{"id":750,"date":"2023-12-02T19:50:00","date_gmt":"2023-12-02T19:50:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=750"},"modified":"2024-03-02T19:53:58","modified_gmt":"2024-03-02T19:53:58","slug":"memoria-e-tempo-historico-segundo-halbwachs","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2023\/12\/02\/memoria-e-tempo-historico-segundo-halbwachs\/","title":{"rendered":"Mem\u00f3ria e tempo hist\u00f3rico, segundo Halbwachs"},"content":{"rendered":"\n<p>O trecho abaixo foi extra\u00eddo da obra &#8220;A Mem\u00f3ria Coletiva&#8221; de Maurice Halbwachs. Caso deseje adquirir a obra (em c\u00f3pia f\u00edsica ou em ebook), clique na capinha e saiba como.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-memoria-coletiva\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_memoria_coletiva_halbwachs.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-747\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_memoria_coletiva_halbwachs.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_memoria_coletiva_halbwachs-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_memoria_coletiva_halbwachs-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>O que agora nos parecer\u00e1 mais concreto, mais definido, \u00e9 o que poder\u00edamos chamar de tempo universal, que abrange todos os eventos que ocorreram em qualquer lugar do mundo, em todos os continentes, em todos os pa\u00edses, em cada pa\u00eds para todos os grupos e, atrav\u00e9s deles, para todos os indiv\u00edduos. Podemos imaginar, de fato, o conjunto dos seres humanos como um corpo vasto, que apresenta, ali\u00e1s, mesmo agora, mas especialmente no passado, apenas uma unidade org\u00e2nica muito imperfeita, mas tal que todas as partes das quais \u00e9 constitu\u00eddo formam um todo cont\u00ednuo, porque h\u00e1 poucas partes que, pelo menos em intervalos, n\u00e3o tiveram algum contato com alguma outra, e assim, gradualmente, est\u00e3o ligadas ao todo por la\u00e7os mais ou menos frouxos. Sabemos que isso n\u00e3o \u00e9 estritamente preciso. Existem regi\u00f5es habitadas, sem d\u00favida, h\u00e1 muito tempo, e que s\u00f3 foram descobertas bastante tarde. Tamb\u00e9m h\u00e1 povos cuja exist\u00eancia quase sempre foi conhecida, mas por tradi\u00e7\u00f5es muito vagas, por relatos de viajantes bastante sucintos, e que n\u00e3o t\u00eam propriamente uma hist\u00f3ria no sentido de que n\u00e3o podemos fixar a data dos eventos antigos, mesmo que tenhamos alguma lembran\u00e7a deles. No entanto, admite-se que esses eventos foram contempor\u00e2neos aos que conhecemos em nossas civiliza\u00e7\u00f5es, e que s\u00f3 nos faltam documentos escritos, inscri\u00e7\u00f5es em monumentos ou anais, para que possamos situ\u00e1-los no mesmo tempo em que nossa hist\u00f3ria nos permite remontar. Encontramos aqui o tempo hist\u00f3rico do qual falamos no cap\u00edtulo anterior, com a diferen\u00e7a de que o supomos estendido al\u00e9m dos limites que lhe reconhecemos, de modo que envolve a vida dos povos que n\u00e3o tiveram hist\u00f3ria, e at\u00e9 mesmo o passado hist\u00f3rico.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais natural que essa extens\u00e3o possa parecer, devemos nos perguntar se ela \u00e9 realmente leg\u00edtima e qual significado pode ter para n\u00f3s um tempo do qual os povos, mesmo os mais antigos que conhecemos, n\u00e3o guardaram nenhuma lembran\u00e7a. Sem d\u00favida, sempre podemos raciocinar por analogia. Podemos supor, por exemplo, que o planeta Marte \u00e9 e sempre foi habitado. No entanto, diremos que seus habitantes viveram no mesmo tempo que as popula\u00e7\u00f5es terrestres cuja hist\u00f3ria conhecemos? Para que uma proposi\u00e7\u00e3o desse tipo tenha um significado bem definido, seria necess\u00e1rio supor ainda que os habitantes desse planeta puderam se comunicar conosco de alguma forma, pelo menos em intervalos, de modo que eles e n\u00f3s entr\u00e1ssemos em contato, que conhec\u00eassemos algo de sua vida e hist\u00f3ria, e eles da nossa. Se isso n\u00e3o aconteceu, tudo ser\u00e1 como no caso de duas consci\u00eancias totalmente fechadas uma para a outra, e cujas dura\u00e7\u00f5es nunca se cruzam. Como, ent\u00e3o, falar de um tempo que seria comum a elas?<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 preciso ir mais longe, e, ao nos atermos aos eventos do passado cuja data os historiadores puderam, pelo menos de forma aproximada, fixar e reconstituir a ordem de sucess\u00e3o, devemos perguntar se o quadro que eles pintaram, indicando aqueles que ocorreram simultaneamente em pa\u00edses e regi\u00f5es distantes entre si, nos permite concluir sobre a realidade de um tempo universal dentro dos limites da hist\u00f3ria. Comumente, dizemos \u201cos tempos hist\u00f3ricos\u201d, como se houvesse v\u00e1rios, e talvez estejamos nos referindo a per\u00edodos sucessivos, mais ou menos distantes do presente. Mas tamb\u00e9m podemos dar outro sentido a essa express\u00e3o, como se houvesse v\u00e1rias hist\u00f3rias, algumas come\u00e7ando mais cedo, outras mais tarde, mas que s\u00e3o distintas. Certamente \u00e9 poss\u00edvel para um historiador se colocar fora e acima de todas essas evolu\u00e7\u00f5es paralelas e consider\u00e1-las como aspectos de uma hist\u00f3ria universal. No entanto, percebemos que, em muitos casos e talvez na maioria das vezes, a unidade obtida \u00e9 totalmente artificial, pois aproxima eventos que n\u00e3o tiveram nenhuma a\u00e7\u00e3o um sobre o outro e povos que n\u00e3o se uniram, mesmo temporariamente, em um pensamento comum.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos diante de n\u00f3s a \u201cChronologie universelle\u201d de Dreyss, publicada em Paris em 1858, na qual&nbsp; s\u00e3o indicados, desde os tempos mais remotos, ano a ano os eventos not\u00e1veis que ocorreram em v\u00e1rias regi\u00f5es. Vamos passar pela primeira \u00e9poca, da cria\u00e7\u00e3o do mundo ao dil\u00favio. A tradi\u00e7\u00e3o do dil\u00favio, em particular, \u00e9 encontrada em muitos povos. Talvez ela corresponda \u00e0 lembran\u00e7a confusa de uma origem comum e mere\u00e7a, por esse motivo, figurar no in\u00edcio de um quadro sincr\u00f4nico dos destinos das na\u00e7\u00f5es. Em seguida, at\u00e9 Jesus Cristo, e mesmo at\u00e9 o s\u00e9culo V depois de Cristo, o autor se limitou a recortar a hist\u00f3ria da Gr\u00e9cia e a hist\u00f3ria de Roma, a hist\u00f3ria dos judeus, a hist\u00f3ria do Egito, e a justapor esses fragmentos. Isso \u00e9 apenas uma pequena parte do mundo. Pelo menos eram regi\u00f5es bastante pr\u00f3ximas uma da outra para terem sentido, muitas vezes, o impacto dos abalos que ocorriam em uma delas. Entre essas cidades ou grupos de cidades, que formavam conjuntos meio fechados, as ideias circulavam, as not\u00edcias se propagavam. Em 1858, e at\u00e9 antes, o horizonte hist\u00f3rico, no que diz respeito ao passado, certamente havia se expandido, e teria sido poss\u00edvel incluir, neste quadro cronol\u00f3gico antigo, muitas mais regi\u00f5es. No entanto, o quadro, conforme nos \u00e9 apresentado, com suas limita\u00e7\u00f5es, talvez d\u00ea uma imagem mais fiel \u00e0 realidade. Ele nos apresenta um conjunto de povos cujos destinos estavam bastante interligados para que pudessem situar suas caracter\u00edsticas no mesmo tempo. Era apenas o mundo conhecido dos antigos; pelo menos, formava mais ou menos um todo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, \u00e0 medida que nos aproximamos dos tempos modernos, o quadro se expande, mas perde cada vez mais sua unidade. Dizem-nos que em 1453 a Guerra dos Cem Anos termina e, no mesmo ano, os turcos tomam Constantinopla. Em que mem\u00f3ria coletiva comum esses dois fatos deixaram suas marcas? Sem d\u00favida, tudo est\u00e1 interligado, e n\u00e3o podemos prever imediatamente quais ser\u00e3o as repercuss\u00f5es de um evento e at\u00e9 que regi\u00f5es do espa\u00e7o se propagar\u00e3o. Mas s\u00e3o as repercuss\u00f5es e n\u00e3o o evento que entram na mem\u00f3ria de um povo que as sofre, e apenas a partir do momento em que o atingem. Pouco importa que fatos tenham ocorrido no mesmo ano se essa simultaneidade n\u00e3o foi percebida pelos contempor\u00e2neos. Cada grupo definido localmente tem sua pr\u00f3pria mem\u00f3ria e uma representa\u00e7\u00e3o do tempo que \u00e9 apenas sua. \u00c0s vezes, cidades, prov\u00edncias, povos se unem em uma nova unidade, ent\u00e3o o tempo comum se amplia e, talvez, estenda-se mais para o passado, pelo menos para uma parte do grupo, que ent\u00e3o participa de tradi\u00e7\u00f5es mais antigas. O oposto tamb\u00e9m pode ocorrer quando um povo se desmembra, quando col\u00f4nias s\u00e3o formadas, quando novos continentes s\u00e3o povoados. A hist\u00f3ria da Am\u00e9rica, at\u00e9 o in\u00edcio do s\u00e9culo XIX e desde os primeiros estabelecimentos, est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 hist\u00f3ria da Europa. Durante todo o s\u00e9culo XIX e at\u00e9 o presente, parece que foi destacada. Como um povo que tem apenas uma hist\u00f3ria curta representaria o mesmo tempo que outros cuja mem\u00f3ria pode remontar a um passado distante? \u00c9 por meio de uma constru\u00e7\u00e3o artificial que se faz com que esses dois tempos se sobreponham ou que se coloquem lado a lado em um tempo vazio, que n\u00e3o tem nada de hist\u00f3rico, j\u00e1 que, em \u00faltima an\u00e1lise, \u00e9 apenas o tempo abstrato dos matem\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o devemos esquecer, \u00e9 verdade, que em uma \u00e9poca em que os meios de comunica\u00e7\u00e3o eram dif\u00edceis, n\u00e3o havia telegrafias nem jornais, no entanto, as viagens eram comuns e as not\u00edcias circulavam mais r\u00e1pido e mais longe do que imaginamos. A Igreja abra\u00e7ava toda a Europa e estendia at\u00e9 mesmo suas antenas para outros continentes. Uma organiza\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica muito desenvolvida permitia aos pr\u00edncipes e seus ministros saberem bastante r\u00e1pido o que estava acontecendo em outros pa\u00edses. Os comerciantes tinham dep\u00f3sitos, escrit\u00f3rios, estabelecimentos, correspondentes em cidades estrangeiras. Sempre houve certos meios e grupos que serviam como \u00f3rg\u00e3os de liga\u00e7\u00e3o entre os pa\u00edses mais distantes. No entanto, o horizonte da maioria do povo mal era ampliado. Por muito tempo, a maioria das pessoas mal se interessava pelo que acontecia al\u00e9m dos limites de sua prov\u00edncia, quanto mais de seu pa\u00eds. \u00c9 por isso que tem havido e ainda h\u00e1 tantas hist\u00f3rias distintas quanto na\u00e7\u00f5es. Aquele que deseja escrever a hist\u00f3ria universal e escapar dessas limita\u00e7\u00f5es, de que ponto de vista se colocar\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o a qual conjunto de pessoas? \u00c9 por isso que, por muito tempo, os relatos hist\u00f3ricos destacaram os eventos que interessam \u00e0 Igreja, como conc\u00edlios, cismas, a sucess\u00e3o dos papas, conflitos entre cl\u00e9rigos e l\u00edderes temporais, ou eventos que preocupam os diplomatas, negocia\u00e7\u00f5es, alian\u00e7as, guerras, tratados, intrigas na corte? N\u00e3o seria tamb\u00e9m porque, em per\u00edodos mais recentes, os c\u00edrculos sociais que incluem comerciantes, homens de neg\u00f3cios, industriais, banqueiros expandiram suas preocupa\u00e7\u00f5es especiais para a maior parte da terra, que na hist\u00f3ria universal foram inclu\u00eddos os avan\u00e7os na ind\u00fastria, as mudan\u00e7as nos fluxos comerciais, as rela\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas entre os povos? Mas a hist\u00f3ria universal assim entendida ainda \u00e9 apenas uma justaposi\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias parciais que abrangem apenas a vida de certos grupos. Se o tempo \u00fanico assim reconstru\u00eddo se estende por espa\u00e7os mais amplos, ele compreende apenas uma parte restrita da humanidade que habita essa superf\u00edcie: a massa da popula\u00e7\u00e3o que n\u00e3o entra nesses c\u00edrculos limitados e ocupa as mesmas regi\u00f5es tamb\u00e9m teve, no entanto, sua hist\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><a>Cronologia hist\u00f3rica e tradi\u00e7\u00e3o coletiva<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Talvez tenhamos adotado um ponto de vista que n\u00e3o \u00e9 e n\u00e3o pode ser o dos historiadores. Critic\u00e1vamos a pr\u00e1tica deles de fundir em um tempo \u00fanico hist\u00f3rias nacionais e locais, que representam como que v\u00e1rias linhas de evolu\u00e7\u00e3o distintas. No entanto, se conseguem nos apresentar um quadro sincr\u00f4nico no qual todos os eventos, onde quer que tenham ocorrido, s\u00e3o aproximados, \u00e9 porque, sem d\u00favida, est\u00e3o separando esses eventos dos contextos que os situavam em seu tempo pr\u00f3prio, ou seja, est\u00e3o abstraindo do tempo real em que eram compreendidos. \u00c9 uma opini\u00e3o comum que a hist\u00f3ria, pelo contr\u00e1rio, talvez se interesse demasiadamente pela ordem de sucess\u00e3o cronol\u00f3gica dos fatos ao longo do tempo. No entanto, recordemos o que discutimos no cap\u00edtulo anterior, quando contrastamos o que pode ser chamado de mem\u00f3ria hist\u00f3rica e a mem\u00f3ria coletiva. A primeira ret\u00e9m principalmente as diferen\u00e7as, mas as diferen\u00e7as ou mudan\u00e7as marcam apenas a transi\u00e7\u00e3o abrupta e quase imediata de um estado duradouro para outro estado duradouro. Quando se abstrai dos estados ou dos intervalos para reter apenas seus limites, na realidade, deixa-se cair o que h\u00e1 de mais substancial no tempo em si. Certamente, uma mudan\u00e7a tamb\u00e9m se estende por uma dura\u00e7\u00e3o, \u00e0s vezes por uma dura\u00e7\u00e3o muito longa. Mas isso equivale a dizer que ela se decomp\u00f5e em uma s\u00e9rie de mudan\u00e7as parciais separadas por intervalos nos quais nada muda. Dessas menores mudan\u00e7as, o relato hist\u00f3rico tamb\u00e9m abstrai. Ali\u00e1s, \u00e9 bem poss\u00edvel que nos ofere\u00e7a ainda mais. Para nos dar a conhecer o que n\u00e3o muda, o que perdura no verdadeiro sentido da palavra, para nos proporcionar uma representa\u00e7\u00e3o adequada disso, seria necess\u00e1rio nos colocar de volta no meio social que tinha consci\u00eancia dessa estabilidade relativa, reviver para n\u00f3s uma mem\u00f3ria coletiva que desapareceu. Ser\u00e1 suficiente descrever uma institui\u00e7\u00e3o e nos dizer que n\u00e3o mudou por meio s\u00e9culo? Em primeiro lugar, isso \u00e9 inexato, pois houve, de qualquer forma, muitas modifica\u00e7\u00f5es lentas e impercept\u00edveis, que o historiador n\u00e3o percebe, mas das quais o grupo tinha consci\u00eancia, ao mesmo tempo que de uma estabilidade relativa (as duas representa\u00e7\u00f5es est\u00e3o sempre estreitamente ligadas). Por outro lado, e como resultado, \u00e9 um dado puramente negativo, enquanto n\u00e3o nos \u00e9 revelado o conte\u00fado da consci\u00eancia do grupo e as diversas circunst\u00e2ncias em que ele p\u00f4de reconhecer que, de fato, a institui\u00e7\u00e3o n\u00e3o mudava. A hist\u00f3ria \u00e9 necessariamente um atalho, e \u00e9 por isso que ela condensa e concentra em alguns momentos evolu\u00e7\u00f5es que se estendem por per\u00edodos inteiros; \u00e9 nesse sentido que ela extrai as mudan\u00e7as da dura\u00e7\u00e3o. Nada impede agora que se aproximem e re\u00fanam os eventos assim destacados do tempo real e que os disponham numa s\u00e9rie cronol\u00f3gica. No entanto, tal s\u00e9rie sucessiva se desenvolve em uma dura\u00e7\u00e3o artificial, que n\u00e3o tem realidade para nenhum dos grupos aos quais esses eventos s\u00e3o emprestados: para nenhum deles, esse \u00e9 o tempo em que sua mente costumava se mover e localizar o que lembravam de seu passado.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trecho abaixo foi extra\u00eddo da obra &#8220;A Mem\u00f3ria Coletiva&#8221; de Maurice Halbwachs. Caso deseje adquirir a obra (em c\u00f3pia f\u00edsica ou em ebook), clique na capinha e saiba como. 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