{"id":984,"date":"2024-09-02T22:43:53","date_gmt":"2024-09-02T22:43:53","guid":{"rendered":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/?p=984"},"modified":"2024-09-02T22:43:53","modified_gmt":"2024-09-02T22:43:53","slug":"maome-e-carlos-magno-de-henri-pirenne","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/09\/02\/maome-e-carlos-magno-de-henri-pirenne\/","title":{"rendered":"Maom\u00e9 e Carlos Magno, de Henri Pirenne"},"content":{"rendered":"\n<p>Abaixo voc\u00ea ir\u00e1 ler um trecho de &#8220;Maom\u00e9 e Carlos Magno&#8221;, de Heni Pirenne. Caso queira mais detalhes sobre obra, ou deseja adquiri-la, <a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/maome-e-carlos-magno\/\" data-type=\"page\" data-id=\"980\">clique aqui<\/a>, ou na capinha abaixo.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><a href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/principais-obras\/maome-e-carlos-magno\/\"><img decoding=\"async\" loading=\"lazy\" width=\"231\" height=\"328\" src=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capinha_pirenne.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-981\" srcset=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capinha_pirenne.jpg 231w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capinha_pirenne-211x300.jpg 211w, https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/capinha_pirenne-106x150.jpg 106w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\"> <\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\"><a>1. A Continuidade da civiliza\u00e7\u00e3o mediterr\u00e2nea no Ocidente ap\u00f3s as invas\u00f5es germ\u00e2nicas<\/a><\/h1>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>I. A \u201cRom\u00e2nia\u201d antes dos Germ\u00e2nicos<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>De todos os tra\u00e7os desta admir\u00e1vel constru\u00e7\u00e3o humana que foi o Imp\u00e9rio Romano<a href=\"#_ftn1\" id=\"_ftnref1\">[1]<\/a>, o mais marcante e tamb\u00e9m o mais essencial \u00e9 seu car\u00e1ter mediterr\u00e2neo. \u00c9 por isso que, mesmo sendo grego no Oriente e latino no Ocidente, sua unidade se comunica a todas as prov\u00edncias. O mar, na plena acep\u00e7\u00e3o do termo <em>Mare Nostrum<\/em>, transporta ideias, religi\u00f5es e mercadorias<a href=\"#_ftn2\" id=\"_ftnref2\">[2]<\/a>. As prov\u00edncias do Norte, B\u00e9lgica, Bretanha, Germ\u00e2nia, R\u00e9cia, N\u00f3rica, Pan\u00f4nia, s\u00e3o apenas locais avan\u00e7ados contra a barb\u00e1rie. A vida se concentra \u00e0 margem deste grande lago. \u00c9 indispens\u00e1vel para o abastecimento de Roma com gr\u00e3os da \u00c1frica. E \u00e9 tanto mais ben\u00e9fico quanto a navega\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente segura, gra\u00e7as ao desaparecimento secular da pirataria. Para ele tamb\u00e9m converge, pelas estradas, o movimento de todas as prov\u00edncias. \u00c0 medida que nos afastamos do mar, a civiliza\u00e7\u00e3o se torna mais rarefeita. A \u00faltima grande cidade do Norte \u00e9 Lyon. Tr\u00e9ves s\u00f3 deve sua grandeza ao seu estatuto de capital tempor\u00e1ria. Todas as demais cidades importantes, Cartago, Alexandria, N\u00e1poles, Antioquia, est\u00e3o no mar ou perto do mar.<\/p>\n\n\n\n<p>Este car\u00e1ter mediterr\u00e2neo se afirma ainda mais desde o s\u00e9culo IV, pois Constantinopla, a nova capital, \u00e9, antes de tudo, uma cidade mar\u00edtima. Ela se op\u00f5e a Roma, que \u00e9 apenas consumidora, por sua natureza de grande dep\u00f3sito, f\u00e1brica, grande base naval. E sua hegemonia \u00e9 tanto maior quanto o Oriente \u00e9 mais ativo; a S\u00edria \u00e9 o ponto de chegada das rotas que colocam o Imp\u00e9rio em contato com a \u00cdndia e a China; pelo Mar Negro, ela se comunica com o Norte. O Ocidente depende dela para os objetos de luxo e os manufaturados. O Imp\u00e9rio n\u00e3o conhece nem \u00c1sia, nem \u00c1frica, nem Europa. Se h\u00e1 civiliza\u00e7\u00f5es diversas, o fundo \u00e9 o mesmo em todo lugar. Mesmas muralhas, mesmos costumes, mesmas religi\u00f5es nessas costas que, outrora, conheceram civiliza\u00e7\u00f5es t\u00e3o diferentes como a Eg\u00edpcia, a Fen\u00edcia, a P\u00fanica.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 no Oriente que se concentra a navega\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn3\" id=\"_ftnref3\">[3]<\/a>. Os s\u00edrios, ou aqueles que assim s\u00e3o chamados, s\u00e3o os navegadores dos mares. Atrav\u00e9s deles, o papiro, as especiarias, o marfim, os vinhos de luxo se espalham at\u00e9 a Bretanha. Os tecidos preciosos chegam do Egito, assim como as ervas para os ascetas<a href=\"#_ftn4\" id=\"_ftnref4\">[4]<\/a>. H\u00e1 col\u00f4nias s\u00edrias por toda parte. Marselha \u00e9 um porto meio grego. Ao mesmo tempo que estes s\u00edrios, encontram-se judeus, dispersos ou melhor, agrupados, em todas as cidades. S\u00e3o marinheiros, corretores, banqueiros cuja influ\u00eancia foi t\u00e3o essencial na vida econ\u00f4mica da \u00e9poca quanto a influ\u00eancia oriental que se manifesta na mesma \u00e9poca na arte e nas ideias religiosas. O ascetismo chegou do Oriente ao Ocidente pelo mar como, antes dele, o culto de Mitra e o cristianismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem \u00d3stia, Roma \u00e9 incompreens\u00edvel. E se, por outro lado, Ravena se tornou a resid\u00eancia dos imperadores <em>in partibus occidentis<\/em>, \u00e9 pela atra\u00e7\u00e3o de Constantinopla. Atrav\u00e9s do Mediterr\u00e2neo, o Imp\u00e9rio forma, portanto, de maneira mais evidente, uma unidade econ\u00f4mica. \u00c9 um grande territ\u00f3rio com ped\u00e1gios, mas sem alf\u00e2ndegas. E ele se beneficia da vantagem imensa da unidade monet\u00e1ria, o s\u00f3lido de ouro constantino, uma moeda de 4,55 g de ouro puro, com aceita\u00e7\u00e3o legal em todos os lugares<a href=\"#_ftn5\" id=\"_ftnref5\">[5]<\/a>. Sabe-se que, desde Diocleciano, houve um decl\u00ednio econ\u00f4mico geral. Mas parece certo que o s\u00e9culo IV conheceu uma recupera\u00e7\u00e3o e uma circula\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria mais ativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para garantir a seguran\u00e7a deste Imp\u00e9rio cercado de b\u00e1rbaros, foi suficiente, por muito tempo, a guarda das legi\u00f5es nas fronteiras ao longo do Saara, no Eufrates, no Dan\u00fabio, no Reno. Mas atr\u00e1s da muralha, a \u00e1gua se acumula. No s\u00e9culo III, com os dist\u00farbios civis, h\u00e1 fissuras, depois brechas. De todos os lados, \u00e9 uma irrup\u00e7\u00e3o de francos, alamanos, godos que pilham a G\u00e1lia, a R\u00e9cia, a Pan\u00f4nia, a Tr\u00e1cia, descem at\u00e9 mesmo \u00e0 Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p>As a\u00e7\u00f5es dos imperadores il\u00edrios repeliram tudo e restaurou-se a fronteira. Mas do lado dos Germ\u00e2nicos, o <em>limes<\/em> n\u00e3o \u00e9 mais suficiente, agora \u00e9 necess\u00e1ria uma resist\u00eancia em profundidade. As cidades do interior s\u00e3o fortificadas, essas cidades que s\u00e3o os centros nervosos do Imp\u00e9rio. Roma e Constantinopla tornam-se dois modelos de fortalezas.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o se trata mais de se fechar aos B\u00e1rbaros. A popula\u00e7\u00e3o diminui, o soldado se torna um mercen\u00e1rio. Precisamos dos B\u00e1rbaros para o trabalho agr\u00edcola e para as fileiras militares. Estes \u00faltimos n\u00e3o pedem nada mais do que se alistar ao servi\u00e7o de Roma. Assim, o Imp\u00e9rio, em suas fronteiras, se torna germ\u00e2nico pelo sangue, mas n\u00e3o para o resto, pois tudo o que penetra se romaniza<a href=\"#_ftn6\" id=\"_ftnref6\">[6]<\/a>. Todos esses Germ\u00e2nicos que entram, \u00e9 para servi-lo e desfrutar dele. Eles t\u00eam por ele o respeito dos B\u00e1rbaros pelo civilizado. Mal chegam l\u00e1, adotam sua l\u00edngua e tamb\u00e9m sua religi\u00e3o, ou seja, o cristianismo, desde o s\u00e9culo IV; e ao se cristianizarem, ao perderem seus deuses nacionais, ao frequentarem as mesmas igrejas, eles se misturam gradualmente com a popula\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio. Em breve, quase todo o ex\u00e9rcito ser\u00e1 composto por B\u00e1rbaros e muitos deles, como o V\u00e2ndalo Estilic\u00e3o, o G\u00f3tico Gainas ou o Su\u00e1bio Ric\u00edmero, far\u00e3o carreira ali<a href=\"#_ftn7\" id=\"_ftnref7\">[7]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>II. As invas\u00f5es<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 durante o s\u00e9culo V, como sabemos, que o Imp\u00e9rio Romano perdeu suas partes ocidentais para os B\u00e1rbaros Germ\u00e2nicos. N\u00e3o foi a primeira vez que foi atacado por eles. A amea\u00e7a era antiga e foi para cont\u00ea-la que a fronteira militar Reno-Dan\u00fabio foi estabelecida. Ela foi suficiente para defender o Imp\u00e9rio at\u00e9 o s\u00e9culo III; mas ap\u00f3s o primeiro grande avan\u00e7o dos B\u00e1rbaros, foi necess\u00e1rio abandonar a confian\u00e7a anterior, adotar uma postura defensiva, reformar o ex\u00e9rcito enfraquecendo as unidades para torn\u00e1-las mais m\u00f3veis e, finalmente, constitu\u00ed-lo quase inteiramente de mercen\u00e1rios b\u00e1rbaros<a href=\"#_ftn8\" id=\"_ftnref8\">[8]<\/a>. Gra\u00e7as a isso, o Imp\u00e9rio ainda se defendeu por dois s\u00e9culos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que, afinal, cedeu? Tinha a seu favor suas fortalezas, contra as quais os B\u00e1rbaros eram impotentes, suas rotas estrat\u00e9gicas, a tradi\u00e7\u00e3o de uma arte militar secular, uma diplomacia consumada que sabia dividir e comprar os inimigos \u2013 foi um dos aspectos essenciais da resist\u00eancia \u2013 e a incapacidade de seus agressores de se entenderem. Tinha principalmente a seu favor o mar, cujo uso veremos at\u00e9 o estabelecimento dos V\u00e2ndalos em Cartago. Sei que a diferen\u00e7a de armamento entre o Imp\u00e9rio e os B\u00e1rbaros n\u00e3o era o que seria hoje, mas mesmo assim a superioridade romana era evidente contra pessoas sem abastecimento, sem treinada disciplina. Os B\u00e1rbaros tinham sem d\u00favida a superioridade num\u00e9rica, mas n\u00e3o sabiam se abastecer: lembremos dos Visigodos morrendo de fome na Aquit\u00e2nia depois de viverem do pa\u00eds, e de Alarico na It\u00e1lia! Mas o Imp\u00e9rio tinha contra si \u2013 al\u00e9m da obriga\u00e7\u00e3o de ter ex\u00e9rcitos em suas fronteiras da \u00c1frica e da \u00c1sia enquanto tinha que enfrentar a Europa \u2013 os dist\u00farbios civis, os muitos usurpadores que n\u00e3o hesitavam em fazer acordos com os B\u00e1rbaros, as intrigas de corte que, a um Estilic\u00e3o, opunham um Rufino, a passividade das popula\u00e7\u00f5es incapazes de resist\u00eancia, sem esp\u00edrito c\u00edvico, desprezando os B\u00e1rbaros, mas prontas para suportar seu jugo. Portanto, n\u00e3o havia contribui\u00e7\u00e3o, para a defesa, da resist\u00eancia moral, nem entre as tropas, nem nos bastidores. Felizmente, tamb\u00e9m n\u00e3o havia for\u00e7as morais do lado do ataque. Nada excitava os Germ\u00e2nicos contra o Imp\u00e9rio, nem motivos religiosos, nem \u00f3dio racial, e muito menos considera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas. Em vez de odi\u00e1-lo, eles o admiravam. Tudo o que queriam era estabelecer-se l\u00e1 e desfrutar dele. E seus reis aspiravam \u00e0s dignidades romanas. Nada parecido com o contraste que mais tarde deveriam apresentar Mu\u00e7ulmanos e Crist\u00e3os. Seu paganismo n\u00e3o os incitava contra os deuses romanos e n\u00e3o devia incit\u00e1-los ainda mais contra o \u00fanico Deus. No meio do s\u00e9culo V, um G\u00f3tico, \u00dalfilas, convertido ao arianismo em Biz\u00e2ncio, o transportara para seus compatriotas do Dnieper, que por sua vez o introduziram entre outros Germ\u00e2nicos, V\u00e2ndalos e Burg\u00fandios<a href=\"#_ftn9\" id=\"_ftnref9\">[9]<\/a>. Hereges sem o saber, seu cristianismo os aproximava ainda dos Romanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses Germ\u00e2nicos orientais n\u00e3o estavam, por outro lado, sem familiaridade com a civiliza\u00e7\u00e3o. Chegados \u00e0 beira do Mar Negro, os Godos entraram em contato com a antiga cultura greco-oriental dos gregos e s\u00e1rmatas da Crimeia; l\u00e1 aprenderam aquela arte ornamental, aquela ourivesaria cintilante que espalhariam pela Europa sob o nome de <em>Ars Barbarica<\/em>. O mar os colocara em contato com o B\u00f3sforo, onde, em 330, Constantinopla, a nova grande cidade, foi fundada, no local da grega Biz\u00e2ncio (11 de maio de 330)<a href=\"#_ftn10\" id=\"_ftnref10\">[10]<\/a>. Foi dela, junto com \u00dalfilas, que lhes veio o cristianismo, e certamente deve-se admitir que \u00dalfilas n\u00e3o foi o \u00fanico entre eles que foi atra\u00eddo pela brilhante capital do Imp\u00e9rio. O curso natural das coisas os destinava a sofrer, pelo mar, a influ\u00eancia de Constantinopla, assim como, mais tarde, deveriam sofrer os Varangianos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi espontaneamente que os B\u00e1rbaros se lan\u00e7aram sobre o Imp\u00e9rio. Eles foram impulsionados pela invas\u00e3o Huno que acabaria por determinar toda a sequ\u00eancia das invas\u00f5es. Pela primeira vez, a Europa sentiria, atrav\u00e9s da imensa brecha na plan\u00edcie s\u00e1rmata, o impacto dos choques populacionais no extremo oriente.<\/p>\n\n\n\n<p>A chegada dos Hunos empurrou os Godos em dire\u00e7\u00e3o ao Imp\u00e9rio. Parece que sua forma de combater, talvez seu aspecto, seu nomadismo t\u00e3o aterrorizante para os sedent\u00e1rios, os tornou invenc\u00edveis<a href=\"#_ftn11\" id=\"_ftnref11\">[11]<\/a>. Os Ostrogodos derrotados foram empurrados para a Pan\u00f4nia, e os Visigodos fugiram para o Dan\u00fabio. Foi em 376, no outono. Teve-se que permitir que passassem. Quantos eram?<a href=\"#_ftn12\" id=\"_ftnref12\">[12]<\/a> Imposs\u00edvel especificar. L. Schmidt estima 40.000 almas, incluindo 8.000 guerreiros<a href=\"#_ftn13\" id=\"_ftnref13\">[13]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Cruzaram a fronteira com seus duques, como um povo, com o consentimento do imperador, que os reconheceu como federados obrigados a fornecer recrutas para o ex\u00e9rcito romano. Este \u00e9 um fato novo de extrema import\u00e2ncia. Com eles, um corpo estrangeiro entra no Imp\u00e9rio. Eles mant\u00eam seus direitos nacionais. Eles n\u00e3o s\u00e3o divididos, mas deixados como um grupo compacto. Foi uma opera\u00e7\u00e3o malfeita. N\u00e3o lhes foi atribu\u00edda terra e, instalados em montanhas ruins, rebelaram-se j\u00e1 no ano seguinte (377). O que eles cobi\u00e7am \u00e9 o Mediterr\u00e2neo, para onde se dirigem em massa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 9 de agosto de 378, em Adrian\u00f3polis, o imperador Valente, derrotado, \u00e9 morto. Toda a Tr\u00e1cia \u00e9 saqueada, exceto as cidades que os B\u00e1rbaros n\u00e3o conseguem capturar. Eles chegam at\u00e9 mesmo \u00e0s portas de Constantinopla, que resiste, assim como mais tarde resistir\u00e1 aos \u00c1rabes.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem ela, os Germ\u00e2nicos poderiam se estabelecer \u00e0s margens do mar e, assim, alcan\u00e7ar o ponto vital do Imp\u00e9rio. Mas Teod\u00f3sio os afasta. Em 382, ele os estabelece na M\u00e9sia depois de derrot\u00e1-los. Mas eles continuam a formar um povo ali. Durante a guerra, e provavelmente por motivos militares, substitu\u00edram seus duques por um rei: Alarico. Nada mais natural do que ele querer expandir e arriscar a captura de Constantinopla, que o fascina. N\u00e3o se deve ver nisso, como faz L. Schmidt, com base em Isidoro de Sevilha (!)<a href=\"#_ftn14\" id=\"_ftnref14\">[14]<\/a>, uma tentativa de estabelecer no Oriente um reino nacional germ\u00e2nico. Embora seu n\u00famero deva ter sido consideravelmente aumentado por chegadas de al\u00e9m do Dan\u00fabio, o car\u00e1ter germ\u00e2nico dos Godos j\u00e1 estava bastante enfraquecido pela adi\u00e7\u00e3o de escravos e aventureiros que se juntaram a eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Contra eles, o Imp\u00e9rio n\u00e3o tomou nenhuma precau\u00e7\u00e3o, exceto, sem d\u00favida, a lei de Valentiniano e Valente, de 370 ou 375, que proibia sob pena de morte o casamento entre Romanos e B\u00e1rbaros. Mas, ao impedir assim sua assimila\u00e7\u00e3o pela popula\u00e7\u00e3o romana, manteve-os como um corpo estrangeiro no Imp\u00e9rio e provavelmente contribuiu para lan\u00e7\u00e1-los em novas aventuras. Encontrando o caminho livre \u00e0 sua frente, os Godos saqueiam a Gr\u00e9cia, Atenas, o Peloponeso. Estilic\u00e3o, por mar, vai combat\u00ea-los e os repele na \u00c9piro. No entanto, permanecem no Imp\u00e9rio e Arc\u00e1dio os autoriza a se estabelecerem, ainda como federados, na Il\u00edria; esperando assim, sem d\u00favida, subjugar a autoridade do imperador, ele confere a Alarico o t\u00edtulo de <em>Magister militum per Illyricum<\/em> <a href=\"#_ftn15\" id=\"_ftnref15\">[15]<\/a>. Pelo menos assim, os Godos s\u00e3o afastados de Constantinopla. Mas, pr\u00f3ximos da It\u00e1lia, que ainda n\u00e3o foi devastada, eles se lan\u00e7am sobre ela em 401. Estilic\u00e3o os derrota em Pollentia e Verona e os repele em 402. Segundo L. Schmidt, Alarico teria invadido a It\u00e1lia para a realiza\u00e7\u00e3o de seus \u201cplanos universais\u201d. Ele sup\u00f5e, portanto, que, com os 100.000 homens que lhe atribui, ele teria tido a ideia de substituir o Imp\u00e9rio Romano por um Imp\u00e9rio germ\u00e2nico. Na realidade, ele \u00e9 um condotiero que busca seu lucro. Ele tem t\u00e3o poucas convic\u00e7\u00f5es que se coloca ao servi\u00e7o de Estilic\u00e3o por 4.000 libras de ouro, para agir contra aquele Arc\u00e1dio com quem tratou.<\/p>\n\n\n\n<p>O assassinato de Estilic\u00e3o chega a tempo para seus neg\u00f3cios. Com seu ex\u00e9rcito aumentado em grande parte pelas tropas deste \u00faltimo, ele retoma o caminho da It\u00e1lia em 408<a href=\"#_ftn16\" id=\"_ftnref16\">[16]<\/a>. J\u00e1 Alarico, o B\u00e1rbaro se transforma em um intrigante militar romano. Em 409, Hon\u00f3rio se recusando a negociar com ele, ele faz proclamar imperador o senador Prisco \u00c1talo<a href=\"#_ftn17\" id=\"_ftnref17\">[17]<\/a>, que o eleva ao mais alto posto de <em>Magister utriusque militiae praesentialis<\/em> em ambas as frentes. Ent\u00e3o, para se aproximar de Hon\u00f3rio, ele trai sua criatura. Mas Hon\u00f3rio n\u00e3o quer se tornar um segundo \u00c1talo. Ent\u00e3o Alarico saqueia Roma, da qual se apodera de surpresa, e s\u00f3 a deixa levando consigo Gala Plac\u00eddia, irm\u00e3 do imperador. Sem d\u00favida, ele voltaria ent\u00e3o contra Ravena? Pelo contr\u00e1rio. Ele se dirige para o sul da It\u00e1lia, que volta a ser saqueada, planejando de l\u00e1 passar para a \u00c1frica, celeiro de Roma e a prov\u00edncia mais pr\u00f3spera do ocidente. Ainda h\u00e1 uma marcha de pilhagens para sobreviver. Alarico n\u00e3o chegaria \u00e0 \u00c1frica; ele morreu no final do ano de 410. Seu funeral, no Busento, foi o de um her\u00f3i \u00e9pico<a href=\"#_ftn18\" id=\"_ftnref18\">[18]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu cunhado Ataulfo, que o sucede, retoma o caminho para o norte. Ap\u00f3s alguns meses de pilhagem, ele marcha em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 G\u00e1lia, onde o usurpador Jovino acabara de assumir o poder. A todo custo, ele precisa de um t\u00edtulo romano. Desentendido com Jovino, que ser\u00e1 morto em 413<a href=\"#_ftn19\" id=\"_ftnref19\">[19]<\/a>, e rejeitado por Hon\u00f3rio, que permanece inabal\u00e1vel, ele se casa em 414 em Narbona com a bela Plac\u00eddia, que o torna cunhado do imperador. Foi ent\u00e3o que ele teria proferido a famosa frase relatada por Or\u00f3sio<a href=\"#_ftn20\" id=\"_ftnref20\">[20]<\/a>: \u201cPrimeiramente, desejei ardentemente apagar o pr\u00f3prio nome dos romanos e transformar o Imp\u00e9rio Romano em Imp\u00e9rio G\u00f3tico. A \u2018Rom\u00e2nia\u2019, como \u00e9 comumente chamada, se tornaria \u2018G\u00f3tia\u2019; Ataulfo substituiria C\u00e9sar Augusto. Mas uma experi\u00eancia prolongada me ensinou que a barb\u00e1rie desenfreada dos godos era incompat\u00edvel com as leis. Ora, sem leis, n\u00e3o h\u00e1 Estado (<em>res publica<\/em>). Portanto, decidi aspirar \u00e0 gl\u00f3ria de restaurar integralmente o nome romano e aument\u00e1-lo com a for\u00e7a g\u00f3tica. Espero passar para a posteridade como o restaurador de Roma, pois me \u00e9 imposs\u00edvel suplant\u00e1-la.\u201d<a href=\"#_ftn21\" id=\"_ftnref21\">[21]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Isso era uma afronta a Hon\u00f3rio. Mas o imperador, inabal\u00e1vel, se recusa a negociar com um germ\u00e2nico que, de Narbona, pode pretender dominar o mar. Ent\u00e3o Ataulfo, incapaz de conferir a si pr\u00f3prio a dignidade imperial, reinstala \u00c1talo como imperador do Ocidente, para reconstruir o Imp\u00e9rio com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>O infeliz, no entanto, \u00e9 for\u00e7ado a continuar suas pilhagens, pois morre de fome. Hon\u00f3rio, ao bloquear a costa, o for\u00e7a a passar para a Espanha, possivelmente rumo \u00e0 \u00c1frica, onde \u00e9 assassinado em 415 por um de seus pr\u00f3prios, recomendando a seu irm\u00e3o Wallia que permane\u00e7a fiel a Roma. Tamb\u00e9m faminto na Espanha devido ao bloqueio dos portos, Wallia tenta passar para a \u00c1frica, mas \u00e9 repelido por uma tempestade. O Ocidente est\u00e1, neste momento, em um estado desesperador.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 406, os Hunos, avan\u00e7ando sempre, empurraram \u00e0 sua frente, al\u00e9m do Reno desta vez, os V\u00e2ndalos, Alanos, Suevos e Borgonheses, que, empurrando Francos e Alamanos, desceram pela G\u00e1lia at\u00e9 o Mediterr\u00e2neo e alcan\u00e7aram a Espanha. Para resistir a eles, o imperador pede ajuda a Wallia. Impulsionado pela necessidade, ele aceita. E, tendo recebido de Roma 600.000 medidas de trigo<a href=\"#_ftn22\" id=\"_ftnref22\">[22]<\/a>, volta-se contra o fluxo de B\u00e1rbaros que, como seus Visigodos, tentavam abrir caminho para a \u00c1frica.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 418, o imperador autoriza os Visigodos a se estabelecerem na Aquit\u00e2nia Segunda, reconhecendo a Wallia, assim como antes a Alarico, o t\u00edtulo de federado.<\/p>\n\n\n\n<p>Estabelecidos entre o Loire e o Garona, \u00e0 beira do Atl\u00e2ntico, afastados do Mediterr\u00e2neo que j\u00e1 n\u00e3o amea\u00e7am, os Godos finalmente obt\u00eam as terras que tanto reivindicaram<a href=\"#_ftn23\" id=\"_ftnref23\">[23]<\/a>. Desta vez, s\u00e3o tratados como um ex\u00e9rcito romano e as regras de alojamento militar s\u00e3o aplicadas a eles<a href=\"#_ftn24\" id=\"_ftnref24\">[24]<\/a>. Mas de forma permanente. Assim, est\u00e3o fixados na terra e dispersos entre os Romanos. Seu rei n\u00e3o reina sobre os Romanos. Ele \u00e9 apenas o rei de seu povo, <em>rex Gothorum<\/em>, ao mesmo tempo em que \u00e9 seu general; ele n\u00e3o \u00e9 <em>rex Aquitaniae<\/em>. Os Godos est\u00e3o acampados entre os Romanos e unidos entre si pela identidade do rei. Acima deles, o imperador ainda existe, mas para a popula\u00e7\u00e3o romana, esse rei germ\u00e2nico \u00e9 apenas um general de mercen\u00e1rios a servi\u00e7o do Imp\u00e9rio. E a fixa\u00e7\u00e3o dos Godos s\u00f3 foi considerada pela popula\u00e7\u00e3o como uma prova do poder romano.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 417, Rutilius Namatianus ainda exalta a eternidade de Roma<a href=\"#_ftn25\" id=\"_ftnref25\">[25]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O reconhecimento dos Visigodos como \u201cfederados de Roma\u201d, sua instala\u00e7\u00e3o legal na Aquit\u00e2nia, no entanto, n\u00e3o deveria trazer sua pacifica\u00e7\u00e3o. Vinte anos depois, quando Estilic\u00e3o teve que chamar de volta as legi\u00f5es da G\u00e1lia para defender a It\u00e1lia, e Genserico conseguiu a conquista da \u00c1frica, os Visigodos se lan\u00e7am sobre Narbona (437), derrotam os Romanos em Toulouse (439), e desta vez conseguem um tratado que, provavelmente, os reconhece como independentes, e n\u00e3o mais como federados<a href=\"#_ftn26\" id=\"_ftnref26\">[26]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato essencial que determinou esse colapso do poder imperial na G\u00e1lia foi a passagem dos V\u00e2ndalos para a \u00c1frica sob o comando de Genserico. Realizando o que os Visigodos n\u00e3o puderam fazer, Genserico, em 427, com os navios de Cartagena, conseguiu atravessar o Estreito de Gibraltar e desembarcar 50.000 homens na costa africana. Isso foi um golpe decisivo para o Imp\u00e9rio. \u00c9 a alma da Rep\u00fablica que desaparece, diz Salviano. Quando Genserico tomou Cartago em 439, ou seja, a grande base naval do Ocidente, e depois, pouco tempo depois, a Sardenha, a C\u00f3rsega e as Baleares, a situa\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio no Ocidente foi abalada at\u00e9 o fundo. Ele perdeu esse Mediterr\u00e2neo que at\u00e9 ent\u00e3o havia sido o grande instrumento de sua resist\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>O abastecimento de Roma est\u00e1 em perigo, assim como o suprimento do ex\u00e9rcito, e isso ser\u00e1 o ponto de partida da revolta de Odoacro. O mar est\u00e1 sob o poder dos b\u00e1rbaros. Em 441, o imperador envia uma expedi\u00e7\u00e3o contra eles, que desta vez falha, pois entre as for\u00e7as em jogo a partida est\u00e1 igualada, os v\u00e2ndalos lutando sem d\u00favida contra a frota de Biz\u00e2ncio com a de Cartagena. E Valentiniano s\u00f3 pode reconhecer o estabelecimento deles nas partes mais ricas da \u00c1frica, em Cartago, na Bizacena e na Num\u00eddia (442)<a href=\"#_ftn27\" id=\"_ftnref27\">[27]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas \u00e9 apenas uma tr\u00e9gua. Genserico foi considerado um homem de g\u00eanio. O que explica seu grande papel \u00e9, sem d\u00favida, a posi\u00e7\u00e3o que ele ocupa. Ele conseguiu onde Alarico e Wallia falharam. Ele controla a prov\u00edncia mais pr\u00f3spera do Imp\u00e9rio. Ele vive na abund\u00e2ncia. Ele est\u00e1 acomodado e, do grande porto que domina, pode se dedicar \u00e0 pirataria frut\u00edfera. Ele amea\u00e7a tanto o Oriente quanto o Ocidente e se sente poderoso o suficiente para desafiar o Imp\u00e9rio do qual n\u00e3o ambiciona os t\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p>O que explica a ina\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio em rela\u00e7\u00e3o a ele por v\u00e1rios anos ap\u00f3s a tr\u00e9gua de 442 s\u00e3o os Hunos. Em 447, das plan\u00edcies do Tibisco, \u00c1tila pilha a M\u00e9sia e a Tr\u00e1cia at\u00e9 as Term\u00f3pilas. Ent\u00e3o ele se volta contra a G\u00e1lia, cruza o Reno na primavera de 451 e devasta tudo at\u00e9 o Loire. A\u00e9cio, apoiado pelos Germ\u00e2nicos, francos, burg\u00fandios e visigodos<a href=\"#_ftn28\" id=\"_ftnref28\">[28]<\/a>, que agem como bons federados, o det\u00e9m perto de Troyes. A arte militar romana e a valentia germ\u00e2nica colaboraram. Teodorico I, rei dos visigodos, realizando a palavra de Wallia sobre a gl\u00f3ria de restaurar o Imp\u00e9rio, \u00e9 morto. A morte de \u00c1tila em 453 arru\u00edna seu ef\u00eamero trabalho e liberta o Ocidente do perigo mongol. O Imp\u00e9rio ent\u00e3o volta sua aten\u00e7\u00e3o para Genserico. Este percebe o perigo e toma a dianteira. Em 455, aproveita o assassinato de Valentiniano para se recusar a reconhecer M\u00e1ximo. Ele entra em Roma em 2 de junho de 455 e saqueia a cidade<a href=\"#_ftn29\" id=\"_ftnref29\">[29]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Aproveitando o mesmo pretexto, Teodorico II, rei dos visigodos (453-466), rompe com o Imp\u00e9rio, favorece a elei\u00e7\u00e3o do imperador gaul\u00eas Avito, \u00e9 enviado por ele contra os suevos, na Espanha, e imediatamente empreende sua marcha em dire\u00e7\u00e3o ao Mediterr\u00e2neo. Derrotado e capturado por Ric\u00edmero, Avito se torna bispo<a href=\"#_ftn30\" id=\"_ftnref30\">[30]<\/a>, mas a campanha dos visigodos continua. Por sua vez, os burg\u00fandios, que, ap\u00f3s serem derrotados por A\u00e9cio, foram estabelecidos como federados na Savoia em 443<a href=\"#_ftn31\" id=\"_ftnref31\">[31]<\/a>, tomam Lyon (457).<\/p>\n\n\n\n<p>Majoriano, que acabara de subir ao trono, enfrenta o perigo. Ele retoma Lyon em 458 e, depois, indo ao mais urgente, se volta contra Genserico. Para combat\u00ea-lo, ele atravessa os Pirineus em 460 para alcan\u00e7ar a \u00c1frica por Gibraltar, mas \u00e9 assassinado na Espanha em 461. Imediatamente, Lyon cai nas m\u00e3os dos burg\u00fandios, que se expandem por todo o vale do R\u00f3dano at\u00e9 os limites da Proven\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, Teodorico II retoma suas conquistas. Depois de fracassar diante de Arles, cuja resist\u00eancia salva a Proven\u00e7a, ele toma Narbona (462). Depois dele, Eurico (466-484) ataca os suevos na Espanha, os expulsa para a Gal\u00edcia e conquista a Pen\u00ednsula. Uma tr\u00e9gua fingida e inc\u00eandios resolvem a quest\u00e3o diante do Cabo Bon. A partida, a partir desse momento, est\u00e1 perdida.<\/p>\n\n\n\n<p>Para resistir, \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio que o Imp\u00e9rio retome o controle do mar. O imperador Le\u00e3o, em 468, prepara uma grande expedi\u00e7\u00e3o contra a \u00c1frica. Ele teria gastado 9 milh\u00f5es de s\u00f3lidos e equipado 1.100 navios.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Ravena, o imperador Ant\u00eamio \u00e9 paralisado pelo mestre da mil\u00edcia Ric\u00edmero. Tudo o que pode fazer \u00e9 atrasar, por meio de negocia\u00e7\u00f5es (pois n\u00e3o tem mais frota), a ocupa\u00e7\u00e3o da Proven\u00e7a amea\u00e7ada por Eurico. Este j\u00e1 \u00e9 o mestre da Espanha e da G\u00e1lia, que ele conquistou at\u00e9 o Loire (em 469).<\/p>\n\n\n\n<p>A queda de R\u00f4mulo Augusto entregar\u00e1 a Proven\u00e7a aos visigodos (476); todo o Mediterr\u00e2neo ocidental a partir de ent\u00e3o estar\u00e1 perdido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, \u00e9 surpreendente como o Imp\u00e9rio p\u00f4de durar tanto tempo, e n\u00e3o se pode deixar de admirar sua obstina\u00e7\u00e3o em resistir \u00e0 fortuna. Um Majoriano, que retoma Lyon dos burg\u00fandios e marcha contra Genserico pela Espanha, ainda \u00e9 digno de admira\u00e7\u00e3o. Para se defender, o Imp\u00e9rio s\u00f3 conta com federados que n\u00e3o param de tra\u00ed-lo, como os visigodos e os burg\u00fandios, e com tropas de mercen\u00e1rios cuja fidelidade n\u00e3o suporta a adversidade, e a posse da \u00c1frica e das ilhas pelos v\u00e2ndalos impede um bom abastecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O Oriente, amea\u00e7ado ao longo do Dan\u00fabio, n\u00e3o pode fazer nada. Seu \u00fanico esfor\u00e7o \u00e9 contra Genserico. Certamente, se os b\u00e1rbaros quisessem destruir o Imp\u00e9rio, s\u00f3 precisariam se unir para conseguir<a href=\"#_ftn32\" id=\"_ftnref32\">[32]<\/a>. Mas eles n\u00e3o queriam.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s Majoriano (falecido em 461), em Ravena, s\u00f3 h\u00e1 imperadores fracos vivendo \u00e0 merc\u00ea dos senhores b\u00e1rbaros e de suas tropas suevas: Ric\u00edmero (falecido em 472), o burg\u00fandio Gundobaldo, que, retornando \u00e0 G\u00e1lia para se tornar rei de seu povo, \u00e9 substitu\u00eddo por Orestes, sendo Huno de origem, que dep\u00f5e J\u00falio Nepos e d\u00e1 o trono a seu pr\u00f3prio filho, R\u00f4mulo Augusto.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Orestes, que recusa terras<a href=\"#_ftn33\" id=\"_ftnref33\">[33]<\/a> aos soldados, \u00e9 massacrado e o general Odoacro<a href=\"#_ftn34\" id=\"_ftnref34\">[34]<\/a> \u00e9 proclamado rei pelas tropas. Ele s\u00f3 tem diante de si R\u00f4mulo Augusto, criatura de Orestes, a quem envia \u00e0 vila de L\u00faculo no cabo Miseno (476).<\/p>\n\n\n\n<p>Zen\u00e3o, imperador do Oriente, por falta de op\u00e7\u00e3o, reconhece Odoacro como patr\u00edcio. Na verdade, nada mudou. Odoacro \u00e9 um funcion\u00e1rio imperial.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 488, para desviar os ostrogodos da Pan\u00f4nia, onde s\u00e3o amea\u00e7adores<a href=\"#_ftn35\" id=\"_ftnref35\">[35]<\/a>, Zen\u00e3o os lan\u00e7a sobre a It\u00e1lia para reconquist\u00e1-la, empregando Germ\u00e2nicos contra Germ\u00e2nicos, depois de conceder ao seu rei Teodorico o t\u00edtulo de patr\u00edcio. E \u00e9 ent\u00e3o em 489, em Verona, depois em 490 no rio Adda, e finalmente em 493, a captura e o assassinato de Odoacro em Ravena. Teodorico, com a autoriza\u00e7\u00e3o de Zen\u00e3o, assume o governo da It\u00e1lia permanecendo rei de seu povo, que \u00e9 estabelecido de acordo com o princ\u00edpio de ter\u00e7o.<\/p>\n\n\n\n<p>Est\u00e1 feito, n\u00e3o haver\u00e1 mais imperador no Ocidente (exceto por um momento no s\u00e9culo VI) antes de Carlos Magno. Na verdade, todo o Ocidente \u00e9 uma mosaico de reinos b\u00e1rbaros: ostrogodos na It\u00e1lia, v\u00e2ndalos na \u00c1frica, suevos na Gal\u00edcia, visigodos na Espanha e ao sul do Loire, burg\u00fandios no vale do R\u00f3dano. No norte da G\u00e1lia, o que ainda restava de romano sob Si\u00e1grio \u00e9 conquistado por Cl\u00f3vis em 486, que esmaga os alamanos no vale do Reno e expulsa os visigodos para a Espanha. Por fim, na Bretanha, se estabeleceram os anglo-sax\u00f5es. Assim, no in\u00edcio do s\u00e9culo VI, n\u00e3o h\u00e1 mais um palmo de terra no Ocidente que obede\u00e7a ao imperador. A cat\u00e1strofe parece enorme \u00e0 primeira vista, t\u00e3o enorme que se data da queda de R\u00f4mulo como um segundo ato do mundo. No entanto, olhando mais de perto, ela parece menos importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Pois o imperador n\u00e3o desapareceu em direito. Ele n\u00e3o cedeu em soberania. A antiga fic\u00e7\u00e3o dos federados continua. E os rec\u00e9m-chegados tamb\u00e9m reconhecem sua primazia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas os anglo-sax\u00f5es o ignoram. Para os outros, ele permanece como um soberano eminente. Teodorico governa em seu nome. O rei burg\u00fandio Sigismundo escreve a ele entre 516-518: \u201cNa verdade, seu povo \u00e9 o meu.\u201d <a href=\"#_ftn36\" id=\"_ftnref36\">[36]<\/a> Cl\u00f3vis se orgulha de receber o t\u00edtulo de c\u00f4nsul<a href=\"#_ftn37\" id=\"_ftnref37\">[37]<\/a>. Nenhum deles ousa assumir o t\u00edtulo de imperador<a href=\"#_ftn38\" id=\"_ftnref38\">[38]<\/a>. Isso s\u00f3 acontecer\u00e1 com Carlos Magno. Constantinopla continua sendo a capital desse conjunto. \u00c9 l\u00e1 que os reis visigodos, ostrogodos e v\u00e2ndalos recorrem como \u00e1rbitro de suas disputas. O Imp\u00e9rio persiste em direito por uma esp\u00e9cie de presen\u00e7a m\u00edstica; na verdade \u2013 e isso \u00e9 muito mais importante \u2013 sobrevive a Rom\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>III. Os Germ\u00e2nicos na \u201cRom\u00e2nia\u201d<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>Na realidade, o que foi perdido pela Rom\u00e2nia \u00e9 pouca coisa. \u00c9 uma faixa de fronteira ao norte e a Bretanha, onde os anglo-sax\u00f5es substitu\u00edram os bret\u00f5es, mais ou menos romanizados, parte dos quais emigrou para a Bretanha. A parte perdida ao norte<a href=\"#_ftn39\" id=\"_ftnref39\">[39]<\/a> pode ser avaliada comparando a antiga linha do limes Reno-Dan\u00fabio com a fronteira lingu\u00edstica atual entre a l\u00edngua germ\u00e2nica e a l\u00edngua rom\u00e2nica. L\u00e1, houve um deslocamento da Germ\u00e2nia sobre o Imp\u00e9rio. Col\u00f4nia, Mainz, Trier, Ratisbona, Viena s\u00e3o hoje cidades alem\u00e3s e os <em>extremi hominum<\/em> est\u00e3o na regi\u00e3o flamenga<a href=\"#_ftn40\" id=\"_ftnref40\">[40]<\/a>. Sem d\u00favida, a popula\u00e7\u00e3o romanizada n\u00e3o desapareceu de uma vez. Embora pare\u00e7a ter desaparecido completamente em Tongres, Tournai ou Arras, por outro lado, ainda existem crist\u00e3os, ou seja, romanos, em Col\u00f4nia e Trier, mas os que sobreviveram foram gradualmente germanizados. Os Romani, mencionados na Lei S\u00e1lica, atestam a presen\u00e7a desses sobreviventes, e a Vida de S\u00e3o Severino permite detectar, na N\u00f3rica, o estado intermedi\u00e1rio<a href=\"#_ftn41\" id=\"_ftnref41\">[41]<\/a>. Sabe-se tamb\u00e9m que os romanos se mantiveram por muito tempo nas montanhas do Tirol e da Baviera<a href=\"#_ftn42\" id=\"_ftnref42\">[42]<\/a>. Aqui, portanto, houve coloniza\u00e7\u00e3o, substitui\u00e7\u00e3o de uma popula\u00e7\u00e3o por outra, germaniza\u00e7\u00e3o. O estabelecimento em massa dos Germ\u00e2nicos ocidentais em suas pr\u00f3prias fronteiras contrasta estranhamente com as formid\u00e1veis migra\u00e7\u00f5es que levaram os godos do Dnieper para a It\u00e1lia e a Espanha, os burg\u00fandios do Elba para o Reno, os v\u00e2ndalos do Tibisco para a \u00c1frica. Os primeiros se limitaram a atravessar o rio onde C\u00e9sar os havia fixado. Seria isso uma quest\u00e3o de ra\u00e7a? Eu n\u00e3o acredito. Os francos, no s\u00e9culo III, avan\u00e7aram at\u00e9 os Pirineus e os sax\u00f5es invadiram a Inglaterra.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu acreditaria mais facilmente que isso se explica pela situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. Ao se estabelecerem nas fronteiras do Imp\u00e9rio, eles n\u00e3o amea\u00e7avam diretamente Constantinopla, Ravena, a \u00c1frica, os pontos vitais do Imp\u00e9rio. Portanto, eles foram permitidos a se estabelecer na terra, a se fixar, algo que os imperadores sempre negaram aos Germ\u00e2nicos orientais antes do alojamento dos visigodos na Aquit\u00e2nia. Para mant\u00ea-los nas fronteiras, Juli\u00e3o fez expedi\u00e7\u00f5es contra os francos e os alamanos; a popula\u00e7\u00e3o romana recuou diante deles, eles n\u00e3o foram instalados como tropas mercen\u00e1rias, seguindo o sistema de ter\u00e7o, mas colonizaram lentamente a terra ocupada, se fixaram nela, como um povo que enra\u00edza. Portanto, quando, em 406, as legi\u00f5es foram retiradas, eles foram detidos pelos pequenos postos e castelos da fronteira romana da linha Bavai-Courtrai-Boulogne e Bavai-Tongres<a href=\"#_ftn43\" id=\"_ftnref43\">[43]<\/a>. Eles s\u00f3 avan\u00e7aram lentamente para o sul, para capturar Tournai em 446. Eles n\u00e3o constituem um ex\u00e9rcito conquistador, mas um povo em movimento que se estabelece gradualmente nas terras f\u00e9rteis que se apresentam a ele. Isso significa que eles n\u00e3o se misturam com a popula\u00e7\u00e3o galorromana, que aos poucos cede lugar a eles; \u00e9 isso que explica que eles mantenham o que poder\u00edamos chamar de esp\u00edrito germ\u00e2nico, seus costumes, suas tradi\u00e7\u00f5es \u00e9picas. Eles importam sua religi\u00e3o e sua l\u00edngua, d\u00e3o nomes novos \u00e0s localidades do pa\u00eds. Os termos Germ\u00e2nicos em <em>ze(e)le<\/em>, <em>inghem<\/em>, lembram os nomes das fam\u00edlias dos primeiros colonos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao sul do territ\u00f3rio que eles inundam completamente, eles se infiltram lentamente, criando assim uma zona de popula\u00e7\u00e3o mista que corresponderia mais ou menos \u00e0 Val\u00f4nia belga, ao norte da Fran\u00e7a, \u00e0 Lorena; l\u00e1, os nomes dos lugares atestam em muitos lugares a presen\u00e7a de uma popula\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica que mais tarde se romanizaria<a href=\"#_ftn44\" id=\"_ftnref44\">[44]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa infiltra\u00e7\u00e3o pode ter avan\u00e7ado at\u00e9 o Sena<a href=\"#_ftn45\" id=\"_ftnref45\">[45]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, no geral, a germaniza\u00e7\u00e3o s\u00f3 ocorreu em massa onde a l\u00edngua foi preservada. A Rom\u00e2nia s\u00f3 desapareceu nas \u00faltimas conquistas de Roma, ao longo do glacis avan\u00e7ado que protegia o Mediterr\u00e2neo: as duas Germ\u00e2nias, parte das B\u00e9lgicas, R\u00e9cia, N\u00f3rica e Pan\u00f4nia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, a Rom\u00eania permaneceu intacta e n\u00e3o poderia ter sido diferente. O Imp\u00e9rio Romano permaneceu romano, assim como os Estados Unidos da Am\u00e9rica, apesar da imigra\u00e7\u00e3o, permanecem anglo-sax\u00f5es. Os rec\u00e9m-chegados eram, de fato, apenas uma minoria \u00ednfima. Seria necess\u00e1rio fornecer n\u00fameros para permitir alguma precis\u00e3o cient\u00edfica. Mas n\u00e3o temos nenhum documento que nos permita isso. Qual era a popula\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio?<a href=\"#_ftn46\" id=\"_ftnref46\">[46]<\/a> 70 milh\u00f5es de habitantes? N\u00e3o parece poss\u00edvel seguir C. Jullian, que atribui \u00e0 G\u00e1lia uma popula\u00e7\u00e3o de 40 a 20 milh\u00f5es de almas<a href=\"#_ftn47\" id=\"_ftnref47\">[47]<\/a>. Qualquer precis\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. O que \u00e9 apenas evidente \u00e9 que os Germ\u00e2nicos desapareciam na massa.<\/p>\n\n\n\n<p>Dahn<a href=\"#_ftn48\" id=\"_ftnref48\">[48]<\/a> estima que os visigodos, admitidos no Imp\u00e9rio por Valens, poderiam ter sido um milh\u00e3o de habitantes; de acordo com Eutr\u00f3pio, com base nos n\u00fameros dados para a batalha de Adrian\u00f3polis, L. Schmidt admite 8.000 guerreiros e, no total, 40.000 pessoas<a href=\"#_ftn49\" id=\"_ftnref49\">[49]<\/a>. \u00c9 verdade que eles devem ter aumentado posteriormente com Germ\u00e2nicos, escravos, mercen\u00e1rios, etc. Schmidt admite que, quando Wallia entrou na Espanha (416), os visigodos eram 100.000.<\/p>\n\n\n\n<p>Gautier<a href=\"#_ftn50\" id=\"_ftnref50\">[50]<\/a> avalia que as tribos unidas dos v\u00e2ndalos e alanos, homens, mulheres, idosos, crian\u00e7as, escravos, quando atravessaram o Estreito de Gibraltar, eram 80.000. O n\u00famero \u00e9 dado por Victor de Vita: <em>Transiens quantitas universa<\/em><a href=\"#_ftn51\" id=\"_ftnref51\">[51]<\/a>. Gautier<a href=\"#_ftn52\" id=\"_ftnref52\">[52]<\/a> acredita que seja exato porque foi f\u00e1cil avaliar a capacidade da frota<a href=\"#_ftn53\" id=\"_ftnref53\">[53]<\/a>. Ele<a href=\"#_ftn54\" id=\"_ftnref54\">[54]<\/a> admite, por outro lado, bastante provavelmente, que a \u00c1frica romana pode ter tido uma popula\u00e7\u00e3o igual \u00e0 atual; portanto, teria tido de 7 a 8 milh\u00f5es de habitantes, ou seja, a popula\u00e7\u00e3o romana teria sido cem vezes maior do que as bandas dos invasores v\u00e2ndalos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 dif\u00edcil admitir que os visigodos tenham sido muito mais numerosos em seu reino, que se estendia do Loire a Gibraltar, o que pode tornar plaus\u00edvel o n\u00famero de 100.000 dado por Schmidt. Os burg\u00fandios<a href=\"#_ftn55\" id=\"_ftnref55\">[55]<\/a> parecem n\u00e3o ter contado mais do que 25.000 almas, das quais 5.000 guerreiros.<\/p>\n\n\n\n<p>No s\u00e9culo V, de acordo com Doren<a href=\"#_ftn56\" id=\"_ftnref56\">[56]<\/a>, estima-se que a popula\u00e7\u00e3o total da It\u00e1lia fosse de 5 ou 6 milh\u00f5es. Mas sem saber nada sobre isso. Quanto ao n\u00famero de ostrogodos, Schmidt<a href=\"#_ftn57\" id=\"_ftnref57\">[57]<\/a> estima em 100.000 almas, das quais 20.000 guerreiros<a href=\"#_ftn58\" id=\"_ftnref58\">[58]<\/a>. Tudo isso \u00e9 conjectural. Estaremos provavelmente acima da verdade se estimarmos em 5% da popula\u00e7\u00e3o o influxo germ\u00e2nico para as prov\u00edncias ocidentais fora do limes.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, uma minoria pode transformar um povo quando deseja domin\u00e1-lo efetivamente, quando tem apenas desprezo por ele e o considera como uma mat\u00e9ria a ser explorada; foi o caso dos normandos na Inglaterra, dos mu\u00e7ulmanos onde quer que aparecessem, e at\u00e9 mesmo dos romanos nas prov\u00edncias conquistadas. Mas os Germ\u00e2nicos n\u00e3o queriam destruir nem explorar o Imp\u00e9rio. Em vez de desprez\u00e1-lo, eles o admiravam. Eles n\u00e3o tinham nada para se opor a ele em termos de for\u00e7as morais. Sua \u00e9poca heroica terminou com sua instala\u00e7\u00e3o. As grandes lembran\u00e7as po\u00e9ticas que deveriam permanecer<a href=\"#_ftn59\" id=\"_ftnref59\">[59]<\/a>, como as dos Nibelungos, s\u00f3 se desenvolveram mais tarde e na Germ\u00e2nia. Portanto, os invasores triunfantes concedem aos provincianos uma situa\u00e7\u00e3o jur\u00eddica igual \u00e0 deles em todos os lugares. \u00c9 porque em todos os dom\u00ednios eles t\u00eam algo a aprender com o Imp\u00e9rio. Como poderiam resistir \u00e0 atmosfera?<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que formassem grupos compactos! Mas, exceto os v\u00e2ndalos, eles est\u00e3o dispersos pela \u201chospitalidade\u201d no meio dos romanos. A partilha das terras os obriga a se conformarem aos usos da agricultura romana.<\/p>\n\n\n\n<p>E os casamentos ou os relacionamentos com as mulheres? \u00c9 verdade que houve aus\u00eancia de <em>connubium<\/em> at\u00e9 o s\u00e9culo VI, sob Recaredo. Mas esse obst\u00e1culo jur\u00eddico n\u00e3o era um obst\u00e1culo social. O n\u00famero de uni\u00f5es entre Germ\u00e2nicos e mulheres romanas deve ter sido constante, e a crian\u00e7a fala, como se sabe, a l\u00edngua de sua m\u00e3e<a href=\"#_ftn60\" id=\"_ftnref60\">[60]<\/a>. Obviamente, esses Germ\u00e2nicos devem ter se romanizado com uma rapidez surpreendente. Admite-se que os visigodos tenham mantido sua l\u00edngua, mas isso \u00e9 admitido porque se quer admitir<a href=\"#_ftn61\" id=\"_ftnref61\">[61]<\/a>. N\u00e3o se pode citar nada que o confirme. Quanto aos ostrogodos, sabe-se por Proc\u00f3pio que ainda havia alguns que falavam g\u00f3tico no ex\u00e9rcito de Totila, mas deviam ser raros isolados do Norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que a l\u00edngua se conservasse, seria necess\u00e1rio uma cultura compar\u00e1vel \u00e0quela encontrada entre os anglo-sax\u00f5es. No entanto, isso simplesmente n\u00e3o existe. \u00dalfilas n\u00e3o teve sucessor. N\u00e3o possu\u00edmos um \u00fanico texto, nem uma \u00fanica carta em l\u00edngua germ\u00e2nica. A liturgia nas igrejas antigas era feita em l\u00edngua germ\u00e2nica e, no entanto, n\u00e3o deixou nada para tr\u00e1s. Apenas os Francos talvez tenham redigido a Lei S\u00e1lica, na \u00e9poca pr\u00e9-merov\u00edngia, em linguagem vulgar; os gloss\u00e1rios malb\u00e9rgicos s\u00e3o seus vest\u00edgios. Mas Eurico, o mais antigo legislador germ\u00e2nico do qual nos chegaram alguns textos, escreveu em latim, assim como todos os outros reis Germ\u00e2nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto a uma arte ornamental original, n\u00e3o se encontra mais nenhum vest\u00edgio entre os Visigodos ap\u00f3s a ado\u00e7\u00e3o do catolicismo em 589, e mesmo Zeiss<a href=\"#_ftn62\" id=\"_ftnref62\">[62]<\/a> admite que isso existiu apenas no povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, o arianismo pode, por um certo tempo, ter impedido um contato \u00edntimo entre Romanos e Germ\u00e2nicos. No entanto, n\u00e3o se deve exagerar sua import\u00e2ncia. Os \u00fanicos reis que realmente favoreceram o arianismo foram os V\u00e2ndalos, por motivos militares. Gondobaldo \u00e9 suspeito de ter sido cat\u00f3lico. Sigismundo j\u00e1 era em 516. No entanto, ainda h\u00e1 arianos em 524. E ent\u00e3o h\u00e1 a conquista franca, que marca o triunfo do catolicismo ortodoxo. Em suma, o arianismo foi fraco at\u00e9 mesmo entre os Burg\u00fandios<a href=\"#_ftn63\" id=\"_ftnref63\">[63]<\/a>. Em todos os lugares, desapareceu muito cedo. Os V\u00e2ndalos o abandonam com a conquista de Justiniano em 533; entre os Visigodos, \u00e9 abolido por Recaredo (586-601)<a href=\"#_ftn64\" id=\"_ftnref64\">[64]<\/a>. Al\u00e9m disso, esse arianismo estava \u00e0 flor da pele, pois em nenhum lugar houve agita\u00e7\u00e3o quando foi suprimido. Segundo Dahn<a href=\"#_ftn65\" id=\"_ftnref65\">[65]<\/a>, a l\u00edngua g\u00f3tica teria desaparecido com a ado\u00e7\u00e3o do catolicismo por Recaredo, ou pelo menos n\u00e3o teria mais prosperado desde ent\u00e3o, exceto entre o povo.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, n\u00e3o se v\u00ea como o elemento germ\u00e2nico poderia ter sido mantido. Pelo menos teria sido necess\u00e1rio um constante influxo de for\u00e7as frescas vindas da Germ\u00e2nia. No entanto, n\u00e3o h\u00e1 isso. Os V\u00e2ndalos n\u00e3o recebem nenhum influxo; nem os Visigodos, cortados de todo contato com a Germ\u00e2nia. Talvez os Ostrogodos tenham mantido alguma conex\u00e3o com os Germ\u00e2nicos pelos Alpes? Para os Francos da G\u00e1lia, ap\u00f3s a conquista conclu\u00edda, o influxo b\u00e1rbaro n\u00e3o aumenta mais. Basta ler Greg\u00f3rio de Tours para se convencer disso.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1, ali\u00e1s, um argumento irrefut\u00e1vel. Se a l\u00edngua tivesse sido preservada, teria deixado vest\u00edgios nas l\u00ednguas rom\u00e2nicas. No entanto, exceto pelo empr\u00e9stimo de algumas palavras, isso n\u00e3o \u00e9 observado. Nem a fon\u00e9tica nem a sintaxe indicam a menor influ\u00eancia germ\u00e2nica<a href=\"#_ftn66\" id=\"_ftnref66\">[66]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se dizer o mesmo do tipo f\u00edsico. Onde se encontra o tipo v\u00e2ndalo na \u00c1frica, o tipo visig\u00f3tico na It\u00e1lia? H\u00e1 loiros na \u00c1frica<a href=\"#_ftn67\" id=\"_ftnref67\">[67]<\/a>, mas Gautier<a href=\"#_ftn68\" id=\"_ftnref68\">[68]<\/a> observou que j\u00e1 os havia antes da chegada dos b\u00e1rbaros. No entanto, poder-se-ia argumentar que existe o direito pessoal, romano para os Romanos, germ\u00e2nico para os Germ\u00e2nicos, e isso \u00e9 verdade. Mas esse direito germ\u00e2nico j\u00e1 est\u00e1 totalmente impregnado de romanismo na legisla\u00e7\u00e3o de Eurico. E, depois dele, a influ\u00eancia romana s\u00f3 aumenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os Ostrogodos, n\u00e3o h\u00e1 um c\u00f3digo especial para os Ostrogodos, que est\u00e3o sujeitos ao direito territorial romano. Mas como soldados, eles est\u00e3o sujeitos apenas a tribunais militares que s\u00e3o puramente g\u00f3ticos<a href=\"#_ftn69\" id=\"_ftnref69\">[69]<\/a>. Esse \u00e9 o fato essencial. Os Germ\u00e2nicos s\u00e3o soldados e arianos, e talvez seja para mant\u00ea-los como soldados que os reis protegeram o arianismo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto entre os Burg\u00fandios quanto entre os V\u00e2ndalos, a influ\u00eancia do direito romano sobre o direito germ\u00e2nico \u00e9 t\u00e3o evidente quanto entre os Visigodos<a href=\"#_ftn70\" id=\"_ftnref70\">[70]<\/a>. Como, ali\u00e1s, seria poss\u00edvel admitir a preserva\u00e7\u00e3o do puro direito germ\u00e2nico onde a fam\u00edlia consangu\u00ednea, o cl\u00e3, a c\u00e9lula essencial da ordem jur\u00eddica, desapareceu?<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, deve ter sido o mesmo para as leis como para o <em>connubium<\/em>. Do direito germ\u00e2nico, s\u00f3 restou nas regi\u00f5es colonizadas pelos anglo-sax\u00f5es, pelos Francos Salienses e Ripu\u00e1rios, pelos Alamanos e pelos Bav\u00e1rios<a href=\"#_ftn71\" id=\"_ftnref71\">[71]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Acreditar que a Lei S\u00e1lica foi a lei da G\u00e1lia ap\u00f3s Cl\u00f3vis \u00e9 um equ\u00edvoco certo. Fora da B\u00e9lgica, quase n\u00e3o havia Salianos, exceto os grandes no c\u00edrculo do rei. N\u00e3o se v\u00ea nenhuma alus\u00e3o a essa lei e a seu procedimento em Greg\u00f3rio de Tours. Portanto, sua esfera de aplica\u00e7\u00e3o deve ser restrita ao extremo norte.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, n\u00e3o encontramos rachimburgos ao sul do Sena. Vemos <em>sculteti<\/em> ou <em>grafiones<\/em> l\u00e1? A glosa malb\u00e9rgica prova, ali\u00e1s, que lidamos com um c\u00f3digo estabelecido para um procedimento realizado em germ\u00e2nico. Quantos condes, quase todos romanos, poderiam entend\u00ea-lo? Tudo o que nos ensina sobre os costumes agr\u00e1rios, sobre a disposi\u00e7\u00e3o das casas, s\u00f3 \u00e9 v\u00e1lido para o norte, colonizado pelos Germ\u00e2nicos. \u00c9 preciso estar cego pelo preconceito para supor que uma lei t\u00e3o rudimentar quanto a Lei S\u00e1lica poderia ter sido aplicada ao sul do Loire.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se dizer que os Germ\u00e2nicos traziam consigo a moralidade de um povo jovem, ou seja, de um povo onde os la\u00e7os pessoais de fidelidade predominam sobre a sujei\u00e7\u00e3o ao Estado? Isso \u00e9 um tema conveniente. \u00c9 ao mesmo tempo um tema rom\u00e2ntico e um dogma em certas escolas germ\u00e2nicas. E \u00e9 f\u00e1cil citar Salviano e seu paralelo entre a decad\u00eancia moral dos romanos e as virtudes dos b\u00e1rbaros. Mas essas virtudes n\u00e3o resistiram \u00e0 miscigena\u00e7\u00e3o dos Germ\u00e2nicos no meio dos romanizados. \u201cO mundo envelhece\u201d, l\u00ea-se no in\u00edcio do s\u00e9culo VII, na cr\u00f4nica do pseudo-Fr\u00e9deg\u00e1rio<a href=\"#_ftn72\" id=\"_ftnref72\">[72]<\/a>. E basta percorrer Greg\u00f3rio de Tours para encontrar, a cada passo, os vest\u00edgios da mais grosseira decad\u00eancia moral: embriaguez, libertinagem, cobi\u00e7a, adult\u00e9rios, assassinatos, crueldades abomin\u00e1veis e uma perf\u00eddia que reina de cima a baixo na ordem social. A corte dos reis Germ\u00e2nicos testemunha tantos crimes quanto a de Ravena. Hartmann<a href=\"#_ftn73\" id=\"_ftnref73\">[73]<\/a> observa que a \u201cfidelidade germ\u00e2nica\u201d \u00e9 uma f\u00e1bula conveniente. Teodorico manda assassinar Odoacro, depois de jurar-lhe a vida. Gontrano pede ao povo que n\u00e3o o assassine. Todos os reis visigodos, exceto raras exce\u00e7\u00f5es, morrem pela espada.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os Burg\u00fandios, em 500, God\u00e9gisilo trai seu irm\u00e3o Gondebaudo a favor de Cl\u00f3vis<a href=\"#_ftn74\" id=\"_ftnref74\">[74]<\/a>. Clodomiro, filho de Cl\u00f3vis, manda jogar em um po\u00e7o<a href=\"#_ftn75\" id=\"_ftnref75\">[75]<\/a> seu prisioneiro Sigismundo, rei dos Burg\u00fandios. O rei visigodo Teodorico I trai os romanos. E veja como Genserico se comporta em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 filha do rei dos Visigodos, sua nora. A corte dos Merov\u00edngios \u00e9 um lupanar; Fredegunda, uma mulher horr\u00edvel. Teodato manda assassinar sua esposa. S\u00e3o s\u00f3 emboscadas; em todo lugar reina uma falta de moralidade quase inacredit\u00e1vel. A hist\u00f3ria de Gondebaudo \u00e9, nesse aspecto, caracter\u00edstica. A embriaguez parece ser a norma para todos. Mulheres mandam assassinar seus maridos por amantes. Todos est\u00e3o \u00e0 venda por ouro. E tudo isso sem distin\u00e7\u00e3o de ra\u00e7a, tanto entre os romanos quanto entre os Germ\u00e2nicos. At\u00e9 mesmo o clero &#8211; e at\u00e9 as religiosas<a href=\"#_ftn76\" id=\"_ftnref76\">[76]<\/a> &#8211; est\u00e1 corrompido, embora seja nele que a moralidade tenha se refugiado. Mas, no povo, a religiosidade n\u00e3o vai al\u00e9m de uma grosseira supersti\u00e7\u00e3o. O que desapareceu em parte s\u00e3o os v\u00edcios urbanos, os mimos, as cortes\u00e3s, e ainda assim n\u00e3o em todos os lugares. Tudo isso se conserva entre os Visigodos e, principalmente, na \u00c1frica entre os V\u00e2ndalos, os mais Germ\u00e2nicos, no entanto, dos b\u00e1rbaros do sul. Eles s\u00e3o efeminados, amantes de banhos, de luxuosas vilas. As poesias compostas sob Hunerico e Trasamundo est\u00e3o repletas de tra\u00e7os libertinos.<\/p>\n\n\n\n<p>Pode-se concluir que, desde sua instala\u00e7\u00e3o no Imp\u00e9rio, todos os aspectos heroicos e originais do car\u00e1ter b\u00e1rbaro desaparecem para dar lugar a uma impregna\u00e7\u00e3o romana. O solo da Rom\u00e2nia absorveu a vida b\u00e1rbara. E como poderia ser diferente quando o exemplo vem de cima? No in\u00edcio, sem d\u00favida, os reis se romanizaram apenas de maneira bastante imperfeita. Eurico e Genserico mal sabiam latim. Mas e quanto ao maior de todos, Teodorico? Ele foi transformado em Dietrich von Bern al\u00e9m dos Alpes, mas o que domina nele \u00e9 o bizantino.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele foi entregue como ref\u00e9m ao imperador<a href=\"#_ftn77\" id=\"_ftnref77\">[77]<\/a> aos sete anos por seu pai e foi criado em Constantinopla at\u00e9 os dezoito anos. Zen\u00e3o o nomeia <em>magister militum<\/em> e patr\u00edcio e at\u00e9 o adota em 474. Ele se casa com uma princesa imperial<a href=\"#_ftn78\" id=\"_ftnref78\">[78]<\/a>. Em 484, ele \u00e9 feito c\u00f4nsul pelo imperador. Depois de uma campanha na \u00c1sia Menor, uma est\u00e1tua \u00e9 erguida para ele em Constantinopla. Sua irm\u00e3 \u00e9 dama de honra da imperatriz.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 536, Ebremundo, seu genro, se entrega imediatamente a Belis\u00e1rio, preferindo viver como patr\u00edcio em Constantinopla do que defender a causa de seus compatriotas b\u00e1rbaros<a href=\"#_ftn79\" id=\"_ftnref79\">[79]<\/a>. Sua filha Amalassunta \u00e9 toda romana<a href=\"#_ftn80\" id=\"_ftnref80\">[80]<\/a>. Teodato, seu genro, se vangloria de ser plat\u00f4nico<a href=\"#_ftn81\" id=\"_ftnref81\">[81]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>E mesmo entre os Burg\u00fandios, que belo exemplar de rei nacional foi Gondebaldo (480-516), que em 472, ap\u00f3s a morte de Ric\u00edmero, o sucedeu como patr\u00edcio de Olibrio e fez nomear Glicerio<a href=\"#_ftn82\" id=\"_ftnref82\">[82]<\/a> em sua morte, e depois, em 480, sucedeu a seu pr\u00f3prio irm\u00e3o Quilperico como rei dos Burg\u00fandios! Segundo Schmidt<a href=\"#_ftn83\" id=\"_ftnref83\">[83]<\/a>, ele era altamente culto, eloquente, instru\u00eddo, interessado em quest\u00f5es teol\u00f3gicas e em constante comunica\u00e7\u00e3o com o santo Avito. O mesmo ocorre com os reis v\u00e2ndalos. Entre os Visigodos, a mesma evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 percept\u00edvel. Sid\u00f4nio Apolin\u00e1rio elogia a cultura de Teodorico II. Ele menciona entre seus cortes\u00e3os o ministro Le\u00e3o, que fora historiador, jurista e poeta<a href=\"#_ftn84\" id=\"_ftnref84\">[84]<\/a>, Lampr\u00eddio, professor de ret\u00f3rica e poeta. Foi Teodorico II quem, em 455, tornou Avito imperador. Esses reis est\u00e3o completamente desvinculados das antigas mem\u00f3rias de seus povos, que Carlos Magno far\u00e1 reunir. E entre os Francos, h\u00e1 o rei-poeta Quilperico<a href=\"#_ftn85\" id=\"_ftnref85\">[85]<\/a>!<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto mais avan\u00e7amos, mais a romaniza\u00e7\u00e3o se intensifica. Gautier<a href=\"#_ftn86\" id=\"_ftnref86\">[86]<\/a> observa que ap\u00f3s Genserico, os reis v\u00e2ndalos voltam para a \u00f3rbita do Imp\u00e9rio. Entre os Visigodos, os progressos da romaniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o incessantes. O arianismo desapareceu por completo no final do s\u00e9culo VI. Mais uma vez, \u00e9 apenas no norte que o germanismo persiste, juntamente com o paganismo, que s\u00f3 desaparecer\u00e1 no s\u00e9culo VII. Quando os ex\u00e9rcitos da Austr\u00e1sia v\u00eam \u00e0 It\u00e1lia em aux\u00edlio dos Ostrogodos, estes \u00faltimos ficam horrorizados<a href=\"#_ftn87\" id=\"_ftnref87\">[87]<\/a>; provavelmente, preferem ainda pertencer a Biz\u00e2ncio do que aos Francos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, a Rom\u00e2nia, ligeiramente reduzida para o norte, subsiste como um todo<a href=\"#_ftn88\" id=\"_ftnref88\">[88]<\/a>. Obviamente, est\u00e1 profundamente afetada. Em todas as \u00e1reas, artes, letras, ci\u00eancias, a regress\u00e3o \u00e9 evidente. Como Greg\u00f3rio de Tours<a href=\"#_ftn89\" id=\"_ftnref89\">[89]<\/a> muito bem disse: \u201cCom o desaparecimento da cultura liberal das letras&#8230;\u201d A Rom\u00e2nia vive pela sua massa. Mas nada a substituiu. Ningu\u00e9m protesta contra ela. N\u00e3o se concebe, nem pelos leigos, nem pela Igreja, que haja outra forma de civiliza\u00e7\u00e3o. No meio da decad\u00eancia, h\u00e1 apenas uma for\u00e7a moral que resiste: a Igreja, e para a Igreja, o Imp\u00e9rio ainda subsiste. Greg\u00f3rio, o Grande, escreve ao imperador que ele reina sobre homens, enquanto os b\u00e1rbaros reinam sobre escravos<a href=\"#_ftn90\" id=\"_ftnref90\">[90]<\/a>. Por mais que a Igreja tenha desaven\u00e7as com os imperadores de Biz\u00e2ncio, ela permanece fiel a eles. Ela n\u00e3o sabe, atrav\u00e9s de seus Pais, que o Imp\u00e9rio Romano \u00e9 desejado por Deus e \u00e9 indispens\u00e1vel ao cristianismo? N\u00e3o foi ela que moldou sua organiza\u00e7\u00e3o com base nele? N\u00e3o \u00e9 sua l\u00edngua, seu direito e sua cultura que ela conserva? E seus dignit\u00e1rios n\u00e3o s\u00e3o todos recrutados das antigas fam\u00edlias senatoriais?<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>IV. Os Estados Germ\u00e2nicos no Ocidente<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 demasiado evidente para requerer insist\u00eancia que as institui\u00e7\u00f5es tribais dos Germ\u00e2nicos n\u00e3o puderam se manter nos novos reinos fundados sobre o solo do Imp\u00e9rio<a href=\"#_ftn91\" id=\"_ftnref91\">[91]<\/a>, no meio de uma popula\u00e7\u00e3o romana. Elas s\u00f3 poderiam persistir em pequenos reinos, como os dos anglo-sax\u00f5es, povoados por Germ\u00e2nicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, os reis Germ\u00e2nicos instalados no Imp\u00e9rio foram reis nacionais para seus povos, <em>reges gentium<\/em>, como disse Greg\u00f3rio, o Grande<a href=\"#_ftn92\" id=\"_ftnref92\">[92]<\/a>. Eles se chamavam reis dos godos, v\u00e2ndalos, burg\u00fandios, francos. Mas, para os romanos, eles eram generais romanos aos quais o imperador havia confiado o governo da popula\u00e7\u00e3o civil. \u00c9 sob essa etiqueta romana que eles apareciam para eles<a href=\"#_ftn93\" id=\"_ftnref93\">[93]<\/a>. E eles se orgulhavam de exibir isso diante deles: basta lembrar a cavalgada de Cl\u00f3vis quando foi feito c\u00f4nsul honor\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p>O estado de coisas mais simples \u00e9 evidente sob Teodorico. Ele \u00e9, de fato, um vice-rei romano. Ele promulga apenas \u00e9ditos e n\u00e3o leis. Os godos formam apenas o ex\u00e9rcito<a href=\"#_ftn94\" id=\"_ftnref94\">[94]<\/a>. Todos os magistrados civis s\u00e3o romanos e toda a administra\u00e7\u00e3o romana \u00e9 preservada tanto quanto poss\u00edvel. O Senado continua existindo. Mas todo o poder est\u00e1 concentrado no rei e em sua corte, ou seja, no sagrado pal\u00e1cio. Teodorico sequer adota o t\u00edtulo de <em>rex<\/em>, como se quisesse fazer desaparecer sua origem b\u00e1rbara. Ele reside em Ravena como os imperadores. A divis\u00e3o das prov\u00edncias com seus duques, ret\u00f3ricos, prefeitos, a constitui\u00e7\u00e3o municipal com os curiais e defensores, a organiza\u00e7\u00e3o dos impostos, tudo \u00e9 preservado. Ele cunha moedas, mas em nome do imperador. Ele adota o nome Fl\u00e1vio<a href=\"#_ftn95\" id=\"_ftnref95\">[95]<\/a>, sinal de que assume a nacionalidade romana. Inscri\u00e7\u00f5es o chamam de sempre Augusto, propagador do nome romano. A guarda do rei \u00e9 organizada segundo o modelo bizantino, assim como todo o cerimonial da corte. A organiza\u00e7\u00e3o judicial \u00e9 totalmente romana, mesmo para os godos; o \u00e9dito de Teodorico \u00e9 todo romano. N\u00e3o h\u00e1 direito especial para os godos. Na verdade, Teodorico combate as guerras privadas e a barb\u00e1rie germ\u00e2nica. O rei n\u00e3o protegeu o direito nacional de seu povo<a href=\"#_ftn96\" id=\"_ftnref96\">[96]<\/a>. Os godos formam as guarni\u00e7\u00f5es das cidades, vivendo de suas terras<a href=\"#_ftn97\" id=\"_ftnref97\">[97]<\/a>, recebendo um soldo. Eles n\u00e3o podem ocupar cargos civis. Nenhuma a\u00e7\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel para eles no governo, exceto para aqueles que fazem parte, junto com os romanos, do c\u00edrculo do rei. Nesse reino onde seu rei comanda, eles s\u00e3o na realidade estrangeiros, mas estrangeiros bem remunerados, uma casta militar vivendo confortavelmente de seu emprego. Isso, n\u00e3o um suposto car\u00e1ter nacional, \u00e9 o que os une e explicar\u00e1 a energia de sua resist\u00eancia sob Justiniano. L. Schmidt<a href=\"#_ftn98\" id=\"_ftnref98\">[98]<\/a> reconhece que, desde sua instala\u00e7\u00e3o na It\u00e1lia, a concep\u00e7\u00e3o goda da realeza se perdeu<a href=\"#_ftn99\" id=\"_ftnref99\">[99]<\/a>. Teodorico \u00e9 apenas um funcion\u00e1rio de Zen\u00e3o. Mal chegou \u00e0 It\u00e1lia, a Igreja e a popula\u00e7\u00e3o o reconhecem como o representante da legalidade. O poder pessoal do rei \u00e9 exercido por oficiais <em>sajones<\/em>, cujo nome g\u00f3tico n\u00e3o impede que sejam uma imita\u00e7\u00e3o dos <em>agentes in rebus <\/em>romanos<a href=\"#_ftn100\" id=\"_ftnref100\">[100]<\/a>. Em suma, os godos s\u00e3o a base militar do poder real, que, fora isso, \u00e9 romano.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, n\u00e3o se encontra uma impress\u00e3o romana t\u00e3o profunda entre os outros b\u00e1rbaros. Entre os v\u00e2ndalos, apesar da ruptura com o Imp\u00e9rio, toda caracter\u00edstica germ\u00e2nica est\u00e1 ausente da organiza\u00e7\u00e3o do Estado. No entanto, aqui, apesar da fic\u00e7\u00e3o dos tratados, h\u00e1 uma ruptura completa com o Imp\u00e9rio, e seria zombaria ver em Genserico um funcion\u00e1rio. Ele contrasta com Teodorico. Em vez de acarinhar e bajular como ele a popula\u00e7\u00e3o romana, ele a trata com rigor e persegue sua f\u00e9. N\u00e3o h\u00e1 aqui tercia. Os v\u00e2ndalos s\u00e3o estabelecidos em massa na Zeugitana (norte da Tun\u00edsia), da qual desapossam ou expropriam os propriet\u00e1rios romanos. Eles vivem de seus colonos, como rendeiros. Est\u00e3o isentos de impostos. Sua organiza\u00e7\u00e3o em <em>tausendschaften<\/em><a href=\"#_ftn101\" id=\"_ftnref101\">[101]<\/a>, que Proc\u00f3pio chama de <em>chiliarques<\/em>, \u00e9 totalmente militar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas todo direito germ\u00e2nico, toda institui\u00e7\u00e3o mesmo, desapareceu quando, em 442, Genserico, ap\u00f3s vencer uma insurrei\u00e7\u00e3o da nobreza que tentava manter em seu benef\u00edcio restos de organiza\u00e7\u00e3o tribal, estabeleceu a monarquia absoluta<a href=\"#_ftn102\" id=\"_ftnref102\">[102]<\/a>. Seu governo \u00e9 romano. Ele cunha moedas com a ef\u00edgie de Hon\u00f3rio. As inscri\u00e7\u00f5es s\u00e3o romanas. Genserico estabelece-se em Cartago como Teodorico em Ravena; h\u00e1 um <em>palatium<\/em>. Ele n\u00e3o interfere na vida econ\u00f4mica nem nas realidades da exist\u00eancia cotidiana.<\/p>\n\n\n\n<p>Parece at\u00e9 que os reis v\u00e2ndalos continuam a enviar a Roma e Constantinopla<a href=\"#_ftn103\" id=\"_ftnref103\">[103]<\/a> as presta\u00e7\u00f5es de \u00f3leo. Quando Genserico estabelece a ordem de sucess\u00e3o ao trono, ele o faz por meio de um codicilo redigido de acordo com as prescri\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o romana<a href=\"#_ftn104\" id=\"_ftnref104\">[104]<\/a>. Os berberes romanizados continuaram a viver sob os v\u00e2ndalos a mesma vida que na \u00e9poca anterior<a href=\"#_ftn105\" id=\"_ftnref105\">[105]<\/a>. A chancelaria \u00e9 romana<a href=\"#_ftn106\" id=\"_ftnref106\">[106]<\/a>; \u00e0 sua frente, h\u00e1 um referend\u00e1rio, Petrus, de quem foram preservados alguns versos. Sob Genserico, foram constru\u00eddos os banhos de Tunis. A literatura permanece viva<a href=\"#_ftn107\" id=\"_ftnref107\">[107]<\/a>. Victor de Vita ainda acredita na imortalidade do Imp\u00e9rio<a href=\"#_ftn108\" id=\"_ftnref108\">[108]<\/a>. Os reis seguem os caminhos de Roma, assim como a Restaura\u00e7\u00e3o segue os caminhos de Bonaparte. Por exemplo, em 484, o \u00e9dito de Genserico contra os cat\u00f3licos \u00e9 copiado do de Hon\u00f3rio de 412 contra os donatistas<a href=\"#_ftn109\" id=\"_ftnref109\">[109]<\/a>. E pelo mesmo \u00e9dito, pode-se ver que as classes da popula\u00e7\u00e3o permaneceram exatamente as mesmas. Em resumo, entre os v\u00e2ndalos, h\u00e1 ainda menos vest\u00edgios de germanismo do que entre os ostrogodos. \u00c9 verdade que a \u00c1frica, quando eles se estabeleceram l\u00e1, era a prov\u00edncia mais vibrante do Ocidente e se imp\u00f4s a eles imediatamente.<\/p>\n\n\n\n<p>A Espanha e a G\u00e1lia haviam sofrido de forma diferente das invas\u00f5es e, al\u00e9m disso, n\u00e3o estavam romanizadas tanto quanto a It\u00e1lia e a \u00c1frica. E, no entanto, o car\u00e1ter germ\u00e2nico dos invasores cede igualmente diante dos costumes e institui\u00e7\u00f5es romanas. Entre os visigodos, antes da conquista de Cl\u00f3vis, os reis vivem \u00e0 moda romana em sua capital de Toulouse; mais tarde, ser\u00e1 em Toledo. Os visigodos, estabelecidos pela \u201chospitalidade\u201d, n\u00e3o s\u00e3o considerados juridicamente superiores aos romanos. O rei chama todos os seus s\u00faditos de \u201cnosso povo\u201d. Mas cada um mant\u00e9m seu direito e n\u00e3o h\u00e1 <em>connubium<\/em> entre romanos e Germ\u00e2nicos. Talvez a diferen\u00e7a de culto, sendo os visigodos arianos, seja uma das raz\u00f5es para essa falta de uni\u00e3o legal entre os antigos cidad\u00e3os romanos e os invasores. A proibi\u00e7\u00e3o do <em>connubium<\/em> desaparecer\u00e1 sob Leovigildo (falecido em 586), e o arianismo sob Recaredo. A comunidade de direito entre romanos e godos \u00e9 estabelecida sob Recesvinto.<\/p>\n\n\n\n<p>Os godos s\u00e3o livres de impostos. As prov\u00edncias s\u00e3o mantidas com seus ret\u00f3ricos, ou ju\u00edzes provinciais, c\u00f4nsules, prefeitos; elas s\u00e3o divididas em cidades. Nada de germ\u00e2nico tamb\u00e9m, segundo Schmidt, na organiza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola. O rei \u00e9 absoluto: \u201cnosso glorios\u00edssimo rei\u201d. \u00c9 heredit\u00e1rio e o povo n\u00e3o participa do poder. Os vest\u00edgios de assembleias militares que Schmidt observa, por n\u00e3o poder encontrar verdadeiras assembleias nacionais, s\u00e3o ocorr\u00eancias como muitas outras, ali\u00e1s, sob o Baixo Imp\u00e9rio. O rei nomeia todos os seus funcion\u00e1rios. H\u00e1, em sua corte, grandes Germ\u00e2nicos e romanos; estes \u00faltimos s\u00e3o muito mais numerosos, ali\u00e1s. O Primeiro Ministro de Eurico e Alarico II, Le\u00e3o de Narbona, une as fun\u00e7\u00f5es de questor do sagrado pal\u00e1cio e mestre dos of\u00edcios da corte imperial. O rei n\u00e3o tem uma \u201cguarda\u201d guerreira, mas dom\u00e9sticos \u00e0 moda romana. Os duques das prov\u00edncias, os condes das cidades, s\u00e3o principalmente romanos. Nas cidades, a c\u00faria persiste com um defensor ratificado pelo rei. Os visigodos se dividem em \u201ctausendschaften\u201d, \u201cf\u00fcnfhundertschaften\u201d, \u201chundertschaften\u201d, \u201czehnschaften\u201d, com l\u00edderes militares sobre cujas atribui\u00e7\u00f5es h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es muito escassas. Enquanto durou o reino de Toulouse, n\u00e3o parece que os romanos estivessem sujeitos ao servi\u00e7o militar. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9, portanto, a mesma que entre os ostrogodos. Parece que, por um tempo, os visigodos tiveram um magistrado separado, o <em>millenarius<\/em>, como os ostrogodos. Mas j\u00e1 sob Eurico, eles est\u00e3o sujeitos \u00e0 jurisdi\u00e7\u00e3o do comes, que julga \u00e0 maneira romana, com assessores, juristas. N\u00e3o h\u00e1 o menor vest\u00edgio de germ\u00e2nico na organiza\u00e7\u00e3o do tribunal<a href=\"#_ftn110\" id=\"_ftnref110\">[110]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00f3digo de Eurico, promulgado em 475 para regular as rela\u00e7\u00f5es dos godos com os romanos, \u00e9 redigido por juristas romanos; este documento \u00e9 completamente romanizado. Quanto ao Brevi\u00e1rio de Alarico (507), feito para os romanos, \u00e9 quase puro direito romano. H\u00e1 continua\u00e7\u00e3o do imposto romano e o sistema monet\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 romano. Os funcion\u00e1rios do rei s\u00e3o pagos. Quanto \u00e0 Igreja, ela est\u00e1 sujeita ao rei, que ratifica a elei\u00e7\u00e3o dos bispos. N\u00e3o h\u00e1 verdadeira persegui\u00e7\u00e3o contra os cat\u00f3licos, exceto em casos excepcionais. \u00c0 medida que avan\u00e7amos, a romaniza\u00e7\u00e3o aumenta. Leovigildo (568-586) suprime os resqu\u00edcios da jurisdi\u00e7\u00e3o especial que existia para os godos, autoriza o casamento entre as duas ra\u00e7as, introduz a parentela romana para os visigodos.<\/p>\n\n\n\n<p>O rei teve, inicialmente, os s\u00edmbolos Germ\u00e2nicos que mais tarde trocou por s\u00edmbolos romanos<a href=\"#_ftn111\" id=\"_ftnref111\">[111]<\/a>. Sua autoridade \u00e9 um poder p\u00fablico e n\u00e3o uma simples tirania pessoal. At\u00e9 mesmo o antigo car\u00e1ter militar dos b\u00e1rbaros desvanece. Os visigodos est\u00e3o t\u00e3o enfraquecidos que, em 681, Ervige obriga os propriet\u00e1rios a fornecerem ao ex\u00e9rcito um d\u00e9cimo de seus escravos armados. Sob Recaredo (586-608), a fus\u00e3o judicial \u00e9 completa. O <em>Liber Judiciorum<\/em>, promulgado por Recesvinto em 634, o confirma. Seu esp\u00edrito \u00e9 romano e eclesi\u00e1stico, pois desde a convers\u00e3o de Recaredo, a Igreja desempenha um papel enorme. Os dezoito conc\u00edlios, que se reuniram de 589 a 701, s\u00e3o convocados pelo rei. Ele tamb\u00e9m convoca leigos da corte, al\u00e9m dos bispos. Os conc\u00edlios s\u00e3o consultados n\u00e3o apenas em quest\u00f5es eclesi\u00e1sticas, mas civis tamb\u00e9m<a href=\"#_ftn112\" id=\"_ftnref112\">[112]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa Igreja, cujos dignit\u00e1rios o rei continua a nomear, \u00e9 muito monarquista, mesmo em rela\u00e7\u00e3o aos reis arianos. Quando Atanagildo se revoltou contra Leovigildo, ela permaneceu fiel a este \u00faltimo. Ela proclama a elei\u00e7\u00e3o do rei por ela e pelos grandes (633) e introduz a cerim\u00f4nia de coroa\u00e7\u00e3o<a href=\"#_ftn113\" id=\"_ftnref113\">[113]<\/a>. Isso, no entanto, n\u00e3o altera o absolutismo real que a Igreja apoia: \u201cN\u00e3o \u00e9 permitido questionar sua autoridade, \u00e0 qual todo governo \u00e9 confiado pelo julgamento divino\u201d<a href=\"#_ftn114\" id=\"_ftnref114\">[114]<\/a>. Quindasvinto, eleito em maio de 642, fez executar ou reduziu \u00e0 escravid\u00e3o 700 aristocratas que pretendiam se opor ao seu poder absoluto<a href=\"#_ftn115\" id=\"_ftnref115\">[115]<\/a>. O rei s\u00f3 se apoiou na Igreja para enfrentar a aristocracia<a href=\"#_ftn116\" id=\"_ftnref116\">[116]<\/a>. Mas essa Igreja, cujos bispos ele nomeia, \u00e9 servil a ele. N\u00e3o h\u00e1 teocracia. A monarquia evolui em dire\u00e7\u00e3o ao sistema bizantino. O rei legisla em quest\u00f5es religiosas como os imperadores. Sua elei\u00e7\u00e3o, que Lot<a href=\"#_ftn117\" id=\"_ftnref117\">[117]<\/a> parece levar a s\u00e9rio, \u00e9 considerada por Ziegler como uma fantasia. Na realidade, assim como em Biz\u00e2ncio, h\u00e1 uma mistura de hereditariedade, intrigas e golpes. Leovigildo se casa com uma princesa bizantina, o que n\u00e3o o impede de repelir os bizantinos: \u201cE esses reis visigodos t\u00eam <em>spatharii<\/em> assim como os imperadores\u201d<a href=\"#_ftn118\" id=\"_ftnref118\">[118]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os reis burg\u00fandios, cujo ef\u00eamero reino foi anexado pelos reis francos em 534<a href=\"#_ftn119\" id=\"_ftnref119\">[119]<\/a>, t\u00eam as melhores rela\u00e7\u00f5es com o Imp\u00e9rio, depois de terem conseguido tomar Lyon. Os burg\u00fandios s\u00e3o estabelecidos, como os ostrogodos e os visigodos, seguindo a pr\u00e1tica da <em>hospitalitas<\/em><a href=\"#_ftn120\" id=\"_ftnref120\">[120]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No momento de sua instala\u00e7\u00e3o, Sidoine os descreve como b\u00e1rbaros ing\u00eanuos e brutais. Mas seus reis s\u00e3o totalmente romanizados. Gundebaldo foi mestre dos soldados presenciais. Sua corte \u00e9 abundante em poetas e ret\u00f3ricos. O rei Sigismundo se orgulha de ser um soldado do Imp\u00e9rio e diz que seu pa\u00eds \u00e9 parte do Imp\u00e9rio<a href=\"#_ftn121\" id=\"_ftnref121\">[121]<\/a>. Esses reis t\u00eam um questor palaciano e dom\u00e9sticos. Sigismundo \u00e9 um instrumento de Biz\u00e2ncio que recebe do imperador Anast\u00e1cio o t\u00edtulo de patr\u00edcio. Os burg\u00fandios s\u00e3o os soldados do imperador contra os visigodos. Assim, eles se consideram parte do Imp\u00e9rio. Eles datam os anos pelos c\u00f4nsules, ou seja, os imperadores; o rei \u00e9 mestre dos soldados em nome do imperador.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, o poder real \u00e9 absoluto e \u00fanico. N\u00e3o \u00e9 compartilhado; quando o rei tem v\u00e1rios filhos, ele os faz vice-reis<a href=\"#_ftn122\" id=\"_ftnref122\">[122]<\/a>. A corte \u00e9 composta principalmente por romanos. N\u00e3o h\u00e1 tra\u00e7os de uma guarda guerreira; \u00e0 frente dos <em>pagi<\/em> ou <em>civitates<\/em> est\u00e1 um conde. Ao lado dele para administrar a justi\u00e7a, h\u00e1 um juiz designado, tamb\u00e9m nomeado pelo rei e julgando de acordo com o costume romano. A tribo primitiva desapareceu, embora sua mem\u00f3ria persista no nome <em>Faramanni<\/em> (livres). A organiza\u00e7\u00e3o municipal romana persiste em Viena e Lyon. Da mesma forma, a organiza\u00e7\u00e3o fiscal e monet\u00e1ria \u00e9 completamente romana. O rei burg\u00fandio, como o rei visigodo, paga sal\u00e1rios a seus funcion\u00e1rios. Neste reino profundamente romanizado, os burg\u00fandios e os romanos t\u00eam o mesmo status legal: <em>una condi\u00actione teneantur<\/em><a href=\"#_ftn123\" id=\"_ftnref123\">[123]<\/a>. Parece que, ao contr\u00e1rio dos outros estados Germ\u00e2nicos chamados federados, os romanos servem no ex\u00e9rcito e t\u00eam <em>connubium<\/em> com os burg\u00fandios.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, ostrogodos, visigodos, v\u00e2ndalos, burg\u00fandios governam \u00e0 maneira romana. N\u00e3o h\u00e1 vest\u00edgios ou quase nenhum vest\u00edgio de \u201cprinc\u00edpios Germ\u00e2nicos\u201d. Sob novos reis, \u00e9 o antigo regime que perdura, com certas perdas, \u00e9 claro. A \u00fanica novidade \u00e9 o ex\u00e9rcito gratuito gra\u00e7as \u00e0 redistribui\u00e7\u00e3o das terras. O Estado \u00e9 aliviado deste terr\u00edvel or\u00e7amento militar que oprimia as popula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>A administra\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s tornada rudimentar, custa tamb\u00e9m menos. A Igreja se encarrega do resto. Mas mais uma vez, tudo o que vive e funciona \u00e9 romano. Das institui\u00e7\u00f5es germ\u00e2nicas, das assembleias de homens livres, nada resta. No m\u00ednimo, encontram-se, aqui e ali, no direito, infiltra\u00e7\u00f5es germ\u00e2nicas como a Wehrgeld. Mas \u00e9 um pequeno riacho que se perde no rio da romaniza\u00e7\u00e3o jur\u00eddica: processo civil, contratos, testamento, etc. O Ocidente lembra esses pal\u00e1cios italianos que se tornaram casas de aluguel e que, por mais degradados que estejam, mant\u00eam sua antiga arquitetura. Decad\u00eancia certamente, mas decad\u00eancia romana na qual nenhum germe de civiliza\u00e7\u00e3o nova parece surgir. A \u00fanica caracter\u00edstica dos Germ\u00e2nicos, o arianismo, \u00e9 ele pr\u00f3prio uma antiga heresia sem nada de original e que teve pouco impacto, exceto entre os V\u00e2ndalos no in\u00edcio.<\/p>\n\n\n\n<p>Acredita-se que tenha sido diferente com os Francos<a href=\"#_ftn124\" id=\"_ftnref124\">[124]<\/a>, aos quais \u00e9 atribu\u00edda desde o in\u00edcio das invas\u00f5es uma import\u00e2ncia extraordin\u00e1ria, pois eles de fato refizeram a Europa na \u00e9poca carol\u00edngia. Mas ser\u00e1 assim j\u00e1 no s\u00e9culo VI? Acredito que \u00e9 preciso responder de forma muito clara.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida, o Estado franco \u00e9 o \u00fanico que, em suas regi\u00f5es do Norte, manteve uma popula\u00e7\u00e3o puramente germ\u00e2nica. Mas durante o per\u00edodo merov\u00edngio, ela n\u00e3o desempenha nenhum papel. Mal a conquista \u00e9 iniciada, os reis se estabelecem ao sul, em territ\u00f3rio romano, em Paris<a href=\"#_ftn125\" id=\"_ftnref125\">[125]<\/a>, Soissons, Metz, Reims, Orleans e seus arredores<a href=\"#_ftn126\" id=\"_ftnref126\">[126]<\/a>. E se eles n\u00e3o v\u00e3o mais ao sul, \u00e9 sem d\u00favida para poderem resistir melhor \u00e0 Germ\u00e2nia, adotando uma atitude defensiva semelhante \u00e0 dos imperadores romanos<a href=\"#_ftn127\" id=\"_ftnref127\">[127]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 531, Thierry, com a ajuda dos Sax\u00f5es, destr\u00f3i os Turingianos<a href=\"#_ftn128\" id=\"_ftnref128\">[128]<\/a>. Em 555, Clot\u00e1rio faz uma expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Sax\u00f4nia e \u00e0 Tur\u00edngia e submete a Baviera<a href=\"#_ftn129\" id=\"_ftnref129\">[129]<\/a>. Em 556<a href=\"#_ftn130\" id=\"_ftnref130\">[130]<\/a> e 605<a href=\"#_ftn131\" id=\"_ftnref131\">[131]<\/a>, novas guerras s\u00e3o travadas contra os Sax\u00f5es. Em 630-631 ocorre a expedi\u00e7\u00e3o de Dagoberto contra Samo<a href=\"#_ftn132\" id=\"_ftnref132\">[132]<\/a>. Em 640, a Tur\u00edngia se revolta e se torna independente novamente<a href=\"#_ftn133\" id=\"_ftnref133\">[133]<\/a>. Em 689, Pepino combate os Fr\u00edsios.<\/p>\n\n\n\n<p>Desses pa\u00edses Germ\u00e2nicos, durante o per\u00edodo merov\u00edngio, n\u00e3o veio nenhuma influ\u00eancia. O Estado franco, at\u00e9 sua submiss\u00e3o aos Carol\u00edngios, \u00e9 essencialmente neustriano e romano, desde a bacia do Sena at\u00e9 os Piren\u00e9us e o mar. Os Francos que se estabeleceram l\u00e1 tamb\u00e9m s\u00e3o muito poucos.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 temos informa\u00e7\u00f5es sobre as institui\u00e7\u00f5es merov\u00edngias ap\u00f3s a \u00e9poca da conquista das terras visig\u00f3ticas e burg\u00fandias. \u00c9 certo que a situa\u00e7\u00e3o encontrada l\u00e1, assim como no territ\u00f3rio governado por Si\u00e1grio, ter\u00e1 exercido influ\u00eancia sobre as institui\u00e7\u00f5es francas<a href=\"#_ftn134\" id=\"_ftnref134\">[134]<\/a>. No entanto, h\u00e1 uma grande diferen\u00e7a entre os Francos, os Visigodos e os Burg\u00fandios; eles n\u00e3o conheceram a <em>hospitalitas<\/em>, nem, portanto, a defesa do <em>connubium<\/em> com os romanos. Al\u00e9m disso, os Francos s\u00e3o cat\u00f3licos. Sua fus\u00e3o com a popula\u00e7\u00e3o galo-romana ocorre, portanto, com grande facilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, \u00e9 verdade que sua romaniza\u00e7\u00e3o foi menos eficaz porque seus reis viveram em Paris em um ambiente menos romanizado do que as cidades de Ravena, Toulouse, Lyon ou Cartago. Al\u00e9m disso, a G\u00e1lia setentrional acabara de passar por um per\u00edodo de guerra e invas\u00f5es sucessivas que haviam causado muitos estragos.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, eles conservam de antigas institui\u00e7\u00f5es romanas tudo o que podem, e n\u00e3o lhes falta boa vontade. Seu Estado \u00e9 mais b\u00e1rbaro, mas n\u00e3o \u00e9 mais germ\u00e2nico<a href=\"#_ftn135\" id=\"_ftnref135\">[135]<\/a>. Aqui tamb\u00e9m a organiza\u00e7\u00e3o dos impostos e da moeda<a href=\"#_ftn136\" id=\"_ftnref136\">[136]<\/a> \u00e9 preservada. Aqui tamb\u00e9m h\u00e1 condes em cada cidade, uma vez que as prov\u00edncias desapareceram.<\/p>\n\n\n\n<p>O <em>grafio<\/em>, o <em>thunginus<\/em>, os <em>rachimburgi<\/em> s\u00f3 existem no Norte<a href=\"#_ftn137\" id=\"_ftnref137\">[137]<\/a>. O <em>leudesamio<\/em>, germ\u00e2nico segundo Waitz, \u00e9 de origem romana segundo Brunner<a href=\"#_ftn138\" id=\"_ftnref138\">[138]<\/a>; a <em>commendatio<\/em> tamb\u00e9m \u00e9 de origem romana<a href=\"#_ftn139\" id=\"_ftnref139\">[139]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase todos os agentes do rei, sen\u00e3o todos, s\u00e3o recrutados entre os galo-romanos. At\u00e9 mesmo o melhor general da \u00e9poca, Mumolo, parece ter sido um galo-romano<a href=\"#_ftn140\" id=\"_ftnref140\">[140]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>E at\u00e9 nos escrit\u00f3rios ao seu redor, o rei tem <em>referendarii<\/em> galo-romanos<a href=\"#_ftn141\" id=\"_ftnref141\">[141]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 vest\u00edgios de assembleias p\u00fablicas<a href=\"#_ftn142\" id=\"_ftnref142\">[142]<\/a>. O pr\u00f3prio rei parece, \u00e9 verdade, mais germ\u00e2nico do que os reis dos outros povos b\u00e1rbaros. E no entanto, o que h\u00e1 de especificamente germ\u00e2nico nele? Seus longos cabelos?<a href=\"#_ftn143\" id=\"_ftnref143\">[143]<\/a> O preconceito \u00e9 t\u00e3o forte que se chegou a invocar a favor de sua natureza germ\u00e2nica a caricatura que Eginhardo fez dos \u00faltimos reis merov\u00edngios. Dos Merov\u00edngios, apenas Thierry, filho mais velho de Cl\u00f3vis (m. 534), deixou seu nome na poesia germ\u00e2nica, sem d\u00favida por causa de sua terr\u00edvel expedi\u00e7\u00e3o \u00e0 Tur\u00edngia. Ele \u00e9 o Hugdietrich da epopeia<a href=\"#_ftn144\" id=\"_ftnref144\">[144]<\/a>. Os outros n\u00e3o deixaram, na mem\u00f3ria de seu povo, a lembran\u00e7a de her\u00f3is nacionais.<\/p>\n\n\n\n<p>O poder real, ali\u00e1s, est\u00e1 bem na concep\u00e7\u00e3o imperial. O rei franco, como os outros reis Germ\u00e2nicos, \u00e9 o centro de toda autoridade<a href=\"#_ftn145\" id=\"_ftnref145\">[145]<\/a>. \u00c9 um d\u00e9spota absoluto. Ele inscreve em suas <em>praeceptiones: Si quis praecepta nostra contempserit oculorum evulsione multetur<\/em> <a href=\"#_ftn146\" id=\"_ftnref146\">[146]<\/a>, reafirmando assim essa no\u00e7\u00e3o romana por excel\u00eancia do <em>crimen laesae majestatis<\/em><a href=\"#_ftn147\" id=\"_ftnref147\">[147]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora seja verdade que o rei se considere o propriet\u00e1rio de seu reino, a realeza n\u00e3o tem, no entanto, um car\u00e1ter t\u00e3o privado como se afirmou. O rei distingue sua fortuna privada do fisco p\u00fablico<a href=\"#_ftn148\" id=\"_ftnref148\">[148]<\/a>. Sem d\u00favida, a no\u00e7\u00e3o de poder real \u00e9 mais primitiva do que entre os Visigodos. Na morte do rei, seus estados s\u00e3o divididos entre seus filhos, mas isso \u00e9 uma consequ\u00eancia da conquista, e n\u00e3o tem nada de germ\u00e2nico<a href=\"#_ftn149\" id=\"_ftnref149\">[149]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem d\u00favida tamb\u00e9m, os reis francos n\u00e3o possuem t\u00edtulos romanos, exceto esporadicamente sob Cl\u00f3vis. Mas eles buscam manter contato com os imperadores de Biz\u00e2ncio<a href=\"#_ftn150\" id=\"_ftnref150\">[150]<\/a>. Portanto, mesmo entre os Francos, o romanismo tradicional se mant\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<p>Se considerarmos o conjunto desses reinos b\u00e1rbaros, encontraremos tr\u00eas caracter\u00edsticas comuns. Eles s\u00e3o absolutistas, s\u00e3o seculares e os instrumentos do governo s\u00e3o o Fisco e o Tesouro.<\/p>\n\n\n\n<p>E essas tr\u00eas caracter\u00edsticas s\u00e3o romanas ou, se preferir, bizantinas. Sem d\u00favida, o absolutismo veio por si s\u00f3. O rei j\u00e1 era muito poderoso como chefe militar durante o estabelecimento. Ap\u00f3s esse per\u00edodo, essa for\u00e7a s\u00f3 p\u00f4de, devido aos provincianos, assumir a forma de absolutismo<a href=\"#_ftn151\" id=\"_ftnref151\">[151]<\/a>. Para que fosse diferente, o rei teria que estar na situa\u00e7\u00e3o dos soberanos anglo-sax\u00f5es. Nada \u00e9 menos germ\u00e2nico do que a realeza desses chefes militares. \u00c9 o poder pessoal, ou seja, exatamente o que existe no Imp\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Em todos esses reinos, o absolutismo do rei se explica por seu poder financeiro. Em todos os lugares, sucedendo ao imperador, ele tem controle sobre o fisco e os impostos. A fortuna do fisco \u00e9 imensa. S\u00e3o as propriedades imperiais, as florestas, as terras vagas, as minas, os portos, as estradas. E tamb\u00e9m s\u00e3o os impostos e a moeda. Assim, o rei \u00e9 um propriet\u00e1rio de terras imenso e ao mesmo tempo desfruta de um tesouro formid\u00e1vel em ouro monetizado. Nenhum pr\u00edncipe no Ocidente, antes do s\u00e9culo XIII, deve ter sido t\u00e3o rico em dinheiro quanto esses reis. A descri\u00e7\u00e3o de seus tesouros \u00e9 um fluxo de metal amarelo. Acima de tudo, eles permitem ao rei pagar seus funcion\u00e1rios<a href=\"#_ftn152\" id=\"_ftnref152\">[152]<\/a>. Os reis merov\u00edngios concedem, sobre seu tesouro, importantes atribui\u00e7\u00f5es: antes de 695, o abade de Saint Denis obt\u00e9m uma pens\u00e3o de 200 sous de ouro do tesouro e outra de 100 sous dos armaz\u00e9ns do fisco (<em>cellarium fisci<\/em>) <a href=\"#_ftn153\" id=\"_ftnref153\">[153]<\/a>; eles emprestam dinheiro \u00e0s cidades<a href=\"#_ftn154\" id=\"_ftnref154\">[154]<\/a>, pagam mission\u00e1rios, corrompem ou compram quem querem. A manuten\u00e7\u00e3o do imposto romano e do terr\u00e1digo s\u00e3o fontes essenciais de seu poder. Consider\u00e1-los, como muitas vezes acontece, vendo neles apenas grandes propriet\u00e1rios de terras, \u00e9 um erro manifesto que s\u00f3 se explica porque foram vistos sob o aspecto dos reis posteriores<a href=\"#_ftn155\" id=\"_ftnref155\">[155]<\/a>. N\u00e3o, eles se assemelham muito mais, por sua riqueza monet\u00e1ria, aos reis bizantinos do que a Carlos Magno.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles fazem tudo para aumentar esse tesouro que os sustenta. Da\u00ed as in\u00fameras confisca\u00e7\u00f5es. Quilperico faz com que, em todo o seu reino<a href=\"#_ftn156\" id=\"_ftnref156\">[156]<\/a>, sejam feitas novas e graves descri\u00e7\u00f5es. H\u00e1 toda uma administra\u00e7\u00e3o financeira complicada com registros, revisores, etc. \u00c9 para se apoderarem de seus tesouros que os reis se massacram<a href=\"#_ftn157\" id=\"_ftnref157\">[157]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, eles t\u00eam os subs\u00eddios bizantinos, que s\u00e3o enormes; o imperador Maur\u00edcio envia 50.000 sous de ouro para Quildeberto para pagar sua alian\u00e7a contra os Lombardos<a href=\"#_ftn158\" id=\"_ftnref158\">[158]<\/a>. O dote dado a Rigunthis em 584<a href=\"#_ftn159\" id=\"_ftnref159\">[159]<\/a>, a doa\u00e7\u00e3o de 6.000 sous feita por Quildeberto \u00e0 abadia de Saint Germain para os pobres<a href=\"#_ftn160\" id=\"_ftnref160\">[160]<\/a>, a generosidade de Dagoberto I, que cobre de dinheiro<a href=\"#_ftn161\" id=\"_ftnref161\">[161]<\/a> a abside de Saint Denis, d\u00e3o uma ideia da riqueza dos reis francos. Como os bizantinos, eles usam amplamente seu tesouro para fins pol\u00edticos; assim, Brunilda, em 596, desvia por dinheiro um ataque dos \u00c1varos contra a Tur\u00edngia<a href=\"#_ftn162\" id=\"_ftnref162\">[162]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, \u00e9 imposs\u00edvel dizer que os reis acumulam tesouros apenas para si.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os soberanos ostrogodos s\u00e3o ainda mais ricos. Basta pensar nas suntuosas constru\u00e7\u00f5es erguidas por Teodorico. E o mesmo se aplica aos Visigodos: em 631, o pretendente Sisenando oferece 200.000 sous de ouro a Dagoberto para obter seu apoio contra Svinthila<a href=\"#_ftn163\" id=\"_ftnref163\">[163]<\/a>; e Leovigildo promete 30.000 ao tenente do imperador para que ele se alinhe ao seu partido contra seu filho<a href=\"#_ftn164\" id=\"_ftnref164\">[164]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A import\u00e2ncia da receita do tonel \u00e9 evidente entre os visigodos pelo fato de que os abusos dos arrendat\u00e1rios s\u00e3o punidos com a morte, como no direito romano<a href=\"#_ftn165\" id=\"_ftnref165\">[165]<\/a>. Os registros fiscais sempre s\u00e3o encontrados entre eles<a href=\"#_ftn166\" id=\"_ftnref166\">[166]<\/a> e os reis pagam seus funcion\u00e1rios<a href=\"#_ftn167\" id=\"_ftnref167\">[167]<\/a>. A descri\u00e7\u00e3o de Venantius Fortunatus dos tesouros trazidos por Galsuinta permite perceber sua grandeza<a href=\"#_ftn168\" id=\"_ftnref168\">[168]<\/a>. Em suma, o envolvimento do ouro \u00e9 constante nessa pol\u00edtica, assim como na de Biz\u00e2ncio; os reis compram e s\u00e3o comprados.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, h\u00e1 outro aspecto pelo qual os Estados b\u00e1rbaros continuam a tradi\u00e7\u00e3o antiga: seu car\u00e1ter secular. Toda a administra\u00e7\u00e3o, em todos os n\u00edveis, \u00e9 secular. Se os reis geralmente se d\u00e3o bem com os bispos, nenhum deles, ao contr\u00e1rio do que acontecer\u00e1 na Idade M\u00e9dia, ocupa um cargo. Pelo contr\u00e1rio, muitos bispos s\u00e3o ex-referend\u00e1rios reais<a href=\"#_ftn169\" id=\"_ftnref169\">[169]<\/a>. H\u00e1 um contraste marcante com a pol\u00edtica de Carlos Magno, baseada nos <em>missi dominici<\/em>, metade dos quais s\u00e3o necessariamente bispos, ou com a de Ot\u00e3o, que confiou o governo aos bispos imperiais. Isso ocorre porque, ap\u00f3s as invas\u00f5es, os leigos, como veremos adiante, ainda est\u00e3o instru\u00eddos<a href=\"#_ftn170\" id=\"_ftnref170\">[170]<\/a>. O Estado profano merov\u00edngio se op\u00f5e claramente ao Estado religioso carol\u00edngio. E o que \u00e9 verdadeiro para os merov\u00edngios tamb\u00e9m \u00e9 para todos os outros: ostrogodos, visigodos, v\u00e2ndalos, burg\u00fandios. Nesse sentido, e \u00e9 essencial, a ordem antiga das coisas continua. O rei \u00e9 ele pr\u00f3prio um leigo puro e nenhuma cerim\u00f4nia religiosa contribui para seu poder.<\/p>\n\n\n\n<p>A igreja est\u00e1 subordinada a ele. Embora teoricamente os bispos sejam nomeados pelo clero, na pr\u00e1tica, muitas vezes, o rei os nomeia diretamente. Aqui novamente, \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o antiga da igreja estatal. Como no Oriente, os bispos francos caminham de m\u00e3os dadas com seus soberanos<a href=\"#_ftn171\" id=\"_ftnref171\">[171]<\/a>. Os reis convocam conc\u00edlios. E se os merov\u00edngios se abst\u00eam de lider\u00e1-los, entre os visigodos, pelo contr\u00e1rio, os conc\u00edlios est\u00e3o, desde Recesvinto, associados ao governo. A igreja permanece muito servilmente submissa ao rei<a href=\"#_ftn172\" id=\"_ftnref172\">[172]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas esta igreja que eles dominam, os reis t\u00eam por ela o maior respeito. O ideal real, de acordo com Greg\u00f3rio de Tours, \u00e9 favorecer as igrejas e os pobres<a href=\"#_ftn173\" id=\"_ftnref173\">[173]<\/a>. Eles a enchem de favores e riquezas, cercam-na de marcas de respeito, embora, exceto algumas mulheres, n\u00e3o entrem no claustro. Parece que sua piedade pessoal n\u00e3o \u00e9 grande. Mas eles veem nos bispos os l\u00edderes da igreja, ou seja, de uma for\u00e7a divina muito grande. Al\u00e9m disso, esses bispos gozam de um prest\u00edgio imenso junto ao povo. Eles podem ser e s\u00e3o, entre os visigodos, por exemplo, um contrapeso \u00fatil \u00e0 aristocracia laica.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><a>V. Justiniano (526-265)<\/a><\/h2>\n\n\n\n<p>N\u00e3o h\u00e1 erro maior do que pensar que a ideia do Imp\u00e9rio desapareceu ap\u00f3s o desmembramento das prov\u00edncias ocidentais pelos b\u00e1rbaros. Ningu\u00e9m pode duvidar que o basileu que reina em Constantinopla ainda estenda sua autoridade te\u00f3rica a todo o conjunto. Ele n\u00e3o governa mais, mas ainda reina, e todos os olhos se voltam para ele. A igreja, especialmente para quem o Imp\u00e9rio \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o providencial, n\u00e3o pode prescindir dele. Seu chefe em Roma e a cidade de Roma o reconhecem como o soberano leg\u00edtimo da <em>ecclesia<\/em><a href=\"#_ftn174\" id=\"_ftnref174\">[174]<\/a>. Exceto o rei dos v\u00e2ndalos, os reis b\u00e1rbaros o consideram seu mestre, colocam sua ef\u00edgie em suas moedas, solicitam e obt\u00eam t\u00edtulos e favores dele. Justiniano adota Teodoberto<a href=\"#_ftn175\" id=\"_ftnref175\">[175]<\/a> assim como Maur\u00edcio adotar\u00e1 Clodeberto.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 em Constantinopla que os reis submetem suas disputas ou tentam criar intrigas. Por sua vez, o imperador n\u00e3o cedeu nada. Portanto, \u00e9 natural que, quando a oportunidade surgir, ele busque recuperar o que \u00e9 seu. E a essa vontade se soma para Justiniano a preocupa\u00e7\u00e3o com o restabelecimento da ortodoxia religiosa. Apesar da perda de quase todas as costas do Mediterr\u00e2neo, Biz\u00e2ncio \u00e9 grande o suficiente para tentar a grande empreitada de reconstituir o Imp\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela tem uma frota que lhe confere dom\u00ednio sobre o mar. Ela \u00e9 apoiada pela Igreja, com a qual Teodorico acabou de brigar. Na It\u00e1lia, ela pode contar com o apoio das grandes fam\u00edlias romanas, na \u00c1frica com a clientela dos refugiados da aristocracia v\u00e2ndala que buscaram na corte imperial um ref\u00fagio contra as persegui\u00e7\u00f5es reais; talvez tamb\u00e9m contasse com a revolta das popula\u00e7\u00f5es provinciais.<\/p>\n\n\n\n<p>Para maximizar suas chances de sucesso, Justiniano, antes de iniciar suas campanhas, faz a paz com o Imp\u00e9rio Persa (532) e mant\u00e9m sob controle, por meio de subs\u00eddios, os b\u00e1rbaros de todas as esp\u00e9cies que rondam as fronteiras.<\/p>\n\n\n\n<p>Biz\u00e2ncio n\u00e3o enfrenta uma frente \u00fanica. N\u00e3o h\u00e1 uma pol\u00edtica germ\u00e2nica. Teodorico tentou agrupar sob sua hegemonia os outros estados. Mas seu objetivo era simplesmente proteger a It\u00e1lia. Para isso, apoiou os visigodos contra os francos e impediu seu completo aniquilamento ap\u00f3s a batalha de Vouill\u00e9; em 509, obteve a Proven\u00e7a de Cl\u00f3vis e, em 523, interveio para impedir os francos de aniquilarem a Borgonha<a href=\"#_ftn176\" id=\"_ftnref176\">[176]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Longe de reconcili\u00e1-lo com os reis francos, sua pol\u00edtica fez dos merov\u00edngios seus inimigos irreconcili\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Biz\u00e2ncio n\u00e3o interveio para impedir Teodorico de se estabelecer t\u00e3o fortemente na It\u00e1lia, foi porque n\u00e3o se sentiu capaz disso. Tolerou a ocupa\u00e7\u00e3o, manteve rela\u00e7\u00f5es pac\u00edficas com Teodorico, mas n\u00e3o aceitou o fato consumado.<\/p>\n\n\n\n<p>Contra os ostrogodos, Biz\u00e2ncio encontraria aliados naturais nos francos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 526, Teodorico morreu. Como um imperador romano<a href=\"#_ftn177\" id=\"_ftnref177\">[177]<\/a>, e em completa contradi\u00e7\u00e3o com o costume germ\u00e2nico, ao morrer, designou seu neto Atalarico, de 10 anos, como seu sucessor, sob a reg\u00eancia de sua m\u00e3e Amalasunta.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta s\u00f3 assumiu o poder com o consentimento de Justiniano, e mostrou-lhe tal defer\u00eancia que ele pode ter considerado o retorno da It\u00e1lia ao Imp\u00e9rio sem derramar sangue.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, Justiniano dirigiu sua ofensiva contra os v\u00e2ndalos. Em 533, em uma \u00fanica campanha, Belis\u00e1rio triunfa sobre o usurpador Gelimer, que ocupava o trono na \u00e9poca, e conquista toda a costa da \u00c1frica at\u00e9 Ceuta.<\/p>\n\n\n\n<p>Justiniano logo estabelece uma fronteira l\u00e1. Al\u00e9m disso, reassume imediatamente o governo do pa\u00eds, onde todo o sistema administrativo romano foi preservado.<\/p>\n\n\n\n<p>Os v\u00e2ndalos n\u00e3o reagiram. Eles se fundiram imediatamente com a popula\u00e7\u00e3o romana e nunca mais se ouviu falar deles.<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00c1frica, a prov\u00edncia mais rica do Imp\u00e9rio, estava unida a ele. Apenas os mouros resistiram at\u00e9 serem finalmente subjugados em 548<a href=\"#_ftn178\" id=\"_ftnref178\">[178]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Justiniano havia acabado de conquistar a \u00c1frica (533), o jovem rei dos ostrogodos, Atalarico, morreu (534). Sua m\u00e3e Amalasunta, para manter o poder, casou-se com seu primo Teodato; mas, no ano seguinte (535), ele a fez perecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Imediatamente, Justiniano interv\u00e9m. Belis\u00e1rio conquista a Sic\u00edlia (535), completando assim a conquista da \u00c1frica; aclamado pela popula\u00e7\u00e3o, avan\u00e7a para o norte, toma N\u00e1poles e entra em Roma j\u00e1 em 536.<\/p>\n\n\n\n<p>A dinastia romanizada dos ostrogodos n\u00e3o ofereceu resist\u00eancia. Teodato se orgulhava de ser plat\u00f4nico e desprezar as armas, e seu irm\u00e3o Ebremundo se rendeu imediatamente a Belis\u00e1rio, preferindo viver como patr\u00edcio em Roma a defender a causa de seus compatriotas b\u00e1rbaros<a href=\"#_ftn179\" id=\"_ftnref179\">[179]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, repentinamente, Belis\u00e1rio encontrou uma resist\u00eancia obstinada.<\/p>\n\n\n\n<p>Sentindo-se amea\u00e7ados na posse das terras que lhes foram concedidas, os soldados ostrogodos elevam um de seus oficiais, Vitige, sobre seus escudos e o aclamam rei.<\/p>\n\n\n\n<p>Imediatamente, ele marcha para Roma, onde Belis\u00e1rio se refugiou (537), mas n\u00e3o consegue tomar a cidade e, logo obrigado a se retirar, se fortifica em Ravena.<\/p>\n\n\n\n<p>Temendo ser atacado ao norte pelos francos, ele lhes cede a Proven\u00e7a, que Justiniano prontamente reconhece<a href=\"#_ftn180\" id=\"_ftnref180\">[180]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, incapaz de resistir \u00e0s tropas de Belis\u00e1rio, Vitige negocia.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que ele deixe a vida e as terras deles, os godos oferecem a Belis\u00e1rio a coroa real. Belis\u00e1rio aceita ou finge aceitar e entra na cidade (540). Um tratado \u00e9 assinado. As guarni\u00e7\u00f5es g\u00f3ticas prestam juramento ao seu novo rei. E Belis\u00e1rio, tendo conclu\u00eddo sua miss\u00e3o, \u00e9 chamado de volta pelo imperador. Para espanto dos godos, que n\u00e3o entendem por que ele voltaria ao servi\u00e7o quando poderia ser um rei independente, Belis\u00e1rio obedece. Ele leva consigo Vitige e uma quantidade de godos que o seguem e que participar\u00e3o com ele das guerras contra os persas.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa conduta de Belis\u00e1rio, que traz um prefeito pretoriano para a It\u00e1lia e o governo regular de Roma, constitui uma trai\u00e7\u00e3o aos olhos dos godos. Aqueles do norte da It\u00e1lia, cujo territ\u00f3rio ainda n\u00e3o foi ocupado pelos imperiais, se revoltam, oferecem a coroa a um oficial, Uraias, que recusa, e ent\u00e3o a Ildibaldo, sobrinho do rei visigodo T\u00eaudis<a href=\"#_ftn181\" id=\"_ftnref181\">[181]<\/a>; este \u00faltimo empreender\u00e1 a reconquista da It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento, a popula\u00e7\u00e3o italiana est\u00e1 sobrecarregada de impostos. Belis\u00e1rio levou a maior parte das tropas; o que resta delas est\u00e1 distribu\u00eddo em guarni\u00e7\u00f5es, sem comando geral.<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo de Pavia com mil homens, Ildibaldo, gra\u00e7as \u00e0 hostilidade da popula\u00e7\u00e3o contra o novo governo imperial, alcan\u00e7a s\u00e9rios sucessos. Ele triunfa sobre o ex\u00e9rcito romano comandado pelo mestre militar da Il\u00edria, mas \u00e9 assassinado nesse momento<a href=\"#_ftn182\" id=\"_ftnref182\">[182]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu sucessor, Erarico, que n\u00e3o \u00e9 godo, mas um ruga, imediatamente tenta negociar com Justiniano, oferecendo trair seu ex\u00e9rcito e ir viver em Constantinopla, em troca do t\u00edtulo de patr\u00edcio. Assassinado antes de poder colocar seu projeto em pr\u00e1tica (541), foi sucedido por Totila, um primo de Ildibaldo. Pronto para reconhecer a autoridade de Justiniano antes de ascender ao trono, ele deveria, uma vez rei, demonstrar uma not\u00e1vel energia<a href=\"#_ftn183\" id=\"_ftnref183\">[183]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu ex\u00e9rcito se fortalece com desertores imperiais, escravos, colonos italianos que sua hostilidade aos grandes propriet\u00e1rios atrai. Com eles, ele toma Roma (17 de dezembro de 546). Ele ent\u00e3o tenta negociar com Justiniano, que o considera um tirano e se recusa a ouvi-lo. Ele s\u00f3 pediria paz se Justiniano aceitasse que ele pagasse tributo e fornecesse servi\u00e7o militar<a href=\"#_ftn184\" id=\"_ftnref184\">[184]<\/a>. Nessas circunst\u00e2ncias, parece dif\u00edcil v\u00ea-lo como um her\u00f3i nacional. Mas ele \u00e9 certamente um dos reis Germ\u00e2nicos mais inteligentes e civilizados, e seus sucessos s\u00e3o em grande parte devidos \u00e0 sua humanidade, que lhe ganha o apoio das popula\u00e7\u00f5es romanas amarguradas e infelizes.<\/p>\n\n\n\n<p>Obrigado \u00e0 guerra pelo recusa do imperador em negociar com ele, ele retoma a Sic\u00edlia, a Sardenha, a C\u00f3rsega, constr\u00f3i uma frota com os navios bizantinos capturados, mant\u00e9m o controle do Adri\u00e1tico atrav\u00e9s dela e, ap\u00f3s reconquistar toda a It\u00e1lia, a governa como Teodorico.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, Justiniano n\u00e3o havia desistido da It\u00e1lia. Em 551, Narses desembarca l\u00e1 com 20.000 homens. Ele derrota Totila, que morre na batalha. Seu sucessor, Teias, ap\u00f3s lutar desesperadamente, \u00e9 derrotado e morto em 553, ao p\u00e9 do Ves\u00favio.<\/p>\n\n\n\n<p>Esgotados, os godos se voltam para os francos e alamanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas as bandas francas e alamanas que respondem ao seu chamado, ap\u00f3s saquearem godos e romanos indistintamente, s\u00e3o esmagadas pelos bizantinos perto de C\u00e1pua em 554. O restante dos godos finalmente se submete e \u00e9 enviado para a \u00c1sia para lutar contra os persas.<\/p>\n\n\n\n<p>A It\u00e1lia \u00e9 reorganizada como uma prov\u00edncia romana. O exarca ou patr\u00edcio se estabelece em Ravena. Mas o pa\u00eds est\u00e1 exaurido.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante essa luta de vinte anos entre os bizantinos e os ostrogodos, a pol\u00edtica franca busca apenas tirar proveito da situa\u00e7\u00e3o. Em 532, os francos conquistam a Borgonha; em 535, a amea\u00e7a que representam para Vitige lhes vale a cess\u00e3o da Proven\u00e7a, que Justiniano reconhece imediatamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, j\u00e1 em 539, Teudeberto desce \u00e0 It\u00e1lia com um grande ex\u00e9rcito e, com Vitige sitiado em Ravena, conquista a maior parte da Ven\u00e9cia e da Lig\u00faria. Obrigado a se retirar devido \u00e0s doen\u00e7as que dizimam suas tropas, Teudeberto conserva, no entanto, parte da Ven\u00e9cia e deixa l\u00e1 um duque que mais tarde Totila faz reconhecer. Talvez ele pensasse em atacar Constantinopla a partir dali<a href=\"#_ftn185\" id=\"_ftnref185\">[185]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi da Ven\u00e9cia que se espalharam para a It\u00e1lia, em 552-553, as bandas franco-alamanas que finalmente foram esmagadas pelos bizantinos. A Ven\u00e9cia, assim, foi perdida para os francos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em momento algum uma alian\u00e7a foi considerada entre os francos e os ostrogodos para se unirem contra o Imp\u00e9rio, que n\u00e3o encontrou solidariedade germ\u00e2nica para resistir a ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a reconquista da \u00c1frica e da It\u00e1lia, Justiniano se volta para a Espanha. Foi uma luta interna que permitiu sua interven\u00e7\u00e3o. Chamado por Atanagildo contra o rei \u00c1gila, ele ordena a L\u00edbero, que acabara de reconquistar a Sic\u00edlia, que desembarque na Espanha. \u00c1gila, derrotado em Sevilha, \u00e9 morto por seus soldados, que aclamam Atanagildo, fiel servo do imperador, em 554.<\/p>\n\n\n\n<p>Os romanos agora ocupam todas as costas do mar Tirreno, exceto a Provence. A realeza visig\u00f3tica, que de fato reconhece a soberania imperial<a href=\"#_ftn186\" id=\"_ftnref186\">[186]<\/a>, est\u00e1 isolada do mar.<\/p>\n\n\n\n<p>O Mediterr\u00e2neo tornou-se novamente um lago romano.<\/p>\n\n\n\n<p>O Imp\u00e9rio havia feito um esfor\u00e7o prodigioso. Para triunfar, teve que enfrentar todos os fronts: enquanto lutava na It\u00e1lia, os persas<a href=\"#_ftn187\" id=\"_ftnref187\">[187]<\/a>, instigados pelos ostrogodos, entraram em guerra contra ele; nos B\u00e1lc\u00e3s, os eslavos tiveram que ser contidos nas fronteiras que atacavam.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio dessas guerras incessantes e vitoriosas, o Imp\u00e9rio, por outro lado, se adaptava \u00e0 profunda evolu\u00e7\u00e3o que transformava a sociedade e os costumes. O C\u00f3digo, que leva o nome de Justiniano, \u00e9 uma das grandes obras jur\u00eddicas de todos os tempos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, a civiliza\u00e7\u00e3o romana brilha com o m\u00e1ximo esplendor, e para comemorar esse admir\u00e1vel renascimento do Imp\u00e9rio, Santa Sofia \u00e9 erguida no centro da capital como um enorme arco do triunfo erguido para a gl\u00f3ria de Deus e de Biz\u00e2ncio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na morte de Justiniano, o Imp\u00e9rio est\u00e1 reconstitu\u00eddo, cercado de fortalezas, mas profundamente exaurido. No entanto, ele ser\u00e1 obrigado a enfrentar novas e terr\u00edveis lutas.<\/p>\n\n\n\n<p>O per\u00edodo que se segue ao reinado de Justiniano, de 565 a 610, \u00e9 um dos mais desolados da hist\u00f3ria bizantina<a href=\"#_ftn188\" id=\"_ftnref188\">[188]<\/a>. A guerra grassa em todas as fronteiras: os persas, os eslavos e os \u00e1varos se lan\u00e7am sobre o Imp\u00e9rio e, em 568, os lombardos invadem o norte da It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, para os contempor\u00e2neos, Biz\u00e2ncio n\u00e3o parece estar em decad\u00eancia; ningu\u00e9m prev\u00ea a cat\u00e1strofe. Em resumo, ela recuperou terreno em todo o Ocidente e possui poderosos meios de a\u00e7\u00e3o: sua frota, que lhe permite manter contato com Ravena, a \u00c1frica e a Espanha, seu tesouro, sua diplomacia. E ent\u00e3o, ela conta com a incapacidade de seus advers\u00e1rios de se entenderem entre si.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o Imp\u00e9rio logo cede em todos os fronts. O evento mais importante deste per\u00edodo \u00e9, sem d\u00favida, a invas\u00e3o lombarda.<\/p>\n\n\n\n<p>Os lombardos invadem a It\u00e1lia, e embora, j\u00e1 em 575, alcancem Spoleto e Benevento, eles n\u00e3o conseguem tomar nem Roma, nem Ravena, nem N\u00e1poles.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, os visigodos reconquistam a Espanha; em 614, o Imp\u00e9rio s\u00f3 mant\u00e9m as Ilhas Baleares<a href=\"#_ftn189\" id=\"_ftnref189\">[189]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, o Mediterr\u00e2neo n\u00e3o est\u00e1 perdido: a \u00c1frica, a Sic\u00edlia, o sul da It\u00e1lia permanecem romanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os lombardos que entraram na It\u00e1lia s\u00e3o quase t\u00e3o Germ\u00e2nicos quanto os anglo-sax\u00f5es fixados na Bretanha. Eles s\u00e3o, pela primeira vez no continente, invasores puros, n\u00e3o t\u00eam nada de um ex\u00e9rcito romano ou <em>foederati<\/em>. Eles imp\u00f5em-se \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, tomam suas terras, reduzem-na \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de vencida. Sua ocupa\u00e7\u00e3o contrasta fortemente com a dos godos de Teodorico. Seus duques e reis, eleitos pelo ex\u00e9rcito, s\u00e3o puramente Germ\u00e2nicos. O povo ainda vive sob o regime dos <em>farae<\/em>, ou seja, dos <em>sippen<\/em>. Suas costumes, seu direito, n\u00e3o sofreram nenhuma influ\u00eancia romana.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles t\u00eam o jogo f\u00e1cil, pois Biz\u00e2ncio est\u00e1 paralisada pela guerra contra os persas e pelas invas\u00f5es eslavas. Mas eles formam apenas bandos de saqueadores, incapazes de tomar as fortalezas romanas, e levantam contra si a Igreja e os francos por suas depreda\u00e7\u00f5es e pela estupidez de sua pol\u00edtica.<\/p>\n\n\n\n<p>Sua chegada \u00e0 It\u00e1lia empurra a papado de volta para Biz\u00e2ncio, que n\u00e3o v\u00ea mais nenhum apoio poss\u00edvel al\u00e9m do imperador. O papa se torna sem d\u00favida a partir desse momento, na cidade arruinada, o verdadeiro governante de Roma, mas ele a mant\u00e9m para o Imp\u00e9rio. Ele aplaude a elei\u00e7\u00e3o do abomin\u00e1vel Focas. Greg\u00f3rio, o Grande, faz promessas de devo\u00e7\u00e3o ao imperador. Essa aproxima\u00e7\u00e3o entre o papa e o imperador acontece ainda mais facilmente porque desde o cisma de Ac\u00e1cio (489-519), n\u00e3o houve mais conflitos religiosos gra\u00e7as a Justiniano. N\u00e3o haver\u00e1 mais at\u00e9 a crise do monofisismo (640-681). A elei\u00e7\u00e3o do papa \u00e9 ratificada pelo exarca, o que indica claramente sua subordina\u00e7\u00e3o ao Imp\u00e9rio. Ele continua a viver no Imp\u00e9rio e a considerar-se um s\u00fadito dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, a invas\u00e3o lombarda estreitou os la\u00e7os entre o imperador e os francos, cuja conduta havia sido t\u00e3o hostil sob Justiniano. As expedi\u00e7\u00f5es malsucedidas dos lombardos na G\u00e1lia, de 569 a 571, levam a um acordo entre os francos e Biz\u00e2ncio. Em 576, o Senado Romano, solicitando ajuda ao imperador, este s\u00f3 pode enviar tropas insuficientes e aconselha a pedir aux\u00edlio aos francos e subornar os duques lombardos com ouro.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 574, um novo ataque dos lombardos contra a G\u00e1lia<a href=\"#_ftn190\" id=\"_ftnref190\">[190]<\/a>, que resulta em uma derrota total, os leva a assinar um tratado de paz com Gontr\u00e3o da Borgonha e seu aliado Clot\u00e1rio II da Austr\u00e1sia. Isso representava um perigo grave para o Imp\u00e9rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A diplomacia imperial \u2013 que n\u00e3o economiza ouro \u2013 esfor\u00e7a-se por manter entre os francos e os lombardos o antagonismo que sozinho pode manter a It\u00e1lia para Biz\u00e2ncio. Apoiado pelo papa, o imperador entra em contato com Quildeberto da N\u00eaustria, que, em 581, afasta Clot\u00e1rio de Gontr\u00e3o. Ao mesmo tempo, o pretendente Gondovaldo, que vive em Constantinopla, \u00e9 enviado bem provido de dinheiro para disputar o trono com Gontr\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o duque Grasulfo de Friul, comprado a peso de ouro, entra em contato com Clot\u00e1rio e com sua m\u00e3e Brunilda, \u00e0 qual, em 583, o imperador envia 50.000 s\u00f3lidos de ouro<a href=\"#_ftn191\" id=\"_ftnref191\">[191]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim, Clot\u00e1rio \u00e9 levado a empreender uma campanha na It\u00e1lia contra os lombardos; ele retorna depois de fazer, mediante dinheiro, a paz com eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste momento, muitos duques lombardos est\u00e3o a favor de Biz\u00e2ncio. Aqueles duques que permaneceram independentes, sentindo sem d\u00favida o perigo que a alian\u00e7a do Imp\u00e9rio com os francos lhes traz, reconstituem em 584 a realeza em favor de Aut\u00e1rio, que logo retoma a luta e, sem a interven\u00e7\u00e3o da frota imperial, teria conquistado Ravena.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas Aut\u00e1rio amea\u00e7a tanto os francos quanto o imperador. Assim, em 588-589, Clot\u00e1rio e sua m\u00e3e Brunilda enviam embaixadores a Constantinopla para preparar com o imperador a guerra contra os lombardos<a href=\"#_ftn192\" id=\"_ftnref192\">[192]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>E, j\u00e1 em 590, um grande ex\u00e9rcito franco, comandado por vinte e dois duques, desce \u00e0 Lombardia.<\/p>\n\n\n\n<p>Por sua vez, o exarca de Ravena marcha contra Aut\u00e1rio, que se refugia em Pavia. O reino lombardo, \u00e0 beira de sua perda, foi salvo pela falta de entendimento entre seus inimigos. Na verdade, neste momento, a guerra contra os persas acabara de terminar e o exarca retomara a ofensiva e apoderara-se de Altino, M\u00f3dena e M\u00e2ntua<a href=\"#_ftn193\" id=\"_ftnref193\">[193]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O Imp\u00e9rio, livre de suas for\u00e7as e esperando a possibilidade do completo retorno da It\u00e1lia ao Imp\u00e9rio<a href=\"#_ftn194\" id=\"_ftnref194\">[194]<\/a>, desliga-se dos francos. Foi uma manobra prejudicial.<\/p>\n\n\n\n<p>O fim da alian\u00e7a ativa entre Biz\u00e2ncio e os francos abriu um per\u00edodo de grande sucesso para os lombardos. O Imp\u00e9rio, ali\u00e1s, foi obrigado a voltar a enfrentar os persas e a enfrentar a invas\u00e3o dos \u00e1varos, deixando assim o campo livre para os lombardos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os francos, por sua vez, deixaram de intervir na It\u00e1lia. Uma expedi\u00e7\u00e3o organizada por eles em 662-663 falhou; esta seria a \u00faltima antes de Carlos Magno.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma s\u00e9rie de tr\u00e9guas preparou o caminho para a paz, assinada at\u00e9 680 entre o imperador e os lombardos, que consagrou a divis\u00e3o da It\u00e1lia entre eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Este meio fracasso do Imp\u00e9rio na It\u00e1lia n\u00e3o o impediu de manter intacto seu formid\u00e1vel prest\u00edgio. Em 629, Her\u00e1clio triunfa sobre os persas e Dagoberto lhe envia uma embaixada para parabeniz\u00e1-lo<a href=\"#_ftn195\" id=\"_ftnref195\">[195]<\/a>. Greg\u00f3rio, o Grande, faz de interlocutor entre o imperador e os visigodos cat\u00f3licos<a href=\"#_ftn196\" id=\"_ftnref196\">[196]<\/a>. Ebro\u00edno (m. 680-683) permite a passagem de peregrinos anglo-sax\u00f5es atrav\u00e9s da G\u00e1lia, quando ele se convence de que n\u00e3o se trata de uma <em>legatio imperatorum contra regnum<\/em><a href=\"#_ftn197\" id=\"_ftnref197\">[197]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os intrigantes da pol\u00edtica e da igreja convergem para Constantinopla<a href=\"#_ftn198\" id=\"_ftnref198\">[198]<\/a>, como para um grande centro internacional e intelectual<a href=\"#_ftn199\" id=\"_ftnref199\">[199]<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em suma, o Imp\u00e9rio permaneceu, apesar de suas perdas, como a \u00fanica pot\u00eancia mundial<a href=\"#_ftn200\" id=\"_ftnref200\">[200]<\/a>, assim como Constantinopla \u00e9 a maior cidade civilizada. Sua pol\u00edtica se estende a todos os povos. Ele domina absolutamente a dos estados Germ\u00e2nicos. At\u00e9 o s\u00e9culo VIII<a href=\"#_ftn201\" id=\"_ftnref201\">[201]<\/a>, n\u00e3o h\u00e1 outro elemento positivo na hist\u00f3ria al\u00e9m da influ\u00eancia do Imp\u00e9rio. E \u00e9 certo que esse Imp\u00e9rio tornou-se oriental.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de orientaliza\u00e7\u00e3o, que se manifesta incessantemente desde Diocleciano, \u00e9, de fato, cada vez mais dominante. E \u00e9 observado at\u00e9 na igreja, onde provoca, ali\u00e1s, rachaduras perigosas.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, n\u00e3o se deve exagerar. Exceto por rupturas moment\u00e2neas, Roma permanece a capital da igreja, e assim que os imperadores n\u00e3o apoiam a heresia, os papas voltam para eles.<\/p>\n\n\n\n<p>Atrav\u00e9s de Constantinopla, o bizantinismo gradualmente se espalha para o Ocidente, que n\u00e3o tem nada a lhe opor. Suas modas e sua arte s\u00e3o propagadas pela navega\u00e7\u00e3o. Ele se estabelece em Roma, onde h\u00e1 uma multid\u00e3o de monges gregos, e em toda a It\u00e1lia do Sul. Sua influ\u00eancia \u00e9 vis\u00edvel na Espanha. Naturalmente, alcan\u00e7a toda a \u00c1frica. Na G\u00e1lia, o <em>cellarium fisci<\/em> lembra os comerciantes bizantinos. Veneza orbita em torno de Constantinopla. Os Padres gregos s\u00e3o indispens\u00e1veis para o pensamento religioso do Ocidente. Sem d\u00favida, no s\u00e9culo VIII, quando o imperador se tornar \u03b2\u03b1\u03c3\u03b9\u03bb\u03b5\u03cd\u03c2 \u03c4\u03c9\u03bd \u03a1\u03c9\u03bc\u03b1\u03af\u03c9\u03bd, a divis\u00e3o ser\u00e1 definitiva entre gregos e latinos; pode-se datar do monofisismo (640-681) e especialmente da Iconoclastia (726-843) o in\u00edcio da grande crise, mas quantas hesita\u00e7\u00f5es antes da ruptura completa!<\/p>\n\n\n\n<p>A influ\u00eancia dos s\u00edrios cresce consideravelmente em Roma, onde chegam em grande n\u00famero; v\u00e1rios papas at\u00e9 ser\u00e3o s\u00edrios. Obviamente, uma bizantiniza\u00e7\u00e3o do Ocidente, mais ou menos mitigada pelo irlandismo e anglo-saxonismo, estava na dire\u00e7\u00e3o do futuro. A diferen\u00e7a de idiomas n\u00e3o teria feito diferen\u00e7a. A superioridade de uma cultura sobre a outra era muito grande. Desde que o Mediterr\u00e2neo permanecesse o maior ve\u00edculo entre o Oriente e o Ocidente, e ele permaneceu, a preponder\u00e2ncia do primeiro sobre o segundo era inevit\u00e1vel. O mar, que os bizantinos continuaram a dominar, espalhava por toda parte sua influ\u00eancia. E \u00e9 pelo mar que toda a civiliza\u00e7\u00e3o da \u00e9poca vivia tanto no Ocidente quanto no Oriente. Do germanismo em si, ainda n\u00e3o havia nada a esperar. Os lombardos, no s\u00e9culo VII, estavam por sua vez em pleno processo de romaniza\u00e7\u00e3o. No entanto, um novo centro de cultura acabara de se animar entre os anglo-sax\u00f5es, mas isso lhes vinha diretamente do Mediterr\u00e2neo.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator has-alpha-channel-opacity\"\/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\" id=\"_ftn1\">[1]<\/a> A palavra Rom\u00e2nia foi usada pela primeira vez no s\u00e9culo IV para designar todos os territ\u00f3rios conquistados por Roma. Eug. ALBERTINI, L\u2019Empire romain, na cole\u00e7\u00e3o \u201cPeuples et civilisations\u201d, publicada sob a dire\u00e7\u00e3o de L. HALPHEN e Ph. SAGNAC, t. IV, Paris, 1929, p. 388. Cf. a resenha de A. GRENIER sobre Holland ROSE, The Mediterranean in the ancient world, 2\u00aa edi\u00e7\u00e3o, 1934, Revue historique, t. 173, 1934, p. 194.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\" id=\"_ftn2\">[2]<\/a> Sem d\u00favida, foi isso que impediu que a diarquia ap\u00f3s Teod\u00f3sio desse origem a dois imp\u00e9rios.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\" id=\"_ftn3\">[3]<\/a> Essa supremacia do Oriente, a partir do s\u00e9culo III (mas j\u00e1 antes), \u00e9 destacada por BRATIANU, em seu artigo: La distribution de l\u2019or et les raisons \u00e9conomiques de la division de l\u2019Empire romain, Istros, Revue roumaine d\u2019arch\u00e9ologie et d\u2019histoire ancienne, t. I, 1934, fasc. 2. Ele a v\u00ea como o ponto de partida para a separa\u00e7\u00e3o do Ocidente do Oriente que o Isl\u00e3 completaria. Cf. tamb\u00e9m o estudo de PAULOVA sobre o Isl\u00e3 e a civiliza\u00e7\u00e3o mediterr\u00e2nea, em Vestnik cesk\u00e9 Akademie (Mem\u00f3rias da Academia Tcheca), Praga, 1934.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\" id=\"_ftn4\">[4]<\/a> P. PERDRIZET, Sc\u00e9t\u00e9 et Landevenec, em M\u00e9langes N. Jorga, Paris, 1933, p. 145.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\" id=\"_ftn5\">[5]<\/a> ALBERTINI, op. cit, p. 365.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref6\" id=\"_ftn6\">[6]<\/a> No entanto, em 370 ou 375 (?), uma lei aprovada por Valentiniano e Valens proibiu os casamentos entre provincianos e gentios, sob pena de morte (Code Theod., III, 14, 1). Cf. F. LOT, Les invasions germaniques, Paris, 1935 (Bibl. hist.), p. 168.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref7\" id=\"_ftn7\">[7]<\/a> ALBERTINI, op. cit. p. 412; F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, t. I, p. 79 90, na \u201cHistoire g\u00e9n\u00e9rale\u201d, publicada sob a dire\u00e7\u00e3o de G. GLOTZ. J\u00e1 sob Teod\u00f3sio, Arbogasto era o mestre dos soldados. Veja LOT, ibid, p. 22.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref8\" id=\"_ftn8\">[8]<\/a> ALBERTINI, op. cit., p. 332.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref9\" id=\"_ftn9\">[9]<\/a> L. HALPHEN, Les Barbares, em \u201cPeuples et civilisations\u201d, vol. V, 1926, p. 74.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref10\" id=\"_ftn10\">[10]<\/a> Albertini, op. cit., p. 359.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref11\" id=\"_ftn11\">[11]<\/a> Sobre o nomadismo, veja as excelentes observa\u00e7\u00f5es de F. GAUTIER, Gens\u00e9ric, roi des Vandales, Paris, 1932, in fine.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref12\" id=\"_ftn12\">[12]<\/a> F. DAHN, Die K\u00f6nige des Germanen, vol. VI, 1871, p. 50.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref13\" id=\"_ftn13\">[13]<\/a> L. SCHMIDT, Geschichte des deutschen St\u00e4mme bis zum Ausgang des V\u00f6lkerwanderung. Die Ostgermanen, 2\u00aa ed., Munique, 1934, p. 400-403.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref14\" id=\"_ftn14\">[14]<\/a> L. SCHMIDT, op. cit, p. 426.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref15\" id=\"_ftn15\">[15]<\/a> L. HALPHEN, op. cit., p. 16.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref16\" id=\"_ftn16\">[16]<\/a> Alarico teria gostado de parar, mas n\u00e3o podia; ele precisaria da autoriza\u00e7\u00e3o do imperador, e o imperador tinha o cuidado de n\u00e3o permitir que os b\u00e1rbaros ficassem com a It\u00e1lia, assim como n\u00e3o lhes havia sido permitido ficar com a Tr\u00e1cia no Oriente.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref17\" id=\"_ftn17\">[17]<\/a> F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age (coll. Glotz), t. I, p. 35.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref18\" id=\"_ftn18\">[18]<\/a> Ver. C. DAWSON, The Making of Europe (Nova York, 1932). Les origines de l\u2019Europe (Paris, 1934), p. 110.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref19\" id=\"_ftn19\">[19]<\/a> F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age (col. Glotz), t. I, p. 43.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref20\" id=\"_ftn20\">[20]<\/a> OROSE, Adversus Paganos, VII, 43, ed. K. Zangemeister, 1882, p. 560. L. SCHMIDT, op. cit. p. 453, atribui a Ataulfo a ideia de uma pol\u00edtica anti-rom\u00e2nica e nacionalista. E. STEIN, Geschichte des Sp\u00e4tr\u00f6mischen Reiches, t. I, 1928, p. 403, n\u00e3o diz uma palavra sobre isso, mas observa que Ataulfo deu a sua pol\u00edtica uma apar\u00eancia R\u00f6merfreundlich desde a \u00e9poca de seu casamento.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref21\" id=\"_ftn21\">[21]<\/a> F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, t. I, p. 44. Certamente \u00e9 sobre essa famosa palavra que L. Schmidt constr\u00f3i sua tese sobre o \u201cgermanismo\u201d de Ataulfo. Mas se Ataulfo pensou em substituir o Imp\u00e9rio por um estado \u201cg\u00f3tico\u201d, ele n\u00e3o disse \u201cum estado de esp\u00edrito germ\u00e2nico\u201d; de fato, teria sido um Imp\u00e9rio Romano que ele e os godos teriam governado. Se ele n\u00e3o o fez, foi porque viu que os godos eram incapazes de obedecer \u00e0s leis, ou seja, \u00e0s leis romanas. Agora ele quer colocar a for\u00e7a de seu povo a servi\u00e7o do Imp\u00e9rio, o que prova que a ideia de destruir a Rom\u00e2nia \u00e9 estranha para ele.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref22\" id=\"_ftn22\">[22]<\/a> E. STEIN, op. cit., p. 404.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref23\" id=\"_ftn23\">[23]<\/a> No in\u00edcio, os federados estavam confinados \u00e0s prov\u00edncias erradas: os visigodos na M\u00e9sia e, mais tarde, na segunda Aquit\u00e2nia, os borgonheses na Saboia e os ostrogodos na Pan\u00f4nia. \u00c9 compreens\u00edvel que eles quisessem sair.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref24\" id=\"_ftn24\">[24]<\/a> De acordo com H. BRUNNER, Deutsche Rechtsgeschichte (Leipzig, 2\u00aa ed., 1906), t. I, p. 67, a aplica\u00e7\u00e3o das regras de tercia aos godos foi posterior. Sobre o acordo de parti\u00e7\u00e3o, consulte E. STEIN, op. cit., p. 406.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref25\" id=\"_ftn25\">[25]<\/a> F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, t. I, p. 57, observam que em 423, quando Hon\u00f3rio morreu, o Imp\u00e9rio havia restabelecido sua autoridade na \u00c1frica, It\u00e1lia, G\u00e1lia e Espanha.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref26\" id=\"_ftn26\">[26]<\/a> E. STEIN, op. cit, p. 482.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref27\" id=\"_ftn27\">[27]<\/a> F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, t. I, p. 63.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref28\" id=\"_ftn28\">[28]<\/a> L. HALPHEN, op. cit., p. 32.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref29\" id=\"_ftn29\">[29]<\/a> E. GAUTIER, Gens\u00e9ric, p. 233 235.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref30\" id=\"_ftn30\">[30]<\/a> A. COVILLE, Recherches sur l\u2019histoire de Lyon du Ve si\u00e8cle au IXe si\u00e8cle (450 800), Paris, 1928, p. 121.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref31\" id=\"_ftn31\">[31]<\/a> Elas foram estabelecidas em Savoy de acordo com o princ\u00edpio da tercia. Como BRUNNER, op. cit. observa, t. I, 2\u00aa ed., p. 65 e 66, eles foram derrotados. Esse tipo de assentamento, estendido aos visigodos e ostrogodos, era, portanto, de origem romana.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref32\" id=\"_ftn32\">[32]<\/a> L. HALPHEN, op. cit. p. 35, refere-se erroneamente aos esfor\u00e7os \u201cmet\u00f3dicos\u201d dos b\u00e1rbaros.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref33\" id=\"_ftn33\">[33]<\/a> L. SCHMIDT, op. cit., p. 317. Isso ocorreu porque as posses imperiais n\u00e3o podiam fornec\u00ea-los. Sempre o Mediterr\u00e2neo! Eles queriam ser acomodados enquanto continuavam sendo soldados romanos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref34\" id=\"_ftn34\">[34]<\/a> Em 23 de agosto de 476, Odoacro comandou, n\u00e3o um povo, mas todos os tipos de soldados. Ele era rei, mas n\u00e3o nacional. Ele tomou o poder por meio de um pronunciamento militar. Odoacro devolve as ins\u00edgnias imperiais a Constantinopla; ele n\u00e3o as toma para si.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref35\" id=\"_ftn35\">[35]<\/a> L. HALPHEN, op. cit., p. 45. Embora tenham se estabelecido ali como federados ap\u00f3s a morte de \u00c1tila, em 487 eles amea\u00e7aram Constantinopla (ibid., p. 46).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref36\" id=\"_ftn36\">[36]<\/a> Lettres de Saint Avit, ed. Peiper, M. G. H. SS. Antiq. vol. VI2, p. 100.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref37\" id=\"_ftn37\">[37]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Hist. des Francs, II, 38.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref38\" id=\"_ftn38\">[38]<\/a> Nem mesmo Odoacro ousou. E isso prova que \u00e9 impreciso acreditar, como faz Schmidt, que Alarico e Valaia queriam substituir o Imp\u00e9rio Romano por um imp\u00e9rio germ\u00e2nico. Todos aqueles que tinham for\u00e7a, Ric\u00edmero, etc., tiveram fantoches romanos nomeados como imperadores. Odoacro foi o primeiro a renunciar a isso e a reconhecer o imperador de Constantinopla.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref39\" id=\"_ftn39\">[39]<\/a> F. LOT, Les invasions, p. 128, coloca o n\u00famero para a G\u00e1lia em 1\/7. E deve-se observar que ele n\u00e3o inclui nenhuma regi\u00e3o essencial.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref40\" id=\"_ftn40\">[40]<\/a> A. DEMANGEON e L. F\u00c8BVRE, Le Rhin. Probl\u00e8mes d\u2019histoire et d\u2019\u00e9conomie, Paris, 1935. p. 50 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref41\" id=\"_ftn41\">[41]<\/a> Ed. H. Sauppe, M. G. H. SS. Antiq. t. I2, 1877.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref42\" id=\"_ftn42\">[42]<\/a> Sobre os vest\u00edgios romanos na Als\u00e1cia, Su\u00ed\u00e7a e Baviera, consulte LOT, Les invasions, pp. 217 e 220.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref43\" id=\"_ftn43\">[43]<\/a> G. des MAREZ, Le probl\u00e8me de la colonisation franque et du r\u00e9gime agraire dans la Basse Belgique, Bruxelas, 1926, p. 25.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref44\" id=\"_ftn44\">[44]<\/a> Esses s\u00e3o os nomes em baix, stain (stein), etc. Cf. F. LOT, De l\u2019origine et de la signification historique et linguistique des noms de lieux en ville et en court, Rom\u00e2nia, t. LIX (1933). p. 199 e segs. Veja tamb\u00e9m as observa\u00e7\u00f5es de M. BLOCH nos Annales d\u2019histoire \u00e9conomique et sociale, 1934, p. 254 260, e de J. VANN\u00c9RUS, na Revue belge de philologie et d\u2019histoire, t. XIV, 1935, p. 541 e segs. G. KURTH, em seu \u00c9tudes franques, t. I, p. 262, quase n\u00e3o encontra nomes francos em Touraine.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref45\" id=\"_ftn45\">[45]<\/a> GAMILLSCHEG, Romania Germanica, vol. I, 1934, p. 46: Das Land zwischen Seine und Loire ist fr\u00e4nkisches Kulturgebiet, aber nicht mehr Siedlungsgebiet.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref46\" id=\"_ftn46\">[46]<\/a> E. STEIN, op. cit, p. 3, diz que eram 50 milh\u00f5es no final do s\u00e9culo III.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref47\" id=\"_ftn47\">[47]<\/a> C. JULLIAN, Histoire de la Gaule, vol. V, p. 27, estima a popula\u00e7\u00e3o da G\u00e1lia em 40 milh\u00f5es no s\u00e9culo II; ele admite que, no s\u00e9culo IV, esse n\u00famero havia ca\u00eddo pela metade (ibid., vol. VII, p. 29).<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref48\" id=\"_ftn48\">[48]<\/a> DAHN, Die K\u00f6nige des Germanen, vol. VI, p. 50.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref49\" id=\"_ftn49\">[49]<\/a> L. SCHMIDT, op. cit., p. 403.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref50\" id=\"_ftn50\">[50]<\/a> E. GAUTIER, Gens\u00e9ric, p. 97.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref51\" id=\"_ftn51\">[51]<\/a> Historia persecutionis Africanae provinciae, I, I, ed. Hahn, M. G. H. SS. Antiq. vol. III1, p. 2.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref52\" id=\"_ftn52\">[52]<\/a> Ibid, p. 138.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref53\" id=\"_ftn53\">[53]<\/a> E. STEIN, Gesch. des Sp\u00e4t. R\u00f6m. Reiches, vol. I, 1928, p. 477, tamb\u00e9m aceita esse n\u00famero.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref54\" id=\"_ftn54\">[54]<\/a> E. GAUTIER, Gens\u00e9ric, p. 141.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref55\" id=\"_ftn55\">[55]<\/a> L. SCHMIDT, op. cit, p. 168. Em 406, eles estavam estabelecidos na Germ\u00e2nia. Cf. sobre esse assunto a recente teoria exposta por M. H. GREG\u00d3RIO, La patrie des Nibelungen, Byzantion, t. IX, 1934, p. 140, e as obje\u00e7\u00f5es formuladas por M. F. GANSHOF na Revue belge de philologie et d\u2019histoire, t. XIV, 1935, p. 195-210. Seu rei Gundachar, que queria se expandir para a B\u00e9lgica, foi esmagado em 435-436 por A\u00e9cio. Em 443, A\u00e9cio transferiu o que restava deles para Sapaudia. Cf. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, t. I, p. 58 59. COVILLE, op. cit., p. 153 e segs., chega a 263.700 cabe\u00e7as por meio de combina\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref56\" id=\"_ftn56\">[56]<\/a> DOREN, Italienische Wirtschaftsgeschichte (Brodnitz coll.), vol. I, 1934, p. 29.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref57\" id=\"_ftn57\">[57]<\/a> L. SCHMIDT, op. cit, p. 293.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref58\" id=\"_ftn58\">[58]<\/a> Para L. HARTMANN, Das Italienische K\u00f6nigreich, vol. I, p. 72 (em Geschichte Italiens im Mittelalter, vol. I), que segue Dahn, Teodorico deve ter levado centenas de milhares de homens com ele.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref59\" id=\"_ftn59\">[59]<\/a> DAWSON, The making of Europe, 1932, p. 98.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref60\" id=\"_ftn60\">[60]<\/a> Sobre o desaparecimento da l\u00edngua entre os visigodos, consulte GAMILLSCHEG, Romania Germanica, vol. I, 1934, p. 394 e segs., e L. SCHMIDT, op. cit., p. 527.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref61\" id=\"_ftn61\">[61]<\/a> MARTROYE, Gens\u00e9ric. La conqu\u00eate vandale en Afrique et la destruction de l\u2019Empire d\u2019Occident, Paris, 1907, p. 308.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref62\" id=\"_ftn62\">[62]<\/a> H. ZEISS, Die Grabfunde aus dem Spanischen Westgotenreich, Berlim, 1934, p. 126 e p. 138.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref63\" id=\"_ftn63\">[63]<\/a> Coville, op. cit., p. 167 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref64\" id=\"_ftn64\">[64]<\/a> A convers\u00e3o de Recaredo \u00e9 589.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref65\" id=\"_ftn65\">[65]<\/a> Op. cit. no vol. V, p. 170.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref66\" id=\"_ftn66\">[66]<\/a> Quanto ao vocabul\u00e1rio emprestado, ele s\u00f3 pode ser encontrado em franc\u00eas (cf. LOT, Invasions, p. 225 e segs., e GAMILLSCHEG, op. cit., t. I, p. 293 e 295), ou seja, onde a popula\u00e7\u00e3o estava em contato com os alem\u00e3es desde o s\u00e9culo IV. Esse n\u00e3o foi o caso da Aquit\u00e2nia, da Espanha (visigodos), da \u00c1frica (v\u00e2ndalos) ou da It\u00e1lia (ostrogodos). Para o franc\u00eas, a contribui\u00e7\u00e3o germ\u00e2nica \u00e9 estimada em 300 palavras.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref67\" id=\"_ftn67\">[67]<\/a> A Espanha n\u00e3o nos mostra nenhuma popula\u00e7\u00e3o que tenha preservado o tipo germ\u00e2nico. E. PITTARD, Les races et l\u2019histoire, 1924, p. 135.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref68\" id=\"_ftn68\">[68]<\/a> GAUTIER, op. cit., p. 316.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref69\" id=\"_ftn69\">[69]<\/a> HARTMANN, op. cit., vol. I, p. 93.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref70\" id=\"_ftn70\">[70]<\/a> H. BRUNNER, Deutsche Rechsgeschichte, t. I, 2\u00aa ed. 1906, p. 504. Observe que, embora tenham se passado apenas cinquenta anos entre o estabelecimento dos borgonheses na G\u00e1lia e a elabora\u00e7\u00e3o da <em>Lex Gundobada<\/em>, esta \u00faltima trai a Starke Einfl\u00fcsse da R\u00f6mischen Kultur e carece daquela frischen germanischen Urspr\u00fcnglichkeit, que mais tarde seria encontrada nas leis lombardas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref71\" id=\"_ftn71\">[71]<\/a> O que F. Lot diz em F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, t. I, p. 390, sobre a interpenetra\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o no per\u00edodo merov\u00edngio, parece-me completamente impreciso. Ele se contradiz quando, em Les invasions, p. 274, diz: \u201cSi ethniquement, la France (contemporaine) renferme quelques \u00e9l\u00e9ments germaniques, ils sont ant\u00e9rieurs \u00e0 la conqu\u00eate de la Gaule par Clovis.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref72\" id=\"_ftn72\">[72]<\/a> Ed. B. Krusch, M. G. H. SS. rer. Merov, vol. II, p. 123.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref73\" id=\"_ftn73\">[73]<\/a> Das Italienische K\u00f6nigreich, t. I, de la Geschichte Italiens, p. 76.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref74\" id=\"_ftn74\">[74]<\/a> L. SCHMIDT, op. cit, p. 151.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref75\" id=\"_ftn75\">[75]<\/a> Ibid, p. 163.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref76\" id=\"_ftn76\">[76]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Historia Franca, X, I5.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref77\" id=\"_ftn77\">[77]<\/a> HARTMANN, op. cit., t. I, p. 64.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref78\" id=\"_ftn78\">[78]<\/a> Veja sua carta ao rei dos Tur\u00edngios, enviando-lhe sua sobrinha. CASSIODORUS, Variae, IV, I, 2, ed. Th. Mommsen, M. G. H. SS. Antiq. t. XII, p. 114. Cf. SCHMIDT, op. cit. p. 340.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref79\" id=\"_ftn79\">[79]<\/a> HARTMANN, op. cit. no vol. I, p. 261.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref80\" id=\"_ftn80\">[80]<\/a> Ibid, p. 233.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref81\" id=\"_ftn81\">[81]<\/a> PROCOPE, ed. Dewing (The Loeb classical Library), vol. III, p. 22 24.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref82\" id=\"_ftn82\">[82]<\/a> Coville, op. cit., p. 175 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref83\" id=\"_ftn83\">[83]<\/a> Schmidt, op. cit., pp. 146 e 149.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref84\" id=\"_ftn84\">[84]<\/a> Schmidt, op. cit., p. 527 e 528.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref85\" id=\"_ftn85\">[85]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Hist Franc, V, 44 e VI, 46.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref86\" id=\"_ftn86\">[86]<\/a> GAUTIER, op. cit., p. 270.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref87\" id=\"_ftn87\">[87]<\/a> HARTMANN, op. cit, vol. I, p. 284.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref88\" id=\"_ftn88\">[88]<\/a> Os \u00fanicos empr\u00e9stimos alem\u00e3es s\u00e3o os nomes pr\u00f3prios, que n\u00e3o provam nada sobre a nacionalidade. Eles s\u00e3o dados por cortesia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref89\" id=\"_ftn89\">[89]<\/a> Hist. Franc. Praefatio, ed. Arndt, M. G. H. SS. rer. Merov. t. I, p. 7.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref90\" id=\"_ftn90\">[90]<\/a> GREG\u00d3RIO LE GRAND, Regist, XIII, 34, ed. Hartmann, M. G. H. Epist, t. II, p. 397.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref91\" id=\"_ftn91\">[91]<\/a> N\u00e3o se pode falar, como fazem alguns autores, da pol\u00edtica social desses reis e de sua Konservative Haltung com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s institui\u00e7\u00f5es imperiais.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref92\" id=\"_ftn92\">[92]<\/a> JAFF\u00c9 WATTENBACH, Regesta pontificum Romanorum, vol. I, 2\u00aa ed., p. 212, n\u00ba 1899.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref93\" id=\"_ftn93\">[93]<\/a> Houve uma tentativa v\u00e3 de preservar um car\u00e1ter germ\u00e2nico. Veja a feliz hist\u00f3ria do carro de boi. H. PIRENNE, Le char \u00e0 b\u0153ufs des derniers M\u00e9rovingiens. Note sur un passage d\u2019Eginhard, M\u00e9langes Paul Thomas, 1930, p. 555 560.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref94\" id=\"_ftn94\">[94]<\/a> Cassiodoro os chama oficialmente de <em>barbari<\/em> ou <em>milites<\/em>. Cf. L. SCHMIDT, Zur Geschichte R\u00e4tiens unter der Herrschaft der Ostgoten, Zeitschrift f\u00fcr Schweizerische Geschichte, t. XIV, 1934, p. 451.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref95\" id=\"_ftn95\">[95]<\/a> Seu t\u00edtulo \u00e9 <em>Flavius Theodoricus rex<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref96\" id=\"_ftn96\">[96]<\/a> SCHMIDT, op. cit, p. 387.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref97\" id=\"_ftn97\">[97]<\/a> Os godos estavam sujeitos ao imposto sobre a terra. Mas o rei garantiu que eles tivessem trigo barato.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref98\" id=\"_ftn98\">[98]<\/a> SCHMIDT, op. cit., p. 292: das gotische Volksk\u00f6nigtum Theoderichs war erloschen.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref99\" id=\"_ftn99\">[99]<\/a> Entretanto, os ostrogodos eram mais Germ\u00e2nicos do que os visigodos quando se estabeleceram na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref100\" id=\"_ftn100\">[100]<\/a> HARTMANN, op. cit. t. I, p. 100.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref101\" id=\"_ftn101\">[101]<\/a> GAUTIER, op. cit., p. 207.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref102\" id=\"_ftn102\">[102]<\/a> SCHMIDT, op. cit., p. 113.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref103\" id=\"_ftn103\">[103]<\/a> ALBERTINI, Ostrakon byzantin de N\u00e9grine (Numidie), em Cinquantenaire de la Facult\u00e9 des Lettres d\u2019Alger, 1932, p. 53-62.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref104\" id=\"_ftn104\">[104]<\/a> MARTROYE, Le testament de Gens\u00e9ric, em Bulletin de la Soci\u00e9t\u00e9 des Antiquaires de France, 1911, p. 235.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref105\" id=\"_ftn105\">[105]<\/a> ALBERTINI, Actes de vente du Ve si\u00e8cle, trouv\u00e9s dans la r\u00e9gion de T\u00e9bessa (Alg\u00e9rie), Journal des Savants, 1930, p. 30.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref106\" id=\"_ftn106\">[106]<\/a> R. HEUBERGER, \u00dcber die Vandalische Reichskanzlei und die Urkunden des K\u00f6nige des Vandalen, Mitteilungen des \u00d6ster. Institut f\u00fcr Geschichtsforschung, XI Erg\u00e4nzungsband, O. Redlich&#8230; Zugeeignet, 1929, p. 76 113.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref107\" id=\"_ftn107\">[107]<\/a> Veja abaixo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref108\" id=\"_ftn108\">[108]<\/a> Chronicon, ed. Mommsen, M. G. H. SS. Antiq. vol. XI, p. 184 206.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref109\" id=\"_ftn109\">[109]<\/a> Ch. SAUMAGNE, Ouvriers agricoles ou r\u00f4deurs de celliers? Les Circoncellions d\u2019Afrique, Annales d\u2019histoire \u00e9conomique et sociale, t. VI, 1934, p. 353.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref110\" id=\"_ftn110\">[110]<\/a> M. M. BLOCH apontou, na Revue historique de mar\u00e7o-abril de 1930, p. 336, como \u00e9 grotesca a cren\u00e7a em certa pseudo persist\u00eancia do germanismo. Sobre a romaniza\u00e7\u00e3o extraordinariamente r\u00e1pida dos visigodos, veja GAMILLSCHEG Romania Germanica, t. I, p. 394 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref111\" id=\"_ftn111\">[111]<\/a> 111 LOT, La fin du monde antique et le d\u00e9but du Moyen Age, na cole\u00e7\u00e3o \u201cL\u2019\u00c9volution de l\u2019humanit\u00e9\u201d, Paris, 1927, p. 329: Reccesvinth, por volta de 630, adotou o traje bizantino.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref112\" id=\"_ftn112\">[112]<\/a> LOT, op. cit., p. 329.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref113\" id=\"_ftn113\">[113]<\/a> A un\u00e7\u00e3o real \u00e9 atestada por Wamba em 672, mas \u00e9, sem d\u00favida, mais antiga e pode remontar a Recaredo (586-608), M. BLOCH, Les rois thaumaturges, 1924, p. 461.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref114\" id=\"_ftn114\">[114]<\/a> Texto do 30\u00ba c\u00e2none do 6\u00ba Conc\u00edlio de Toledo, citado por ZIEGLER, Church and State in Visigothic Spain, 1930, p. 101.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref115\" id=\"_ftn115\">[115]<\/a> F. LOT, op. cit, p. 329.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref116\" id=\"_ftn116\">[116]<\/a> ZIEGLER, op. cit., p. 126.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref117\" id=\"_ftn117\">[117]<\/a> Op. cit., p. 329.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref118\" id=\"_ftn118\">[118]<\/a> P. GUILHIERMOZ, Essai sur l\u2019origine de la noblesse en France au Moyen Age, 190 p. 13, n. 55.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref119\" id=\"_ftn119\">[119]<\/a> Veja os relatos muito detalhados em Coville, op. cit, p. 77 238.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref120\" id=\"_ftn120\">[120]<\/a> Em 443, em Sapaudia, COVILLE, op. cit., p. 109.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref121\" id=\"_ftn121\">[121]<\/a> HARTMANN, op. cit., t. I, p. 218 219.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref122\" id=\"_ftn122\">[122]<\/a> L. SCHMIDT, op. cit. p. 169 e p. 178.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref123\" id=\"_ftn123\">[123]<\/a> Lex Gundobada, X, ed. R. de Salis, M. G. H. Leges, vol. II1, p. 50.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref124\" id=\"_ftn124\">[124]<\/a> Esse \u00e9 o ponto de vista defendido, em particular, por H. BRUNNER em seu Deutsche Rechtgeschichte, e G. WAITZ em seu Deutsche Verfassungsgeschichte.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref125\" id=\"_ftn125\">[125]<\/a> Quando um rei da Austr\u00e1sia se tornou rei de todo o reino, ele se apressou em se estabelecer em Paris. F. LOT, Les invasions, p. 208. As observa\u00e7\u00f5es arqueol\u00f3gicas de ABERG, Die Franken und Westgothen in der V\u00f6lkerwanderungszeit, Upsala, 1922, e as observa\u00e7\u00f5es filol\u00f3gicas de GAMILLSCHEG, Romania Germanica, t. I, p. 294, provam que, a partir de meados do s\u00e9culo VI, os francos da G\u00e1lia n\u00e3o exerceram mais nenhuma influ\u00eancia sobre as regi\u00f5es da Germ\u00e2nia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref126\" id=\"_ftn126\">[126]<\/a> R. BUCHNER, Die Provence in Merowingischer Zeit, 1933, p. 2, n. 5. De acordo com esse autor, Cl\u00f3vis diferia dos outros reis Germ\u00e2nicos puramente mediterr\u00e2neos, porque ele visava tanto o Mediterr\u00e2neo quanto a Germ\u00e2nia. Ele n\u00e3o percebeu que, desse lado, sua atitude, e especialmente a de seus sucessores, era puramente defensiva. G. RICHTER, Annalen des fr\u00e4nkischen Reichs im Zeitalter der Merowinger (1873), p. 48, e F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, vol. I, p. 205.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref127\" id=\"_ftn127\">[127]<\/a> G. RICHTER, Annalen des fr\u00e4nkischen Reichs im Zeitalter der Merowinger (1873), p. 48, e F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, vol. I, p. 205.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref128\" id=\"_ftn128\">[128]<\/a> RICHTER, op. cit, p. 61.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref129\" id=\"_ftn129\">[129]<\/a> Ibid, p. 63.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref130\" id=\"_ftn130\">[130]<\/a> Ibid, p. 102.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref131\" id=\"_ftn131\">[131]<\/a> Ibid, p. 160.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref132\" id=\"_ftn132\">[132]<\/a> Ibid, p. 165.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref133\" id=\"_ftn133\">[133]<\/a> Ibid, p. 177.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref134\" id=\"_ftn134\">[134]<\/a> Os agentes do rei merov\u00edngio eram chamados de ju\u00edzes, como os do imperador.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref135\" id=\"_ftn135\">[135]<\/a> H. von SYBEL, Entstehung des Deutschen K\u00f6nigthums, 2\u00aa ed., 1881, viu isso claramente. Veja a pol\u00eamica contra ele por G. WAITZ, Deutsche Verfassungsgeschichte, vol. II, parte I, 3\u00aa ed. 1882, p. 81 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref136\" id=\"_ftn136\">[136]<\/a> WAITZ, op. cit. no vol. II, parte 2, 3\u00aa ed. p. 273, refere-se \u00e0 recusa dos alem\u00e3es em pagar impostos pessoais porque eram considerados incompat\u00edveis com a <em>ingenuitas<\/em>. Mas n\u00e3o h\u00e1 nada de germ\u00e2nico nisso. Ele cita, n. 3, um texto do Conselho que prova isso at\u00e9 o ponto da evid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref137\" id=\"_ftn137\">[137]<\/a> WAITZ, op. cit. no vol. II, parte 2, 3\u00aa ed., pp. 122 e segs., tenta provar que os funcion\u00e1rios merov\u00edngios n\u00e3o eram romanos. N\u00e3o havia mais separa\u00e7\u00e3o entre os militares e os civis; o rei lhes dava a proibi\u00e7\u00e3o, mas eles n\u00e3o tinham sal\u00e1rio! Ele admite, al\u00e9m disso, que a administra\u00e7\u00e3o era estranha aos alem\u00e3es (p. 124) e se esquece dos escravos e dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos romanos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref138\" id=\"_ftn138\">[138]<\/a> BRUNNER, op. cit, vol. II, 2\u00aa ed., p. 77 80.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref139\" id=\"_ftn139\">[139]<\/a> Ibid, p. 364 365.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref140\" id=\"_ftn140\">[140]<\/a> F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, t. I, p. 271.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref141\" id=\"_ftn141\">[141]<\/a> H. BRESSLAU, Handbuch der Urkundenlehre, vol. I, 2\u00aa ed., 1912, p. 360-362.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref142\" id=\"_ftn142\">[142]<\/a> WAITZ, op. cit. no vol. II, parte 2, 3\u00aa ed., p. 241.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref143\" id=\"_ftn143\">[143]<\/a> O que WAITZ, op. cit. no vol. II, parte I, 3\u00aa ed., p. 205 e segs., diz sobre o car\u00e1ter germ\u00e2nico do rei \u00e9 completamente irrelevante.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref144\" id=\"_ftn144\">[144]<\/a> F. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, t. I, p. 200, n. 98.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref145\" id=\"_ftn145\">[145]<\/a> Embora a palavra \u201cban\u201d designe poder, ela n\u00e3o \u00e9 germ\u00e2nica. A antiga palavra militar foi preservada e isso \u00e9 tudo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref146\" id=\"_ftn146\">[146]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Hist. franc, VI, 46; WAITZ, op. cit, t. II, Parte I, 3\u00aa ed., p. 212, cita GREG\u00d3RIO DE TOURS, Hist. franc, IX, 8: agendo contra voluntate vestram atque utilitatem publicam.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref147\" id=\"_ftn147\">[147]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Historia Franca, V, 25; VI, 37; IX, 13; IX, 14; X, 19.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref148\" id=\"_ftn148\">[148]<\/a> Cf. a situa\u00e7\u00e3o entre os anglo-sax\u00f5es. Ver W. STUBBS, Histoire constitutionnelle de l\u2019Angleterre, ed. et trad. fran\u00e7. par G. LEF\u00c8BVRE et Ch. PETIT DUTAILLIS, t. I, 1907, p. 183.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref149\" id=\"_ftn149\">[149]<\/a> O particionamento s\u00f3 \u00e9 encontrado entre os francos, talvez porque na \u00e9poca da sucess\u00e3o de Cl\u00f3vis n\u00e3o havia mais um imperador no Ocidente e, de qualquer forma, os francos n\u00e3o se lembravam do imperador daquela \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref150\" id=\"_ftn150\">[150]<\/a> Teodoberto teria pensado em atacar Biz\u00e2ncio. LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, t. I, p. 208.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref151\" id=\"_ftn151\">[151]<\/a> N\u00e3o havia hereditariedade no cargo. O rei escolhia quem ele queria, como o imperador.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref152\" id=\"_ftn152\">[152]<\/a> DAHN, op. cit., t. VI, p. 290.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref153\" id=\"_ftn153\">[153]<\/a> H. PIRENNE, Le cellarium fisci, Acad\u00e9mie royale de Belgique, Bulletin de la Classe des Lettres et des Sciences morales et politiques, 5e s\u00e9rie, t. XVI, 1930, nos. 5 7, p. 202.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref154\" id=\"_ftn154\">[154]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Hist Franc, III, 34.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref155\" id=\"_ftn155\">[155]<\/a> H. PIRENNE, Libert\u00e9 et propri\u00e9t\u00e9 en Flandre du VIIe au XIe si\u00e8cle, Acad\u00e9mie royale de Belgique, Bulletin de la Classe des Lettres, 1911, p. 522 523.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref156\" id=\"_ftn156\">[156]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Hist Franc, V, 28.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref157\" id=\"_ftn157\">[157]<\/a> FUSTEL DE COULANGES, Les transformations de la royaut\u00e9 pendant l\u2019\u00e9poque carolingienne, p. 19.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref158\" id=\"_ftn158\">[158]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Hist Franc, VI, 42.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref159\" id=\"_ftn159\">[159]<\/a> Ibid, VI, 45; VII, 9; VII, 15.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref160\" id=\"_ftn160\">[160]<\/a> S. DILL, Roman society in Gaul in the Merovingian Age, 1926, p. 280.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref161\" id=\"_ftn161\">[161]<\/a> Gesta Dagoberti r\u00e9gis, c. 17, M. G. H. SS. rer. Merov, vol. II, p. 406.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref162\" id=\"_ftn162\">[162]<\/a> RICHTER, op. cit, vol. I, p. 98.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref163\" id=\"_ftn163\">[163]<\/a> Ibid, p. 161.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref164\" id=\"_ftn164\">[164]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Historia Franca, V, 38.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref165\" id=\"_ftn165\">[165]<\/a> DAHN, K\u00f6nige des Germanen, vol. VI, p. 290.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref166\" id=\"_ftn166\">[166]<\/a> DAHN, op. cit., vol. VI, p. 260.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref167\" id=\"_ftn167\">[167]<\/a> Ibid, p. 275.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref168\" id=\"_ftn168\">[168]<\/a> Carmina VI, 5, ed. Krusch, M. G. H. SS. Antiq. vol. IV, p. 136 e segs.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref169\" id=\"_ftn169\">[169]<\/a> Didier de Cahors era tesoureiro do rei e prefeito de Marselha, e Saint Ouen era referend\u00e1rio em N\u00eaustria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref170\" id=\"_ftn170\">[170]<\/a> H. BRESSLAU, op. cit, vol. I, 2\u00aa ed., pp. 364-367, cita referend\u00e1rios que se tornaram bispos. Veja tamb\u00e9m H. SPROEMBERG, Marculf und die fr\u00e4nkische Reichskanzlei, Neues Archiv, t. XLVII, 1927, p. 124-125. LOENING, Geschichte des Deutschen Kirchenrechts, vol. II, 1878, p. 262, v\u00ea claramente que o Estado \u00e9 secular, embora esteja equivocado em sua explica\u00e7\u00e3o do fato. Veja tamb\u00e9m DAWSON, op. cit. p. 221 222.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref171\" id=\"_ftn171\">[171]<\/a> L. DUCHESNE, L\u2019\u00c9glise au VIe si\u00e8cle, 1925, p. 528.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref172\" id=\"_ftn172\">[172]<\/a> Cf. a curiosa anedota contada por GREG\u00d3RIO DE TOURS, Liber vitae patrum, VI, 3, M. G. H. SS. rer. Merov, t. I, p. 681-682. Essa foi uma combina\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es interrompidas pelo rei, que, no entanto, nomeou o candidato desejado em troca de grandes presentes e de um banquete celebrado na cidade episcopal. Em suma, tudo dependia do rei. Veja ibid, p. 727 e seguintes, a vida de S\u00e3o Niceto, bispo de Trier, nomeado por um rei, enviado ao ex\u00edlio por outro, reintegrado por um terceiro.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref173\" id=\"_ftn173\">[173]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Historia Franca, III, 25.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref174\" id=\"_ftn174\">[174]<\/a> Veja o trabalho de Greg\u00f3rio, o Grande, que, reconhecidamente, data de depois de Justiniano. \u00c9 suficiente ler os escritos de Marius de Avenches (d. 594), Victor Tonnennensis (d. 569), Jo\u00e3o de Biclaro (d. 590) para ver que para eles o Imp\u00e9rio continuou. Cf. EBERT, Histoire de la litt\u00e9rature du Moyen Age en Occident, trans. AYMERIC e CONDAMIN, vol. I, 1883, p. 618.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref175\" id=\"_ftn175\">[175]<\/a> Th\u00e9odebert escreveu da forma mais humilde poss\u00edvel a Justinien. A. VASILIEV, Histoire de l&#8217;Empire Byzantin, tradu\u00e7\u00e3o francesa, Paris, 1932, t. I, p. 203, n. 2.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref176\" id=\"_ftn176\">[176]<\/a> BUCANER, Die Provence in Merowingischer Zeit, 1933, p. 3.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref177\" id=\"_ftn177\">[177]<\/a> HARTMANN, op. cit., t. I, p. 229 ; F. LOT, La fin du monde antique, p. 303.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref178\" id=\"_ftn178\">[178]<\/a> A. VASILIEV, op. cit., t. I, p. 178.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref179\" id=\"_ftn179\">[179]<\/a> I. HARTMANN, op. cit., t. I, p. 261.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref180\" id=\"_ftn180\">[180]<\/a> F. KIENER, Verfassungsgeschichte der Provence, 1900, p. 22.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref181\" id=\"_ftn181\">[181]<\/a> HARTMANN, op. cit. in vol. I, p. 289 290.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref182\" id=\"_ftn182\">[182]<\/a> Ibid, p. 301.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref183\" id=\"_ftn183\">[183]<\/a> LOT, PFISTER e GANSHOF, Histoire du Moyen Age, t. I, p. 157, descrevem-no como cavalheiresco e preocupado apenas em salvar seu povo. HARTMANN, op. cit. no t. I, p. 302, parece-me ver as coisas com mais clareza quando diz que ele se identificava com o povo apenas no que dizia respeito a seus pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref184\" id=\"_ftn184\">[184]<\/a> HARTMANN, op. cit. t. I, p. 328.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref185\" id=\"_ftn185\">[185]<\/a> RICHTER, op. cit. p. 57 58.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref186\" id=\"_ftn186\">[186]<\/a> Leovigildo, sucessor de Atanagildo (567), pediu ao imperador Justino II que confirmasse sua ascens\u00e3o ao trono. F. LOT, La fin du monde antique, p. 310.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref187\" id=\"_ftn187\">[187]<\/a> VASILIEV, op. cit. t. I, p. 181.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref188\" id=\"_ftn188\">[188]<\/a> VASILIEV, op. cit. t. I, p. 220 221.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref189\" id=\"_ftn189\">[189]<\/a> Ibid. p. 261.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref190\" id=\"_ftn190\">[190]<\/a> HARTMANN, Geschichte Italiens im Mittelalter, t. II, Part I, 1900, p. 58 ff.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref191\" id=\"_ftn191\">[191]<\/a> GASQUET, L\u2019Empire byzantin et la monarchie franque, p. 198.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref192\" id=\"_ftn192\">[192]<\/a> J\u00e1 em 587, o duque Gontran havia sido enviado em uma embaixada ao imperador Maur\u00edcio. Consulte GASQUET, L\u2019Empire byzantin et la monarchie franque, p. 185 e seguintes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref193\" id=\"_ftn193\">[193]<\/a> HARTMANN, op. cit. in vol. II, parte I, p. 72.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref194\" id=\"_ftn194\">[194]<\/a> Na pr\u00f3pria It\u00e1lia, esse retorno parecia prov\u00e1vel, j\u00e1 que em 590 o Patriarca de Aquileia prop\u00f4s adiar at\u00e9 aquele momento a solu\u00e7\u00e3o para a dificuldade que existia entre ele e Roma sobre os tr\u00eas cap\u00edtulos. HARTMANN, op. cit. in vol. II, p. 89.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref195\" id=\"_ftn195\">[195]<\/a> VASILIEV, op. cit., t. I, p. 263.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref196\" id=\"_ftn196\">[196]<\/a> HARTMANN, op. cit., t. II, p. 176.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref197\" id=\"_ftn197\">[197]<\/a> HARTMANN, op. cit., t. II, 2a parte, 1903, p. 198, n. 2.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref198\" id=\"_ftn198\">[198]<\/a> GREG\u00d3RIO DE TOURS, Hist. Franc., VI, 24.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref199\" id=\"_ftn199\">[199]<\/a> Parece que estudos m\u00e9dicos est\u00e3o sendo realizados em Constantinopla. GREG\u00d3RIO DE TOURS, Historia Franca, X, 15.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref200\" id=\"_ftn200\">[200]<\/a> HARTMANN, op. cit., t. II, 1a parte, p. 85.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref201\" id=\"_ftn201\">[201]<\/a> DAWSON, op. cit., p. 221.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Abaixo voc\u00ea ir\u00e1 ler um trecho de &#8220;Maom\u00e9 e Carlos Magno&#8221;, de Heni Pirenne. Caso queira mais detalhes sobre obra, ou deseja adquiri-la, clique aqui, ou na capinha abaixo. 1. A Continuidade da civiliza\u00e7\u00e3o mediterr\u00e2nea no Ocidente ap\u00f3s as invas\u00f5es germ\u00e2nicas I. A \u201cRom\u00e2nia\u201d antes dos Germ\u00e2nicos De todos os\u2026<\/p>\n<p class=\"continue-reading-button\"> <a class=\"continue-reading-link\" href=\"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/2024\/09\/02\/maome-e-carlos-magno-de-henri-pirenne\/\">Leia mais<i class=\"crycon-right-dir\"><\/i><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":981,"comment_status":"closed","ping_status":"","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[5,44],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984"}],"collection":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=984"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":985,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/984\/revisions\/985"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/981"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=984"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antoniofontoura.com.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}