{"id":766,"date":"2024-01-06T18:13:00","date_gmt":"2024-01-06T18:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=766"},"modified":"2024-03-06T18:17:14","modified_gmt":"2024-03-06T18:17:14","slug":"manual-do-cavaleiro-cristao-de-erasmo-de-rotterdam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/01\/06\/manual-do-cavaleiro-cristao-de-erasmo-de-rotterdam\/","title":{"rendered":"Manual do Cavaleiro Crist\u00e3o de Erasmo de Rotterdam"},"content":{"rendered":"\n<p>Leia, a seguir, o cap\u00edtulo 1 do &#8220;Manual do Cavaleiro Crist\u00e3o&#8221; de Erasmo de Rotterdam. Caso deseje adquirir a obra completa, <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/manual-do-cavaleiro-cristao\/\">clique aqui<\/a>, ou na imagem da capa do livro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/manual-do-cavaleiro-cristao\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_photopea_enchiridion.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-763\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_photopea_enchiridion.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_photopea_enchiridion-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_photopea_enchiridion-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Devemos vigiar e olhar ao nosso redor constantemente enquanto estivermos nesta vida<\/h2>\n\n\n\n<p>O ponto inicial a ser sempre lembrado \u00e9 que a vida dos mortais \u00e9, em ess\u00eancia, um cont\u00ednuo exerc\u00edcio de guerra. Isso \u00e9 evidenciado por J\u00f3, um guerreiro testado at\u00e9 o limite, mas nunca derrotado. A maioria das pessoas \u00e9 enganada por este mundo, que age como um ilusionista, ocupando as mentes com prazeres sedutores e elogios que, como se tivessem derrotado todos os inimigos, celebram festas inapropriadas, parecendo estar em uma paz completamente assegurada.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 surpreendente observar como vivemos de forma descuidada e indiferente, dormindo profundamente ora de um lado, ora do outro, enquanto somos constantemente cercados por uma multid\u00e3o de v\u00edcios armados, perseguidos e ca\u00e7ados com ast\u00facia, atacados diariamente por uma enxurrada implac\u00e1vel de mentiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Olha para cima e v\u00ea os dem\u00f4nios mal\u00e9volos que nunca descansam, mas est\u00e3o \u00e0 espreita para nos destruir. Eles est\u00e3o armados com mil enganos, mil estrat\u00e9gias malignas, esfor\u00e7ando-se desde as alturas para ferir nossas mentes com armas incendi\u00e1rias mergulhadas em veneno mortal. Essas armas s\u00e3o mais certeiras do que qualquer arma que possu\u00edssem H\u00e9rcules ou C\u00e9falo, a menos que sejam bloqueadas pelo escudo seguro e impenetr\u00e1vel da f\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, este mundo nos ataca de todos os lados: \u00e0 direita e \u00e0 esquerda, \u00e0 frente e por tr\u00e1s. Como S\u00e3o Jo\u00e3o afirmou, ele est\u00e1 totalmente inclinado para o v\u00edcio e a maldade, sendo, portanto, contr\u00e1rio a Cristo e odiado por Ele. E essas lutas n\u00e3o t\u00eam apenas uma \u00fanica forma. \u00c0s vezes, ele nos ataca abertamente, com a f\u00faria da adversidade, abalando os muros de nossa alma. Outras vezes, com promessas grandiosas (ainda assim vazias), ele nos tenta \u00e0 trai\u00e7\u00e3o. E h\u00e1 momentos em que ele nos ataca sorrateiramente, infiltrando-se em nossa vida sem que percebamos, aproveitando-se de nossa neglig\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, h\u00e1 a serpente insidiosa abaixo, a primeira a perturbar a paz, o pai da inquieta\u00e7\u00e3o. \u00c0s vezes, ela se esconde na grama verde, aguardando em suas tocas, enrolada em m\u00faltiplas voltas, sempre \u00e0 espreita. Ela n\u00e3o para de observar e esperar, sob o calcanhar da mulher que ela envenenou no passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Entendamos que, pela refer\u00eancia \u00e0 mulher, se alude \u00e0 parte carnal do ser humano, tamb\u00e9m chamada de sensualidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a nossa Eva interior, pela qual a serpente ardilosa seduz e atrai nossas mentes a prazeres mortais e prejudiciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, n\u00e3o devemos considerar como algo insignificante que uma multid\u00e3o t\u00e3o vasta de inimigos nos ataque de todos os lados. Carregamos conosco, aonde quer que formos, em recantos secretos de nossas mentes, um advers\u00e1rio mais pr\u00f3ximo do que um conhecido ou um membro da fam\u00edlia. E, pois, nada \u00e9 mais \u00edntimo, tamb\u00e9m nada \u00e9 mais perigoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o velho Ad\u00e3o terreno que, por sua familiaridade e conhecimento, est\u00e1 mais pr\u00f3ximo de n\u00f3s do que um cidad\u00e3o. E em todos os tipos de estudos e passatempos ele se op\u00f5e mais do que qualquer inimigo mortal. A este n\u00e3o podemos afastar com muralhas, nem \u00e9 permitido expuls\u00e1-lo de nosso territ\u00f3rio. Devemos vigiar esse companheiro com todo cuidado, para que ele n\u00e3o abra as portas da fortaleza ou cidade de Deus, permitindo que os dem\u00f4nios entrem.<\/p>\n\n\n\n<p>Dado que enfrentamos uma guerra t\u00e3o terr\u00edvel e cruel, e devemos lidar com tantos inimigos que conspiraram e juraram nossa destrui\u00e7\u00e3o, inimigos t\u00e3o ativos, astutos, enganosos e experientes, n\u00e3o seria sensato nos armar, pegar em armas e permanecer vigilantes? Entretanto, como se estiv\u00e9ssemos em tempos de paz, dormimos profundamente e nos entregamos \u00e0 ociosidade e prazeres. Como diz o prov\u00e9rbio, entregamos nossas mentes \u00e0s festas e \u00e0 boa comida, como se a vida fosse um banquete como existiam entre os gregos, e n\u00e3o uma guerra. Em vez de tendas e acampamentos, nos reviramos e nos agitamos em nossas camas. No lugar de elmos e armaduras forjadas, somos coroados com rosas e flores frescas, banhados em \u00e1guas perfumadas de rosas e damasco, envolvidos em fragr\u00e2ncias e alm\u00edscar. Trocamos os campos de batalha pela libertinagem e a pregui\u00e7a. E substitu\u00edmos armas apropriadas para a guerra por doces harpas, como se esta fosse a menos vergonhosa de todas as guerras. Pois aquele que se alia aos v\u00edcios quebra a tr\u00e9gua estabelecida entre ele e Deus no momento do batismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tu, oh insensato, clamas por paz, paz, quando tens Deus como teu inimigo. Ele \u00e9 o pr\u00f3prio autor da paz, e Ele clama o contr\u00e1rio por meio das palavras de Seu profeta, afirmando que n\u00e3o h\u00e1 paz para os pecadores ou para aqueles que n\u00e3o amam a Deus. N\u00e3o h\u00e1 outra condi\u00e7\u00e3o para a paz com Ele, a menos que, enquanto lutamos na fortaleza deste corpo, enfrentemos os v\u00edcios com \u00f3dio mortal e toda a nossa for\u00e7a. Se estivermos em acordo com eles, teremos Deus como nosso inimigo duas vezes. Ele \u00e9 nosso amigo por natureza e pode nos tornar bem-aventurados. Mas se Ele for nosso advers\u00e1rio, pode nos destruir. Isso ocorre porque estamos alinhados com aqueles que jamais podem concordar com Deus; pois, como a luz pode se misturar com as trevas? Tamb\u00e9m somos ingratos, pois n\u00e3o mantemos a promessa feita a Ele, e injustamente rompemos o compromisso que firmamos entre Ele e n\u00f3s com protestos e cerim\u00f4nias sagradas.<\/p>\n\n\n\n<p>Oh, homem crist\u00e3o, n\u00e3o te recordas quando foste solenemente consagrado pelos sagrados mist\u00e9rios da fonte da vida? Naquele momento, comprometeste-te a ser um fiel soldado de teu Capit\u00e3o Cristo. A Ele deves a vida em dobro: tanto porque Ele a concedeu a ti, como porque a restaurou novamente. Deves a Ele mais do que podes imaginar. N\u00e3o te lembras de quando te uniste a Seus sacramentos, considerando-os como presentes sagrados? Juraste lealdade no momento de aderir a um soberano t\u00e3o generoso. E n\u00e3o hesitaste em invocar maldi\u00e7\u00e3o sobre tua pr\u00f3pria cabe\u00e7a, desejando que a vingan\u00e7a te atingisse caso n\u00e3o cumprisses a promessa? Por qual raz\u00e3o a marca da cruz foi impressa em tua testa, sen\u00e3o para que, ao longo de tua vida, combatesses sob o estandarte dEle? E por qual raz\u00e3o foste ungido com Seu \u00f3leo sagrado, sen\u00e3o para lutar incessantemente contra os v\u00edcios? Qu\u00e3o vergonhoso e abomin\u00e1vel \u00e9 considerado um homem abandonar seu rei ou senhor? Por que ent\u00e3o negligencias teu Capit\u00e3o Cristo? N\u00e3o deverias tem\u00ea-Lo, pois Ele \u00e9 Deus, e n\u00e3o deverias abra\u00e7\u00e1-Lo com amor, pois Ele, por tua causa, tornou-se homem? Al\u00e9m disso, ao adotar Seu nome, deverias lembrar do que prometeste a Ele. Por que te afastas dEle, agindo como um traidor e perjuro, e voltas-te para teu inimigo, de quem Ele te resgatou com o pre\u00e7o de Seu sangue precioso? Por que, tantas vezes renegado, lutas sob a bandeira do advers\u00e1rio dEle? Com que aud\u00e1cia ousas erguer bandeiras contr\u00e1rias a teu Rei, que por tua causa deu Sua pr\u00f3pria vida? Como Ele mesmo disse, quem n\u00e3o est\u00e1 com Ele est\u00e1 contra Ele (Lucas 11). E quem n\u00e3o se une com Ele, espalha.<\/p>\n\n\n\n<p>Tua batalha n\u00e3o \u00e9 travada por um t\u00edtulo sujo ou por uma contenda passageira, mas tamb\u00e9m por uma recompensa miser\u00e1vel. Desejas ouvir, seja quem fores, servo ou soldado do mundo, qual ser\u00e1 tua recompensa? Paulo, o estandarte na guerra de Cristo, te responde. A recompensa do pecado \u00e9 a morte. Quem ousaria lutar por uma causa justa e reta se soubesse que a morte era o \u00fanico risco, enquanto tu lutas por uma causa err\u00f4nea e imunda, e como recompensa buscas a morte de tua alma?<\/p>\n\n\n\n<p>Nas batalhas insanas travadas entre os homens, seja por f\u00faria irracional ou por desespero miser\u00e1vel, n\u00e3o percebes que, em qualquer momento, a promessa ou a expectativa do saque, a inspira\u00e7\u00e3o do Capit\u00e3o, a crueldade dos inimigos, a vergonha da covardia lan\u00e7ada em suas faces ou, em resumo, o desejo de elogios estimulando as mentes dos soldados, incita-os com coragem a empreender qualquer esfor\u00e7o restante? Eles n\u00e3o hesitam em arriscar a pr\u00f3pria vida, lan\u00e7am-se com f\u00faria sobre os inimigos. Bendito \u00e9 aquele que lidera o caminho.<\/p>\n\n\n\n<p>Pe\u00e7o-te, qu\u00e3o insignificante \u00e9 a recompensa que esses homens miser\u00e1veis buscam com tanto risco e esfor\u00e7o? Certamente, \u00e9 receber o elogio de um homem miser\u00e1vel como l\u00edder, ser aclamado por uma can\u00e7\u00e3o rude e caseira, como era feito nas eras de guerra. Ter os nomes possivelmente registrados em um rol de harpistas, obter uma coroa de grama ou folhas de carvalho ou, na melhor das hip\u00f3teses, desfrutar de um modesto ganho ou benef\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00f3s, por outro lado, somos completamente distintos. N\u00e3o somos estimulados pela vergonha ou pela esperan\u00e7a de recompensa. No entanto, enquanto lutamos, Ele nos observa. Se vencermos o campo, Ele recompensar\u00e1 nosso esfor\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, que recompensa oferece o soberano supremo do nosso campo de batalha \u00e0queles que triunfam? N\u00e3o s\u00e3o cavalos, como fez Aquiles em Homero, nem tr\u00edpodes, que s\u00e3o estruturas com tr\u00eas p\u00e9s, como Eneias fez em Virg\u00edlio. S\u00e3o coisas que nunca foram vistas pelos olhos, nem ouvidas pelos ouvidos, nem sequer imaginadas pelo cora\u00e7\u00e3o humano. E tais recompensas Ele concede aos Seus, enquanto ainda est\u00e3o no calor da batalha, como um lenitivo e conforto em meio aos seus esfor\u00e7os e labores.<\/p>\n\n\n\n<p>E o que ocorre em seguida? Certamente, a aben\u00e7oada imortalidade. Contudo, nos jogos esportivos, como corridas, lutas e saltos, em que grande parte da recompensa \u00e9 o reconhecimento, at\u00e9 mesmo os derrotados recebem suas devidas honrarias. Mas a nossa quest\u00e3o \u00e9 testada com um grande e duvidoso perigo. N\u00e3o estamos buscando elogios, mas sim a vida. A recompensa mais valiosa \u00e9 concedida \u00e0quele que demonstra bravura, enquanto a dor mais terr\u00edvel aguarda aqueles que recuam. Aquele que luta com determina\u00e7\u00e3o \u00e9 prometido ao C\u00e9u.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que o corajoso \u00e2nimo de um nobre cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o se inflama com a esperan\u00e7a da recompensa aben\u00e7oada que Ele promete? Afinal, aquele que promete n\u00e3o pode morrer, nem enganar.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas as coisas s\u00e3o feitas diante dos olhos de Deus, que tudo v\u00ea. Temos a companhia dos observadores celestiais em nosso conflito. E por que n\u00e3o somos movidos ao menos pela vergonha? Ele louvar\u00e1 nossa virtude e dilig\u00eancia, e ser louvado \u00e9 a verdadeira felicidade. Por que n\u00e3o buscamos esse louvor, mesmo que isso custe nossas vidas? \u00c9 uma mente covarde que se anima apenas com qualquer tipo de recompensa. At\u00e9 o mais covarde e insens\u00edvel frequentemente encontra coragem dentro de si, diante dos perigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas batalhas mundanas, embora o advers\u00e1rio seja cruel, ele s\u00f3 se enfurece com teus bens e corpo. O que o cruel Aquiles poderia fazer a Heitor? Mas aqui, o ataque \u00e9 \u00e0 parte imortal de ti. Teu corpo e alma n\u00e3o s\u00e3o arrastados ao redor do sepulcro como o de Heitor, mas s\u00e3o lan\u00e7ados ao inferno. A maior calamidade \u00e9 que uma espada separa a alma do corpo. Aqui, a maior calamidade \u00e9 que a vida, que \u00e9 Deus, \u00e9 retirada da tua alma.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 natural para o corpo morrer; mesmo se ningu\u00e9m o matar, ainda assim ele deve morrer. Mas para a tua alma morrer, isso \u00e9 extrema mis\u00e9ria. Cuidamos dos ferimentos do corpo com grande aten\u00e7\u00e3o, mas damos pouca import\u00e2ncia aos ferimentos da alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Nossos cora\u00e7\u00f5es se perturbam com a lembran\u00e7a da morte do corpo, pois \u00e9 vista com olhos corporais. A morte da alma \u00e9 ainda mais cruel, pois ningu\u00e9m a v\u00ea e poucos acreditam nela e, portanto, poucos a temem. E essa morte \u00e9 ainda mais cruel do que a outra, assim como a alma supera o corpo e Deus excede a alma.<\/p>\n\n\n\n<p>Queres que eu te mostre algumas conjecturas, exemplos ou sinais pelos quais possas perceber a doen\u00e7a e a morte da alma? Teu est\u00f4mago n\u00e3o faz uma boa digest\u00e3o e n\u00e3o ret\u00e9m comida, indicando desregula\u00e7\u00e3o corporal. Assim como a palavra de Deus \u00e9 essencial para tua alma, o p\u00e3o \u00e9 fundamental para teu corpo. Se essa ideia parece amarga e tua mente se rebela, questiona-se por que duvidas da doen\u00e7a que afeta o paladar e a sa\u00fade da alma. Se tua mem\u00f3ria, o \u201cest\u00f4mago\u201d da alma, n\u00e3o absorve o conhecimento de Deus e n\u00e3o o processa atrav\u00e9s da medita\u00e7\u00e3o constante, e se n\u00e3o o disseminas por a\u00e7\u00e3o, h\u00e1 um claro sinal de enfraquecimento da alma. Quando teus joelhos cedem sob ti de fraqueza e \u00e9 um esfor\u00e7o mover tuas extremidades, fica evidente que teu corpo n\u00e3o est\u00e1 bem. E n\u00e3o percebes a enfermidade de tua alma quando ela se queixa e n\u00e3o tem for\u00e7a para realizar a\u00e7\u00f5es piedosas? Quando n\u00e3o consegue suportar pacientemente a menor repreens\u00e3o no mundo e se perturba com a perda de um centavo? Quando a vis\u00e3o desaparece dos olhos e os ouvidos param de ouvir, quando todo o corpo perde sua sensa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o resta d\u00favida de que a alma partiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando os olhos do cora\u00e7\u00e3o ficam turvos, a ponto de n\u00e3o poderes enxergar a luz mais clara, que \u00e9 a virtude e a verdade? Quando n\u00e3o ouves com teus ouvidos interiores a voz de Deus, quando perdes toda a sensa\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o interna do conhecimento de Deus, pensas que tua alma est\u00e1 viva? N\u00e3o te comoves quando v\u00eas teu irm\u00e3o sendo tratado injustamente, desde que tua situa\u00e7\u00e3o esteja favor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que tua alma n\u00e3o sente nada? Certamente, porque ela est\u00e1 morta. Por que morta? Porque sua vida se afastou, essa vida \u00e9 Deus. Pois, onde Deus est\u00e1, h\u00e1 caridade, amor e compaix\u00e3o pelos vizinhos, pois Deus \u00e9 essa caridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Se fosses um membro vivo, como poderia alguma parte de teu corpo doer sem que entriste\u00e7as? Tome um sinal mais evidente. Enganaste teu amigo, cometeste adult\u00e9rio, tua alma sofreu um ferimento mortal e ainda assim n\u00e3o te incomodas, alegrando-te como se tivesses obtido uma grande vit\u00f3ria, orgulhando-te do que cometeste vergonhosamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredite firmemente: tua alma est\u00e1 morta. Teu corpo n\u00e3o est\u00e1 vivo se n\u00e3o sentir o belisc\u00e3o de um alfinete. E estar\u00e1 tua alma viva quando falta a sensa\u00e7\u00e3o de um ferimento t\u00e3o grande? Ouve algu\u00e9m usando comunica\u00e7\u00e3o impr\u00f3pria, palavras difamat\u00f3rias, impuras e obscenas, enfurecendo-se contra o pr\u00f3ximo: n\u00e3o penses que a alma desse homem est\u00e1 viva. Um cad\u00e1ver podre repousa no sepulcro daquele est\u00f4mago, de onde emana um fedor que infecta todos que se aproximam. Cristo chamou os fariseus de sepulcros caiados. Por qu\u00ea? Porque eles carregam almas mortas consigo. O rei Davi, o profeta, diz: \u201cA garganta deles \u00e9 um sepulcro aberto, falam enganosamente com suas l\u00ednguas.\u201d Os corpos dos santos s\u00e3o os templos do Esp\u00edrito Santo. Os corpos dos homens impr\u00f3prios s\u00e3o sepulcros de cad\u00e1veres mortos, para os quais as interpreta\u00e7\u00f5es dos gram\u00e1ticos podem ser aplicadas: \u201cSoma quasi Sima.\u201d \u00c9 chamado de corpo porque \u00e9 sepultamento, o t\u00famulo da alma. O peito \u00e9 o sepulcro, a boca e a garganta s\u00e3o a abertura do sepulcro, e o corpo desprovido da alma n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o morto quanto a alma quando \u00e9 abandonada por Deus. Nenhum cad\u00e1ver cheira t\u00e3o mal quanto o fedor de uma alma enterrada h\u00e1 quatro dias, ofendendo a Deus e a todos os santos.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, conclui-se que sempre que palavras sem vida emergirem de teu cora\u00e7\u00e3o, isso deve indicar que um cad\u00e1ver inerte est\u00e1 enterrado em teu interior. Pois quando, de acordo com o Evangelho, a boca fala a partir da abund\u00e2ncia do cora\u00e7\u00e3o, sem d\u00favida expressaria as palavras vivas de Deus, se houvesse vida presente, ou seja, Deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outra passagem do Evangelho, os disc\u00edpulos dizem a Cristo: \u201cMestre, para onde iremos? Tu tens as palavras da vida.\u201d Por que, questiono eu, as palavras da vida? Certamente, porque elas flu\u00edram da alma em que a Divindade, que nos restaurou \u00e0 vida imortal, nunca se afastou nem por um momento.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0s vezes, o m\u00e9dico alivia o corpo quando est\u00e1s doente. Homens bons e santos ressuscitaram por vezes o corpo da morte para a vida. No entanto, uma alma morta somente Deus, com Seu poder livre e singular, pode restaurar \u00e0 vida. Ainda assim, Ele n\u00e3o a restaura se, estando morta, ela tiver abandonado o corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, da morte corporal h\u00e1 pouco ou nenhum sentimento. Mas da alma, o sentimento \u00e9 eterno. Mesmo que a alma, nesse caso, esteja mais do que morta em rela\u00e7\u00e3o ao sentimento da morte eterna, ela \u00e9 sempre imortal.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, considerando que precisamos enfrentar um perigo t\u00e3o estranho e not\u00e1vel, quanta apatia, neglig\u00eancia e insensatez demonstra a nossa mente, que n\u00e3o \u00e9 estimulada pelo medo de um mal t\u00e3o imenso. Por outro lado, n\u00e3o h\u00e1 motivo para a grandeza do perigo ou a quantidade, viol\u00eancia e ast\u00facia dos teus advers\u00e1rios diminu\u00edrem a coragem da tua mente. Lembra-te do grave advers\u00e1rio que enfrentas. Lembra-te tamb\u00e9m da pronta ajuda e socorro que tens \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do outro lado.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora haja in\u00fameros contra ti, aquele que est\u00e1 do teu lado tem mais poder do que todos eles juntos. Se Deus est\u00e1 a nosso favor, quem importa estar contra n\u00f3s? Se Ele te sustenta, quem te derrubar\u00e1? Por\u00e9m, deves ser inflamado com um desejo fervoroso de vit\u00f3ria em todo o teu cora\u00e7\u00e3o e mente.<\/p>\n\n\n\n<p>Lembra-te de que n\u00e3o est\u00e1s lutando contra um soldado novo ou um advers\u00e1rio recente, mas contra aquele que foi derrotado, derrubado, saqueado e levado cativo em triunfo por n\u00f3s muitos anos atr\u00e1s, em Cristo, nossa cabe\u00e7a. Por Seu poder, sem d\u00favida, ele ser\u00e1 subjugado novamente em n\u00f3s tamb\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, toma cuidado para seres um membro do corpo, e ser\u00e1s capaz de fazer todas as coisas no poder da cabe\u00e7a. Em ti mesmo, \u00e9s fraco; nele \u00e9s corajoso, e n\u00e3o h\u00e1 nada que n\u00e3o sejas capaz de fazer.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, o desfecho da nossa batalha n\u00e3o \u00e9 incerto; a vit\u00f3ria n\u00e3o est\u00e1 \u00e0 merc\u00ea da sorte, mas reside plenamente nas m\u00e3os de Deus e, atrav\u00e9s Dele, nas nossas pr\u00f3prias m\u00e3os. Aqui, ningu\u00e9m \u00e9 derrotado, exceto aquele que optou por n\u00e3o lutar.<\/p>\n\n\n\n<p>A benignidade do nosso protetor nunca falhou para com o homem. Se prestar aten\u00e7\u00e3o para responder e desempenhar tua parte mais uma vez, ter\u00e1s a certeza da vit\u00f3ria. Pois Ele lutar\u00e1 por ti, e Sua generosidade ser\u00e1 creditada a ti como m\u00e9rito. Deves expressar completa gratid\u00e3o pela vit\u00f3ria, pois antes de tudo, Ele, sendo imaculado, puro e livre do pecado, suprimiu a tirania do pecado. Mas esta vit\u00f3ria n\u00e3o ser\u00e1 alcan\u00e7ada sem a tua pr\u00f3pria dilig\u00eancia. Aquele que disse \u201cTende confian\u00e7a, Eu venci o mundo\u201d deseja que mantenhas a coragem, por\u00e9m n\u00e3o negligente e descuidada. Desta forma, a conclus\u00e3o est\u00e1 em Sua for\u00e7a e atrav\u00e9s Dele, venceremos.<\/p>\n\n\n\n<p>Aprendendo com Seu exemplo, lutaremos como Ele lutou. Portanto, deves manter um curso equilibrado, como entre Cila e Car\u00edbdis. N\u00e3o te tornes excessivamente audacioso devido \u00e0 gra\u00e7a de Deus, nem te tornes desatento e imprudente. Ao mesmo tempo, n\u00e3o desconfies demais de tu mesmo, temendo as dificuldades da guerra a ponto de rejeitar a coragem, a aud\u00e1cia e a confian\u00e7a mental, assim como a armadura e as armas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p>Gostou da amostra? <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/manual-do-cavaleiro-cristao\/\">Clique aqui<\/a> e saiba como adquirir o livro ou o ebook.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Leia, a seguir, o cap\u00edtulo 1 do &#8220;Manual do Cavaleiro Crist\u00e3o&#8221; de Erasmo de Rotterdam. Caso deseje adquirir a obra completa, clique aqui, ou na imagem da capa do livro. Devemos vigiar e olhar ao nosso redor constantemente enquanto estivermos nesta vida O ponto inicial a ser sempre lembrado \u00e9\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/01\/06\/manual-do-cavaleiro-cristao-de-erasmo-de-rotterdam\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":764,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,31],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/766"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=766"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/766\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":767,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/766\/revisions\/767"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/764"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=766"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=766"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=766"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}