{"id":848,"date":"2022-12-29T17:13:00","date_gmt":"2022-12-29T17:13:00","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=848"},"modified":"2024-03-29T17:16:14","modified_gmt":"2024-03-29T17:16:14","slug":"a-prece-de-marcel-mauss","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2022\/12\/29\/a-prece-de-marcel-mauss\/","title":{"rendered":"A Prece, de Marcel Mauss"},"content":{"rendered":"\n<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler, a seguir, um trecho da obra &#8220;A Prece&#8221; de Marcel Mauss. Caso deseje mais informa\u00e7\u00f5es sobre a obra, ou deseje adquirir a obra completa, clique na capa do livro abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/a-prece\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_prece_Mauss.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-845\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_prece_Mauss.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_prece_Mauss-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/03\/capinha_prece_Mauss-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><\/figure><\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>Livro II: Natureza dos ritos orais elementares<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a><\/a><a>Cap\u00edtulo I. Hist\u00f3rico da quest\u00e3o e delimita\u00e7\u00e3o do tema<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Agora que temos uma defini\u00e7\u00e3o de ritos religiosos orais e, em particular, de prece, podemos come\u00e7ar a discutir o \u00fanico problema que nos propusemos neste primeiro trabalho: as origens da prece, o que nos for\u00e7ar\u00e1 a lidar com o problema mais geral da origem da cren\u00e7a em f\u00f3rmulas religiosas nas sociedades primitivas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>I<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Se a literatura cient\u00edfica sobre a prece em geral \u00e9 escassa, como vimos, aquela que trata da quest\u00e3o espec\u00edfica que nos interessa \u00e9 ainda mais magra. Mal podemos citar alguns nomes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos dois fil\u00f3sofos da religi\u00e3o cujas doutrinas discutimos, um, Sabatier, passa rapidamente pelo problema sem sequer tentar estabelecer a materialidade dos fatos: ele n\u00e3o verifica se a prece, conforme ele a entende, ou seja, concebida como \u201ca religi\u00e3o em ato e em esp\u00edrito\u201d, \u00e9 de fato o fen\u00f4meno universal que ele afirma<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>; o outro, Tiele<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>, limita-se a opor obje\u00e7\u00f5es dial\u00e9ticas \u00e0queles que querem derivar a prece primitiva de f\u00f3rmulas te\u00fargicas; ele invoca como fatos a favor de seu argumento apenas algumas f\u00f3rmulas muito refinadas de religi\u00f5es j\u00e1 bastante desenvolvidas<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Al\u00e9m disso, ambos<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>, assim como a maioria dos fil\u00f3sofos da religi\u00e3o, raramente se preocupam em buscar a forma e o significado exato dos ritos nas sociedades inferiores; todo o trabalho deles est\u00e1 voltado para a cr\u00edtica ou para a demonstra\u00e7\u00e3o da excel\u00eancia de certos estados de esp\u00edrito religiosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os antrop\u00f3logos, apenas Tylor, Farter e Max M\u00fcller tocaram na quest\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o primeiro<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>, a prece teria come\u00e7ado como uma simples express\u00e3o imediata de um desejo material, e teria sido dirigida \u00e0s pot\u00eancias sobrenaturais, aos esp\u00edritos cujo animismo explica o surgimento. Os americanos do Norte estariam precisamente neste est\u00e1gio da institui\u00e7\u00e3o; os hindus da antiguidade, os gregos e os romanos n\u00e3o teriam se libertado disso. Mas Tylor, naquela \u00e9poca em que a antropologia e a sociologia mal estavam se estabelecendo, misturava todos os <em>povos primitivos em um g\u00eanero imenso<\/em>, sem esp\u00e9cies ou hierarquias. Ele come\u00e7ava, portanto, com rituais que s\u00e3o obviamente de um n\u00edvel muito elevado<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a> em sociedades de uma civiliza\u00e7\u00e3o j\u00e1 avan\u00e7ada. Al\u00e9m disso, de acordo com seu sistema animista, ele supunha que, desde o in\u00edcio, a no\u00e7\u00e3o de personalidades simultaneamente espirituais e divinas j\u00e1 estava estabelecida, o que, em nossa opini\u00e3o, \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o tardia e que a prece, em seu nascimento, contribuir\u00e1 precisamente para formar.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoria de Max M\u00fcller<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a> \u00e9 em parte id\u00eantica \u00e0 teoria de Tylor, em parte \u00e0 de Farrer; o fil\u00f3logo agiu aqui como um antrop\u00f3logo. Ele parte dos fatos recentemente destacados por Codrington<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a> entre os Melan\u00e9sios, e suas indica\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o sem import\u00e2ncia. Ele percebe claramente que existem preces diferentes daquilo que costumamos chamar assim, e que ainda assim t\u00eam o direito a esse nome. Em um r\u00e1pido esbo\u00e7o das formas que ela assumiu, ele sugere a ideia de que teria come\u00e7ado com express\u00f5es como \u201cfa\u00e7a-se a minha vontade\u201d para chegar a express\u00f5es completamente opostas, \u201cfa\u00e7a-se a tua vontade\u201d<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Entre esses tipos caracterizados estariam as preces sem\u00edticas, v\u00e9dicas. Mas esses desenvolvimentos brilhantes n\u00e3o podem substituir as provas. Primeiramente, se as f\u00f3rmulas citadas t\u00eam de fato um car\u00e1ter primitivo, como coexistem, segundo Codrington, com outras preces de um valor suplicante espec\u00edfico<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>, nada estabelece, de fato, que umas sejam mais primitivas que as outras e que a injun\u00e7\u00e3o tenha precedido a invoca\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o problema fundamental relacionado \u00e0 prece permanece a ser tratado. Como palavras podem ter uma virtude, comandar a uma divindade? Isso permanece incompreens\u00edvel, especialmente se admitirmos as doutrinas de Max M\u00fcller sobre a origem da religi\u00e3o, universal, significado comum a todos os homens, do infinito. N\u00e3o se imagina como Max M\u00fcller n\u00e3o percebeu a grave contradi\u00e7\u00e3o que existia entre suas duas doutrinas: pois se a prece come\u00e7ou com a encanta\u00e7\u00e3o, a magia, \u00e9 porque a divindade n\u00e3o era concebida de forma alguma como a representa\u00e7\u00e3o de um infinito de grandeza e moralidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Max M\u00fcller estava, em resumo, ligado<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a> a uma interessante disserta\u00e7\u00e3o de um dos pioneiros, um pouco esquecido, de nossos estudos, Farrer<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a>. Partindo de fatos americanos, africanos, polin\u00e9sios, ele sustenta que a prece \u201cdos selvagens\u201d foi inicialmente um encantamento m\u00e1gico. No entanto, por um lado, os rituais dos quais ele partiu para observa\u00e7\u00e3o cont\u00eam muito mais do que encantamentos; incluem importantes ritos orais que n\u00e3o podem ser considerados como tais. E, por outro lado, as sociedades muito avan\u00e7adas, com religi\u00f5es muito elevadas, que ele estudava, n\u00e3o podiam fornecer-lhe fatos suficientemente primitivos, nem meios de abordar a quest\u00e3o fundamental da efic\u00e1cia das palavras.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece, no entanto, que, exceto Tylor, existe uma certa unanimidade sobre a quest\u00e3o da forma originalmente encantat\u00f3ria da prece. Dois trabalhos recentes de Marett<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a> e Rivers<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a> consideram essencialmente essa teoria como uma verdade estabelecida; um v\u00ea toda a evolu\u00e7\u00e3o religiosa indo da encanta\u00e7\u00e3o \u00e0 prece, que ele restringe \u00e0 s\u00faplica; o outro destaca de maneira interessante o car\u00e1ter que ele acredita ser exclusivamente m\u00e1gico da liturgia dos Todas<a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>, que ele considera primitivos, mas que sabe distinguir das f\u00f3rmulas propriamente maleficientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo do trabalho e dos documentos de Marett, um historiador da religi\u00e3o grega, Farnell, em um livro sobre a evolu\u00e7\u00e3o da religi\u00e3o, recentemente expressou algumas hip\u00f3teses sobre a \u201chist\u00f3ria da prece\u201d<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. No entanto, ele se destaca de seus predecessores em um ponto. Se ele admite, como eles, que pode haver povos sem preces, limitados, de fato, a encantamentos no que diz respeito ao ritual oral, ele acredita, no entanto, que, desde o in\u00edcio, \u00e0 encanta\u00e7\u00e3o se op\u00f4s a prece pura, quando Deus era invocado como um pai e um amigo. Para ele, \u00e9 preciso classificar as religi\u00f5es de acordo com uma esp\u00e9cie de dosagem de encantamentos e preces que todas elas conteriam. Teremos muitas vezes, no futuro, que discutir essa teoria para n\u00e3o poder levantar aqui um debate que pressuporia o exame dos fatos como conclu\u00eddo. Basta-nos ter indicado o v\u00ednculo que a liga \u00e0 hip\u00f3tese atualmente em voga.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, todas essas teorias pecam por graves falhas de m\u00e9todo. Em primeiro lugar, se os rituais orais come\u00e7aram com a magia, como e por que a prece emergiu disso? Por que a natureza, o deus deixam de depender da voz do homem?<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a> Ser\u00e1 porque se percebem experimentalmente os fracassos do rito? Mas al\u00e9m do fato de que a pr\u00f3pria cren\u00e7a na magia \u00e9 fundamentada na impossibilidade de tal teste<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a>, n\u00e3o se explica de maneira alguma por que essas pot\u00eancias, das quais se deixa de coagi-las, come\u00e7am a ser invocadas em vez de simplesmente deixar de falar com elas. Em segundo lugar, todos esses trabalhos deixam na obscuridade n\u00e3o apenas a origem da prece, mas tamb\u00e9m da encanta\u00e7\u00e3o, cuja possibilidade se busca precisamente explicar. Sustentar que um feiti\u00e7o oral ou um pedido dirigido a um esp\u00edrito \u00e9 a forma primitiva de ora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma explica\u00e7\u00e3o suficiente de como esse feiti\u00e7o poderia ter sido considerado eficaz, de como esse pedido poderia ter sido considerado como algo que levaria a resultados ou serviria a algum prop\u00f3sito \u00fatil. Em terceiro lugar, todos partem de compara\u00e7\u00f5es precipitadas. Nenhum descreve um sistema lit\u00fargico que seja totalmente reduzido \u00e0 encanta\u00e7\u00e3o. Nenhum estuda fatos suficientemente primitivos para que tenhamos certeza de que n\u00e3o existem formas mais pr\u00f3ximas daquelas que podemos imaginar terem sido as formas prim\u00e1rias da institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 a esses tr\u00eas defeitos que precisamos evitar.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>II<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Para isso, precisamos escolher como campo de pesquisa um grupo de sociedades bem delimitadas, onde o ritual oral se apresente nas seguintes condi\u00e7\u00f5es \u2013 1\u00b0 deve ter um car\u00e1ter religioso suficientemente acentuado, para que tenhamos a certeza, caso n\u00e3o seja composto apenas de preces puras, mas de ritos mais complexos, que a prece possa ser deduzida desses ritos sem lacunas imposs\u00edveis de preencher; 2\u00b0 deve ser observ\u00e1vel em condi\u00e7\u00f5es que tornem poss\u00edvel a explica\u00e7\u00e3o dos pr\u00f3prios ritos, ou seja, condi\u00e7\u00f5es em que seja poss\u00edvel, com alguma chance de sucesso, formar uma hip\u00f3tese sobre a origem da f\u00e9 neles depositada; 3\u00b0 \u00e9 preciso ter certeza de que, nessas sociedades, n\u00e3o h\u00e1 outros modos de rituais orais al\u00e9m desses modos primitivos, e que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel encontrar, no estado atual de nosso conhecimento, fen\u00f4menos mais elementares.<\/p>\n\n\n\n<p>A essa tripla exig\u00eancia, acreditamos que responde a observa\u00e7\u00e3o das sociedades australianas<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>. Ser\u00e1 o objetivo deste trabalho demonstrar isso. Mas \u00e9 \u00fatil indicar, brevemente, aqui, que n\u00e3o poder\u00edamos encontrar um campo de observa\u00e7\u00e3o mais favor\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro lugar, entre as sociedades atualmente observ\u00e1veis ou historicamente conhecidas, n\u00e3o conhecemos nenhuma que apresente, em grau igual, os sinais incontest\u00e1veis de uma organiza\u00e7\u00e3o primitiva e elementar. Pequenas, pobres, de baixa densidade populacional, atrasadas do ponto de vista tecnol\u00f3gico, estagnadas do ponto de vista moral e intelectual, possuindo as estruturas sociais mais arcaicas que se pode imaginar, elas permitem at\u00e9 mesmo representar esquematicamente, presumindo por tr\u00e1s delas uma longa hist\u00f3ria, os primeiros grupos humanos dos quais outros derivam sua origem. N\u00e3o vamos t\u00e3o longe quanto sustentar, como Schoetensack<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>, em uma esp\u00e9cie de \u00eaxtase antropol\u00f3gico, que eles s\u00e3o os homens primitivos; que, permanecendo no ber\u00e7o da ra\u00e7a humana, que esta nasceu por evolu\u00e7\u00e3o, nunca precisaram inovar, evoluir. No entanto, conhecemos apenas dois grupos de homens, chamados primitivos, que nos d\u00e3o a impress\u00e3o de que sua hist\u00f3ria parte de t\u00e3o baixo e foi t\u00e3o pouco atravessada pelas mudan\u00e7as da vida e da morte das ra\u00e7as, civiliza\u00e7\u00f5es, sociedades. S\u00e3o, antes de tudo, os Aghans da Terra do Fogo<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a>, mas atualmente est\u00e3o praticamente extintos antes de serem sistematicamente descritos<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a>, e talvez tenham sido mais degenerados do que verdadeiramente primitivos. S\u00e3o ent\u00e3o os Seri da ilha de Tiburon, no golfo da Calif\u00f3rnia. No entanto, a monografia de Mac Gee \u00e9, acreditamos, superficial<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a>, pois o autor permaneceu pouco tempo entre eles, e eles permanecem em grande parte desconhecidos; embora, por alguns aspectos, pare\u00e7am ser primitivos<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\">[24]<\/a>, tamb\u00e9m parecem ter uma longa hist\u00f3ria por tr\u00e1s deles<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a>, e sua l\u00edngua e ra\u00e7a os vinculam claramente ao grande grupo americano dos Yuma, Pima, Papagos<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a> etc. As outras partes da humanidade que costumam ser consideradas como primitivas n\u00e3o o s\u00e3o. Mesmo os pigmeus africanos<a href=\"#_ftn27\" id=\"_ftnref27\">[27]<\/a>, os negritos da Mal\u00e1sia<a href=\"#_ftn28\" id=\"_ftnref28\">[28]<\/a>, que s\u00e3o obviamente bastante \u201cselvagens\u201d, como se diz, vivem no meio de grandes civiliza\u00e7\u00f5es b\u00e1rbaras, banto ou nil\u00f3tica na \u00c1frica, malaio-polin\u00e9sia na Mal\u00e1sia; e participam, de certa forma, dessas civiliza\u00e7\u00f5es. Quanto aos Vedhas<a href=\"#_ftn29\" id=\"_ftnref29\">[29]<\/a> e aos selvagens asi\u00e1ticos, foram desfeitas as teorias constru\u00eddas sobre a falta de civiliza\u00e7\u00e3o deles e sua priva\u00e7\u00e3o de religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o apenas as sociedades australianas exibem sinais de primitividade, mas tamb\u00e9m s\u00e3o ao mesmo tempo numerosas o suficiente, homog\u00eaneas o suficiente e, ao mesmo tempo, heterog\u00eaneas entre si o suficiente para formar um grupo altamente favor\u00e1vel a pesquisas sobre o conjunto de um ritual e suas varia\u00e7\u00f5es. Embora estendam seu habitat por todo um continente, formam, no entanto, uma esp\u00e9cie de todo, uma unidade \u00e9tnica, como se diz impropriamente, uma \u201cprov\u00edncia geogr\u00e1fica\u201d, como dizia Bastian<a href=\"#_ftn30\" id=\"_ftnref30\">[30]<\/a>, ou seja, t\u00eam uma civiliza\u00e7\u00e3o, formam uma fam\u00edlia de sociedades unidas n\u00e3o apenas pelos la\u00e7os da hist\u00f3ria, identidade, t\u00e9cnica, lingu\u00edstica, est\u00e9tica, sistemas jur\u00eddicos, religiosos<a href=\"#_ftn31\" id=\"_ftnref31\">[31]<\/a>, mas tamb\u00e9m pelos la\u00e7os da ra\u00e7a<a href=\"#_ftn32\" id=\"_ftnref32\">[32]<\/a>, de modo que v\u00e1rias teses aplic\u00e1veis a algumas delas ter\u00e3o chances de ser aplic\u00e1veis \u00e0s outras. Se h\u00e1 varia\u00e7\u00f5es, elas ocorrem a partir de um fundo comum, em que todas convergem. As compara\u00e7\u00f5es dentro do grupo s\u00e3o, portanto, feitas com os menores riscos. E assim, deixando aos fatos sua cor local, australiana, pelo menos durante todo o nosso trabalho de descri\u00e7\u00e3o, satisfaremos tanto \u00e0s exig\u00eancias da ci\u00eancia que compara quanto \u00e0 etnografia hist\u00f3rica que procura especificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa homogeneidade n\u00e3o exclui certa heterogeneidade. V\u00e1rios fluxos e tipos foram menosprezados na civiliza\u00e7\u00e3o australiana<a href=\"#_ftn33\" id=\"_ftnref33\">[33]<\/a>. Al\u00e9m disso, foi distinguido, quase unanimemente e especialmente no que diz respeito aos fen\u00f4menos religiosos, v\u00e1rios est\u00e1gios de evolu\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn34\" id=\"_ftnref34\">[34]<\/a>. O debate se concentra na classifica\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias sociedades. N\u00f3s mesmos seremos obrigados a abordar a quest\u00e3o. Mas isso n\u00e3o importa neste momento. \u00c9 suficiente para nosso trabalho que essa diversidade em si mesma n\u00e3o seja posta em d\u00favida. \u00c9 suficiente que aqui demos a sensa\u00e7\u00e3o de que todas as sociedades que vamos estudar n\u00e3o est\u00e3o todas no mesmo n\u00edvel, nem uniformizadas e direcionadas da mesma maneira. Pois se, atrav\u00e9s dessas varia\u00e7\u00f5es, pudermos chegar a constituir um tipo de ritos orais primitivos, se pudermos estabelecer a prov\u00e1vel universalidade desse tipo para essa massa de sociedades diversas, \u00e9 porque teremos tocado em um fen\u00f4meno necess\u00e1rio para sociedades desse tipo. Ao mesmo tempo, as varia\u00e7\u00f5es de tamanho, forma, conte\u00fado e at\u00e9 sabor religioso a que este tipo de ritos estar\u00e1 sujeito n\u00e3o ser\u00e3o, muitas vezes, menos interessantes de observar do que o pr\u00f3prio tipo geral. Vinculando-se a fen\u00f4menos sociais espec\u00edficos, elas se explicar\u00e3o e, explicadas, contribuir\u00e3o para a explica\u00e7\u00e3o geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Acrescentamos que as sociedades australianas come\u00e7am a ser algumas das mais bem conhecidas daquelas que costumamos chamar de primitivas. N\u00e3o apenas as \u00faltimas expedi\u00e7\u00f5es de Spencer e Gillen<a href=\"#_ftn35\" id=\"_ftnref35\">[35]<\/a>, as \u00faltimas pesquisas de W. Roth<a href=\"#_ftn36\" id=\"_ftnref36\">[36]<\/a> foram realizadas com todos os recursos da etnografia moderna; n\u00e3o apenas aquelas que atualmente os mission\u00e1rios do centro est\u00e3o publicando s\u00e3o dirigidas a partir de um dos melhores museus etnogr\u00e1ficos<a href=\"#_ftn37\" id=\"_ftnref37\">[37]<\/a>, mas tamb\u00e9m os documentos mais antigos, de Howitt, inicialmente publicados aos poucos, e depois retomados em massa<a href=\"#_ftn38\" id=\"_ftnref38\">[38]<\/a> e complementados, em certa medida, s\u00e3o de grande valor. E algumas partes dos antigos livros de Woods<a href=\"#_ftn39\" id=\"_ftnref39\">[39]<\/a>, Grey<a href=\"#_ftn40\" id=\"_ftnref40\">[40]<\/a>, Eyre<a href=\"#_ftn41\" id=\"_ftnref41\">[41]<\/a> valem tanto quanto os melhores trabalhos atuais. Al\u00e9m disso, come\u00e7amos, com a ajuda dos antigos linguistas e dos novos<a href=\"#_ftn42\" id=\"_ftnref42\">[42]<\/a>, a ter uma ideia bastante precisa da estrutura das l\u00ednguas australianas, dos modos de pensamento ali seguidos, de suas faculdades de express\u00e3o. Finalmente, temos \u00e0 nossa disposi\u00e7\u00e3o um n\u00famero consider\u00e1vel de textos mitol\u00f3gicos e f\u00f3rmulas em tradu\u00e7\u00e3o justalinear (veja mais no cap\u00edtulo III, IV, V), de modo que podemos ter certeza de que este trabalho sobre a prece primitiva n\u00e3o ser\u00e1 desprovido de valor, quando a filologia das l\u00ednguas australianas estiver finalmente estabelecida.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o \u00e9 que todos os fatos sejam conhecidos, nem que aqueles que s\u00e3o conhecidos sejam todos bem compreendidos. Ainda devemos estar preparados para surpresas. Lembremo-nos da surpresa causada pela publica\u00e7\u00e3o do primeiro livro de Spencer e Gillen. Alguns estudiosos ainda n\u00e3o se recuperaram completamente e est\u00e3o, por assim dizer, fascinados pelos Arunta. Outras descobertas tamb\u00e9m podem abalar um certo n\u00famero de nossas ideias, e ainda devemos esperar por elas, uma vez que, das duzentas e cinquenta sociedades australianas contadas por Curr, incluindo sociedades atualmente extintas, mas excluindo muitas tribos ainda desconhecidas, apenas cerca de trinta s\u00e3o conhecidas em diversos graus de aproxima\u00e7\u00e3o. No entanto, como os documentos de primeira m\u00e3o, que pudemos examinar em grande parte, tratam de sociedades espalhadas por todo o continente e com os sistemas de organiza\u00e7\u00e3o e religi\u00e3o mais diversos, as descobertas poss\u00edveis, pensamos n\u00f3s, n\u00e3o poder\u00e3o apresentar fatos completamente contradit\u00f3rios aos que estamos prestes a estudar. Al\u00e9m disso, por mais diversa e desigual que seja a autoridade das evid\u00eancias que invocaremos, elas s\u00e3o de origens t\u00e3o variadas e se corroboram t\u00e3o facilmente entre si que, em nossa opini\u00e3o, a cr\u00edtica \u00e9 f\u00e1cil.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas antes de passarmos para a descri\u00e7\u00e3o e, posteriormente, para a explica\u00e7\u00e3o das formas primitivas de prece na Austr\u00e1lia, e, por hip\u00f3tese, em geral, devemos responder a uma obje\u00e7\u00e3o de princ\u00edpio, \u00e0 qual, pessoalmente, n\u00e3o atribu\u00edmos import\u00e2ncia, mas que poderia ser especiosamente oposta a n\u00f3s. Com que direito escolher assim entre os fatos da prece? Com que direito concluir da prece nas religi\u00f5es australianas para as origens da prece em geral?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 certo que a \u00fanica maneira de estabelecer metodicamente que a prece australiana \u00e9 um exemplo do tipo original de prece seria mostrar que, a partir desse tipo de f\u00f3rmulas, todas as outras formas de prece se originaram. Obviamente, uma demonstra\u00e7\u00e3o desse tipo n\u00e3o pode ser tentada em um \u00fanico trabalho. No entanto, na aus\u00eancia dessa prova que seria a \u00fanica decisiva, raz\u00f5es muito s\u00e9rias nos autorizam a considerar provisoriamente como primitivos os fatos que estamos prestes a estudar. Primeiramente, observamos esses fatos nas sociedades mais inferiores que conhecemos. Portanto, h\u00e1 todas as chances de que os fatos religiosos que encontramos nessas sociedades tenham o mesmo car\u00e1ter de primitividade que outros fatos sociais. Em segundo lugar, veremos que a prece australiana est\u00e1 intimamente ligada ao sistema tot\u00eamico, ou seja, ao sistema religioso mais arcaico cuja exist\u00eancia a hist\u00f3ria e a etnografia nos revelaram at\u00e9 agora. Finalmente, e acima de tudo, mostraremos que, embora seja muito diferente do que geralmente chamamos por esse nome, contudo, ela cont\u00e9m todos os elementos essenciais dos rituais mais complexos e refinados aos quais as religi\u00f5es idealistas reservam essa denomina\u00e7\u00e3o. Ao mesmo tempo, pela sua simplicidade, at\u00e9 mesmo pela sua rudeza, o ritual oral australiano nos remete evidentemente \u00e0s primeiras fases da evolu\u00e7\u00e3o religiosa. \u00c9 dif\u00edcil conceber como poderia existir um que fosse simples. Nele, descobrimos todo o futuro em germe. Portanto, pelo menos, h\u00e1 uma forte presun\u00e7\u00e3o de que o futuro emergiu disso.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, \u00e9 claro que os resultados aos quais podemos ser conduzidos s\u00f3 podem ser provis\u00f3rios. As conclus\u00f5es da ci\u00eancia t\u00eam sempre esse car\u00e1ter, e o cientista deve estar sempre pronto para revis\u00e1-las. Se descobrirmos uma forma de prece mais elementar, ou se estabelecermos que, em condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas, a prece surgiu imediatamente em uma forma mais complexa, ser\u00e1 necess\u00e1rio examinar os fatos que podem ser apresentados em apoio a uma ou outra afirma\u00e7\u00e3o. Por enquanto, basta-nos que a an\u00e1lise ainda n\u00e3o tenha atingido nada mais simples, e, inversamente, que todas as formas mais desenvolvidas de preces que conhecemos sejam manifestamente o produto de uma evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica mais ou menos longa.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">&nbsp;<a><\/a><a>Cap\u00edtulo II. H\u00e1 preces na Austr\u00e1lia?<\/a><\/h2>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>I<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>Com a quest\u00e3o colocada dessa maneira, nos deparamos com duas teses opostas. De acordo com alguns, n\u00e3o apenas a prece existe na Austr\u00e1lia, mas j\u00e1 assume a forma de uma s\u00faplica, uma invoca\u00e7\u00e3o, um apelo a uma divindade poderosa e independente, assim como nas religi\u00f5es mais avan\u00e7adas<a href=\"#_ftn43\" id=\"_ftnref43\">[43]<\/a>. Segundo outros, por outro lado, os australianos n\u00e3o teriam nada que pudesse ser chamado de prece<a href=\"#_ftn44\" id=\"_ftnref44\">[44]<\/a>. Vamos examinar sucessivamente os documentos que fundamentam uma e outra afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as informa\u00e7\u00f5es nas quais se baseiam aqueles que acreditam ter encontrado na Austr\u00e1lia preces no sentido europeu da palavra, algumas s\u00e3o t\u00e3o evidentemente desprovidas de qualquer valor que n\u00e3o h\u00e1 motivo para nos determos nelas<a href=\"#_ftn45\" id=\"_ftnref45\">[45]<\/a>. Outras, mais dignas de confian\u00e7a, est\u00e3o desprovidas de qualquer prova<a href=\"#_ftn46\" id=\"_ftnref46\">[46]<\/a>, reduzidas \u00e0 simples assertiva, sem um \u00fanico texto de f\u00f3rmula para apoiar. Algumas que parecem mais precisas e cont\u00eam um in\u00edcio de demonstra\u00e7\u00e3o, no fundo, s\u00e3o causadas por simples confus\u00f5es, meros erros de nomenclatura. Sobre tribos desta vez bem localizadas, os autores usam as palavras invoca\u00e7\u00e3o, adjura\u00e7\u00e3o, s\u00faplica, quando n\u00e3o poderiam provar a exist\u00eancia al\u00e9m de um ritual oral provavelmente bastante simples. Quando Oxley<a href=\"#_ftn47\" id=\"_ftnref47\">[47]<\/a> nos diz que a tribo de Sydney<a href=\"#_ftn48\" id=\"_ftnref48\">[48]<\/a> rezava, ele n\u00e3o diz nada de claro; quando Heagney fala de adjura\u00e7\u00e3o aos esp\u00edritos invis\u00edveis, para enfeiti\u00e7ar, de s\u00faplica para fazer chover, ele comete verdadeiros erros de linguagem; quando Peechey<a href=\"#_ftn49\" id=\"_ftnref49\">[49]<\/a> fala de propicia\u00e7\u00e3o e invoca\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao que ele chama ele mesmo de \u201ccorroborees\u201d, ou seja, dan\u00e7as cantadas, \u201cpara a chuva\u201d, ele abusa do direito de interpretar. O uso de qualquer um desses termos n\u00e3o \u00e9 justificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Documentos mais significativos s\u00e3o os que Langloh Parker publicou sobre os Euahlayi<a href=\"#_ftn50\" id=\"_ftnref50\">[50]<\/a>. Ela fala de uma cerim\u00f4nia f\u00fanebre em que uma esp\u00e9cie de prece a Baiame, o grande deus criador de todas essas tribos das Pradarias<a href=\"#_ftn51\" id=\"_ftnref51\">[51]<\/a>, teria sido proferida. Recomendava-se o esp\u00edrito do morto ao deus e suplicava-se para que ele permitisse a entrada do falecido, fiel \u00e0s suas leis, fiel na terra, em sua morada celeste, em <em>Bullimah<\/em>, a \u201cterra da beleza\u201d<a href=\"#_ftn52\" id=\"_ftnref52\">[52]<\/a>; para salv\u00e1-lo do inferno,<em> Eleanbah wundah<\/em><a href=\"#_ftn53\" id=\"_ftnref53\">[53]<\/a>. \u00c9 o mais antigo feiticeiro, <em>wirreenun<\/em>, que, de frente para o Leste e com a cabe\u00e7a baixa, como toda a assist\u00eancia, em p\u00e9, pronuncia esta prece<a href=\"#_ftn54\" id=\"_ftnref54\">[54]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais impressionante que seja a afirma\u00e7\u00e3o de Parker, ela nos parece das mais contest\u00e1veis. Em primeiro lugar, a pr\u00f3pria natureza da f\u00f3rmula utilizada denuncia uma origem crist\u00e3, um empr\u00e9stimo pelo menos indireto ao vocabul\u00e1rio b\u00edblico, talvez protestante. \u201cOu\u00e7a, ent\u00e3o, a nossa voz, Baiame.\u201d<a href=\"#_ftn55\" id=\"_ftnref55\">[55]<\/a> Al\u00e9m disso, temos todo tipo de raz\u00f5es para supor que a tribo observada est\u00e1, no m\u00ednimo, em um estado de receptividade que a inclinava a imita\u00e7\u00f5es desse tipo. Ela estava em processo de desintegra\u00e7\u00e3o desde a juventude de L. Parker<a href=\"#_ftn56\" id=\"_ftnref56\">[56]<\/a>; inclu\u00eda muitos elementos estrangeiros<a href=\"#_ftn57\" id=\"_ftnref57\">[57]<\/a> que, pelo menos, poderiam ter sido submetidos a uma certa evangeliza\u00e7\u00e3o; e, uma vez que nossa observadora cresceu, viveu praticamente entre eles e s\u00f3 pensou tardiamente em anotar e publicar suas observa\u00e7\u00f5es, que ela n\u00e3o datou, tudo nos leva a crer que essa descri\u00e7\u00e3o relata um costume recente, posterior \u00e0 influ\u00eancia exercida diretamente ou indiretamente pelos brancos. N\u00e3o se pode deixar de pensar no costume europeu de os parentes do morto ficarem em c\u00edrculo, em p\u00e9 e de cabe\u00e7a baixa, durante o enterro. Al\u00e9m disso<a href=\"#_ftn58\" id=\"_ftnref58\">[58]<\/a>, esse fato isolado parecer\u00e1 ainda mais improv\u00e1vel quando percebermos que a prece pelos mortos (e n\u00e3o ao morto) \u00e9 certamente uma das formas mais refinadas, raras e recentes de ritos orais. Ela n\u00e3o aparece com certeza nem mesmo no cristianismo, e ainda assim em um cristianismo j\u00e1 afastado de suas pr\u00f3prias origens<a href=\"#_ftn59\" id=\"_ftnref59\">[59]<\/a>; portanto, \u00e9 improv\u00e1vel que os australianos tenham avan\u00e7ado de uma vez, sem ajuda externa, por todos os est\u00e1gios que os separavam dessas formas complicadas e sublimes de prece. Al\u00e9m disso, nada prova mesmo que essa pr\u00e1tica tenha sido constantemente observada seja antes, seja depois das observa\u00e7\u00f5es de Parker, e acreditamos ter a prova de que, durante toda a estada da observadora entre eles, os Euahlayi n\u00e3o deixaram de mudar seus ritos funer\u00e1rios. De fato, em seu relato do enterro do vener\u00e1vel Eerin, a autora n\u00e3o menciona um rito importante que, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 bem citado no relato do enterro da velha Beemunny, uma mulher, \u00e0 qual, no entanto, menos considera\u00e7\u00e3o \u00e9 devida do que ao cad\u00e1ver de um homem. Estamos nos referindo a um rito, certamente australiano, da melodia f\u00fanebre cantada sobre a sepultura, quando todos os nomes do falecido, seus totens e subtotens<a href=\"#_ftn60\" id=\"_ftnref60\">[60]<\/a>, s\u00e3o evocados. A menos que se admita, como parece fazer Parker, que o ritual \u00e9 muito diferente para homens e mulheres<a href=\"#_ftn61\" id=\"_ftnref61\">[61]<\/a>, e que, para as mulheres, n\u00e3o havia apelo a Baiame, e para os homens, n\u00e3o havia apelo aos totens, o que nos parece, a n\u00f3s, improv\u00e1vel. Pois, no m\u00ednimo, os dois ritos deveriam ser empregados nos funerais dos homens, se n\u00e3o houvesse, em datas j\u00e1 antigas, altera\u00e7\u00f5es importantes no culto dos mortos.<\/p>\n\n\n\n<p>De um segundo fato, n\u00e3o menos evidente, de prece a Baiame, Parker se responsabiliza, embora, verdade seja dita, ela n\u00e3o tenha sido testemunha direta, pois se trata de inicia\u00e7\u00e3o e ela n\u00e3o participou de qualquer \u201cboomer\u201d<a href=\"#_ftn62\" id=\"_ftnref62\">[62]<\/a>. Eis em que consiste: durante a segunda inicia\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn63\" id=\"_ftnref63\">[63]<\/a>, ap\u00f3s o jovem ser admitido a contemplar as figuras esculpidas nas \u00e1rvores, moldadas em relevo no solo e desenhadas na grama, do grande deus Baiame e de sua esposa Birragnooloo<a href=\"#_ftn64\" id=\"_ftnref64\">[64]<\/a>, ap\u00f3s ouvir o canto sagrado de Baiame<a href=\"#_ftn65\" id=\"_ftnref65\">[65]<\/a>, o jovem, segundo ela, finalmente assiste \u00e0 prece dirigida a Baiame pelo mais antigo dos magos presentes (<em>wurmiennes<\/em><a href=\"#_ftn66\" id=\"_ftnref66\">[66]<\/a>). Este \u201cexige\u201d a Baiame \u201cpara fazer viver os negros por muito tempo na terra, porque eles t\u00eam sido fi\u00e9is \u00e0s suas leis por muito tempo, como demonstra a observ\u00e2ncia da boorah\u201d. \u201cO velho mago repete estas palavras v\u00e1rias vezes na postura e com a voz do suplicante, com o rosto voltado para o Leste, a dire\u00e7\u00e3o onde enterram os mortos.\u201d Mas pode-se questionar se a interpreta\u00e7\u00e3o dessas palavras de um nativo n\u00e3o est\u00e1 um pouco for\u00e7ada pela autora, ou se n\u00e3o houve, no pr\u00f3prio testemunho inicial do nativo, uma certa tend\u00eancia complacente. A linguagem da f\u00f3rmula \u00e9 claramente b\u00edblica<a href=\"#_ftn67\" id=\"_ftnref67\">[67]<\/a>. Pode ser que se trate apenas de um rito muito comum nesta regi\u00e3o da Austr\u00e1lia, mas que n\u00e3o constitui uma prece do tipo indicado por Parker. Em todas essas tribos do centro e do sul de Nova Gales do Sul, os anci\u00e3os realizam uma esp\u00e9cie de demonstra\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas art\u00edstica, por meio de pinturas e esculturas, e desenhos, mas tamb\u00e9m falada, da exist\u00eancia do grande deus, Baiame ou outro, no c\u00e9u<a href=\"#_ftn68\" id=\"_ftnref68\">[68]<\/a>. H\u00e1 at\u00e9 um certo n\u00famero dessas cerim\u00f4nias de inicia\u00e7\u00e3o em que um anci\u00e3o, ou anci\u00e3os, muitas vezes enterrado e como prestes a renascer<a href=\"#_ftn69\" id=\"_ftnref69\">[69]<\/a>, entra em rela\u00e7\u00f5es orais com o grande deus, faz perguntas e recebe respostas, como se fosse um esp\u00edrito conversando com uma outra personalidade espiritual. Em todos esses casos, se estivermos diante de preces no sentido geral que definimos, estamos longe dessa f\u00f3rmula intermedi\u00e1ria entre um credo, uma prece dominical, e um eco do Dec\u00e1logo, que Parker coloca na boca dos velhos feiticeiros. Al\u00e9m disso, se o rito j\u00e1 existiu, deve ter sido recente, pois ainda n\u00e3o havia encontrado seu lugar no mito, relatado em outro lugar, da primeira bora, institu\u00edda pelo pr\u00f3prio Baiame<a href=\"#_ftn70\" id=\"_ftnref70\">[70]<\/a>: este mito, fundamento de toda a liturgia, n\u00e3o fala de uma ordem dada por Baiame aos homens para orarem a ele quando servissem suas leis.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, consideramos todas essas observa\u00e7\u00f5es de Parker um tanto suspeitas. Elas podem ter sido prejudicadas por uma ideia preconcebida. Pois nossa autora postula como princ\u00edpio que n\u00e3o pode haver povo ou religi\u00e3o sem prece<a href=\"#_ftn71\" id=\"_ftnref71\">[71]<\/a>. Sentimos o perigo de um princ\u00edpio de pesquisa t\u00e3o infundado, que levou Parker a acusar certos tra\u00e7os de um ritual mais ou menos antigo.<\/p>\n\n\n\n<p>A tese oposta conta com defensores entre os etn\u00f3grafos mais autorizados. Esse \u00e9 o caso de Curr<a href=\"#_ftn72\" id=\"_ftnref72\">[72]<\/a>, que conhecia intimamente um grande n\u00famero de tribos, desde Queensland at\u00e9 Murray inferior. Howitt n\u00e3o \u00e9 menos radical em suas nega\u00e7\u00f5es<a href=\"#_ftn73\" id=\"_ftnref73\">[73]<\/a>. Spencer e Gillen, por sua vez, agravam, de certa forma, a tese de Curr para todas as tribos do Centro Australiano; eles afirmam n\u00e3o terem constatado sequer as ideias necess\u00e1rias para a forma\u00e7\u00e3o da prece<a href=\"#_ftn74\" id=\"_ftnref74\">[74]<\/a>; atestam o car\u00e1ter m\u00e1gico de todo o ritual oral, tanto quanto manual, dos Arunta e das outras tribos de seu dom\u00ednio<a href=\"#_ftn75\" id=\"_ftnref75\">[75]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao redor dessas testemunhas, observadores de muitas sociedades australianas, agrupam-se outros, n\u00e3o menos incisivos, n\u00e3o menos precisos: Stephens, a respeito da tribo de Adelaide<a href=\"#_ftn76\" id=\"_ftnref76\">[76]<\/a>; Semon, falando das do sul de Queensland<a href=\"#_ftn77\" id=\"_ftnref77\">[77]<\/a>; Smyth, descrevendo os Boandik do sudoeste de Victoria<a href=\"#_ftn78\" id=\"_ftnref78\">[78]<\/a>; Mann, de acordo com um residente (T. Petrie<a href=\"#_ftn79\" id=\"_ftnref79\">[79]<\/a>), que havia passado muito tempo na tribo de Moreton Bay<a href=\"#_ftn80\" id=\"_ftnref80\">[80]<\/a>. Finalmente, sobre as tribos do sul da Austr\u00e1lia Ocidental, temos as preciosas nega\u00e7\u00f5es de um bispo cat\u00f3lico, fundador da miss\u00e3o de Nova Norcie: ele acredita que Motagon \u00e9 o deus criador, bom, e que sua ideia corresponde \u00e0 revela\u00e7\u00e3o primitiva<a href=\"#_ftn81\" id=\"_ftnref81\">[81]<\/a>, mas concorda que ele n\u00e3o era reverenciado de forma alguma, nem por prece, nem por oferendas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um sintoma ainda mais grave do que essas nega\u00e7\u00f5es que se seguem a pesquisas provavelmente conscienciosas \u00e9 que, nas l\u00ednguas australianas das quais temos vocabul\u00e1rios, l\u00e9xicos ou textos, como tradu\u00e7\u00f5es da B\u00edblia, n\u00e3o encontramos nada que lembre a palavra \u201cprece\u201d<a href=\"#_ftn82\" id=\"_ftnref82\">[82]<\/a>. Mesmo quando fosse necess\u00e1rio, por exemplo, para a propaganda religiosa, foi preciso introduzir palavras, forj\u00e1-las ou desviar o significado de algumas outras. E isso n\u00e3o apenas para fazer compreender o ritual crist\u00e3o, mas tamb\u00e9m para transcrever o Antigo Testamento em si. Nos Evangelhos e G\u00eanesis em awabakal escritos pelo excelente Threlkeld, as palavras que substituem \u201corar\u201d e \u201cprece\u201d s\u00e3o compostas com o tema verbal \u201cwya\u201d, que significa simplesmente falar<a href=\"#_ftn83\" id=\"_ftnref83\">[83]<\/a>. No vocabul\u00e1rio dieri de Gason, a \u00fanica palavra que se aproxima de \u201cprece\u201d significa apenas encantamento<a href=\"#_ftn84\" id=\"_ftnref84\">[84]<\/a>. O pequeno l\u00e9xico do protetor dos ind\u00edgenas, Thomas, de Victoria<a href=\"#_ftn85\" id=\"_ftnref85\">[85]<\/a>, nos mostra os europeus utilizando simplesmente a palavra \u201cthanrk\u201d na l\u00edngua bunurong, wurnjerri etc., para expressar as \u201cgra\u00e7as\u201d \u00e0 divindade, e criando, para designar o voto, n\u00e3o sabemos como, uma nova palavra \u201cpardogurrabun\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas essas nega\u00e7\u00f5es t\u00e3o claras e esse sil\u00eancio preocupante da pr\u00f3pria linguagem n\u00e3o s\u00e3o suficientes para provar a aus\u00eancia de toda prece. De fato, \u00e9 preciso contar com os preconceitos dos etn\u00f3grafos europeus, mission\u00e1rios e at\u00e9 mesmo fil\u00f3logos. As distin\u00e7\u00f5es aqui se explicam por confus\u00f5es arbitr\u00e1rias em outros lugares. Mesmo os textos da B\u00edblia, nos quais a prece n\u00e3o passava de uma palavra solene para o hebreu, um meio de acesso \u00e0 divindade inacess\u00edvel fora das formas necess\u00e1rias, soam aos ouvidos de um mission\u00e1rio protestante ou cat\u00f3lico como edificantes efus\u00f5es da alma. Nem essas nega\u00e7\u00f5es nem esse sil\u00eancio s\u00e3o suficientes para provar a aus\u00eancia de toda prece.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de esses diferentes observadores n\u00e3o terem encontrado sequer vest\u00edgios pode dever-se a causas completamente diferentes. Manifestamente, eles partem do mesmo postulado que os defensores da tese oposta. Para eles, a prece crist\u00e3, a prece concebida pelo menos como um com\u00e9rcio espiritual entre o fiel e seu deus, \u00e9 o tipo pr\u00f3prio de prece. Sob a influ\u00eancia desse preconceito, eles eram incapazes de perceber o que h\u00e1 de comum entre a prece assim entendida e o tipo de palavras que o australiano dirige \u00e0s suas for\u00e7as sagradas familiares. \u00c9 tamb\u00e9m, pela mesma raz\u00e3o, que Spencer e Gillen se recusam a ver no sistema de ritos e cren\u00e7as tot\u00eamicas uma religi\u00e3o propriamente dita. Sua conclus\u00e3o negativa, portanto, carece da autoridade que normalmente se vincula ao seu testemunho. Para descobrir a prece na Austr\u00e1lia, \u00e9 preciso t\u00ea-la reduzido aos seus elementos essenciais e ter aprendido a n\u00e3o ver todas as coisas religiosas atrav\u00e9s de ideias crist\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p>A suposta pobreza do vocabul\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 mais demonstrativa. O que se queria fazer expressar \u00e0 linguagem \u00e9 a ideia da prece, conforme concebida; e \u00e9 natural que ela tenha se recusado, uma vez que essa ideia era estranha ao ind\u00edgena. A palavra faltava assim como a coisa. Para homens imbu\u00eddos de ideias teol\u00f3gicas, elementares ou refinadas, como eram os autores desses trabalhos lingu\u00edsticos, era imposs\u00edvel transpor o abismo que separa a ideia que podem ter da linguagem apropriada para Deus e o tipo de palavras dirigidas pelo australiano a seus totens, a seus esp\u00edritos. Os observadores estavam naturalmente incapacitados de perceber o que pode haver de comum entre uma prece crist\u00e3 e um canto destinado a encantar um animal. Da\u00ed suas nega\u00e7\u00f5es. E se a linguagem \u00e9 incapaz de expressar essa ideia de prece que o proselitismo queria inculcar, \u00e9 simplesmente porque essas l\u00ednguas e essas religi\u00f5es n\u00e3o estavam maduras para essa forma de prece que se desejava ensinar; mas isso n\u00e3o significa que outros sistemas de preces n\u00e3o fossem usados.<\/p>\n\n\n\n<p>Quais s\u00e3o estes sistemas de preces? \u00c9 o que se pretende demonstrar a seguir.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><a>II. Os in\u00edcios<\/a><\/h3>\n\n\n\n<p>O que encontramos n\u00e3o \u00e9, e nesse sentido \u00e9 preciso concordar com a tese negativa, em nenhum grau, preces de adora\u00e7\u00e3o, humilha\u00e7\u00e3o ou efus\u00e3o mental. No entanto, existem de outro tipo, de outros tipos. No tecido dos cultos australianos, h\u00e1 muitos ritos orais que merecem esse nome se adotarmos a defini\u00e7\u00e3o suficientemente geral que propusemos anteriormente. Mais tarde, poderemos ver como ritos orais informes podem ter a natureza e as fun\u00e7\u00f5es da prece sem ter a apar\u00eancia moral, o valor psicol\u00f3gico, o conte\u00fado sem\u00e2ntico dos discursos religiosos aos quais estamos acostumados a reservar esse nome.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, nas religi\u00f5es australianas, podemos perceber, al\u00e9m da massa de formas elementares, confusas e complexas, os contornos, os come\u00e7os, as tentativas de uma linguagem mais desenvolvida. A institui\u00e7\u00e3o j\u00e1 viva come\u00e7a a balbuciar de acordo com ritmos que, mais tarde, dar\u00e3o a medida de todo o ritual oral. Naturalmente, todos esses usos n\u00e3o est\u00e3o separados sen\u00e3o por nuances do tipo geral de ritos orais que constituiremos mais tarde. Mas, como na casca de um ovo aparece a mancha de sangue, o n\u00facleo de onde prov\u00e9m o pintinho, da mesma forma na Austr\u00e1lia aparecem tentativas de preces, mais ou menos vividamente coloridas, aqui e ali, no sentido europeu da palavra. Elas nos permitir\u00e3o compreender como essa esp\u00e9cie, \u00e0 qual os observadores ou estudiosos acreditaram poder reduzir o g\u00eanero, p\u00f4de nascer. Elas nos colocar\u00e3o no caminho onde deveremos procurar para encontrar as leis de uma evolu\u00e7\u00e3o. Finalmente, elas dar\u00e3o a sensa\u00e7\u00e3o de que, se entre as pr\u00e1ticas orais dos australianos e aquelas das religi\u00f5es antigas existe uma dist\u00e2ncia consider\u00e1vel, existem e existiram v\u00ednculos l\u00f3gicos que conectam os dois rituais. Pois fatos como os que vamos descrever teriam sido imposs\u00edveis se o restante do ritual oral de nossos primitivos n\u00e3o tivesse, em nenhum grau, os caracteres gen\u00e9ricos da prece e se tivesse se reduzido inteiramente ao encantamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Atribuiremos mais tarde mais import\u00e2ncia, toda a sua valia, aos ritos para provocar a chuva. Mas desde j\u00e1 podemos destacar o estudo de alguns documentos. Compreende-se, de fato, que at\u00e9 mesmo para observadores intimamente ligados aos ind\u00edgenas, ritos desse tipo tenham feito o efeito de verdadeiras preces europeias. Eles expressam, evidentemente, quer estejam afastando a chuva, quer estejam provocando-a, o desejo, a necessidade, a ang\u00fastia moral e material de todo um grupo. As palavras facilmente assumem a textura de uma esp\u00e9cie de voto, de desejo. E como a chuva, a \u00e1gua \u00e9 geralmente concebida como residindo em algum lugar, em um local de onde \u00e9 trazida, as f\u00f3rmulas parecem dirigidas a uma for\u00e7a pessoal da qual se solicita a vinda ou a ajuda misteriosa. \u00c9 importante estabelecer o limite atr\u00e1s do qual classificar esses ritos e que eles n\u00e3o ultrapassaram na Austr\u00e1lia<a href=\"#_ftn86\" id=\"_ftnref86\">[86]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Bunce<a href=\"#_ftn87\" id=\"_ftnref87\">[87]<\/a> nos diz que<a href=\"#_ftn88\" id=\"_ftnref88\">[88]<\/a> durante uma tempestade, ao chegar ao acampamento, \u201cum grupo de anci\u00e3os come\u00e7ou a rezar por bom tempo; sua prece consistia em um canto melanc\u00f3lico e cont\u00ednuo. Eles continuaram esse of\u00edcio por bastante tempo\u201d, mas, achando que seu bom deus, por enquanto, estava surdo \u00e0s suas s\u00faplicas, exclamaram: \u201cMarmingatha bullarto porkwadding; quanthunura \u2013 Marmingatha est\u00e1 muito mal-humorado e por qu\u00ea?\u201d<a href=\"#_ftn89\" id=\"_ftnref89\">[89]<\/a> Apesar da precis\u00e3o das palavras, vemos aqui apenas uma prece de um tipo totalmente diferente daquela que Bunce tinha em mente. \u00c9 claro que neste caso houve um rito oral, palavras, frases foram cantadas. Mas n\u00e3o temos a f\u00f3rmula, e nada garante que ela teve car\u00e1ter suplicante. A pr\u00f3pria continua\u00e7\u00e3o do rito parece implicar a interpreta\u00e7\u00e3o oposta. Pois, ao constatar seu insucesso, os anci\u00e3os \u201ccuspiram no ar em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 tempestade, dirigindo-lhe um grito de desprezo\u201d<a href=\"#_ftn90\" id=\"_ftnref90\">[90]<\/a>. Portanto, \u00e9 muito prov\u00e1vel que as primeiras palavras dirigidas a Marmingatha fossem mais ordens do que marcas de respeito, uma vez que a mesma individualidade espiritual \u00e9 exposta a insultos. Al\u00e9m disso, mesmo que houvesse prece nesse momento, e n\u00e3o apenas um rito interpretado dessa maneira, n\u00e3o se poderia concluir nada a partir do fato. A tribo de Geelong, encurralada neste momento em seu posto de prote\u00e7\u00e3o, j\u00e1 estava evangelizada. Isso \u00e9 demonstrado pelo pr\u00f3prio uso da palavra \u201cmarmingatha\u201d no vocabul\u00e1rio de Bunce<a href=\"#_ftn91\" id=\"_ftnref91\">[91]<\/a>: essa palavra que provavelmente significava um pai<a href=\"#_ftn92\" id=\"_ftnref92\">[92]<\/a>, um ancestral<a href=\"#_ftn93\" id=\"_ftnref93\">[93]<\/a>, um esp\u00edrito no m\u00e1ximo, ali designa tudo, o pessoal, o deus, os atos, e especialmente a prece, da religi\u00e3o evang\u00e9lica.<\/p>\n\n\n\n<p>Outros ritos orais do mesmo grupo se reduzem da mesma forma. Por exemplo, as preces das crian\u00e7as pela chuva entre os Euahlayi s\u00e3o no m\u00e1ximo uma esp\u00e9cie de dan\u00e7a m\u00e1gica<a href=\"#_ftn94\" id=\"_ftnref94\">[94]<\/a>. Da mesma forma, quando Gason encontrou entre os Dieri que se invocava, suplicava Moora Moora, deus criador, para ter chuva<a href=\"#_ftn95\" id=\"_ftnref95\">[95]<\/a>, ele cometeu um simples equ\u00edvoco, tanto sobre a natureza da divindade invocada, quanto sobre a natureza da f\u00f3rmula que temos agora<a href=\"#_ftn96\" id=\"_ftnref96\">[96]<\/a>. Aqui, s\u00e3o apenas ancestrais tot\u00eamicos de um cl\u00e3 da Chuva; e s\u00e3o dirigidas a eles apenas preces que t\u00eam pouco a ver com o sistema de invoca\u00e7\u00e3o crist\u00e3<a href=\"#_ftn97\" id=\"_ftnref97\">[97]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, precisamos procurar em outros lugares por fatos mais claros e pronunciados<a href=\"#_ftn98\" id=\"_ftnref98\">[98]<\/a>. Em um certo n\u00famero de tribos, completamente isoladas umas das outras, o nome dos totens<a href=\"#_ftn99\" id=\"_ftnref99\">[99]<\/a> \u00e9 pronunciado da mesma maneira que \u00e9 evocada nas religi\u00f5es muito mais elevadas, a personalidade divina. Na realidade e no esp\u00edrito, o animal auxiliar est\u00e1 presente ao seu adorador. \u201cEntre os Mallanpara<a href=\"#_ftn100\" id=\"_ftnref100\">[100]<\/a>, quando se deita ou adormece, ou se levanta, deve-se pronunciar, em voz mais ou menos baixa, o nome do animal etc., do qual se \u00e9 hom\u00f4nimo, ou que pertence ao grupo do qual se faz parte<a href=\"#_ftn101\" id=\"_ftnref101\">[101]<\/a>, acrescentando-lhe a palavra \u2018wintcha, wintcha\u2019 \u2013 onde? onde? (est\u00e1 voc\u00ea?)\u201d. Se necess\u00e1rio (ou seja, se o costume existir em outro lugar<a href=\"#_ftn102\" id=\"_ftnref102\">[102]<\/a>), deve-se imitar o som, o grito, o chamado (do animal)<a href=\"#_ftn103\" id=\"_ftnref103\">[103]<\/a>. O objetivo dessa pr\u00e1tica, ensinada pelos mais velhos aos jovens assim que est\u00e3o na idade de aprender essas coisas, \u00e9 que eles sejam felizes e habilidosos na ca\u00e7a e recebam todos os avisos \u00fateis contra qualquer perigo<a href=\"#_ftn104\" id=\"_ftnref104\">[104]<\/a> que possa vir do animal etc., cujo nome eles carregam. Se um homem com nome de peixe invoc\u00e1-lo regularmente assim, ter\u00e1 sucesso na pesca e pegar\u00e1 um grande peixe quando estiver faminto<a href=\"#_ftn105\" id=\"_ftnref105\">[105]<\/a>. Se um indiv\u00edduo negligenciar chamar o trov\u00e3o, a chuva<a href=\"#_ftn106\" id=\"_ftnref106\">[106]<\/a> etc., desde que sejam seus hom\u00f4nimos, perder\u00e1 o poder de faz\u00ea-los<a href=\"#_ftn107\" id=\"_ftnref107\">[107]<\/a>. Serpentes, jacar\u00e9s etc., n\u00e3o perturbar\u00e3o seus hom\u00f4nimos, no caso de serem evocados regularmente (sic), sem dar um aviso, um sinal, um \u201calgo\u201d que o abor\u00edgene sente em seu ventre, uma coceira que ele sente nas pernas. Se o indiv\u00edduo negligenciar essa pr\u00e1tica, ser\u00e1 sua culpa se for capturado ou mordido.<a href=\"#_ftn108\" id=\"_ftnref108\">[108]<\/a> \u201cEssa invoca\u00e7\u00e3o homog\u00eanea n\u00e3o \u00e9 considerada ter grande a\u00e7\u00e3o a favor das mulheres. Se se invocam outros seres (coisas e esp\u00e9cies sagradas) que n\u00e3o sejam seus hom\u00f4nimos, isso n\u00e3o d\u00e1 resultado, nem para o bem nem para o mal\u201d.<a href=\"#_ftn109\" id=\"_ftnref109\">[109]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ter\u00edamos prazer em classificar com esse chamado ao totem, um costume semelhante de outra tribo de Queensland. \u201cGrita-se, antes de dormir, um ou outro dos nomes dos animais, plantas, coisas relacionadas \u00e0 divis\u00e3o prim\u00e1ria da tribo da qual se faz parte<a href=\"#_ftn110\" id=\"_ftnref110\">[110]<\/a>. O animal ou coisa assim chamado avisa, durante a noite, sobre a chegada de outros animais etc., durante o sono.\u201d Em outras palavras, se compreendermos corretamente essas frases obscuras, o animal auxiliar<a href=\"#_ftn111\" id=\"_ftnref111\">[111]<\/a> cuida de seu aliado, avisando-o de tudo o que possa acontecer vindo dos seres subsumidos, classificados sob as outras classes matrimoniais. Por exemplo, suponhamos que, para um Kurchilla, o gamb\u00e1, que est\u00e1 nessa classe, anunciar\u00e1 na mesma a chegada da chuva, sagrada para o Wungko. Mas n\u00e3o temos certeza de que se trata realmente de totens; pois n\u00e3o se menciona aqui cl\u00e3s que carregam esses nomes, nem um culto dirigido, fora desses ritos, a essas esp\u00e9cies e coisas, entre as quais o vento, a chuva. No entanto, \u00e9 muito prov\u00e1vel que sejam; em todo o grupo de tribos vizinhas, existe precisamente um tipo muito especial de totemismo, onde as pessoas do totem e aquelas aparentadas de sua classe<a href=\"#_ftn112\" id=\"_ftnref112\">[112]<\/a>, t\u00eam o direito exclusivo de consumir o totem e os totens de sua classe, e onde as proibi\u00e7\u00f5es alimentares muitas vezes consequentemente as classes<a href=\"#_ftn113\" id=\"_ftnref113\">[113]<\/a>, a comida e o culto sendo, por assim dizer, distribu\u00eddos, com um m\u00ednimo de coopera\u00e7\u00e3o entre as duas fratrias. Al\u00e9m disso, devemos levar em considera\u00e7\u00e3o a tend\u00eancia, sistem\u00e1tica em nossa opini\u00e3o, mas admitida de qualquer maneira, que leva Roth a n\u00e3o ver totens em lugar nenhum, mesmo onde certamente<a href=\"#_ftn114\" id=\"_ftnref114\">[114]<\/a> existem fam\u00edlias nomeadas a partir de animais ou coisas e possuindo sobre elas um poder singular.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato, embora raro, n\u00e3o \u00e9 isolado. Encontramos esse costume entre os Parnkalla, de Port-Lincoln (sul da Austr\u00e1lia)<a href=\"#_ftn115\" id=\"_ftnref115\">[115]<\/a> em uma forma intermedi\u00e1ria entre as duas pr\u00e1ticas que acabamos de descrever. O nome dos totens \u00e9 gritado durante a ca\u00e7a; em caso de sucesso, enquanto se bate no est\u00f4mago, \u201cNgaitye paru! Ngaitye paru!\u201d \u201cminha carne, Minha carne\u201d, traduz Sch\u00fcrmann<a href=\"#_ftn116\" id=\"_ftnref116\">[116]<\/a>. Outras f\u00f3rmulas, pelo contr\u00e1rio, n\u00e3o parecem ser reservadas aos membros do cl\u00e3 tot\u00eamico, mas \u00e0queles dos outros cl\u00e3s que podem ca\u00e7ar o animal, e aos quais \u00e9 concedido, pelos membros do cl\u00e3, com o aux\u00edlio dos \u201cd\u00edsticos de ca\u00e7a\u201d, uma esp\u00e9cie de poder sobre o animal ca\u00e7ado<a href=\"#_ftn117\" id=\"_ftnref117\">[117]<\/a>. Elas tamb\u00e9m evocam as virtudes da esp\u00e9cie tot\u00eamica e os encantos que ela fornece<a href=\"#_ftn118\" id=\"_ftnref118\">[118]<\/a>. De modo que se poderia dizer que os Parnkalla conheceram ritos orais do tipo dos praticados pelas duas tribos de Queensland, t\u00e3o distantes deles que o empr\u00e9stimo est\u00e1 fora de quest\u00e3o. Podemos at\u00e9 ver na coincid\u00eancia a prova da possibilidade de uma mesma evolu\u00e7\u00e3o, de uma mesma tend\u00eancia para a forma\u00e7\u00e3o de verdadeiras preces.<\/p>\n\n\n\n<p>As principais caracter\u00edsticas desta j\u00e1 est\u00e3o reunidos, de maneira muito sum\u00e1ria certamente, mas j\u00e1 impregnada de uma religiosidade bastante forte. Essa regularidade do rito, essa obriga\u00e7\u00e3o de realiz\u00e1-lo, entre os Mallanpara, essa emo\u00e7\u00e3o adivinhat\u00f3ria, que seu cumprimento confere ao seu observador, essa presci\u00eancia dos sonhos que ela proporciona entre os Kokowarra, j\u00e1 singularizam fortemente esses ritos entre os outros do ritual australiano. Al\u00e9m disso, n\u00e3o lhes falta nenhum dos tra\u00e7os gerais que definimos como sendo os da prece; elas agem, utilizam poderes sagrados concebidos como intermedi\u00e1rios, fazem parte de um culto regular em dois casos, regulado no outro. No entanto, medimos que dist\u00e2ncia separa um rito desse tipo, a mentalidade que revela, de ritos mais elevados. Qu\u00e3o fraca \u00e9 a nuan\u00e7a que separa essas invoca\u00e7\u00f5es das evoca\u00e7\u00f5es, at\u00e9 das evoca\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas. Apenas um chamado, o dos Mallanpara; faz alus\u00e3o a essa dist\u00e2ncia onde ser\u00e3o situados, nos rituais aprimorados, os deuses, e justamente \u00e9 de uma concis\u00e3o toda imperativa \u201conde? onde?\u201d. \u00c9 um chamado que \u00e9 uma esp\u00e9cie de ordem, o deus vem da mesma forma como o c\u00e3o se coloca \u00e0 voz do seu mestre.<\/p>\n\n\n\n<p>Encontraremos em outros lugares esses ritos de chamado ao totem. Eles ocorrem em outros grupos de pr\u00e1ticas, nas festas mais importantes do culto australiano<a href=\"#_ftn119\" id=\"_ftnref119\">[119]<\/a>, e teremos a oportunidade de melhor destacar seu valor naquele momento, e, ao retornar, o valor dos fatos que acabamos de citar.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todas as outras pr\u00e1ticas do totemismo australiano, encontramos apenas um fato que se encaixa bastante bem na ideia que estamos acostumados a ter sobre a prece: uma das f\u00f3rmulas dirigidas, entre tantas outras, ao Wollunqua<a href=\"#_ftn120\" id=\"_ftnref120\">[120]<\/a>. Este \u00e9 uma serpente fabulosa, \u00fanica em sua esp\u00e9cie; no entanto, d\u00e1 origem a um cl\u00e3 que leva seu nome e n\u00e3o se distingue de outros cl\u00e3s tot\u00eamicos<a href=\"#_ftn121\" id=\"_ftnref121\">[121]<\/a> dos Warramunga (Centro australiano). Essa prece foi repetida pelos dois l\u00edderes do cl\u00e3 quando levaram Spencer e Gillen a Thapauerlu<a href=\"#_ftn122\" id=\"_ftnref122\">[122]<\/a>, ao \u201cburaco d\u2019\u00e1gua\u201d<a href=\"#_ftn123\" id=\"_ftnref123\">[123]<\/a>, na caverna em que ele habita. \u201cEles disseram a ele que tinham trazido dois grandes homens brancos para ver onde ele vivia; e pediram a ele que n\u00e3o nos fizesse mal, nem a eles nem a n\u00f3s.\u201d<a href=\"#_ftn124\" id=\"_ftnref124\">[124]<\/a> Eles explicam tamb\u00e9m que s\u00e3o seus amigos e associados. Note como \u00e9 sintom\u00e1tico esse isolamento de tal discurso a um ser divino. Os ritos do cl\u00e3 do Wollunqua, que, segundo Spencer e Gillen, seriam os \u00fanicos com um car\u00e1ter propiciat\u00f3rio<a href=\"#_ftn125\" id=\"_ftnref125\">[125]<\/a> em todas as tribos que observaram, t\u00eam apenas uma f\u00f3rmula que reflete o sentido geral, ainda vago, que todas essas pr\u00e1ticas<a href=\"#_ftn126\" id=\"_ftnref126\">[126]<\/a> assumem, e essa f\u00f3rmula nem mesmo parece estar perfeitamente integrada no culto: \u00e9 ocasional, e pronunciada diante de brancos, certamente iniciados, mas ainda assim estranhos. Em suma, o ponto culminante atingido aqui pelas f\u00f3rmulas do ritual tot\u00eamico em sua tend\u00eancia para outros tipos de prece n\u00e3o \u00e9 muito est\u00e1vel, nem muito elevado<a href=\"#_ftn127\" id=\"_ftnref127\">[127]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Resta o culto dos grandes esp\u00edritos, dos grandes deuses, se preferir. Ele tamb\u00e9m inclui certos ritos orais nos quais aparece algo al\u00e9m de ordens, narrativas ou chamados.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os Pita Pita de Boulia, Karnmari, a grande serpente d\u2019\u00e1gua, esp\u00edrito da natureza, iniciador de magos, ouve discursos<a href=\"#_ftn128\" id=\"_ftnref128\">[128]<\/a> breves bastante semelhantes ao que os dois l\u00edderes do cl\u00e3 do Wollunqua pronunciaram perto da resid\u00eancia de seu ancestral direto. Mas Karnmari parece estar desvinculado de qualquer totem; ele aparece durante as cheias dos riachos e, nesse momento, afoga os imprudentes. Se quisermos agir sabiamente, devemos falar com Karnmari e dizer mais ou menos: \u201cN\u00e3o me toque, perten\u00e7o a esta terra.\u201d Em suma, a palavra serve aqui para avisar o esp\u00edrito propriet\u00e1rio do local, pedir-lhe para passar e explicar a raz\u00e3o pela qual se conta com sua benevol\u00eancia. \u00c9 uma conversa e pede-se um favor: a for\u00e7a da corrente diminui. No entanto, n\u00e3o devemos exagerar a qualidade dessa prece. Ela mais conjura do que suplica; aqui, \u00e9 mais uma senha para uso exclusivo dos nativos, parentes apenas (tais s\u00e3o os relacionamentos do cl\u00e3 do Wollunqua com seu totem) ou \u00fanicos amigos de Karnmari<a href=\"#_ftn129\" id=\"_ftnref129\">[129]<\/a>. Ela deve, finalmente, ser relacionada a todos os fatos de permiss\u00e3o solicitada aos esp\u00edritos locais, tot\u00eamicos e outros<a href=\"#_ftn130\" id=\"_ftnref130\">[130]<\/a>. Assim que seres pessoais ou impessoais se vincularam estreitamente a uma localidade a ponto de se tornarem propriet\u00e1rios, foi necess\u00e1rio agir com eles como com possuidores humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos esp\u00edritos entre os australianos n\u00e3o permaneceram t\u00e3o conectados \u00e0 natureza quanto Karnmari ou Wollunqua. Em v\u00e1rias sociedades, mesmo do Centro e do Oeste<a href=\"#_ftn131\" id=\"_ftnref131\">[131]<\/a>, a no\u00e7\u00e3o do grande deus, geralmente celestial<a href=\"#_ftn132\" id=\"_ftnref132\">[132]<\/a>, foi compreendida em graus variados. Acreditavam o suficiente para direcionar algum tipo de culto a esses deuses, ou pelo menos consider\u00e1-los testemunhas mais ou menos ativas de seus rituais. Um dos seres divinos mais not\u00e1veis \u00e9 Atnatu<a href=\"#_ftn133\" id=\"_ftnref133\">[133]<\/a>, o deus da inicia\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn134\" id=\"_ftnref134\">[134]<\/a> entre os Kaitish, uma das tribos que, segundo Spencer e Gillen, eram consideradas incapazes desse culto<a href=\"#_ftn135\" id=\"_ftnref135\">[135]<\/a>. Ele nasceu quase no in\u00edcio do mundo e, com ancestrais de alguns totens, transformou as coisas de brutas e imperfeitas em \u00e1geis e completas. Ele reside no c\u00e9u com suas esposas, as estrelas, e seus filhos, que tamb\u00e9m s\u00e3o estrelas, atnatu, como ele. Dali, ele observa e ouve os homens. Ele escuta se eles ressoam bem os \u201cdem\u00f4nios\u201d da inicia\u00e7\u00e3o e recitam corretamente todos os cantos relacionados<a href=\"#_ftn136\" id=\"_ftnref136\">[136]<\/a>. Se ele n\u00e3o os ouve, perfura os \u00edmpios com sua lan\u00e7a, levando-os ao c\u00e9u; se os ouve, ele mesmo conduz a inicia\u00e7\u00e3o de um de seus filhos. Desconhecemos o conte\u00fado desses cantos e se s\u00e3o cantos de v\u00e1rios totens ou da pr\u00f3pria inicia\u00e7\u00e3o; provavelmente envolvem ambos. No entanto, embora seu car\u00e1ter eficaz seja evidente, \u00e9 igualmente certo que s\u00e3o direcionados a um deus, n\u00e3o sendo esse deus uma figura m\u00edtica p\u00e1lida e exot\u00e9rica. Esses cantos fazem parte das cerim\u00f4nias que deveriam e ainda devem ser repetidas \u201cpara ele\u201d<a href=\"#_ftn137\" id=\"_ftnref137\">[137]<\/a>. Na maioria das tribos de Nova Gales do Sul, e em parte de Victoria e Queensland, os rituais de inicia\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn138\" id=\"_ftnref138\">[138]<\/a> normalmente envolvem a presen\u00e7a de um grande deus<a href=\"#_ftn139\" id=\"_ftnref139\">[139]<\/a>. Fora dessas cerim\u00f4nias, esse ser n\u00e3o parece ser objeto de nenhum culto adorador, mas pelo menos \u00e9 objeto de invoca\u00e7\u00f5es. Ele \u00e9 chamado por seu nome<a href=\"#_ftn140\" id=\"_ftnref140\">[140]<\/a>, descrevem o que fazemos para ele e o que ele faz<a href=\"#_ftn141\" id=\"_ftnref141\">[141]<\/a>, e, de maneira semelhante a uma ladainha, ele \u00e9 evocado \u201cpor seus sin\u00f4nimos\u201d<a href=\"#_ftn142\" id=\"_ftnref142\">[142]<\/a>. Como Howitt afirma, \u201cN\u00e3o h\u00e1 culto de Daramulun, mas as dan\u00e7as ao redor da figura de argila moldada e sua invoca\u00e7\u00e3o nominativa pelos homens-m\u00e9dicos certamente poderiam ter chegado a isso.\u201d<a href=\"#_ftn143\" id=\"_ftnref143\">[143]<\/a> Outras cerim\u00f4nias envolvem uma esp\u00e9cie de demonstra\u00e7\u00e3o, que pode ser tamb\u00e9m evocativa: ela \u00e9 silenciosa, mas t\u00e3o expressiva que pode verdadeiramente ser considerada um desses casos, comuns entre os australianos, nos quais a religi\u00e3o se utilizou do gesto para substituir a palavra<a href=\"#_ftn144\" id=\"_ftnref144\">[144]<\/a>. No Bunan (Noroeste de Victoria, Sudeste de Nova Gales do Sul, Yuin), os homens levantam os bra\u00e7os para o c\u00e9u, o que significa \u201co Grande Mestre\u201d<a href=\"#_ftn145\" id=\"_ftnref145\">[145]<\/a>, o nome esot\u00e9rico de Daramulun. Da mesma forma, no Burbung, durante o c\u00edrculo de inicia\u00e7\u00e3o, os Wiraijuri fazem uma demonstra\u00e7\u00e3o semelhante ao grande deus<a href=\"#_ftn146\" id=\"_ftnref146\">[146]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas pr\u00e1ticas parecem estar restritas aos rituais tribalmente naturais de inicia\u00e7\u00e3o. No entanto, encontramos exemplos em outros lugares. Diante de Taplin, os Narinyerri fizeram uma manifesta\u00e7\u00e3o desse tipo aos c\u00e9us, soltando um grito ou chamado e repetindo-o v\u00e1rias vezes. Durante uma grande ca\u00e7ada de cangurus, ap\u00f3s um canto em coro, os homens avan\u00e7aram com lan\u00e7as em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 fuma\u00e7a da fogueira onde o wallaby estava cozinhando; em seguida, ergueram suas armas para o c\u00e9u<a href=\"#_ftn147\" id=\"_ftnref147\">[147]<\/a>. A cerim\u00f4nia foi institu\u00edda por Nurundere, a quem se destina, e Nurundere \u00e9 um grande deus<a href=\"#_ftn148\" id=\"_ftnref148\">[148]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Independentemente da import\u00e2ncia desses fatos, eles apenas nos mostram as civiliza\u00e7\u00f5es australianas seguindo o caminho que leva \u00e0 prece aos deuses, aos grandes deuses. A simplicidade das f\u00f3rmulas, reduzidas quase todas ao chamado do nome, e a natureza dessas f\u00f3rmulas, que evocam mais do que invocam, as colocam verdadeiramente junto com outras f\u00f3rmulas que encontraremos nos cantos de inicia\u00e7\u00e3o, dos quais fazem parte, ou com aquelas do culto tot\u00eamico, das quais s\u00e3o vizinhas. S\u00e3o tentativas, mas tentativas bem informadas, de expressar, por meio de uma fraseologia simples, que a divindade est\u00e1 distante e que se quer traz\u00ea-la para perto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 not\u00e1vel que entre os rituais orais se destaquem os dos magos, nos quais podemos vislumbrar melhor o que eventualmente se tornar\u00e1 a prece, quando adquirir uma fisionomia diferente da que reconhecemos na Austr\u00e1lia. Como uma institui\u00e7\u00e3o cuja evolu\u00e7\u00e3o tanto contribuiu para o desenvolvimento da religiosidade pode dever tanto aos magos? Isso seria imposs\u00edvel de compreender se n\u00e3o soub\u00e9ssemos, por outro lado, que os magos constituem a elite intelectual das sociedades primitivas e est\u00e3o entre os agentes mais ativos de seu progresso. Em pelo menos dois momentos de seus rituais, conforme os representam aos leigos em sua corpora\u00e7\u00e3o, eles incorporam elementos que, em outras civiliza\u00e7\u00f5es, ser\u00e3o t\u00edpicos de todo o ritual precativo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por um lado, lidam com os grandes deuses, dos quais frequentemente derivam seu poder. N\u00e3o apenas t\u00eam, em suas inspira\u00e7\u00f5es durante suas inicia\u00e7\u00f5es, conversas regulares com eles<a href=\"#_ftn149\" id=\"_ftnref149\">[149]<\/a>, mas tamb\u00e9m, em alguns casos, t\u00eam pedidos a lhes dirigir. Assim, entre os Anula (golfo de Carpentaria), encontramos talvez uma esp\u00e9cie de verdadeira prece-pedido. Contra os dois maus esp\u00edritos que causam doen\u00e7a, eles combatem um terceiro, chamado pelo mesmo nome, Gnabaia, que a cura<a href=\"#_ftn150\" id=\"_ftnref150\">[150]<\/a>. O mago \u201ccanta para ele<a href=\"#_ftn151\" id=\"_ftnref151\">[151]<\/a> vir e restaurar o doente\u201d. Deve haver ritos semelhantes entre os Binbinga: o mago tem dois deuses, sendo um deles, ali\u00e1s, o duplo do outro e tamb\u00e9m a alma do mago que tem o mesmo nome que ele; \u00e9 esse \u00faltimo deus que possui os poderes medicinais, assistindo \u00e0 opera\u00e7\u00e3o. E como, em certo momento, o Munkaninji vai pedir ao deus Munkaninji permiss\u00e3o para mostrar \u00e0 assist\u00eancia o osso m\u00e1gico causador da doen\u00e7a, \u00e9 bastante prov\u00e1vel que tenha havido um apelo pr\u00e9vio a Munkaninji, e talvez uma indica\u00e7\u00e3o do efeito desejado<a href=\"#_ftn152\" id=\"_ftnref152\">[152]<\/a>. Isso \u00e9 certo? Parece-nos, em todo caso, que f\u00f3rmulas desse tipo s\u00e3o necess\u00e1rias no rito que, entre os Binbinga e os Mara, consiste em chamar, como nos Anula<a href=\"#_ftn153\" id=\"_ftnref153\">[153]<\/a>, um terceiro esp\u00edrito contra os dois esp\u00edritos mal\u00e9ficos iniciadores dos magos<a href=\"#_ftn154\" id=\"_ftnref154\">[154]<\/a>. A maneira como um sacrif\u00edcio serve para adquirir o pr\u00f3prio<a href=\"#_ftn155\" id=\"_ftnref155\">[155]<\/a> poder m\u00e1gico nos faz pensar que os magos dessas tribos podem ter alcan\u00e7ado ou afirmado alcan\u00e7ar refinamentos rituais bastante elevados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, os magos ainda encontravam seres bastante individuais e sagrados, com os quais podiam e deviam, em certas tribos, conversar regularmente. S\u00e3o os mortos dos quais tamb\u00e9m derivam seus poderes. Naturalmente, como em um retorno, os homens-m\u00e9dicos s\u00e3o superiores aos seus esp\u00edritos orientadores, e a maioria desses ritos orais assume a apar\u00eancia de evoca\u00e7\u00e3o simples em vez de invoca\u00e7\u00e3o. Encontraremos um bom exemplo no antigo trabalho de Dawson sobre as tribos do noroeste de Victoria. No entanto, nem todos t\u00eam uma cor t\u00e3o n\u00edtida de f\u00f3rmulas m\u00e1gicas. Algumas express\u00f5es tradicionais dos homens-m\u00e9dicos j\u00e1 t\u00eam um significado menos fixo: \u00e9 assim que Howitt deu tr\u00eas tradu\u00e7\u00f5es de uma mesma f\u00f3rmula de Mulla mullung (mago de magia branca), com Tulaba interpretando alternadamente como suplicante e como evocativa<a href=\"#_ftn156\" id=\"_ftnref156\">[156]<\/a>. Mas outros fatos s\u00e3o mais claros. Os Jupagalk (Victoria ocidental) suplicavam, em caso de perigo, a um amigo morto para vir v\u00ea-los em sonho e ensinar-lhes as f\u00f3rmulas que poderiam conjurar o mal<a href=\"#_ftn157\" id=\"_ftnref157\">[157]<\/a>. Entre os Bunurong (Victoria, Melbourne), eles \u201cconjuravam os Len-ba-moor, os esp\u00edritos dos mortos, para entrar na parte doente e extrair o encanto causador da doen\u00e7a\u201d<a href=\"#_ftn158\" id=\"_ftnref158\">[158]<\/a>. O fato \u00e9 plaus\u00edvel, especialmente quando comparado com o rito Anula que acabamos de mencionar, mas as palavras provavelmente n\u00e3o tinham uma forma de conjura\u00e7\u00e3o t\u00e3o clara.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, estes s\u00e3o fatos que comprovam que, mesmo na Austr\u00e1lia, existem preces e elementos de prece de um tipo bastante evolu\u00eddo. Agora, podemos explorar o estudo de outros tipos de preces menos pr\u00f3ximos dos tipos conhecidos. De fato, teremos certeza de que os ritos orais elementares que estamos prestes a descrever s\u00e3o aqueles que podem dar origem aos que acabamos de identificar. Pois vemos esses coexistirem com aqueles em uma mesma civiliza\u00e7\u00e3o, em um mesmo ritual. E podemos facilmente associar uns \u00e0s preces do culto tot\u00eamico e outros \u00e0s do culto da inicia\u00e7\u00e3o. Em uma quantidade consider\u00e1vel de preces vivas, por\u00e9m rudimentares e diferentes das que normalmente recebem esse nome, vimos surgir os n\u00facleos, as sementes, colorir os centros de onde surgir\u00e3o novas formas da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Teremos ainda mais a sensa\u00e7\u00e3o da riqueza religiosa do ritual oral elementar dos australianos quando analisarmos cada um de seus elementos. Por mais distantes que sejam das preces cl\u00e1ssicas, das f\u00f3rmulas do culto tot\u00eamico ou do culto da inicia\u00e7\u00e3o, estas nos parecer\u00e3o, no entanto, ter a mesma natureza gen\u00e9rica e a mesma fun\u00e7\u00e3o social que aquelas. Ao mesmo tempo, estaremos em condi\u00e7\u00f5es de tentar uma explica\u00e7\u00e3o dessas formas elementares, compreender suas condi\u00e7\u00f5es e as causas profundas na mentalidade dos homens que vivem em agrupamentos extremamente primitivos. Enquanto a an\u00e1lise hist\u00f3rica de extensas cole\u00e7\u00f5es de preces evolu\u00eddas nem mesmo poderia nos encaminhar para as formas primitivas, j\u00e1 estamos no caminho das causas. A abordagem que escolhemos nos leva a este objetivo e a conclus\u00f5es sobre as capacidades que essas formas tinham por si s\u00f3 de evoluir, sobre as causas que podem ter exigido essa evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> Esquisse, p. 23, 40.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Elements of the Science of Religion, Edimbourg, 1898, II, p. 150.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Ib. p. 154.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> Como seus imitadores, R. Pfleiderer (Grundriss der Religionsphilosophie, p. 190); Bousset (Das Wesen der Religion, le\u00e7ons de G\u00f6ttingen, G\u00f6ttingen, 1904, p. 21). Um antrop\u00f3logo desinteressado, Crawley, caiu no mesmo erro. \u00c9 verdade que seu trabalho \u00e9 de natureza filos\u00f3fica (The Tree of Life, 1906, pp. 62, 182), mas ele est\u00e1 familiarizado com os fatos australianos e discute a interpreta\u00e7\u00e3o proposta por Frazer para eles, mas conduz o debate como um te\u00f3logo (M. Lang, Mythes, cultes et religions, trans. p. 180, tem a mesma atitude).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> Civilisation primitive (tr. fr.), II, p. 468.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> Consultar Waitz, Anthropologie der Naturv\u00f6lker (2), IV, p. 508.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> \u201cOn Ancient Prayer\u201d in Semitic Studies (Kohut). Berlin, Calvary, 1896, pp. 1-51). (Parte de um curso n\u00e3o publicado, dado em 1895 em Oxford). Cf. Pref\u00e1cio em Wyatt Gill, Myths and Songs of South Pacific. Lond. 1890.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> The Melanesians etc. Oxford, 1890.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> On Ancient Prayer, p. 41. Cf. Anthropological Religion, Londres, 1893, p. 320.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> The Melanesians, p. 71, p. 123.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> Ele n\u00e3o o cita, mas o livro foi bem-sucedido o suficiente para acreditarmos que era conhecido por um dos fundadores da ci\u00eancia da religi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> \u201cThe Prayers of Savages\u201d, in Primitive Manners and Customs, London, 1872.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> \u201cFrom Spell to Prayer\u201d. \u2013 Folklore, 1904, p. 132, e seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> \u201cOn Toda Prayers\u201d. \u2013 Folklore, 1904, p. 166, e seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> Cf. The Todas, Macmillan, 1906, p. 216, e seguinte. Cf. discuss\u00e3o a seguir, L. R. Farnell, Evolution of Religion (Crown Theological Series), 1905, cap. III. \u201cHistory of Prayer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> Op. cit., p. 167; a prova citada \u00e9 tomada de um artigo de Latham, \u201cThe Tribes and Subtribes&#8230; the Bahr el Gazal,\u201d Journ. of the Anthr. Inst. 1904, p. 165. Isso n\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido. O texto simplesmente significa que n\u00e3o h\u00e1 preces dirigidas ao grande Deus. E a afirma\u00e7\u00e3o em si \u00e9 bastante implaus\u00edvel, j\u00e1 que os povos nil\u00f3ticos, que atingiram um alto grau de civiliza\u00e7\u00e3o, est\u00e3o entre os mais religiosos dos povos africanos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> Frazer aplicou essa teoria \u00e0 magia e \u00e0 religi\u00e3o, que teriam sido precedidas por uma era m\u00e1gica da humanidade, cf. Golden Bough, II, 140 e seguintes. III, 530 e seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> Consultar Hubert e Mauss, \u201cEsquisse d\u2019une th\u00e9orie g\u00e9n\u00e9rale de la Magie\u201d, Ann\u00e9e sociologique, 7, p. 101 e seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> N\u00e3o levaremos em conta os fatos da Tasm\u00e2nia, exceto para indicar refer\u00eancias e conex\u00f5es, embora os nativos da Tasm\u00e2nia fossem certamente da mesma linhagem que os australianos, e em sua forma mais primitiva, como \u00e9 geralmente admitido: veja Howitt, \u201cPresident\u2019s Address\u201d, Austral. Ass. Adv. Sc. 1898, IV, Melbourne; Native Tribes of South-East Australia (doravante S. E. A.), Londres 1905, cap. I. Todos os documentos \u00fateis podem ser encontrados na monografia de Ling Roth, The Tasmanians, Halifax, 1899. A observa\u00e7\u00e3o dos tasmanianos, se tivesse sido poss\u00edvel faz\u00ea-la, teria sido de import\u00e2ncia capital para n\u00f3s, uma vez que eles representavam, vivos, um per\u00edodo da humanidade que desapareceu, em nossas regi\u00f5es com as mais antigas civiliza\u00e7\u00f5es paleol\u00edticas, cf. Tylor, \u201cOn the Tasmanians as Representatives of Eolithic Man\u201d, journal of the Anthropological Institute (doravante J. A. I.), 1895, p. 413. Mas os tasmanianos foram destru\u00eddos antes que qualquer observa\u00e7\u00e3o definitiva pudesse ser feita sobre as sociedades que eles formavam. Entretanto, os poucos documentos referentes a eles n\u00e3o contradizem nenhum dos dados fornecidos pelas religi\u00f5es australianas, e alguns deles podem at\u00e9 ser \u00fateis para compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> \u201cDie Bedeutung Australiens f\u00fcr die Geschichte der Menschheit,\u201d in Zeitschrift f\u00fcr Ethnologie, 1901, p. 127, e seguinte., cf. Klaatscap. VerhandId. Deut. Anthro. Tags. z. Frankfurt, in Mitthlg. d. Anthr. Gesell. in Tien, 1907, p. 83.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> Para ser claramente distinguido dos Onans, sobre os quais ver Bunsen, \u201cThe Onans of Tierra del Fuego\u201d, em Geographical journal, 1905, I, p. 513, que s\u00e3o imigrantes patag\u00f4nicos; eles est\u00e3o, portanto, ligados \u00e0 grande ra\u00e7a e \u00e0 grande civiliza\u00e7\u00e3o caribenha; sobre estes \u00faltimos, ver Verneau, Les Patagoniens, Paris, 1899.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> Hyades e Deniker, Mission scientifique \u00e0 la Terre de Feu, vol. IV. As observa\u00e7\u00f5es sobre religi\u00e3o, em particular, s\u00e3o incompletas e foram feitas em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a> \u201cThe Seri Indians\u201d, in XVIIth Annual Report of the Bureau of American Ethnology, 2 Pt. Washington, 1899 (1900).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a> Falta aprofundamento. Mac Gee, loc, cit. p. 152 , 154; redu\u00e7\u00e3o dos grupos sociais a dois cl\u00e3s tot\u00eamicos, cren\u00e7as amorfas, p. 269.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a> Cer\u00e2mica, a cer\u00e2mica \u201colle\u201d em particular, Mac Gee, loc. cit. p. 220, arco composto, p. 195, e seguinte.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a> Sobre esse ponto, consulte Mac Gee, loc. cit., p. 293 e segs., e Alzadar, Estudios sobre los Indios del Mexico Norte, Cidade do M\u00e9xico, 1903, p. 180 e segs. (parece ter sido inspirado pelos documentos de Mac Gee).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\" id=\"_ftn27\">[27]<\/a> Veja a bibliografia sobre eles, Schmidt, \u201cDie Pgym\u00e4er des Ituri\u201d, em Zeitchr. f. Ethno, 1905, p. 100 e seguintes, e Mgr Le Roy, Les Pygm\u00e9es africains, Paris, Mame, 1905.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\" id=\"_ftn28\">[28]<\/a> Sobre eles, veja os trabalhos citados por Skeat e Blagden, The Pagan Races of the Malay Peninsula, Macmillan, 1906, p. XXX, e seguinte. Sobre os Negritos das Filipinas, veja as publica\u00e7\u00f5es do Ethnological Survey, dirigido por Jenks; veja Ann\u00e9e sociologique, 10, p. 213. Essas publica\u00e7\u00f5es perderam completamente toda a originalidade.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\" id=\"_ftn29\">[29]<\/a> Essas lendas foram publicadas pela primeira vez por Sarrasin, Die Veddahs von Ceylon. Basileia, 1888. Portanto, aguardamos suas observa\u00e7\u00f5es sobre os Toalas de Sulawesi com impaci\u00eancia e certa desconfian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\" id=\"_ftn30\">[30]<\/a> Sobre o conceito de prov\u00edncia geogr\u00e1fica, consulte Bastian, Das elementare V\u00f6lkergedanke, Berlim, 1874. Concordemos que \u00e9 indiscut\u00edvel que as influ\u00eancias malaias foram exercidas ao norte da Austr\u00e1lia e as influ\u00eancias oce\u00e2nicas ao nordeste: veja Maj. Campbell, \u201cMem. Resid. Melville Isl. and Port Essington\u201d, Journ. Roy. Geogr. Soc. 1843, vol. 13, p. 180, e seguinte. 13, p. 180, e seguinte. G. W. Earl, \u201cOn the Aboriginal Tribes of the Northern Coast of Australia\u201d. Journ. Roy. Geogr. Soc. 1845, vol. XVI, p. 239; cf. G. W. Earl, \u201cOn Aboriginal Tribes\u201d, Journ. XVI, p. 239; cf. N. W. Thomas, \u201cAustralian Canoes and Rafts\u201d, J. A. 1. 1905, tipo 3, p. 70. Entretanto, o presente trabalho pode ser considerado como uma ajuda para estabelecer essa unidade das popula\u00e7\u00f5es australianas. O \u00fanico que contestou esse fato foi Mathew, Eaglehawk and Crow (Londres, Nutt, 1899), que at\u00e9 mesmo v\u00ea na divis\u00e3o dos cl\u00e3s prim\u00e1rios a prova da exist\u00eancia de duas ra\u00e7as separadas e atribui uma ao ramo papuano e a outra ao ramo dravidiano da humanidade. N\u00e3o a discutiremos. Essa tese nem mesmo se baseia nas evid\u00eancias lingu\u00edsticas que o autor afirma ter encontrado. Os \u00fanicos pontos que podem ser concedidos a ele s\u00e3o que \u00e9 bem poss\u00edvel que os tasmanianos n\u00e3o sejam inteiramente da mesma ra\u00e7a ou civiliza\u00e7\u00e3o que os australianos, e que representem uma camada anterior da popula\u00e7\u00e3o, e que, para aqueles que a contestaram, \u00e9 Mathew, Eaglehawk and Crow, (Londres, How. Mathew, Eaglehawk and Crow, (Londres, por raz\u00f5es de geologia (veja Howitt, loc. cit.), zoologia (aus\u00eancia do dingo, veja Transactions of the Royal Society of South Australia, Memoir II) e tecnologia (veja Tylor, loc. cit.).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\" id=\"_ftn31\">[31]<\/a> Sobre esse ponto, simplesmente nos referimos aos trabalhos dos etn\u00f3grafos; h\u00e1 muitas reservas a serem feitas sobre muitos deles, mas eles n\u00e3o s\u00e3o menos valiosos: veja Waitz, Anthropologie der Naturv\u00f6lker, IV, 2; Brough Smyth, Aborigines of Victoria, Melbourne 1875, I, p. LXXX e seguintes; Curr. The Australian Race, 1882, I, p. 28 e seguintes; Howitt, locis citatis acima; Schotensack, op. cit; F. Graebner, \u201cKulturstadien und Kulturkreise in Australien und Melanesien\u201d, Zeitschrift f\u00fcr Ethnologie, 1905, p. 410 e seguintes. Os primeiros observadores j\u00e1 haviam notado essas uniformidades, especialmente as lingu\u00edsticas, consulte J. Eyre, Journey of discovery etc., 1835, II, app.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\" id=\"_ftn32\">[32]<\/a> Consultar Topinard, Les Indig\u00e8nes australiens, Paris, 1878; Helms, \u201cAnthropology\u201d in Trans. Roy. Soc. South Australia, 1895, vol. XVII.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref33\" id=\"_ftn33\">[33]<\/a> Tomamos como certos os resultados do trabalho de Howitt sobre os tipos de inicia\u00e7\u00e3o, cf. conclus\u00e3o da S. E. A., p. 618 e seguintes, e de Thomas sobre as artes n\u00e1uticas, cf. op. cit., p. 618 e seguintes. J\u00e1 somos obrigados a manter sob alguma suspeita os trabalhos desses mesmos autores, por mais distintos que tenham sido, sobre classes matrimoniais, Howitt, Ibid. p. 150 e seguintes; Thomas, The Marriage Laws of Australians, Cambridge Univ. P., 1906. \u2013 A hip\u00f3tese de van Gennep de uma origem dupla para o sistema de filia\u00e7\u00e3o \u00e9 infundada. Mythes et l\u00e9gendes d\u2019Australie, Paris, Maisonneuve, 1906, p. xc. Graebner a adota basicamente, e sem muito mais racioc\u00ednio, veja F. Graebner, \u201cKulturschichten und Sozialverh\u00e4ltnisse in Australien\u201d, Globus, 1906, I, pp. 323, 373 etc. \u2013 Para n\u00f3s, a exist\u00eancia desses tipos e correntes \u00e9 tudo o que pode ser demonstrado. Mas esperamos mais da cria\u00e7\u00e3o de uma tecnologia comparativa e de uma filologia comparativa dos australianos do que de um trabalho que subitamente levanta muitas quest\u00f5es sociol\u00f3gicas que ainda n\u00e3o s\u00e3o totalmente compreendidas. No entanto, o trabalho de Thomas nos permite seguir um certo n\u00famero de costumes relativos aos sistemas familiares de uma forma muito clara e confi\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\" id=\"_ftn34\">[34]<\/a> Frazer, \u201cThe Beginnings of Totemism and Religion,\u201d Fortnightly Review, 1905; Spencer in \u201cPresid. Address.\u201d Austral. Ass. Adv. sc., 1904, VIII, p. 160 (car\u00e1ter primitivo dos Aruntas), contra Howitt, S.E.A. 150 e seguinte. Lang, The Secret of the Totem, p. 175; van Gennep, Mythes etc. P. LXXX. Cf. Thomas in Man, 1904, n\u00b0 40; 1905, n\u00b0 42; 1906, n\u00b0 42, \u00e0 la suite de Durkheim, sur le \u201cTot\u00e9misme\u201d, Ann\u00e9e sociologique, 5 (1902). 8 (1903-1904).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref35\" id=\"_ftn35\">[35]<\/a> The Native Tribes of Central Australia, Macmillan, 1899 (doravante N. T.), The Northern Tribes of Central Australia, Macmillan, 1904 (doravante N. T. C.) estar\u00e3o entre nossas principais fontes. Spencer e Gillen t\u00eam a sorte de terem sido considerados \u201ctotalmente iniciados\u201d entre os Arunta (cf. N. T. C. p. xi) e, como tal, tiveram acesso a muitas apresenta\u00e7\u00f5es, muitas tradi\u00e7\u00f5es, muitas pr\u00e1ticas que, mesmo para observadores mais talentosos do que eles, teriam permanecido em segredo. Entretanto, qualquer que seja o caso especial que fa\u00e7amos de seu trabalho, n\u00e3o o trataremos com f\u00e9 cega. Mais adiante, voc\u00ea encontrar\u00e1 v\u00e1rias discuss\u00f5es sobre os documentos que eles nos enviaram. Este \u00e9 o esp\u00edrito com o qual essas discuss\u00f5es ser\u00e3o conduzidas. Em primeiro lugar, parece-nos certo que os Arunta s\u00e3o e foram muito mais afetados pela civiliza\u00e7\u00e3o europeia do que os senhores Spencer e Gillen querem indicar. Cf. n. T. p. 12 e Schultze, \u201cNotes on the Aborigines of the Finke River\u201d. Transactions of the Royal Society of South Australia, 1891, vol. XIV, pt. XIV, pt. II, p. 218. Entre a funda\u00e7\u00e3o da esta\u00e7\u00e3o de Alice Springs (para a qual uma dilig\u00eancia regular tem circulado por alguns anos, cf. R. H. Mathews, \u201cNotes on the Languages of Some Tribes of Central Australia\u201d, Journ. R. Soc. n. S. Wales, XXXVIII, p. 420), muitos costumes perderam sua originalidade. O mesmo acontece com os pr\u00f3prios Arunta. No que diz respeito aos pr\u00f3prios observadores, \u00e9 preciso fazer uma distin\u00e7\u00e3o: o conhecimento profundo dos Arunta parece pertencer a Gillen, que tem sido o patrono dos nativos da regi\u00e3o por vinte anos; e os dois autores parecem ter apenas um conhecimento ligeiramente detalhado das outras tribos, que ambos adquiriram mais ou menos nas mesmas condi\u00e7\u00f5es. No entanto, se esse estudo sobre os Arunta foi extremamente minucioso, por um lado ele foi realizado apenas por um pequeno n\u00famero de anos (cf. os documentos que Gillen enviou a Stirling para escrever a se\u00e7\u00e3o Antropologia, IV da Expedi\u00e7\u00e3o Horn, p. 179 e seguintes). Ele n\u00e3o foi igualmente minucioso em todos os pontos (cf. Ann\u00e9e sociologique, 2, pp. 219, 221), de modo que conhecemos apenas treze <em>intichiuma<\/em> de quase cem que devem existir se pelo menos os princ\u00edpios estabelecidos estiverem corretos, e sem Strehlow n\u00e3o conhecer\u00edamos as f\u00f3rmulas. Al\u00e9m disso, o estudo diz respeito apenas aos grupos de Alice Springs e arredores. Da\u00ed as diferen\u00e7as not\u00e1veis que teremos de observar com os documentos dos mission\u00e1rios alem\u00e3es, da Miss\u00e3o Herrmannsburg, \u00e0s margens do Finke. N\u00e3o foi conduzido com severidade suficiente; Spencer e Gillen parecem ter confiado demais nos dois idosos inteligentes com quem estavam em contato (cf. N. T. C. p. XIII e R. H. Mathews, loc. cit., p. 420; cf. Klaatsch, \u201cSchlussbericht meiner Reise etc.\u201d, Z. f. Ethn, p. 420; cf. Klaatsch, \u201cSchlussbericht meiner Reise etc.\u201d, Z. f. Ethn. 1907, p. 730; eles n\u00e3o perguntaram se outros j\u00e1 n\u00e3o haviam come\u00e7ado e at\u00e9 mesmo avan\u00e7ado o trabalho. Cf. H. Kempe, \u201cGrammar and Vocabulary of the Languages Spoken by the Aborigines of the Macdonnell Ranges\u201d. S. A. em Trans. Roy. Soc. S. Austr. vol. XIV, pt. XIV, pt. Consulte Planert (depois do mission\u00e1rio Wettengel), Australische Forschungen, 1, Aranda Grammatik, Z. f. E. 1907, p. 55 e seguintes; e Basedow, Vergleichende Grammatik, Z. f. E. 1908, p. 105 e seguintes, Eles n\u00e3o t\u00eam nenhum sistema de transcri\u00e7\u00e3o, por exemplo: o que Planert, um linguista profissional, escreve como atua (homem) na escrita fon\u00e9tica, eles escrevem como ertwa, que apenas se aproxima do som indicado em virtude das regras de pron\u00fancia do ingl\u00eas; eles n\u00e3o compilaram uma cole\u00e7\u00e3o de textos em Arunta nem um l\u00e9xico confi\u00e1vel; eles n\u00e3o t\u00eam conhecimento dos idiomas das tribos vizinhas. N\u00e3o ousar\u00edamos nem mesmo afirmar que eles se comunicavam com seus irm\u00e3os Arunta em algo diferente do ingl\u00eas pidgin, muito menos com outras tribos, como Urabunna, no sul, ou Warramunga, no norte, em particular. Teremos que fornecer muitas evid\u00eancias para o que acabou de ser dito. \u2013 Sendo assim, \u00e9 ainda mais lament\u00e1vel que esses autores n\u00e3o tenham tido o cuidado de nos fornecer os nomes de seus informantes, as condi\u00e7\u00f5es de cada uma de suas observa\u00e7\u00f5es etc. No entanto, n\u00e3o os tornamos menos precisos. \u2013 No entanto, prestamos homenagem ao maravilhoso senso dos fatos, especialmente os fatos interessantes, que esses observadores tinham. Os trabalhos antigos e recentes dos mission\u00e1rios Strehlow, Die Aranda St\u00e4mme (publicado por F. v. Leonhardi) Ver\u00f6ffll. v. St\u00e4dt. V\u00f6lkermuseum, Frankfurt, a M. I. Mythologie der Aranda und Loritja (Luritcha por Spencer e Gillen), por Kempe, por Schultze, muitas vezes nos fornecem cr\u00edticas suficientes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref36\" id=\"_ftn36\">[36]<\/a> Roth publicou: 1\u00b0 Ethnological Researches among the Aboriginus of Central North Western Queensland, Brisbane, Gov. Print, 1898 (doravante Ethn. Res.); 2\u00b0 8 edi\u00e7\u00f5es do North Queensland Ethnography Bulletin, Brisbane, Gov. Pr. 1900-1907; suas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais secas, mais concisas, mas mais espor\u00e1dicas e dispersas do que as de Spencer e Gillen; a explica\u00e7\u00e3o simplista (exceto em quest\u00f5es tecnol\u00f3gicas ou propriamente etnogr\u00e1ficas) impede muitas observa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o sabemos se Roth realmente disse a Klaatsch (cf. \u201cSchlussbericht meiner Reise\u201d, p. 739) que ele nunca havia observado um totem em Queensland (contra, cf. os textos de Roth citados abaixo sobre o chamado de animais por seus hom\u00f4nimos); de qualquer forma, tal ideia vicia suas observa\u00e7\u00f5es: o totemismo \u00e9, de fato, um desses costumes que s\u00e3o mantidos em segredo de bom grado e que voc\u00ea tem que procurar para encontrar.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref37\" id=\"_ftn37\">[37]<\/a> Consultar Strehlow-Leonhardi, Die Aranda St\u00e4mme etc. Francfort, 1907.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref38\" id=\"_ftn38\">[38]<\/a> Veja The Native Tribes of South East Australia, Macmillan, 1904, (doravante S.E.A.) para obras anteriores que Howitt nem sequer menciona na \u00edntegra, veja a bibliografia em S. E. A. \u2013 Howitt tinha um conhecimento pessoal e completo apenas dos Kurnai de Gippsland; suas observa\u00e7\u00f5es foram relatadas por Fison (ent\u00e3o residente em Fiji e \u00e0s vezes viajando pela Austr\u00e1lia) e, indiretamente, por Morgan, a quem Fison e Howitt relataram as nomenclaturas de parentesco por grupo e dedicaram seu primeiro trabalho a ele. Suas observa\u00e7\u00f5es foram relatadas por Fison (ent\u00e3o residente em Fiji e \u00e0s vezes viajando pela Austr\u00e1lia) e indiretamente por Morgan, a quem Fison e Howitt relataram as nomenclaturas de parentesco por grupo e dedicaram sua primeira obra, The Kamilaroi and Kurnai, Londres, Melbourne, 1875. No entanto, eles foram obtidos mais de vinte anos ap\u00f3s a ocupa\u00e7\u00e3o europeia do pa\u00eds (N.-E. Victoria); ficaram incompletos por muito tempo e, por exemplo, quando Howitt tomou conhecimento da exist\u00eancia da inicia\u00e7\u00e3o, teve que repetir as cerim\u00f4nias para si mesmo. Consultar \u201cThe Jerae\u00efl Ceremony of the Kurnai Tribe\u201d, J. A. I. XV, 1885, p. 455), bem como para a regra de combate, S.E.A. p. 344, 345; por outro lado, se foram realizadas com real precis\u00e3o, certos pontos, a mitologia, por exemplo, foram negligenciados talvez \u00e0 for\u00e7a, dado o desaparecimento dos anci\u00e3os deposit\u00e1rios das tradi\u00e7\u00f5es; cf. Kamilaroi e Kurnai 252; On Australian Medicine Men. J.A.I., 1883, p. 413). Por fim, eles foram tomados apenas com relativa precis\u00e3o filol\u00f3gica, Howitt usando principalmente o ingl\u00eas dos nativos (cf. S.E.A., p. 627), e tendo ditado, traduzido ocasionalmente, com um certo cuidado, um certo sentido lingu\u00edstico, as frases ou palavras que o interessavam, ver, por exemplo, em S.E.A., p. 630, cf. sobre os Kuringal, Yuin, pp. 533, 534. \u2013 A outra tribo com a qual Howitt est\u00e1 menos familiarizado \u00e9 a dos Dieri, que ele foi um dos primeiros europeus a explorar (cf. Howitt, \u201cPersonal Reminiscences of Central Australia\u201d, Inaugur. Addr. Austr. Ass. Adv. Sc., Adelaide, 1907, p. 31, ff (Dieri, Yantruwanta, Yaurorka), a quem ele voltou a ver com frequ\u00eancia, mas apenas para completar ou verificar as observa\u00e7\u00f5es, antigas de Gason ou recentes de um mission\u00e1rio, Siebert. XIII, p. 410), e teve apenas rela\u00e7\u00f5es mais ou menos \u00edntimas com eles, e por interm\u00e9dio de nativos de qualifica\u00e7\u00f5es desiguais, questionados de forma desigual (assim, Howitt n\u00e3o aprendeu, sobre o assunto das cerim\u00f4nias de inicia\u00e7\u00e3o, tudo o que poderia ter aprendido com Berak, um velho nativo que Mathews questionou desde ent\u00e3o, cf. discuss\u00e3o a seguir). Para todas as outras tribos, exceto aquelas em torno de Maryborough, Howitt usou informa\u00e7\u00f5es de colonos mais ou menos ligados \u00e0s tribos vizinhas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref39\" id=\"_ftn39\">[39]<\/a> The Native Tribes of South Australia, Adelaide, 1875.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref40\" id=\"_ftn40\">[40]<\/a> Journal of Two Expeditions of Discovery into the Interior of Western Australia, 2 vol. Londres, 1835.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref41\" id=\"_ftn41\">[41]<\/a> Journals of Expeditions of Discovery into Australia etc. including An Account of the Manners and Customs of the Aborigines, 2 vol. Lond. 1845 (Tribo de Adelaide, de acordo com Moorhouse, tribos de Lower Murray, de acordo com observa\u00e7\u00f5es pessoais feitas durante cerca de tr\u00eas anos e ap\u00f3s grandes esfor\u00e7os).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref42\" id=\"_ftn42\">[42]<\/a> As principais obras que merecem ser mencionadas s\u00e3o as de Teichelmann e Sch\u00fcrman, Vocabulary of the Tribes Neighbouring Port Lincoln, 1834; Threlkeld, A Key to the Structure of the Aboriginal Language Spoken by the Awabakal Tribe of Port Macquarie, Sydney, 1850 etc.; An Awabakal English Lexicon, ibid, reimpresso com outras obras desse e de outros autores (A. G\u00fcnther, Wiradhuri etc.; Livingstone, Tribes of the Wimmera), em J. Fraser, Threlkeld, A Grammar etc., Sydney, 1892, a reimpress\u00e3o n\u00e3o \u00e9 completa nem perfeita. \u2013 W. Ridley, Kamilaroi and other Australian Languages etc. 2\u00aa ed. 1875, n. S. W. Gov. Print; Rev. Hey, em Roth, N. Q. Ethn. bulletin, no. 6, \u201cA Grammar of the Ngerrikundi Language\u201d; Rev. Gale, no. 9, Bul. 7, \u201cA Grammar of the Kokowarra and Kokoyimidir Languages\u201d etc. Finalmente, nos documentos recentes dos mission\u00e1rios alem\u00e3es, temos um grande grupo de textos, Arunta, Loritja, traduzidos palavra por palavra (para gram\u00e1ticas e l\u00e9xicos, veja acima). Usaremos apenas com cautela os trabalhos lingu\u00edsticos, desorganizados para dizer o m\u00ednimo, de R. H. Mathews e os vocabul\u00e1rios publicados por Brough Smyth, The Aborigines of Victoria, Il, p. 1, ff. 310, e os de Curr.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref43\" id=\"_ftn43\">[43]<\/a> Consultar Crawley, The Tree of Life, Lond. 1906, p. 80. W. Schmidt parece ter chegado a uma conclus\u00e3o semelhante em seus artigos sobre \u201cThe Origin of the Idea of God\u201d, Anthropos, 1908, no. 1-4, uma vez que ele aceita como certos os documentos de Langloh Parker, que discutiremos a seguir. Cf. Andrew Lang. Preface to Mrs. L. Parker, The Euahlayi Tribe, London, 1905, p. 20; Magic and Religion, London, 1901, p. 36, ff.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref44\" id=\"_ftn44\">[44]<\/a> \u201cThe Beginnings of Totemism\u201d, in Fortnightly Review., 1899. \u201cRemarks on Totemism\u201d. J. A. I., 1899, p. 280; Golden Bough, p. 363, n\u00b0 1 (ver as passagens citadas em Ann\u00e9e socio\u00adlogique, 5, p. 212). \u201cSome Ceremonies of the Central Australian Tribes\u201d, in Austral. Ass. Adv. Sc. Melbourne, VII, 1901, pp. 313-322. \u2013 Frazer recentemente atenuou essas afirma\u00e7\u00f5es e vislumbrou os lineamentos do que ele chama de prece, ou seja, prece propiciat\u00f3ria e sacrif\u00edcio nas religi\u00f5es australianas, veja \u201cThe Beginnings of Religion and Totemism\u201d, em Fortnightly Review, 1905, p. 162, e seguintes., p. 168. Entretanto, Spencer, \u201cTotemism in Australia\u201d, Pres. Addr. Austral. Ass. Adv. Sc, Dunedee Meet, 1904, p. 376 e seguintes, e Gillen, \u201cMagic amongst the Natives of Australia\u201d, Austr. Ass. Adv. Sc. 1901, Melbourne, VIII, 162, ff. permanecem com seu ponto de vista anterior. Mencionamos para registro as opini\u00f5es duvidosas de Topinard, Les sauvages australiens, 1887, p. 21 ou as negativas de Elie Reclus, Les primitifs, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, p. 231.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref45\" id=\"_ftn45\">[45]<\/a> Por exemplo, as do negro Andy, um impostor, em todas as tribos de Nova Gales do Sul, em Manning, \u201cThe Aborigines of New South Wales\u201d. journal Roy. Soc. n. S. Wales, 1892, pp. 160, 161.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref46\" id=\"_ftn46\">[46]<\/a> Entre outros, Manning (Kamilaroi oriental), (Thuruwul), Port-Macquarie, loc. cit. p. 161, em contradi\u00e7\u00e3o com Threlkeld loc. cit. abaixo; Wyndham (Kamilaroi ocidental), \u201cThe Aborigines of Australia\u201d em J. Pr. R. S. N. S. W., 1889, XXVIII, pp. 36 e 37 (preces a Baiame), mas o documento nos parece vir de Andy. Cf. Andy em Frazer, \u201cThe Aborigines of n. S. W.\u201d, J. Pr. R. S. N. S. W. 1889, XVIII, p. 166; Wrixen (tribo de Melbourne), em uma discuss\u00e3o de um artigo no Proceed. Roy. Col. Inst, Lond, 1890. XXII, p. 47; a melhor evid\u00eancia desse tipo \u00e9 Dawson, The Present State of Australian Aborigines in North West Victoria, Melbourne, 1822, p. 210.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref47\" id=\"_ftn47\">[47]<\/a> Oxley; Journal of two Expeditions from Port Jackson etc. Lond. 1820, p. 162.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref48\" id=\"_ftn48\">[48]<\/a> Tribo do rio Barcoo (provavelmente grupo Barkunji), in Curr, Austral, Race, II, n\u00b0 107, p. 377.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref49\" id=\"_ftn49\">[49]<\/a> \u201cVocabulary of the Cornu Tribe\u201d (grupo Wiraijuri). J.A.I. 1870, p. 143. s. v. coola-boor, deus.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref50\" id=\"_ftn50\">[50]<\/a> Yualeai para certos autores, Nova Gales do Sul, Barwan (organiza\u00e7\u00e3o e l\u00edngua do tipo Kamilaroi).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref51\" id=\"_ftn51\">[51]<\/a> Australian Legendary Tales, Londres, Nutt., 1897, p. x, More Australian Legendary Tales, Londres, Nutt., 1899, p. 96. N\u00e3o temos certeza se a pr\u00f3pria Parker participou dessa cerim\u00f4nia, pois ela mesma diz em seu \u00faltimo livro, The Euahlayi Tribe, 1905, p. 89, que lhe foi dito que esse rito teria sido praticado \u201cem outras circunst\u00e2ncias\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref52\" id=\"_ftn52\">[52]<\/a> Bullimab tamb\u00e9m significa cristal; o cristal m\u00e1gico, que forma os ombros de Baianne, \u00e9 ao mesmo tempo a subst\u00e2ncia celestial e bela por excel\u00eancia, cf. Austr. Leg. Tales, p. 91.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref53\" id=\"_ftn53\">[53]<\/a> Wundah, esp\u00edrito maligno nessas l\u00ednguas. Cf. Vocabul\u00e1rio de Gunther (Wiraijuri) em Threlkeld (ed. Fraser), ad. verb. N\u00e3o entendemos Eleanbah; mas podemos ver como estamos pr\u00f3ximos da no\u00e7\u00e3o de inferno, cf. Euahl. Tr. p. 78. Eleanbah Wundah, grande fogo, movimento perp\u00e9tuo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref54\" id=\"_ftn54\">[54]<\/a> Euahl. Tr. p. 8.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref55\" id=\"_ftn55\">[55]<\/a> Cf. C. H. Richards, \u201ccrying heart\u201d, in Vocabulaire Wiraijuri. \u201cThe Wiraa-dthooree etc., Science of Man\u201d, Australasian Anthropological journal (a partir daqui Science of Man.), 1903, VI, p. 320; Cf. F. Tuckfield in Cary, Vocabulary of the Geelong and Colac Tribes, 1840. Austr. Ass. Adv. Sc., 1898. Sydney, VII, pp. 863, 864; tudo isso certamente vem do Livro Anglicano de Prece Comum.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref56\" id=\"_ftn56\">[56]<\/a> Cf. Euahl. Tr., p. 76, exist\u00eancia de numerosos mesti\u00e7os, severidade do velho <em>wirreenun<\/em> contra a dissolu\u00e7\u00e3o da moral.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref57\" id=\"_ftn57\">[57]<\/a> Pref\u00e1cio a Austr. Leg. Tales, p. III.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref58\" id=\"_ftn58\">[58]<\/a> N\u00e3o negamos de forma alguma que, sob a influ\u00eancia europeia, este costume n\u00e3o pudesse ter sido facilmente estabelecido: certas ideias, espec\u00edficas destas tribos, tornaram-no poss\u00edvel; em particular, as rela\u00e7\u00f5es que existem entre a qualidade do iniciado e o estado da alma ap\u00f3s a morte (Consultar ainda, liv. II, cap. V).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref59\" id=\"_ftn59\">[59]<\/a> Consultar Salomon Reinach, \u201cL\u2019origine des pri\u00e8res pour les morts\u201d, in Cultes, mythes et religions, Leroux, 1905, p. 316. Talvez, no cristianismo eg\u00edpcio ou na Anat\u00f3lia, esses ritos venham de fontes m\u00edsticas, mas \u00e9 imposs\u00edvel dizer se s\u00e3o antigos ou recentes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref60\" id=\"_ftn60\">[60]<\/a> Euahl. Trad., p\u00e1g. 85, a menos que o Goohnai do enterro do velho Eerin, More Austr. Perna. Tales, seja igual a este, e em tudo isso s\u00f3 h\u00e1 erros editoriais graves.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref61\" id=\"_ftn61\">[61]<\/a> Euahl. Tr., p. 89.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref62\" id=\"_ftn62\">[62]<\/a> Pron\u00fancia como em ingl\u00eas: Bura, geralmente escrito <em>bora<\/em>. A senhora Paker s\u00f3 fala de cerim\u00f4nias de inicia\u00e7\u00e3o por boatos e, al\u00e9m disso, no passado: os ritos tinham ca\u00eddo em desuso quando ela finalmente recolheu ou conseguiu recolher os seus materiais.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref63\" id=\"_ftn63\">[63]<\/a> Euahl. Tr., pp. 79, 80. Consulte as discuss\u00f5es sobre este mesmo texto entre Marett, \u201cAustralian Prayer\u201d, Man., 1907, n\u00ba 2, resposta de Andrew Lang, ibid., n\u00ba 12; resposta de Marett, ibid., n\u00ba 72.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref64\" id=\"_ftn64\">[64]<\/a> Ibid., p. 79.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref65\" id=\"_ftn65\">[65]<\/a> Ibid., p. 80, Consultar ainda, liv. II, cap. V.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref66\" id=\"_ftn66\">[66]<\/a> Ibid., p. 79.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref67\" id=\"_ftn67\">[67]<\/a> Novamente aqui n\u00e3o negamos que havia elementos nas religi\u00f5es australianas que tornaram poss\u00edvel este empr\u00e9stimo. Encontraremos alguns exemplos mais tarde, porque \u00e9 certo que se diz que os deuses, em certos casos, exigem a observ\u00e2ncia do <em>borah<\/em> (v. lib. II, cap. VI, car\u00e1ter religioso).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref68\" id=\"_ftn68\">[68]<\/a> Alguns desses fatos Howitt, S.E.A. pp. 523, 528, 543, ver a seguir, liv. II, cap. V.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref69\" id=\"_ftn69\">[69]<\/a> Estamos nos referindo aos ritos que agrupamos abaixo sob o nome de yibai-malian, liv. II, cap. V, \u00a7 I, que est\u00e3o ligados ao culto tot\u00eamico da inicia\u00e7\u00e3o, \u00e0 atribui\u00e7\u00e3o do nome e ao culto dos grandes deuses da inicia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref70\" id=\"_ftn70\">[70]<\/a> More Austr. Leg. Tales, p. 94, e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref71\" id=\"_ftn71\">[71]<\/a> Euahlayi Tr., p. 80. Na p\u00e1g. 79, voc\u00ea encontrar\u00e1 provas de que Parker deve ter discutido a prece com seus informantes nativos, pois eles responderam a ela, como o \u00edndio americano fez com Oglethorpe, que as preces di\u00e1rias lhes pareciam um insulto a Baiame. Eles certamente lhe deram as respostas que achavam que lhes eram exigidas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref72\" id=\"_ftn72\">[72]<\/a> Australian Race, 1, pp. 44, 45, \u201cque nada da natureza de adora\u00e7\u00e3o, prece ou sacrif\u00edcio foi observado, \u00e9 o que se acredita\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref73\" id=\"_ftn73\">[73]<\/a> S.E.A., p. 503.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref74\" id=\"_ftn74\">[74]<\/a> N. T. C., p. 491. \u201cThere is never an idea of appealing to any alcheringa ancestor\u201d. O pr\u00f3prio Strehlow, que ainda afirma a exist\u00eancia dos deuses, altjira, n\u00e3o encontrou prece entre os Arunta (da maneira como ele entende a palavra), veja N. W. Thomas, \u201cThe Religious Ideas of the Arunta\u201d. Folk-Lore, 1905, p. 430.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref75\" id=\"_ftn75\">[75]<\/a> Consultar loc. cit.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref76\" id=\"_ftn76\">[76]<\/a> \u201cThe Aborigines of South Australia.\u201d J. R. S. N. S. W. 1889, vol. XXXIII, p. 482.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref77\" id=\"_ftn77\">[77]<\/a> Herbert e Burnett Rivets (grupos Dora, Kumbiningerri etc.) \u2013 Cf. R. H. Matthews, \u201cThe Toara Ceremony of the Dippil Tribe\u201d, American Anthropologist, e seguinte. VII, p. 210; \u201cThe Thoorga Language etc., in Notes on the Lang\u201d etc., Journ. of the Roy. Geogr. Soc. Queensl. XIII, p. 200; Consultar Semon, In the Australian Bush, Londres, 1891, p. 230 (tamb\u00e9m nega a exist\u00eancia de qualquer religi\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref78\" id=\"_ftn78\">[78]<\/a> Ao evangelizar, Smyth diz que ela e os mission\u00e1rios n\u00e3o encontraram nenhum sistema de adora\u00e7\u00e3o para substituir. The Booandik Tribe etc. Adelaide, 1879, p. 33.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref79\" id=\"_ftn79\">[79]<\/a> \u201cNotes on the Aborigines of Australia\u201d, in Spec. Vol. Proc. Geogr. Soc. Australia, Sydney, 1865, pp. 76, 77.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref80\" id=\"_ftn80\">[80]<\/a> M\u00e9moires historiques de l\u2019Australie Occidentale, Paris 1845, p. 259.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref81\" id=\"_ftn81\">[81]<\/a> P. 345, a despeito da intepreta\u00e7\u00e3o dada \u00e0 p. 200, do <em>corroboree<\/em> como constituindo uma missa. Cf. Jalaru: dan\u00e7a, p. 345.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref82\" id=\"_ftn82\">[82]<\/a> Consultar os l\u00e9xicos indicados; ex. Teichelmann e Sch\u00fcrmann, in Willhelmi. Evangelische Missionszeitscap., Basel, 1870, p. 31. e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref83\" id=\"_ftn83\">[83]<\/a> Evangelho segundo S\u00e3o Lucas (segundo Fraser), Wiyelli-ela, p. 129, cf. vers. 19, 20, minha palavra, minhas palavras, wyellikanne, ibid, cap. II, vers. 34, p. 34; ibid, cap. III, vers. 21; wyelliela, ao orar; ibid, cap. IV, vers. 19, para anunciar, cf. 7, 10; ibid. cap. IX, vers\u00edculo 29 wyelliela, prece (de Jesus); ibid. 22, 40, p. 187, wyella, para orar ibid, vers\u00edculos 41, 42, 43, 45, wyella, falar; cf. A Grammar, p. 10, sobre o significado da palavra wya, am\u00e9m: orar, ewyelliko; cf. A Key to the Awabakal, p. 112, s. v. wya, ver wyellikane, algu\u00e9m que fala, que chama.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref84\" id=\"_ftn84\">[84]<\/a> In Curr, Austr. R., II, p. 92.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref85\" id=\"_ftn85\">[85]<\/a> L\u00ednguas do rio Yarra, superior, Brough Smyth, Abor. Vict., II, p. 128, cf. p. 132.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref86\" id=\"_ftn86\">[86]<\/a> De fato, poucos foram mais claramente classificados pelos etn\u00f3grafos como ritos m\u00e1gicos, mas n\u00e3o faz sentido contrastar os erros de alguns com os de outros. Cf. discuss\u00e3o a seguir. Liv. III, cap. I, ritos m\u00e1gicos. Para um certo n\u00famero desses ritos, ela \u00e9 completamente sem raz\u00e3o. Cf. discuss\u00e3o a seguir, liv. II, cap. II. Mas \u00e9 bem prov\u00e1vel que essa classifica\u00e7\u00e3o seja o resultado de uma tradi\u00e7\u00e3o j\u00e1 antiga na antropologia, e \u00e0 qual question\u00e1rios, em particular o da Sociedade Geogr\u00e1fica de Londres, o do Instituto Antropol\u00f3gico e at\u00e9 mesmo o de Frazer, emprestaram sua autoridade.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref87\" id=\"_ftn87\">[87]<\/a> Australasiatic Reminiscences, p. 73, citado em Brough Smyth. Abor. Vict., I, p. 127, 128. Bunce \u00e9 um excelente observador e conhecia bem o idioma.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref88\" id=\"_ftn88\">[88]<\/a> Tribo de Geelong (groupo Bunurong).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref89\" id=\"_ftn89\">[89]<\/a> A partir dessa tradu\u00e7\u00e3o, podemos verificar o significado de duas palavras, usando o vocabul\u00e1rio de Bunce, em B. S. Abor. Vict., II, p. 134.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref90\" id=\"_ftn90\">[90]<\/a> Para fatos semelhantes, veja abaixo. Sublinhamos a palavra he, o que indicaria que marmingatha n\u00e3o \u00e9 uma divindade, mas a pr\u00f3pria tempestade.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref91\" id=\"_ftn91\">[91]<\/a> B. S. II, p. 141, \u201cmarmingatha: divine, minister, Lord, Supreme Being, orison, a prayer, religion; marmingatha ngamoodjitch, preacher (cf. ngamoordjitch marmingatha, p. 145. parson, priest)\u201d. A hist\u00f3ria da palavra parece ter sido a seguinte. Marmingatha era usada no in\u00edcio da prece dominical que o povo de Geelong estava tentando aprender, e passou a significar tudo o que tinha a ver com a religi\u00e3o evang\u00e9lica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref92\" id=\"_ftn92\">[92]<\/a> Marmoonth, pai; ib., p. 141, marmingatha deve significar \u201cnosso pai\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref93\" id=\"_ftn93\">[93]<\/a> Cf. sobre a tribo R. Yarra superior (outro grupo Bunurong), um documento de Thomas, em B. S., Abor. Vic., I, p\u00e1g. 466. uma marminarta, esp\u00edrito que possui um velho.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref94\" id=\"_ftn94\">[94]<\/a> L. Parker, Euahl. Tr., p. 12 Cf. Um rito infantil equivalente entre os Dieri. Gason in Curr, Austr. R., II, p. 92. Consultar ainda cap. V, para ritos do mesmo g\u00eanero.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref95\" id=\"_ftn95\">[95]<\/a> The Diyerie Tribe, Melbourne, 1874, reimpresso em Woods, The Native Tribes of South Australia, 1886, em em Curr (do qual citamos), The Austr. R., II, n\u00b0 55, p. 66, 68. Cf. Gason \u00e0 Howitt in Howitt, \u201cThe Dieri and other Kindred Tribes\u201d etc., J.A.I, XX, p. 92; Gason \u00e0 Frazer, J.A.\u2019I., XXIV, p. 175. (\u00c9 tamb\u00e9m Moora Moora que inspira os ritos).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref96\" id=\"_ftn96\">[96]<\/a> Consultar ainda, cap. III, \u00a7 4.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref97\" id=\"_ftn97\">[97]<\/a> Sobre o valor geral dos rituais de chuva, uma das melhores opini\u00f5es \u00e9 a do velho Collins. An Account of the English Colony of New South Wales, Lond., 1801, p. 555.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref98\" id=\"_ftn98\">[98]<\/a> Frazer apontou recentemente uma s\u00e9rie de fatos que classificamos aqui, e indicou claramente que eles constituem o in\u00edcio da Prece, mesmo entendida como propiciat\u00f3ria, \u201cThe Beginnings of Religion and Totemism\u201d, em Fortnightly Rev., 1905, II, p. 164.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref99\" id=\"_ftn99\">[99]<\/a> Deixamos de lado a quest\u00e3o de saber se esses s\u00e3o totens individuais ou de cl\u00e3s.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref100\" id=\"_ftn100\">[100]<\/a> Rio Tully. Queensland n. W. Centr, consultar Roth, \u201cSuperstition, Magic, Medicine\u201d, in Bull., V. \u00a7 7, p. 20, 21, Como a escrita de Roth n\u00e3o \u00e9 muito boa, nossa tradu\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o literal quanto as que costumamos fazer.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref101\" id=\"_ftn101\">[101]<\/a> Roth, que n\u00e3o acredita em totemismo, est\u00e1 se referindo aqui \u00e0s classes matrimoniais.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref102\" id=\"_ftn102\">[102]<\/a> Por exemplo, no que Roth chama, com algum esp\u00edrito de sistema, de jogos cerimoniais que imitam animais, \u201cGames, Sports and Amusements\u201d. Bulle, V p. 8, no. 1; p. 28, no. 64.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref103\" id=\"_ftn103\">[103]<\/a> A senten\u00e7a de Roth \u00e9 terr\u00edvel. \u201cSe houver algum ru\u00eddo, grito ou chamado que precise ser feito ao mesmo tempo, ele pode ser imitado\u201d. Mas podemos ao menos entender que se trata de um uso equivalente ao do grito do animal feito em muitas cerim\u00f4nias tot\u00eamicas (cf. \u201cGames; etc.\u201d, loc. cit., Cf. discuss\u00e3o a seguir, cap. IV, \u00a7 3).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref104\" id=\"_ftn104\">[104]<\/a> Um caso not\u00e1vel de totens ofensivos, o texto deve, para ser entendido, ser comparado com o que citamos abaixo, que o explica, p. 122, n. 4. O fato pode parecer extraordin\u00e1rio, mas n\u00e3o \u00e9, em muitas sociedades australianas. Alguns totens s\u00e3o de natureza perigosa, e sua adora\u00e7\u00e3o consiste mais em afast\u00e1-los. Por outro lado, n\u00e3o est\u00e1 fora da natureza do totem ser perigoso para seu companheiro humano, particularmente no caso de viola\u00e7\u00e3o das proibi\u00e7\u00f5es tot\u00eamicas (ver san\u00e7\u00f5es, mais adiante, Liv. III, cap. IV), at\u00e9 mesmo a alma pode ser perigosa para o indiv\u00edduo que a possui, porque \u00e9 externa a ele; assim, na tribo Pennefather (Roth. Sup. Mag, p. 29, n\u02da 115), o <em>choi<\/em> ou <em>ngai<\/em> pode, residindo em uma \u00e1rvore, causar a queda do homem que a escalou.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref105\" id=\"_ftn105\">[105]<\/a> Um caso de consumo de totem que n\u00e3o tem nada a ver com o sacramento tot\u00eamico praticado pelos Arunta. O texto \u201cse ele estiver com fome\u201d pode nos levar a crer que sim.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref106\" id=\"_ftn106\">[106]<\/a> H\u00e1 um cl\u00e3 da chuva nessa tribo, Ibid, p. 9, n. 16. Esse cl\u00e3 tamb\u00e9m parece ter, entre seus subtotens, o raio e o trov\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref107\" id=\"_ftn107\">[107]<\/a> Fazer o trov\u00e3o? provavelmente o far\u00e1 parar.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref108\" id=\"_ftn108\">[108]<\/a> Ibid., p. 40, sect. 150; cf. ibid., p. 26, n\u02da 104 (parece ser o mesmo fato).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref109\" id=\"_ftn109\">[109]<\/a> Ibid., p. 21, sect. 74.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref110\" id=\"_ftn110\">[110]<\/a> Rio Proserpine, Koko-yimidir, Roth, ibid., p. 21, sect. 74. Sobre classes matrimoniais, consulte Durkheim, \u201cOrigine de la prohibition de l\u2019Inceste\u201d, Ann\u00e9e soc, I, p. 11. Longos debates entre observadores e te\u00f3ricos n\u00e3o acrescentaram nada \u00e0 teoria proposta ou n\u00e3o a contradisseram de fato. N\u00e3o vamos nos envolver. Vamos simplesmente dizer que todas as sociedades australianas, com exce\u00e7\u00e3o de um pequeno n\u00famero, s\u00e3o organizadas dessa forma. Elas s\u00e3o divididas em quatro e, em alguns casos, em oito classes, elas mesmas divididas entre duas fratrias dentro das quais todo con\u00fabio \u00e9 proibido. Um indiv\u00edduo de uma determinada classe s\u00f3 pode se casar com um indiv\u00edduo de uma determinada classe de outra fratria, sendo que os filhos necessariamente estar\u00e3o em uma classe diferente daquela do ascendente do qual derivam sua filia\u00e7\u00e3o (pai ou m\u00e3e, dependendo do caso, sendo que o sistema de oito classes foi projetado para levar em conta os dois tipos de descend\u00eancia: na fratria e nos totens; veja Durkheim, \u201cSur l\u2019organisation matrimoniale des soci\u00e9t\u00e9s australiennes\u201d, em Ann\u00e9e Soc. 8, p. 116, e ss.). Uma boa exposi\u00e7\u00e3o dos fatos e doutrinas, e especialmente muito completa do ponto de vista dos documentos, \u00e9 a de W. Thomas, Kinship Organisations and Group Marriage in Australia (Cambr. Arcap. a, Ethn. Ser, 1. Cambridge, Un. Pr., 1906). A tribo Proserpine est\u00e1, com os Wakelbura, Pegullobura, a tribo Port Mackay etc., entre aquelas que classificam as coisas de acordo com as classes matrimoniais. Cf. Durkheim e Mauss, \u201cClassifications primitives\u201d, p. 12, Cf. discuss\u00e3o a seguir, liv. III, cap. iii. Ela divide as coisas da seguinte forma:<\/p>\n\n\n\n<p>Kurchilla: arco-\u00edris, gamb\u00e1, goanna terrestre, lagarto malhado<\/p>\n\n\n\n<p>Kupuru: \u201cstinging tree\u201d, ema, enguia, tartaruga;<\/p>\n\n\n\n<p>Banbari: mel, \u201csting ray\u201d, rato-porco, falc\u00e3o \u00e1gua;<\/p>\n\n\n\n<p>Wungko: vento, chuva, cobra marrom, cobra carpete.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref111\" id=\"_ftn111\">[111]<\/a> Dizemos animal auxiliar aqui porque, mesmo que haja um totem, por mais raro que esse tipo de totemismo seja na Austr\u00e1lia, ele \u00e9 obviamente concebido como auxiliar. Al\u00e9m disso, a diferen\u00e7a entre o totemismo australiano e outros nesse ponto tem sido exagerada, especialmente por Spencer, \u201cThe Totemism in Australia\u201d, VIII, Meet. Austr. Ass. Adv. Sc. 1904, p. 80; estabeleceremos isso mais adiante no Livro III, II, Cap. IV.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref112\" id=\"_ftn112\">[112]<\/a> Consultar ainda, liv. II, cap. IV, \u00faltimo par\u00e1grafo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref113\" id=\"_ftn113\">[113]<\/a> Consultar sobre os Pitta Pitta, Ethn. Res., pp. 57, 58, cf, Roth in Proceed. Roy. Soc. Queensl., 1897, p. 24; \u201cFood, its Quest and Capture\u201d etc., Bull. VII, p. 31, sect, 102.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref114\" id=\"_ftn114\">[114]<\/a> Discutido anteriormente; ser\u00e1 visto tamb\u00e9m adiante, cap. III.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref115\" id=\"_ftn115\">[115]<\/a> Essa tribo certamente pertence ao grupo da Austr\u00e1lia Central. Cf. Howitt, S.E.A., p. 111; cf. Spencer e Gillen, N.T.C., p. 70.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref116\" id=\"_ftn116\">[116]<\/a> Sch\u00fcrmann, \u201cThe Aboriginal Tribe of Port Lincoln\u201d, in Woods, Nat. Tr., p. 219. A palavra ngaitye significava totem nessas tribos e nas tribos vizinhas (j\u00e1 pertencentes a outro tipo de civiliza\u00e7\u00e3o) e significava \u201cminha carne\u201d, cf. Taplin, The Narinyerri . etc., p. 2. Portanto, Sch\u00fcrmann traduziu erroneamente o documento mencionado acima e deveria ter dito \u201cminha carne! minha carne, meu totem\u201d. Talvez o rito tivesse at\u00e9 mesmo um significado muito complexo que sempre seremos incapazes de desvendar (a palavra ni-ngaitye, the priors (sic), Taplin, ibid., p. 64, talvez correspondesse a essa pr\u00e1tica tot\u00eamica).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref117\" id=\"_ftn117\">[117]<\/a> Sch\u00fcrmann, ibid., ibid., p. 220, cf. John Eyre, journeys of Discovery, II, pp. 333, 334 (tribo vizinha de Adelaide), parece ter verificado estas afirma\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref118\" id=\"_ftn118\">[118]<\/a> Cf. Teichelmann e Sch\u00fcrmann in Wilhelmi, \u201cDie Eingeborenen etc.\u201d, in Aus allen Weltteilen, 1, 1870, p. 13. \u2013 Esses textos s\u00e3o analisados abaixo, L. II, cap. VI, pois eles d\u00e3o uma boa ideia do conglomerado de f\u00f3rmulas do qual tudo isso \u00e9 derivado. Consulte tamb\u00e9m o cap. V para obter uma explica\u00e7\u00e3o geral dessas formas de adora\u00e7\u00e3o tot\u00eamica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref119\" id=\"_ftn119\">[119]<\/a> <em>Intichiuma<\/em>, consultar cap. III. Cerim\u00f4nias Tot\u00eamicas, \u00a7 3, 4 e 7.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref120\" id=\"_ftn120\">[120]<\/a> Sobre o culto tot\u00eamico dos Wollungua, veja Liv. II, cap. VI, onde mostramos os caracteres religiosos de todo o ritual dos cl\u00e3s, fratrias, tribos e na\u00e7\u00f5es australianas e indicamos a possibilidade de sua evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref121\" id=\"_ftn121\">[121]<\/a> O sarcasmo de Klaatsch contra as afirma\u00e7\u00f5es claras de Spencer e Gillen n\u00e3o prova nada (ver \u201cSchlussbericht meiner Reise in Australia\u201d, Z. F. E., 1907, p. 720), \u2013 \u00c9 \u00f3bvio que esses ritos fazem parte n\u00e3o apenas do culto tot\u00eamico, mas tamb\u00e9m do culto \u00e0s cobras, especialmente \u00e0s cobras d\u2019\u00e1gua. Mas isso n\u00e3o contradiz de forma alguma as observa\u00e7\u00f5es dos autores ingleses.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref122\" id=\"_ftn122\">[122]<\/a> N.T.C., pp. 252, 253, cf. p. 495.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref123\" id=\"_ftn123\">[123]<\/a> De agora em diante, traduziremos a palavra inglesa (neste caso, australiana) \u201cwaterhole\u201d dessa forma, pois ela n\u00e3o corresponde \u00e0 nossa palavra \u201cfountain\u201d (fonte), \u201cspring\u201d (nascente) ou uma per\u00edfrase como \u201cnatural well\u201d (po\u00e7o natural) etc. Essas s\u00e3o as escava\u00e7\u00f5es normalmente feitas em rochas onde a \u00e1gua se infiltra e permanece.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref124\" id=\"_ftn124\">[124]<\/a> Essa frase desaparece da descri\u00e7\u00e3o da cerim\u00f4nia, p. 495.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref125\" id=\"_ftn125\">[125]<\/a> Cf. N.T.C., pp. 227, 228, 495, 496.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref126\" id=\"_ftn126\">[126]<\/a> Sobre o sentido de rito, consultar Frazer, Beginnings of Religion, p. 165.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref127\" id=\"_ftn127\">[127]<\/a> Sobre Karnmari, consultar Roth, Ethn. Res., pp. 152, 260; vocabul\u00e1rio, p. 198; Supersti\u00e7\u00e3o. Mag. Med. Bull., V, p. 29, n\u00b0 118 (Cf. discuss\u00e3o a seguir, liv. III, cap. IV, \u00a7 5, sobre os esp\u00edritos da natureza).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref128\" id=\"_ftn128\">[128]<\/a> Ethn. Res., p. 160, n\u00b0 276; Sup. Mag. Med., p. 26, n\u00b0 104. Estes dois documentos s\u00e3o ligeiramente diferentes, mas o conte\u00fado \u00e9 o mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref129\" id=\"_ftn129\">[129]<\/a> A prova desse senso de ritual \u00e9 que voc\u00ea n\u00e3o ousa atravessar o rio se estiver acompanhado de outra pessoa (Roth, Sup. Mag. Med., p. 26).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref130\" id=\"_ftn130\">[130]<\/a> Cf. discuss\u00e3o a seguir, liv. III, surgimento da f\u00f3rmula ritual.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref131\" id=\"_ftn131\">[131]<\/a> Sobre esta quest\u00e3o do grande deus, consultar adiante.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref132\" id=\"_ftn132\">[132]<\/a> O fato de esse grande deus ser muitas vezes um totem, ou um totem antigo, ou uma esp\u00e9cie de totem arquet\u00edpico, ou um her\u00f3i civilizador, n\u00e3o \u00e9 de forma alguma exclusivo de sua natureza celestial.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref133\" id=\"_ftn133\">[133]<\/a> Consultar N.T.C., pp. 498, 499, 344-347. Sobre o mito relacionado dos dois Tumana (som do <em>churinga<\/em>: dem\u00f4nios), ver p. 421, cf. pp. 499, 500. O nome de Atnatu vem de atna, do \u00e2nus, que ele n\u00e3o possui, mas que ele perfurou nos homens (em Arunta h\u00e1 uma raiz <em>tu<\/em>, significando <em>atingir<\/em>).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref134\" id=\"_ftn134\">[134]<\/a> Seu papel parece estar restrito a esse, mas ele faz <em>intichiuma<\/em> para todos os totens. (Cf. discuss\u00e3o a seguir, cap. VIII, \u00a7 6).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref135\" id=\"_ftn135\">[135]<\/a> Spencer e Gillen negam, apesar das evid\u00eancias, que Atnatu tenha algo compar\u00e1vel a Baiame, Daramulun etc., cf. N.T.C., p. 252, 492. \u00c9 claro, ao contr\u00e1rio, que o significado do culto de Atnatu \u00e9 infinitamente mais religioso do que o do culto das tribos orientais: o mito \u00e9 perfeitamente esot\u00e9rico e n\u00e3o h\u00e1 nenhuma cerim\u00f4nia que reduza Atnatu \u00e0 <em>churinga<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref136\" id=\"_ftn136\">[136]<\/a> A linha sobre o canto n\u00e3o \u00e9 mencionada na discuss\u00e3o sobre o significado dos ritos, nem no resumo; mas \u00e9 mencionada no mito \u201cas mulheres deixando de ouvir os homens cantarem\u201d. N.T.C., p. 347. Portanto, podemos considerar certo que o significado n\u00e3o \u00e9 apenas o som dos rombos, mas tamb\u00e9m todas as cerim\u00f4nias e suas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref137\" id=\"_ftn137\">[137]<\/a> N.T.C., p. 499. Quando ele viu que alguns de seus filhos n\u00e3o estavam tocando os \u201cdem\u00f4nios\u201d ou realizando as cerim\u00f4nias sagradas em sua homenagem, ele os jogou na terra\u201d (esse mito \u00e9 o oposto da puni\u00e7\u00e3o atual: se voc\u00ea n\u00e3o fizer a inicia\u00e7\u00e3o regularmente, Atnatu envia os \u00edmpios para o c\u00e9u).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref138\" id=\"_ftn138\">[138]<\/a> Sobre os ritos orais relativos a esses grandes deuses, consulte ainda, cap. V, ritos de inicia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref139\" id=\"_ftn139\">[139]<\/a> Sobre esses deuses em si, Consultar ainda, liv. III, II, cap. Mitos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref140\" id=\"_ftn140\">[140]<\/a> Consultar Howitt, \u201cCert. Austr. Cer. Init.\u201d, J.A.I. XIII, p. 457. \u201cAlthough there is no worship of Daramulun as for instance by prayer.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref141\" id=\"_ftn141\">[141]<\/a> Cf. discuss\u00e3o a seguir, cap. V, e Howitt, ult. loc., \u201cyet there is clearly an invocation of him by name\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref142\" id=\"_ftn142\">[142]<\/a> Howitt, \u201cAustr. Cet. luit.\u201d, J.A.I. XIII, p. 454, S.E.A., p. 553, cf. 536, 546; \u201cNotes on Songs and Song Makers\u201d, J.A.I., XVI, p. 332; cf. \u201cAustr. Cer. Init.\u201d, p. 555; \u201cCert. Cer. etc,\u201d, J.A.I., XIII, 462. \u201cAustr. Med. Men.\u201d J.A.I., XV, p. 460, Consultar ainda, em rela\u00e7\u00e3o a sin\u00f4nimos (cap. V, \u00a7 2).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref143\" id=\"_ftn143\">[143]<\/a> S.E.A., 556.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref144\" id=\"_ftn144\">[144]<\/a> Cf. outros casos, mais adiante, cap. IV, cap. V; sobre a linguagem religiosa dos gestos e at\u00e9 mesmo dos objetos rituais, veja liv. III, cap. IV (rela\u00e7\u00e3o entre ritos manuais e orais).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref145\" id=\"_ftn145\">[145]<\/a> \u201cAustr. Cet. Init.\u201d, J A.I., XIII, p. 450 (que Frazer parece ter conhecido e posteriormente confirmado, Aborigines of n. S, Wales, Sydney, 1894, p. 12), S.E.A., p. 528.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref146\" id=\"_ftn146\">[146]<\/a> S.E.A., p. 586, R. H. Mathews, \u201cThe Burbung of the Wiraidthuri Tribes\u201d, J. R. S. N. S. W., XXIII, p. 215; J.A.I. XXV, p. 109, ao contr\u00e1rio, coloca esses ritos entre os ritos exot\u00e9ricos realizados diante de mulheres, quando, supostamente, Daramulum (que aqui \u00e9 um deus menor, pois \u00e9 filho do grande) rapta as crian\u00e7as para serem iniciadas. Tribo Narinyerri, p. 55. \u00c9 poss\u00edvel, no entanto, dado o grande n\u00famero de Narinyerri presentes, que esse rito tenha sido realizado por ocasi\u00e3o de uma congrega\u00e7\u00e3o da tribo, e essa congrega\u00e7\u00e3o por ocasi\u00e3o de uma inicia\u00e7\u00e3o (sobre essas coincid\u00eancias necess\u00e1rias, veja liv. III, cap. IV, \u00a7 3, A festa).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref147\" id=\"_ftn147\">[147]<\/a> Consultar ainda, liv. III, cap. II, Mitos; Taplin, p. 57; Folklore of South Australia, Adelaide, 1879, p. 22.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref148\" id=\"_ftn148\">[148]<\/a> Cf. Hubert e Mauss, \u201cEsquisse d\u2019une th\u00e9orie g\u00e9n\u00e9rale de la magie\u201d, Ann\u00e9e sociologique, 7, p. 145.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref149\" id=\"_ftn149\">[149]<\/a> Cf. Mauss, \u201cOrigines des pouvoirs magiques&#8230;\u201d cap. III.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref150\" id=\"_ftn150\">[150]<\/a> N.T.C., p. 502, cf. p. 501, sobre o papel do Gnabaia na inicia\u00e7\u00e3o comum; p. 749, diz-se que h\u00e1 tr\u00eas Gnabaia, dois hostis e um bom; o mito \u00e9, portanto, exatamente o mesmo que o de Mara e Binbinga, embora a organiza\u00e7\u00e3o da profiss\u00e3o m\u00e1gica seja muito diferente.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref151\" id=\"_ftn151\">[151]<\/a> N.T.C., 502, \u201csings to bis Gnabaia\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref152\" id=\"_ftn152\">[152]<\/a> N.T.C., p. 488. Deve haver algum erro de observa\u00e7\u00e3o em todos esses documentos: Mundadji (p. 487), Mundagadji (p. 501, n\u00e3o aparece no vocabul\u00e1rio, p. 754), Munkaninji = munkani (Mara, Anula, p. 754, escrito mungurni, p. 489). Todos esses esp\u00edritos t\u00eam nomes que s\u00e3o singularmente pr\u00f3ximos tanto ao do homem-m\u00e9dico quanto ao do pr\u00f3prio rito (cf. discuss\u00e3o a seguir, le munguni, liv. III, cap. II, l\u2019envo\u00fbtement).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref153\" id=\"_ftn153\">[153]<\/a> N\u00e3o entendemos absolutamente como Spencer e Gillen podem afirmar que n\u00e3o h\u00e1 analogia entre as pr\u00e1ticas de <em>mara binbinga<\/em> e as pr\u00e1ticas de <em>anula<\/em> N.T.C., p. 502.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref154\" id=\"_ftn154\">[154]<\/a> Consultar N.T.C., p. 628. Talvez o <em>munpani<\/em> em quest\u00e3o seja simplesmente <em>munkani<\/em>: um erro de impress\u00e3o ou um lapso de aten\u00e7\u00e3o seria suficiente para explicar tudo. O fato \u00e9 que os documentos de Spencer e de Gillen s\u00e3o singularmente falhos do ponto de vista l\u00f3gico e filol\u00f3gico.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref155\" id=\"_ftn155\">[155]<\/a> N.T.C., p. 488.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref156\" id=\"_ftn156\">[156]<\/a> Cf. Howitt, em B. S. Ab. Vict. 1, 473; Fison e Howitt, Kam. a. Kur. p. 220; cf. \u201cNotes on Songs and Song Makers\u201d, J.A.I., XVI, p. 733, e S.E.A., p. 435. A f\u00f3rmula \u00e9 a seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p>Tundunga Brewinda nundunga mei murriwunda.<\/p>\n\n\n\n<p>Tundung por Brewin, acredito pelo osso torto, pelo olho de quem o atirou\u201d. Howitt o traduziu (Kam. e Kurn.) como \u201cO! Tundung\u201d! embora ele tenha dado o significado de Tundung: fibras da \u201c\u00e1rvore de casca fibrosa\u201d. Mais tarde, ele fez do Tundung um instrumento como o Brewinda. Anteriormente, em Brough Smyth, ele havia transformado Brewinda em um vocativo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref157\" id=\"_ftn157\">[157]<\/a> S.E.A., p. 435. Cf. Em rela\u00e7\u00e3o a Gournditch Maro, Rev. St\u00e4hle em Fison e Howitt, Kam. a. Kur., p. 252, revela\u00e7\u00e3o pelos mortos das preces pela morte, um documento criticado abaixo, liv. III, cap. II.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref158\" id=\"_ftn158\">[158]<\/a> Brough Smyth, Abor. Vict. I, 462, 463, cf. Vocab. Green, ad verb., ibid. II, 122. Cf. Ibid., um pedido aos p\u00e1ssaros, ao qual retornaremos, liv. III, cap. I, \u00a7 Ritos m\u00e1gicos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea ir\u00e1 ler, a seguir, um trecho da obra &#8220;A Prece&#8221; de Marcel Mauss. Caso deseje mais informa\u00e7\u00f5es sobre a obra, ou deseje adquirir a obra completa, clique na capa do livro abaixo. Livro II: Natureza dos ritos orais elementares Cap\u00edtulo I. Hist\u00f3rico da quest\u00e3o e delimita\u00e7\u00e3o do tema Agora\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2022\/12\/29\/a-prece-de-marcel-mauss\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":846,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,33],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/848"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=848"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/848\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":849,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/848\/revisions\/849"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/846"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=848"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=848"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=848"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}