{"id":809,"date":"2022-07-14T17:31:00","date_gmt":"2022-07-14T17:31:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=809"},"modified":"2024-03-14T17:34:46","modified_gmt":"2024-03-14T17:34:46","slug":"ensaio-sobre-a-natureza-e-funcao-do-sacrificio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2022\/07\/14\/ensaio-sobre-a-natureza-e-funcao-do-sacrificio\/","title":{"rendered":"Ensaio sobre a natureza e fun\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio"},"content":{"rendered":"\n<p>A seguir, voc\u00ea ir\u00e1 ler um trecho da obra &#8220;Ensaio sobre a Natureza e Fun\u00e7\u00e3o do Sacrif\u00edcio&#8221; de Marcel Mauss e Henri Hubert. Caso deseje conhecer mais detalhes da obra, ou saber como adquiri-la, clique na capa do livro.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/ensaio-sobre-a-natureza-e-funcao-do-sacrificio\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_sacrificio.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-806\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_sacrificio.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_sacrificio-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_sacrificio-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>V. O sacrif\u00edcio do deus<\/a><\/h1>\n\n\n\n<p>A singular import\u00e2ncia da v\u00edtima se manifesta claramente em uma das formas mais desenvolvidas da evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica do sistema sacrificial: o sacrif\u00edcio do deus. De fato, \u00e9 no sacrif\u00edcio de uma pessoa divina que a ideia do sacrif\u00edcio atinge sua express\u00e3o mais elevada. \u00c9 sob essa forma que ele penetrou nas religi\u00f5es mais recentes, dando origem a cren\u00e7as e pr\u00e1ticas que perduram at\u00e9 hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos analisar como os sacrif\u00edcios agr\u00e1rios puderam fornecer um ponto de partida para essa evolu\u00e7\u00e3o. Mannhardt e Frazer<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a> j\u00e1 perceberam bem que havia estreitas rela\u00e7\u00f5es entre o sacrif\u00edcio do deus e os sacrif\u00edcios agr\u00e1rios. N\u00e3o iremos retomar os pontos da quest\u00e3o que eles abordaram. No entanto, buscaremos, com alguns fatos adicionais, mostrar como essa forma de sacrif\u00edcio se relaciona fundamentalmente com o pr\u00f3prio mecanismo sacrificial. Nosso esfor\u00e7o principal ser\u00e1 especialmente determinar a consider\u00e1vel participa\u00e7\u00e3o que a mitologia teve nesse desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que um deus possa desempenhar o papel de v\u00edtima dessa maneira, \u00e9 necess\u00e1rio que haja alguma afinidade entre sua natureza e a das v\u00edtimas. Para que ele se submeta \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o sacrificial, \u00e9 preciso que tenha sua origem no pr\u00f3prio sacrif\u00edcio. Essa condi\u00e7\u00e3o parece, de certa forma, preenchida por todos os sacrif\u00edcios; pois a v\u00edtima sempre possui algo de divino que \u00e9 liberado pelo sacrif\u00edcio. No entanto, uma v\u00edtima divina n\u00e3o \u00e9 um deus-v\u00edtima<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. N\u00e3o devemos confundir o car\u00e1ter sagrado que as coisas religiosas adquirem com essas personalidades definidas, que s\u00e3o objetos de mitos e ritos igualmente definidos, e que s\u00e3o chamadas de deuses. Nos sacrif\u00edcios objetivos, \u00e9 verdade, j\u00e1 vimos surgir da v\u00edtima seres cuja fisionomia era mais precisa apenas porque estavam ligados a um objeto e a uma fun\u00e7\u00e3o espec\u00edficos. Mesmo nos sacrif\u00edcios de constru\u00e7\u00e3o, acontece de o esp\u00edrito criado ser quase um deus. No entanto, essas personalidades m\u00edticas geralmente permanecem vagas e indefinidas. \u00c9 especialmente nos sacrif\u00edcios agr\u00e1rios que elas alcan\u00e7am sua maior determina\u00e7\u00e3o. Eles devem esse privil\u00e9gio a diferentes causas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, nesses sacrif\u00edcios, o deus e a v\u00edtima sacrificada s\u00e3o particularmente homog\u00eaneos. O esp\u00edrito de uma casa \u00e9 algo diferente da casa que ele protege. O esp\u00edrito do trigo, ao contr\u00e1rio, \u00e9 quase indistingu\u00edvel do trigo que o incorpora. Ao deus da cevada, oferecem-se v\u00edtimas feitas da cevada em que ele reside. Portanto, \u00e9 previs\u00edvel que, devido a essa homogeneidade e \u00e0 fus\u00e3o resultante, a v\u00edtima possa comunicar ao esp\u00edrito sua individualidade. Enquanto ela \u00e9 simplesmente a primeira gavela da colheita ou os primeiros frutos da safra, o esp\u00edrito permanece, como ela, essencialmente agr\u00e1rio<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Assim, ele sai do campo apenas para retornar imediatamente; ele se concretiza apenas quando se concentra na v\u00edtima. Assim que ela \u00e9 imolada, ele se difunde novamente por toda a esp\u00e9cie agr\u00edcola da qual faz parte e volta a ser vago e impessoal. Para que sua personalidade se destaque, \u00e9 necess\u00e1rio que os la\u00e7os que o ligam aos campos se relaxem; e, para isso, \u00e9 necess\u00e1rio que a v\u00edtima em si se afaste menos das coisas que representa. Um primeiro passo \u00e9 dado nesse sentido quando, como frequentemente acontece, a gavela consagrada recebe o nome ou at\u00e9 a forma de um animal ou de um homem. \u00c0s vezes, at\u00e9 para tornar a transi\u00e7\u00e3o mais percept\u00edvel, inclui-se<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a> um animal vivo, uma vaca, um bode, um galo, por exemplo, que se torna a vaca, o bode, o galo da colheita. A v\u00edtima perde assim parte de seu car\u00e1ter agr\u00e1rio e, na mesma medida, o g\u00eanio se desvincula de seu suporte. Essa independ\u00eancia aumenta ainda mais quando a gavela \u00e9 substitu\u00edda por uma v\u00edtima animal. Nesse caso, a rela\u00e7\u00e3o que ela mant\u00e9m com o que incorpora torna-se t\u00e3o distante que, por vezes, \u00e9 dif\u00edcil perceb\u00ea-la. A compara\u00e7\u00e3o foi capaz de descobrir que o touro e o bode de Dion\u00edsio, o cavalo ou o porco de Dem\u00e9ter, eram encarna\u00e7\u00f5es da vida dos cereais e das vinhas. Mas a diferencia\u00e7\u00e3o torna-se especialmente evidente quando o papel \u00e9 assumido por um homem<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a> que traz consigo sua pr\u00f3pria autonomia. Ent\u00e3o, o g\u00eanio torna-se uma personalidade moral que tem um nome, que come\u00e7a a existir na lenda fora das festas e dos sacrif\u00edcios. Dessa forma, pouco a pouco, a alma da vida nos campos<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a> torna-se exterior aos campos e se individualiza.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m dessa primeira causa, outra se adicionou. O sacrif\u00edcio determina, por si s\u00f3, uma exalta\u00e7\u00e3o das v\u00edtimas que as diviniza diretamente. Muitas s\u00e3o as lendas que narram essas apoteoses. H\u00e9racles s\u00f3 foi admitido no Olimpo ap\u00f3s seu suic\u00eddio no monte Oeta. Attis<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> e Eshmun<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> foram animados por uma vida divina ap\u00f3s suas mortes. A constela\u00e7\u00e3o de Virgem \u00e9 nada menos que Erigone, uma deusa agr\u00e1ria que se enforcou<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. No M\u00e9xico, um mito contava que o sol e a lua haviam sido criados por um sacrif\u00edcio<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>; a deusa Toci, m\u00e3e dos deuses, tamb\u00e9m era apresentada como uma mulher divinizada por um sacrif\u00edcio<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. No mesmo pa\u00eds, durante a festa do deus Totec, quando se sacrificavam e esfolavam cativos, um sacerdote vestia a pele de um deles; ele se tornava ent\u00e3o a imagem do deus, usando seus ornamentos e trajes, sentando-se em um trono e recebendo, em vez do deus, imagens dos primeiros frutos<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Na lenda cretense de Dion\u00edsio, o cora\u00e7\u00e3o do deus, que foi massacrado pelos Tit\u00e3s, foi colocado em um <em>xoanon<\/em> onde deveria ser adorado<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a>. F\u00edlon de Biblos usa uma express\u00e3o significativa para expressar o estado de Oceano, mutilado por seu filho Cronos: \u201cele foi consagrado\u201d \u03ac\u03c6\u03b9\u03b5\u03c1\u03ce\u03b8\u03b7<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>. Nessas lendas, persiste a consci\u00eancia obscura da virtude do sacrif\u00edcio. A marca disso tamb\u00e9m persiste nos rituais. Por exemplo, em Jumi\u00e8ges, onde o papel de g\u00eanio animal da vegeta\u00e7\u00e3o era desempenhado por um homem cujo of\u00edcio durava um ano e come\u00e7ava no dia de S\u00e3o Jo\u00e3o, fingiam jogar o futuro <em>lobo verde<\/em> na fogueira; ap\u00f3s essa simula\u00e7\u00e3o de execu\u00e7\u00e3o, seu predecessor lhe entregava seus emblemas<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. A cerim\u00f4nia n\u00e3o tinha apenas o efeito de personificar o g\u00eanio agr\u00e1rio. Ele nascia no pr\u00f3prio sacrif\u00edcio<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. Dado que n\u00e3o h\u00e1 motivo para distinguir os dem\u00f4nios das v\u00edtimas agr\u00e1rias, esses fatos s\u00e3o exatamente exemplos do que dissemos sobre a consagra\u00e7\u00e3o e seus efeitos diretos. A apoteose sacrificial n\u00e3o \u00e9 sen\u00e3o o renascimento da v\u00edtima. Sua diviniza\u00e7\u00e3o \u00e9 um caso especial e uma forma superior de santifica\u00e7\u00e3o e separa\u00e7\u00e3o. No entanto, essa forma aparece pouco nos sacrif\u00edcios nos quais, pela localiza\u00e7\u00e3o, concentra\u00e7\u00e3o e acumula\u00e7\u00e3o de um car\u00e1ter sagrado, a v\u00edtima \u00e9 investida com um m\u00e1ximo de santidade que o sacrif\u00edcio organiza e personifica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para que o sacrif\u00edcio do deus seja poss\u00edvel. Mas para que ele se torne uma realidade, n\u00e3o \u00e9 suficiente que o deus tenha sa\u00eddo da v\u00edtima: ele deve ainda manter toda a sua natureza divina quando retorna ao sacrif\u00edcio para se tornar a pr\u00f3pria v\u00edtima. Isso significa que a personifica\u00e7\u00e3o resultante deve se tornar duradoura e necess\u00e1ria. Essa associa\u00e7\u00e3o indissol\u00favel entre seres ou uma esp\u00e9cie de seres e uma virtude sobrenatural \u00e9 o fruto da periodicidade dos sacrif\u00edcios, que \u00e9 precisamente o tema aqui. A repeti\u00e7\u00e3o dessas cerim\u00f4nias, nas quais, devido ao h\u00e1bito ou por qualquer outra raz\u00e3o, uma mesma v\u00edtima reaparecia em intervalos regulares, criou uma esp\u00e9cie de personalidade cont\u00ednua. O sacrif\u00edcio, mantendo seus efeitos secund\u00e1rios, a cria\u00e7\u00e3o da divindade \u00e9 obra dos sacrif\u00edcios anteriores. E isso n\u00e3o \u00e9 um fato acidental e sem import\u00e2ncia, pois, em uma religi\u00e3o t\u00e3o abstrata quanto o cristianismo, a figura do cordeiro pascal, v\u00edtima habitual de um sacrif\u00edcio agr\u00e1rio ou pastoral, persistiu e ainda hoje \u00e9 usada para designar Cristo, ou seja, Deus. O sacrif\u00edcio forneceu os elementos da simbologia divina.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 a imagina\u00e7\u00e3o dos criadores de mitos que concluiu a elabora\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio do deus. De fato, ela primeiro proporcionou um status, uma hist\u00f3ria e, consequentemente, uma vida mais cont\u00ednua \u00e0 personalidade intermitente, opaca e passiva que surgia da periodicidade dos sacrif\u00edcios. Al\u00e9m disso, ao libert\u00e1-la de sua casca terrena, tornou-a mais divina. \u00c0s vezes, \u00e9 poss\u00edvel acompanhar no mito as diferentes fases dessa diviniza\u00e7\u00e3o progressiva. Por exemplo, a grande festa d\u00f3rica da Carneia, celebrada em homenagem a Apolo Carneio, tinha sido institu\u00edda, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, para expiar o assassinato do adivinho Karnos, morto pelo descendente de H\u00e9racles, Hipotes<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a>. Agora, Apolo Carneio \u00e9 nada mais do que o adivinho Karnos, cujo sacrif\u00edcio \u00e9 realizado e expiado como o dos Dipolia; e Karnos ele mesmo, \u201co cornudo\u201d<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a>, se confunde com o her\u00f3i Krios, \u201co carneiro\u201d<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>, a hip\u00f3stase da v\u00edtima animal primitiva. A partir do sacrif\u00edcio do carneiro, a mitologia criou o assassinato de um her\u00f3i e, depois, transformou-o em um grande deus nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, se a mitologia elaborou a representa\u00e7\u00e3o do divino, ela n\u00e3o trabalhou com dados arbitr\u00e1rios. Os mitos mant\u00eam a marca de sua origem: um sacrif\u00edcio mais ou menos deturpado forma o epis\u00f3dio central e o n\u00facleo da vida lend\u00e1ria dos deuses que surgiram de um sacrif\u00edcio. S. L\u00e9vi explicou o papel dos ritos sacrificiais na mitologia bram\u00e2nica<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>. Vejamos como, mais especificamente, a hist\u00f3ria dos deuses agr\u00e1rios \u00e9 tecida sobre um fundo de ritos agr\u00e1rios. Para demonstrar isso, vamos agrupar alguns tipos de lendas gregas e sem\u00edticas, pr\u00f3ximas \u00e0s de Attis e Ad\u00f4nis, que s\u00e3o tantas deforma\u00e7\u00f5es do tema do sacrif\u00edcio do deus. Algumas s\u00e3o mitos que explicam a institui\u00e7\u00e3o de certas cerim\u00f4nias, outras s\u00e3o contos, geralmente derivados de mitos semelhantes aos primeiros<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a>. Muitas vezes, os rituais comemorativos que correspondem a essas lendas (dramas sagrados, prociss\u00f5es<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a> etc.) n\u00e3o t\u00eam, pelo que sabemos, nenhum dos caracteres do sacrif\u00edcio. Mas o tema do sacrif\u00edcio do deus \u00e9 um motivo que a imagina\u00e7\u00e3o mitol\u00f3gica utiliza livremente.<\/p>\n\n\n\n<p>O t\u00famulo de Zeus em Creta<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a>, a morte de Pan<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\">[24]<\/a>, a de Adonis s\u00e3o bastante conhecidos para que seja suficiente mencion\u00e1-los. Adonis deixou na mitologia s\u00edria descendentes que compartilham seu destino<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a>. Em alguns casos, \u00e9 verdade, os t\u00famulos divinos podem ser monumentos do culto dos mortos. Mas na maioria das vezes, na nossa opini\u00e3o, a morte m\u00edtica do deus lembra o sacrif\u00edcio ritual; ela \u00e9 cercada pela lenda, ali\u00e1s obscura, mal transmitida, com circunst\u00e2ncias incompletas que permitem determinar sua verdadeira natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tabuleta ass\u00edria da lenda de Adapa<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a>: \u201cDa terra, dois deuses desapareceram; por isso, visto o traje de luto. Quem s\u00e3o esses dois deuses? Eles s\u00e3o Du-mu-zu e Gish-zi-da.\u201d A morte de Du-mu-zu \u00e9 um sacrif\u00edcio m\u00edtico. A prova disso \u00e9 dada pelo fato de Ishtar, sua m\u00e3e e esposa, querer ressuscit\u00e1-lo<a href=\"#_ftn27\" id=\"_ftnref27\">[27]<\/a> derramando \u00e1gua da fonte da vida sobre seu cad\u00e1ver, que ela vai buscar no submundo; ela imita assim os ritos de algumas festas agr\u00e1rias. Quando o esp\u00edrito do campo morre ou \u00e9 morto, seu cad\u00e1ver \u00e9 lan\u00e7ado na \u00e1gua ou \u00e9 aspergido com \u00e1gua. Ent\u00e3o, quer ele ressuscite, quer uma \u00e1rvore de maio cres\u00e7a em sua sepultura, a vida renasce. Aqui, \u00e9 a \u00e1gua derramada sobre o cad\u00e1ver e a ressurrei\u00e7\u00e3o que nos levam a assimilar o deus morto a uma v\u00edtima agr\u00e1ria; no mito de Os\u00edris, \u00e9 a dispers\u00e3o do cad\u00e1ver e a \u00e1rvore que cresce sobre o sarc\u00f3fago<a href=\"#_ftn28\" id=\"_ftnref28\">[28]<\/a>. Em Tr\u00e9z\u00e8ne, no per\u00edbolo do templo de Hip\u00f3lito, era comemorado por uma festa anual a \u03bb\u03b9\u03c4\u03bf\u03b2\u03cc\u03bb\u03b9\u03b1, a morte das deusas Damia e Auxesia, virgens, estrangeiras, vindas de Creta, que haviam sido, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, apedrejadas durante uma revolta<a href=\"#_ftn29\" id=\"_ftnref29\">[29]<\/a>. As deusas estrangeiras s\u00e3o o estranho, o passante que frequentemente desempenha um papel nas festas da colheita; o apedrejamento \u00e9 um rito de sacrif\u00edcio. Muitas vezes, uma simples ferida do deus equivale \u00e0 sua morte anual. Belen, adormecido no Blumenthal ao p\u00e9 do monte Guebwiller, foi ferido no p\u00e9 por um javali, como Adonis; de cada gota de sangue que escorria de sua ferida, nasceu uma flor<a href=\"#_ftn30\" id=\"_ftnref30\">[30]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A morte do deus \u00e9 frequentemente um suic\u00eddio. H\u00e9racles no Oeta, Melcarte em Tiro<a href=\"#_ftn31\" id=\"_ftnref31\">[31]<\/a>, o deus Sand\u00e9s ou Sandon em Tarso<a href=\"#_ftn32\" id=\"_ftnref32\">[32]<\/a>, Dido em Cartago, colocaram fogo em si mesmos. A morte de Melcarte era comemorada por uma festa a cada ver\u00e3o; era uma festa da colheita. A mitologia grega conhece deusas que tinham o t\u00edtulo de \u2018\u0391\u03c0\u03b1\u03b3\u03c7\u03bf\u03bc\u03ad\u03bd\u03b7, ou seja, deusas \u201cdependuradas\u201d: como \u00c1rtemis, H\u00e9cate, Helena<a href=\"#_ftn33\" id=\"_ftnref33\">[33]<\/a>. Em Atenas, a deusa dependurada era Er\u00edgone, m\u00e3e de Estafilos, o her\u00f3i da uva<a href=\"#_ftn34\" id=\"_ftnref34\">[34]<\/a>. Em Delfos, ela se chamava Carila<a href=\"#_ftn35\" id=\"_ftnref35\">[35]<\/a>. Carila, dizia a lenda, era uma menina que, durante uma fome, foi pedir ao rei sua parte da \u00faltima distribui\u00e7\u00e3o; espancada e expulsa por ele, ela se enforcou em um vale afastado. No entanto, uma festa anual, institu\u00edda, dizem, por ordem da Pitonisa, era celebrada em sua honra. Come\u00e7ava com uma distribui\u00e7\u00e3o de trigo; depois, fabricava-se uma imagem de Carila, batia-se nela, era pendurada e enterrada. Em outras lendas, o deus se inflige uma mutila\u00e7\u00e3o da qual, \u00e0s vezes, ele morre. Esse \u00e9 o caso de Attis e Eshmun, que, perseguidos por Astronoe, se mutilaram com um machado.<\/p>\n\n\n\n<p>Frequentemente, esse epis\u00f3dio era um fundador do culto ou o primeiro sacerdote do deus cujo mito narrava a morte. Assim, em Iton, Iodama, sobre cujo t\u00famulo ardia uma chama sagrada, era sacerdotisa de Atena Itonia<a href=\"#_ftn36\" id=\"_ftnref36\">[36]<\/a>. Da mesma forma, Aglaure, em Atenas, cujas Plinterias supostamente expiavam a morte, era tamb\u00e9m sacerdotisa de Atena. Na realidade, o sacerdote e o deus s\u00e3o um s\u00f3 e mesmo ser. Sabemos, de fato, que o sacerdote pode ser, assim como a v\u00edtima, uma encarna\u00e7\u00e3o do deus; frequentemente, ele se disfar\u00e7a \u00e0 sua imagem. Mas h\u00e1 aqui uma primeira diferencia\u00e7\u00e3o, uma esp\u00e9cie de desdobramento mitol\u00f3gico do ser divino e da v\u00edtima<a href=\"#_ftn37\" id=\"_ftnref37\">[37]<\/a>. Gra\u00e7as a esse desdobramento, o deus parece escapar \u00e0 morte.<\/p>\n\n\n\n<p>A diferencia\u00e7\u00e3o de outro tipo \u00e9 respons\u00e1vel pelos mitos cujo epis\u00f3dio central \u00e9 a luta de um deus com um monstro ou outro deus. Tais s\u00e3o, na mitologia babil\u00f4nica, as lutas de Marduk com Tiamat, ou seja, o Caos<a href=\"#_ftn38\" id=\"_ftnref38\">[38]<\/a>; de Perseu matando a G\u00f3rgona ou o drag\u00e3o de Jope, de Belerofonte lutando contra a Quimera, de S\u00e3o Jorge vencendo o Dajjal<a href=\"#_ftn39\" id=\"_ftnref39\">[39]<\/a>. Isso tamb\u00e9m ocorre nos trabalhos de H\u00e9racles e, finalmente, em todas as teomaquias; porque, nesses combates, o derrotado \u00e9 t\u00e3o divino quanto o vencedor.<\/p>\n\n\n\n<p>Este epis\u00f3dio \u00e9 uma das formas mitol\u00f3gicas do sacrif\u00edcio do deus. Essas lutas divinas, de fato, equivalem \u00e0 morte de um \u00fanico deus. Elas se alternam nas mesmas festas<a href=\"#_ftn40\" id=\"_ftnref40\">[40]<\/a>. Os Jogos \u00cdstmicos, celebrados na primavera, comemoram ou a morte de Melicerte ou a vit\u00f3ria de Teseu sobre Sinis. Os Jogos Nemeus celebram ou a morte de Arquemoro ou a vit\u00f3ria de H\u00e9racles sobre o le\u00e3o de Nemeia. Eles s\u00e3o acompanhados \u00e0s vezes pelos mesmos incidentes. A derrota do monstro \u00e9 seguida do casamento do deus, de Perseu com Andr\u00f4meda, de H\u00e9racles com Hes\u00edone; a noiva exposta ao monstro e libertada pelo her\u00f3i n\u00e3o \u00e9 outra, ali\u00e1s, sen\u00e3o a Maibraut das lendas alem\u00e3s perseguida pelos esp\u00edritos da ca\u00e7a selvagem. Agora, no culto de \u00c1tis, o casamento sagrado segue a morte e a ressurrei\u00e7\u00e3o do deus. Eles ocorrem em circunst\u00e2ncias an\u00e1logas e t\u00eam o mesmo objetivo. A vit\u00f3ria de um jovem deus contra um monstro antigo \u00e9 um rito da primavera. A festa de Marduk, no primeiro dia de Nis\u00e3, repetia sua vit\u00f3ria sobre Tiamat<a href=\"#_ftn41\" id=\"_ftnref41\">[41]<\/a>. A festa de S\u00e3o Jorge, ou seja, a derrota do drag\u00e3o, era celebrada em 23 de abril<a href=\"#_ftn42\" id=\"_ftnref42\">[42]<\/a>. Ora, era na primavera que morria \u00c1tis. \u2013 Finalmente, se \u00e9 verdade, como relatou Beroso, que uma vers\u00e3o da G\u00eanese ass\u00edria mostrava Bel se cortando ao meio para dar \u00e0 luz o mundo, os dois epis\u00f3dios aparecem simultaneamente na lenda do mesmo deus; o suic\u00eddio de Bel substitui seu duelo com o Caos<a href=\"#_ftn43\" id=\"_ftnref43\">[43]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para completar a prova da equival\u00eancia desses temas, digamos que frequentemente acontece de o deus morrer ap\u00f3s sua vit\u00f3ria. Em Grimm (Maerchen, 60), o her\u00f3i, ap\u00f3s adormecer ap\u00f3s a luta com o drag\u00e3o, \u00e9 assassinado; os animais que o acompanham o trazem de volta \u00e0 vida<a href=\"#_ftn44\" id=\"_ftnref44\">[44]<\/a>. A lenda de H\u00e9racles apresenta a mesma aventura: depois de matar Tif\u00e3o, sufocado pelo sopro do monstro, ele estava prostrado e inanimado; s\u00f3 foi ressuscitado por Iolau com a ajuda de uma codorna<a href=\"#_ftn45\" id=\"_ftnref45\">[45]<\/a>. Na lenda de Hes\u00edone, H\u00e9racles foi engolido por um cet\u00e1ceo. Castor, depois de matar Linceu, foi morto por Idas<a href=\"#_ftn46\" id=\"_ftnref46\">[46]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas equival\u00eancias e altern\u00e2ncias se explicam facilmente se considerarmos que os advers\u00e1rios colocados em confronto pelo tema da luta s\u00e3o o produto do desdobramento de um mesmo g\u00eanio. A origem dos mitos dessa forma foi geralmente esquecida; eles s\u00e3o apresentados como combates meteorol\u00f3gicos entre os deuses da luz e os das trevas ou do abismo<a href=\"#_ftn47\" id=\"_ftnref47\">[47]<\/a>, entre os deuses do c\u00e9u e os do inferno. No entanto, \u00e9 extremamente dif\u00edcil distinguir com clareza o car\u00e1ter de cada um dos combatentes. S\u00e3o seres de mesma natureza, cuja diferencia\u00e7\u00e3o, acidental e inst\u00e1vel, pertence \u00e0 imagina\u00e7\u00e3o religiosa. Sua parentela aparece plenamente no pante\u00e3o ass\u00edrio. Assur e Marduk, deuses solares, s\u00e3o os reis dos Annunakis, os sete deuses do abismo<a href=\"#_ftn48\" id=\"_ftnref48\">[48]<\/a>. Nergal, que \u00e0s vezes \u00e9 chamado de Gibil, deus do fogo, carrega em outro lugar um nome de monstro infernal. Quanto aos sete deuses do abismo, \u00e9 dif\u00edcil, especialmente nas mitologias que sucederam \u00e0 mitologia ass\u00edria, distingui-los dos sete deuses planet\u00e1rios, executores das vontades celestiais<a href=\"#_ftn49\" id=\"_ftnref49\">[49]<\/a>. Muito antes do sincretismo greco-romano que fazia do sol o senhor do Hades<a href=\"#_ftn50\" id=\"_ftnref50\">[50]<\/a> e aproximava Mitra de Plut\u00e3o e Tif\u00e3o<a href=\"#_ftn51\" id=\"_ftnref51\">[51]<\/a>, as t\u00e1buas ass\u00edrias diziam que Marduk governa o abismo<a href=\"#_ftn52\" id=\"_ftnref52\">[52]<\/a>, que Gibil, o fogo<a href=\"#_ftn53\" id=\"_ftnref53\">[53]<\/a>, e o pr\u00f3prio Marduk s\u00e3o filhos do abismo<a href=\"#_ftn54\" id=\"_ftnref54\">[54]<\/a>. Em Creta, os Tit\u00e3s que matavam Dion\u00edsio eram seus pais<a href=\"#_ftn55\" id=\"_ftnref55\">[55]<\/a>. Em outros lugares, os deuses inimigos eram irm\u00e3os, muitas vezes g\u00eameos<a href=\"#_ftn56\" id=\"_ftnref56\">[56]<\/a>. \u00c0s vezes, a luta ocorria entre um tio e seu sobrinho, ou mesmo entre um pai e seu filho<a href=\"#_ftn57\" id=\"_ftnref57\">[57]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na falta dessa parentela, outra rela\u00e7\u00e3o une os atores do drama e mostra sua identidade fundamental. O animal sagrado de Perseu em S\u00e9rifo era o caranguejo \u03ba\u03b1\u03c1\u03ba\u03af\u03bd\u03bf\u03c2<a href=\"#_ftn58\" id=\"_ftnref58\">[58]<\/a>. O caranguejo que, na lenda de S\u00e9rifo, era o inimigo do polvo, se junta \u00e0 hidra de Lerna, que \u00e9 um polvo, para lutar contra H\u00e9racles. O caranguejo, assim como o escorpi\u00e3o, \u00e9 \u00e0s vezes aliado, \u00e0s vezes inimigo do deus solar; no geral, s\u00e3o formas do mesmo deus. Os baixos-relevos mitraicos mostram Mitra montando o touro que ele vai sacrificar. Da mesma forma, Perseu montava P\u00e9gaso, nascido do sangue da G\u00f3rgona. O monstro ou o animal sacrificado servia como montaria para o deus vitorioso antes ou depois do sacrif\u00edcio. Em resumo, os dois deuses da luta ou da ca\u00e7a m\u00edtica s\u00e3o colaboradores. Mitra e o touro, diz Porf\u00edrio, s\u00e3o demiurgos da mesma forma<a href=\"#_ftn59\" id=\"_ftnref59\">[59]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, o sacrif\u00edcio havia gerado, na mitologia, uma infinidade de descendentes. De abstra\u00e7\u00e3o em abstra\u00e7\u00e3o, tornou-se um dos temas fundamentais das lendas divinas. Contudo, \u00e9 precisamente a introdu\u00e7\u00e3o desse epis\u00f3dio na lenda de um deus que determinou a forma\u00e7\u00e3o ritual do sacrif\u00edcio do deus. Sacerdote ou v\u00edtima, sacerdote e v\u00edtima, \u00e9 um deus j\u00e1 formado que age e sofre simultaneamente no sacrif\u00edcio. A divindade da v\u00edtima n\u00e3o se limita ao sacrif\u00edcio mitol\u00f3gico; ela tamb\u00e9m se manifesta no sacrif\u00edcio real correspondente. O mito, uma vez estabelecido, reage no ritual de onde surgiu e se concretiza. Assim, o sacrif\u00edcio do deus n\u00e3o \u00e9 simplesmente o tema de uma bela narrativa mitol\u00f3gica. Independentemente da personalidade que o deus adquiriu no sincretismo dos paganismos, seja ele adulto ou envelhecido, ainda \u00e9 o deus que sofre o sacrif\u00edcio; ele n\u00e3o \u00e9 apenas um figurante<a href=\"#_ftn60\" id=\"_ftnref60\">[60]<\/a>. Pelo menos, originalmente, h\u00e1 uma \u201cpresen\u00e7a real\u201d, assim como na missa cat\u00f3lica. S\u00e3o Cirilo<a href=\"#_ftn61\" id=\"_ftnref61\">[61]<\/a> relata que, em alguns combates rituais e peri\u00f3dicos de gladiadores, um certo Cronos \u03c4\u03b9\u03c2 \u039a\u03c1\u03cc\u03bd\u03bf\u03c2, escondido sob a terra, recebia o sangue purificador que flu\u00eda das feridas. Esse \u039a\u03c1\u03cc\u03bd\u03bf\u03c2 \u03c4\u03b9\u03c2 \u00e9 o Saturno das Saturn\u00e1lias, que, em outros rituais, era sacrificado<a href=\"#_ftn62\" id=\"_ftnref62\">[62]<\/a>. O nome dado ao representante do deus tendia a identific\u00e1-lo ao pr\u00f3prio deus. Por essa raz\u00e3o, o grande sacerdote de \u00c1tis, que tamb\u00e9m desempenhava o papel de v\u00edtima, tinha o nome de seu deus e predecessor m\u00edtico<a href=\"#_ftn63\" id=\"_ftnref63\">[63]<\/a>. A religi\u00e3o mexicana oferece exemplos bem conhecidos da identidade entre a v\u00edtima e o deus. Especialmente na festa de Huitzilopochtli<a href=\"#_ftn64\" id=\"_ftnref64\">[64]<\/a>, a pr\u00f3pria est\u00e1tua do deus, feita de pasta de beterraba amassada com sangue humano, era despeda\u00e7ada, compartilhada entre os fi\u00e9is e consumida. Sem d\u00favida, como observamos, em todo sacrif\u00edcio, a v\u00edtima possui algo do deus. Mas aqui ela \u00e9 o pr\u00f3prio deus, e \u00e9 essa identifica\u00e7\u00e3o que caracteriza o sacrif\u00edcio do deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas sabemos que o sacrif\u00edcio se repete periodicamente porque o ritmo da natureza exige essa periodicidade. O mito, portanto, faz o deus vivo sair da prova\u00e7\u00e3o apenas para submet\u00ea-lo novamente e assim comp\u00f5e sua vida como uma cadeia ininterrupta de paix\u00f5es e ressurrei\u00e7\u00f5es. Astarte ressuscita Adonis, Ishtar Tammuz, \u00cdsis Os\u00edris, Cibele Attis e Iolau H\u00e9racles<a href=\"#_ftn65\" id=\"_ftnref65\">[65]<\/a>. Dion\u00edsio, assassinado, \u00e9 concebido uma segunda vez por S\u00eamele<a href=\"#_ftn66\" id=\"_ftnref66\">[66]<\/a>. J\u00e1 estamos longe da apoteose que mencionamos no in\u00edcio deste cap\u00edtulo. O deus n\u00e3o sai mais do sacrif\u00edcio apenas para retornar a ele e vice-versa. N\u00e3o h\u00e1 mais interrup\u00e7\u00e3o em sua personalidade. Se for desmembrado, como Os\u00edris e P\u00e9lops, seus peda\u00e7os s\u00e3o recuperados, reunidos e revividos. Assim, o prop\u00f3sito primitivo do sacrif\u00edcio \u00e9 relegado \u00e0s sombras; n\u00e3o \u00e9 mais um sacrif\u00edcio agr\u00e1rio ou pastoral. O deus que vem como v\u00edtima possui exist\u00eancia pr\u00f3pria, com qualidades e poderes m\u00faltiplos. Isso leva a que o sacrif\u00edcio seja visto como uma repeti\u00e7\u00e3o e uma comemora\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio original do deus<a href=\"#_ftn67\" id=\"_ftnref67\">[67]<\/a>. \u00c0 lenda que o narra, geralmente, \u00e9 adicionada alguma circunst\u00e2ncia que garante sua perpetuidade. Quando um deus morre de uma morte mais ou menos natural, um or\u00e1culo prescreve um sacrif\u00edcio expiat\u00f3rio que reproduz a morte desse deus<a href=\"#_ftn68\" id=\"_ftnref68\">[68]<\/a>. Quando um deus vence outro, perpetua a mem\u00f3ria de sua vit\u00f3ria pela institui\u00e7\u00e3o de um culto<a href=\"#_ftn69\" id=\"_ftnref69\">[69]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante notar aqui que a abstra\u00e7\u00e3o que, no sacrif\u00edcio, gerava o deus, poderia dar outra apar\u00eancia \u00e0s mesmas pr\u00e1ticas. Por meio de um processo an\u00e1logo ao desdobramento que gerou as teomaquias, ela poderia separar o deus da v\u00edtima. Nos mitos estudados anteriormente, os dois advers\u00e1rios s\u00e3o igualmente divinos; um deles aparece como o sacerdote do sacrif\u00edcio no qual sucumbe seu predecessor. No entanto, a divindade virtual da v\u00edtima nem sempre se desenvolveu. Muitas vezes, ela permaneceu terrestre e, portanto, o deus criado, que uma vez saiu da v\u00edtima, agora permanece fora do sacrif\u00edcio. Nesse caso, a consagra\u00e7\u00e3o, que leva a v\u00edtima ao mundo sagrado, assume a forma de uma atribui\u00e7\u00e3o a uma pessoa divina, um presente. No entanto, mesmo nesse caso, ainda \u00e9 um animal sagrado que \u00e9 sacrificado, ou pelo menos algo que lembra a origem do sacrif\u00edcio. Em resumo, oferecia-se o deus a si mesmo: Dion\u00edsio, o carneiro, tornava-se Dion\u00edsio Cri\u00f3foro<a href=\"#_ftn70\" id=\"_ftnref70\">[70]<\/a>. \u00c0s vezes, ao contr\u00e1rio, como nos desdobramentos que resultaram nas teomaquias, o animal sacrificado era considerado um inimigo do deus<a href=\"#_ftn71\" id=\"_ftnref71\">[71]<\/a>. Se fosse imolado, era para expiar um erro cometido contra o deus por sua esp\u00e9cie. No caso do Virbius de Nemi, morto por cavalos, sacrificava-se um cavalo<a href=\"#_ftn72\" id=\"_ftnref72\">[72]<\/a>. A no\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio <em>ao<\/em> deus desenvolveu-se paralelamente \u00e0 do sacrif\u00edcio <em>do<\/em> deus.<\/p>\n\n\n\n<p>Os tipos de sacrif\u00edcio do deus que acabamos de revisar s\u00e3o concretizados e reunidos em conjunto em torno de um \u00fanico e mesmo rito hindu: o sacrif\u00edcio do soma<a href=\"#_ftn73\" id=\"_ftnref73\">[73]<\/a>. Primeiramente, podemos observar neste ritual o que \u00e9 um verdadeiro sacrif\u00edcio do deus. N\u00e3o podemos detalhar aqui como o deus Soma se confunde com a planta soma, como ele est\u00e1 realmente presente nela, nem descrever as cerim\u00f4nias nas quais ele \u00e9 conduzido e recebido no local do sacrif\u00edcio. Ele \u00e9 levado em um escudo, adorado, e ent\u00e3o pressionado e morto. Ent\u00e3o, a partir desses ramos pressionados, o deus se liberta e se espalha pelo mundo; uma s\u00e9rie de atribui\u00e7\u00f5es distintas o comunicam aos diferentes reinos da natureza. Essa presen\u00e7a real, esse nascimento do deus, sucedendo \u00e0 sua morte, s\u00e3o, de certa forma, as formas rituais do mito. Quanto \u00e0s formas puramente m\u00edticas que esse sacrif\u00edcio assumiu, elas s\u00e3o precisamente as que descrevemos anteriormente. Primeiramente, h\u00e1 a identifica\u00e7\u00e3o do deus Soma com o inimigo dos deuses, Vrtra, o dem\u00f4nio que ret\u00e9m os tesouros da imortalidade e que Indra mata<a href=\"#_ftn74\" id=\"_ftnref74\">[74]<\/a>. Pois, para explicar como um deus poderia ser morto, foi representado sob a forma de um dem\u00f4nio; \u00e9 o dem\u00f4nio que \u00e9 morto, e dele surge o deus; da m\u00e1 envoltura que o prendia, emerge a ess\u00eancia excelente. No entanto, em muitos casos, \u00e9 Soma quem mata Vrtra; de qualquer forma, \u00e9 ele quem d\u00e1 poder a Indra, o deus guerreiro, destruidor dos dem\u00f4nios. Em certos textos, \u00e9 at\u00e9 Soma quem \u00e9 seu pr\u00f3prio sacerdote; chega-se a retrat\u00e1-lo como o tipo dos sacerdotes celestiais. Da\u00ed para o suic\u00eddio do deus, a dist\u00e2ncia n\u00e3o era grande; os br\u00e2manes a transpuseram.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, eles destacaram um ponto importante na teoria do sacrif\u00edcio. Vimos que entre a v\u00edtima e o deus sempre h\u00e1 alguma afinidade: a Apolo Carneio s\u00e3o oferecidos carneiros, cevada a Varuna, e assim por diante. \u00c9 pelo semelhante que se alimenta o semelhante, e a v\u00edtima \u00e9 a comida dos deuses. Portanto, o sacrif\u00edcio foi rapidamente considerado como a pr\u00f3pria condi\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia divina. \u00c9 ele quem fornece a mat\u00e9ria imortal da qual os deuses vivem. Assim, n\u00e3o apenas \u00e9 no sacrif\u00edcio que alguns deuses nascem, mas tamb\u00e9m \u00e9 por meio do sacrif\u00edcio que todos mant\u00eam sua exist\u00eancia. Ele acabou por aparecer como a ess\u00eancia, a origem, o criador deles<a href=\"#_ftn75\" id=\"_ftnref75\">[75]<\/a>. Ele tamb\u00e9m \u00e9 o criador das coisas, pois \u00e9 nele que est\u00e1 o princ\u00edpio de toda vida. Soma \u00e9 ao mesmo tempo o sol e a lua no c\u00e9u, a nuvem, o raio e a chuva na atmosfera, o rei das plantas na terra; e no soma v\u00edtima, todas essas formas de Soma est\u00e3o reunidas. Ele \u00e9 o deposit\u00e1rio de todos os princ\u00edpios nutritivos e fecundantes da natureza. Ele \u00e9, ao mesmo tempo, alimento dos deuses e bebida embriagadora dos homens, autor da imortalidade dos primeiros e da vida ef\u00eamera dos \u00faltimos. Todas essas for\u00e7as s\u00e3o concentradas, criadas e distribu\u00eddas novamente pelo sacrif\u00edcio. Portanto, ele \u00e9 \u201co mestre dos seres\u201d, Praj\u0101pati. Ele \u00e9 o Purusha<a href=\"#_ftn76\" id=\"_ftnref76\">[76]<\/a> do famoso hino X, 90 do Rigueveda, do qual nascem os deuses, os ritos, os homens, as castas, o sol, a lua, as plantas, o gado; ele ser\u00e1 o br\u00e2mane na \u00cdndia cl\u00e1ssica. Todas as teologias lhe atribu\u00edram esse poder criativo. Espalhando e reunindo alternadamente a divindade, ele semeia os seres como Jas\u00e3o e Cadmo semeiam os dentes do drag\u00e3o de onde nascem os guerreiros. Da morte ele tira a vida. As flores e plantas brotam do cad\u00e1ver de Ad\u00f4nis; enxames de abelhas voam do corpo do le\u00e3o morto por Sans\u00e3o e do touro de Aristeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, a teologia tirou suas cosmogonias dos mitos sacrificiais. Ela explicou a cria\u00e7\u00e3o, assim como a imagina\u00e7\u00e3o popular explicava a vida anual da natureza, por meio de um sacrif\u00edcio. Para isso, ela transferiu o sacrif\u00edcio do deus para a origem do mundo<a href=\"#_ftn77\" id=\"_ftnref77\">[77]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cosmogonia ass\u00edria, o sangue de Tiamat vencida deu origem aos seres. A separa\u00e7\u00e3o dos elementos do caos foi concebida como o sacrif\u00edcio ou suic\u00eddio do demiurgo. Gunkel<a href=\"#_ftn78\" id=\"_ftnref78\">[78]<\/a> provou, acreditamos, que a mesma concep\u00e7\u00e3o foi encontrada nas cren\u00e7as populares dos hebreus. Ela aparece na mitologia n\u00f3rdica. Est\u00e1 tamb\u00e9m na base do culto mitraico. Os baixos-relevos tentam mostrar a vida que sai do touro sacrificado; sua cauda j\u00e1 termina com um ramalhete de espigas. Na \u00cdndia, por fim, a cria\u00e7\u00e3o cont\u00ednua das coisas por meio do rito acabou mesmo por se tornar uma cria\u00e7\u00e3o absoluta, <em>ex nihilo<\/em>. No in\u00edcio, nada existia. O Purusha desejou. Foi por meio de seu suic\u00eddio, pelo abandono de si mesmo, pelo ren\u00fancia ao seu corpo, modelo, mais tarde, da ren\u00fancia budista, que o deus fez a exist\u00eancia das coisas. Pode-se supor que, a esse grau de heroiza\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio, a periodicidade ainda persista. Os retornos ofensivos do caos e do mal requerem incessantemente novos sacrif\u00edcios, criadores e redentores. Assim transformado e, por assim dizer, sublimado, o sacrif\u00edcio foi preservado pela teologia crist\u00e3<a href=\"#_ftn79\" id=\"_ftnref79\">[79]<\/a>. Sua efic\u00e1cia foi simplesmente transferida do mundo f\u00edsico para o mundo moral. O sacrif\u00edcio redentor do deus perdura na missa di\u00e1ria. N\u00e3o pretendemos investigar como o ritual crist\u00e3o do sacrif\u00edcio foi constitu\u00eddo, nem como se relaciona com ritos anteriores. No entanto, ao longo deste trabalho, acreditamos poder algumas vezes aproximar as cerim\u00f4nias do sacrif\u00edcio crist\u00e3o daquelas que estudamos. Basta-nos aqui lembrar simplesmente a surpreendente semelhan\u00e7a e indicar como o desenvolvimento de ritos, t\u00e3o semelhantes aos do sacrif\u00edcio agr\u00e1rio, p\u00f4de dar origem \u00e0 concep\u00e7\u00e3o do sacrif\u00edcio, redentor e comunal, do Deus \u00fanico e transcendente. Nesse sentido, o sacrif\u00edcio crist\u00e3o \u00e9 um dos mais instrutivos que se pode encontrar na hist\u00f3ria. Nossos sacerdotes buscam, pelos mesmos procedimentos rituais, praticamente os mesmos efeitos que nossos ancestrais mais distantes. O mecanismo da consagra\u00e7\u00e3o da missa cat\u00f3lica \u00e9, em linhas gerais, o mesmo que o dos sacrif\u00edcios hindus. Ele nos apresenta, com uma clareza que n\u00e3o deixa nada a desejar, o ritmo alternado da expia\u00e7\u00e3o e da comunh\u00e3o. A imagina\u00e7\u00e3o crist\u00e3 construiu sobre bases antigas.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Mannhardt, W. F. K.; Mythologische Forschungen. \u2013 Frazer, Golden B., I, p. 213 e seguintes, II p. 1 e seguintes \u2013 Jevons, Introduction to the History of Religion. \u2013 Grant Allen, The Evolution of the Idea of God., cap. x e seguintes \u2013 Liebrecht, \u201cDer aufgefressene Gott.\u201d, in Zur Volskunde, p. 436, 439. \u2013 Goblet d\u2019Alviella, Les rites de la moisson, em Rev. hist. des relig., 1898, II, p. 1 e seguintes -Rob. Smith, \u201cSacrifice\u201d in Encyclopaedia Britannica. \u2013 Religion of Semites, p. 414 e seguintes \u2013 Vogt, Cong. inter. d\u2019arch\u00e9ol. pr\u00e9hist., Bologne, 1871, p. 325. N\u00e3o afirmamos que todos os sacrif\u00edcios ao deus sejam de origem agr\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Obviamente, reservamos o caso dos animais tot\u00eamicos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Mannhardt, Kornd\u00e4monen, Berl., 1868; W. F. K., et Mythol. Forsch. \u2013 Frazer, Gold. B., t. II, os in\u00fameros fatos citados: a v\u00edtima, o g\u00eanio do campo, o \u00faltimo feixe, todos t\u00eam o mesmo nome. Seguimos a apresenta\u00e7\u00e3o deles aqui.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> \u00c0s vezes, eles at\u00e9 colocam alimentos etc., neles, o que \u00e9 um sacrif\u00edcio muito elementar. Mannh. I, p. 215.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Mannh. W. F. K., I, p. 350, 363. \u2013 Frazer, Gold. B., 1, 381 e seguintes, Il, p. 21, 183 e seguintes -Porf. D. Abst., II, 27.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Cf. Frazer, Gold. B., I, p. 360.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> Arnob, Adv. nat., V, 5 e seguintes (Lenda de Agdistis que obt\u00e9m de Zeus que o cad\u00e1ver de \u00c1tis n\u00e3o se corroa). \u2013 Juliano, Or, V, p. 180.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> Phil. Byblos, 44.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> Roscher, Lexikon, art. Ikarios.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> Chavero, Mexico etc., p. 365.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> Cod. Ramirez. Relacion del origen de los Indios, ed. Vigil., p. 28. \u2013 Sahagun, Historia de las cosas da n. Espa\u00f1a, II, 11 et 30.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> Bancroft, Native Races of the Pacific States, Il, p. 319 e seguintes Cf. Frazer, Gold. B., p. 221.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> Firmicus Maternus, De errore profanarum religionum, 6. Royde, Psyche, II, p. 166. \u2013 Frazer, Paus\u00e2nias, t. V, p. 143.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> Phil. Bybl. (ed. Orelli), 34. \u2013 Cf. ainda Bull. Cor. Hell., 1896, P. 303 e seguintes. V. Inscri\u00e7\u00e3o de El-Bardj.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> Mann, W. F. K., II, p. 325.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> Na Lus\u00e1cia, o esp\u00edrito que vivia no trigo era chamado de homem morto. Gold. B., I, 265 e seguintes Cf. Mannhardt, W. F. K., I, p. 420. \u2013 Em outros casos, o nascimento do g\u00eanio era representado pela entrega do \u00faltimo feixe, os primeiros gr\u00e3os, na forma de uma crian\u00e7a ou de um pequeno animal (o <em>corn-baby<\/em> dos autores ingleses): o deus nascia do sacrif\u00edcio agr\u00e1rio. Consulte Mannhardt, Myth. Forsch, p. 62 e seguintes. -Frazer, Gold. B., I, p. 344; II, p. 23 e seguintes. \u2013 Nascimento dos deuses: de Zeus no Ida, e Gruppe, Griech. Myth, p. 248. \u2013 Lydus, De Mens, IV, 48 \u2013 Veja Paus\u00e2nias, VIII, 26, 4, para o nascimento de Atena em Alipbera e o culto a Zeus \u039b\u03b5\u03c7\u03ad\u03b1\u03c4\u03ae\u03c2. \u2013 Soma tamb\u00e9m \u00e9 frequentemente chamado de deus jovem, o mais jovem dos deuses (como Agni). Bergaigne, Rel. Ved. I, p. 244.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> Teopompo, fr. 171 (F. H. G., I, p. 307). \u2013 Paus\u00e2nias, III, 13, 4. Oinomaos em Eus\u00e9bio, Praep. Ev., V, 20, 3, p. 219. \u2013 Cf. Usener, Rh. Nus., LIII, 359 e seguintes \u2013 Cf. Para uma lenda do mesmo g\u00eanero id. Rh. Mus., LIII, p. 365 e seguintes<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> Consultar Hesych. s. v.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> Paus. III, 13, 3, e seguintes<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> Ver cap. II, cf. Bergaigne, vol. I, p. 101 e seguintes<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> Ver Usener, Sotff. d. Griech. Epos, III, G\u00f6ttliche Synon, v. C. R.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> Os epis\u00f3dios m\u00edticos geralmente est\u00e3o ligados a cerim\u00f4nias rituais. Cipriano, por exemplo, relata que em sua juventude ele havia sido um figurante em pe\u00e7as de teatros em Antioquia (Confessio SS. Cypriani, em AA. SS. set. 26, vol. VII, p. 205). Sobre a figura\u00e7\u00e3o de Apolo lutando contra P\u00edton em Delfos, ver Frazer, Paus\u00e2nias, III, p. 52, vol. V, p. 244.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a> Cirilo, Adv. Julian. X, p. 342, D. \u2013 Diodore, VI, 5, 3.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a> Mannhardt, B. W. F. K., II, p. 133, cf. p. 149.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a> Clermont-Ganneau, \u201cLa st\u00e8le de Byblos\u201d in Bibl. Ec. hautes \u00e9tudes, 44, p. 28. -Eerdmans, \u201cDer Ursprung der Zeremonien des Hosein Festes\u201d, in Zeitschr. f. Assyrologie, 1894, p. 280 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a> Harper, \u201cDie Babylonischen Legenden von Etana, Zu. Adapa\u201d (Delitzsch, Beitr. z. Assyr., II, 2, C, 22). \u2013 Cf. Stucken, Astralmythen, II, Lot., p. 89.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\" id=\"_ftn27\">[27]<\/a> Jeremias, Die H\u00f6llenfahrt der Ishtar (cf. A purufica\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver no ritual v\u00e9dico, p. 79 n\u00b0 4).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\" id=\"_ftn28\">[28]<\/a> Plut. De Iside et Osiride, \u00a7 13 e seguintes \u2013 Frazer, Gold. B., I, p. 301 e seguintes \u2013 Firmicus Maternus, De Err. profan. Relig., enterro de Os\u00edris nos mist\u00e9rios is\u00edacos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\" id=\"_ftn29\">[29]<\/a> Paus. II, 32, 2.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\" id=\"_ftn30\">[30]<\/a> Fournier, Vieilles coutumes des Vosges, p. 70.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\" id=\"_ftn31\">[31]<\/a> Clem. Rom. Recognitiones, X, 24. Cf. Her\u00f3d. VII, 167. \u2013 Movers, Ph\u00f6nizier, I, p. 153, 155, 394 e seguintes \u2013 Pietschmann, Gesch d. Ph\u00f6nizier. \u2013 Rob. Smith, p. 373, n\u00b0 2.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\" id=\"_ftn32\">[32]<\/a> O. M\u00fcller, Rhein. Mus., 1829, pp. 22-39. Sandon und Sardanapal.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref33\" id=\"_ftn33\">[33]<\/a> Uzener. G\u00f6tternamen, p. 239 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\" id=\"_ftn34\">[34]<\/a> Discutido anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref35\" id=\"_ftn35\">[35]<\/a> Plut, Qu. Graec., 12.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref36\" id=\"_ftn36\">[36]<\/a> Paus. XI, 34, 2.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref37\" id=\"_ftn37\">[37]<\/a> E, no entanto, h\u00e1 casos em que os tr\u00eas personagens divinos s\u00e3o mortos alternadamente, como no mito de Busiris e Lityers\u00e8s (Consultar Mannhardt, Myth. Forsch., p. 1, ff.); o estrangeiro \u00e9 morto por Busiris e Lytiers\u00e9s, estes s\u00e3o mortos por H\u00e9racles; e H\u00e9racles mais tarde comete suic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref38\" id=\"_ftn38\">[38]<\/a> Hal\u00e9vy, Recherches bibliques, p. 29 e seguintes \u2013 Jensen, Kosmologie, pp. 263-364. \u2013 Gunkel, Sch\u00f6pfung und Chaos. \u2013 Delitzsch, Das babyIon. Weltscb\u00f6plungsepos, 1896.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref39\" id=\"_ftn39\">[39]<\/a> Clermont-Ganneau, \u201cHorus et Saint-Georges\u201d. Rev. arch\u00e9ol., 1876, II, p. 196, 372; 1877, I, p. 23; Bibl. Ec. hautes \u00e9t., t. 44, pp. 78, 82.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref40\" id=\"_ftn40\">[40]<\/a> Stengel, op. cit., p. 101 e seguintes<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref41\" id=\"_ftn41\">[41]<\/a> Festa de ZAG-MU-KU (rish-shatti, in\u00edcio do ano). Consultar Hagen, in Beitr. z. Assyr. II, p. 238. \u2013 W. A. I., IV, 23, 39 e seguintes \u2013 Cf. Rev. de philo., 1897, p. 142 e seguintes<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref42\" id=\"_ftn42\">[42]<\/a> Clermont-Ganneau, Rev. Arch\u00e9ol., 1876, XXXII, p. 387.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref43\" id=\"_ftn43\">[43]<\/a> Eus\u00e9bio, Chron., ed. Schone, I, p. 14, 18.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref44\" id=\"_ftn44\">[44]<\/a> Cf. Sydney Hartland, The Legend of Perseus, III, para o mito do her\u00f3i adormecido e seus equivalentes. \u2013 Da mesma forma, Indra cai exausto ap\u00f3s sua luta com o dem\u00f4nio Vrtra, ou foge etc. A mesma lenda \u00e9 contada sobre Visnu etc.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref45\" id=\"_ftn45\">[45]<\/a> Eudoxo, in Ateneu, IX, 392, E. \u2013 Eust\u00e1qio, 1702, 50.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref46\" id=\"_ftn46\">[46]<\/a> Hygin. fab., 80.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref47\" id=\"_ftn47\">[47]<\/a> Cf. Usener, Stoff. d. griech. Epos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref48\" id=\"_ftn48\">[48]<\/a> K. 2801, I (Beitr. z. Assyr., III, p. 228; ib. II, p. 258, 259). \u2013 K. 2585. Somas juge des Annunakis. \u2013 K. 2606, Etana meurtrier des Annunakis.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref49\" id=\"_ftn49\">[49]<\/a> Cf. Talm. Bab., Chillin. fol., 91 T. \u2013 Haarbr\u00fccker, Schabrastani. Religionsparteien und Philosophenschulen, Halle, 1851, p. 5 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref50\" id=\"_ftn50\">[50]<\/a> Parthey, Pap. Berl., I, v. 321 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref51\" id=\"_ftn51\">[51]<\/a> Martianus Capella, De nuptiis Philologiae et Mercurii, Il, 85.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref52\" id=\"_ftn52\">[52]<\/a> W. A. I., IV, 21, 1 c.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref53\" id=\"_ftn53\">[53]<\/a> Id., 14, 2. Rev. 9: Gibil, mar apsi (filhos do abismo).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref54\" id=\"_ftn54\">[54]<\/a> Id., 22, 1, obv., 30.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref55\" id=\"_ftn55\">[55]<\/a> Cf. Usener, Stoff. etc. II, Thersite = Pharmakos acusado por Aquiles de ter roubado as ta\u00e7as de Apolo e condenado \u00e0 morte; e, em segundo lugar, por Thersite = Theritas = Apolo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref56\" id=\"_ftn56\">[56]<\/a> Stucken, Astralmythen, ii. Lot.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref57\" id=\"_ftn57\">[57]<\/a> Oineus e os filhos de Agrios. Usener, G\u00f6tt. Syn. (Rb. Mus., LIII, p. 375).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref58\" id=\"_ftn58\">[58]<\/a> T\u00fcmpel, Der Karabos des Perseus in Philologus. Neue Folge, VII, p. 544. \u2013 Cf. Stucken, Astralmythen, I, Abraham, p. 233 e seguintes<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref59\" id=\"_ftn59\">[59]<\/a> Porf\u00edrio, Antr. Nymph., 24. \u2013 Darmesteter, Ormazd et Ahriman, p. 327 e seguintes \u2013 N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que as explica\u00e7\u00f5es simb\u00f3licas (ex. in Gruppe. Griech. Cult. und Myth., p. 153 e seguintes; Frazer, Gold. B., I, p. 402) n\u00e3o s\u00e3o apropriadas. O s\u00edmbolo \u00e9 apenas uma explica\u00e7\u00e3o posterior ao fato do mito e do rito. De fato, essas lendas s\u00e3o t\u00e3o naturalmente sacrificiais que podem ser substitu\u00eddas por epis\u00f3dios em que o pr\u00f3prio deus oferece um sacrif\u00edcio: por exemplo, a lenda de Perseu (Paus\u00e2nias. de Damas, frg. 4); Perseu oferece um sacrif\u00edcio para impedir uma inunda\u00e7\u00e3o (uma lenda provavelmente introduzida recentemente no ciclo); lenda de Aristeu: Diod. IV, 81-82. Aristeu se sacrifica para impedir uma praga. Outra lenda, Georg, IV, 548 ff Cf. Maas, Orpheus, pp. 278-297; Gruppe, Gr. Myth, p. 249, n. 2; Porf\u00edrio. Antr. Nymph, c. 18). Cf. o le\u00e3o de Sans\u00e3o (Ju\u00edzes, XIV, 8). Sobre o sacrif\u00edcio mitraico, ver Cumont, Textes et Monum. rel. au culte de Mithra, passim. Darmesteter, Ormazd et Ahriman, p. 150, p. 256; sobre os deuses sacrificantes equivalentes aos deuses lutadores, ou melhor, lutando com a ajuda do sacrif\u00edcio, ver S. L\u00e9vi, Doctr., II.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref60\" id=\"_ftn60\">[60]<\/a> Mannhardt, W. F. K., I, p. 316.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref61\" id=\"_ftn61\">[61]<\/a> Adv. Julianum, IV, p. 128 D.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref62\" id=\"_ftn62\">[62]<\/a> Parmentier, Rev. de Phil., 1897, p. 143 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref63\" id=\"_ftn63\">[63]<\/a> Exemple: Ath. Mitth., XXII, 38. Pessinonte.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref64\" id=\"_ftn64\">[64]<\/a> Torquemada, Monarquia Indiana, VI, 38, in Kinsborough, VI, note p. 414. \u2013 Cortez, terceira carta a Carlos V (Kinsborough, VIII, note, p. 228).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref65\" id=\"_ftn65\">[65]<\/a> Cf. Mannhardt, W. F. K., I, p. 358 sq.; 572 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref66\" id=\"_ftn66\">[66]<\/a> Proclo, Hino a Atena em Lobeck Aglaophamus, p. 561. Abel, Orpnica, p. 235.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref67\" id=\"_ftn67\">[67]<\/a> Discutido anteriormente (Karneia); Consultar plus bas, p. 128. Cf. Usener, G\u00f6ttliche Synonyme in Rhein. Mus., LIII, p. 371.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref68\" id=\"_ftn68\">[68]<\/a> Discutido anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref69\" id=\"_ftn69\">[69]<\/a> Assim, H\u00e9racles instituiu o culto a Atena \u0391\u03af\u03b3\u03bf\u03c6\u03ac\u03b3\u03bf\u03c2 ap\u00f3s sua batalha com Hipocoon (Paus., III, 15, 9); \u2013 depois de jogar alguns dos bois de Geri\u00e3o na fonte de Kyane, ele ordenou que o ato fosse repetido (Diod. V. 4, 1, 2).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref70\" id=\"_ftn70\">[70]<\/a> Roscher, Lexikon, I, 1059. \u2013 Frazer, Gold. B., I, p. 328; cf. Hera \u0391\u03af\u03b3\u03bf\u03c6\u03ac\u03b3\u03bf\u03c2 (Paus., III, 5, 9).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref71\" id=\"_ftn71\">[71]<\/a> Frazer, Gold. B., II, p. 58 e seguintes \u2013 Cf. Seidel, \u201cFetischverbote in Togo\u201d. Globus., 1898, p. 355.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref72\" id=\"_ftn72\">[72]<\/a> Frazer, II, p. 62. \u2013 Cf. Diodoro, V, 62. \u2013 Cf. o princ\u00edpio (Servius ad En., III, 18: <em>Victimae numinibus aut per similitudinem aut per contrarietatem immolabantur<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref73\" id=\"_ftn73\">[73]<\/a> Uma bibliografia sobre Soma pode ser encontrada em Macdonnel \u201cVedic Mythology\u201d. (Grundriss d. Ind. Ar. Philologie), p. 115. \u2013 Consulte especialmente Bergaigne. Rel. Ved, I, 148, 125; Il, 298, 366 etc. \u2013 Hillebrandt. V\u00e9d. Mythologie, I, (tem um relato sucinto do pr\u00f3prio rito, p. 146 e segs.) \u2013 Sobre Soma nos Br\u00e2manas, ver. S. L\u00e9vi. Doctrine, p. 169. \u2013 A soma, uma planta anual sacrificada na primavera, parece-nos ter sido usada principalmente em um rito agr\u00e1rio (ver Berg. Rel. Ved., III, p. 8 e 9, n. 1); ela \u00e9 o \u201crei das plantas\u201d j\u00e1 no Rg veda, e a \u00cdndia cl\u00e1ssica desenvolveu esse tema ainda mais: ver Hilleb. Hilleb. Ved. Myth, p. 390. \u2013 Ainda n\u00e3o foi feito um estudo completo do sacrif\u00edcio do soma, portanto \u00e9 compreens\u00edvel que n\u00e3o tenhamos tentado apoi\u00e1-lo com textos, j\u00e1 que o assunto aqui \u00e9 indefinido. \u2013 Quanto \u00e0s interpreta\u00e7\u00f5es naturalistas do mito de Soma, n\u00e3o podemos discutir todas elas, mas aceitamos todas, pois n\u00e3o as consideramos de forma alguma irreconcili\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref74\" id=\"_ftn74\">[74]<\/a> S. L\u00e9vi, p. 162. \u2013 Bergaigne, Rel. V\u00e9d., III, 84, 85; 63 n\u00b0 1 etc. \u2013 Hillebr. Vi\u00e7v\u00e2r\u00e2pa, p. 53 etc.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref75\" id=\"_ftn75\">[75]<\/a> Consultar Sylvain L\u00e9vi, Doctrine, cap. I e Pref\u00e1cio.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref76\" id=\"_ftn76\">[76]<\/a> Berg. Rel. V\u00e9d., I, p. 275. Veja a not\u00e1vel discuss\u00e3o de Ludwig. Rig Veda, III, p. 308.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref77\" id=\"_ftn77\">[77]<\/a> Stucken, Astralymthen, II, p. 97. Talm. B. Gem. \u00e0 Taanith. 4, 2. O mundo depende do sacrif\u00edcio celebrado no templo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref78\" id=\"_ftn78\">[78]<\/a> Sch\u00f6pfung und Chaos in Urzeit und Endzeit.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref79\" id=\"_ftn79\">[79]<\/a> V. Vogt, Congr\u00e8s international et d\u2019arch\u00e9ologie pr\u00e9historique, Bologne, 1871, p. 325. Cf. Lasaula, Die S\u00fchnopfer der Griechen etc., 1841.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A seguir, voc\u00ea ir\u00e1 ler um trecho da obra &#8220;Ensaio sobre a Natureza e Fun\u00e7\u00e3o do Sacrif\u00edcio&#8221; de Marcel Mauss e Henri Hubert. Caso deseje conhecer mais detalhes da obra, ou saber como adquiri-la, clique na capa do livro. V. O sacrif\u00edcio do deus A singular import\u00e2ncia da v\u00edtima se\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2022\/07\/14\/ensaio-sobre-a-natureza-e-funcao-do-sacrificio\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":806,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,33],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/809"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=809"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/809\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":810,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/809\/revisions\/810"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/806"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=809"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=809"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=809"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}