00e3o mais vari\u00e1veis, como expresso no axioma de criadores e horticultores: o macho d\u00e1 variedade, a f\u00eamea a esp\u00e9cie (Darwin, L\u2019origine des esp\u00e8ces).<\/p>\n<p>E entre os insetos, \u00e9 sempre o macho que possui asas: s\u00edmbolo e ferramentas de sua maior mobilidade. Isso ocorre por conta de sua necessidade de buscar, capturar, e imobilizar a f\u00eamea, o que acabou por gerar o desenvolvimento de novos \u00f3rg\u00e3os. Segundo Darwin, esses caracteres secund\u00e1rios s\u00e3o sempre mais numerosos, em todo o reino animal, entre os machos do que entre as f\u00eameas; e sendo extraordinariamente vari\u00e1veis, produzem a grande variabilidade dos machos; enquanto as f\u00eameas preservam as caracter\u00edsticas essenciais da esp\u00e9cie, sendo assim mais fixas, produzindo uma maior monotonia org\u00e2nica, definida por Milne Edwards como \u201cuma tend\u00eancia para representar o tipo m\u00e9dio da esp\u00e9cie\u201d; algo que retornar\u00e1 na psicologia da mulher normal e da delinquente.<\/p>\n<p>Estes fatos est\u00e3o relacionados ao papel essencial que a f\u00eamea desempenha na reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, bem como na luta pela posse da f\u00eamea. J\u00e1 observamos que a fun\u00e7\u00e3o b\u00e1sica da reprodu\u00e7\u00e3o \u00e9 exercida pela f\u00eamea, enquanto o macho possui apenas uma fun\u00e7\u00e3o auxiliar. A maior import\u00e2ncia da f\u00eamea \u00e9 demonstrada pela partenog\u00eanese e pelo fato de que, entre alguns himen\u00f3pteros, em que gera\u00e7\u00f5es se alternam, \u00e9 suficiente uma simples fertiliza\u00e7\u00e3o para o trabalho de reprodu\u00e7\u00e3o de toda uma vida. Considerando-se as diferentes fun\u00e7\u00f5es do macho e da f\u00eamea na reprodu\u00e7\u00e3o, a f\u00eamea deve ser, em esp\u00e9cies primitivas, maior, de forma que consiga nutrir a parte destinada a formar o novo ser. Ao macho, cuja fun\u00e7\u00e3o seria apenas produzir o l\u00edquido fertilizante, bastaria um menor consumo de energia org\u00e2nica e, portanto, um tamanho menor.<\/p>\n<p>Mas a luta entre machos \u2013 luta esta que se originou de outro fator, o maior ardor dos desejos sexuais, e talvez tamb\u00e9m pelo n\u00famero maior de indiv\u00edduos \u2013 em ordens superiores, desenvolveu entre eles seu tamanho e for\u00e7a, de modo a torn\u00e1-los maiores e mais fortes, aumentando a superioridade primitiva em sua estrutura f\u00edsica, por conta do uso de seus \u00f3rg\u00e3os e da sele\u00e7\u00e3o, combinada com a lei biol\u00f3gica, destacada por Spencer, de antagonismo, entre reprodu\u00e7\u00e3o, crescimento e estrutura. O macho tem, em suma, um potencial de desenvolvimento superior ao da f\u00eamea, devido \u00e0 menor import\u00e2ncia que sua participa\u00e7\u00e3o desempenha na reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Considerando a exist\u00eancia, de acordo com Spencer (Principes de biologie, voi. II, p. 505 e 515), de um antagonismo entre reprodu\u00e7\u00e3o, crescimento e estrutura, conclui-se que, entre os animais, a fertilidade est\u00e1 inversamente relacionada ao desenvolvimento de seu tamanho e estrutura f\u00edsica. Assim, nesta rela\u00e7\u00e3o entre evolu\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo e evolu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, os limites de desenvolvimento e diferencia\u00e7\u00e3o feminina ficam restritos pelo maior consumo org\u00e2nico que as fun\u00e7\u00f5es reprodutivas, de maior import\u00e2ncia, exigem; enquanto que, por motivos inversos, os limites de desenvolvimento masculino s\u00e3o mais amplos. Assim, entende-se que, sob a influ\u00eancia das condi\u00e7\u00f5es da vida do macho, embora este tenha sido inicialmente menor, acabaria se desenvolvendo mais do que a f\u00eamea.<\/p>\n<p>O macho, ent\u00e3o, \u00e9 uma f\u00eamea aperfei\u00e7oada e mais vari\u00e1vel, como consequ\u00eancia do grande desenvolvimento de caracteres sexuais secund\u00e1rios, como demonstra o fato, destacado por Milne Edwards e Darwin, de que as f\u00eameas adultas de todo o reino animal se assemelham aos membros do sexo masculino quando jovens, isto \u00e9, quando ainda n\u00e3o ocorreu o desenvolvimento de seus caracteres sexuais secund\u00e1rios.<\/p>\n<p>Ainda de acordo com Brooks, o macho \u00e9 mais complexo e mais progressivo, a f\u00eamea mais simples e mais conservadora. Quando existem condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis, a f\u00eamea predomina; quando s\u00e3o desfavor\u00e1veis, os machos, devido \u00e0 sua maior tend\u00eancia \u00e0 varia\u00e7\u00e3o, determinam uma maior plasticidade nas esp\u00e9cies. Mas os cuidados pr\u00f3prios \u00e0 maternidade tamb\u00e9m determinam as modifica\u00e7\u00f5es no sexo feminino, como ocorre, por exemplo, com o ferr\u00e3o entre os himen\u00f3pteros (Revue scientifique, n. 13, 1891).<\/p>\n<p>O predom\u00ednio do macho, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua estrutura, \u00e9 primitivo, enquanto que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 sua for\u00e7a e tamanho \u00e9 recente, originado por espec\u00edficas condi\u00e7\u00f5es que, se ausentes, fariam o macho retornar a seu estado original, com a predomin\u00e2ncia da f\u00eamea. \u00c9 claro \u2013 escreve Emery \u2013, a regress\u00e3o pode ser produzida por certas condi\u00e7\u00f5es da vida (parasitismo, vida sedent\u00e1ria, ou outras condi\u00e7\u00f5es que exijam uma r\u00e1pida multiplica\u00e7\u00e3o de forma a se aproveitar a alimenta\u00e7\u00e3o abundante, antes que se torne prec\u00e1ria), e reconduzir \u00e0 condi\u00e7\u00e3o primitiva, ou seja, \u00e0 predomin\u00e2ncia do sexo feminino; e, no limite, ao pr\u00f3prio desaparecimento do macho.<\/p>\n<hr \/>\n<h4><a href=\"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-mulher-delinquente\/\">Adquira &#8220;A Mulher Delinquente&#8221; de Lombroso e Ferrero.<\/a><\/h4>\n<p><a href=\"http:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-mulher-delinquente\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" class=\"alignnone size-full wp-image-27\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2017\/10\/coluna-3-lombroso-1.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"328\" \/><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Caso voc\u00ea prefira baixar o cap\u00edtulo em PDF, clique aqui. Cap\u00edtulo I \u2013 A f\u00eamea no mundo zool\u00f3gico 1. As ci\u00eancias morais est\u00e3o, atualmente, t\u00e3o intimamente ligadas \u00e0s ci\u00eancias naturais, que nos \u00e9 imposs\u00edvel realizar um estudo da mulher criminosa sem antes termos analisado a mulher normal, assim como a\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2017\/10\/23\/capitulo-1-de-a-mulher-delinquente\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":63,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[12],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=62"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/62\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/63"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=62"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=62"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=62"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}